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boletim do que por cá se faz

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  • Mais uma palmeira na Avenida. Horta, a nova Malibu.

    29 de Julho 2010 | Quinta | Edio # 44 | Quinzenal | Agenda Cultural Faialense | Distribuio Gratuita

    boletim do que por c se faz

    FAZENDO

  • Opinio Opinio

    02

    ficha tcnica - fazendo - isento de registo na erc ao abrigo da lei de imprensa 2/99 de 13 de janeiro, art. 9, n 2 - direco geral: jcome armas - direco editorial: pedro lucas - coordenao geral: aurora ribeiro - coordenadores

    temticos: catarina azevedo, lus menezes, miguel valente, pedro gaspar, ricardo serro, rosa dart - colaboradores: ana correia, cmh, fernando nunes, lus so bento, margarida madruga, pedro monteiro, rita braga, samuel andrade,

    sofia matos, toms silva - projecto grfico: paulo neves, elcubu, contact@elcubu.com - capa: aurora ribeiro - propriedade: associao cultural fazendo - sede: rua rogrio gonalves, n 18, 9900 horta - periodicidade: quinzenal -

    tiragem: 400 exemplares - impresso: grfica o telgrapho - contactos: vai.se.fazendo@gmail.com, http://fazendofazendo.blogspot.com - distribuio gratuita

    Think Tank FazendoJcome Armas

    o nome dado a uma organizao

    que elabora e conduz projectos de investigao em diversas

    reas desde a poltica social, estratgia poltica, poltica

    econmica, cientfica, cultural, tecnolgica at poltica

    militar. Os resultados destas investigaes tomam a forma de

    propostas polticas e estratgicas que visam a sua

    implementao na sociedade. Desta forma, estas organizaes

    esto normalmente ligadas a outras organizaes ou

    instituies capazes de levar a cabo a implementao destas

    ideias ou com capacidade de representao diante das

    instituies com esse poder de implementao.

    Durante a segunda Guerra Mundial estas organizaes eram

    conhecidas pelo nome de brain boxes enquanto que o nome

    think tank, na gria militar, denominava o espao em que os

    estrategas discutiam o planeamento das suas tcticas de

    aco.

    O uso do nome think tank como denominao destas

    organizaes ocorreu apenas em 1964 aquando a sua

    utilizao dentro de um contexto de consultoria em estratgia

    militar oferecida pela RAND Corporation (da o nome tank),

    financiada pela empresa americana Douglas Aircraft a

    primeira empresa a construir um avio capaz de fazer a

    circum-navegao area em torno do globo terrestre e

    tambm conhecida por ter construdo um dos mais

    significativos avies de transporte areo.

    Os think tanks tm na sua maioria o estatuto de organizaes

    no-lucrativas, contudo muitos foram estabelecidos e

    financiados pelo governo ou por outras instituies e partidos

    polticos, sendo que normalmente so constitudos por um

    grupo restricto de intelectuais e acadmicos e especializados

    em determinadas reas, por exemplo os think tanks

    partidrios so especializados em estratgia poltica. Um

    exemplo deste tipo a Fabian Society, um think tank

    financiado pelo Labour Party na Inglaterra e fundado em

    1884, de facto foi um dos primeiros a ser estabelecido e teve

    uma forte influncia no processo de descolonizao da ndia.

    A importncia dos think tanks de tal modo significativa que

    actualmente existem milhares em todas as partes do mundo

    financiados por governos, partidos, instituies ou empresas,

    ou simplesmente baseados num sistema de voluntariado.

    Segundo o National Institute for Research Advancement

    americano os think tanks:

    http://thinktankfazendo.blogspot.com

    Apoio: Direco Regional de Cultura

    asseguram um processo pluralista e aberto de anlise de

    polticas, de investigao, de tomadas de deciso e

    desenvolvimento.. Esta forma aberta e pluralista de

    operao dos think tanks deve-se ao facto de serem na sua

    maioria constitudos por grupos de pessoas sem afiliao

    directa a governos ou partidos e com um sentido constructivo

    de comunidade, isto , a maioria dos think tanks actuam num

    contexto local.

    O Think Tank Fazendo (TTF), a mais recente inveno da

    Associao Cultural Fazendo, segue os mesmos princpios de

    qualquer think tank mas difere na generalidade do seu

    conceito. Ao invs de um grupo restricto e intelectual o TTF

    abre as suas portas a toda a comunidade local e regional e ao

    invs de se especializar numa determinada rea (neste caso a

    mais indicada seria a de polticas culturais) deixa em aberto

    a rea de discusso. Este modo de funcionamento traz

    diversas vantangens pois por um lado permite uma maior

    envolvncia da comunidade na elaborao de ideias e

    propostas enquanto que simultaneamente promove a

    discusso plural e a sensibilizao do tema em questo junto

    da prpria comunidade, e por outro lado permite que temas

    to distintos como a cultura, a cidade, o mar, etc, sejam

    abordados e discutidos. A aco do TTF consiste na elaborao

    de estudos sobre determinados temas ou na promoo e

    moderao da discusso desses mesmos temas, sendo as

    concluses apresentadas canalizadas para as entidades com

    responsabilidade nos temas abordados.

    De facto, a primeira aco concreta do TTF tomou lugar no

    dia 15 de Junho de 2010 (apesar de na altura esta

    nomenclatura no ter sido utilizada) onde a Associao

    Cultural Fazendo apresentou o seu estudo sobre a Criatividade

    e as Indstrias Criativas no colquio Potenciar as Indstrias

    Culturais e Criativas. Para alm disto as concluses da

    tertlia que teve como tpico o mar a sua relevncia e a

    sua preservao organizada a 16 de Novembro de 2009 pela

    Associao Cultural Fazendo em cooperao com a Ecoteca

    do Faial e o Gabinete para os Assuntos do Mar foram

    integradas no mbito do TTF. O documento de concluses

    desta tertlia como o estudo realizado e um curto video desta

    apresentao esto agora disponveis online em: http://

    thinktankfazendo.blogspot.com

    Para Outubro deste ano est prevista a organizao de uma

    tertlia que abarcar o tema Repensar a Cidade, em

    cooperao com a Cmara Municipal da Horta e a UrbHorta

    no mbito do concurso Uma ideia para a Horta. Toda a

    comunidade incentivada a participar. Gostaramos tambm

    de enfatizar que o TTF est aberto a todo o tipo de ideias. O

    EditorialPedro LucasFazendo - Captulo II

    este nmero do Fazendo encerra-se o

    segundo captulo desta estria colectiva. No vamos a banhos

    mas aproveitamos a poca estival para preparar a prxima

    etapa dum percurso conjunto cada vez mais slido. Solidez

    que resulta da crescente pluralidade de vozes que tem

    decidido embarcar nesta aventura potenciando a

    multiplicidade de informao partilhada, permitindo uma

    discusso mais ampla e mais abrangente, e contribuindo

    assim para uma melhor reflexo cultural e social orientada

    para o desenvolvimento local e regional.

    Estria, dizamos no incio, porque at fazer parte do

    passado, e constituir histria, a inscrio dos acontecimentos

    no tempo o resultado de uma aco colectiva com

    capacidades transformativas alimentadas pela imaginao.

    nossa dimenso, assumimo-nos como um catalisador dessa

    imaginao que alimenta a mudana (ou, porque no, a

    sedimentao) e que ajuda a construr uma sociedade que se

    quer mais consciente e mais equilibrada.

    Neste percurso, e fruto da nossa inocncia, temos tambm

    um sonho (diz o poeta que comanda a vida e ns acreditamos):

    o sonho de quinze mil pessoas - mais ou menos - a participar

    na escrita desta estria.

    Esperamos v-lo em Setembro. O

    trs foi o nmero que Algum fez,

    trs foi o mote para a criao do recital Amores de Vero.

    Trs formas de expresso, canto, piano e poesia.

    Trs pocas, barroco, classicismo e romantismo.

    Trs gneros, ria antiga, rea de pera e cano.

    Trs poetas, Florbela Espanca, Natlia Correia e lvaro de

    Campos.

    Trs amores, correspondido, contrariado e sublimado.

    Trs mulheres em palco, gata Biga, Maria do Cu Brito e

    Olga Gorobets.

    Trs talentos que partilharo conosco um pouco do seu amor

    por estas formas de arte durante quarenta minutos no

    prximo dia 4 de Agosto pelas 19:30h, depois da praia e antes

    do arraial, no auditrio da Biblioteca Pblica e Arquivo

    Regional Joo Jos da Graa. A no perder. O

    Amores de VeroMiguel Valentecanto, piano e poesia

  • MsicaMsica

    03

    esta enigmtica personagem que se

    apresenta sempre despojado de qualquer tipo de

    protagonismo ou pretensiosismo, com uma voz a roar os

    limites do afinado mas que canta com o corao sobre as

    coisas mais simples e belas da vida? Canta a vida, a morte, a

    ternura, o amor, os amigos, as mulheres, os irmos, o cavalo,

    a estrada, os troves, o co, os pssaros, a parte sul do

    mundo (Southside of the World)... Que ao vivo toca

    sozinho ou faz-se acompanhar de uma banda sempre

    diferente, que tambm actor, que lana um a dois lbuns

    por ano em nome prprio ou em colaboraes (com Tortoise,

    Matt Sweeney, Antony & The Johnsons, Hot Chip, Johnny

    Cash, etc.) para alm de um sem nmero de singles e EPs?

    O meu primeiro contacto com a sua msica foi em 97 quando

    ouvi uma verso de You will miss me when I burn tocada

    pelos belgas dEUS num concerto ao vivo. When you have no

    one, no one can hurt you repetia Tom Barman. Na altura,

    tinha eu 19 anos e os dEUS eram a minha banda favorita. Por

    isso, e como era referenciado pelo seu vocalista como uma

    das suas principais influncias, tornou-se para mim