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boletim do que por cá se faz

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    #59http://fazendofazendo.blogspot.com 28 ABR. a 12 MAI. 2011

    Vida de Plstico

  • FICHA TCNICA: FAZENDO - Isento de registo na ERC ao abrigo da Lei de Imprensa 2/99 de 13 de Janeiro, art. 9, n2 - DIRECO GERAL: Jcome Armas - DIRECO EDITORIAL: Pedro Lucas - COORDENAO GERAL: Aurora Ribeiro

    COORDENADORES TEMTICOS: Albino, Anabela Morais, Carla Cook, Filipe Porteiro, Helena Krug, Lus Menezes, Miguel Valente, Pedro Gaspar, Pedro Afonso, Rosa Dart - COLABORADORES: Andr Nogueira de Melo, Lia Goulart, PNF, Sara

    Soares, Tiago SIlva, Toms Melo - PROJECTO GRFICO: Nuno Brito e Cunha - PROPRIEDADE: Associao Cultural Fazendo SEDE: Rua Rogrio Gonalves n 18 9900 Horta - PERIODICIDADE: Quinzenal TIRAGEM: 400 exemplares IMPRESSO:

    Grfica o Telgrapho CONTACTOS: vai.se.fazendo@gmail.com

    2 028 ABR. a 12 MAI. 2011 http://fazendofazendo.blogspot.com

    opinio Esto a os Encontros Filosficos

    Tiago Silva - aluno da ESMA

    APOIO:DIRECO REGIONAL DA CULTURA

    Os Encontros Filosficos, organizados pelo grupo de filosofia da Escola Secundria Manuel de Arriaga, surgiram h dezoito anos, com o objectivo de fazer os alunos do 12 ano questionarem-se acerca do mundo que os rodeia e que os recebe depois de sarem da escola. Com o passar do tempo, e com o surgimento da disciplina de rea de Projecto (AP), este passou a ser um espao de apresentao dos trabalhos prticos desenvolvidos ao longo do ano lectivo, contando ainda com uma srie de outras aces que se desenrolam paralelamente, entre workshops, palestras e debates, que pretendem envolver toda a comunidade na reflexo filosfica e na construo da sociedade, no apenas as pessoas directamente relacionadas com o meio escolar.

    Este ano subordinam-se ao tema Educar pelas Artes, pelo que teremos ao longo de uma semana actividades relacionadas com cinema, teatro, literatura, fotografia, desenho, msica e dana.

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    No que toca a AP, cujas apresentaes sero feitas entre os dias 2 e 5, este ano vamos assistir a trinta trabalhos, divididos pelas quatro turmas do 12 ano e somando a participao de cerca de uma centena de alunos, trabalhando individualmente ou em grupos.

    Sobre os trabalhos podemos mencionar que contam com os mais variados temas. Enquanto alguns se questionaram sobre o que fazer depois do 12 ano?, outros preferiram debater os problemas da adolescncia; enquanto uns reflectem se afinal aqui h crise? ou no, outros optaram pela cerveja ou pela Atlntida.

    Olhando o mundo que (n)os rodeia surgiram trabalhos de mbito social, como um invisual na sociedade, a interaco das crianas com Sndrome de Asperger, os deficientes motores e a sua qualidade de vida, ou peso certo em quilos e viver com a Diabetes. Por alguns dos alunos de Cincias foram elaboradas investigaes de carcter mais tcnico, como sejam a linguagem

    corporal e as microexpresses faciais, gentica: transmisso de caractersticas e mutaes?, clonagem de plantas e holografia e vanguarda tecnolgica, com especial destaque para este ltimo por contar com a presena do Professor Pedro Pombo, da Universidade de Aveiro, que far uma palestra sobre o tema.

    No mbito da ecologia iremos assistir criao de uma estufa e prtica de agricultura biolgica, assim como a trs projectos relacionados com as energias renovveis, sendo um deles sobre embarcaes movidas a estas energias e outro acerca de o automvel e o biodiesel. Recordando mais uma vez o tema deste ano, quatro apresentaes debruar-se-o sobre a Msica, abrangendo as temticas da sua influncia no Homem e na Educao e na Sade, dos Blues e de qual a sua realidade no Faial; haver ainda um trabalho sobre o cinema, um sobre a publicidade e o renascer da cor, um desfile de moda. Tendo em conta a nossa realidade mpar e a importncia de termos quem nos

    visite, o turismo no Faial e uma ilha bestial por um preo especial sero outros dois trabalhos apresentados. E porque o patrimnio e o passado tambm so importantes teremos uma pesquisa sobre as trmitas e outra sobre histria e urbanismo na nossa cidade.

    Qualquer um deles pretende incutir nos estudantes um esprito crtico para com o mundo sua volta, para que cada um possa ser um cidado atento e consciente, possuidor de valores que permitam desenvolver a nossa sociedade e fazer o nosso pas sair da letargia e da crise em que se encontra.

    Esperemos tambm poder contar com a maior audincia possvel e com a presena de todos quantos queiram assistir a este evento, pois se a escola tem o dever de formar a comunidade, tambm a comunidade deve ter um papel activo na escola, e se a escola tem o dever de preparar os alunos para a sua entrada na sociedade, tambm a sociedade deve estar apta a receb-los.

    Pretendem envolver toda a comunidade na reflexo filosfica e na construo da sociedade, no apenas as pessoas directamente relacionadas com o meio escolar

    No Monte de Citero, perto de tica, Grcia, foi abandonado dipo, beb de Jocasta e Laois, rei de Tebas.

    Este mesmo monte, foi palco de batalhas ent r e Aten a s e Teb a s , e Her c le s c a ou aq u i o L e o . P ier Paolo Pa sol i n i , no f i l me E d ip o r e ( Rei d ip o) ut i l i z a u m i nspito monte M a r r o q u i no p a r a g r ava r a c en a em q ue o Pa stor enc ont r a d ip o . S em p osse s p a r a c u id a r do

    capa

    Algures na Costa NorteAndr N. de Melo

    me smo, o pastor, decide entreg-lo a Polibo, Rei de Corinto.

    Na minha passagem pela Ilha do Faial, foi me mostrado o local, onde s um estico ter coragem de fotografar to bem como Pedro Escobar.

    A capa desta edio um anncio, uma antecipao, ao arquivo que em breve ser revelado.

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  • msica

    muito mais livres, no tm vergonha da ruralidade ou fascnio. Tm apenas curiosidade e isso abre o caminho para se explorarem as sonoridades e se fazer trabalho de estdio de laboratrio (que nunca foi feito), e para isso precisam de amostras, samplers, arquivos. E a reside o problema, esse trabalho em Portugal nunca foi feito. No h um arquivo sonoro, o visual da RTP e est cheio de restries quanto ao seu uso. Por outro lado, fazer recolhas no fcil e preciso muito trabalho, e o universo das paisagens sonoras e da ecologia acstica quase inexistente, as escolas no formam indivduos para ouvir, nem os sensibilizam para isso. Portanto o que vai acontecendo um constante voltar s recolhas conhecidas j efectuadas. O Sardinha, o Giacometti, o Ernesto Veiga de Oliveira e as suas recolhas representam um tempo e um estar prprios e nem sempre sero a melhor amostra, pois incidem muito num Portugal moribundo e triste o que no corresponde realidade actual.

    E como vs o impacto das novas tecnologias na msica contempornea, incluindo a tradicional?O maravilhoso mundo da globalizao Tenho um canal de vdeos de msica portuguesa na internet, a msica portuguesa a gostar dela prpria. Esse canal documenta o que se faz hoje em 2011 em Portugal e ter sempre que ser visto como um canal para o futuro, para um estudo da msica portuguesa daqui a 10 ou 20 anos. Hoje um disco grava-se em casa e isso permite aos msicos um trabalho de laboratrio exaustivo, coisa que no era possvel h 15 ou 20 anos atrs. Tudo isso mais as possibilidades dos softwares fazem com que hoje seja possvel explorar ao mximo as potencialidades do acto de fazer msica e de produzir msica, o que pode torn--la mais rica, e paralelamente permitir a preservao de arquivos e coisas do passado, permitindo remistur-los e refaz-los.

    Das tradies que vo morrendo e das que vo nascendo d-se uma renovao fundada na memria colectiva do passado. isto que se verifica na msica? Identificas alguns momentos na histria recente portuguesa em que, por falta de

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    Fausto e Pedro Afonso

    Tiago Pereira realizador, visualista e arquivista. Venceu em 2010 o prmio Joo Aguardela na categoria misso, pelo seu trabalho na promoo e divulgao da msica portuguesa, onde se destaca o projecto que realizou para a associao DOrfeu de gueda - Significado - A msica portuguesa se gostasse dela prpria - um testemunho visual de contextualizao contempornea das tradies musicais portuguesas. o criador e o actual coordenador do canal de vdeos a msica portuguesa a gostar dela prpria (http://vimeo.com/tiagopereira), onde divulga uma srie de recolhas efectuadas por todo o pas de todo o tipo de performance musical, das razes tradicionais mais profundas ao experimental mais urbano. Apesar de s ser publicada agora, o Fazendo fez uma entrevista ao Tiago antes da sua vinda cidade da Horta na semana passada.

    Dentro de poucos dias teremos o prazer da tua visita aqui nas ilhas, onde vens efectuar um trabalho de recolha para o teu novo projecto--filme. Em traos gerais, em que consiste este projecto?

    Mais do que um Giacometti do sculo XXI eu sou um caador de ritmos, de canes, de loops imateriais podia dizer que estou entre o arquivismo e o remix. Entre a amostra e a desconstruo dessa amostra. Este filme que ainda no tem um nome definido uma produo da Fundao Inatel e visa a procura de um patrimnio imaterial musical em vias de desaparecimento, tendo como ponto de partida os ritmos populares, esta coisa muita portuguesa do povo