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  • 104Dezembro2015

    fazENDO

    E SE NO PAGARMOS MESMO?

  • fazENDO Num. 104 | Dezembro 2015 o boletim do que por c se faz

    DirectoresAurora Ribeiro

    Toms MeloColaboradores

    Ana Rodrigo | Fernando Nunes Miguel Machete | Gina vila Macedo

    Sara Soares | Jorge A. Paulus BrunoVernica Neves | Pedro Lucas Marina Ladrero | Paulo Novo

    No more plastics for the AzoresFernando Resendes |

    Carolina Ferraz | Teresa CerqueiraReviso

    Sara SoaresPaginao

    Gel Domnguez Projecto Grfico

    Raquel Vila

    PROPRIEDADE Assoc Cultural Fazendo

    SEDE Rua Conselheiro Medeiros n 19

    9900 Horta

    PERIODICIDADE mensal

    TIRAGEM 700 exemplares

    IMPRESSO GRFICA o telgrapho

    Aceitamos colaboraes sob a forma de DOAES | ASSINATURAS | CONTEDOS eVOLUNTARIADO

    DOAES | O Fazendo quer continuar a ser gratuito e um projecto com grandes despesas de impresso, distribuio e manuteno. Recebemos doaes na nossa conta da CGD: NIB: 0035 0366 000 287 299 3016

    ASSINATURAS | Para receber o Fazendo em casabasta depositar 20 na nossa conta:NIB: 0035 0366 000 287 299 3016

    e juntamente com o comprovativo enviar o endereo postal onde se quer receber o jornal para vai.se.fazendo@gmail.com

    Cresceu em Lisboa onde fez Design Grfico, Industrial e Cenografia. Esteve no Faial de 1997 a 2009 onde foi Professor de macaquinhos, ligado ao incio do Teatro de Giz e ao Cineclube da Horta. Desde ento semi-vagabundo por Inglaterra, Estados Unidos, Austrlia e agora Sudoeste Asitico.

    Gosta de filmes. Faz Efeitos Digitais em filmes. Separa bem os filmes em que gosta de trabalhar dos filmes de que gosta mesmo.

    Anda sempre com o caderno dos desenhos e o livro do momento. Acha que fazer desenhos uma forma de pensar.Gosta de silncio e gosta de estar com pessoas. Tambm gosta de estar com pessoas em silncio.

    Gonalo Cabaa

    www.fazendo.pt

    Apoio:

    Ilustrao Raquel Vila

    Se assinares o fazendo

    ele chegar sempre a tua casa

  • Gonalo Cabaa

    Ilustrao Raquel Vila

    AURORA RIBEIRO

    Pistas para evitar ser vtima de

    Recentemente, devido aos tristes acontecimentos em Paris, tornmo-nos (e ainda bem) mais interessados. Utilizmos os nossos meios de comunicao preferidos para aceder e par-tilhar informao e opinies. Mas o que que ns sabemos ao certo? Temos acesso a dois tipos de informao: a que nos chega sem que a procuremos e a que conseguimos encon-trar se nos dispusermos a isso. No primeiro caso trata-se de informao que algum nos quer impingir - e consegue. No segundo caso somos ns a fazer a seleco. E isso marca logo uma grande diferena. fcil entender porqu.

    Vivemos numa altura em que temos a enormssima van-tagem de ter acesso livre a muitas fontes de informao.De pesquisar em segundos sobre o que quer que seja e de encontrar ligaes entre todos os assuntos do conhecimen-to. Dispondo ainda de raciocnio, vamos ao infinito e mais alm. Esta possibilidade evita-nos a condio de sermos vtimas da histria nica, em que para um conceito (digamos Islo ou Terrorismo) temos apenas uma explicao, uma imagem redutora e simplista. A realidade dos outros to complexa, variada e rica quanto a nossa. S nos falta familiaridade. O ser humano sente e age se-gundo fundamentos comuns, esteja onde estiver.

    -nos difcil entender o que vai na cabea de algum que mata dezenas de pessoas e a seguir se mata a si prprio. Mas menos difcil entender um chefe de estado que bombardeia territrio (e pessoas civis) no mdio oriente, como retaliao. Se achamos que um bombista suicida foi vtima de uma lavagem cerebral que dizer de ns se enten-demos (e permitimos) melhor certas coisas que outras?

    Nenhum de ns quer ser manipulado na nossa forma de pensar e ainda menos que os nossos crebros sejam lavados de ponta a ponta. Mas tal como os mais loucos so os que no admitem ser loucos, os dos crebros mais lavadinhos so os que esto convencidos de os no ter. Ento tenhamos dvidas, que muito mais salutar.

    O excesso de informao conduz frequente-mente desinformao. Confuso entre teorias e explicaes, factos contraditrios, deturpados e at mesmo falsificados tambm nos caem no colo todos os dias. Procurarmos conhecer mais e melhor a extraordinria complexidade do mundo que nos rodeia um poderoso meio de pro-teco dos nossos direitos.

    Mas como e aonde? Os media estabelecidos e tradicionais so teis. Trazem con-tinuamente muita informao com doses aceitveis de autenticidade. Mas so um meio, ou seja, uma ferramenta bvia quando se pretende manipular. Assim, naquilo que nos preocupa e importa, con-vm irmos tambm beber fonte original, a mesma onde bebem os jornalistas. E sempre que sentirmos que estamos a ficar muito convencidos de uma certa viso, procure-mos tambm conhecer as teorias contra-ditrias. Visitemos lugares e/ou falemos com pessoas de todos os lugares. Partilhe-mos as nossas opinies e ouamos as dos outros, criticando-nos mutuamente.

    O dilogo e a troca de saberes so EDUCAO, as manifestaes artsticas e culturais so meios de COMUNICAR experincias e todo este CONHECIMENTO, partilhado em LIBERDADE a base mais slida para a construo da PAZ e do AMOR, que so os valores mais altos que a humanidade alguma vez concebeu.

    lavagens cerebrais

  • fazENDO | 4

    Entre Porto Pim e

    o melhor de dois mundos

    afinal possvel?

    o Nordeste BrasileiroVERNICA NEVESVi os ltimos quatro no dia 8 de Novembro. Eram seis e meia da tarde, conduzia na estrada da Lajinha, e eles passaram-me frente numa diagonal at ao mar. A grande maioria j h largas semanas inverna no litoral brasileiro. Fazem-se ao mar e em pouco mais de uma semana avis-tam novos horizontes, chegando a voar mais de 1000 km num s dia. Ao que parece as fmeas partem mais cedo, entre um a dois meses antes dos machos que ficam at mais tarde nas nossas ilhas, provavelmente em cuidados parentais, alimentando os juvenis e ensinando-os a pescar.

    Os garajaus-comuns (Sterna hirundo) pesam entre 120 e 160 g, tm uma envergadura de asa de cerca de 80 cm e so primos dos maratonistas da migrao animal, os garajaus-rcticos (Sterna paradisaea) que voam anualmente 90 mil km em busca do eterno Vero.As populaes de garajau-comum da Amrica do Norte migram para a costa do Brasil, Uruguai e Argentina. As do Norte da Europa migram para a Costa Ocidental Africana. A meio caminho entre os dois continentes, as aves dos Aores no se deixam seduzir pela cor-rente de Benguela. Recapturas de aves anilhadas e da-dos de geolocalizao indicam que as aves dos Aores partilham os locais de invernada com as aves norte-americanas, no havendo at agora qualquer indicao de que possam tambm partilhar os locais de inver-nada com as aves europeias. Para alm do comporta-mento migratrio, geneticamente falando, as aves dos Aores so tambm mais prximas das populaes norte-americanas do que das da Europa continental.Se os aparelhos de geolocalizao fornecem dados im-portantes sobre a cronologia, durao e rota das mi-graes, a velhinha tecnologia da anilha de metal e ligas leves continua a ser fonte de conhecimento. At ao mo-mento h registo de movimentos de mais de 50 aves en-tre os Aores e a Amrica do Sul; 39 aves anilhadas nos Aores foram recapturadas no Brasil, seis aves anilha-das nos Aores foram recuperadas na Argentina e nove aves anilhadas no Brasil foram recapturadas nos Aores. Veja-se ainda o exemplo da ave G3913; foi anilhada a 18/7/1992 nos Capelinhos quando era uma pequena cria, trs anos e meio mais tarde foi recapturada numa rede na praia de Mangue Seco (Baa, Brasil) e recentemente, a 22/4/2015, foi encontrada no Pico, muito debilitada, tendo acabado por morrer beira de completar 23 anos. O recorde actual de longevidade da espcie de 33 anos e foi registado numa colnia no mar da Irlanda. No tenho dvidas... To bom como asas? S mesmo barbatanas!

  • 5 | fazENDO

    No Se Paga! No Se Paga! conversa com o encenador

    Luciano AmareloNo Se Paga! No Se Paga! a nova produo do Teatro de Giz, com es-treia marcada para dia 4 de Dezembro no Teatro Faialense.Uma pea que foi escrita em 1974 pelo dramaturgo italiano Drio Fo (Nobel da Literatura em 1997), um texto que continua actual, talvez at mais actual do que nunca.Para o colocar em cena o Teatro de Giz convidou o encenador Luciano Amarelo e da conversa com ele nas-ceu este texto.

    uma pea para todo o tipo de pblico, uma comdia, ideal para quem nunca viu teatro e tambm, claro, para quem adora teatro. isto o teatro para todos: um texto fresco, divertido, popular mas com muito sumo. Divertes-te com a pea ape-sar de haver uma tragdia por trs. H falta de dinheiro, as personagens no tm o que comer e esto presas a uma escravido. A lgica do sistema prender as pessoas a bens materi-ais, a formas de vida, para que nos movimentemos de acordo com as necessidades que "eles" criaram. Mas aqui, No Se Paga! No Se Paga!, gratuito, o ttulo diz tudo, j est em ti, algo que j temos, e ns somos capazes de fazer a mudana, de vol-tar a ter outra vez. No devemos ter medo de mudar, e muito menos de dizer "quem me dera que isto fosse diferente", eu posso mudar algo, tu tambm podes, anda mexe-te!

    Personagens "reais" interpretadas por actores amadores, voluntrios, 25 pessoas que se juntaram para 4 dias de revoluo. Vamos fugir ao

    clssico, aqui o espectador sacu-dido quase at ao ponto de levar uma bofetada, para que no fique passivo, o pblico fica sentado mas sente que tem de se mexer. Os espectadores vo ver teatro, no ficam em casa a ver tv, so duas coisas muito diferentes, no teatro o pblico tem poder. Ns nesta pea damos-lhe ainda mais poder para ele sentir que tem de se mexer, tempo de acordar.

    O encenador diz-nos que sente neste trabalho uma lgica de mis-so, uma revoluo que vai acon-tecer, que j est a acontecer, algo novo que a vem, uma erupo, "a ilha vai crescer" diz