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boletim do que por cá se faz

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  • #84 ABRIL 13 O BOLETIM DO QUE POR C SE FAZMENSAL / DISTRIBUIO GRATUITA

    Crise? H Festa na Lixeira

  • Fazendo Editorial

    2.

    Editorial#84A RDP Aores inicia na Horta as suas emisses em FM Estreo, um ano depois de Ponta Delgada. A Lagoa da Faj de Santo Cristo classificada como Reserva Natural, pelo Governo Regional dos Aores. Aps a extino das empresas pblicas CTM (Compa-nhia de Transportes Martimos) e CNN (Companhia Nacional de Navegao) nasce por iniciativa do governo por-tugus a Transinsular. Na Praia da Vi-tria entra ao servio uma draga de 12 polegadas, apta a dragar areia at 9 metros de profundidade. O selo Eu-ropa CEPT Aores tem vrias pontes e custa cinquenta e um escudos. Das eleies para a Assembleia Legislativa da Regio Autnoma dos Aores de-corre o governo ao PPD/PSD, liderado por Mota Amaral. Jaime Cruz edita o livro Filsofos da Rua de Augusto Gomes, a impresso fica concluda nas Sanjoaninas, com uma tiragem de 1500 exemplares. Sai o segundo volu-me da Antologia Potica dos Aores, pela mo de Ruy Galvo de Carvalho, numa edio da coleco Gaivota, com

    No sei se por viver no mato, l no Norte da ilha, mas desde sempre que a lixeira da Praia do Norte um lugar que vez a vez fui visitando. Procurava por coisas especificas, como peas de bicicletas.Hoje j no vou l muitas vezes mas quando estou por perto dou uma vista de olhos no que por ali h.

    o apoio da DRAC. O poeta terceirense Vasco Pereira da Costa publica o livro

    Plantador de Palavras Vendedor de Lrias, e primeiro prmio Miguel Torga. Em Portugal Continental, os S-tima Legio lanam A Um Deus Des-conhecido e os Ronda dos Quatro Ca-minhos o seu primeiro lbum de ttulo homnimo. O filme Paris, Texas, de Wim Wenders, vence a Palma de Ouro da 37 edio do Festival de Cannes e s salas de cinema chegam

    Depois do Ensaio do sueco Ingmar Bergman e Crni-ca dos Bons Malandros do portugus Fernan-

    Um Lugar, a Lixeira

    Felix KremerPedro Escobar

    DirecoAurora RibeiroToms Melo

    CapaFelix Kremer

    Colaboradores Alexandra Boga Carla DmasoCarlos Alberto MachadoCristina LouridoDaniela SilveiraFernando NunesFilomena MaduroMiguel MacheteMoritz WeimannNuno SardinhaRuth BartenschlagerSilvia LinoTerry CostaVictor Rui Dores

    Layout DesignMauro Santos Pereirawww.comunicaratitude.pt

    PaginaoToms Melo

    RevisoCarla Dmaso

    Propriedade Associao Cultural Fazendo

    Sede Rua Conselheiro Medeirosn 19 9900 Horta

    Periodicidade Mensal

    Tiragem 500 exemplares

    Impresso Grfica O Telgrapho

    As opinies expressas nesta edio so dos autores e no necessariamente da direco do Fazendo

    Capa

    do Lopes. O msico americano Prince surge com Purple Rain e os U2 editam o seu quarto lbum de originais, The Unforgettable Fire, com a cano Pride (in the name of love). o ano do nascimento em Ponta Delgada de n-gela da Ponte, compositora aoriana, de Aurora Ribeiro, cineasta e autora dos vdeos do agrupamento aoriano

    Experimentar Na MIncomoda bem como do fotgrafo Pepe Brix, natural

    da Ilha de Santa Maria, no seio de uma famlia de fotgrafos.

    FN

    Neste dia encontramos caixotes cheios de cabides, pretos e azuis.

    O Pedro Escobar um colecionador de quase tudo, e tambm est sempre muito atento no que aparece nas v-rias zonas de descarga de lixos diver-sos pela ilha.

    RETORNO DA PALETE CABIDES PARA RECICLAGEM | DESTINO: Karner Euro-pe | LOJA HORTA *** | PESO: 6H.5*

    Isto estava escrito nos caixotes re-cheado de cabides vindos de uma loja de roupa, suponho, da cidade da Horta.

    Felix Kremer

    FOTOGRAFIA

    PERFORMANCE

  • .3#84 ABRIL 13

    Fazendo Crnica

    Finalmente chego ao cume mas o ca-minho termina a poucos metros de uma moita de canas. Quero abrir cami-nho atravs das canas que idilicamen-te abririam espao minha passagem mas fica cada vez mais difcil avanar atravs dos ramos cada vez mais den-sos: do lado direito o meu saco cama atrasa-me, da esquerda so os ramos que puxam a minha tenda e os galhos retorcidos que por um lado parecem estender a mo para mim, por outro puxam a minha roupa, agarram-se onde podem e impedem-me de ir mais longe. So agora cinco as contrarieda-des simultneas- minhas pernas ficam presas no caos de canas e eu admito a impossibilidade, desistir e voltar para trs. Levanta-se vento, que faz as canas danarem e chocalharem - os elementos riem-se de mim e aplaudem a minha presena de-samparada.Levo uma hora a chegar ao ponto de partida, uma clareira para onde saio do castigo das canas- vejo agora l em baixo um guarda com aspeto de militar, cujo motorista me observa com binculos. Estou numa reserva natural e acampar talvez no seja permitido. Decido voltar para o mato e montar a minha tenda entre os ar-bustos...mesmo na hora certa: o cu torna-se escuro e comea a chover.Finalmente estou na tenda, acon-chegado no meu saco-cama - mas em vez do esperado calor sinto a humidade fria do cho a entranhar-se na pele- no tenho um colcho isolante.A minha tenda est inquieta como uma bandeira ao ven-to e cada rajada de vento produz um baque sur-do. De repente, um grito agudo corta o ar - um Cagarro! E no est sozinho: rapidamente quatro outros

    animais circulam volta da tenda num furioso jogo de gritos. So ensurde-cedores e s sei que a ltima nota se extinguiu apenas ao amanhecer. Nos momentos de silncio entre o jogo dos Cagrros, ouo outro amigo: um roedor que cava a sua cova mesmo por baixo da minha cabea: uma toupeira ou talvez um rato?

    Estou ansioso pelos dias contemplati-vas que tenho pela frente, perder-me nos prprios pensamentos e fazer no-vos planos para o futuro.Cinco dias para caminhar no Faial no so um desafio demasiado grande e h tempo para explorar um pouco os caminhos e a beleza escondida da ilha.Na tarde do meu primeiro dia, descobri uma pequena pennsula - um enorme rochedo de altas muradas naturais, coroado por um planalto arborizado com interminveis falsias a pique: o Morro de Castelo Branco!

    Naturalmente decido que vou passar a primeira noite no meio desta romn-tica natureza selvagem. Comeo por explorar o trilho ngreme que liga este enorme bloco de pedra ilha maior: um ato de equilbrio - na parte mais ngreme, o abismo est perto em am-bos os lados - leve vertigem, alguma dvida...?

    distncia, ouo vozes. Talvez o guar-da tenha regressado? Se calhar voltou para me passar uma multa? No...vejo agora que afinal o pssaro novamen-te, cujo grito me acorda e me confun-diu no meio do meu sonho.O vento e a chuva tamborilam na ten-da, o mar ecoa constantemente como troves, o saco-cama est hmido e ratos e pssaros chegam cada vez mais perto de mim: fico acordado nes-ta noite inebriante, a apreciar a dana e fora da natureza e fico perplexo e animado com o vigor e dinmica da vida - s no posso, infelizmente, pensar em dormir hoje ...

    Texto original (Alemo): Moritz Weimann

    Traduo e Adaptao: Silvia Lino

    Vou passar a primeira noite no

    meio desta romntica natureza selvagem

    A tenda est inquieta

    como uma bandeira ao

    vento

    Uma noite no Morro de Castelo Branco

    O abismo est perto

    de ambos os lados - leve vertigem

  • 4.#84 ABRIL 13

    Azores Fringe Festival o primeiro festival de artes em Portugal realizado no estilo da rede internacio-nal fringe. Fringe significa em portugus franja ou margem. Os conceitos dos festivais Fringe no mundo so inspirados no Festival Internacional de Edimburgo, uma mostra escocesa que surgiu em

    1947. Hoje h mais de 250 festivais mundiais, uma rede com plataformas gigantescas de apoios a arte e artistas. Com razes especialmente em performan-ce e artes plsticas, artistas apresentam espectcu-los e exposies, workshops/oficinas e outras aes que vo de salas rua. Fringe uma mostra de cor e emoo artstica para dar a conhecer talentos a no-vas audincias. O Festival cria oportunidades para artistas investirem no desenvolvimento da sua arte, e para audincias aventurarem em novos territrios. O primeiro Azores Fringe Festival com Meca na vila da Madalena no Pico mas tambm com evento sat-lites em outras localidades como na Horta, Faial, vai acontecer de 19 a 30 de Junho 2013 e qualquer artis-ta tem a oportunidade de fazer uma proposta para com participao.

    Azores Fringe Festival tem uma mascote que neste momento necessita de nome e de cor.

    Porqu o cachalote como mascote de um festival de artes? Os cachalotes tm a capacidade de percorre-rem grandes distncias, tal como tero que fazer al-guns dos participantes no festival. possvel que os artistas se identifiquem com o mesmo, j que, em si-

    multneo, o cachalote um smbolo de persistncia e de ousadia. Que cachalotes e artistas continuem a viajar e a presentear-nos com a sua presena singu-lar. Alm do mais, embora o cachalote no seja fcil de avistar, a sua observao, pelas suas caracters-ticas nicas, bastante popular. , pois, misso do festival garantir visibilidade s diversas artes par-ticipantes. semelhana do cachalote, pois muitas vezes esto ocultas, estas so admirveis e mgicas.

    A associao miratecarts, organizadora do Azores Fringe Festival, quer sugestes para o nome da mascote assim como tem um concurso para qual-quer pessoa dar vida, dar cor, mascote preenchen-do o seu corpo com prprio desenho, colagem, pin-tura, ou qualquer outra estratgia de decorao do mesmo. Visite a pgina www.azoresfringe.com para transferir o ficheiro da mascote, e mais informaes sobre o Festival, e junte-se no facebook e participe www.facebook.com/MiratecaArts

    Terry Costa

    Azores FringeFazendo Artes

    Extenso do Festival de Seia aos AoresMaio e Junho de 2013 - Faial, Terceira e So Miguel

    Neve em Silncio

    Fazendo Cinema

    O CineEco Festival Internacional de Cinema Am-biental da Serra da Estrela, o nico festival de ci-nema, em Portugal, dedicado temtica ambiental, no seu sen