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boletim do que por cá se faz

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  • Qual a sua funo e como pode ela influenciar onosso futuro?

    Como proprietrio do Peter Caf Sport, e tendo em conta as

    actuais dimenses desta empresa, com extenso a outras ilhas

    dos Aores e outras cidades do Continente Portugus, sinto-

    me responsvel pelo emprego de todos os meus funcionrios.

    H tambm outras duas vertentes no Peter Caf Sport, que se

    prendem com, por um lado uma vertente ambiental, ao exercer

    diversas actividades martimo-turisticas, relacionadas com a

    observao de baleias e golfinhos, aluguer de caiaques, passeios

    pedestres, e passeios de bicicleta, e por outro lado uma

    vertente cultural, com o desenvolvimento do Museu de

    Scrimshaw. Sinto por tudo isto, que local ou globalmente, se

    bem orientado e sucedido, posso ser uma boa influncia para

    o presente e para o futuro. Basicamente o meu dia-a-dia

    prende-se com a gesto e orientao das tarefas relacionadas

    com estas actividades.

    Como prev a evoluo para um futuro melhor?

    Depois de Abril de 1974, acreditei que tudo ia ser cada vez

    melhor, para Portugal e para o Mundo. Realmente isso aconteceu,

    mas infelizmente na ltima dcada, a desiluso tem sido

    bastante grande. Desde a instabilidade poltico-social que tem

    avassalado o Mundo, insegurana de todos ns como seres

    humanos, tudo isto me tem preocupado. A ltima desiluso foi

    a recente Cimeira em Copenhaga. Acredito que o futuro mais

    longnquo ser melhor, infelizmente no nas prximas dcadas,

    mas teremos em primeiro lugar que salvar a Terra. Grandes

    mudanas vo acontecer, a vida ser diferente e os homens

    tero que aprender a respeitar os direitos, liberdades e garantias

    de todos os seres.

    Estamos melhor do que h 20 anos atrs? E do que h 100?

    E do que h 1000?

    Estamos melhor do que h 100 e 1000 anos, estamos pior do

    que h 20 anos, mas estaremos melhor nos prximos 100 e

    1000 anos porque vamos aprender, custe o que custar, a fazer

    melhor.O

    Hoje, dia 11 de Fevereiro, os nomes dosseleccionados da segunda edio do LABJOVEM Concurso de

    Jovens Criadores dos Aores sero apresentados ao pblico.

    Depois da fase das candidaturas (de 1 de Maio a 2 de Novembro),

    e das reunies dos jris (de 11 a 13 de Dezembro de 2009),

    chegou finalmente a altura de se conhecerem os seleccionados.

    A apresentao decorrer no Teatro Faialense, no seu exterior

    e foyer, com a presena de duas instalaes da autoria de

    Andr Sier, e com a actuao da banda de Jazz faialense Zeca

    Trio. O evento ter transmisso online atravs do site do

    concurso (www.labjovem.pt).

    com enorme prazer que assistirei ao final desta fase do

    Concurso e ao arranque de uma nova fase: a Mostra LABJOVEM

    2010, na qual os trabalhos dos seleccionados sero apresentados,

    numa exposio itinerante, ao pblico aoriano e alm-Aores.

    A Mostra arrancar oficialmente em Setembro, embora antes

    haver a possibilidade da apresentao de alguns dos trabalhos

    seleccionados, como o caso da Semana dos Aores, no Teatro

    So Luiz, em Lisboa, que recebe trabalhos da primeira e da

    segunda edio, de 2 a 7 de Maro de 2010.

    O prazer a que aludi , ao mesmo tempo, um misto estranho

    de ansiedade e de regozijo. Regozijo porque acredito que este

    projecto (do Governo Regional dos Aores, atravs da Direco

    Regional da Juventude) um bom exemplo do quo importante

    o estabelecimento de parcerias entre governo e associaes

    civis, na persecuo da promoo da criatividade juvenil a

    Associao Cultural Burra de Milho, da qual sou presidente,

    tem sido a entidade organizadora deste concurso. E regozijo

    porque vejo neste projecto o resultado da vontade de se

    criarem mecanismos de promoo da criatividade, estruturas

    que fomentem a competitividade saudvel entre os jovens

    artistas e, mais do que tudo, permitam o espao para a

    diferena, para a contemporaneidade, para a aposta nos nossos

    jovens criativos regionais.

    A ansiedade surge depois, quando penso no tempo em que no

    existiam concursos de jovens criadores, nem mostras de

    trabalhos seleccionados, nem possibilidades para os jovens

    artistas se afirmarem no panorama cultural regional, quanto

    mais nacional ou internacional. Este concurso um motor de

    exposio, uma plataforma de criatividade que tem como

    grande objectivo o de permitir que os nossos jovens possam

    no s criar livremente como tambm apresentar as suas

    criaes e, qui, com essas apresentaes, estabelecerem

    contactos para trabalhos futuros. Isto j aconteceu com a

    primeira edio, na qual alguns artistas tiveram encomendas

    de trabalhos criativos merc da exposio pblica de que

    gozaram durante a Mostra LABJOVEM 2008. E acredito que vai

    voltar a acontecer nesta segunda edio. E esta crena, esta

    aposta nos jovens valores criativos aorianos, que nos move.

    A ns, Burra de Milho, ao Governo Regional dos Aores e

    Direco Regional da Juventude, o que interessa que os

    jovens artistas tenham possibilidade de se fazer ouvir e ver,

    de conhecer, de evoluir, de criar sinergias e competncias que

    lhes permitam ser mais e melhor, ir mais longe, criar mais.

    por isto que o prmio atribudo aos primeiros seleccionados

    de cada rea a concurso no em forma de dinheiro. com

    esta ideia em mente que os primeiros seleccionados recebem

    uma bolsa de formao no estrangeiro, num local sua escolha,

    no perodo do ano em que lhes melhor convier. Tivemos

    seleccionados da primeira edio em locais to diferentes

    como Itlia, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos da Amrica

    e Argentina. E no regresso, todos foram unnimes em afirmar

    que a experincia por que passaram foi no s agradvel a

    nvel pessoal como extremamente produtiva e enriquecedora

    a nvel criativo.

    Atravs dos relatos dos jovens seleccionados (que acompanhmos

    de perto, embora ao longe), pudemos compreender o alcance

    de um concurso desta natureza; a urgncia do desenvolvimento

    dos mecanismos de promoo da criatividade; a importncia

    em se desenvolverem ainda outras plataformas e outros

    mecanismos que possam potenciar ainda mais este capital

    criativo aoriano que, ao longo da histria, tantos e to

    importantes nomes da cultura nos tem dado.

    Esta segunda edio destaca-se tambm pela introduo de

    algumas melhorias no formato do prprio concurso: com

    informao decorrente da primeira edio, realizou-se uma

    Residncia Artstica em torno das reas que haviam tido menos

    concorrentes; introduziu-se a possibilidade de os jovens

    concorrerem atravs da Internet, tornando o processo de

    candidatura mais simples; descentralizaram-se actividades

    (residncia na Terceira; reunies dos Jris em So Miguel;

    apresentao dos resultados no Faial); transmitiu-se online e

    em directo, com recurso s Novas Tecnologias e linguagem

    criativa contempornea, apenas para citar alguns exemplos.

    Com o trabalho feito at agora, e com o muito que h para

    fazer, acredito que o concurso LABJOVEM ser, no futuro, a

    plataforma de exposio por excelncia para os jovens artistas

    dos Aores.O

  • Em 2007 foi gravado no Teatro Micaelense. 25Anos de Msica Original nos Aores. Um registo de duas

    dcadas e meia de msica Aoriana, em disco e em songbook.

    25 anos aps o mote dado pelos Construo msica Aoriana,

    sustentado mais tarde pela extensa produo de fico da

    RTP-A, e consolidada com novos intrpretes aqui e alm mar,

    o Teatro Micaelense props um novo olhar sobre alguns dos

    temas mais emblemticos da cano de autor Aoriana. Assim

    nasceu este projecto, que conta com um naipe de msicos de

    excelncia, e com a direco artstica de dois msicos de

    origem Faialense Augusto Macedo e Rafael Fraga. Deste

    trabalho resultou um concerto gravado ao vivo, e um cancioneiro

    (Songbook de Autores Aorianos), feito em colaborao com

    os autores. Produzido pelo Teatro Micaelense, co-produzido

    pela RTP-A, e apoiado pela Direco Regional da Cultura e

    Direco Regional de Turismo, este trabalho assume-se como

    imprescindvel para a salvaguarda e valorizao da msica

    feita nestas ilhas. O projecto musical visitar de novo os Aores,

    em dois concertos Dia 26 de Fevereiro no Teatro Faialense,

    e dia 27 de Fevereiro no Teatro Angrense. O Fazendo aproveitou

    a ocasio para entrevistar Augusto Macedo e Rafael Fraga, os

    dois pilares deste ambicioso e profcuo trabalho.

    Fazendo: Como surgiu a ideia de reunir e reinterpretar

    temas Aorianos, e a ideia do registo em Songbook?

    Augusto Macedo: A ligao aos temas remonta aos tempos do

    guas de Maro, do qual fazia parte o Paulo Andrade. O

    Songbook surge um pouco nessa sequncia, aps se comear

    a querer fazer alguns desses temas em diversos contextos.

    Rafael Fraga: Sim, foi um processo gradual, primeiro enquanto

    ouvintes de grande parte dessa msica via RTP- Aores, etc.,

    at comearmos a inclu-la nos nossos trabalhos. Mais recente

    o interesse documental que levou realizao do Songbook

    e, consequentemente, nossa participao no projecto 25

    Anos de Msica Original nos Aores, idealizado pelo Teatro

    Micaelense.

    F: Quais foram as maiores dificuldades em todo este percurso,

    do pensamento concretizao do livro e disco?

    RF: So dois processos muito distintos, cada um apresentou

    os seus problemas especficos. O livro foi feito em estreita

    colaborao com os autores e assumiu as bandas sonoras da

    RTP- Aores como material de base. O concerto mais

    abrangente a nvel autoral e temtico.