DE CAPA “BEM-VINDO À INDÚSTRIA DO CONHECIMENTO” ?· “Bem-vindo à indústria do conhecimento”.…

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<ul><li><p>Fevereiro 2017Revista Viva S/A24</p><p>MATRIADE CAPA Joo Felipe Cndido</p><p>Quando assumiu a presidncia do Grupo Abril, em 1 de maro de 2016, Walter Longo, 66, marcava o seu regresso companhia, pouco mais de duas dcadas depois de atuar como presidente da TVA </p><p>(Televiso Abril), operadora de TV por assinatura criada pelo Grupo em 1991 adquirida em 2007 pelo Grupo Telefonica por mais de um bilho de reais. Vale ressaltar que durante cinco anos frente desse projeto, Longo e a equipe da TVA ampliaram o nmero de assinantes dos iniciais 12 mil para mais de 800 mil, elevando seu faturamento anual de quatorze para trezentos milhes de dlares.</p><p>Ao aceitar o cargo, certamente um dos maiores desafios de sua trajetria profissional, sabia que as notcias do cen-rio poltico e econmico brasileiro eram as piores possveis. O Grupo Abril tambm no estava imune forte recesso econmica que o Brasil enfrentava, principalmente aps a morte de Roberto Civita, diretor editorial da empresa fundada por seu pai, Victor Civita, em 1950. No livro Roberto Civita O Dono da Banca: A vida e as ideias do editor da Veja e da Abril (Companhia das Letras), o autor Carlos Maranho narra com detalhes aquela fase. Durante o perodo em que Roberto Civita </p><p>Prestes a completar o seu primeiro ano frente da presidncia de um dos mais impor-tantes conglomerados de comunicao do Pas, em entrevista exclusiva, o morador de Alphaville, Walter Longo, fala sobre os desafios para manter o processo de desenvolvimento do Grupo Abril, a maior empresa editorial brasileira</p><p>ficou hospitalizado, em 2013, o executivo Fbio Barbosa iniciou o que foi chamado de processo de reestruturao da empresa. Em trs anos, a queda acumulada das receitas da Editora Abril com publicidade havia atingido 40% - algo em torno de meio bilho de reais, segundo Barbosa. Foram demitidas, em uma primeira fase, cerca de oitocentas pessoas. Em janeiro de 2013, o ltimo ms completo em que Roberto Civita esteve no comando da empresa, o nmero de funcionrios do Grupo Abril era de 8.435. Destes, 4.264 estavam na Abril Mdia, que abriga todas as revistas, sites e operaes jornalsticas da editora. Os jornalistas totalizavam 891 pessoas. Em maro de 2016, o contingente estava reduzido a mais ou menos metade: 4.427 no Grupo Abril e 2.331 na Abril Mdia. Entre eles, 480 jornalistas. Alm de encerrar vrios ttulos, outros 17 foram transferidos para a Editora Caras - em outubro do ano passado, o Grupo reassume cinco ttulos, entre eles Arquitetura &amp; Construo, Minha Casa, Placar, Voc RH e Voc S/A. No final de 2015, o Grupo Abril recebeu um aporte de capital de 450 milhes de reais, feito pela famlia Civita. </p><p>TRAJETRIA BRILHANTE Walter Longo publicitrio e administrador de empresas </p><p>com MBA na Universidade da Califrnia. Antes de presidir o Gru-po Abril, atuou como mentor de estratgia e inovao do Grupo Newcomm - holding de comunicao do Grupo WPP que inclui as agncias Young &amp; Rubicam, Wunderman, Grey Brasil, VML, entre outras. Foi diretor regional para a Amrica Latina do Grupo Young &amp; Rubicam e presidente, no Brasil, da Grey Advertising, Wunderman Worldwide, TVA e do Grupo Newcomm Bates. Considerado um dos maiores especialistas em comunicao do Pas, ficou popular-mente conhecido por atuar como conselheiro de Roberto Justus no reality show de negcios O Aprendiz, exibido pela Record TV. Eleito quatro vezes o melhor profissional do Ano do Prmio Cabor </p><p>BEM-VINDO INDSTRIA DO CONHECIMENTO</p></li><li><p>Fevereiro 2017 Revista Viva S/A 25</p><p>nas categorias de Planejamento e Atendimento, e Profissional de Veculo de Comunicao, foi tam-bm premiado com o ttulo de Personalidade do Marketing Direto pela Abemd, entidade lder no setor. Em 2015 passou a fazer parte do Hall of Fame do Marketing no Brasil. Estamos celebrando a chegada de um profissional que um profun-do conhecedor do nosso mercado, da gesto ao contedo, publicidade, assinaturas e distribuio. Walter chega com a misso de maximizar todas as foras que integram a Abril, no momento em que a empresa est pronta para voltar a crescer, afirmou Giancarlo Civita em comunicado, logo aps deixar a presidncia do Grupo Abril, posio que acumu-lou por um ano, para se dedicar exclusivamente presidncia da holding Abrilpar. Hoje, alm de presidir o Grupo, palestrante internacional, autor de livros, articulista de mltiplas publicaes, scio de diferentes empresas de mdia digital, membro de vrios conselhos de empresas de comunicao, educao e entretenimento no Brasil e no exterior. </p><p>Morador de Alphaville h mais de 20 anos, responsvel pelas operaes de mdia, grfica e distribuio. Em seu primeiro ano de atuao, tem trabalhado o processo de mudana e o re-posicionamento da companhia no mercado, por meio do slogan Bem-vindo indstria do conhecimento. Alm de posicionar o Grupo Abril como uma empresa de marketplace, Walter reorganizou as reas de mdia, assinaturas, logstica, licenciamento, branded content, big data e eventos. </p><p>Longo recebeu a reportagem de Viva S/A em sua sala, no gabinete que pertenceu a Roberto Civita no 24 andar do imponente edifcio Birmann 21, na Marginal Pinheiros, em So Paulo. A seguir, acompanhe os melhores momentos do encontro. </p><p>Prestes a completar o seu primeiro ano frente da presidncia do grupo Abril, qual o balano desse perodo? </p><p>Sou uma pessoa oriunda da rea de propa-ganda voltada para o mundo digital e inovao. Minha especialidade essa; tambm ministro </p><p>Se no </p><p>existisse </p><p>Alphaville, </p><p>no moraria </p><p>neste Pas</p><p>Ren</p><p>ato </p><p>Piz</p><p>zutto</p></li><li><p>Fevereiro 2017Revista Viva S/A26</p><p>palestras e tenho livros publicados sobre o tema. Voltei para o Grupo Abril com a sensao de que chegaria a uma empresa que tinha crena em revista e que seria necessrio criar uma crena digital. Para a minha surpresa, vi que era uma empresa com forte crena digital e baixa crena no papel. Ou seja, o Grupo Abril, assim como todas as editoras do Pas, entendeu h um tempo que a migrao para o mundo digital se daria por meio de um processo de substituio, e no de adio. A crena era que o papel iria acabar, portanto, ns iramos comear a migrar tudo para o digital. Essa tendncia comeou nos Estados Unidos e se espalhou no mundo inteiro. No incio, a linha de raciocnio era J que vamos acabar com o papel e vamos migrar para o digital, ento a lgica investir no digital e desinvestir no papel. Ou seja, vamos diminuir tiragem, cancelar ttulos, substituir a equipe de redao por profissionais menos experientes, reduzir a qualidade do papel e por a vai. Bastou fazer uma rpida reflexo para entender que iniciaramos um processo de economizar de </p><p>um lado para gastar no outro. Em suma, logo que assumi a presidncia do Grupo, encontrei uma empresa que j estava bastante adiantada no desenvolvimento de ferramentas digitais: sites, aplicativos, blogs etc. Portanto, a crena que eu tinha sobre a importncia de evangelizar a empresa a favor do digital, na realidade foi quase um trabalho contrrio. O mundo digital vai se somar ao mundo do papel, no o substituir. Cada um desses mundos tem obrigaes, objetivos e misses distintas. Na minha viso, cabe ao mundo digital responder s questes: o qu e quando. J o papel deve responder s seguintes perguntas de por qu e como.</p><p>Em tempos de redes sociais, muitas vezes as pessoas se sentem reprteres, no mesmo? </p><p>Sim. fato que existe um sentido colaborativo. O digital bom para isso, no entanto, no sbado seguinte as pessoas vo querer saber por que avies caem, se a pista ou se o piloto foi responsvel pelo acidente, por exemplo. Essa questo de por qu e como cabe ao papel e caber ao impresso por muito tempo. A principal razo de caber por muito mais tempo ao papel foi o processo de reduo da tela que o mundo digital sofreu. Eu mesmo trabalhava apenas numa tela de computador e notebook, passei a usar tablet e agora estou no celular. Porm, muito difcil voc se aprofundar em algum tema usando um celular. Certamente ser uma dificuldade muito grande ler dez, quinze pginas em um celular. Costumo dizer que h trs tipos de curio-sidades no gnero humano. Existe a curiosidade diversiva, que a curiosidade de saber de tudo um pouco, de maneira superficial </p><p>e abrangente. Ento quero saber como est o trnsito, o que eu vou fazer no fim de semana e por a vai. O gnero humano tem necessidade de entender o que est acontecendo ao seu redor para se sentir seguro, dominando o seu entorno. Voc tambm tem a curiosidade emptica, que a curiosidade que se relacio-na com outras pessoas: quem se casou, quem foi promovido. Normalmente a curiosidade emptica origem da fofoca. Depois tem a curiosidade epistmica, que saber quais as causas e as consequncias daquilo, no que pode afetar a minha vida, o que vem depois disso, ou seja, uma curiosidade mais focada e profunda. Todos ns temos essas trs curiosidades, s vezes eu tenho uma curiosidade diversiva alta, uma curiosidade emptica baixa e epistmica mdia, ou vice-versa. A curiosidade diversiva e emptica foi, ou est indo gradativamente, para o mundo digital. A curiosidade epistmica, mais profunda, permanece no papel, at por razes de formato. Tudo o que epistmico exige mais foco e ateno. E o mundo digital um mundo de distrao. Acreditamos que mundo digital vai ser o mundo do o qu e quando e o mundo do papel vai ser o mundo do por qu e como e que as pessoas vo continuar a consumir isso. A segunda questo levantada que os jovens hoje no leem mais. Na verdade, os jovens nunca leram! Liam quando eram obrigados. O jovem mais diversivo, mais emptico e menos epistmico. A voc se casa, tem um filho, ingressa no mercado de trabalho e vai mudando aos poucos os seus hbitos. Estamos convictos de que o Grupo Abril deve expandir tanto no papel quanto no digital, e no crescer de um lado em detrimento do outro. </p><p>Diante de um ano to desafiador nos setores econmico e poltico, como o Grupo tem enfrentado a crise? </p><p>Esse o outro lado. Primeiro, o papel social de uma empresa de comunicao utilizar de maneira bastante eloquente tanto o digital como o papel. Segundo: vamos falar, independentemente do meio digital ou papel, sobre o assunto propaganda. A fonte de renda primria da chamada imprensa a propaganda, o que permite a imprensa ser livre, ter opinio prpria, ser inde-pendente, porque a propaganda, de certa maneira, alimenta isso e permite que eu cobre pouco ou menos para o acesso a essa informao do leitor. Nos Estados Unidos a assinatura de uma revista anual custa em mdia dez dlares. Ento vamos dizer assim, 100% do custo subsidiado pela propaganda. Quando nos Estados Unidos a propaganda caiu 10%, foi um desastre eminente, uma verdadeira sensao de fim de mundo, porque as empresas precisavam, alm de pagar pelo papel, pagar pela tinta, pela distribuio, pelo correio e sua nica fonte de renda era a publicidade. Desde a dcada de 50 o brasileiro entendeu, valorizou e se disps a pagar por informao. Nosso modelo de </p><p>O mundo digital </p><p>vai se somar ao mundo do papel, no o </p><p>substituir. Cada um desses </p><p>mundos tem obrigaes, objetivos e </p><p>misses distintas</p></li><li><p>Fevereiro 2017 Revista Viva S/A 27</p><p>assinatura nunca foi subsidiado. O assinante est pagando pela informao. Ento, quando cai 10% de publicidade, esses 10% no vo direto no online, porque tem outra fonte de receita que a prpria assinatura que paga isso. Importante tambm que o custo de se fazer hoje o contedo tenha diminudo, porque antigamente voc no tinha uma fonte de informao, mas uma dificuldade imensa de buscar informao. Hoje voc acessa a Internet e v tudo. Ento, se por um lado a internet diminuiu o bolo da publicidade, por outro, ela tambm rentabilizou a minha operao, permitiu que custasse menos empresa a busca pela informao. O que estamos vendo nesse momento como se compatibiliza isso. Muita gente acompanhou a diminuio ou unificao das redaes e demisses de jornalistas, e entendia isso como uma crise. Essa a crise estrutural, no conjuntural. </p><p>Acontece que no Brasil ns somamos duas crises: uma conjuntural e uma estrutural ao mesmo tempo. Esse foi um grande desafio. Ns temos uma crise conjuntural poltico-econmica e uma crise estrutural de modelo de negcio.</p><p>Como o Grupo Abril se posiciona diante dessas mudanas?</p><p>Ns temos de mudar o perfil dos nossos leitores, porque a gerao dos millennials (jovens nascidos entre 1980 e o comeo dos anos 2000) mudou. A gerao que dizia adeus juventude por volta dos 18 anos hoje permanece jovem at a casa dos 35 anos. Portan-to, tambm precisamos nos adaptar a essa populao, temos de abrir novos mercados, rever conceitos, porque algumas revistas que eram absolu-</p><p>tamente diversificadas ou empticas no necessariamente devem continuar sendo revistas, tm de ir para o digital. No entanto, para assuntos epistmicos que no esto sendo cobertos, talvez seja necessrio lanar revistas. De agora em diante, ns temos de atuar em gesto, baseados na era da efemeridade. Quando as pessoas me perguntam se teve muita mudana, costumo dizer que no que teve. Teve, tem e vai ter daqui para frente. Empresas que atuem de maneira efmera vo ficar perenes, empresas que atuem de maneira perene vo ficar efmeras. Mudana o nico estado permanente. Projetos novos vo entrar, projetos an-teriores vo desaparecer. um processo de transformao constante. Antigamente empresas passavam um perodo </p><p>estveis e, quando as coisas mudavam, falava-se agora vamos mudar a empresa e depois passavam mais um perodo estvel, porque natural no gnero humano a busca da estabilidade e da perenidade. Acontece que o mundo no permite coisas assim. Empresas no morrem apenas por fazer coisa errada, empresas morrem por fazer a coisa certa por um tempo longo demais. Ento temos de mexer o tempo inteiro no time que est ganhando. Essa mudana constante gera uma sensao no mercado de que a indstria est em crise. Voc v tanta gente saindo, mas assim que tem de ser: pessoas vo ser demitidas, pessoas vo ser contratadas, revistas vo desaparecer, revistas vo surgir, novos sites, novos aplicativos, novas e surpreendentes tecnologias. No passado, o importante era o site, depois era o blog, depois o aplicativo, ou seja, essa a nova tnica do mundo um mundo cada vez mais efmero. E cabe ao lder de uma empresa atuar de maneira efmera e inocular na organizao essa viso positiva da efemeridade, e no negativa. Paralelamente a isso, e para fazer frente a essa gradativa eroso da publicidade, ns passamos a conceber outros meios de receitas para manter o nosso papel de imprensa livre, independente etc. Comeamos a criar outras fontes de recursos usando a prpria mdia, ou seja, a mdia que no fundo uma atividade fim, tambm pode ser uma atividade meio, permitindo que eu crie produtos e servi-os, que eu use a mdia para divulgar e, com isso, aumentar o faturamento. Assim, criamos o Go Box, uma nova forma de venda de produtos por assinatura. O Go to Shop, que um sistema no qual o leitor consegue adquirir um produto interessante pelo celular; s precisa apontar o celular para comprar o item na hora. Tambm desenvolvemos o Go Read, uma espcie de Netflix das revistas. O leitor paga mensalmente R$ 22,90 e tem disposio a maior plataforma de revistas digitais do Pas, contemplando mais de 100 ttulos da Abril e de mais 15...</p></li></ul>

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