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  • 1Bases terico--metodolgicaspara a coletade dados deenfermagemMariana Fernandes de Souza / Alba Lucia Bottura Leitede Barros / Jeanne Liliane Marlene Michel / Maria Miriam Lima da Nbrega / Marcela Zanatta Ganzarolli

    Aplicao de modelos tericos na enfermagem

    A realidade, a circunstncia em que vivemos, precisa ser por ns interpretada. Temos a necessidade de atribuir-lhe signifi -cados para poder interagir com ela. Sem interpretao, com-preenso ou explicao, no saberamos como abord-la ao exercer nossas atividades. Essa compreenso ou explicao feita pela elaborao de modelos e teorias, os quais orga-nizam a nossa percepo e interpretao do mundo (Souza, 1996).

  • 22 ALBA LUCIA BOTTURA LEITE DE BARROS & COLS.

    No existe saber acabado, definitivo. impossvel ela-borar teorias perenes, pois a capacidade humana tem li-mites, e a realidade proces-sual, um vir a ser constante.

    A enfermagem, como qualquer profisso, sempre estruturou princpios, valores e normas para guiar sua ao. A proposta mais antiga dessa organizao foi feita por Florence Nightingale, h mais de um sculo. A partir de 1950, iniciou-se o mo-vimento de organizao formal de modelos conceituais e teorias de enfermagem. Discusses acerca das diferenas entre modelo conceitual e teoria e questiona-mentos sobre a produo dessas teorias (na rea da enfermagem) comeam a aparecer na literatura na dcada de 1970.

    Para alguns autores, como, por exemplo, Fawcett (1984), o modelo conceitual se re-fere a ideias globais sobre indivduos, grupos, situaes e eventos de interesse para uma disciplina. Os conceitos tm um alto nvel de abstrao e generalizao. A teoria apresenta um conjunto de conceitos inter-relacionados de forma mais concreta e es-pecfica. So definidos e podem ser operacionalmente testados. Ao discutir essas di-ferenas, Meleis (1997) as analisa e diz que so baseadas em trs aspectos: definio, inter-relao dos conceitos e nvel de abstrao. As definies e inter-relaes dos conceitos so atualmente consideradas necessrias tanto para um modelo conceitual como para uma teoria. Quanto ao nvel de abstrao, as teorias podem ser classifica-das como de ampla, mdia ou pequena abrangncia, dependendo da quantidade de fenmenos tratados, das proposies e do nvel de definies operacionais com-ponentes da teoria. Assim, a proposta da autora de um esquema para classificar teorias, em vez de diferenas entre modelo conceitual e teoria.

    As teorizaes so criaes do ser humano para guiar sua ao. Barnum (1998) e Fourez (1995) defendem que as teorias podem ser comparadas a mapas geo-grficos: no so cpias, no mostram a totalidade de um terreno, mas apontam as partes importantes; segundo seu objetivo, so uma maneira de localizar-se. O contedo de um mapa determinado da mesma forma que os modelos tericos, a partir de um projeto. Exemplificando, um mapa rodovirio fornece informaes diferentes de um geolgico, cada um estruturado de acordo com um propsito. Quando se sabe utilizar o mapa, ele permite comunicar conhecimento. Fourez (1995) afirma que:

    o mesmo ocorre com os modelos cientficos. a possibilidade de utiliz-los no interior de uma comunidade cientfica que conhece o seu modo de uti-lizao, que lhes d a sua objetividade, isto , a sua possibilidade de servir como objeto nessa comunidade humana.

    As teorias (representaes do mundo) so aceitveis se atenderem aos nossos proje-tos e, quando essas representaes no so teis, so substitudas por outras. No existe saber acabado, definitivo. impossvel ela-borar teorias perenes, pois a capacidade hu-mana tem limites, e a realidade processual, um vir a ser constante (Souza, 1996).

  • 23ANAMNESE E EXAME FSICO

    Resumindo as ideias em dois aspectos relevantes, temos: a necessidade de elabo-rar modelos para ajuste circunstncia em que vivemos, para guiar o nosso agir; os modelos no so perenes. A construo, a adoo e a rejeio de modelos so o caminho natural do conhecimento cientfi co.

    A ao profi ssional deve ter como marca a compreenso e a refl exo terica, que tm como essncia o pensamento crtico. Uma e outra so inerentes a todos os papis desempenhados pelos enfermeiros na assistncia, no ensino, na adminis-trao e na pesquisa. Segundo Alves (1981), a inteligncia est diretamente rela-cionada nossa capacidade de inventar e operar modelos.

    A construo, a adoo e a rejeio de modelos esto presentes na evoluo his-trica da enfermagem. Na inter-relao dos conceitos centrais, que mostram a unidade da profi sso (ser humano, sociedade/ambiente, sade, enfermagem), tm sido construdos e utilizados modelos prprios da profi sso e de vrias reas do conhecimento. A relao entre ser humano, sociedade, sade e ao de enfer-magem pode ser compreendida e explicada por meio de teorias biolgicas, socio-lgicas, psicolgicas, epidemiolgicas, etc., bem como pelos modelos propostos por enfermeiros. A aplicao dos conceitos e das proposies desses modelos tericos que mostra o quanto eles atendem aos nossos propsitos de ao.

    So amplas as possibilidades de criao cientfi ca na enfermagem. Aos profi ssio-nais da rea cabe criar, selecionar e aplicar modelos que sejam mais adequados ao tipo de servio que prestam. Da utilizao vai surgir a avaliao crtica, que, por sua vez, poder corroborar ou reformular o modelo, resultando em progresso do conhecimento cientfi co da rea da enfermagem.

    Construo de instrumentos de coleta de dados

    O processo de enfermagem utilizado como mtodo para sistematizar o cuidado, propiciando condies para individualizar e administrar a assistncia e possibilitando, assim, maior integrao do enfermeiro com o paciente, com a famlia, com a comunida-de e com a prpria equipe, gerando resul-tados positivos para a melhoria da presta-o dessa assistncia (Guimares, 1996). A utilizao da metodologia de trabalho traz benefcios tanto para os indivduos, as fa-mlias e as comunidades, que podem ter suas necessidades atendidas, como para os prprios enfermeiros, a profi sso de enfer-

    O processo de enfermagem utilizado como mtodo para sistematizar o cuidado, propiciando condies para individualizar e administrar a assistncia e possibilitan-do, assim, maior integrao do enfermeiro com o pa-ciente, com a famlia, com a comunidade e com a prpria equipe, gerando resultados positivos para a melhoria da prestao dessa assistncia.

  • 24 ALBA LUCIA BOTTURA LEITE DE BARROS & COLS.

    magem e as instituies de sade, que podem us-la como recurso para avaliao da qualidade de seus servios (Doenges; Moorhouse, 1992).

    A organizao das aes de enfermagem, por meio do processo de enfermagem, consiste na elaborao de um planejamento das aes teraputicas, que tem suas bases no mtodo de resoluo de problemas e nas etapas do mtodo cientfico (Barros, 1998; Christensen; Griffith-Kenney, 1990; Doenges; Moorhouse, 1992; Ge-orge et al., 1993; Gordon, 1994; Horta, 1979; Iyer; Taptich; Bernocchi-Losey, 1993). O processo de enfermagem, em sua forma atualmente mais conhecida, consiste, portanto, de cinco fases sequenciais e inter-relacionadas: levantamento de da-dos, diagnstico, planejamento, implementao e avaliao. Essas fases integram as funes intelectuais de soluo de problemas.

    A fase inicial do processo de enfermagem, comumente conhecida como coleta de dados ou levantamento de dados do paciente, foi denominada como: histria de enfermagem (modelo de Horta, 1979) ou avaliao inicial (modelo de Gordon, 1994) e corresponde ao levantamento de dados do mtodo cientfico. Essa etapa do processo diz respeito, basicamente, a trs atividades: coleta de dados objeti-vos e subjetivos, organizao dos dados coletados e documentao metdica. Seu propsito identificar e obter informaes pertinentes sobre o paciente (Car-penito, 1997; Christensen; Griffith-Kenney, 1990).

    Tal como ocorre com o mtodo cientfico, a coleta de dados fundamental para todo o desenvolvimento do processo de enfermagem, constituindo o alicerce no qual se baseiam as etapas seguintes (Pimenta et al., 1993). Todas as decises quanto a diagnsticos e intervenes de enfermagem, alm da avaliao dos re-sultados, so baseadas nas informaes obtidas nesse momento, que diz respeito no s coleta dos dados, mas tambm sua validao e organizao, identifi-cao de padres e teste de impresses iniciais e ao relato e registro desses dados (Alfaro-Lefevre, 1994).

    A percepo dessa importncia tem suscitado inmeras propostas de instrumen-tos de coleta, com variaes de forma e de contedo, visando a obteno de da-dos, os mais completos possveis, tanto do ponto de vista da quantidade como da qualidade. Vrios autores relatam que a enfermagem no conta com instrumen-tos de coleta de dados universalmente aceitos, os quais podem ser desenvolvidos com base em qualquer uma das abordagens tericas ou conceituais de enfer-magem, devendo descrever as caractersticas do indivduo e suas respostas ao estado de sade (Carneiro, 1998). H instrumentos de coleta de dados baseados, por exemplo, na Teoria das Necessidades Humanas Bsicas de Horta (1979), nos Padres Funcionais de Sade propostos por Gordon (1994), na proposta de auto-cuidado de Orem (1995) ou, ainda, nos Padres de Resposta Humana da NANDA (North American Nursing Diagnosis Association, 2000).

    A construo de um instrumento de coleta de dados deve refletir, de certa forma, um pouco da cultura da instituio em que ele ser utilizado, demonstrando a

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    filosofia de trabalho adotada e as crenas dos enfermeiros com relao ao cuidado dos pacientes/clientes (Barros, 1998). O ins-trumento tambm pode ser composto de diversas partes, com diferentes referenciais tericos. Cada uma dessas partes pode re-velar os conceitos interligados desses re-ferenciais tericos em sua concepo (Mi-chel, 1999).

    Apresentamos no Anexo A, a ttulo de exemplo, o instrumento de coleta de da-dos elaborado pelo Grupo de Estudos so-bre a Sistematizao da Assistncia de Enfermagem do Hospital So Paulo, da Universidade Federal de S