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primeira edição do Quinto Fazendo o boletim do que por cá se faz

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  • #78 OUTUBRO 12 O BOLETIM DO QUE POR C SE FAZMENSAL / DISTRIBUIO GRATUITA

    David vs. Golias, em sonhos e todos os dias!

  • O Quinto Fazendo foi buscar o seu ordinal ao Imp-rio. Depois de uma terminologia tecnolgica (verso 4.0) procurou-se outro tipo de utopia. As dvidas humanas so eternas e a esperana na salvao das mais queridas formas de as combater. E foi por ela, pela salvao, que j se fez tudo. Mas tudo mesmo, porque por ela, at arrancar olhos vale. Foi pela salvao que a Inquisio e o Nacional Socialis-mo actuaram. pela salvao que o Socialismo Real ainda actua, por exemplo na China. E pela salvao (de quem??) se rebentaram duas bombas atmicas em cidades com pessoas vivas l dentro.

    A salvao, a haver, ter que ser social. Porque a salvao individual, acreditando nas velhinhas Vidas de Santos e nos j no to novos Livros de Auto-Ajuda, mais comum. J aconteceu. Cada uma sua maneira, mas parece que sim. Para o povo, as gentes, as pessoas, a sociedade, a maralha, que mais complicado. Porque essa entidade colectiva no se entende a si prpria. E nem morre (h quem seja salvo pela morte). Porque h sempre mais gen-te. E existindo sempre, sempre se interroga, sempre se insatisfaz e mais procura. E espera. Por quem? Ou pelo qu? Que trar a manh de nevoeiro? E como ser que vamos merecer essa salvao? Como que se consegue ser assim to feliz como os desenhos das brochuras das Testemunhas de Jeov (mas com roupas mais modernas, de preferncia...)?

    No h salvao, dizem muitos. Mas h proble-mas e eles tm que ser resolvidos. H desigualdades, h abusos ambientais, h crimes, h doenas. H insustentabilidade. Na impossibilidade de costurar uma nova realidade, que se remendem ao menos os buracos. Embora nunca deixem de existir e hajam

    A beleza natural dos Aores faz-nos sonhar. Faz com que tenhamos orgulho de sermos Aorianos e de podermos dizer somos um dos melhores stios no mundo para se visitar, e at mesmo morar!. Faz-nos sonhar, sonhar para que, um dia mais tarde, depois de formados, possamos voltar. Mas quando volta-mos David vs. Golias, todos os dias!

    O sedentarismo cultural que sobrevoou os Ao-res, do qual tenho mais perceo na ilha do Pico, local de onde sou natural, alojou-se como o nevoeiro de inverno ora sobe, ora desce, mas nunca desapare-ce provocando inrcia e falta de desenvolvimento sustentvel. Torna-se muito complicado desenvol-ver determinados papis sociais, quando toda a gen-te quer ter alguma coisa a ganhar e s participa quando lhe do algo em troca.

    A nvel profissional, a fraca capacidade de pensar a mdio e longo prazo, e falta de informao que reina junto de empreendedores locais, para no re-ferirmos o problema de falta de qualidade de produ-o tudo tem de ser o mais barato e rpido possvel

    Fazendo Editorial

    Editorial

    Capa

    2.

    O Quinto Fazendo

    O sonho de regressar e o problema de no conseguir executar

    Fazendo - DirecoAurora RibeiroToms Melo

    CoordenadoresAlbino Carla Cook Carlos Alberto Machado Fernando Nunes Filipe Porteiro Helena Krug Ldia Silva Pedro Gaspar Pedro Afonso

    CapaMauro Santos Pereira

    Colaboradores Cristina Lourido Francisco HenriquesLia GoulartLus HenriquesMarco MirandaOrlanda AndrPaulo Ricardo BicudoRui PrietoRuth BartenschlagerTeresa AlmeidaTerry Costa Victor Rui Dores

    Design EditorialMauro Santos Pereirawww.comunicaratitude.pt

    Organizao EditorialSandra Cristina Sousawww.comunicaratitude.pt

    Propriedade Associao Cultural Fazendo

    Sede Rua Concelheiro Medeirosn 19 9900 Horta

    Periodicidade Mensal

    Tiragem 500 exemplares

    Impresso Grfica O Telgrapho

    As opinies expressas nesta edio so dos autores e no necessariamente da direco do Fazendo

    sempre outros novos a surgir. Quanto mais rota est a rede menos buracos tem, tambm dizem.

    Ainda cedo para o Quinto Imprio. Talvez seja sempre cedo para Quintos Imprios. Uma concreti-zao utpica tem contornos de paraso. O paraso o viveram felizes para sempre. Depois disso a novela acaba. Ou ento a saga continua sob a for-ma de Quinto Imprio 2, que nunca ser to bom como o primeiro. Vamos vivendo, vamos fazendo, enquanto ainda estamos mais ou menos sos e... salvos. Haja sade.

    Mas o Quinto Imprio o do esprito. Santo? Talvez. Mas do esprito, e isso bom que no fique esquecido.

    Aurora Ribeiro

    causa tambm grandes questes culturais. A falta de brio profissional e pensamentos como trabalhar para desenrascar e ao preo que est muito bom, instalam-se e rebentam, literalmente, com qualquer servio, ideia, estratgia ou, at mesmo, oramento. Na maioria das ocasies, a razo pela qual o barato sai caro, no por ser barato, por ser mal pensa-do investe-se tempo, vontade e dinheiro em vo. um problema de bases. David no comprou um co, David pensou! Organizou-se e criou uma estratgia

    Se as medidas e atitudes no so pensadas, se no existe uma estratgia, nunca haver espao para a cultura e, por sua vez, se a cultura no for pensa-da, nunca ser autnoma. Se nunca pensarmos no desenvolvimento sustentvel dos Aores, nunca seremos, na realidade, autnomos. esse o sonho de todos os dias, o sonho de um dia poder pensar, executar e ter pernas para andar.

    Mauro Santos Pereira

  • O Banco d!.3

    No incio de 2012, a Empresa Municipal Hortaludus, em conjunto com a Cmara Municipal da Horta, lan-ou um desafio s vrias Associaes culturais da ilha: elaborar uma proposta para dinamizar o Banco de Portugal, espao de excelncia da cidade, que sob a alada do muncipio se encontrava sem fun-o prpria, desocupado e desprovido da vida e do papel social que um espao daquela natureza pode e deve abraar. Depois de reunidas as necessrias foras sinergticas, 3 Associaes (FAZENDO, Tea-tro de Giz e Msica Vadia) apresentaram um pla-no concreto que assentava em duas vertentes: 1) a da apresentao de produes (prprias ou no) e iniciativas ligadas s artes e 2) a da formao em linguagens artsticas diversas. Paralelamente, em conjunto com as entidades j referidas, fizeram um levantamento da planta do local e definiram as in-tervenes fsicas que o espao deveria sofrer de forma a que, com um custo mnimo, se pudessem ter as condies necessrias para desenvolver os tra-balhos. A proposta foi aceite e o Banco passou a ter novo apelido BANCO de ARTISTAS.

    A primeira amostra do edifcio que se procurou (e se procura agora todos os dias) recriar e recons-truir aconteceu poucos meses depois, em plena Semana do Mar, que no ms de Agosto incita as pessoas a sair de casa e a estarem disponveis para o que der e vier. No espao exterior do Banco, no lado da Avenida marginal, as Associaes compu-seram um espao e um plano de actividades dirio que integrava um perodo infantil (das 18:00 s 21:00) e um perodo para todas as idades (das 21:00 1:00). Quer isto dizer que, durante a tarde, vrias crianas (passaram por l 95!) se encontraram com avs que contavam histrias, formadores que os levaram para o mundo dos jogos tradicionais, ar-tes plsticas, pintura, cincia, teatro, dana, yoga

    verdade.O Banco de Portugal na Horta deixou definitivamente de garantir poupanas, atribuir emprstimos, cobrar juros e saldar crditos mal parados. Depois de um perodo de hibernao indefinida, despertou, mudou de nome e vai comear a dar. Dar tudo para que a cidade e a ilha continuem a crescer culturalmente num ambiente de partilha. Mas comeemos pelo princpio...

    e outras crianas com quem brincar e sonhar. noite, houve projeces de filmes, concertos, oficinas de teatro e houve conversa e convvio espraiados no

    Bar dos Artistas e nas mesas, cadeiras e adereos do Teatro de Giz que se espalharam por ali. Foi um sucesso e um conforto a existncia deste pequeno mundo alternativo durante as festividades. Mais, autofinanciou-se, sendo que as receitas das entra-das (foram cobrados 5 por dia por criana) e do Bar, foram suficientes para pagar as despesas materiais para formao, auxiliares de educao, animadoras culturais, etc). Para este desfecho, tambm contri-buram algumas empresas locais que se sentiram estimuladas pelo processo e que acabaram por for-necer alguns produtos para serem utilizados nas oficinas de formao para as crianas.

    Com o exemplo, retemperaram-se as foras e as vontades.

    Agora, as Associaes concentram-se no pr-ximo passo: inaugurar o espao interior do Banco e iniciar as actividades que se querem regulares e para todos. A saber no incio de Novembro, abrem-

    -se as portas pela primeira vez com uma tarde e noi-te rechedas de exposies, teatro, msica e festa. A partir da surge uma agenda que inclui mdulos

    de formao em pintura/artes plsticas, dana con-tempornea, instrumentos tradicionais e clssicos, canto e oficinas de carcter temporrio (espera-se ter uma oficina em construo de cordofones tra-dicionais, por exemplo). As Associaes residentes mostraro tambm ao pblico as suas mais recen-tes produes e outras sero levadas at l, porque a troca de experincias e conhecimentos se quer viva e pulsante.

    At l, ainda h paredes por pintar, insonoriza-o de espaos, arrumao de materiais e esplios, montagens e desmontagens e mais ideias que se querem transformadas em aces para com pouco fazer o necessrio. Precisam-se de mos e cabeas e afirma-se j que todo aquele que sentir a necessi-dade de concretizar e o prazer de criar em conjunto deve juntar-se ao colectivo.

    Mas para acabar e e em resumo - procurar-se-- criar um espao aconchegante mas espevitado,

    chamativo e peculiar, onde a populao do Faial possa ter acesso cultura e ao que c e l se vai fa-zendo. Sem contenes, imposies nem pactos papes!

    Fazendo Actualidade

    #78 OUTUBRO 12

  • Fazendo Histria

    Entrevistando a BaleaoA caa baleia nos Aores terminou em 1987 e j teve o seu luto, mas as memrias individuais sobre-vivem, difusas, subjectivas e sempre insubstituveis. Na senda de trabalhos feitos h demasiados anos por Dias de Melo, Ge