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BRN o t c i a s d o B r a s i l

Rede Povos da Floresta. Desde ento foram implantados pontos de acesso internet em comunidades do Acre, Amap, Minas Gerais e Rio de Janei-ro. No incio de 2007, a rede estabe-leceu acordo com os Ministrios das Comunicaes e do Meio Ambiente, beneficiando direta e indiretamente mais de 120 mil pessoas.Em 2010, foi criado o Centro de Incluso Digital Indgena (Cidi), uma instituio sem fins lucrativos que visa colaborar para a conectivi-dade dos povos indgenas. O Cidi recebe doaes de equipamentos de informtica diversos, novos ou usa-dos, faz sua manuteno e depois os entrega para as comunidades ind-genas. Alm disso, a instituio ofe-rece cursos de informtica bsica e

mental para aqueles que antes no tinham voz. A internet tem um pa-pel importante na transmisso dessas ideias e na demonstrao de que os grupos indgenas so donos de co-nhecimentos absolutamente perti-nentes para o mundo no indgena. As redes sociais tambm so impor-tantes, pois nelas os ndios se fazem muito presentes e conseguem esten-der suas relaes, explica Nicodme de Renesse, pesquisador da Redes Amerndias e membro do Centro de Estudos Amerndios, ambos da USP.

incluso digital Para apoiar a cone-xo dessas comunidades com a rede mundial de computadores, o Comit para a Democratizao da Informti-ca (CDI) criou, em 2003, o projeto

al d E i a g lo b a l

Comunidades indgenas usam internet e redes sociais para divulgar sua culturaDenunciar crimes ambientais, pre-servar e divulgar sua cultura, de-fender seus direitos, mostrar suas condies de vida. Lutas dirias de diversas comunidades indgenas que, agora, ganharam uma aliada poderosa: a internet. Muitos povos indgenas tm usado a rede para atingir um pblico gran-de, dentro e fora do pas. Os recursos on line so usados para romper o iso-lamento em que muitas comunida-des vivem, e tambm para vencer a barreira da falta de espao que esses povos tm nas mdias tradicionais. A internet possibilita aos indgenas divulgar suas culturas e potenciali-dades de forma mais independente e autnoma, se fazendo conhecer e dialogando diretamente com a po-pulao nacional, aponta Thiago Cavalcante, historiador e pesquisa-dor do Laboratrio de Arqueologia, Etnologia e Etno-Histria (Etnolab) da Universidade Federal de Grande Dourados (UFGD) e do grupo de pesquisas do Centro de Estudos In-dgenas Miguel A. Menendz (Cei-man) da Unesp de Araraquara (SP). A internet acabou se tornando uma ferramenta de comunicao funda-

Wilmar D'Angelis

Jovens Kaingang em projeto Web indgena: preservao da lngua

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BRN o t c i a s d o B r a s i ldassem seu povo a monitorar a flo-resta. O Google acabou comprando a causa e doando laptops, aparelhos de telefone celular e de GPS, que agora so empregados para fiscali-zar e ajudar a combater a explorao dos recursos naturais em suas terras. Mais de 30 ndios foram treinados para monitorar o territrio usando os equipamentos. Eles aprenderam a filmar e a postar vdeos no Youtube e a usar as ferramentas de geoloca-lizao na internet para fiscalizar o territrio. Agora, eles utilizam todo esse arsenal tecnolgico para denun-ciar desmatamento, invases e ou-tros crimes ambientais. O projeto Web Indgena o primei-ro site totalmente em lngua ind-gena no Brasil. Ele foi criado pela comunidade Kaingang, situada da regio metropolitana de Porto Ale-gre (RS), para trocar informaes, postar notcias, se comunicar e pre-servar a lngua materna. Esse povo indgena est usando sua lngua, o Kaingang, para trocar informao na internet (e no s os contedos, mas boa parte da interface est em lngua Kaingang). Isso inevitavel-mente ter impacto, a mdio prazo, nas formas de uso da lngua, no seu lxico, at na sua sintaxe, explica Wilmar D Angelis, professor do Instituto de Estudos da Lingua-gem (IEL) da Unicamp, criador e coordenador do projeto.

Chris Bueno

da Repblica e repassadas Polcia Federal e ao comando do Exrcito, que montaram uma ao para com-bater os invasores. Hoje, a tecnolo-gia faz parte da vida da comunidade Ashaninka, que tem um blog e utili-za o twitter para se comunicar.O portal ndios Online um dos pro-jetos mais conhecidos. Trata-se de uma rede de dilogo intercultural, formada pelos povos Kiriri, Tupi-namb, Patax-Hhhe e Tumbala-l da Bahia, os Xucuru-Kariri e Kari-ri-Xoc de Alagoas, e os Pankararu de Pernambuco. O projeto foi desenvol-vido pela ONG Thydewa, de Salva-dor (BA), com o apoio do Ministrio da Cultura, da Associao Nacional de Apoio ao ndio (Anai) e com as-sessoria de um etnlogo alemo. O portal tem uma seo de notcias, uma apresentao das atividades de-senvolvidas pelos povos, um frum e uma sala de chat. Ao se conectarem, os ndios dessas tribos realizam uma aliana de estudo e trabalho em bene-fcio de suas comunidades. Outro projeto reconhecido interna-cionalmente o do povo Paiter Su-ru, que vive em Cacoal (RO) que, h cinco anos, vem adotando a in-ternet e as redes sociais como estra-tgia de divulgao de sua causa, ou seja, proteo de seu territrio, pre-servao da sua cultura e defesa do meio ambiente. Durante uma pales-tra nos Estados Unidos, em 2007, o cacique da tribo, Almir Suru, pediu aos executivos do Google que aju-

de formao de monitores indgenas para atuarem nas futuras escolas de informtica criadas nas aldeias.Apesar desse apoio, o primeiro Cen-tro de Incluso Digital Indgena foi inaugurado apenas em maro de 2012, na comunidade Tikuna, situ-ada na zona norte de Manaus (AM). De modo geral existem polticas pblicas de incluso digital desde 2003, mas ainda so muito margi-nais. Na prtica, a manuteno das infraestruturas em aldeias carssi-ma, os pontos existentes no duram muito tempo, e as comunidades no conseguem mant-los. As nicas excees so os pontos em escolas indgenas, mantidas pelos governos estaduais. Na realidade, os ndios acessam essencialmente a internet quando vo cidade, diz Renesse.

aleRta contRa madeiReiRas Uma das primeiras comunidades a se co-nectar rede mundial de computa-dores foram os Ashaninka, que vi-vem na regio do Alto-Juru (AC), na divisa de Brasil e Peru. Para se defender dos madeireiros peruanos, que desmatavam as florestas, preju-dicavam seus recursos e muitas vezes entravam em atritos com a comu-nidade, os Ashaninka resolveram inovar. Munidos de um painel solar para captar a energia e um com-putador, eles comearam a enviar e-mails para ONGs e para o gover-no, fazendo denncias. As informa-es foram recebidas na Presidncia

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