5º festival de teatro infantil de blumenal - .entendemos que o debate sobre a função do ator e

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(Capa)

REVISTA DO 4 FESTIVAL NACIONAL DE TEATRO INFANTIL DE BLUMENAL

(Contra-capa) - Foto

(Pg. 3)

Um espetculo para o Brasil

Fazer teatro para crianas uma responsabilidade imensa, no s pelo querepresenta como mensagem transmitida s pequenas cabecinhas, mas tambmcomo formulador de conceitos estticos e como instrumento cultural dentro de umcontexto amplo de sociedade. Tanto o contedo de textos ou as resolues deaes dramticas podem ser determinantes na formao do pblico infantil,instituindo valores e conhecimentos, e, acima de tudo, contribuindo para aconstruo de um novo cidado.

Elencos, diretores, produtores, equipes tcnicas, devem ter o claro entendimento deque, atravs das artes cnicas, podem se transformar em agentes de educao oude destruio das expectativas das platias juvenis. A conscincia desta condiosugere uma profunda reflexo sobre a funo de um espetculo destinado a estasnovas geraes.

Entendemos que o debate sobre a funo do ator e da arte dramtica na realidadeda criana brasileira seja o aspecto mais importante da realizao do FestivalNacional de Teatro Infantil de Blumenau. O Governo Popular tem como prioridadeos avanos sociais e as transformaes de conceitos e atitudes seculares, herdadasde uma trajetria histrica baseada nos privilgios das elites. Atravs da cultura,temos certeza de que possvel alavancar fortes princpios de mudanas.

Mais do que uma reafirmao do fascnio milenar de um palco, mais do que oencantamento sempre provocado por luzes, figurinos, adereos e criativaspersonagens, nossa esperana que este festival sirva de estmulo permanente discusso, popularizao da arte e ao engajamento de teatreiros e pblico nacaminhada por um Brasil mais justo, mais digno e democrtico. Este o grandeespetculo que queremos aplaudir de p. E vocs podem - e muito - ajudar nestamontagem.

Dcio LimaPrefeito de Blumenau

(Pg. 4)

Teatro para criana: o desafio do novo

Fazer teatro para criana aceitar o desafio do novo. apostar no experimental, abrir as portas para aqueles que acreditam que o teatro arte para dar a pensar, dara ver, dar a refletir, a imaginar e a sentir as vivncias que o trabalho cultural

transforma em obras que modificam as prprias aes e experimentaes de ondepartiram.

Pois isso que est acontecendo em Blumenau com o FENATIB. Dos diversosmovimentos artsticos que fazem parte da vida da cidade, o Festival de TeatroInfantil um dos mais importantes. Ele essencial em nossa poltica cultural, poistem uma ao transformadora, transmite s geraes seguintes a cultura teatral.

O teatro talvez a mais exigente das artes, a mais difcil de controle, mas , semdvida alguma, a mais coletiva, e o seu exerccio, o que mais se aproxima dacomunho solidria.

Entendemos que os princpios que orientam nossa poltica cultural sodeterminantes para construo da cidadania: pluralidade, liberdade, diversidade edescentralizao das aes culturais.

Infelizmente a cultura no Brasil tem sido uma prestao de servio de luxo. cara, para poucos. O processo de democratizao da cultura est se iniciando. Para ns uma maneira de sermos vanguarda neste processo.

O Festival tambm tem demonstrado para ns participantes desta gesto cultural doGoverno Democrtico e Popular de Blumenau, de forma muito simples e clara, como possvel, com a escassez de recursos financeiros, usando-se de muita criatividade,talento, dedicao e amor cultura, superar deficincias e aflorar projetos que setraduzem em mais democracia, liberdade e cidadania.

Braulio Maria SchlogelPresidente da Fundao Cultural de Blumenau

(Pg. 5)

FENATIB, uma proposta do nosso Governo Popular

A prtica cultural, em sentido amplo, pode-se dizer que toda atividade deproduo e absoro cultural: como escrever, compor, pintar, danar, montar umespetculo, produzir um filme, etc. J por hbito cultural, entende-se umadisposio duradoura, adquirida pela reiterao de um ato, como o hbito de ler, deir ao cinema, ao teatro, ou de freqentar uma galeria de arte.

O Festival Nacional de Teatro Infantil uma dessas prticas culturais eeducacionais da Fundao Cultural de Blumenau que se configura como um hbitoimportante, criado especialmente para as crianas. Seu objetivo despertar nessascrianas o prazer e o gosto pelo teatro e formar platia. Acreditamos que o teatro a contribuio mais completa de educar e recriar. Certamente o maior retorno quetivemos com a quarta edio do FENATIB foi a presena macia dos nossospequenos espectadores, que se mostraram encantados e surpresos, fantasiaram ese divertiram com as peas apresentadas.

Outro momento de extrema relevncia foi a reflexo sobre os espetculosapresentados, reunindo um grupo de convidados comprometidos com a questo dofazer teatral e a qualidade do teatro para a criana.

H quem diga que um festival apenas uma prtica isolada, porm podemos afirmarque o Festival Nacional de Teatro Infantil de Blumenau uma das nossas aes delongo alcance e com efeito multiplicador. Hoje algumas escolas e professores j seencontram em fase de formao de seu grupo de teatro ou de contadores deestrias. Dessa forma, o FENATIB vem cumprindo seu papel de estimulador dasprticas teatrais, gerando mudanas de nosso Governo Popular, descentralizandoas aes culturais e oportunizando o acesso da arte a comunidades mais distantes.

Maria Teresinha HeimannDiretora Administrativa da Fundao Cultural de Blumenau eCoordenadora do FENATIB

(Pg. 6) Crditos e Sumrio

Revista do Festival 4 Nacional de Teatro infantil de BlumenauNmero 4 - 2001

Prefeitura Municipal de BlumenauDcio Nery de Lima: PrefeitoIncio Mafra: Vice-PrefeitoFundao Cultural de BlumenauBraulio Maria Scholoegel: PresidenteMaria Teresinha Heimann: Diretora Admin.-Financeiro e Coord. do 4 FENATIBSueli M. V. Petry: Diretora Patrimnio Histrico MuseolgicoVilarino Wolff : Diretor de Cultura

ExpedienteSuperviso: Secretaria de Comunicao Social PMBJornalista Responsvel: Juarez Porto DRT/RS 5338Redao: Maril Martendal Nicolau MT/SC 00694 JPColaborao: Valmor Beltrame e Tatiana HaelsnerDiagrama e Arte: Silvio Roberto de BragaFotos: Mrio Barbetta e Eraldo SchnaiderImpresso: Nova Letra Grfica e EditoraEditora Cultural em MovimentoDirceu Bombonatti - Diretor ExecutivoConselho EditorialCarlos Freitas - PresidenteAlceu Natal Longo, Maicon Tenfen, Sueli Petry e Vilson do Nascimento

(Pg.7)

Uma nova dramaturgia

De maio a dezembro do ano passado participei, na qualidade de observadora/debatedora, de um seminrio de teatro infanto-juvenil realizado no Rio de Janeiro,que envolveu os principais grupos que trabalham permanentemente com a criana eo jovem. Entre os inmeros e variados aspecto l discutidos, um despertou minhaateno, ligado dramaturgia e modificao, a meu ver positiva - pela qual essavem passando.

A dramaturgia mais tradicional para crianas e adolescentes nos apresenta, emgeral, um esquema que se repete em infinitas variaes: um dia ou um mundo emaparente calma; surge um mal-feitor ou uma situao nova, que provoca atransgresso dessa ordem ; o bem, em nome dessa ordem, se arma contraaquele mal ; entram em conflito ou luta aberta; por interferncia de terceiros e/oumeios quase sempre mgicos, os bons, premiados e o tudo volta a ficar bem denovo. Em tal esquema, bom e mau no so mais adjetivos, qualidades possveise/ou instveis: so definidos e estabelecidos a priori e no em funo das atitudes ecomportamentos de seus agentes. Esses no so sequer bons ou maus: so o beme o mal, absolutizados, pois por eles se definem sempre em funo de um status ouclassificao preestabelecidos: o heri j surge herico, trazendo consigo, por domdo acaso ou dote de deuses ignorados, aquilo que faz dele o esperado salvador ouvencedor. Viso que nada cria, que isola os seres e as coisas nesses termosabsolutos e d realidade uma imagem esttica que muitos gostariam que fossereal. Mas esse esquema ainda encontrado no s em peas de teatro, como emfilmes de tev, histrias em quadrinhos e cinema.

Refletindo a transformao pela qual passou/passa a criana e o jovem de hojepelos meios de comunicao colocados em contato direto com a realidade einformados, desde cedo, de maneira diferente, por uma cultura que no maismediatizada ou transmitida pela autoridade de pais ou professores, mas os desfia aassumir por conta prpria a tarefa a os riscos de seu conhecer - a dramaturgia vemapresentando uma tendncia a trabalhar a partir de sua experincia: no

(Foto - Unicrnio Grupo Alternativo de Teatro e Msica)

(Pg.8)

caso dos jovens, que representam hoje uma clientela especfica, com produes quebuscam refletir o universo jovem e seus conflitos, ou seja, retratar as coordenadasque ditam o comportamento jovem e seus valores, sua viso, linguagem hoje (tudoque ns fazemos est dentro de ns, resumiu um ator no seminrio); no caso dacriana, partindo de um fato psicolgico, o de que tudo que v, vive ou sente porela vivido como uma experincia, e de que o conjunto dessa experincia, que das bases de seu enriquecimento potencial, trazendo algo que possa ajud-la aorganizar, a interpretar suas experincias: um peixinho que sai do aqurio e derepente v-se no mar ou na rede; um muro que se abre ao surgir a algo novo epulsante, que s as crianas e o poeta conseguem captar e usar; uma meninadescobrindo a msica ao ter como professor o prprio piano, etc.

O que no significa, obviamente, uma anulao dos clssicos, pois eles se tornaramtais exatamente por espelharem uma vivncia humana permanente e universal: oPatinho Feio continua falando a todo quele que passou pela triste experincia da

rejeio; Peter Pan continua a simbolizar aquele que prefere ilhar-se na infncia erecusar-se a crescer, etc. Mas nos coloca diante de novos e vlidos parmetros deavaliao para o que produzido para aquelas faixas etrias, a partir de duasperguntas