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boletim do que por cá se faz

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  • #85 MAIO 13 O BOLETIM _ DO QUE POR C SE FAZMENSAL / . DISTRIBUIO GRATUITA

    Terceira. E de vez

  • Fazendo Editorial

    2.

    #85

    Editorial

    O Aeroporto da Horta inicia as ligaes areas directas atravs da TAP entre Horta e Lisboa. Iniciam-se as emisses em FM Streo da RDP em Angra do He-rosmo. Lus Gil Bettencourt, msico terceirense radicado nos Estados Uni-dos, aps final dos Viking, regressa a Portugal e em Lisboa prepara-se para lanar o seu primeiro lbum a solo inti-tulado Empty Space. Zeca Medeiros principia na RTP Aores Memrias do Vale, com a Harmnica Furnense. Jos Daniel Macide escreve a crnica Anar-quistas, que vir mais tarde a constar do livro Crnicas da Portuglia. O oceangrafo Robert Ballard descobre os destroos do navio britnico Tita-nic. O sovitico Mikhail Gorbatchov eleito secretrio-geral do PCUS (Parti-do Comunista da Unio Sovitica). Na televiso o acontecimento o Live Aid, que apresenta o arrojo de Bob Gel-

    O Fazendo j tinha chegado Terceira e a Terceira j tinha chegado ao Fa-zendo. Mas agora chegam os dois ao mesmo tempo e de vez. A partir de agora o Fazendo cobre o que se faz pe-las ilhas do Faial, do Pico e da Terceira. A quem ainda no conhece o Fazendo explicamos j que um boletim feito de contribuies. Temos uma caixa de correio - electrnico, claro! (mas do anacrnico tambm temos) - onde

    Tal como os caracteres do alfabeto e as palavras, as imagens tambm po-dem ser smbolos.Certas formas so reconhecidas co-mummente e podem transmitir signi-ficados concordados, aceites, mesmo que possam no ser muito concretos.As palavras, podemos junt-las e ar-rum-las numa ordem especfica para transmitir uma ideia. Essa a sua fun-o, a razo pela qual existem.Podemos construir frases usando pa-

    dof e a coragem de Bono Vox dos U2, e visto por mais de um mil milhes de pessoas. Pedro Ayres Magalhes (guitarra), Rodrigo Leo (teclados), Francisco Ribeiro (violoncelo), Gabriel Gomes (acordeo) e Teresa Salgueiro (voz). Magalhes e Leo formam os

    Madredeus. Jos Afonso, bastante debilitado, edita um novo LP de origi-nais intitulado Galinhas do Mato com a companhia dos msicos: Jlio Perei-ra, Lus Represas, Helena Vieira, Jani-ta Salom, N Ladeiras e Jos Mrio Branco. O norte-americano Tom Waits lana o lbum de originais Rain Dogs. inaugurado o Museu Nacional do Te-atro em Lisboa. s salas chegam dois filmes que chocam a opinio pblica:

    Je vous salue, Marie, de Jean-Luc Go-dard, com Myriem Roussel e Juliette

    Diego Ares Liares

    DirecoAurora RibeiroToms Melo

    CapaDiego Ares Liares

    Colaboradores Carlos Alberto MachadoCristina LouridoFernando NunesFilipe TavaresJoel NetoJorge A. Paulus BrunoJos BettencourtLia GoulartLus C.F. HenriquesNuno SardinhaOrlanda AndrPaulo Vilela RaimundoRogrio SousaVictor Rui Dores

    Layout DesignMauro Santos Pereirawww.comunicaratitude.pt

    PaginaoToms Melo

    RevisoCarla Dmaso

    Propriedade Associao Cultural Fazendo

    Sede Rua Conselheiro Medeirosn 19 9900 Horta

    Periodicidade Mensal

    Tiragem 700 exemplares

    Impresso Grfica O Telgrapho

    As opinies expressas nesta edio so dos autores e no necessariamente da direco do Fazendo

    Capa

    Binoche e O Beijo da Mulher-Aranha, de Hector Babenco, com William Hurt, Raul Juli, Snia Braga, Jos Lewgoy e Milton Gonalves. No cinema em Por-tugal surge Um Adeus Portugus do realizador Joo Botelho, o primeiro fil-me portugus de fico a abordar de forma explcita a guerra colonial e Joo Csar Monteiro realiza Flor do Mar, tendo Teresa Villaverde como actriz. o ano de nascimento do arquitecto paisagista terceirense Lus Pinheiro Brum e do cineasta micaelense Joo Pedro Botelho, realizador do filme

    Anan. A onomstica desse perodo marcada pela atribuio s raparigas dos nomes de Ana, Carla, Maria, San-dra e Cladia e dos rapazes por Ricardo, Pedro, Nuno, Joo e Bruno. FN

    Titanic

    Queen Mary II

    AirbusAutocarroCarroPessoa

    lavras que raras vez usamos juntas no nosso quotidiano e assim conseguir comunicar ideias mais sofisticadas, mais complexas, com um significado para alm do aparente. Isto ao que chamamos poesia.Na construo de imagens, no dese-nho, acontece o mesmo. Podemos em-pregar figuras para transmitir ideias e ainda usar a cor, o trao, a textura para sugerir outras. Ao desenhar podemos ligar objectos que no tm qualquer

    relao ou podemos render-lhes ho-menagem. Podemos at desenhar coi-sas sem forma (DES)!Hassim Vaio Mundo nasceu na Galiza em 1989. Sem os conhecer, veio em 2010, por acaso, para os Aores e en-controu neles um meio ao qual no foi preciso adaptar-se.Elementos que aqui encontrou fica-ram j a formar parte da sua lingua-gem visual.

    recebemos o que nos queiram enviar. Daquilo que recebemos publicamos (quase) tudo, desde que seja indito e relacionado com cultura, cincia ou ambiente e que seja produzido nos Aores. Se no for feito aqui, que ao menos tenha alguma relao. O con-vite aberto a toda a comunidade. Damos mais prioridade a artigos so-bre aces (exposies, filmes, livros, oficinas, concertos) do que a artigos

    menos concretos (crnicas, opinies, contos, poesia), mas isso defeito nosso, no feitio. Enviem o que qui-serem. Se no souberem escrever bem, escrevam mal que ns temos quem corrija. Ou ento faam um de-senho. Convidem os vossos amigos a fazer o mesmo. E os vossos inimigos.

  • .3#85 MAIO 13

    Quando h dinheiro, importa-se; quando no h, olha-se para o lado...

    ...escrever um poema sobre

    uma alcatra na bruma era uma

    obra de arte inquestionvel...

    Fazendo Crnica

    Em 1999, em conjunto com o meu ex-professor de Lngua Inglesa da Universidade dos Aores, John Starkey, criei a revista literria NEO ainda em cir-culao. A ideia: apostar forte em jovens criadores li-terrios aorianos, aqueles que no escrevem sobre as ilhas de bruma nem sobre a saudade, nem sobre o capacete do Pico nem sobre a Chamateia, nem sobre a imensido do claustrofbico mar nem sobre a ao-rianidade das nossas veias de basalto onde corre o imenso mar. Ou ser ao contrrio?Mais tarde, em 2003, lado a lado com Valter Peres, criei o ART&MANHAS ainda em funcionamento. A ideia: um encontro de artes, focando vrios temas e convocando vrios intervenientes, sob o mote das

    artes e das manhas de que se servem os artistas para concretizarem os seus trabalhos. Apostando (de novo) em jovens criadores aorianos, na crena de que h novos valores criativos e novos projectos culturais que no falam dos botes baleiros nem dos bois do mar, que no fotografam apenas os mantos de retalho nem o sofrimento da saudade da imigra-o, que no cantam sobre a dor do isolamento nem sobre a carne do Esprito Santo, e que merecem um espao de projeco e de apresentao tal como os restantes.

    Comear a Casapelo telhado

    Em 2007, juntamente com Miguel Costa e Snia Bor-ges, criei o Concurso LABJOVEM Jovens Criadores dos Aores, promovido pela Direco Regional da Juventude ainda em funcionamento. A ideia: ser-vir de plataforma aos jovens criadores aorianos, permitindo, no s a possibilidade de verem os seus trabalhos validados por um jri e posteriormente apresentados ao pblico, como tambm o usufruto de uma bolsa de formao que permitisse o melho-ramento e crescimento formativo e criativo de cada vencedor.Nos dias de hoje, cada vez mais se ouve falar da ne-cessidade do apoio aos jovens valores aorianos, e a aposta nos artistas locais, em p de igualdade com os artistas que costumavam vir de fora. Para quem tem trabalhado na defesa e no apoio criao de e nos Aores h mais de dez anos, aparentemente a aposta em valores regionais s poderia ser tomada com alegria. No obstante, a razo pela qual cada vez mais agentes culturais e decisores polticos tm olhado para a produo cultural local enviesada: comear a casa pelo telhado. Agora, que vivemos uma crise internacional e os recursos financeiros so mais escassos, j se fala sobre e j se olha para os criadores aorianos quase em p de igualdade

    com os de fora. Porqu? Por no haver dinheiro para mandar buscar gente fora dos Aores.Ora, sendo na prtica uma consequncia muito positiva no que concerne defesa dos criadores e artistas aorianos, no h como no lamentar esta viragem de discurso. Quando h dinheiro, importa-

    -se; quando no h, olha-se para o lado...Apesar de tudo, criar as condies para o surgimen-to, desenvolvimento e promoo dos artistas e dos produtos culturais aorianos dentro e fora do nosso arquiplago deveria ser uma posio ideolgica e intelectual, certa da qualidade do que produzimos, e no uma mera contingncia financeira que se, e quando, passar ser facilmente esquecida.Que isto no seja um revivalismo cultura aoriana ps-autonmica, onde escrever um poema sobre uma alcatra na bruma era uma obra de arte inques-tionvel e pertencente literatura aoriana, mas por outro lado, que seja a abertura forada de uma porta que h muito queria ser aberta... agora est entreaberta. H que a potenciar.

    Rogrio Sousa

    nota: escreve de acordo com a

    ortografia pr-acordo-ortogrfico.

  • 4.#85 MAIO 13

    Entrevista aFilipe TavaresRealizador de: A Viagem Autonmica

    ...acho mais importante

    investir nos projectos e nas pessoas do que

    propriamente em infra-estruturas.

    Fazendo Cinema

    Em que fase do teu percurso artstico te encontras e que passo significa a realizao deste filme?Estamos a terminar o livro, as tradues e a legenda-gem do DVD A viagem autonmica, a submeter o filme a diversos festivais e a preparar a sua exibio nas 9 ilhas. Paralelamente, estou a desenvolver dois novos projectos relacionados com os Aores. Pretendo con-tinuar a apostar em trabalhos didcticos, de promoo da nossa identidade e cultura, vocacionados para um pblico vasto e que valorizem as nossas ilhas enquan-to destino Turstico. Este filme foi uma nova