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Agenda Cultural Faialense Comunitário, não lucrativo e independente.

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  • Boletim do que por c se faz.

    FAZENDO

    Edio n 17 | Quinzenal

    DISTRIBUIO GRATUITA

    Quinta-feiraAgenda Cultural Faialense

    14 Maio 2009

    Se os Elefantes esto em Guerra ou a fazer Amor no interessa. Os Jardins Pblicos continuam iguais.

  • #2 COISAS... compostasFICHA TCNICA

    FAZENDOIsento de registo na ERC ao

    abrigo da lei de imprensa 2/99 de 13 de Janeiro, art. 9, n2.

    DIRECO GERALJcome Armas

    DIRECO EDITORIALPedro Lucas

    COORDENADORES TEMTICOS

    Catarina AzevedoLus MenezesLus Pereira

    Pedro GasparRicardo Serro

    Rosa Dart

    COLABORADORESAna Correia

    Aurora RibeiroEcoteca do FaialFlvio Gonalves

    Graa TomIldia QuadradoPedro NuvemToms Silva

    GRAFISMO E PAGINAOVera Goulart

    veragoulart.design@gmail.com

    LOCAL DE PAGINAOAores, Itlia e Dinamarca

    ILUSTRAO CAPAMargarida de Bem Madruga

    PROPRIEDADEAssociao Cultural Fazendo

    SEDERua Rogrio Gonalves, n18,

    9900-Horta

    PERIODICIDADEQuinzenal

    Tiragem_400

    IMPRESSOGrfica O Telegrafo, De Maria

    M.C. Rosa

    CONTACTOSVai.se.fazendo@gmail.com

    http://fazendofazendo.blogspot.com

    DISTRIBUIO GRATUITA

    Volker Schnttgen esteve na Horta para a desmon-tagem da sua exposio Padres do Mar, que nos ltimos meses abriu janelas na Praa do Infante. Uma das quatro obras que compunham a exposio foi comprada pelo Municpio da Horta. E naquele jardim continua o seu dilogo com a paisagem envol-vente, objectivo principal deste artista que nasceu na Alemanha, onde h pouca pedra e por isso escolheu Portugal para viver e esculpir.

    Estas esculturas foram feitas para um local espe-cfico? Elas foram feitas para um lugar na costa, isso sim. Originalmente eu tinha um projecto que era no Cabo de Sagres, na fortaleza, para fazer uma exposio com os padres do mar. Comecei a fazer estas qua-tro peas e mais uma ou outra, mas o projecto nunca foi realizado. O IPAR no teve dinheiro, complicou e ento ficou sem efeito. E como se trata de um es-pao muito complexo, porque o Cabo de Sagres muito histrico, muito visitado e h muitos inter-esses, acabou por ser cancelado. E eu fiquei com as quatro peas, muito triste, porque apesar de terem estado noutras exposies, nunca estiveram no local adequado. Tive a oportunidade de participar num projecto na Terceira e Graciosa e pus l estas quatro peas pela primeira vez, sempre em stios como este, perto do mar, perto da costa.

    Segundo o catlogo, esta exposio vai ser exi-bida noutros locais e alguns deles ficam longe da costa. Como pensa enquadr-los? Talvez na paisagem alentejana? Sim, vo ficar de novo Padres do Mar sem mar, e em alguns locais vo mesmo ser integradas em stios ur-banos. Mas o meu grande interesse colocar sempre as esculturas em contexto com a paisagem.

    Nesse sentido, como foi a escolha do Largo do In-fante, como local de exposio para as obras? Bom, eu recebi o convite do Museu da Horta para fazer esta exposio de quatro peas na rua. J conhecia o Faial mas no me lembrava assim to bem de todos os stios. Tambm podia ter imaginado colocar as peas numa falsia, mas seria mais complicado ter pblico. E achei bonito o jardim com a fortaleza ao lado. Estas formas escultricas tm muito a ver com fortalezas

    e castelos. Aqui temos de um lado o mar, do outro a fortaleza, o jardim tambm bonito, e ainda esta vista fabulosa do Pico, sobretudo a que se tem do lo-cal da escultura que foi comprada.

    Est muito presente esta ideia de moldura e de escadas, de passagem ou de entrada para a paisa-gem... Sim, na maior parte houve essa preocupao. Por exemplo aquela escultura que estava mais do lado de l (norte), que tinha aquela escada para baixo, estava pensada para um lugar em Sagres, onde ficaria mes-mo na falsia, com a escada que depois daria contin-uao at ao mar. Aqui a pea no funcionou assim, funcionou s por si porque no tinha o contexto que estava planeado. Numa exposio temporria sem-pre mais difcil encontrar os locais ideais.

    E as esculturas que estiveram na sala de ex-posies da Biblioteca Pblica (exposio O Avolumar do Habitat - esteve patente em conjunto com os Padres do Mar de 8 de Janeiro a 28 de Feve-reiro), em madeira, tm alguma ligao com estas esculturas de exterior? Aquele grupo de esculturas tm uma linguagem pare-cida, porque a mim me interessa muito a escultura arquitectnica: estes cortes rigorosos, o contraste com a forma orgnica do tronco. E so puzzles, tal como as peas de granito que tambm so cortadas e depois reencaixadas. A escultura que est na capa do catlogo feita de trs blocos que vieram de um tronco e que virtualmente se conseguem encaixar novamente.

    De que madeira se trata? choupo, uma madeira bastante macia e fresca, um pouco como o eucalipto, mas com um acabamento bonito.

    Como foi a organizao deste projecto? Foi organizado pelo Museu Jorge Vieira, em Beja, cujo director artstico o Rui Pereira. Foi ele quem escreveu o texto do catlogo. O Jorge Vieira, que j morreu, foi o escultor mais importante do mod-ernismo portugus. O Museu costuma organizar exposies de escultura que depois leva a outras c-maras, sobretudo do Alentejo. Tm tambm criado parcerias com a Horta e penso que tambm com a Terceira. Fazem muito este tipo de intercmbios.

    Quais so os seus critrios na escolha dos materi-ais com que trabalha? Eu gosto muito dos materiais pesados, clssicos da escultura: a madeira, a pedra, o ferro, mas tambm j tenho utilizado nos ltimos anos a implantao de meios multimdia na escultura, com monitores vdeo. Foi um projecto muito interessante que criei com um grupo de dana, uma bailarina, um coregrafo e um msico. Fizemos uma performance que foi projectada em tempo real dentro das escul-turas, que so parecidas com estas de madeira e depois implantei o monitor nas aberturas. Foi uma experincia nova muito interessante porque aqueles troncos com que trabalhei, deixei-os bastante em bruto, estes so mais acabados, aqueles foram mod-elados s com a moto-serra e resultou num contraste muito interessante com o vdeo. Em vez de criar uma coisa harmoniosa, tinha um contraste, que tambm funcionou, curiosamente.

    Quanto tempo demora fazer uma escultura des-tas dimenses? sempre difcil dizer porque elas passam por vrias fases. A primeira fase sempre a de ter a ideia, e pelo menos quando so deste tamanho ou maiores, faz-se uma maquete ou desenhos e muitas vezes tambm o fao virtualmente, em 3D studio-max. Essa a primeira fase. Depois escolher os blocos mesmo, de pedra. E eu gosto muito de trabalhar nas pedrei-ras. A pedra da escultura que fica c do Alentejo, as outras trs eram de Monchique. Eu gosto muito de ir s pedreiras e partir os blocos no local. Estes cor-tes aqui (os mais rigorosos) so feitos com mquinas industriais, so mquinas de fio. Outra fase encon-

    trar fbricas industriais que faam este tipo de corte e depois na ltima fase fao os acabamentos, j no atelier e que, muitas vezes, so feitos mo.

    Como esta textura exterior? No, por isso que eu gosto de ir s pedreiras, porque isso o resultado de tcnicas de corte anti-gos, com cunhas, e os blocos saem assim, ficam at com pequenas marcas, que so buracos feitos com ponteiro mo, depois levam umas cunhas em ferro, em ao, e parte-se a pedra. Eu aproveito j estas fa-ces assim naturais. Essa a razo de gostar de estar mesmo na pedreira, para controlar a extraco e a forma do bloco logo desde o incio.

    Algumas esculturas tm a particularidade de no mostrar onde encaixam, preciso procurar bem... A fixao... Pois, esta era um bloco, e eu cortei-a em dois e depois fiz uma fixao e juntei a pedra na posio original, fica com esta distncia (um ou dois centmetros, que fazem com que a pedra de cima parea levitar) que a distncia real original, o que falta resultado do corte do fio, material gasto. De-pois levou quatro espiges em inox para manter as pedras com essa distncia.

    Est a trabalhar noutros projectos? Fiz agora uma escultura em granito para um em-presrio em Braga, que tambm um prtico, muito grande. E estou a preparar dois simpsios, um em Felgueiras, que tem um tema um pouco complicado: S. Paulo. Fez agora dois mil anos do seu nascimen-to e a Igreja Catlica fez o ano das comemoraes de S. Paulo: houve uma parte cientfica e histrica sobre o assunto e em Felgueiras organizaram um simpsio de escultura sobre este tema. interessante mas no propriamente fcil transformar isso em escultura. Tambm no quis entrar num figurativo tradicional de como foi S. Paulo. Por isso estudei um pouco o tema, ele foi muito importante a espalhar o cristianis-mo fora do mundo judaico, portanto foi o primeiro a evangelizar o resto do mundo. Ele, que tinha sido um grande defensor da ideologia antiga, converteu-se e foi to radical e fundamentalista quanto antes o tinha sido pelo judasmo. Como ele tem estas influncias do velho e do novo testamento, fiz um livro partido ao meio, onde vai levar um vidro que o corte na vida dele e tambm o corte entre o mundo judaico e o mundo cristo. E o outro simpsio, em Vila Nova de Gaia, onde vou fazer uma pea um pouco pare-cida com estas, em mrmore. L cada escultor tem 3 blocos de 1 x 1 x 1m, e essas limitaes que fazem o tema do simpsio. Por isso vai resultar numa escul-tura um pouco maior, com encaixes tambm ...

    Em Portugal h boa pedra?Sim, foi a razo da minha vinda para c, vim atravs do Ministrio dos Negcios Estrangeiros, num des-ses intercmbios acadmicos. Na Alemanha temos muito pouca pedra, eu conheci artistas em Lisboa e escolhi um stio, Pro Pinheiro, perto de Sintra, que tem um centro de transformao do mrmore e con-tinuo a ter l o atelier. Tenho todas as infra-estrutu-ras, estou perto da capital, Lisboa, que uma cidade da qual gosto muito... a princpio a ideia era ficar s um ano e depois vir de vez em quando s fazer alguns projectos, mas acabei por ficar c. viciante... Estou c h quase 18 anos. E aqui este stio ainda mais viciante. Se pudesse viver do