fazendo 94

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  • 1o b o l e t i m d o q u e p o r c s e f a z

    s o m e i o d e c o m u n i c a o s o c i a l

    j U l h o 1 4 d i s t r i b U i o g r at U i ta

  • 2Capito Rodrigo Von Schanderl, tambm conhecido por Cpt. Luvlace, Designer, Ilustrador, DJ, Curador de eventos, Filantropo, Alquimista e mais ainda.Natural da Ilha de So Miguel, mudou-se para Lisboa em 2001, passou pela Faculdade de Arquitectura, Faculdade de Belas Artes e Ar.Co.Como Designer dedica-se especialmente ao mundo da musica, ao qual est ligado directamente.Ao longo destes anos teve o prazer de trabalhar com alguns dos artistas, clubes e promotores mais influentes a nvel nacional e internacional, o seu trabalho visvel nos milhares de cartazes que so afixados por Lisboa e Porto, pelos sinais luminosos dos clubes, ou pelas capas de discos e CDs venda em lojas como a Fnac, e claro no vasto universo da internet.facebook.com/Capitaodesign instagram.com/cptluvlace

    nesse ano do sculo passado que se d o eclipse total do Sol, ltimo eclipse solar total do milnio e que o CADEP-CN (Clube dos Amigos e Defensores do Patrimnio-Cultural e Natural de Santa Maria), fundado trs anos antes na Escola Sol Nascente-Santa Brbara, arranca com o salvamento de cagarros naquela ilha. A Escola Secundria da Horta adopta para seu patrono o faialense Dr. Manuel de Arriaga, recuperando uma antiga designao que vigorou de 1918 a 1947: o Liceu Dr. Manuel de Arriaga, passando a designar-se de Escola Secundria Manuel de Arriaga. Sai Pai, a Sua Bno! (Antologia Comemorativa do Ano Internacional da Famlia), organizada por lamo de Oliveira, Ana Maria Bruno, Maria Mesquita e Sousa Rocha, numa edio da DRAC. Joo de Melo edita o livro de crnicas Dicionrio de Paixes, Judite Jorge publica o livro de poesia Setembro e outras estaes, Maria Lusa Soares lana o romance Quatro Vozes e Virgnia e Rui Duarte Rodrigues edita Com Segredos e Silncios, pelo Instituto Aoriano de Cultura. A pea Antes que a noite venha, de Eduarda Dionsio estreia em Angra do Herosmo, na recuperao e reabertura do Teatro Angrense pela companhia Outro Teatro. O Prmio Cames atribudo ao escritor brasileiro Jorge Amado. O filme Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, ganha a Palma de Ouro do Festival de Cannes. Na msica portuguesa tambm o ano de todas as homenagens: Jos Afonso (Os Filhos da Madrugada); Amlia Rodrigues (Dulce Pontes com Lgrimas) e Antnio Variaes (Variaes). No cinema chega s salas o filme Trs Irmos de Teresa Villaverde e Maria de Medeiros vence o prmio de Melhor Actriz no Festival de Veneza. Nelson Mandela assume presidncia e o primeiro presidente negro da frica do Sul. A seleco brasileira de futebol conquista o tetra campeonato mundial na Copa do Mundo da FIFA, realizada nos Estados Unidos.

    9 4

    capi

    to

    ca

    pa

    d i r e c o

    aurora ribeiro

    toms melo

    c a p a

    rodrigo von schanderl

    c o l a b o r a d o r e s

    ana maria nvoa

    carlos alberto machado

    carolina cordeiro

    cristina lourido

    dulce cruz

    fernando nunes

    fernando resende

    francisco henriques

    ins martins

    ins ribeiro

    joo stattmiller

    leonardo sousa

    lus henriques

    micael nunes

    a m i g o s f a z e n d omaria nomia pacheco

    terry costa

    zumo massimo gelich

    p a t r o c i n a d o r

    imar-dop

    d e s i g n e d i t o r i a lambas as duas

    p a g i n a o

    toms melo

    r e v i s o

    foi de frias

    p r o p r i e d a d e

    associao cultural fazendo

    s e d e

    rua conselheiro medeiros

    n 19 9900 horta

    p e r i o d i c i d a d e

    mensal

    t i r a g e m

    500 exemplares

    i m p r e s s o

    grfica o telgrapho

    d i s t r i b u i o n o f a i a lassociao cultural fazendo

    d i s t r i b u i o n o p i c omirateca arts

    d i s t r i b u i o n a t e r c e i r amah

    d i s t r i b u i o e m s o m i g u e l agecta

    registado na erc com o n125988este jornal comunitrio,

    no-lucrativo e independente est a ser financiado pela comunidade de leitores,

    colaboradores e parceiros.

  • 3c r n i c a

    t u n o s b u r r o ! H um poema da Sophia (de Mello Breyner Andresen), Cantata da Paz, que diz vemos, ouvimos e lemos, no podemos ignorar. Aqui, agora, vai ler sobre um assunto escondido, silenciado por ignorncia, por vergonha e s vezes tambm por maldade -, e s por isso f-lo- despontar mais um pouco. O assunto a incluso. No fcil generalidade das pessoas que se encaixam (e so encaixadas) na normalidade darem pela falta de incluso; toda a organizao das nossas sociedades est construda para um certo tipo de, digamos, regularidade Mas h pessoas diferentes, quer queiramos, quer no, e mais cedo ou mais tarde, quer queiramos, quer no, a nossa sociedade vai ter de olhar de frente para elas e inclu-las (no encaix-las, note-se), com as suas diferenas, se quisermos orgulhar-nos dela. Falamos de pessoas diferentes por condio; aquelas pessoas que nos habitumos a encaixar num estreito conceito de deficincia. No caso concreto, falamos de crianas, das crianas do Faial e do Pico que tm perturbaes de desenvolvimento sobretudo ao nvel cognitivo. Crianas diferentes, que precisam de um sistema de sade, de ensino e de vida diferente; um sistema que as inclua em vez de as encaixar num compartimento parte, e lhes garanta a oportunidade de serem pessoas inteiras. por esse sistema que luta um grupo de pais com filhos diferentes, ao qual se juntaram tcnicos da rea social, cuja vontade comum de intervir para a mudana gerou o Movimento de Pais pela Incluso (apoiado pela APADIF

    f a z e n d o o f r i n g eE, fazendo, vamos. Entre um ano passado e um ano presente sente-se o crescendo do trabalho, o brotar de experincias, um aumento de esperanas. Tudo se resume ao simples instante onde se envia um querer e um espelho se nos mostra. Comea-se a fazer parte de um mundo desejado. Um mundo que aspiramos ser inteiro. Um mundo sem um nome, sem uma cor, sem um tom nem uma imagem. Um mundo onde tudo um completo tear, to completo que no tem precisa de rtulo: -o! E, fazendo, vamos. Uma ao aqui. Uma pessoa acol. Uma manh, tarde e noite. Uma madrugada. Todos os espaos entram na sintonia de um nico acorde de vontades. Uma sinestesia de vida. Uma dana de sentimentos. Uma curta de vibraes. Uma risada de criana. Um acorde de olhares. Uma mo amiga. Um apoio constante. Uma base sem medida. No final, no existe tempo controlado, no existe a real sujeio ao j. E, fazendo, vamos. Senta-se beira mar, em todo o mar que a vista alcana, e soletra-se a voz do pensamento. Expira-se a emoo da ocasio nos imaginrios tremores do mais querer. E, num abrao ao sol, num alar de pernas, numa subida pelos terrenos serpenteados, corrige-se a ansiedade intrnseca e sente-se a presena de existir. E, fazendo, vamos. Num s dia. Numa s semana. Numa s altura. E sem dias, nem semanas, nem alturas a existirem, cumpre-se o calor humano de levar os sonhos nossos s realidades dos outros. E, fazendo, vamos ao Fringe! C a r o l i N a C o r d E i r o

    Associao de Pais e Amigos dos Deficientes da ilha do Faial). O Movimento constituiu-se no incio deste ano e no mais parou: reunies de grupo, reunies com responsveis polticos partidrios e do governo regional ligados s reas da sade, da educao e da solidariedade, responsveis pela administrao das instituies de sade e ensino na ilha do Faial, tcnicos; iniciativas pblicas destinadas a mobilizar outros pais e a sensibilizar a comunidade para a causa (a ltima foi um mega-piquenique pela incluso que juntou volta de 200 pessoas, de todas as maneiras e feitios, no parque de campismo da Praia do Almoxarife,

    e deu novo flego ao Movimento) uma lufa-lufa! E uma constatao decepcionante: ao nvel mais elevado da deciso poltica que afecta a cadeia hierrquica de avaliao, diagnstico e tratamento das crianas com perturbaes de desenvolvimento, no Faial, o desconhecimento da realidade era confrangedor. Dizemos era, porque agora j nenhum responsvel poltico da regio com deveres pblicos nestas reas pode dizer que ignora os problemas existentes. Explicamos-lhe a si, aqui, telegraficamente, quais so esses problemas, para que o leitor tambm no os ignore: o processo de avaliao e diagnstico das perturbaes de desenvolvimento desesperantemente lento e a interveno precoce praticamente inexistente (uma coisa e outra, convm dizer, so essenciais para potenciar o crescimento destas crianas); o desgnio da escola inclusiva, consagrado na lei, no tem traduo prtica; o apoio dos servios pblicos, nomeadamente ao nvel do encaminhamento e acompanhamento clnico, , na maior parte dos casos, arrancado fora de muitas portas de gabinetes insistentemente batidas. Diante dos obstculos, o Movimento de Pais pela Incluso desencadeou o processo (irreversvel, espera-se) de iluminao de uma realidade quase subterrnea nesta pequena ilha. Acreditamos que a conjugao da vontade de todos - outros pais; todos os pais, polticos, governantes, tcnicos e tambm a sua, enquanto membro da comunidade ser capaz de impulsionar a transformao

    que dar origem, na prtica, a um trabalho tcnico de avaliao e tratamento multidisciplinar mais eficaz nas reas da pedopsiquiatria, da psicoterapia, da psicomotricidade, da terapia da fala, da terapia ocupacional, da integrao scio-profissional, etc. Coisas de que a partir de agora, quando ouvir falar, j sabe. E por isso nada poder apagar o concerto dos gritos, como diz mais adiante a Cantata da Paz da Sophia, e a sua voz poder sempre juntar-se daquele pai que inspirou o ttulo deste texto, assegurando ao filho autista: tu no s burro!M o v i M E N t o d E Pa i s P E l a i N C l U s o

  • 4j a f o n e c a :u m a n o d e p o i s