eliphas levi a ciencia dos espiritos

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    A Cincia dos Espritos por Eliphas Levi Filosofia Oculta A cincia dos espritos Revelao do Dogma Secreto dos Cabalistas Esprito Oculto dos Evangelhos Apreciao das Doutrinas e dos Fenmenos Espritas

    por Eliphas Levi A cincia dos espritos A SOCIEDADE DAS CINCIAS ANTIGAS, dando prosseguimento as

    suas publicaes sobre Filosofia Oculta, edita hoje uma obra que trata da Cincia dos Espritos; trata-se de um livro que, sob a forma literria e po-tica, oculta para o vulgo e ensina para os estudiosos da matria os maiores mistrios da Cincia. Este estudo est dividido em trs partes: na primeira parte, sob o ttulo Espritos reais, trata de Deus e do homem reunidos e idealizados na pessoa de Jesus Cristo; na segunda parte, sob o ttulo de Espritos hipotticos, fala dos anjos, dos demnios e das almas desencar-nadas, segundo as doutrinas cabalsticas e mgicas; na terceira parte, con-sagrada aos pretensos espritos ou fantasmas, aborda as evocaes e apre-cia os fenmenos e as doutrinas espritas.

    A Cincia supe necessariamente Deus, estuda os esprito do homem em suas mais altas aspiraes, examinas as hipteses relativas aos espritos desconhecidos e rejeita os fantasmas. Acima da Cincia est Deus, na Ci-ncia Cabalstica est o Absoluto, na Filosofia Oculta est o Agente Uni-versal. A esplicao desta fora universal nos dada magistralmente por Eliphas Levi, o sbio cabalista francs do sculo passado.

    Introduo ELIPHAS LEVI, o mais importante ocultista do sculo XIX, escreveu

    um conjunto de livros que constitui um curso completo de Filosofia Ocul-ta. A maioria desses livros foram traduzidos para a lngua portuguesa, for-necendo ao estudioso de Ocultismo as bases necessrias para que possa atingir, por seu esforo, as luzes do conhecimento. Seus livros contm o desenvolvimento da teoria cabalstica, trazida at sua poca por Guilhau-me Postel, Raymund Lullo, Paracelsus, Jacob Boheme, Kircher, Khunrath,

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    Louis Claude de Saint-Martin e tantos outros mentores do Gnero Huma-no. O prprio Eliphas Levi foi s fontes originais, consultando velhos ma-nuscritos hebreus, latinos ou gregos. Desvendou o Zohar, traduzindo os trechos mais importantes para seus discpulos; penetrou no Sepher Yetsi-rah, como todo cabalista deve fazer. Estudou a fundo os Evangelhos ap-crifos, bem como todos os antigos grimrios que pde reunir em uma vida repleta de pesquisas e de trabalho, o que lhe permitiu adquirir grande eru-dio.

    Em A CINCIA DOS ESPRITOS, Eliphas Levi explica os dogmas ca-balsticos, que contm em resumo toda a Cincia, mas a Cincia da qual eles so a expresso foi desenvolvida nas suas obras precedentes: a Hist-ria da Magia explica as asseres contidas no Dogma e Ritual da Alta Magia; a Chave dos Grandes Mistrios completa e explica a Histria da Magia. A Cincia dos Espritos d a chave dos dogmas cabalsticos, cuja doutrina em seu conjunto forma uma verdadeira Cincia. Esse livro nos introduz na essncia da Bblia; demonstra-nos a imortalidade da alma, er-gue o vu do Plano Invisvel e adverte-nos dos perigos que corre o viajan-te temerrio, que profana as regies desconhecidas da Natureza.

    A CINCIA DOS ESPRITOS harmoniza o Antigo Testamento com o Novo; busca a Cincia Cabalstica nas suas origens, atravs das Escrituras Santas legadas ao Gnero Humano pelo Judasmo e pelo Cristianismo. Faz a Luz jorrar das antigas lendas bblicas, explicando-nos o sentido real do simbolismo religioso pelas chaves cabalsticas. Confronta os fenmenos modernos do Espiritismo com as antigas narraes bblicas sobre os esp-ritos, evocaes sangrentas e aparies. Relata-nos a histria de Jesus se-gundo o Talmude e segundo a Tradio Oculta; explica-nos os fenmenos que denominou "Espritos Reais e Hipotticos", "pretensos espritos ou fantasmas", pela teoria dos cabalistas sobre os anjos, demnios e as almas dos mortos.

    Este livro, um dos mais importantes do autor, reconcilia a Cincia com a F, destruindo as supersties e os preconceitos, e fornece mais poesia e revelao ao simbolismo dos prprios Evangelhos. Mostra-nos, ademais, que as lendas e alegorias mais distanciadas da realidade objetiva so as que apresentam maior ligao com a Revelao Divina. Deixa claro que as Escrituras Sagradas so alegorias iniciticas e que a histria d lugar ao smbolo.

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    Por intermdio da luz que emana da Divindade e que iluminou seu Esp-rito, Eliphas Levi explica-nos as diferentes lendas evanglicas, relacio-nando-as com os mistrios da evoluo humana nos diferentes planos da Criao. Descreve-nos os mais sublimes quadros de vises, trazendo ter-ra as apoteoses do Mundo Divino. Em muitas passagens ele magistral; suas pginas parecem poemas, compostos com a beleza da inspirao di-vina. Suas narraes levam-nos a um mundo desconhecido, pleno de bele-za e de amor; traam-nos o caminho que todo homem deve seguir para a-tingir a Glria de habitar com o Cristo; mostram as contradies e o de-sespero dos "filsofos" sem f e dos crentes passivos que no procuram o conhecimento. A todos demonstra a necessidade de reconciliar a razo com a f, de conduzir simultaneamente sua vida no trabalho e na prtica da caridade. A Salvao est no equilbrio da Fora e da Beleza: "a har-monia resulta da analogia dos contrrios". A letra mata e o esprito vivifi-ca. O Cristo fala no corao do justo que se fez digno de coabitar com o Verbo, que no mede sacrifcios para ajudar seu semelhante a caminhar em paz na senda da Verdade e da Justia. Conduzir a prpria vida no sa-crifcio, no trabalho e na prtica da Caridade viver segundo os preceitos cristos.

    Em essncia, essa doutrina to antiga quanto o homem sobre a terra, pois que o retorno Divindade pressupe a restaurao da grandeza primi-tiva do filho. E essa dignificao da natureza humana no se faz sem o concurso da Graa Divina. Mas para que a mo de Deus paire sobre a ca-bea do homem, necessrio que este tenha mritos. preciso que sua obra de Reconciliao abrace toda a Humanidade e que seus feitos em be-nefcio de seus semelhantes possam produzir uma energia que, subindo at o Plano Divino, comova at o prprio Criador do Universo. Essa fora, produto da Vontade Humana, atrair as energias divinas que jorraro na alma do Iniciado, formando um manto de luz. Esse manto acalentar o co-rao de todos aqueles que necessitam, uma vez que o homem, cada vez mais sintonizado com a Vontade Divina, servir de elo de ligao do Cu com a Terra. E esse trabalho de Regenerao da Humanidade, de Reinte-grao da criatura no seio do Criador, difundido a todos os povos da terra pelo Cristo e por seus seguidores, foi, necessariamente realizado pelo pri-meiro Adepto que a Humanidade conheceu e que a Cabala personifica na figura de Ado, o primeiro pecador e o primeiro a obter a Reintegrao.

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    Ado forma o tipo do homem tornado Filho de Deus, como Jesus Cristo, o exemplo a ser seguido por todos os homens.

    A Iniciao promete a Reconciliao do Judasmo com o Cristianismo atravs da considerao do Schin (c), que entra na palavra Jehovah (h w h y) formando Jehoschuah (h w c h y), o Messias, o Cristo. o grande me-diador universal posto a servio da regenerao do homem. a ferramenta do Grande Arquiteto do Universo que desbasta a Pedra Bruta, colocando-a no edifcio do tempo que, depois de construdo, aparecer na Jerusalm Celeste, como nos narra So Joo em seu Apocalipse.

    A CINCIA DOS ESPRITOS, isto , a Cincia segundo o Esprito, que explica a iluminao dos seres criados, enaltecendo suas inteligncias e seus coraes, a mesma tanto no Antigo como no Novo Testamento, como demonstra Eliphas Levi em todas as suas obras. a Tradio Oculta ensinada nos antigos santurios que chegou at ns e que o Autor vivifica com o talento que nos conhecido. Essa Cincia, ensinada a Moiss, Es-dras, Daniel, Ezequiel, Davi, Salomo e a tantos outros adeptos surgidos na humanidade, foi reconstituda no advento do Cristianismo e adaptada aos novos passos que a humanidade iria dar em sua evoluo coletiva. Isso explica por que a doutrina crist no se limitou ao povo hebreu, mas con-quistou o mundo. O conhecimento da tradio primitiva pelos primeiros cristos demonstrado nas obras cabalsticas que so o Apocalipse e o Evangelho segundo So Joo. As mais belas narrativas do Mundo Divino j vistas so inspiraes divinas destinadas a fortalecer a doutrina da reli-gio nascente. Essa tradio se mantm intacta em pleno sculo XX e ser legada posteridade por aqueles que fazem por merecer o apoio do Repa-rador. Pois se os campos tornam-se desertos, a mo da Providncia faz com que a fertilidade surja em outras terras. E os homens deslocam-se pa-ra a Terra Prometida, material e espiritualmente falando. Foi assim que o Cristianismo trouxe aos gentios a oportunidade de serem chamados Filhos de Deus, e nisso est o seu grande mrito. A Nova Jerusalm no deste mundo, mas todo lugar que acolher um Filho do Eterno ser chamado "Terra de Israel".

    Toda a Cincia est na afirmao de que o Verbo o Princpio e o Fim de todo o trabalho de criao; ele o alfa e o mega. Ele Deus e se ma-nifesta para extinguir as trevas e resgatar os homens da escravido das paixes e dos vcios. Ele se faz carne para que a vontade do Pai se afirme

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    e se una Vontade do Filho. preciso que o homem adquira a CINCIA DOS ESPRITOS e que em esprito v at o mundo de Yetsirah receber a uno do Verbo, que descer dos mundos superiores, podendo ser recebi-do pelo Anjo de Deus, como ocorreu com So Joo; ir, assim, vislumbrar a rvore da Vida e a Jerusalm Celeste, sentindo no prprio ntimo a a-bertura dos sete selos. Soaro, ento, as sete trombetas, manifestando o jbilo do Cu pela apoteose do coroamento de um novo Eleito, pela derro-ta da besta e do falso profeta. Quando regressar ao Plano Fsico, trar a mensagem divina s sete Igrejas e a todos os povos da terra.

    "O homem nada pode quando est s", explica-nos Eliphas Levi. "As Grandes Foras Humanas so as foras coletivas. O homem deve receber em si a Luz Divina, que jorra substancialme