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Agenda Cultural Faialense Comunitário, não lucrativo e independente.

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  • Boletim do que por c se faz.

    FAZENDO

    Edio n 13 | Quinzenal

    DISTRIBUIO GRATUITA

    Quinta-feiraAgenda Cultural Faialense

    19 Maro 2009

    Pai, quando crescer gostava de ter um planeta para viver.

  • #2 COISAS... compostasFICHA TCNICA

    FAZENDOIsento de registo na ERC ao

    abrigo da lei de imprensa 2/99 de 13 de Janeiro, art. 9, n2.

    DIRECO GERALJcome Armas

    DIRECO EDITORIALPedro Lucas

    COORDENADORES TEMTICOS

    Catarina AzevedoLus MenezesLus Pereira

    Pedro GasparRicardo Serro

    Rosa Dart

    COLABORADORESAna Correia

    Aurora RibeiroEcoteca do Faial

    Fernando MenezesFrederico Cardigos

    Ildia QuadradoIns Martins

    Maria Carreiro e SilvaTeatro de GizToms Silva

    GRAFISMO E PAGINAOVera Goulart

    veragoulart.design@gmail.comKen Donald

    ILUSTRAO CAPAPedro Gaspar

    PROPRIEDADEAssociao Cultural Fazendo

    SEDERua Rogrio Gonalves, n18,

    9900-Horta

    PERIODICIDADEQuinzenal

    Tiragem_400

    IMPRESSOGrfica O Telegrafo, De Maria

    M.C. Rosa

    CONTACTOSVai.se.fazendo@gmail.com

    http://fazendofazendo.blogspot.com

    DISTRIBUIO GRATUITA

    PEDIDO CMARA MUNICIPAL

    Seguindo o repto da Cmara Municipal da Horta, desde h um ano que separo escrupulosamente todos os resduos que produzo. Para um lado vo os vidros, para outro os resduos de embalagens plsticas, para um terceiro grupo, o papel e o carto, e para um final os chamados indiferenciados. Por aquilo que con-segui observar no ltimo ano, em termos de volume, cerca de um tero dos meus lixos vo para o aterro e os outros dois teros vo para a Central de Triagem. Em termos de peso, no assim. Tirando o vidro, de facto, as embalagens so, por definio leves, por-tanto, em termos de peso, o resultado o inverso. Talvez no seja relevante, mas apenas para termos uma ideia. Porque o meu trabalho me permite saber isso, posso partilhar que este padro se repete por todos os Aores. Um tero dos nossos resduos so realmente indiferenciados. No gosto da palavra indiferenciado. um pouco estranho falar em indiferenciados... D ideia que somos incompetentes. Nada indiferenciado. O que l est pode ser distinguido facilmente, basta olhar para identificar os sub-componentes. apenas uma forma confortvel de dizer que isto j no d para mais nada. Inverdade! Estava ento eu aqui a pensar com os meus botes o que que vai para os indiferen-ciados? ou porque que no posso aproveitar um pouco melhor ainda os chamados indiferenciados?

    Para encontrar a resposta tive que fazer um trabalho sujo... Mergulhei no caixote do lixo e comecei a veri-ficar o que que l estava dentro. Como dizem os americanos, um trabalho sujo, mas algum tem que o fazer!. Por falar nisso, e j que estou a falar na Cmara Municipal da Horta, aqui vai o meu muito reconhecido e agradecido muito obrigado para os seus trabalhadores que recolhem o lixo e os que tra-balham no Centro de Triagem e no Aterro Sanitrio. No um trabalho fcil e, graas a vs, temos uma grande qualidade de vida! Estava ento eu a abrir o saco de plstico com os meus lixos e a fazer o respectivo inventrio. Encon-trei muitas fraldas de beb... usadas... Bahhh, que nojo. Odeio aquele cheiro! Havia tambm areo de gato, tecidos velhos, um boto partido, p e pelos de gato, resultado da limpeza da casa, e resduos orgnicos. Primeira constatao: bela triagem! Este um lar ecolgico, no havia qualquer resduo que pudesse ter aproveitamento pelas outras vias. Em termos do que est institucionalizado pela Cmara Municipal, estou a cumprir. No entanto, ser que podia ir mais longe? Estamos numa ilha pequena e, portanto, no h grandes hipteses de aproveitar en-ergeticamente os pelos de gato, o p, o boto parti-do e os velhos tecidos. Lamento, mas no Faial, essa parte ter mesmo de ir para o aterro. J em relao s fraldas do beb, sei que esto empresas a tentar en-trar no mercado para assegurar o seu processamen-

    to. Tenho dvidas que comecem pelo Faial, visto que o mercado pequeno (temos poucos bebs...), mas logo que entrem nos Aores, por favor, cativem-nos para virem tambm ao Faial recolher fraldas usadas. A outra componente constituda pelos chamados orgnicos. Para reduzir esta componente, ela ter que ter um destino til. Sei que a Cmara Municipal tem compostores em alguns dos seus jardins pbli-cos. Ou seja, h locais disponveis na nossa cidade em que so colocados alguns dos resduos orgni-cos que so depois transformados em solo ou fer-tilizante. Excelente! Agora, aqui vai o meu pedido: por favor, indiquem-me que resduos posso colocar nos vossos compostores e onde que eles esto co-locados? Por favor, digam-me. J agora, digam tam-bm aos restantes faialenses que estejam (ou esto?) to obcecados com a reduo de indiferenciados como eu, talvez colocando um anncio no jornal ou na rdio. Sei que coisas, como por exemplo restos de carne, no podem ir para os compostores, mas, cu-riosamente, os restos de caf podem. Confirmam? Qual o meu objectivo pessoal? O meu objectivo atingir as metas europeias. Quero ter apenas 13% dos meus resduos classificados como indiferenciados e depositados em aterro. At l, vou integrar a BALA, um grupo de aco directa urbana cujo o acrnimo significa Brigadas Anti Lixo dos Aores.

    Frederico Cardigos

    NOME:Eva GiacomelloIDADE: 38 anosORIGEM: Verona, ItliaDATA DE CHEGADA: Julho de 2002PROFISSO:BilogaCASA: Alugada

    Porque veio? uma histria longa. Vim fazer trabalho de campo para o meu doutoramento. O meu companheiro Mirko estava c a fazer o seu doutoramento e eu vim para c nos veres de 2002, 03, 04 e 05. Era um trabalho sobre a reproduo do caboz e mergulhvamos na

    rampa da doca, onde h uma comunidade de cabozes. Tnhamos que mergulhar muito cedo porque infelizmente a caboz reproduz-se de manhzinha.

    Porque ficou?Eu ficava s esses meses do vero e depois vol-tava para Itlia. Depois de 2005 fiquei dois anos em Itlia, trabalhava l e fazia pesquisa na uni-versidade. Mas sentia muito a falta desta ilha e j estava um bocado farta da vida stressada de Itlia. E alm disso sempre tinha pensado que gostava de viver perto do mar e em Verona no possvel. Depois o Mirko arranjou trabalho no DOP em abril de 2008 e eu deixei tudo para vir com ele procurar trabalho c. E em fevereiro deste ano comecei a trabalhar no DOP, num pro-jecto sobre montes submarinos, que so muito comuns aqui nos Aores. Estamos a estudar o monte Condor de Terra, a sudoeste do Faial.

    O que gostas mais aqui? a natureza. Este um dos stios mais lindos

    que eu nunca vi na minha vida: tem flores, tem verde, tem o oceano e o contacto com a natur-eza muito forte. E gosto muito da vida simples. fcil falar com pessoas e h mais contacto do que numa grande cidade. Tambm estou a go-star bastante da vida cultural da Horta. Houve uma evoluo grande desde 2002. H mais s-tios, como a CASA e a biblioteca, que eu gosto muito, e h mais oportunidades de ouvir msica ao vivo, de ir ao teatro e ao cinema. Ao mesmo tempo tm desabrochado novas bandas. Quando tu vives numa cidade grande tens a impresso de que h muitas coisas para ver e fazer mas no tens tempo para elas. Aqui d para fazer mais coisas do que no continente.

    At quando?No fao ideia. Por o momento vai ser concerteza alguns anos. Depois vamos ver o que acontece!

    Aurora Ribeirohttp://ilhascook.no.sapo.pt

    Chegadas, Arrivals, Arrives...

    Crnicazinha...

    Gatafunhos e Mata Borres

    Toms Silvahttp://ilhascook.no.sapo.pt

  • Cinema e Teatro DESCULPA P PIPOCADesventurado filme de Anthero

    J foi visto...

    No sou conhecedora de Anthero nem nunca tinha visto nenhum filme do Zeca Me-deiros. Nem sequer sou aoriana. Mas este olhar puramente cndido pode ser til para uma crtica honesta e distanciada do filme.O problema deste filme no a falta. A este filme no lhe falta talento, nem conhecimen-tos nem sequer dinheiro. Por outro lado sobra tudo por todos os lados. O talento comea na pedra basilar do filme e alis a sua salvao: Ral Resendes a melhor juno de tc-nica e entrega, em cujo rosto e corpo passam as mais humanas e dramticas expresses, ele absolutamente, Anthero. E Anthero de uma forma to coerente e constante que me deixou a questo de como seria possvel que to espantoso protagonista nunca tivesse protagonizado nada de conhecido antes. Mas h mais talento e arte: temos a Maria do Cu Guerra, s que muito mal aproveitada, com o rosto quase sempre preso no mesmo enquadramento e na mesma expresso contida, como se de um nico sentimento fosse construda a sua personagem. E por muitos outros rostos tambm h laivos de entrega e de tcnica. Mas as direces que tomam so de tal forma opostas e confusas, que a sua beleza acaba por se esvair, perdida.Tentam encontrar-se solues para o filme que no passam de construes recorrentes e que s realam o vazio da ideia chave que essencial em qualquer obra. No h espao para a coerncia, nem para um enchimento interior que descasque o exterior. tal a von-tade de querer enfiar ideias e to desengonada a mistura de linguagens e estilos, que o que soobra aqui a sensao de salganhada. E uma salganhada nunca um resultado da falta. sempre um resultado da sobra. Sobram solues, sobram linhas narrativas, sobram planos, sobram roupas, sobra de tudo um pouco. verdade que em Portugal h pouco dinheiro para o cinema. H mesmo pouqussimo dinheiro para o cinema. Mas tambm verdade que no h nenhuma garantia de bom aproveitamento do dinheiro no caso remoto de grandes quantias serem injectadas no cinema portugus. Por isso as queixinhas da falta de oramentos j chateiam um bo-cadinho. Mas o que mesmo inaceitvel construir um filme de duas horas, com mais do que duas mos cheias de actores, com incontveis dcors e de localizaes, e ainda ter a lata de conceber e incluir infinitas cenas de m qualidade esttica e dramatrgica com o nico intuito de justificar os problemas do filme com a falta de oramento. No h pacincia... Paris!? Nem precisav