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o boletim do que por cá se faz

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  • #82 FEVEREIRO 13 O BOLETIM DO QUE POR C SE FAZMENSAL / DISTRIBUIO GRATUITA

    Me, vou mascarar-me de Norberto.

  • Fazendo Editorial

    2.

    Editorial82No arquiplago aoriano h uma considervel subida dos preos dos transportes, dos lacticnios e dos com-bustveis e a inflao ronda os 30%. O Aeroporto do Pico inaugurado com uma pista com 1760 metros de com-primento, em asfalto. O selo Europa CEPT Aores retrata O Embarque dos Bravos do Mindelo e custa 33 escu-dos e cinquenta centavos. lamo Oli-veira, figura proeminente da cultura terceirense, edita o livro de poesia

    Itinerrio das gaivotas e a obra de fic-o Burra preta-com uma lgrima. A poetisa Natlia Correia coordena um ensaio e colige notas na antologia A Ilha de Sam Nunca - Atlantismo e Insu-laridade na poesia de Antnio Sousa. O agrupamento musical Construo edita H Qualquer Coisa e anuncia uma nova gerao de msicos com no-vas sonoridades at ento pouco ex-

    ploradas em terras aorianas. O Brasil despede-se de Elis Regina com apenas 37 anos de idade e em Vilar de Mouros ouvem-se os U2, Anar Band, The Gist e Durutti Column, entre outros, na segunda edio do Festival. Michael Jackson lana o seu lbum Thriller, o disco mais vendido do ano e da hist-ria da msica com mais de 109 milhes originais vendidos. Na RTP1 estreia de Vila Faia, a primeira telenovela portu-guesa. O Centro Nacional de Cultura em Portugal organiza os Encontros

    Ser (Homo) sexual em que participam Afonso de Albuquerque, Natlia Cor-reia, Guilherme de Melo e Guilherme dOliveira Martins e so organizados por Isabel Leiria, Jos Calisto e Helena Vaz da Silva.

    O Norberto Serpa o nosso lobo do mar. Com ele, h quem tenha observado baleias de todas as cores e feitios, nadado junto de jamantas, golfinhos, e, inclusive, tubares. H quem s tenha viajado com o prazer de estar com ele em alto mar, curiosos somente em apertar cabos ou olhar o cu em noite de estrelas enquanto se atravessa o canal bem como presenciar in loco a sua vitalidade e juventude! H tambm quem tenha saboreado um caldo de peixe con-feccionado por ele e aproveitado para beber um copo de vinho da sua terra natal na sua adega picarota. Nesta pintura da Helena Krug, ele tem os olhos muito verdes, so os mesmos que serviram de farol e esperana quando a gaso-lina findou numa noite em que viajvamos de semi-rgido entre So Mateus e a Madalena. Numa srie de fico que passava na televiso espanhola, nos idos anos oitenta, um grupo de midos que passava as suas frias estivais em Nerja, tiveram a sorte de conhecer um homem que vivia num barco em terra: Chanquete, era o seu nome. O Norberto Serpa vive, como s ele sabe viver, num barco em alto mar.O Norberto existe e de carne e osso. Ele o nosso vero azul da idade adulta!

    Fernando Nunes

    Helena Krug sabia desde muito nova que um dia usaria as mos para criar tal qual a sua me que fez obras em cermica. At que um dia experimentou pintar e agora no quer outra coisa. Helena bate-

    -se pelos rostos, dialoga com eles atravs das cores, so estes o seu ancoradouro quando se lana em aventuras com os pincis. E assim se enche de brio e de brilho. Arrisca. Tem confiana. Helena sabe que o mais importante ser fiel ao trao, s cores que cada rosto ostenta. Podemos considerar que as suas figuras so alegres, pois permitem-nos imaginar que a luz de cada um ficou ali registada, que cada um dos quadros revela o que h de mais luminoso nos rostos apresentados. Ela gosta de expr. E quem v o Pico todos os dias sabe que os rostos semelhana dos dias que se vo alterando, modificando, constituem essa beleza de captar as nuances de cada figura pintada. Primeiro, comea-se pelo olhar, fixar esse espelho da alma e depois continuar, penetrar nessa profundidade de cada um para que pelo menos essa camada permita chegar s outras todas, realando ou anulando os seus contrates. Por isso, podemos imaginar que cada quadro um repto, uma disputa constante consigo mesmo para chegar ao rosto final. Tal e qual os gregos antigos que se bateram pela ou-tra Helena.

    Fernando Nunes

    Norberto Serpa Helena Krug

    DirecoAurora RibeiroToms Melo

    CapaHelena Krug

    Colaboradores Cristina LouridoFernando Manuel ResendeFernando NunesFrancisco HenriquesGraa PatroHelen MartinsJoo da PonteJorge FalcatoJorge A. Paulus BrunoJos Lus NetoJos Nuno Garcia PereiraLia GoulartOrlanda AndrPatrcia BarbosaPaulo BicudoPedro LucasPedro Paulo CmaraPittaTiago RodriguesVictor Rui Dores

    Layout DesignMauro Santos Pereirawww.comunicaratitude.pt

    PaginaoToms Melo

    RevisoCarla Dmaso

    Propriedade Associao Cultural Fazendo

    Sede Rua Conselheiro Medeirosn 19 9900 Horta

    Periodicidade Mensal

    Tiragem 500 exemplares

    Impresso Grfica O Telgrapho

    Capa

    GinO gin, originrio do Norte da Europa, onde comeou a ser produzido a par-tir do sculo XVII, uma aguardente de cereais. A sua fama mundial est associada gua tnica (refrigeran-te basicamente composto por soda e quinino), com a qual passou a ser be-bido. O hbito instalou-se no Imprio Britnico, na ndia, no sculo XIX, com o objetivo inicial de combater a mal-ria ingerindo quinino, mas depressa ultrapassou as fronteiras e passou a ser uma bebida apreciada universal-mente.No Peter Caf Sport, na Horta, o Gin do Peter, a bebida dos navegadores que cruzam o Atlntico Norte em iate, a bebida de culto. aqui que um simples gin Bombey com gua tnica e gelo se transforma num prazer que

    Bebida de Cultotodos os que passam por este santu-rio no se cansam de evocar. frequentemente bebido com gua tnica, gelo e limo, mas cada vez mais so divulgadas e experimenta-das diferentes formas de o apreciar. O limo tem vindo a ser substitudo por vrios elementos aromticos, desde os frutos secos, a malagueta, a bau-nilha, o pepino, o alecrim, os coentros, a casca de laranja, a canela, os gros de pimenta preta e da Jamaica, a noz moscada, o gengibre, e muitos outros, adicionados conforme as indicaes ou sugestes dos fabricantes e pro-dutores das marcas de gin.Este fenmeno est associado ao aparecimento de um mercado de gin premium, onde, mesmo em Portugal, j se podem encontrar perto de seis

    No primeiro dia de setembro sa do Porto com destino a S. Miguel. Ainda no tinha aterrado na ilha verde e j tinha sido arrebatada pelo azul do mar dos Aores. Durante os dias seguintes conheci a ilha maior e no nono dia ru-mei ilha do Pico.A aproximao ilha negra foi feita de avio e pela costa norte. Alm da curiosidade da vista da montanha, tentei adivinhar Santo Amaro entre as povoaes beira-mar. Estive em Santo Amaro de setembro a novem-bro, a participar na Residncia Criativa

    Volta ilhaem namoradeirasWhat makes Aores look like Aores

    dezenas de marcas de gin e outras, mas no tantas, de gua tnica.O aparecimento dos clubes do gin tambm um fator responsvel pelo estmulo e fomento do consumo do gin como bebida sofisticada e por tor-n-lo numa bebida de culto, que tem vindo a granjear o entusiasmo de uma comunidade atenta ao prazer sublime de apreciar uma bebida espacial, por regra aromatizada a partir do zimbro, mas com um potencial de diversifica-o aromtica quase inesgotvel.Nada disto, porm, existe sem outros prazeres mais extremados. A par de quem aprecia o gin no seu estado li-quido puro (sem gelo, limo ou gua tnica, ou no fosse o gin uma aguar-dente), outros comeam a apreci-lo de modo bem diferente. o caso de

    um bar em Londres cuja novidade proporcionar a troca do prazer de be-ber o gin pelo prazer de o inalarO prazer do gin pode ser enorme. Pode ser indizvel. Basta saber apreci-

    -lo nos seus mais variados sabores. Conto-me entre aqueles que tm esse privilgio. Jorge A. Paulus Bruno

    na Escola de Artesanato e a desenvol-ver um projeto que consistia na cons-truo de uma namoradeira a partir de duas cadeiras usadas. Nos meus passeios tive a oportunida-de de descobrir que a namoradeira uma tipologia recorrente na ilha, es-cavada nos muros baixos beira-mar. Estas namoradeiras so elementos da paisagem que acabam por carac-terizar a ilha do Pico e dar mais fora e um novo significado minha ideia de projeto, que nasceu a uns milhares de quilmetros de distncia desta reali-

    dade que eu desconhecia. Atravessei o canal entre o Pico e o Faial no dia do lanamento do Fazendo n. 78. Foi assim que fiquei a conhecer a ilha e a publicao. Nesse mesmo nmero, no artigo What makes Aores look like Aores, o Toms dizia: O que temos de especial? O que temos de tpico?. Agora, para mim, uma das respostas possveis : as namoradeiras do Pico. Reconheo-as como um elemento tpico que devemos preservar e mul-tiplicar. Estas namoradeiras no exis-tem s na ilha do Pico (vi algumas em

    Porto Pim, tambm), mas acredito que so mais recorrentes ali devido geografia, com as povoaes dispos-tas em torno da ilha, entre a encosta ngreme e o mar, com longos muros a acompanhar as ruas junto costa.Encontrei exemplos destas namora-deiras (posso dizer tpicas?) em S. Ro-que, Santa Cruz, Calhau, Manhenha e Calheta de Nesquim e acredito que se tivesse conseguido completar a volta ilha em namoradeiras a que me pro-pus, mais seriam os exemplos a desco-brir. Um dia volto. Patrcia Barbosa

    .3#82 FEVEREIRO 13

    Fazendo Arquitectura

    Fazendo Crnica

  • 4.#82 FEVEREIRO 13

    In Folio pode ter como traduo do latim, letra, dentro das folhas. No centro da cidade de Angra o rudo automvel sobre a calada agressi-vo. Apercebemo-nos dessa violncia quando entramos na livraria in Folio. A porta fecha-se e o espao preenchi-do por pautas de msica: acompanha-

    -nos a programao da antena 2. Res-piramos. Entrmos num livro? beira de completar 24 anos esta livraria no pertence a este tempo, esta livraria no pertence a este espao. Estas prateleiras so para quem gosta de li-vros (in folios), para quem gosta de os ler, de os ouvir,