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  • Cincia Florestal

    ISSN: 0103-9954

    cf@ccr.ufsm.br

    Universidade Federal de Santa Maria

    Brasil

    Nobre Pereira, Maria Rutinia; Tonini, Helio

    FENOLOGIA DA ANDIROBA (Carapa guianensis, Aubl., MELIACEAE) NO SUL DO ESTADO DE

    RORAIMA

    Cincia Florestal, vol. 22, nm. 1, 2012, pp. 47-58

    Universidade Federal de Santa Maria

    Santa Maria, Brasil

    Disponvel em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=53423372005

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  • Ci. Fl., v. 22, n. 1, jan.-mar., 2012

    Cincia Florestal, Santa Maria, v. 22, n. 1, p. 47-58, jan.-mar., 2012ISSN 0103-9954

    47

    FENOLOGIA DA ANDIROBA (Carapa guianensis, Aubl., MELIACEAE) NO SUL DO ESTADO DE RORAIMA

    PHENOLOGY OF ANDIROBA(Carapa guianensis, Aubl., MELIACEAE) IN SOUTH OF RORAIMA STATE

    Maria Rutinia Nobre Pereira1 Helio Tonini2

    RESUMO

    O presente estudo foi realizado com o objetivo de estudar o padro fenolgico da espcie arbrea Carapa guianensis, Aubl., em floresta natural localizada no sul do estado de Roraima, procurando relacionar a frequncia de ocorrncia das fenofases s condies pluviomtricas do perodo. Para o levantamento fenolgico foram selecionados 20 indivduos adultos localizados em uma parcela permanente de 9 ha. As observaes fenolgicas ocorreram quinzenalmente de fevereiro de 2006 a fevereiro de 2009, registrando-se a presena ou ausncia dos eventos de florao, frutificao e mudana foliar para cada rvore. Para analisar a influncia da precipitao na fenologia da espcie foi utilizado o coeficiente de correlao de Spearman e, para estimar a sincronia dos eventos fenolgico utilizou-se o ndice de sincronia da populao (Z). A florao da andiroba mostrou-se subanual, sincrnica e correlacionada negativamente com precipitao no perodo do evento fenolgico. Foram observados dois ciclos de florao, sendo um longo com inicio em outubro, estendendo-se para o ano seguinte, por um perodo mdio de 9 meses, e um curto com durao de dois meses (julho a agosto). A frutificao anual, longa e sincrnica, e correlacionou-se positivamente com a precipitao. A poca ideal para a coleta dos frutos maduros no local estudado durante o perodo chuvoso, que compreende abril a julho. A emisso de folhas ocorreu de forma contnua e no se correlacionou com a precipitao. Observou-se uma maior proporo de indivduos perdendo folhas, entre os meses de agosto a novembro, que caracterizam um perodo de transio entre a poca seca e chuvosa, com sensvel reduo de precipitao.Palavras-chave: Amaznia; florao; frutificao; emisso e queda das folhas.

    ABSTRACT

    This work was carried out in order to study the phenological pattern of Andiroba in natural forest located in the south of Roraima state, seeking to relate the frequency of phenol-phases occurrence with the rain rate in this period. For the phenological survey 20 adult trees were selected in a permanent sample plot of 9ha. The visits to phenological observations occurred fortnightly from February 2006 to December 2008, recording the presence or absence of flowering, fruiting and leaf change events for each tree. The Spearman correlation was used for analyzing the influence of rainfall on phenology and, the index of synchrony of population (Z) was used for estimating the synchrony of phenological events. The flowering of Andiroba showed to be sub-annual, synchronous and was negatively correlated with the rainfall during the phenological event. Two cycles of flowering were observed: a long one from October until next year, which lasts about nine months, and a short one lasting two months, from July to August. The fruiting is annual, long and synchronous and it was positively correlated with rainfall. The ideal time for collecting ripe fruits at the study site is during the rainy time, that is, from April to July. The leaf flushing was continuous and did not correlate with the rainfall. It was noticed a higher proportion of trees falling leaves between August and November, which characterizes a period of transition between the dry and the rainy period with sensitive reduction of rainfalls.Keywords: Amazon; flowering; fruiting; leaf flush and leaf fall.

    1. Engenheira Agrnoma, Mestre em Agronomia, Av. Brigadeiro Eduardo Gomes, 4358, Bairro Aeroporto, CEP 69304-650, Boa Vista (RR). ruti.ibama@gmail.com

    2. Engenheiro Florestal, Pesquisador do CPAF Embrapa Roraima, BR 174, Km 08, Distrito Industrial, CEP 69301-970, Boa Vista (RR). helio@cpafrr.embrapa.br

    Recebido para publicao em 11/11/2009 e aceito em 21/03/2011

  • Ci. Fl., v. 22, n. 1, jan.-mar., 2012

    Pereira, M. R. N.; Tonini, H.48

    INTRODUO

    A regio amaznica compreende a maior extenso de ecossistemas tropicais nativos, exercendo influncia direta nos ciclos biogeoqumicos globais, principalmente no ciclo do carbono (BERNOUX et al., 2001), e nos ltimos 30 anos perdeu cerca de 14% de sua cobertura florestal original (LENTINI et al., 2005). A Amaznia representa uma das ltimas reas de floresta tropical do planeta, onde ainda existe possibilidade concreta de tornar compatvel a conservao dos recursos naturais com o desenvolvimento socioeconmico da regio. Tal possibilidade baseia-se no fato de que grande parte da floresta ainda se mantm intacta (GASCON e MOUTINHO, 1998). Dentro desta perspectiva, projetos que viabilizem a insero socioeconmica de populaes tradicionais, mediante a utilizao sustentvel dos recursos naturais, so essenciais para o desenvolvimento ordenado da Amaznia. Contudo, nenhuma ao de explorao dos recursos naturais pode ser sustentvel ao longo do tempo se no tiver como base pesquisas cientficas a respeito da ecologia das espcies com potencial econmico. A sustentabilidade ecolgica dos planos de manejo florestal visando o uso mltiplo das florestas tropicais deve incluir critrios e indicadores que garantam a manuteno da variabilidade gentica das espcies e processos correlacionados. No entanto, conhecimentos bsicos sobre os parmetros que regulam os processos reprodutivos de espcies arbreas tropicais ainda so insuficientes (KANASHIRO et al., 2002). A espcie Carapa guianensis, Aubl pertence famlia Meliaceae, sendo conhecida comumente como andiroba e possui ampla distribuio no Neotrpico e Paleotrpico (LEITE, 1997). Ocorre no sul da Amrica Central, Colmbia, Venezuela, Suriname, Guiana Francesa, Peru, Paraguai e Brasil. No Brasil, ocorre na bacia Amaznica, principalmente nas vrzeas prximas ao leito de rios e faixas alagveis ao longo dos cursos dgua, sendo encontrada tambm em terra firme. A andiroba trata-se de uma espcie algama (Maus, 2006), com inflorescncia composta por uma pancula de 20-90 cm de comprimento, sustentada por brcteas axilar ou subterminal (FERRAZ et al., 2002). De acordo com Rizzini e Mors (1976), as flores so pequenas com ptalas de, no mximo, 8 mm de comprimento, unissexual, ssseis ou subssseis, glabras, subglobosas de cor

    branca ou creme, levemente perfumada. Os frutos so do tipo cpsula globosa e subglobosa com 4 a 6 valvas indeiscentes (PENNINGTON et al., 1981), que se separam com o impacto da queda do fruto (LOUREIRO et al., 1979). As sementes so flutuantes e podem ser dispersas atravs dos cursos de gua, podendo germinar enquanto flutuam (SCARANO et al., 2003). O leo da andiroba tem demanda internacional e utilizado para a iluminao, na confeco de sabo e velas, na indstria de cosmticos e na medicina popular, apresentando funes cicatrizantes, anti-inflamatrias, anti-helmnticas e inseticida. O ch da casca e das folhas utilizado como remdio para combater infeces e no tratamento de doenas da pele (GONALVES, 2001, FERRAZ et al., 2002, SHANLEY, 2005, QUEIROZ, 2007). O leo de andiroba composto de olena e palmitina e menores propores de glicerina. As amndoas contm: lipdios, fibras, minerais e cidos graxos do leo. Revilla (2000) e Sampaio (2000) relataram a seguinte composio: umidade 40,2%, protena 6,2%, gordura 33,9%, fibra bruta 12,0%, cinzas 1,8% e carboidratos 6,1%. A fenologia estuda a ocorrncia de eventos biolgicos repetitivos, como os reprodutivos, e os efeitos responsveis pelo desencadeamento destes em relao a fatores biticos e abiticos, dentro de uma ou vrias espcies de plantas (LEIGHT et al., 1974). A importncia de se conhecer a fenologia de uma determinada espcie est na necessidade de estudar a sua biologia reprodutiva para que se possam definir estratgias sustentveis de uso. Atravs da fenologia possvel conhecer como organizada a distribuio temporal dos recursos (flores e frutos), entender a dinmica de reproduo e regenerao das plantas, e a relao entre as plantas e os animais (CALVIN e PINA-RODRIGUES, 2005). Este trabalho foi realizado com o objetivo de estudar o padro fenolgico da andiroba em ambiente natural e relacionar a frequncia de ocorrncia das fenofases s condies pluviomtricas do perodo.

    MATERIAL E MTODOS

    Caractersticas do local de estudo e amostragem Os dados foram coletados em uma floresta com ocorrncia natural de andiroba, no sul do estado de Roraima, no municpio de So Joo da Baliza (Figura 1), localizado nas coordenadas 00o5702 de latitude Norte e 59o5441 de longitude Oeste, distante 313 Km da capital Boa Vista.

  • Ci. Fl., v. 22, n. 1, jan.-mar., 2012

    Fenologia da andiroba (Carapa guianensis, Aubl., Meliaceae) no sul do Estado ... 49

    A rea em estudo localiza-se

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