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boletim do que por cá se faz

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    #60http://fazendofazendo.blogspot.com 12 a 26 MAI. 2011

    http://www.leicontraaprecariedade.net/

  • FICHA TCNICA: FAZENDO - Isento de registo na ERC ao abrigo da Lei de Imprensa 2/99 de 13 de Janeiro, art. 9, n2 - DIRECO GERAL: Jcome Armas - DIRECO EDITORIAL: Pedro Lucas - COORDENAO GERAL: Aurora Ribeiro

    COORDENADORES TEMTICOS: Albino, Anabela Morais, Carla Cook, Filipe Porteiro, Helena Krug, Lus Menezes, Miguel Valente, Pedro Gaspar, Pedro Afonso, Rosa Dart - COLABORADORES: Eduno de Jesus, Mrio Moniz, PNF, Sara Soares,

    Tiago Vouga, Toms Melo, Victor Rui Dores - PROJECTO GRFICO: Nuno Brito e Cunha - PROPRIEDADE: Associao Cultural Fazendo SEDE: Rua Rogrio Gonalves n 18 9900 Horta - PERIODICIDADE: Quinzenal TIRAGEM: 400 exemplares

    IMPRESSO: Grfica o Telgrapho CONTACTOS: vai.se.fazendo@gmail.com

    2 012 a 26 MAI. 2011 http://fazendofazendo.blogspot.com

    opinio Estado Social

    Liberalismoversus

    Mrio Moniz

    APOIO:DIRECO REGIONAL DA CULTURA

    A adeso aos princpios que assumem a necessidade e responsabilidade de contribuir para uma resposta colectiva s necessidades das pessoas uma prtica que, em teoria, poucos admitem no acolher ou respeitar. Mas, da teoria prtica vai um tiro de canho.

    A forma como o tema Estado social tratado no nosso pas, traz consigo uma carga avassaladora de cinismo. Uns juram pela sua mezinha que a sua profisso de f, enquanto, na prtica, o vo destruindo. Outros no so contra, mas quanto menos melhor. a velha mxima da diferena entre dar na cabea ou na cabea dar. Em boa verdade, o conceito de Estado social, ou providncia, a negao da forma organizativa duma sociedade liberal. Defender o Estado social com polticas liberais querer estar bem com Deus e com o Diabo.

    O Estado social assenta em princpios que do uma resposta colectiva s necessidades de cada uma das pessoas. O sistema liberal professa o individualismo em detrimento da solidariedade. O Estado social tem todo o seu enfoque nas pessoas, no seu direito sade, educao, ao trabalho. O sistema liberal alimenta--se do economicismo, na acumulao do capital, na diferena pelo poder do dinheiro.

    O conceito europeu de olhar para os que nada tm como uma obrigao do Estado e no apenas como uma mo caridosa estendida pelas organizaes bem-intencionadas da sociedade civil pressupe um aparelho de Estado bem organizado e uma economia saudvel.

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    Nos tempos que correm, nenhuma destas premissas vlida, no s em Portugal, mas na generalidade dos pases europeus.

    Surge ento a necessidade de mudana. E, novamente, todos falam do mesmo, mas sem explicar bem o que querem

    mudar. Aplica-se, ento a clebre frase: Para que as coisas

    permaneam iguais, preciso que tudo mude.

    P o r m , o que p e r m a n e c e igual o caminho trilhado no sentido da progressiva destruio do Estado social, e o que muda

    o aumento das restries e dos cortes oramentais na sade, no ensino e na proteco social.

    Todo um princpio econmico bsico, essencial existncia do Estado social

    est pervertido. O sistema financeiro dever ser um meio de apoio ao bom funcionamento da economia, para que esta possa estar ao servio do bem-estar das pessoas. O sistema liberal espreme as pessoas para que a economia esteja ao servio da especulao financeira.

    Os tericos liberais defendem a todo o custo o crescimento econmico (leia- -se: concentrao do poder econmico). Baseiam-se nas privatizaes e no hesitam em recorrer entrega, a um

    par de mos, aquilo que de todas as pessoas, sem qualquer excepo, incluindo a

    privatizao da sade, do ensino, e de bens

    essenciais como a gua, para que quem tenha poder

    financeiro possa pagar e, assim, com as

    migalhas restantes, providenciar cuidados de sade mnimos e o ensino indispensvel aos pobrezinhos (vamos brincar caridadezinha). Defendem que sade e ensino para todos uma utopia. O Estado no tem receitas que possam suportar essas despesas!. Esquecem que melhor para alguns e pior para outros discriminao e que a opulncia, desses alguns, a carncia destes outros.

    uma falsa questo a falta de recursos do Estado para garantir a diminuio das disparidades sociais causadas pela sociedade capitalista. , sim, uma questo de prioridades e de diversificao das receitas. O Estado no pode ser alimentado exclusivamente pela contribuio dos rendimentos de trabalho. Ser aceitvel

    a existncia de fortunas acumuladas atravs de mais-valias imobilirias e transaces bolsistas que no so tocadas pelo fisco? Tudo - o presente e o futuro do Estado social - uma opo poltica.

    Com uma forte tributao sobre os dividendos no reinvestidos, distribudos aos accionistas do sistema financeiro, e no esquecendo os parasos fiscais, para onde voam milhes de euros, podem arrecadar- -se recursos que, aliados erradicao dos gastos despropositados e sem controlo, dotam o Estado dos recursos necessrios.

    criminoso para o Estado social que, a par da subordinao ao sistema financeiro, se gaste tantos milhes com a compra de dois submarinos, considerados um luxo suprfluo pelos patres da NATO. H uma grande ameaa sobre o Estado social, que incentivada pelos privados. Inculca-se na Opinio Pblica a ideia de que os servios privados de Sade so mais eficientes e, em simultneo, desinveste-se no sector pblico. Caminhamos para o sistema que desvaloriza os cuidados de Sade bsicos aos cidados com menos recursos, sistema que outros pases comeam, finalmente, a dar a ideia de querer abandonar. Queremos retomar o que outros abandonam?

    Estamos a um passo de j no se poder considerar o que existe como Estado social, e, por isso, urgente que se mudem as prioridades, porque o fim do Estado social europeu, como quer a actual chanceler alem, Angela Merkel, seria o colapso da Unio Europeia.

    O jornal Fazendo vem por este meio induzir os caros leitores a hipoteticamente fazerem o exerccio de pensar na eventualidade de, quem sabe, poderem de forma livre e espontnea vir a ponderar uma possvel colaborao com o jornal, tomando o mesmo a liberdade de, num cenrio previsvel de algumas interrogaes, adiantar que esta colaborao poder ser materializada atravs de artigos de opinio, textos literrios de fino ou grosso recorte, pequenos apontamentos, devaneios ficcionais, emocionais, etc, que podero corajosamente e para bem desta repblica, ser remetidos nossa redaco, onde sero submetidos a sesses espritas, experincias com animais, e por fim impiedosa jurisdio do lpis azul. Obrigado

    Pretendem envolver toda a comunidade na reflexo filosfica e na construo da sociedade, no apenas as pessoas directamente relacionadas com o meio escolar

    Eugnia Rufino| 2006/8 Curso avanado de Artes Plsticas ARCO| 2006 workshop com Joo Pedro Vale, ARCO| 2007 workshop de vdeo ARCO, Pedro Fortes| Seminrio Traos da Criao Coreogrfica Actual, Museu Serralves, Maria Jos Fazenda| 2005/6 formao em pintura na Slade School of Fine Arte, Londres| 2004 workshop de pintura e desenho figurativo Next Art| workshop de gravura ARCO| 2003/6 curso de pintura ARCO|

    capa

    Eugnia Rufino2006 fundadora de Broken Heart Ateliers com Volker Schnuttgen.

    Exposies| projectos: 2005, Vero, ARCO| 2007 Iniciativa x, Galeria de Arte Contempornea, Lisboa| Comunidade Global, Fbrica Brao de Prata| Open Studio, ARCO| 2008, GurbergelHouse Londres| Maus Hbitos, Porto| LaborGras, Residncia Artsitca no Espao do tempo, Montemor-o-Novo| 2009, VIVE-ARTE, Exposio Internacional

    de Artes Plsticas de Villafranca de los Barros, Espanha| Reflection Houston, USA| 35x25, Palcio Glaveias, Lisboa, Beja e Santarm| School out out of school, Galeria Arthobler, Londres, LX Factory, Lisboa| 2010, Evoluo, Biblioteca Municipal do Cames, Lisboa.

    2009, Meno Honrosa, Museu Jorge Vieira/Cmara municipal de Beja.

    Ser aceitvel a existncia de fortunas acumuladas atravs de mais-valias imobilirias e transaces bolsistas que no so tocadas pelo fisco?

  • msica

    no incio no se pretendia mais que imitar a natureza ou expressar uma ou outra emoo atravs de sons, na Grcia Clssica j se utilizava a msica para acompanhar narrativas e hoje falamos em msica conceptual e instalaes sonoras com intenes semiticas que ultrapassam em muito meros efeitos dramticos.

    Assim sendo perfeitamente natural que as primeiras msicas consistissem em sons vocais e percusses primitivas tocadas volta de fogueiras por homens interessados em pouco mais que caar e colher frutos parasobreviver. igualmentenatural que hoje, sendons rodeados porum mundo sonoroonde cabem o motor do carro,o barulho da mquinade caf e do frigorfico,vozes robticas em supermercados, uma miradede bips e blops que vm dotelemvel ao microondas, etc,e onde continuam a caber

    http://fazendofazendo.blogspot.com 12 a 26 MAI. 2011 3

    Pedro Lucas

    A msica nasce possivelmente antes da comunicao verbal por emulao dos sons naturais pelos primeiros homens, ainda antes da sua difuso pelo planeta a partir de frica. Assim o primeiro instrumento que o homem ter tido sua disposio foi a voz, e as primeiras msicas no tero passado de sons vocais elementares utilizados para expressar determinadas emoes (da que a msica se entenda universalmente independentemente da lngua). de crer que o primeiro desenvolvimento desta arte em potncia apareceria pelo acompanha