fazendo 102

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  • FAZENDO 102o boletim do que por c se faz

    E na vida? Navegais popa ou bolina?

    gratuito julho 2015

  • 10 2 0 2FAZENDO * **

    2002

    Sumrio Ficha Tcnica

    MsicaKing John por lus silva.10206

    Culturacultura aorespor filomena barcelos.10208

    Interveno fazendo (as) conversarpor fernando nunes com ana paula incio e renata correia botelho .10214

    Artemanifestos futuristas por assuno melo.10216

    Cinciaguas-vivaspor helena krug.10220

    Intervenoo estio por fernando nunes.10221

    Directoresaurora ribeiro

    toms melo

    Colaboradoresana lcia almeida

    assuno meloana paula incio

    carlos mourafernando nunes

    filomena barceloshelena melo medeiros

    lia goulartlus silva

    paco garcapaulo vilela raimundorenata correia botelho

    rogrio sousa

    Revisoaurora ribeiro

    Capaleonie greefkens

    Paginaoraquel vila

    Projecto GrficoilhasCook

    p r o p r i e d a d e assoc cultural fazendos e d e rua conselheiro medeiros n 19

    9900 hortap e r i o d i c i d a d e mensal

    t i r a g e m 500 exemplaresi m p r e s s o o telgrapho

    Leonie Greefkens

    ilustrao Merijn Hos

    -The boats on the sea

    are like the clouds in heaven.The clouds in the ocean

    are like the boats in the sky.-

  • 2002

    ele chegou descontradocaminhando sozinho.devagar se vai ao longedevagar eu chego lmostra -me o teu rostomenina mulher da pele pretacombinao de coresperfeio tropicalaqui onde esto os homenseu vou torcer pela paz, alegria e amor.j consultei os astrospode -se voar sozinho at s estrelasao sair da ilhauma cabana

    FAZENDO 102Capa

    Fernando Nunes

    Leonie Greefkens-The boats on the sea

    are like the clouds in heaven.The clouds in the ocean

    are like the boats in the sky.-

    Luchtbootjesen zeewolkenspelen tussen

    hemel en aarde.

    A Organizao das Naes Unidas considerou o segundo ano do sculo XXI como o Ano Internacional do Patrimnio Cultural. A Associao Cultural Mar de Agosto constituda formalmente a 16 de outubro de 1987, em Vila do Porto, Ilha de Santa Maria, viu nesse ano oficialmente reconhecida o seu Estatuto de Entidade de Utilidade Pblica, tendo recentemente recebido no mbito das comemoraes do dia dos Aores a Insgnia Honorfica de Mrito Cvico. O Instituto Aoriano de Cultura publica o ttulo: Joo Correia Rebelo: Um arquitecto moderno nos Aores sob a direco de Joo Vieira Caldas tem ainda em anexo dois Manifestos No. Joo Correia Rebelo nasceu em Ponta Delgada, So Miguel, na dcada de vinte do sculo passado. Era filho do pintor Domingos Rebelo e estudou Arquitectura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, concluindo o seu curso no incio dos anos cinquenta. Gostava de desenhar e chegou a fazer uma exposio com desenhos seus sobre figuras de Hollywood em Ponta Delgada. Apelidado de moderno tinha vontade que a sua cidade de nascimento acompanhasse os novos valores e movimentos que emergiam na arquitectura do seu tempo. Por isso, fez intervenes, criticou o edificado existente e planificado, apontou novos rumos e apresentou propostas nem sempre consensuais. Acreditava que a funo do arquitecto era criar e no copiar, da o seu universo arquitectnico girar em torno de duas figuras inventivas da arquitectura moderna: Le Corbusier e Frank Lloyd Wright. Esteve fora, emigrado, regressou e foi ainda mais crtico com a pequenez e limitao de horizontes em que julgava viver. Tem uma obra com uma fora imponente que vale pelo seu conjunto, destacando-se o Edifcio dos CTT de Vila do Porto, em Santa Maria, o Colgio de So Francisco Xavier, em So Miguel, e a Estalagem da Serreta, na Ilha Terceira.

    ilustrao Estel Boada

    Barcos areos E nuvens marinhas

    Brincam entre O cu e a terra.

  • 10 2 0 4FAZENDO * **

    O Museu de Angra do Herosmo acolhe at 13 de setembro a exposio itinerante Dacosta 1914-2014, organizada em conjunto com o Centro de Arte Moderna da Fundao Calouste Gulbenkian e a Secretaria Regional da Educao e Cultura/Direo Regional da Cultura, cujo curador Jos Lus Porfrio.

    Composta por 48 peas distribudas pelas salas do Captulo e Dacosta, esta exposio retoma a mostra comemorativa do centenrio do pintor terceirense Antnio Dacosta, apresentada no CAM, em Lisboa, e que esteve tambm j patente no Centro de Arte Contempornea Graa Mourais, em Bragana.

    Obras marcantes como A Cena Aberta, a Serenata Aoriana e A Festa combinam-se com outras inditas e menos conhecidas de forma a dar uma imagem de conjunto da obra do artista e a ilustrar dois aspetos fundamentais das suas criaes: a Calma e a sua anttese, a Inquietao.

    arte

    Assim, na Sala Dacosta, est aberta a Caa ao Anjo, sucedem-se testemunhos inquietantes de um mundo em desconcerto e os cinzentos densos e a luz velada indiciam a meditao sobre a existncia e a finitude. Apenas nA Festa, em que a matana sacrificial serve o bem comum, em louvor do Divino, os tons suaves e a serena confraternizao entre bestas enfeitadas e meninos instauram uma atmosfera harmnica e limpa, que antecipa a atmosfera solar das telas felizes espraiadas na Sala do Captulo. Ali, sol, mar e ilhas, bichos e mulheres, fruta e fontes sucedem-se, criando uma Calma refrescante, ou, no dizer de Jos Lus Porfrio um espao contemplativo, presena e memria do Sul e da Ilha relembrada, quer em Lisboa, quer em Paris, () onde a mancha se transforma em paisagem e a memria a presena de um monumento terceirense.

    A exposio em causa tem sido alvo de um programa de dinamizao por parte do Servio Educativo do Museu de Angra do Herosmo, que envolveu j mais de 300 crianas e jovens dos concelhos de Angra do Herosmo e Praia da Vitria. A par de uma visita orientada que fomenta a observao e explorao das obras expostas, decorre o ateli de expresso plstica Anttese e Calma, em que os participantes so convidados a compor atmosferas de sonho ou pesadelo, combinando e sobrepondo paisagens, motivos e personagens emblemticas de Dacosta, recorrendo a tcnicas e materiais vrios. Para crianas entre os quatro e os nove anos foi preparada a atividade Em viagem com o coelhinho de Dacosta, que apresenta a obra do artista, mediante a narrao de uma histria dramatizada, cujas sequncias narrativas se organizam a partir de algumas das suas principais telas, assumindo os meninos o papel de personagens.

    DACOSTA 1914-2014

    No Museu de Angra do Herosmo

    Ana Lcia Almeida

    A Calma e a sua Anttese

  • 10 2 0 5 FAZENDO ***

    & cinema

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    Com Som Rogrio Sousa

    Palco

    Cinema, Msica e Teatro

    DACOSTA 1914-2014

    Ana Lcia Almeida

    A Calma e a sua Anttese

  • 10 2 0 6FAZENDO * **

    No um apelo restaurao da mo-narquia. Nem sequer se trata de uma notcia ftil acerca de algum mem-bro de uma das famlias reais que pululam por essa Europa confusa. um caso srio que recentemente invadiu a msica aoriana e prome-te dar que falar e, sobretudo ouvir, dentro e fora do arquiplago.

    King John, alter-ego de Antnio Al-ves, compositor e multi-instrumentis-ta oriundo de S. Miguel, vem de um reino de paisagens marcantes e to diversas como os Blues, RocknRoll, psicadelismo, jazz ou folk e, desde o primeiro momento que se ouve, o rei descarna a sua alma com uma honestidade nas letras desconcerta