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Amante indcil

Janet Dailey

Amante

Indcil

Traduo de ISABEL PAQUET DE ARARIPE

EDITORA RECORD

Ttulo original norte-americano THE ROGUE

Copyright (C) 1980 by Janet Dailey Todos os direitos reservados inclusive o direito de reproduo no todo ou em parte de qualquer forma.

Esta edio publicada mediante acordo com os editores originais, Pocket Books, New York.

Direitos de publicao exclusiva em lngua portuguesa no Brasil

adquiridos pela DISTRIBUIDORA RECORD DE SERVIOS DE IMPRENSA S. A.

Rua Argentina 171 - 20921 Rio de Janeiro, RJ que se reserva a propriedade literria desta traduo

Impresso no Brasil

Digitalizao e arranjo:

Ftima Chaves

Esta obra destina-se ao uso exclusivo de portadores de deficincia visual.

As histrias do Velho Oeste esto cheias de lendas sobre um garanho branco marchador. Muitos personagens respeitveis mencionaram, nos seus dirios e documentos, ter visto o cavalo selvagem branco. Dentre os primeiros estava Washington Irving. Dizia-se que esse magnfico garanho percorria as regies do Texas ao Oklahoma, entrando pelo Novo Mxico e Colorado. As suas faanhas eram inmeras. Era conhecido por muitos nomes: o Garanho Marchador Branco, o Corcel Branco das Pradarias, e o Mustang Branco. Os ndios chamavam-no de Cavalo Fantasma das Plancies.

CAPTULO 1

A cordilheira oriental das montanhas do deserto lanava longas sombras matutinas no solo do vale. Suas encostas eram escurecidas por bosques espessos de junperos e pinheiros. Vinda do sul, a brisa trazia o cheiro de gua dos canos de irrigao que borrifavam os campos onde a salva e o capim de Nevada davam lugar a um tapete verde.

Montes de feno, como montculos dourados de po, jaziam ao lado dos anexos da estncia de cavalos e gado. Estbulos, currais e galpes de equipamento pontilhavam o quintal, dominados pela casa ampla e despretensiosa que se situava numa elevao, cuja posio ligeiramente mais alta dava-lhe uma vista geral da propriedade inteira. A gua preciosa no era desperdiada em relvados, e a vegetao resistente do deserto ocupava a terra ao redor dos prdios.

Trs cavalos rabes bem novinhos pinoteavam dentro de um dos currais. Duas pessoas os observavam, junto cerca. Uma delas era jovem; a outra, velha. Com os braos jogados sobre a tbua superior da cerca, o homem grisalho era flexvel e curtido como uma boa corda. Os seus olhos eram permanentemente apertados, devido aos longos anos fitando o sol e o vento. A experincia se estampava no seu rosto castigado pelo sol, juntamente com um certo azedume derivado dos sonhos perdidos.

O mais perto que Rueben Spencer j chegara de obter sucesso na vida fora fazer uma bela jogada num oito num cassino de Ely, e ganhar o salrio de um ms. O mais perto que chegara de ter um lar era uma unidade nos alojamentos da estncia - casa, comida e salrio, cortesia do patro. E o mais perto que Rube chegara de ter a sua prpria famlia era a garota adolescente encarapitada na cerca ao seu lado, a filha do patro. Ele no deixara rastros na vida que o vento de Nevada no pudesse apagar num minuto.

Para Diana Someis, tudo estava sua frente. O mundo esperava aos seus ps, como desde o dia em que nascera. Com 13 para 14 anos, Diana estava comeando a dar-se conta dos privilgios que advinham de ser a filha nica do ptrio, privilgios a que anteriormente no dava muita importncia.

Essa percepo dava-lhe uma sensao de autoridade e poder. Ficava evidente na sua postura a inclinao levemente rgia da cabea, a rigidez voluntariosa do queixo. Abaixava a cabea apenas para um homem, e este era o seu pai. Era a fora propulsora da sua vida. Somente na companhia dele que a vulnerabilidade brilhava nos olhos to nitidamente azuis quanto o cu claro de Nevada.

A me era uma lembrana esfumaada, uma presena nebulosa no passado, que morrera quando Diana estava com quatro anos, de complicaes causadas por uma pneumonia. Um retrato num lbum de fotografias confirmava a existncia da me, mas Diana no tinha nenhum sentimento de perda por algum de quem mal se lembrava.

A estncia dos Somers consistia em mil acres prprios, mais milhares de outros acres federais arrendados para pastagem. Diana era a princesa deste pequeno imprio, seu pai o rei. Jamais lhe ocorrera que devia haver uma rainha. Precisava apenas do pai, e este dela. O mundo estava completo.

O barulho estrondoso de uma camioneta que veio sacolejando pela trilha cheia de sulcos que ligava a auto-estrada ao quintal da estncia chamou a ateno da menina. Olhando por cima do ombro, Diana franziu a testa ao ver o veculo desconhecido. A ruga da testa ficou mais funda ao ver a placa do Estado de Arizona.

Virou-se para Rube Spencer.

- O que acha que esse estranho quer?

Rube olhou e cuspiu velozmente pelos cantos da boca o suco do fumo que estava mascando.

- E eu l vou saber! - Deu de ombros. - Pode ser que seja o novo homem que o Major contratou.

- Que novo homem? O Major no me falou nada sobre contratar alguma pessoa.

Todos chamavam o pai de Diana de Major, inclusive ela mesma.

John Somers pedira demisso do exrcito poucos meses depois do nascimento de Diana. Abandonara uma promissora carreira militar para voltar para a estncia da famlia quando o irmo mais velho morrera num desastre de automvel. Trouxera consigo a disciplina e a autoridade militares, e o ttulo de Major permanecera com ele.

- Mesmo assim, contratou.

- Onde eu estava?

Rube fez uma pausa para recordar.

Deve ter sido quando a gente estava fenando e voc estava dirigindo o trator. , deve ter sido naquele dia. Eu estava medicando a gua cinzenta. Rube abominava o trabalho de fazenda, e escapulia sempre que havia alguma coisa a ser feita. Finalmente, o Major parara de contrari-lo e o encarregara exclusivamente dos cavalos. Sa do estbulo e vi o Major conversando com esse sujeito, mostrando-lhe a estncia.

Continuou a tagarelar, mas depois que Diana arrancou de Rube a informao de que ele sondara o Major e este lhe contara que contratara um novo empregado, ela parou de prestar ateno. Poucas pessoas escutavam tudo o que Rube tinha a dizer. O Major certa vez declarara que Rube podia falar at deixar um homem surdo.

A camioneta escalavrada parou diante da casa principal. O bater de uma porta de tela fez Rube parar abruptamente a sua arenga, lembrando-se de que tinha servio a fazer, o seu sexto sentido avisando-o da apario do Major.

Diana no ligou para o repentino interesse de Rube pelo seu servio. Dando meia-volta, ela saltou da cerca do curral, pretendendo conhecer o homem que o Major no lhe contara ter contratado. A ideia no lhe agradava. Ao longo dos anos, ele sempre confiara nela, ensinando-lhe cada faceta dos negcios da estncia at que Diana os conhecesse quase to bem quanto o Major. A intimidade entre os dois era algo que ela prezava demais, e ter descoberto essa brecha na comunicao a deixava inquieta.

Esguia, vestida como um rapazinho, Diana atravessou o quintal da estncia com passadas longas, copiadas das do Major. Num gesto nervoso, mas essencialmente feminino, ergueu a mo para alisar um dos lados do cabelo muito negro, cortado num estilo masculino.

O Major desceu os degraus da varanda e dirigiu-se para a camioneta. Com os ombros empinados e a postura ereta, no pesava mais um grama sequer do que quando largara as foras armadas. As calas de vaqueiro marrom escuro, de tecido resistente, tinham um vinco militar. A camisa estampada tinha um colarinho muito engomado, e as botas brilhavam de to bem engraxadas. O cabelo escuro era curto, nem de longe tocava o colarinho, as costeletas cheias de fios grisalhos. O Major era um homem vigoroso, cheio de vitalidade, nascido para mandar.

Um homem bonito e distinto, bastaria a sua posio na comunidade para torn-lo alvo das mulheres casadouras. Isto, e mais a sua bela aparncia, tornavam-no duplamente desejado. No passado, Diana tivera cimes das mulheres que bajulavam seu pai na igreja ou na cidade, mas a indiferena dele acabou por tranquiliz-la de que no tinha interesse em casar-se pela segunda vez. Toda a sua vida ele a vivera num mundo orientado para o lado masculino, desde sua infncia na estncia at o exrcito e de novo a estncia. Estar solteiro combinava com ele. As vezes em que procurava companhia feminina, fazia-o discretamente. Diana no se sentia ameaada pelas noitadas ocasionais do pai, e encarava com desprezo qualquer mulher que tentasse com ele um relacionamento mais permanente. Ria intimamente daquelas que diziam ao Major que ela precisava de uma me. Precisava apenas dele, e estava resolvida a tornar a recproca verdadeira.

A voz era enrgica, mas amistosa, ao cumprimentar o homem que saltou da camioneta para vir ao seu encontro. Os dois estavam apertando as mos quando Diana chegou junto do Major. O porte dela era to ereto quanto o dele, a pose igualmente autoritria. O pai lanou-lhe um olhar carinhoso e indulgente, mas no deu nenhuma demonstrao de afeto, tal como botar-lhe a mo no ombro. No que Diana esperasse um gesto desses.

O seu comit de recepo est completo, Holt, agora que a minha garota preferida chegou. - O Major se dirigia ao homem na frente deles. Esta a minha filha, Diana. Nosso novo empregado, Holt Mallory.

Ela o inspecionou francamente, como se fosse necessria a sua aprovao antes que este Holt Mallory comeasse de fato a trabalhar. Alto - cerca de um metro e oitenta - esguio e rijo, tirou cortesmente o chapu de palha Stetson da cabea. O cabelo castanho espesso e despenteado fora queimado pelo sol at chegar ao tom do tabaco. As feies bronzeadas eram talhadas em linhas implacveis. Os olhos eram de um cinza duro e metlico, como lascas de ao. Pareciam muito mais velhos do que deveriam ser, pela sua idade cronolgica, que no devia ultrapassar os 26 anos.

Como vai, S