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O Jornal Fazendo um jornal comunitrio, no-lucrativo e independente.

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  • 106Maio 2016

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  • Num. 106 | Maio 2016 o boletim do que por c se faz

    DirectoresAurora Ribeiro

    Toms MeloColaboradores

    Fernando Nunes | Gina vila Macedo Maria Eduarda Rosa | Miguel Machete

    Paulo Novo | Paulo Vilela Raimundo Rogrio Sousa | Sara Soares

    RevisoAurora Ribeiro

    PaginaoMaria Angenot e Toms Melo

    Projecto GrficoRaquel Vila

    PROPRIEDADE Assoc Cultural Fazendo

    SEDE Rua Conselheiro Medeiros n 19

    9900 Horta

    PERIODICIDADE mensal

    TIRAGEM 500 exemplares

    IMPRESSO GRFICA o telgrapho

    Aceitamos colaboraes sob a forma de DOAES | ASSINATURAS | CONTEDOS eVOLUNTARIADO

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    e juntamente com o comprovativo enviar o endereo postal onde se quer receber o jornal para vai.se.fazendo@gmail.com

    Natural da Ribeira do Meio, Pico. Remador, arpoador e ocasionalmente oficial.

    De famlia de baleeiros comeou aos 14 anos, em So Mateus do Pico. Exerceu atividade neste porto durante 7 anos, depois foi para as Flores (o pai tambm) onde baleou durante 9 anos como arpoador e ocasionalmente como oficial. Os ltimos 4 anos de baleao passou-os na Graciosa. Foi baleeiro por 20 anos.

    Ia para ganhar a vida, casei novo, tive filhos e tinha que viver. Gostava muito de ser baleeiro, preferia ir baleia do que albacora

    um conceituado fotgrafo que nasceu em Alcobaa no ano de 1944. Ao longo da sua carreira fotografou o pas de ls-a-ls, sobretudo na temtica humana. Grande parte do seu trabalho est reproduzido em diversas publicaes, onde tendencialmente se associam as suas fotos a textos em prosa de autores de mrito.

    Com o primeiro ordenado comprou a primeira mquina fotogrfica e logo ensaiou pequenas reportagens nos mercados e praas da sua cidade natal, Alcobaa. Fascinado pelas imagens da Life, que recebia por assinatura, acaba por experimentar o cinema, colaborando em jornais e revistas, organizando encontros e exposies, obtendo, em 1988, o Prmio de Ilustrao da Bienal Internacional de Arte de Vila Nova de Cerveira.

    Poderemos arriscar uma justificao do seu percurso artstico, recorrendo ao que foi dito pelo prprio Jorge Barros: o mais importante foi, , tornar gente Feliz!

    Jorge Barros

    www.fazendo.pt CAPA

    Fernando Vieira(Bagao)

    Com o apoio da

  • Fernando Vieira(Bagao)

  • fazENDO | 4

    Fazendo assinala no mapa onde so os Aores.(mapa)Depois de ter assinalado no mapa, foi-lhe indi-cada a localizao correcta dos Aores.

    Fazendo Que tipo de pessoas pensas que vivem nos Aores?Provavelmente s as pessoas que nasceram e cresceram a.

    F Como que se vive nos Aores?No deve ser muito diferente de qualquer outro stio, porque hoje em dia estamos todos conectados e tudo mais ou menos igual em todos os pases. Talvez seja uma vida tpica das ilhas, mais descontrada, mas com tudo o que se encon-tra em todos os outros stios.

    F - Que lngua falam os Aoreanos?Espanhol.

    F Como o clima nos Aores? No tenho ideia, mas imagino que seja muito molhado.

    F Que animais se podem ver nos Aores?Aves, muitssimas. E talvez alguns animais pequenos, mas no deve ter nada grande, como veados.

    F Que transportes se usam nos Aores?Carros e motos.

    F O que poderia ser feito nos Aores?As ilhas devem ser um porto seguro para embarcaes que tenham algum problema cruzando o Atlntico. Deve ser um stio bom para iates e qualquer tipo de barco. Poderia ser usado como um ponto de distribuio de mercadorias.

    Em vez de se transportar coisas da Europa e frica para os Estados Unidos e Amrica Latina e vice versa, poderia ser tudo transportado para os Aores e tu chegarias a, deixa-rias a tua mercadoria Europeia e levarias a Americana, por exemplo.

    F Qual a comida aoriana mais estranha?Deve haver muita fruta tropical, mas no sei que tipo de carnes se comem por a.

    F Que tipo de produtos se exportam?Talvez fruta e pedra vulcnica (para os jardins) e talvez tam-bm areia vulcnica.

    F Poderias viver nos Aores?No sei, mas provavelmente no.

    Onde sopara tios Aores

    SheridanCanad

    No deve ser muito diferente de qualquer outro stio, porque hoje em dia estamos todos conectados...

    SARA SOARES

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    ulo C j sai

    u!

  • 5 | fazENDO

    Captulo C

    j saiu!

    O culminar deste projecto literrio, tido inicialmente como uma trilo-gia editorial, deve ser francamente saudado. Este fecho, agora concre-tizado, correspondeu a uma von-tade genuna de dar a conhecer um leque alargado de autores, isto , a divulgao de poetas ou escritores de poesia residentes nos Aores. O Captulo C est, portanto, pronto e rene novamente um conjunto de poemas bastante heterogneo, essencialmente com um lanceiro de registos poticos para diferentes gostos, ideias e estticas.

    Esta publicao relembra tambm a importncia que teve o aparecimen-to de espaos pblicos que funcion-aram enquanto encontros semanais, quinzenais e mensais de actividades pblicas de divulgao de poesia:

    o Poetry Slam de Ponta Delgada, as quintas de Poesia na Travessa dos Artistas ou da TASC, na Rua de Lisboa. A vantagem de reunir estes poetas e poemas ter ajudado certamente na criao de novos leitores de poesia, qui o eventual surgimento de novas vozes poticas, salientando-se neste impulso edito-rial, s por si, ser portador da ideia de comunidade potica, o que no de somenos. Fica assim fechada a trilogia editorial com a edio do Captulos C (nada invalida que este interessante projecto no possa crescer ainda mais).

    A tiragem dos Captulos, para cada uma das trs edies, foi de 150 exemplares e contou com o preo simblico de 2 euros. O designer Lus Andrade foi quem coordenou,

    organizou e fez o grafismo deste projecto apoiado pela Direco Regional da Juventude dos Aores, atravs do programa Pe-te em Cena. Esta smula final rene dois poemas dos seguintes au-tores: Artur Falco, Carla Vers-simo, Dalila Bettencourt, Eleonora Marino Duarte, Fernando Nunes, Joo Malaquias, Jaqueline Torres, Jos Soares, Jlio vila, Leonardo e Lus Augusto. Todos os pedidos dos captulos A, B e C podero ser feitos para: capitulospoesia@gmail.com

    Reunir estes poetas e poemas ter ajudado certamente na criao

    de novos leitores de poesia, qui o eventual surgimento de novas

    vozes poticas.

    FERNANDO NUNES

  • fazENDO | 6

    comum que as pessoas do conti-nente ao saberem que sou dos Aores perguntarem-me se j visitei o Corvo, tecendo logo a seguir comentrios em que, regra geral, lamentam a sorte dos corvinos. Eu, para alm de uma viagem ilha, aconselho sempre o visionamento do documentrio na Terra no na Lua (2011) de Gon-alo Tocha, e que j est online aqui: http://dafilms.com/film/8464-e-na--terra-nao-e-na-lua/?rc=PT (streaming no disponvel em Portugal).

    Quer mais mentiras, quer? pergunta a Gonalo Tocha o antigo vigia que ainda sonha com baleias. Mas em na Terra no na Lua no se contam mentiras. Este filme contm a verda-de de uma ilha. Tocha mostra-nos o Corvo sem artifcios e acabamos por descobrir uma ilha dentro de outra ilha.

    440 almas numa gvea de terra de 6 quilmetros de comprimento por 4 de largura. Eis a matria para o docu-mentrio que parece um dirio de bor-do mas onde Tocha no relata apenas o que os seus olhos vem. Ele no se limita a falar daquela gente. Ele fala com aquela gente e parece que acaba a conhecer os corvinos de cor.

    Em na Terra no na Lua h uma beleza inesperada em tudo o que ve-mos: nas mos rudes dos homens; no nascimento de um bezerro; no silncio

    nocturno da vila rasgado pelo brado das cagarras; na ladainha hipnotizante desfiada pelas mulheres na igreja a rezar o tero; nos ps descalos de um bailarino a danar no meio do mato; nas noites de karaoke no bar da vila; na matana do porco moda antiga; na histria do ornitlogo que vomita por estar sozinho a ver uma ave rara; nos dedos franzidos de Ins Ins a tricotar o barrete corvino metfora da construo do documentrio; e no sorriso enorme e infantil de Ti Pedro, de 94 anos, o ancio da ilha, que ouve mal e, talvez por isso, tambm toca mal acordeo. Mas at nessa msica desafinada reside uma beleza extraor-dinria.

    Ao longo do filme experimentamos sentimentos contraditrios em relao ao Corvo: Fora daqui um perigo!, afirma o marido de Ins Ins. Senti-mos nas palavras daquele homem que os corvinos ali se acham protegidos do mundo. Est aqui patente a ideia de ilha-me, de uma ilha que um

    casulo. Mas tambm sentimos que a ilha pode ser clausura e solido. Um gajo sem mulher aqui d em doido!, queixa-se o mecnico que j s sonha com frica.

    No final de na Terra no na Lua vemos nascer outra ilha. Tem-se a sensao de que o Corvo se torna grande, a ilha maior do arquiplago, porque um lugar de redescoberta.

    No incio do filme ouvimos: Les Aores, cest fou! Et l [Corvo] cest encore plus fou! Ainda bem que Gonalo Tocha louco. E d-nos von-tade de sermos loucos tambm.

    Fui ao mar Fui ao mar buscar laranjas um verso de uma

    cantiga popular que tambm serviu de ttulo a um livro do poeta aoriano Pedro da Silveira

    buscar laranjas

    GINA VILA MACEDO

    Ilust

    ra

    o Ra

    quel

    Vila

    A Morte d

    a Naturez

    aDiogo

    Benevides

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    O Angra Criativa tem permitido que os angrenses, e pblico em geral, tomem contacto com os mais recentes projectos dos seus jovens criadores.