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ISSN 1679-2254

AutoresAna Cristina Portugal Pinto de

CarvalhoBiloga, D.Sc. em Gentica,

pesquisadora da Embrapa Agroindstria Tropical,

Fortaleza, CE, [email protected]

Natlia de Oliveira PereiraEngenheira-agrnoma, bolsista

do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade, Rio de Janeiro, RJ,

[email protected]

Antonio Anderson de Jesus Rodrigues

Engenheiro-agrnomo, M.Sc. em Fitotecnia pela Universidade Federal do Cear, Fortaleza, CE,

[email protected]

Cndida Hermnia Campos de Magalhes Bertini

Engenheira-agrnoma, D.Sc. em Fitotecnia, professora da

Universidade Federal do Cear, Fortaleza, CE, [email protected]

Antonio Marcos Esmeraldo BezerraEngenheiro-agrnomo, D.Sc. em Fitotecnia, professor da

Universidade Federal do Cear, Fortaleza, CE, [email protected]

Jos Dionis Matos ArajoEngenheiro-agrnomo, M.Sc.

em Fitotecnia pela Universidade Federal do Cear, Fortaleza, CE,

[email protected]

Fortaleza, CEAgosto, 2014

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Alongamento e Enraizamento de Mudas Micropropagadas de Bananeira cv. Williams

Introduo

A bananicultura uma atividade de grande relevncia social e econmica em todo o mundo. Em 2012, a produo mundial de banana foi cerca de 102 milhes de toneladas (FAOSTAT, 2013). No Brasil, uma das espcies frutferas de maior interesse (OLIVEIRA; SCHERWINSKI-PEREIRA, 2011). Em 2012, nosso pas destacou-se como o quinto maior produtor mundial, alcanando cerca de 6,9 milhes de toneladas (FAOSTAT, 2013).

Embora existam mais de mil variedades diferentes de bananeira, as mais domesticadas so estreis e poliploides, e tais caractersticas limitam tanto o melhoramento gentico pelo mtodo tradicional quanto a propagao da cultura (PREZ-HERNNDEZ; ROSELL-GARCIA, 2008).

Segundo Silva (2000), a cv. Williams pertence ao subgrupo Cavendish, composto por cultivares muito suscetveis a mutaes, cujos frutos so delgados, longos e encurvados, alm de apresentarem paladar muito doce, quando maduros. Alm disso, ela possui vrias vantagens, tais como: a) resistncia a algumas doenas; b) maior perodo de durabilidade aps colheita dos frutos, garantindo um produto de melhor qualidade quando exportado; c) porte baixo; d) folhas mais retas do que as da cultivar Nanico; d) resistncia ao chilling, dano fisiolgico que ocorre na planta e/ou no fruto, causado por baixas temperaturas (MANICA, 1997).

A expanso da bananicultura no Brasil e no mundo totalmente dependente do controle fitossanitrio e da produo de mudas. Sendo assim, para atender demanda crescente por material propagativo de bananeira de alta qualidade fitossanitria e gentica, a tcnica de produo de mudas micropropagadas tem sido cada vez mais empregada com esse propsito.

A grande maioria dos plantios ainda realizada utilizando-se mudas de bananeira obtidas pelo mtodo convencional de propagao, ou seja, provenientes de brotaes laterais (axilares) de plantas adultas. Os tipos de mudas utilizadas (Figura 1) so do tipo chifro, chifre, chifrinho, rizoma de planta adulta, rizoma com filho aderido, pedao de rizoma e muda tipo guarda-chuva. No entanto, esse processo apresenta baixa taxa de multiplicao (VUYLSTEKE; DE LANGHE, 1985), alm de resultar em mudas desuniformes, dificultando o manejo do pomar. Constitui-se tambm em um mecanismo de disseminao de pragas e doenas, podendo ocasionar perdas de at 100% na produtividade (SILVA et al., 2003).

2 Alongamento e Enraizamento de Mudas Micropropagadas de Bananeira cv. Williams

Rizomacom filhoaderido

Chifro Chifre ChifrinhoRizoma

de plantaadulta

Pedaode

rizomaGuarda-chuva

Figura 1. Esquema dos tipos de mudas de bananeira utilizadas como material propagativo pelo sistema convencional de propagao.

Fonte: Echeverri-Lopez & Garcia-Reis (1977).

Por essas razes, vem crescendo o uso de mudas de bananeiras propagadas por cultura de tecidos. Essa tcnica uma importante ferramenta para a obteno massal de clones (RESMI, NAIR, 2011; NOMURA et al., 2012), pois eleva as taxas de multiplicao das culturas, gera plantas com uniformidade fisiolgica, de elevada qualidade e viabilidade, livres de doenas e pragas, e garante a manuteno da identidade gentica das plantas produzidas (KAAR et al., 2010; RESMI, NAIR, 2011; GOVINDARAJU et al., 2012). Outra vantagem da produo in vitro de mudas que essa tcnica independe da estao do ano, demandando menos tempo e menor rea necessria para a propagao dessa espcie (ERIG, SCHUCH, 2005).

Comparando-se os diferentes mtodos de propagao vegetativa com relao ao nmero de mudas obtidas e ao tempo gasto na sua produo, verifica-se que a micropropagao muito superior aos demais processos. Segundo Santos-Serejo et al. (2009), enquanto no processo convencional so necessrios 12 meses para a obteno de 10 a 30 mudas, dependendo do gentipo utilizado, cerca de dez vezes mais mudas so obtidas em quase metade do tempo por meio da micropropagao.

No Brasil, o uso de mudas micropropagadas tem crescido significativamente, com o objetivo de atender demanda por material propagativo de qualidade, principalmente nas regies onde essa espcie cultivada comercialmente (OLIVEIRA et al., 2008). No Pas, o nmero de biofbricas

(empresas que produzem e comercializam mudas propagadas in vitro) dedicadas produo de mudas de bananeira vem crescendo a cada ano, e atualmente j representa 91,7% a mais do que no ano de 2008 (CARVALHO et al., 2012).

Entretanto, a grande limitao da produo em larga escala e do uso de mudas de bananeira propagadas in vitro ainda o custo elevado, especialmente em pases em desenvolvimento (GITONGA et al., 2010), apesar das vantagens oferecidas por esse tipo de material de propagao (VORA, JASRAI, 2012a). Sendo assim, ultimamente, as empresas envolvidas na produo comercial de mudas micropropagadas de bananeira tm direcionado suas aes de pesquisa para a reduo dos custos de produo, mas que ao mesmo tempo melhorem a qualidade das mudas (WU et al., 2005).

A tcnica de produo de mudas propagadas in vitro de bananeira tem incio a partir de uma rigorosa seleo de plantas matrizes, seguida das fases de estabelecimento, multiplicao e alongamento/enraizamento. As plantas obtidas no final desse processo so submetidas aclimatizao em casa de vegetao ou telado (COSTA et al., 2008b).

A fase de alongamento e enraizamento in vitro fundamental para a produo de mudas micropropagadas, j que a obteno de um sistema radicular funcional e uniforme requisito bsico para que elevadas taxas de sobrevivncia

3 Alongamento e Enraizamento de Mudas Micropropagadas de Bananeira cv. Williams

das mudas sejam alcanadas durante a fase de aclimatizao (COSTA et al., 2008b). Entretanto, poucos so os estudos sobre o alongamento e enraizamento in vitro de mudas de bananeira. Essa etapa da micropropagao influencia diretamente no desempenho delas nas fases de aclimatizao e plantio em condies de campo (CAMOLESI et al., 2010a).

Segundo Vora e Jasrai (2012b), o meio de cultura mais empregado na produo in vitro de mudas de bananeira o MS (MURASHIGE, SKOOG, 1962). Em levantamento realizado com trabalhos publicados nos ltimos 5 anos com nfase na fase de alongamento e enraizamento in vitro dessa cultura, verifica-se que a maioria emprega a concentrao normal recomendada. Poucos so os estudos que utilizam metade da concentrao dos macro e micronutrientes ou que comparam concentraes do meio MS (Tabela 1).

Alm da concentrao dos nutrientes do meio MS, outro aspecto importante a sua consistncia. A maioria dos trabalhos publicados nos ltimos 5 anos emprega o meio MS na forma semisslida, na produo de mudas micropropagadas de bananeira. Escassos so os trabalhos que fazem uso de meio MS lquido, isto , sem a adio de agente gelificante (Tabela 1).

A utilizao de meios de cultura lquidos tem proporcionado alta eficincia para produo de mudas micropropagadas de bananeira (MARQUES et al. 2009; CAMOLESI et al., 2010a,b; GITONGA et al., 2010; ALI et al., 2011; ANDRADE et al., 2011). A facilidade no preparo, na manipulao e no uso de menor quantidade de meio de cultura por explante tem despertado o interesse dos pesquisadores em trabalhar com esse sistema. O emprego de meio de cultura lquido visa minimizar o uso do agente gelificante na sua composio, uma vez que esta substncia considerada o componente de maior valor, representando, em mdia, 70% dos custos com meio de cultura (PEIXOTO; PASQUAL, 1995). Alm disso, o meio lquido possui vantagens de utilizao em relao ao meio semisslido por dispensar prvio aquecimento para diluio do agente de solidificao, ser facilmente distribudo nos frascos de cultivo, independentemente da temperatura, e eliminar a necessidade de posicionamento de cada explante, dentro do recipiente (CAMOLESI et al., 2010b).

A adio de gar ao meio de cultura, alm de aumentar o custo de produo das mudas, pode contribuir tambm para o aumento da oxidao dos explantes, sendo esse efeito associado qualidade e quantidade utilizada do agente gelificante (OLIVEIRA, 2010). George (2008) acrescenta que, no meio lquido, os metablitos txicos exsudados pelos explantes no se acumulam nas regies circunvizinhas dos tecidos, sendo dispersos ou diludos no volume de meio lquido disponvel. Entretanto, o mesmo autor enfatiza que o uso de meio de cultura lquido estacionrio apresenta limitaes, em funo de problemas com a aerao, sendo recomendado seu emprego em pequenos volumes, de modo que o meio forme camadas rasas. Os explantes a serem utilizados nesse sistema devem apresentar tamanho adequado, de forma que parte do tecido vegetal, em especial a parte area, no fique submersa no meio de cultura.

Debergh (1982) observou que, quanto maior a rea de contato do explante com