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Agenda Cultural Faialense Comunitário, não lucrativo e independente.

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  • Boletim do que por c se faz.

    FAZENDO

    Edio n 20 | Quinzenal

    DISTRIBUIO GRATUITA

    Quinta-feiraAgenda Cultural Faialense

    25 Junho 2009

    Aquecimento Global? Sempre pensei que os Pinguins deviam aprender a voar.

  • #2 COISAS... compostas FICHA TCNICAFAZENDO

    Isento de registo na ERC ao abrigo da lei de imprensa 2/99 de 13 de Janeiro, art. 9, n2.

    DIRECO GERALJcome Armas

    DIRECO EDITORIALPedro Lucas

    COORDENADORES TEMTICOS

    Catarina AzevedoLus MenezesLus Pereira

    Pedro GasparRicardo Serro

    Rosa Dart

    COLABORADORES EXECUTIVOSAurora Ribeiro

    Sara SoaresToms Silva

    COLABORADORESAna Correia

    Cristina CarvalhinhoEcoteca do Faial/Oma

    Fausto AndrFernando Menezes

    Filipe Moura PorteiroIldia Quadrado

    GRAFISMO E PAGINAOVera Goulart

    veragoulart.design@gmail.com

    LOCAL DE PAGINAOAores, Portugal e Dinamarca

    ILUSTRAO CAPAPedro Sol

    PROPRIEDADEAssociao Cultural Fazendo

    SEDERua Rogrio Gonalves, n18,

    9900-Horta

    PERIODICIDADEQuinzenal

    Tiragem_400

    IMPRESSOGrfica O Telegrafo, De Maria

    M.C. Rosa

    CONTACTOSVai.se.fazendo@gmail.com

    http://fazendofazendo.blogspot.com

    DISTRIBUIO GRATUITA

    Quando eu era puto, tinha a mania de me ocupar em tentar consertar o mundo. O meu mundo. A ilha. O espao em que me movia. Remendava aqui e ali, tirava dacol, acres-centava algo de novo a certas coisas, que a meu ver eram importantes. Conversava muito. Conversava com os mais velhos, com uns e com outros, sobre tudo e sobre nada, mas a dada altura cheguei brilhante concluso, que esta coisa de mudar o mundo, c uma trabalheira, um pro-jecto com dimenses e contornos brutais, e cansei-me. Cansei-me logo nos primeiros meses do ano em que completava os 15 anos. Olhei ento minha volta, e pen-sei na sria hiptese de escrever um Livro de Teorias. Isso mesmo. Teorias. Teorias das mais variadas e para as mais diversas necessidades pois uma pessoa no sabe o dia de amanh. Porqu? No sei. Nem penso muito nisso. Apenas penso nas teorias, e em ver o meu rico livrinho publicado. Sempre poderei ganhar alguns trocos, pois h sempre pes-soas que vo em cantigas, mesmo em sol baixinho.Pois bem. Comecei com brevssimos apontamentos. Ra-biscos em guardanapos, toalhas de mesa, nos maos de tabaco e no verso dos tales das compras. Outro dia, falei deste Livro de Teorias, a um amigo de longa data. Este, deveras curioso, pretendeu obter alguma informao de-talhada sobre a hipottica publicao. Fez-me perguntas. Muitas perguntas e difceis para variar e no hesitei por citar alguns exemplos dessas minhas teorias j anotadas.

    Vejamos:Exemplo 1: Tenho como teoria o seguinte: quanto me-nos um adepto de um clube desportivo entende de fute-bol, mais alto fala. Outro dia, num caf, mesmo perto da casa onde pernoito, e onde vou regularmente satisfazer o meu vcio de fumador de tabaco, dois tipos falando de um certo e determinado encontro futebolstico, e aos berros, no davam uma para a caixa. Diziam um chorrilho de dis-parates. Cada um pior que o outro. Cada cova, cada min-hoca, cada cavadela, cada cagadela. p, eram seguidas - contou-me algum entendido nessa nobre arte de discutir futebol. A partir de ento, esse tal meu amigo, comeou por concordar com esta minha teoria, o que me deixou de-veras entusiasmado. Se vontade tinha para avanar com o Livro das Teorias, com mais vontade fiquei. Tenho outra teoria: Um sujeito quando compra um carro novo, espaoso, com ar condicionado, airbag, jantes espe-ciais, alta cilindrada, etc. menos tolerante ele , com tudo e com todos.Qualquer um pode fazer o teste. s passear pela margi-nal da Horta. Outro dia, um senhor j com uma certa idade, conduzia um carro, daqueles que no sei como passam na inspeco, um tanto ao quanto em mau estado, pneus carecas, escape preso por um arame e retrovisor rachado pelas desgraas do tempo e da vida. Quando me preparava para atravessar a estrada, ele comea a parar bem ao longe e fez-me sinal para passar. Melhor ainda. At esboou um

    simptico sorriso. Lindo! No adianta ter pressa, o melhor mesmo sair hora certa, que isto de andar com pressa um stress do caraas. Dias depois, avisto um alto carro, todo xpto, com ar condicionado, auto rdio, mp3, leitor de cd, dvd, telefone, televiso, micro-ondas, frigobar, churrasqueira, wc, ja-cuzzi, piscina e sei l que mais Quando comeo a atraves-sar a passadeira, o espalhafatoso condutor - qual figurinha de filme de Emir Kusturika - prego a fundo, acciona a puta da buzina, o que me leva a tomar as devidas precaues. Deixei-o passar, antes que fosse completamente cilin-drado. Pior que isso: O tipo estava c com um mau hu-mor, (mau humor sistemtico) por algum motivo que nem Freud encontraria explicao para tanto azedume.Outra teoria: Quando um sujeito inicia um processo de mestrado, descobre que um autntico burro.Aconteceu e acontece a vrios amigos meus. Um tipo um bom profissional, d conta do recado, l os seus livrinhos, vai ao cinema, tem uma certa base crtica, no nenhuma sumidade intelectual, mas resolve fazer um mestrado. Na primeira semana, descobre que as pessoas andam a dizer coisas muito mais interessantes Enfim, comea mesmo a perceber que meio burrinho, mesmo. A sorte que no segundo semestre, l que nem um camelo, comea a dizer coisas importantes, e no se acha mais to quadrado as-sim.Teoria nmero quatro: Um crtico de cinema v o filme que vimos, mas um outro filme.Tirando o Joo Lopes, da SIC, que gosto muito, o crtico de cinema parece que v sempre outra coisa. Quando a gente v um drama humano, algo para repensar a vida, o crtico acha que o cinema est tambm em crise, e no acerta o paradigma de uma esttica existencialista. Quando o filme aquela seca do incio ao fim, e samos do cinema com uma forte dor de cabea, querendo tomar umas bejecas ou um whiskie para relaxar, o crtico entende que a esttica inovadora deu um novo impulso narrativa, optando pela pluralidade. D vontade apenas de dizer: ruim, heim? Olhe, v merdaOutra teoria: Cachorro a cara do dono.Podem olhar. Vem um fulano gordinho, o cachorro gordinho. Vem um tipo magrinho, o co magrinho. Vem outro gajo que no se cala, o co no pra de ladrar. Vemos um co que encontra outro co e lhe vai ao rabo, o dono gay. Vem uma tia empiriquitada, o seu caniche parece uma boutique ambulante a tresandar a perfume de velha. Vem um labrego, ao seu lado, estar com certeza, um cozinho de orelhas cortadas, rabo traado e com uma coleira com o emblema do Benfica.Teoria seis: H gente que s vai ao cinema comer pipocas, e ainda por cima com a boca aberta.Eu decididamente no entendo. No percebo e se calhar nunca vou perceber. J assisti a vrios filmes, nunca vou ali, comprar umas pipocazinhas. Nem quando vou ver

    um blockbuster. Nenhum amigo, que assiste a um filme comigo, tem fome de pipocas. Isso mesmo. Fome de Pi-pocas. Mas quando vou a um centro comercial, chego sala de cinema, sento-me, e l vem um filho da puta de um estafermo, com a namorada, e um balde de pipocas. No, no um balde, mas uma saca, de 12 quilos. O gajo vem, e senta-se mesmo ao lado. O filme comea. Ele comea a jogar as pipocas na boca e amassa, com a boca aberta. Srec, srec, srec. O sacana, no vai ao cinema para ver um bom filme, mas para saciar uma tara ntima de comer pipocas no escuro, com o raio da boca aberta, coisa proibida em casa, provavelmente. Eu detesto esta teoria, mas que verdade, l isso . Nunca vos aconteceu?Outra teoria: No casamento, o padre s fala em traio.J no sei bem qual a formao actual dos padres por-tugueses catlicos, mas eu, que j frequentei uma igreja, onde eram realizados muitos casamentos, posso dizer o padre tem uma complexa e punitiva tara pelo tema da traio na cerimnia de casamento, os padres tm a mania que ns no paramos de nos comer uns aos outros. Pode ser verdade, mas ele precisa dizer isso, justamente na hora em que pergunta se um tipo vai ser fiel, na doena e na pobreza, na tristeza e na angstia? Se isto no pa-tolgico, ento o que ?Teoria oito e conspirativa: O Humor afinal tem ideolo-gia, e um dia que uma boneca insuflvel deixe de ter pra-zer, porque lhe faltou o ar.Do jeito em que as coisas vo, um dia destes ainda emi-gro para a Repblica de Camares, e farei uma tenaz cam-panha pelas Lagostas. Sim, pelas lagostas. Que sejam elas as eleitas, caprichadamente cozinhadas em gua salgada e bem quentinha, para que possam assim, ganhar cor, dando assim incio a uma radical e prazeirenta metamorfose gas-tronmica, para serem degustadas junto ao mar, em noites de lua cheia, e comidas ao som de Vangelis, em perfeita simbiose com certas espcies de moluscos, caminhando na direco do gosto dos mais exigentes adeptos de sump-tuosas orgias mariscais. Sim, porque h quem pense que um bacalhau vem directamente do mar da Noruega em forma de tringulo. Tenho mais 45 teorias, j devidamente anotadas e co-mentadas, encontrando-se j plasmadas num caderninho, j um tanto ou quanto manchado, de um vinho discreto, proveniente de uvas de castas tintas tradicionais do Douro Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca. Ficam para depoisAgora, vou mas ler um conto de La Fontaine.

    Moral da (desta) Crnica: A crnica uma verdadeira inconstncia. Em teoria, sabemos o que poder ser, o que no pode ser, e o que poderia vir a ser realmente.

    Lus Pereira

    Crnica das oito teorias ou um ensaio do novo tipo, pois eu no tenho a parania dos romances

    NOME: Jol Bried IDADE: 44ORIGEM: Biarritz, Frana DATA DE CHEGADA: Outubro de 2001PROFISSO: bilogo, trabalha com aves marinhasCASA: alugada

    Porque veio?Eu estava procura de um ps-doc, recebi um anncio de emprego para o DOP e candidatei-me. Fui aceite para um contrato, renovvel, de trs anos.Como imaginava a Horta, antes de chegar?Esperava algo muito mais pequeno, com menos coisas. Imaginava que fosse mais isolado. Afinal

    temos o Pico e S. Jorge aqui muito perto.

    J conhecia os Aores ante