introducao biblica

of 263/263

Post on 13-Jan-2015

1.227 views

Category:

Education

32 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

 

TRANSCRIPT

  • 1. Norman L. Geisler William E. NixIntroduo Bblica Como a Bblia chegou at ns Digitalizao: Dumanehttp://semeadoresdapalavra.top-forum.net/portal.htm

2. Nossos e-books so disponibilizados gratuitamente, com a nica finalidade de oferecer leitura edificante a todos aqueles que no tem condies econmicas para comprar. Se voc financeiramente privilegiado, ento utilize nosso acervo apenas para avaliao, e, se gostar, abenoe autores, editoras e livrarias, adquirindo os livros.SEMEADORES DA PALAVRA e-books evanglicosISBN 85-7367-026-6 Categoria: Referncia Este livro foi publicado em ingls com o ttulo From God to us: how we got our Biblepor Moody Press 1974 por The Moody Bible Institute of Chicago 1997 por Editora Vida Tradutor: Oswaldo Ramos Editor: Fabiani Medeiros Todos os direitos reservados na lngua portuguesa por Editora Vida, Rua Jlio de Castilhos, 280 03059-000 So Paulo, SP Telefax (011) 292-8677 As citaes bblicas foram extradas da Edio Contempornea da Traduo de Joo Ferreira de Almeida, publicada pela Editora Vida. Capa: Citara Editora/Grace Arruda 3. contra-capaINTRODUO BBLICA Como a Bblia chegou at ns De onde nos veio a Bblia? Como podemos ter certeza de que s os livros certos foram includos na Bblia? A Bblia contm erros? Quais so as cpias mais antigas da Bblia de que dispomos? Como podemos ter certeza de que o texto da Bblia no foi mudando ao longo dos anos? Por que h tantas tradues da Bblia, e qual delas devo usar? Essas so apenas algumas das muitas perguntas importantes acerca da Bblia, cujas respostas so debatidas neste livro. Com simplicidade e clareza, os autores discutem os seguintes aspectos, dentre outros: a inspirao, o cnon bblico, os principais manuscritos, a crtica textual, as tradues mais antigas e as verses modernas. medida que vo cobrindo todo o campo da Introduo ao Estudo da Bblia, encontram-se por todas as pginas do livro explicaes cuidadosas dos pontos mais significativos. Este livro ideal para Seminrios e Institutos Bblicos, estudo bblico em grupo, para classes de Escola Dominical e para o estudo pessoal da Bblia. Norman L. Geisler catedrtico de Teologia Sistemtica no Seminrio Teolgico de Dallas. William E. Nix consultor editorial e educacional em Dallas, no Texas. 0214-3 Categoria: Referncia 4. Contedo 1. O carter da Bblia....................................................................................6 2. A natureza da inspirao.........................................................................15 3. A inspirao do Antigo Testamento ........................................................26 4. A inspirao do Novo Testamento ..........................................................40 5. Evidncias da inspirao da Bblia.........................................................52 6. As caractersticas da canonicidade .........................................................62 7. O desenvolvimento do cnon do Antigo Testamento .............................75 8. A extenso do cnon do Antigo Testamento ...........................................86 9. O desenvolvimento do cnon do Novo Testamento .............................102 10. A extenso do cnon do Novo Testamento .........................................113 11. As lnguas e os materiais da Bblia.....................................................126 12. Os principais manuscritos da Bblia ...................................................140 13. Outros testemunhos de apoio ao texto bblico....................................151 14. O desenvolvimento da crtica textual .................................................159 15. A recuperao do texto da Bblia........................................................175 16. Tradues e Bblias aramaicas, siracas e afins ..................................189 17. Tradues gregas e afins.....................................................................202 18. Tradues latinas e afins.....................................................................215 19. As primeiras tradues para o ingls ..................................................227 20. As tradues da Bblia para o ingls moderno ...................................241 21. As tradues para o portugus ............................................................255 5. 1. O carter da Bblia A Bblia um livro singular. Trata-se de um dos livros mais antigos do mundo e, no entanto, ainda o bestseller mundial por excelncia. produto do mundo oriental antigo; moldou, porm, o mundo ocidental moderno. Tiranos houve que j queimaram a Bblia, e os crentes a reverenciam. o livro mais traduzido, mais citado, mais publicado e que mais influncia tem exercido em toda a histria da humanidade. Afinal, que que constitui esse carter inusitado da Bblia? Como foi que ela se originou? Quando e como assumiu sua forma atual? Que significa "inspirao" da Bblia? So essas as perguntas para as quais se voltar o nosso interesse neste captulo introdutrio.A estrutura da Bblia A palavra Bblia (Livro) entrou para as lnguas modernas por intermdio do francs, passando primeiro pelo latim biblia, com origem no grego biblos. Originariamente era o nome que se dava casca de um papiro do sculo xi a.C. Por volta do sculo II d.C, os cristos usavam a palavra para designar seus escritos sagrados.Os dois testamentos da Bblia A Bblia compe-se de duas partes principais: o Antigo Testamento e o Novo Testamento. O Antigo Testamento foi escrito pela comunidade judaica, e por ela preservado um milnio ou mais antes da era de Jesus. O Novo Testamento foi composto pelos discpulos de Cristo ao longo do sculo I d.C. A palavra testamento, que seria mais bem traduzida por "aliana", traduo de palavras hebraicas e gregas que significam "pacto" ou "acordo" celebrado entre duas partes ("aliana"). Portanto, no caso da Bblia, temos o contrato antigo, celebrado entre Deus e seu povo, os judeus, e o pacto novo, celebrado entre Deus e os cristos. Estudiosos cristos frisaram a unidade existente entre esses dois 6. testamentos da Bblia sob o aspecto da Pessoa de Jesus Cristo, que declarou ser o tema unificador da Bblia.1 Agostinho dizia que o Novo Testamento acha-se velado no Antigo Testamento, e o Antigo, revelado no Novo. Outros autores disseram o mesmo em outras palavras: "O Novo Testamento est no Antigo Testamento ocultado, e o Antigo, no Novo revelado". Assim, Cristo se esconde no Antigo Testamento e desvendado no Novo. Os crentes anteriores a Cristo olhavam adiante com grande expectativa, ao passo que os crentes de nossos dias vem em Cristo a concretizao dos planos de Deus.As sees da Bblia A Bblia divide-se comumente em oito sees, quatro do Antigo testamento e quatro do Novo. LIVROS DO ANTIGO TESTAMENTO A lei (Pentateuco) 5 lvros Poesia 5 livros 1. Gnesis 2. xodo 3. Levtico 4. Nmeros 5. Deuteronmio1. J 2. Salmos 3. Provrbios 4. Eclesiastes 5. O Cntico dos CnticosHistoria 12 livros 1. Josu 2. Juzes 3. Rute 4. 1Samuel 5. 2Samuel 6. 1Reis 7. 2Reis 8. 1Crnicas 9. 2Crnicas 10. Esdras 11. Neemias 12. Ester1Profetas 17 livros A. MaioresB. Menores1. Isaas 2. Jeremias 3. Lamentaes 4. Ezequiel 5. Daniel1. Osias 2. Joel 3. Ams 4. Obadias 5. Jonas 6. Miquias 7. Naum 8. Habacuque 9. Sofonias 10. Ageu 11. Zacarias 12. MalaquiasV. Christ, the theme of the Bible, de Norman Geisler (Chicago, Moody Press, 1968). 7. LIVROS DO NOVO TESTAMENTO Evangelhos Histria 1. Mateus 2. Marcos 3. Lucas 4. Joo1. Atos dos ApstolosEpstolas 1. Romanos 2. 1Corntios 3. 2Corntios 4. Glatas 5. Efsios 6. Filipenses 7. Colossenses 8. 1Tessalonicenses 9. 2Tessalonicenses 10. 1Timteo 11. 2Timteo12. Tito 13. Filemom 14. Hebreus 15. Tiago 16. 1Pedro 17. 2Pedro 18. 1Joo 19. 2Joo 20. 3Joo 21. JudasProfecia 1. ApocalipseA diviso do Antigo Testamento em quatro sees baseia-se na disposio dos livros por tpicos, com origem na traduo das Escrituras Sagradas para o grego. Essa traduo, conhecida como a Verso dos septuaginta (LXX), iniciara-se no sculo III a.C. A Bblia hebraica no segue essa diviso tpica dos livros, em quatro partes. Antes, emprega-se uma diviso de trs partes, talvez baseada na posio oficial de seu autor. Os cinco livros de Moiss, que outorgou a lei, aparecem em primeiro lugar. Seguem-se os livros dos homens que desempenharam a funo de profetas Por fim, a terceira parte contm livros escritos por homens que, segundo se cria, tinham o dom da profecia, sem serem profetas oficiais. por isso que o Antigo Testamento hebraico apresenta a estrutura do quadro da pgina seguinte. A razo dessa diviso das Escrituras hebraicas em trs partes encontra-se na histria judaica. provvel que o testemunho mais antigo dessa diviso seja o prlogo ao livro Siraque, ou Eclesistico, durante o sculo II a.C. O Mishna(ensino) judaico, Josefo, o primeiro historiador judeu, e a tradio judaica posterior tambm deram prosseguimento a essa diviso trplice de suas Escrituras. 8. DISPOSIO DOS LIVROS DO ANTIGO TESTAMENTO HEBRAICO A lei (Tora) 1. Gnesis 2. xodo 3. Levtico 4. Nmeros 5. DeuteronmioOs profetas (Nebhiim) A. Profetas anterioresOs escritos (Kethubhim) A. Livros poticos1. Josu 2. Juzes 3. Samuel 4. Reis1. Salmos 2. Provrbios 3. JB. Profetas posteriores 1. Isaas 2. Jeremias 3. Ezequiel 4. Os DozeB. Cinco rolos (Megilloth) 1. O Cntico dos Cnticos 2. Rute 3. Lamentaes 4. Ester 5. EclesiastesC. Livros histricos1. Daniel 2. Esdras-Neemias 3. Crnicas Esta a disposio encontrada nas edies judaicas modernas do Antigo Testamento. Cf. The Holy Scrptures, according to the Masoretic Text e Bblia hebraica, organizada por Rudolph Kittel e Paul E. Kahle.O Novo Testamento faz uma possvel aluso a uma diviso em trs partes do Antigo Testamento, quando Jesus disse: "... era necessrio que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moiss, nos Profetas e nos Salmos" (Lc 24.44). A despeito do fato de o Judasmo ter mantido uma diviso trplice at a presente data, a Vulgata latina, de Jernimo, e as Bblias posteriores a ela seguiriam o formato mais tpico das quatro partes em que se divide a septuaginta. Se combinarmos essa diviso com outra, mais natural e largamente aceita, tambm de quatro partes, do Novo Testamento, a Bblia pode ser divida na estrutura geral e cristocntrica apresentada no quadro da pgina seguinte. Ainda que no existam razes de ordem divina para dividirmos a Bblia em oito partes, a insistncia crist em que as Escrituras devam ser entendidas tendo Cristo por centro baseia-se nos ensinos do prprio Cristo. Cerca de cinco vezes no Novo Testamento, Jesus afirmou ser ele prprio o tema do Antigo Testamento (Mt 5.17; Lc 24.27; Jo 5.39; Hb 10.7). Diante dessas declaraes, natural que analisemos essa diviso das Escrituras, em oito partes, por tpicos, sob o aspecto de seu tema maior Jesus Cristo. 9. Lei Antigo Testamento HistriaNovo TestamentoPoesia Profecia Evangelhos Atos Epstolas ApocalipseFundamento da chegada de Cristo Preparao para a chegada de Cristo Anelo pela chegada de Cristo Certeza da chegada de Cristo Manifestao de Cristo Propagao de Cristo Interpretao e aplicao de Cristo Consumao em CristoCaptulos e versculos da Bblia As Bblias mais antigas no eram divididas em captulos e versculos. Essas divises foram feitas para facilitar a tarefa de citar as Escrituras. Stephen Langton, professor da Universidade de Paris e mais tarde arcebispo da Canturia, dividiu a Bblia em captulos em 1227. Robert Stephanus, impressor parisiense, acrescentou a diviso em versculos em 1551 e em 1955. Felizmente, estudiosos judeus, desde aquela poca, adotaram essa diviso de captulos e versculos para o Antigo Testamento.A inspirao da Bblia A caracterstica mais importante da Bblia no sua estrutura e sua forma, mas o fato de ter sido inspirada por Deus. No se deve interpretar de modo errneo a declarao da prpria Bblia a favor dessa inspirao. Quando falamos de inspirao, no se trata de inspirao potica, mas de autoridade divina. A Bblia singular; ela foi literalmente "soprada por Deus". A seguir examinaremos o que significa isso.Uma definio de inspirao Embora a palavra inspirao seja usada apenas uma vez no Novo Testamento (2Tm 3.16) e outra no Antigo (J 32.8), o processo pelo qual Deus transmite sua mensagem autorizada ao homem apresentado de muitas maneiras. Um exame das duas grandes passagens a respeito da inspirao encontradas no Novo Testamento, poder ajudar-nos a entender o que significa a inspirao bblica. 10. Descrio bblica de Inspirao Assim escreveu Paulo a Timteo: "Toda Escritura divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justia" (2Tm 3.16). Em outras palavras, o texto sagrado do Antigo Testamento foi "soprado por Deus" (gr., theopneustos) e, por isso, dotado da autoridade divina para o pensamento e para a vida do crente. A passagem correlata de 1Corntios 2.13 reala a mesma verdade. Disto tambm falamos", escreveu Paulo, "no com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Esprito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais." Quaisquer palavras ensinadas pelo Esprito Santo so palavras divinamente inspiradas. A segunda grande passagem do Novo Testamento a respeito da inspirao da Bblia est em 2Pedro 1.21. "Pois a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens santos da parte de Deus falaram movidos pelo Esprito Santo." Em outras palavras, os profetas eram homens cujas mensagens no se originaram de seus prprios impulsos, mas foram "sopradas pelo Esprito". Pela revelao, Deus falou aos profetas de muitas maneiras (Hb 1.1): mediante anjos, vises, sonhos, vozes e milagres. Inspirao a forma pela qual Deus falou aos homens mediante os profetas. Mais um sinal de que as palavras dos profetas no partiam deles prprios, mas de Deus o fato de eles sondarem seus prprios escritos a fim de verificar "qual o tempo ou qual a ocasio que o Esprito de Cristo, que estava neles, indicava, ao dar de antemo testemunho sobre os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e sobre as glorias que os seguiriam" (l Pe 1.11). Fazendo uma combinao das passagens que ensinam sobre a inspirao divina, descobrimos que a Bblia inspirada no seguinte sentido: homens movidos pelo Esprito, escreveram palavras sopradas por Deus, as quais so a fonte de autoridade para a f e para a prtica crist. Vamos a seguir analisar com mais cuidado esses trs elementos da inspirao.Definio teolgica da inspiraoNa nica vez em que o Novo Testamento usa a palavra inspirao, ela se aplica aos escritos, no aos escritores. A Bblia que inspirada, e no seus autores humanos. O adequado, ento, dizer que: o produto e 11. inspirado os produtores no. Os autores indubitavelmente escreveram e Falaram sobre muitas coisas, como, por exemplo, quando se referiram a assuntos mundanos, pertinentes a esta vida, os quais no foram divinamente inspirados. Todavia, visto que o Esprito Santo, conforme ensina Pedro tomou posse dos homens que produziram os escritos inspirados, podemos, por extenso, referir-nos inspirao em sentido mais amplo. Tal sentido mais amplo inclui o processo total por que alguns homens, movidos pelo Esprito Santo, enunciaram e escreveram palavras emanadas boca do Senhor; e, por isso mesmo, palavras dotadas da autoridade divina. um processo total de inspirao que contm os trs elementos essenciais: a causalidade divina, a mediao proftica e a autoridade escrita. Causalidade divina. Deus a Fonte Primordial da inspirao da Bblia. O elemento divino estimulou o elemento humano. Primeiro Deus falou aos profetas e, em seguida, aos homens, mediante esses profetas. Deus revelou-lhes certas verdades da f, e esses homens de Deus as registraram. O primeiro fator fundamental da doutrina da inspirao bblica, e o mais importante, que Deus a fonte principal e a causa primeira da verdade bblica. No entanto, no esse o nico fator. Mediao proftica. Os profetas que escreveram as Escrituras no eram autmatos. Eram algo mais que meros secretrios preparados para anotar o que se lhes ditava. Escreveram segundo a inteno total do corao, segundo a conscincia que os movia no exerccio normal de sua tarefa, com seus estilos literrios e seus vocabulrios individuais. As personalidades dos profetas no foram violentadas por uma intruso sobrenatural. A Bblia que eles produziram a Palavra de Deus, mas tambm a palavra do homem. Deus usou personalidades humanas para comunicar proposies divinas. Os profetas foram a causa imediata dos textos escritos, mas Deus foi a causa principal. Autoridade escrita. O produto final da autoridade divina em operao por meio dos profetas, como intermedirios de Deus, a autoridade escrita de que se reveste a Bblia. A Escritura " divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justia". A Bblia a ltima palavra no que concerne a assuntos 12. doutrinrios e ticos. Todas as controvrsias teolgicas e morais devem ser trazidas ao tribunal da Palavra escrita de Deus. As Escrituras receberam sua autoridade do prprio Deus, que falou mediante os profetas. No entanto, so os escritos profticos e no os escritores desses textos sagrados que possuem e retm a resultante autoridade divina. Todos os profetas morreram; os escritos profticos prosseguem. Em suma, a definio adequada de inspirao precisa ter trs fatores fundamentais: Deus, o Causador original, os homens de Deus, que serviram de instrumentos, e a autoridade escrita, ou Sagradas Escrituras, que so o produto final.Algumas distines importantes A inspirao em contraste com a revelao e a iluminaoH dois conceitos inter-relacionados que nos ajudam a esclarecer, pela contraposio, o que significa inspirao. So eles a revelao e a iluminao. Revelao diz respeito exposio da verdade. Iluminao, devida compreenso dessa verdade descoberta. No entanto, a inspirao no consiste nem em uma, nem em outra. A revelao prende-se origem da verdade e sua transmisso; a inspirao relaciona-se com a recepo e o registro da verdade. A iluminao ocupa-se da posterior apreenso e compreenso da verdade revelada. A inspirao que traz a revelao escrita aos homens no traz em si mesma garantia alguma de que os homens a entendam. necessrio que haja iluminao do corao e da mente. A revelao uma abertura objetiva; a iluminao a compreenso subjetiva da revelao; a inspirao o meio pelo qual a revelao se tornou uma exposio aberta e objetiva. A revelao o fato da comunicao divina; a inspirao o meio; a iluminao, o dom de compreender essa comunicao.Inspirao dos originais, no das cpiasA inspirao e a conseqente autoridade da Bblia no se estendem automaticamente a todas as cpias e tradues da Bblia. S os manuscritos originais, conhecidos por autgrafos, foram inspirados por Deus. Os erros e as mudanas efetuados nas cpias e nas tradues no podem ser 13. atribudos inspirao original. Por exemplo, 2Reis 8.26 diz que Azarias tinha 22 anos de idade quando foi coroado rei, enquanto 2Crnicas 22.2 diz que tinha 42 anos. No possvel que ambas as informaes estejam corretas. O original autorizado; a cpia errnea no tem autoridade. Outros exemplos desse tipo de erro podem encontrar-se nas atuais cpias das Escrituras (e.g., cf. I Rs 4.26 e 2Cr 9.25). Portanto, uma traduo ou cpia s autorizada medida que reproduz com exatido os autgrafos. Veremos posteriormente at que ponto as cpias da Bblia so exatas (cap. 15), segundo a cincia da crtica textual. Por ora basta-nos observar que o grandioso contedo doutrinrio e histrico da Bblia tem sido transmitido de gerao a gerao, ao longo da histria, sem mudanas nem perdas substanciais. As cpias e as tradues da Bblia, encontradas no sculo xx, no detm a inspirao original, mas contm uma inspirao derivada, uma vez que so cpias fiis dos autgrafos. De uma perspectiva tcnica, s os autgrafos so inspirados; todavia, para fins prticos, a Bblia nas lnguas de nossa poca, por ser transmisso exata dos originais, a Palavra de Deus inspirada. Visto que os originais no mais existem, alguns crticos tm objetado inerrncia de autgrafos que no podem ser examinados e nunca foram vistos. Eles perguntam como possvel afirmar que os originais no continham erro, se no podem ser examinados. A resposta que a inerrncia bblica no um fato conhecido empiricamente, mas uma crena baseada no ensino da Bblia a respeito de sua inspirao, bem como baseada na natureza altamente precisa da grande maioria das Escrituras transmitidas e na ausncia de qualquer prova em contrrio. Afirma a Bblia ser a declarao de um Deus que no pode cometer erro. verdade que nunca se descobriram os originais infalveis da Bblia, mas tampouco se descobriu um nico autgrafo original falvel. Temos, pois, manuscritos que foram copiados com toda preciso e traduzidos para muitas lnguas, dentre as quais o portugus. Portanto, para todos os efeitos de doutrina e de dever, a Bblia como a temos hoje representao suficiente da Palavra de Deus, cheia de autoridade. Inspirao do ensino, mas no de todo o contedo da BbliaCumpre ressaltar tambm que s o que a Bblia ensina foi inspirado por Deus e no apresenta erro; nem tudo que est na Bblia ficou isento de erro. Por exemplo, as Escrituras contm o relato de muitos atos maus, 14. pecaminosos, mas de modo algum a Bblia os elogia; tampouco os recomenda. Ao contrrio, condena essas prticas malignas. A Bblia chega a narrar algumas das mentiras de Satans (e.g., Gn 3.4). Portanto, a simples existncia dessa narrao no significa que a Bblia ensine serem verdadeiras essas mentiras. A nica coisa que a inspirao divina garante aqui que se trata de um registro verdadeiro de uma mentira satnica, de uma perversidade real de Satans. s vezes no est perfeitamente claro se a Bblia registra apenas um mero relato do que algum disse ou fez, ou se ela est ensinando que devemos proceder de igual forma. Por exemplo, estar a Bblia ensinando que tudo quanto os amigos de J disseram verdade? Seriam todos os ensinos daquele homem "debaixo do sol", em Eclesiastes, ensino de Deus ou mero registro fiel de pensamentos vos? Seja qual for a resposta, o estudante da Bblia admoestado a no julgar verdadeiro tudo quanto a Bblia afirma s por ter aparncia de verdade. O estudante da Bblia precisa procurar seu verdadeiro ensino, sem atribuir verdade a tudo quanto est escrito em suas pginas. De fato, a Bblia registra muitas coisas que ela de modo algum recomenda, como a assero: "No h Deus" (Sl 14.1). Em todas as passagens, o que a Bblia est declarando deve ser estudado com cuidado, a fim de se apurar o que ela est ensinando na verdade. S o que a Bblia ensina que inspirado, e no todas as palavras relacionadas a todo o seu contedo. Resumindo, a Bblia um livro incomum. Compe-se de dois testamentos formados de 66 livros, os quais declaram ou comprovam a inspirao divina. Com inspirao queremos dizer que os manuscritos originais da Bblia nos foram concedidos pela revelao de Deus e, exatamente por isso, detm a absoluta autoridade de Deus, para formar o pensamento e a vida crist. Isso significa que tudo quanto a Bblia ensina constitui tribunal de apelao infalvel. O prximo tpico de estudo diz respeito natureza exata da inspirao da Bblia.2. A natureza da inspirao O primeiro grande elo da cadeia comunicativa "de Deus para ns" chama-se inspirao. H diversas teorias a respeito da inspirao. Algumas 15. delas no se coadunam com o ensino bblico sobre o assunto. Nosso propsito, portanto, neste captulo, tem dois aspectos: primeiro, examinar as teorias a respeito da inspirao e, segundo, apurar com a mxima preciso o que est implcito no ensino da Bblia a respeito de sua prpria inspirao.As vrias teorias a respeito da inspirao Ao longo da histria, as teorias a respeito da inspirao da Bblia tm variado segundo as caractersticas essenciais de trs movimentos teolgicos: a ortodoxia, o modernismo e a neo-ortodoxia. Ainda que essas trs perspectivas no se limitem a um nico perodo, suas manifestaes primordiais so caractersticas de trs perodos sucessivos na histria da igreja. Na maior parte dessa histria, prevaleceu a viso ortodoxa, a saber: a Bblia a Palavra de Deus. Com o surgimento do modernismo, muitas pessoas vieram a crer que a Bblia meramente contm a Palavra de Deus. Mais recentemente, sob a influncia do existencialismo contemporneo, os telogos neo-ortodoxos tm ensinado que a Bblia torna-se a Palavra de Deus quando a pessoa tem um encontro pessoal com Deus em suas pginas.Ortodoxia: a Bblia a Palavra de DeusPor cerca de 18 sculos de histria da igreja, prevaleceu a opinio ortodoxa da inspirao divina. Os pais da igreja, em geral, com raras manifestaes menos importantes em contrrio, ensinaram firmemente que a Bblia a Palavra de Deus escrita. Telogos ortodoxos ao longo dos sculos vm ensinando, todos de comum acordo, que a Bblia foi inspirada verbalmente, i.e., o registro escrito por inspirao de Deus. No entanto, tem havido tentativas de procurar explicao para o fato de o registro escrito ser a Palavra de Deus ao mesmo tempo que o Livro obviamente foi composto por autores humanos, dotados de estilos pessoais diferentes uns dos outros; essas tentativas conduziram os estudiosos ortodoxos a duas opinies divergentes. Alguns abraaram a idia do "ditado verbal", afirmando que os autores humanos da Bblia registraram apenas o que Deus lhes havia ditado, palavra por palavra. De outro lado, esto os 16. estudiosos que preferiam a teoria do "conceito inspirado", segundo a qual Deus s concedeu aos autores pensamentos inspirados, e os autores tiveram liberdade de revesti-los com palavras prprias. Ditado verbal. Na obra de John R. Rice, Our God-breathed book the Bible [Nosso livro soprado por Deus a Bblia),2 encontramos uma apresentao clara e bem ordenada do ditado verbal. O autor descarta a idia de que o ditado verbal seja mecnico, sustentando que Deus ditou sua Palavra mediante a personalidade do autor humano. que Deus, por sua atuao especial e providncia, foi quem formou as personalidades sobre as quais posteriormente o Esprito Santo haveria de soprar seu ditado palavra por palavra. Assim, argumenta Rice, Deus havia preparado de antemo os estilos particulares que ele prprio desejava, a fim de produzir as palavras exatas, ao usar estilos e vocabulrios predeterminados, encontrveis nos diferentes autores humanos. .O resultado final, ento, foi um ditado palavra por palavra da parte de Deus, as Escrituras Sagradas. Conceitos inspirados. Em sua Systematic theology [Teologia sistemtica], A. H. Strong apresenta uma viso que vem sendo denominada inspirao conceitual.3 Deus teria inspirado apenas os conceitos, no as expresses literrias particulares com que cada autor concebeu seus textos. Deus teria dado seus pensamentos aos profetas, que tiveram toda a liberdade de exprimi-los em seus termos humanos. Dessa maneira, Strong esperava evitar quaisquer implicaes mecanicistas derivadas do ditado verbal e ainda preservar a origem divina das Escrituras. Deus concedeu a inspirao conceitual, e os homens de Deus forneceram a expresso verbal caracterstica de seus estilos prprios.Modernismo: a Bblia CONTM a Palavra de DeusAo surgir o idealismo germnico e a crtica da Bblia (v. cap. 14), surgiu tambm uma nova viso evoluda da inspirao bblica, a par do modernismo ou liberalismo teolgico. Opondo-se opinio ortodoxa tradicional de que a Bblia a Palavra de Deus, os modernistas ensinam que a Bblia meramente contm a Palavra de Deus. Certas partes dela so 2 3Murfreesboro, Sword of tht Lord, 1969 Grand Rapids, Revell, 1907 17. divinas, expressam a verdade, mas outras so obviamente humanas e apresentam erros. Tais autores acham que a Bblia foi vtima de sua poca, exatamente como acontece a quaisquer outros livros. Afirmam que ela teria incorporado muito das lendas, dos mitos e das falsas crenas relacionadas cincia. Sustentam ento que, pelo fato de esses elementos no terem sido inspirados por Deus, devem ser rejeitados pelos homens iluminados de hoje; tais erros seriam resqucios de uma mentalidade primitiva indigna de fazer parte do credo cristo. S as verdades divinas, entremeadas nessa mistura de ignorncia antiga e erro grosseiro, que de facto teriam sido inspiradas por Deus. O Conceito da iluminao. Defendem alguns estudiosos que as "partes inspiradas" da Bblia resultam de uma espcie de iluminao divina, Mediante a qual Deus teria concedido uma profunda percepo religiosa a alguns homens piedosos. Tais percepes teriam sido usufrudas com diferentes gradaes de compreenso, tendo sido registradas com mistura de idias religiosas errneas e crendices da cincia, comuns naqueles dias. Da resultaria um livro, a Bblia, que expressa vrios graus de inspirao, dependendo da profundidade da iluminao religiosa experimentada por qualquer dos autores. O conceito da intuio. Na outra extremidade da viso modernista esto os estudiosos que negam totalmente a existncia de algum elemento divinos na composio da Bblia. Para eles a Bblia no passa de um caderno de rascunho em que os judeus registravam suas lendas, histrias, poemas etc., sem nenhum valor histrico.4 O que alguns denominam inspirao divina no seria outra coisa seno intensa intuio humana. Dentro desse folclore judaico a que se deu o nome de Bblia, encontram-se alguns exemplos significativos de elevada moral e de gnio religioso. Todavia, essas percepes espirituais so puramente naturalistas. Em absolutamente nada, passam de intuio humana; no existiria inspirao sobrenatural, tampouco iluminao.4Henrik W. van LOON, Story of the Bible, Garden City, Garden City, 1941, p. 227 18. Neo-Ortodoxia: a Bblia torna-se a Palavra de DeusNo incio do sculo xx, a reviravolta nos acontecimentos mundiais e a influncia do pai dinamarqus do existencialismo, Soren Kierkegaard, deram origem a uma nova reforma na teologia europia. Muitos estudiosos comearam a voltar-se de novo para as Escrituras, a fim de ouvir nelas a voz de Deus. Sem abrir mo de suas opinies crticas a respeito da Bblia, comearam a levar a Bblia a srio, por ser a fonte da revelao de Deus aos homens. Criando um novo tipo de ortodoxia, afirmavam que Deus fala aos homens mediante a Bblia; as Escrituras tornam-se a Palavra de Deus num encontro pessoal entre Deus e o homem. semelhana das outras teorias a respeito da inspirao da Bblia, a neo-ortodoxia desenvolveu duas correntes. Na extremidade mais importante estavam os demitizadores, que negam todo e qualquer contedo religioso importante, factual ou histrico, nas pginas da Bblia, e crem apenas na preocupao religiosa existencial sobre a qual medram os mitos. Na outra extremidade, os pensadores de tendncia mais evanglica tentam preservar a maior parte dos dados factuais e histricos das Escrituras, mas sustentam que a Bblia de modo algum revelao de Deus. Antes, Deus se revela na Bblia nos encontros pessoais; no, porm, de maneira proposicional. Viso demitizante. Rudolf Bultmann e Shubert Ogden so representantes caractersticos da viso demitizante. Ambos diferem entre si, uma vez que Ogden no v nenhum cerne histrico que d consistncia aos mitos da Bblia, embora Bultmann consiga enxergar isso. Ambos concordam em que a Bblia foi escrita em linguagem mitolgica, a da poca de seus autores, poca j passada e obsoleta. A tarefa do cristo moderno demitizar a Bblia, ou seja, despi-la de seus trajes lendrios, mitolgicos, e descobrir o conhecimento existencial a ela subjacente. Afirma Bultmann que, a partir do momento que a Bblia despida desses mitos religiosos, a pessoa encontra a verdadeira mensagem do amor sacrificial de Deus em Cristo. No necessrio que a pessoa se prenda a uma revelao objetiva, histrica e proposicional, a fim de experimentar essa verdade pessoal e subjetiva. Da decorre que a Bblia torna-se a revelao de Deus aos homens, mediante uma interpretao adequada (i.e., demitizada), quando a pessoa depara com o amor absoluto, exposto no mito do amor 19. altrusta de Deus em Cristo. Por isso, a Bblia em si mesma no revelao alguma; apenas uma expresso primitiva, mitolgica, mediante a qual Deus se revela pessoalmente, desde que demitizado da maneira correta. Encontro pessoal. A outra corrente da neo-ortodoxia, representada por Karl Barth e Emil Brunner, nutre uma viso mais ortodoxa das Escrituras. Barth reconhece que existem algumas imperfeies no registro escrito (at mesmo nos autgrafos) e, no entanto, afirma que a Bblia a fonte da revelao de Deus.5 Afirma ele que Deus nos fala mediante a Bblia-que ela o veculo de sua revelao. Assim como um co ouve a voz de seu dono, gravada de modo imperfeito na gravao de uma fita ou disco, assim tambm o cristo pode ouvir a voz de Deus que ressoa nas Escrituras. Afirma Brunner que a revelao de Deus no proposicional (i.e., feita por meio de palavras).6 Assim, a Bblia, como se nos apresenta deixa de ser uma revelao de Deus, passando a ser mero registro da revelao pessoal de Deus aos homens de Deus em eras passadas. Todavia, sempre que o homem moderno se encontra com Deus, mediante as Escrituras Sagradas, a Bblia torna-se a Palavra de Deus para ns. Em contraposio viso ortodoxa, para os telogos neo-ortodoxos a Bblia no seria um registro inspirado. Antes, um registro imperfeito, que apesar dessa mesma imperfeio, constitui o testemunho singular da revelao de Deus. Quando Deus surge no registro escrito, de maneira pessoal, a fim de falar ao leitor, a Bblia nesse momento torna-se a Palavra de Deus para esse leitor.O ensino bblico a respeito da inspirao Muitas objees tm sido levantadas contra as vrias teorias da inspirao, as quais partem de diferentes concepes, tendo variados graus de legitimidade, dependentemente do ngulo de observao da pessoa que as formula. Visto que o objetivo deste estudo levar o leitor a compreender o carter da Bblia, o critrio analtico que escolhemos visa a avaliar todas essas teorias, levando em considerao o que as Escrituras revelam a 5 6Doctrine of the Word of God, Naperville, Allenson, 1956, v. 1 (Church dogmatics), p.592-5. Theology of crisis New York, Scribner, 1929, p, 41 20. respeito de sua prpria inspirao. Comecemos com o que a Bblia ensina formalmente sobre essa questo e, depois, examinemos o que se acha logicamente implcito nesse ensino.O que a prpria Bblia ensina a respeito de sua inspiraoNo captulo anterior examinamos de modo genrico o ensino de dois grandes textos do Novo Testamento a respeito da inspirao (2Tm 3.16 e 2Pe 1.21). A Bblia declara ser um livro dotado de autoridade divina, resultante de um processo pelo qual homens movidos pelo Esprito Santo escreveram textos inspirados (soprados) por Deus. Vamos agora examinar em mincias o que significa essa declarao. A inspirao verbal. Independentemente de outras afirmaes que possam ser formuladas a respeito da Bblia, fica bem claro que esse livro reivindica para si mesmo esta qualidade: a inspirao verbal. O texto clssico de 2Timteo 3.16 declara que as graph, i.e., os textos, que so inspiradas. "Moiss escreveu todas as palavras do Senhor..." (x 24.4). O Senhor ordenou a Isaas que escrevesse num livro a mensagem eterna de Deus (Is 30.8). Davi confessou: "O Esprito do Senhor fala por mim, e a sua palavra est na minha boca" (2Sm 23.2). Era a palavra do Senhor que chegava aos profetas nos tempos do Antigo Testamento. Jeremias recebeu esta ordem: "... no te esqueas de nenhuma palavra" (Jr 26.2). No Novo Testamento, Jesus e seus apstolos ressaltaram a revelao registrada ao usar repetidamente a expresso "est escrito" (v. Mt 4.4,7; Lc 24.27,44). O apstolo Paulo testemunhou: "... falamos, no com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Esprito Santo ensina..." (1Co 2.13). Joo nos adverte quanto a no "tirar quaisquer palavras do livro desta profecia" (Ap 22.19). As Escrituras (i.e., os escritos) do Antigo Testamento so continuamente mencionadas como Palavra de Deus. No clebre sermo da montanha, Jesus declarou que no s as palavras, mas at mesmo os pequeninos sinais diacrticos de uma palavra hebraica vieram de Deus: "Em verdade vos digo que at que a terra e o cu passem, nem um jota ou um til se omitir da lei, sem que tudo seja cumprido" (Mt 5.18). Portanto, o que quer que se diga como teoria a respeito da inspirao das Escrituras, fica bem claro que a Bblia reivindica para si mesma toda a autoridade verbal ou escrita. Diz a Bblia que suas palavras vieram da parte 21. de Deus. A inspirao plena. A Bblia reivindica a inspirao divina de todas as suas partes. inspirao plena, total, absoluta. "Toda Escritura divinamente inspirada..." (2Tm 3.16). Nenhuma parte das Escrituras deixou de receber total autoridade doutrinria. A Escritura toda (i.e., o Antigo Testamento integralmente), escreveu Paulo, " divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justia" (2Tm 3.16). E foi alm, ao escrever: "... tudo o que outrora foi escrito, para o nosso ensino foi escrito" (Rm 15.4). Jesus e todos os autores do Novo Testamento exemplificam amplamente sua crena firme na inspirao integral e completa do Antigo Testamento, citando trechos de todas as Escrituras que eram para eles de autoridade, at mesmo os que apresentam ensinos fortemente polmicos. A criao de Ado e de Eva, a destruio do mundo pelo dilvio, o milagre de Jonas e o grande peixe e muitos outros acontecimentos so mencionados por Jesus deixando bem clara a autoridade deles (v. cap. 3). Todo trecho das Sagradas Escrituras reivindica total e completa autoridade. A inspirao da Bblia plena. claro que a inspirao plena estende-se apenas aos ensinos dos autgrafos, como j afirmamos (cap. 1). Todavia, tudo quanto a Bblia ensina, quer no Antigo, quer no Novo Testamento, integralmente dotado de autoridade divina. Nenhum ensino das Escrituras deixou de ter origem divina. O prprio Deus inspirou as palavras usadas para exprimir os ensinos profticos. Repitamos: a inspirao plena, a saber, completa e integral, abrangendo todas as partes da Bblia. A inspirao atribui autoridade. Fica, pois, saliente o fato de que a inspirao concede autoridade indiscutvel ao texto ou documento escrito. Disse Jesus: "... a Escritura no pode ser anulada..." (Jo 10.35). Em numerosas ocasies o Senhor recorreu Palavra de Deus escrita, que ele considerava rbitro definitivo em questes de f e de prtica. O Senhor recorreu s Escrituras como a autoridade para ele purificar o templo (Mc 11.17), para pr em cheque a tradio dos fariseus (Mt 15.3,4) e para resolver divergncias doutrinrias (Mt 22.29). At mesmo Satans foi repreendido por Cristo mediante a autoridade da Palavra escrita de Deus: 22. "Est escrito [...] Est escrito [...] Est escrito...". Jesus contra-atacou as tentaes de Satans com a Palavra de Deus escrita (Mt 4.4,7,10). Algumas vezes, Jesus declarou o seguinte: "... era necessrio que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moiss, nos Profetas e nos Salmos" (Lc 24.44). Todavia, em outra declarao de Jesus que encontramos apoio ainda mais forte do Senhor autoridade inquestionvel das Escrituras: " mais fcil passar o cu e a terra do que cair um til sequer da lei" (Lc 16.17). A Palavra de Deus no pode ser anulada. Provm de Deus e est envolta na autoridade divina que o prprio Deus lhe concedeu.Implicaes da doutrina bblica da InspiraoH certos fatos que, embora no formalmente apresentados na doutrina da inspirao, acham-se implcitos. Vamos tratar aqui de trs deles: a igualdade entre o Antigo e o Novo Testamento, a variedade da expresso literria e a inerrncia do texto. A inspirao diz respeito igualmente ao Antigo e ao Novo Testamento. A maioria das passagens citadas acima a respeito da natureza plena da inspirao refere-se diretamente ao Antigo Testamento. Com base em que, ento, podem aplicar-se (por extenso) ao Novo Testamento? A resposta a essa pergunta que o Novo Testamento, semelhana do Antigo, reivindica a virtude de ser Escritura Sagrada, escrito proftico, e toda a Escritura e todos os escritos profticos devem ser considerados inspirados por Deus. De acordo com 2Timteo 3.16, toda a Escritura inspirada. Ainda que a referncia explcita, aqui, refira-se ao Antigo Testamento, verdade que o Novo Testamento tambm deve ser considerado Escritura Sagrada. Pedro, por exemplo, classifica as cartas de Paulo como parte das "outras Escrituras" do Antigo Testamento (2Pe 3.16). Em 1Timteo 5.16, Paulo cita o evangelho de Lucas (10.7), referindo-se a ele como "Escritura". Tal fato mais significativo ainda quando consideramos que nem Lucas, nem Paulo fizeram parte do grupo dos doze apstolos. Visto que as cartas de Paulo e os escritos de Lucas (Lucas e Atos; v. At 1.1, Lc 1.1-4) foram classificados como Escritura Sagrada, por implicao direta o resto do Novo Testamento, escrito pelos apstolos, tambm considerado Escritura 23. Sagrada. Em suma, se "toda Escritura divinamente inspirada" e o Novo Testamento considerado Escritura, decorre disso claramente que o Novo Testamento encarado com a mesma autoridade do Antigo. Na verdade, exatamente assim que os cristos, desde o tempo dos apstolos, tm considerado o Novo Testamento. Eles o consideravam com a mesma autoridade do Antigo Testamento. Alm disso, de acordo com 2Pedro 1.20,21, todas as mensagens escritas de natureza proftica foram dadas ou inspiradas por Deus. E, visto que o Novo Testamento reivindica a natureza de mensagem proftica, segue-se que ele tambm reclama autoridade igual dos escritos profticos do Antigo Testamento. Joo, por exemplo, refere-se ao livro do Apocalipse da seguinte forma: "palavras da profecia deste livro" (Ap 22.18). Paulo afirmou que a igreja estava edificada sobre o alicerce dos apstolos e profetas do Novo Testamento (Ef 2.20; 3.5). Visto que o Novo Testamento, semelhana do Antigo, um texto dos profetas de Deus, ele possui por essa razo a mesma autoridade dos textos inspirados do Antigo Testamento. A inspirao abarca uma variedade de fontes e de gneros literrios. O fato de a inspirao ser verbal, ou escrita, no exclui o uso de documentos literrios e de gneros literrios diferentes entre si. As Escrituras Sagradas no foram ditadas palavra por palavra, no sentido comum que se atribui ao verbo ditar. Na verdade, h certos trechos menores da Bblia, como, por exemplo, os Dez Mandamentos, que Deus outorgou diretamente ao homem (v. Dt 4.10), mas em parte alguma est escrito ou fica implcito que a Bblia resultante de um ditado palavra por palavra. Os autores das Sagradas Escrituras eram escritores e compositores, no meros secretrios, amanuenses ou estengrafos. H vrios fatores que contriburam para a formao das Escrituras Sagradas e do forte apoio a essa afirmativa. Em primeiro lugar, existe uma diferena marcante de vocabulrio e de estilo de um escritor para outro. Comparem-se as poderosas expresses literrias de Isaas com os tons lamurientos de Jeremias. Compare-se a construo literria de suma complexidade, encontrada em Hebreus, com o estilo simples de Joo. Distinguimos facilmente a linguagem tcnica de Lucas, o mdico amado, da linguagem de Tiago, formada de imagens pastorais. 24. Em segundo lugar, a Bblia faz uso de documentos no-bblicos, como o Livro de Jasar (Js 10.13; 2Sm 1.18), o livro de Enoque (Jd 14) e at o poeta Epimnedes (At 17.28). Somos informados de que muitos dos provrbios de Salomo haviam sido editados pelos homens de Ezequias (Pv 25.1). Lucas reconhece o uso de muitas fontes escritas sobre a vida de Jesus, na composio de seu prprio evangelho (Lc 1.1-4). Em terceiro lugar, os autores bblicos empregavam vasta variedade de gneros literrios; tal fato no caracteriza um ditado montono em que as palavras so pronunciadas uma aps a outra, segundo o mesmo padro. Grande parte das Escrituras formada de poesia (e.g., J, Salmos, Provrbios). Os evangelhos contm muitas parbolas. Jesus empregava a stira (v. Mt 19.24), Paulo usava alegorias (Gl 4) e at hiprboles (Cl 1.23), ao passo que Tiago gostava de usar metforas e smiles. Por fim, a Bblia usa a linguagem simples do senso comum, do dia-adia, que salienta a ocorrncia de um acontecimento, no a linguagem de fundamento cientfico. Isso no significa que os autores usassem linguagem anticientfica ou negadora da cincia, e sim linguagem popular para descrever fenmenos cientficos. No mais anticientfico afirmar que o sol permaneceu parado (Js 10.12) do que dizer que o sol nasceu ou subiu (Js 1.15). Dizer que a rainha de Sab veio "dos confins da terra" ou que as pessoas no Pentecostes vieram "de todas as naes debaixo do cu" no dizer coisas com exatido cientfica. Os autores usaram formas comuns, gramaticais de expressar seu pensamento sobre os assuntos. Por isso, o que quer que fique implcito na doutrina dos escritos inspirados, os dados das Escrituras mostram com clareza que elas incluem o emprego de grande variedade de fontes literrias e de estilos de expresso. Nem todas as mensagens vieram diretamente de Deus, mediante ditado. Tampouco foram expressas de modo uniforme e literal. preciso que se entenda a inspirao da perspectiva histrica e gramatical. A inspirao no pode ser entendida como um ditado uniforme, ainda que divino, que exclua os recursos, a personalidade e as variadas formas humanas de expresso. Inspirao pressupe inerrncia. A Bblia no s inspirada; tambm, por causa de sua inspirao, inerrante, i.e., no contm erro. Tudo quanto Deus declara verdade isenta de erro. Com efeito, as Escrituras 25. afirmam ser a declarao (alis, as prprias palavras) de Deus. Nada do que a Bblia ensina contm erro, visto que a inerrncia conseqncia lgica da inspirao divina. Deus no pode mentir (Hb 6.18); sua Palavra a verdade (Jo 17.17). Por isso, seja qual for o assunto sobre o qual a Bblia diga alguma coisa, ela s dir a verdade. No existem erros histricos nem cientficos nos ensinos das Escrituras. Tudo quanto a Bblia ensina vem de Deus e, por isso, no tem a mcula do erro. No possvel refugir s implicaes da inerrncia factual com a declarao de que a Bblia nada tem para dizer a respeito de assuntos factuais ou histricos. Grande parte da Bblia apresenta-se como histria. Bastam as tediosas genealogias para atestar essa realidade. Alguns dos maiores ensinos da Bblia, como a criao, o nascimento virginal de Cristo, a crucificao e a ressurreio corprea, claramente pressupem matrias factuais. No existem meios de "espiritualizar" a natureza factual e histrica dessas verdades bblicas, sem praticar violncia terrvel contra a anlise honesta do texto, da perspectiva cultural e gramatical. A Bblia no um compndio de Cincias, mas, quando trata de assuntos cientficos em seu ensino, o faz sem cometer erro. A Bblia no um compndio de Histria, mas, sempre que a histria secular se cruza com a histria sagrada em suas pginas, a Bblia faz referncia a ela sem cometer erro. Se a Bblia no fosse inerrante e no estivesse certa nas questes factuais, empricas, comprovveis, de que maneira seria possvel confiar nela em questes espirituais, no sujeitas a testes? Como disse Jesus a Nicodemos: "Se vos falei de coisas terrestres, e no crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?" (Jo 3.12).3. A inspirao do Antigo Testamento Ser que a Bblia realmente se diz inspirada ou seria essa idia mera reivindicao feita pelos crentes a respeito deste livro? Falando mais especificamente, ser que cada parte ou cada livro da Bblia se diz inspirado? Nos prximos dois captulos estaremos tentando responder a essas perguntas. Primeiramente, examinemos a reivindicao do Antigo Testamento a favor de sua inspirao. 26. A reivindicao do Antigo Testamento a favor de sua inspirao O Antigo Testamento vindica para si a inspirao divina, com base no fato de se apresentar perante o povo de Deus e ser por esse povo recebido como pronunciamento proftico. Os livros escritos pelos profetas de Deus eram conservados em lugar sagrado. Moiss colocara sua lei na arca de Deus (Dt 10.2). Mais tarde, ela seria mantida no tabernculo, para ensino das geraes futuras (Dt 6.2). Cada profeta, depois de Moiss, acrescentou seus escritos sagrados coleo existente. Alis, o segredo da inspirao do Antigo Testamento est na funo proftica de seus escritores.O Antigo Testamento na qualidade de texto profticoO profeta era o porta-voz de Deus. As funes do profeta ficam esclarecidas nas vrias menes que a ele se fazem. O profeta era chamado homem de Deus (1Rs 12.22), o que revela ser ele escolhido por Deus; era chamado servo do Senhor (1Rs 14.18), o que mostra sua ocupao; mensageiro do Senhor (Is 42.19), o que assinala sua misso a servio de Deus; vidente (Is 30.10), o que revela a fonte apocalptica de sua verdade; homem do Esprito (Os 9.7), o que demonstra quem o levava a falar; atalaia (Ez 3.17), o que manifesta sua prontido em realizar a obra de Deus. Acima de todas as designaes, entretanto, sobressai a de "profeta", ou seja, o porta-voz de Deus. Em razo do prprio chamado, o profeta era algum que se sentia como Amos "Falou o Senhor Deus, quem no profetizar?" (Am 3.8) ou como outro profeta, que disse: "... eu no poderia desobedecer ordem do Senhor meu Deus, para fazer coisa pequena ou grande" (Nm 22.18). Assim como Aro havia sido profeta ou porta-voz de Moiss (x 7.1), pois deveria falar "todas as palavras que o Senhor havia dito a Moiss" (x 4.30), assim tambm os profetas de Deus deveriam falar somente aquilo que o Senhor lhes ordenasse. Assim dissera Deus aos profetas: "Porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falar tudo o que eu lhe ordenar" (Dt 18.18). Alm disso: "Nada acrescentareis ao que vos ordeno, e nada diminuireis" (Dt 4.2). Em suma, profeta era aquele que dava a saber o que Deus lhe havia revelado. Os falsos profetas eram identificados graas s suas profecias falsas e pela falta de confirmao miraculosa. Assim declara o livro de 27. Deuteronmio: "Quando o tal profeta falar em nome do Senhor, e o que disse no acontecer nem se realizar, essa palavra no procede do Senhor" (Dt 18.22). Sempre que se punha em dvida um profeta ou se exigia sua confirmao, Deus deixava claro, por meio de milagres, a quem havia chamado. A terra se fendeu e tragou a Core e aos demais que contestaram a vocao de Moiss (Nm 26.10). Elias foi exaltado sobre os profetas de Baal, quando estes pereceram no fogo cado do cu (1Rs 18.38). At mesmo os magos do Egito reconheceram os milagres divinos realizados por meio de Moiss, quando disseram: "... Isto o dedo de Deus..." (x 8.19). Sempre ficou bem claro na funo do profeta de Deus que o que dizia era palavra da parte de Deus. Veremos, pois, que as passagens do Antigo Testamento eram consideradas declaraes profticas. H vrias maneiras de comprovarmos tal enunciado. As declaraes profticas eram escritas. Muitas declaraes profticas eram transmitidas oralmente, mas interessa-nos aqui o fato de que muitas delas eram registradas, sendo esses registros considerados declaraes do prprio Deus. No h a menor dvida de que as palavras escritas de Moiss fossem consideradas dotadas de autoridade divina. "No se aparte da tua boca o livro desta lei" (Js l.8) foi a exortao aos filhos de Israel. Josu, sucessor de Moiss, tambm "escreveu estas palavras no livro da lei de Deus" (Js 24.26). Quando o rei queimou a primeira mensagem escrita que Jeremias lhe enviara, o Senhor ordenou ao seu profeta: "Toma ainda outro rolo, e escreve nele todas as palavras que estavam no primeiro rolo" (Jr 36.28). O profeta Isaas recebeu esta ordem: "Toma um grande rolo, e escreve nele" (Is 8.1). De modo semelhante, Habacuque recebeu esta ordem da parte de Deus: "Escreve a viso, e torna-a bem legvel sobre tbuas, para que aquele que a ler, corra com ela" (Hc 2:2). Os profetas posteriores usavam os escritos dos profetas que os antecederam considerando-os Palavra de Deus escrita. Daniel ficou sabendo que o exlio babilnico de seu povo estava chegando ao fim ao ler a profecia de Jeremias. Assim escreveu o profeta Daniel: "Eu, Daniel, entendi pelos livros que o nmero de anos, de que falou o Senhor ao profeta Jeremias..." (Dn 9.2). 28. Os escritores do Antigo Testamento eram profetas. Todos os autores tradicionais do Antigo Testamento so denominados profetas, seja como ttulo, seja como funo. Nem todos eram profetas por ter estudado para isso, mas todos possuam o dom da profecia. Assim confessou Amos: "... Eu no era profeta, nem filho de profeta [...]. Mas o Senhor [...] me disse: Vai, profetiza ao meu povo Israel" (Am 7.14,15). Davi, a quem se atribui a criao de quase metade dos salmos, exercia a funo de rei. No entanto, assim testificou esse rei: "O Esprito do Senhor fala por mim, e a sua palavra est na minha boca" (2Sm 23.2). O Novo Testamento acertadamente o denomina profeta (At 2.30). De modo semelhante, o rei Salomo, autor dos livros de Cntico dos Cnticos, Provrbios e Eclesiastes, teve vises da parte do Senhor (1Rs 11.9). De acordo com Nmeros 12.6, as vises eram um meio de Deus mostrar ao povo quem eram seus profetas. Embora Daniel fosse estadista, o prprio Senhor Jesus o denominou profeta (Mt 24.15). Moiss, o grande legislador e libertador de Israel, denominado profeta (Dt 18.15; Os 12.13). Josu, sucessor de Moiss, era considerado profeta de Deus (Dt 34:9). Samuel, Nata e Gade foram profetas que escreveram (1Cr 29.29), da mesma forma que Isaas, Jeremias, Ezequiel e os doze profetas menores. Manteve-se um registro oficial dos escritos profticos. Comprovadamente no h registros de escritos no-profticos conservados a par da compilao sagrada, que teve incio com a lei de Moiss. Parece que houve continuidade de profetas, e cada um acrescentava seu prprio livro aos escritos profticos anteriores. Moiss guardou seus livros ao lado da arca. A respeito de Josu est escrito que acrescentou seu livro compilao existente (Js 24.26). Seguindo-lhe os passos, Samuel acrescentou suas palavras compilao proftica, pois a seu respeito est escrito: "E escreveu-O num livro, e o ps perante o Senhor" (1Sm 10.25). Samuel fundou uma escola de profetas (1Sm 19.20), cujos alunos mais tarde se chamariam "filhos dos profetas" (2Rs 2.3). Existem inmeros testemunhos nos livros ds Crnicas segundo os quais os profetas guardavam com cuidado as histrias. A histria de Davi havia sido escrita 29. pelos profetas Samuel, Nata e Gade (1Cr 29.29). A histria de Salomo foi registrada por Nat, Aas e Ido (2Cr 9.29). O mesmo aconteceu no caso das histrias de Roboo, de Josaf, de Ezequias, de Manasses e de outros reis (v. 2Cr 9.29; 12.15; 13.22; 20.34; 33.19; 35.27). Na poca do exlio babilnico, no sculo VI a.C, Daniel se referiu compilao de escritos profticos dando-lhe o nome de "livros" (Dn 9.2). De acordo com Ezequiel (13.9), havia um registro oficial dos verdadeiros profetas de Deus. Todo aquele que transmitisse profecias falsas era excludo do rol oficial. S os verdadeiros profetas de Deus eram oficialmente reconhecidos, e s os escritos desses profetas eram guardados ao lado dos escritos inspirados. Desde os tempos mais remotos de que temos registro, todos os 39 livros do Antigo Testamento j compunham esse acervo de escritos profticos. Voltaremos a esse assunto posteriormente (v. caps. 7 e 8).Reivindicaes especficas do Antigo Testamento a favor de sua inspiraoA inspirao do Antigo Testamento no se baseia meramente numa anlise genrica dessa parte da Bblia como escrito proftico. H numerosas reivindicaes, nas pginas de cada livro, especificamente sobre sua origem divina. Examinemos tais reivindicaes de acordo com a diviso aceita atualmente dos livros do Antigo Testamento em lei, profetas e escritos. A inspirao da lei de Moiss. De acordo com xodo 20.1: "Ento falou Deus todas estas palavras...". Essa afirmativa de que Deus falou algo a Moiss se repete dezenas de vezes em Levtico (e.g., 1.1; 8.9; 11.1). O livro de Nmeros registra incontveis vezes:"... o Senhor falou a Moiss..." (e.g., 1.1; 2.1; 4.1). Deuteronmio acrescenta:"... falou Moiss aos filhos de Israel, conforme tudo o que o Senhor lhe ordenara a respeito deles..." (1.3). O resto do Antigo Testamento declara em unssono que os livros de Moiss foram outorgados pelo prprio Deus. Josu imps imediatamente os livros da lei ao povo de Israel (1.8). Juzes refere-se aos escritos de Moiss como "mandamentos do Senhor" (3.4). Samuel reconheceu que Deus havia nomeado a Moiss lder do povo (1Sm 12.6,8). Nas Crnicas, os registros mosaicos so tidos por "livro da lei do Senhor, dada por 30. intermdio de Moiss" (2Cr 34:14). Daniel diz que a maldio escrita na lei de Moiss "o juramento que est escrito na lei de Moiss, servo de Deus [...]. Ele confirmou a sua palavra, que falou contra ns..." (Dn 9.11,12). At mesmo em Esdras e em Neemias existe o reconhecimento da lei de Deus dada a Moiss (Ed 6.18; Ne 13.1). O consenso unnime do Antigo Testamento que os livros de Moiss foram outorgados pelo prprio Deus. A inspirao dos profetas. Segundo a atual diviso do Antigo Testamento, feita pelos judeus, os livros dos profetas abrangem os antigos profetas (Josu, Juizes, Samuel e Reis) e os profetas posteriores (Isaas, Jeremias, Ezequiel e os doze profetas menores). Tambm esses vindicam autoridade divina. "Josu escreveu estas palavras no livro da lei de Deus" (Js 24.26). Deus falou aos homens em Juizes (1.1,2; 6.25) e em Samuel (3.11), que falou e escreveu a todo Israel (4.1, cf. 1Cr 29.29). Os profetas posteriores trazem inmeras vindicaes de inspirao divina. A clebre expresso "assim diz o Senhor", com que encetam suas mensagens, ocorre centenas de vezes. De Isaas at Malaquias, o leitor literalmente bombardeado por expresses revelador as da autoridade divina. Sob o aspecto cronolgico, o Antigo Testamento se encerra nessa seo, conhecida por profetas, no havendo testemunhos posteriores no Antigo Testamento sobre a inspirao dessa parte da Bblia. No entanto, h referncias dentro dos profetas a outros autores profticos que escreveram seus livros em poca anterior. Daniel considerou o livro de Jeremias inspirado (Dn 9.2). Esdras reconheceu a autoridade divina de Jeremias (Ed 1.1), bem como a de Ageu e a de Zacarias (Ed 5.1). Numa passagem de grande importncia, Zacarias refere-se inspirao divina de Moiss e dos profetas que o precederam, dizendo que seus escritos eram "palavras que o Senhor dos exrcitos enviara pelo seu Esprito mediante os profetas que nos precederam" (7.12). Esses versculos eliminam toda dvida quanto ao fato de os livros que esto na seo das Escrituras judaicas conhecida como profetas apresentarem ou no a vindicao de inspirao divina. A inspirao dos escritos. provvel que o Antigo Testamento originariamente tivesse apenas duas divises bsicas: a lei e os profetas (v. Cap. 7). Esta ltima seo seria dividida posteriormente em profetas e 31. escritos. Talvez essa diviso ocorresse com base na posio oficial do autor: era ele profeta por ocupao ou simplesmente pelo dom divino? Os que fossem profetas pelo dom se enquadrariam na categoria de escritos. Salmos, o primeiro livro dessa coleo, fora escrito em grande parte por Davi, que dizia que seus salmos lhe haviam sido ditados letra por letra pelo Esprito (2Sm 23.2). Cntico dos Cnticos, Provrbios e Eclesiastes tradicionalmente so atribudos a Salomo; seriam o registro da sabedoria que lhe fora concedida por Deus (v. 1Rs 3.9,10). Provrbios contm vindicaes especficas de autoridade divina. Eclesiastes (12.13) e J (cap. 38) encerram-se com uma declarao de serem ensino autorizado. O livro de Daniel baseia-se numa srie de vises e sonhos oriundos da parte de Deus (Dn 2.19; 8.1 etc). Vrios livros deixam de apresentar vindicao de inspirao divina: Rute, Ester, Cntico dos Cnticos, Lamentaes, Esdras-Neemias e Crnicas. Se o livro de Rute foi escrito por Samuel, como parte de Juizes, fica sob a vindicao genrica de escrito proftico. De semelhante modo, Lamentaes, livro escrito por Jeremias, proftico. J vimos que Cntico dos Cnticos obra derivada da sabedoria concedida por Deus a Salomo. A tradio judaica atribui Crnicas, Esdras e Neemias a Esdras, o sacerdote, e a Neemias, que atuou com autoridade proftica na repatriao de Israel, remindo essa nao do cativeiro babilnico (cf. Esdras 10 e Neemias 13). No se menciona quem escreveu o livro de Ester, talvez para que se preservasse seu anonimato naquele ambiente pago e hostil. A viso do livro de Ester notadamente judaica; esse livro serve de autoridade escrita para a celebrao da festa judaica do Purim. Tal fato significa vindicao implcita de autoridade divina. Em suma, ento, quase todos os livros do Antigo Testamento oferecem alguma vindicao de inspirao divina. s vezes se trata de autoridade implcita, mas em geral h uma declarao explcita do tipo "assim diz o Senhor". Do incio ao fim, a doutrina da inspirao do Antigo Testamento est solidamente instalada em numerosos trechos, os quais sustentam sua origem divina. 32. Apoio do Novo Testamento vindicao de inspirao feita pelo Antigo TestamentoVemos trs formas de abordagem ao examinarmos o ensino do Novo Testamento a respeito da inspirao do Antigo Testamento. H as passagens que se referem autoridade divina do Antigo Testamento como um todo, genericamente. H as referncias inspirao de determinadas partes ou sees do Antigo Testamento. Finalmente, h citaes de livros especficos do cnon judaico.Referncias do Novo Testamento inspirao do Antigo TestamentoO Novo Testamento reconhece a inspirao do Antigo Testamento de muitas maneiras. s vezes, o Novo Testamento usa expresses como "Escrituras", "Palavra de Deus", "a lei", "os profetas", "a lei e os profetas" e "orculos de Deus". Escrituras , de longe, o termo mais comum usado no Novo Testamento em referncia ao Antigo. De acordo com Paulo, "Toda Escritura [Antigo Testamento] inspirada por Deus" (2Tm 3.16). Disse Jesus: "A Escritura no pode ser anulada" (Jo 10.35). Com freqncia o Novo Testamento emprega o plural, Escrituras, para referir-se coleo de escritos judaicos dotados de autoridade divina. Respondeu Jesus aos fariseus: "Nunca lestes nas Escrituras?" (Mt 21.42) e "Errais, no conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus" (Mt 22.29). O apstolo Paulo "discutiu com eles sobre as Escrituras" (At 17.2), e os crentes de Beria examinavam "cada dia nas Escrituras" (At 17.11). Nessas e em muitas outras referncias, o Novo Testamento reconhece que o Antigo Testamento como um todo so escritos inspirados por Deus. Palavra de Deus expresso que aparece menos comumente, mas talvez seja a aluso mais forte inspirao divina do Antigo Testamento. Em Marcos 7.13, Jesus acusou os fariseus de invalidar "a palavra de Deus", e empregou a expresso como sinnimo de "Escrituras". H numerosas referncias "Palavra de Deus", embora nem todas identifiquem com clareza o Antigo Testamento. Paulo argumentou assim: "No que a palavra de Deus haja falhado" (Rm 9.6). Em outra passagem ele se refere sua recusa em falsificar a palavra de Deus (2Co 4.2). O autor de Hebreus 33. declara que "a palavra de Deus viva e eficaz" (Hb 4.12). A declarao do apstolo Pedro "Dele [i.e., de Cristo] do testemunho todos os profetas" (At 10.43) dificilmente se limitaria a algo que no fosse o Antigo Testamento como um todo, vista de Lucas 24.27,44. Os textos que com mxima clareza identificam todo o Antigo Testamento como Palavra de Deus no deixam dvida quanto realidade de sua inspirao divina. Lei em geral palavra que se refere ao Antigo Testamento como forma abreviada de "lei de Moiss". A lei representa apenas os cinco primeiros livros das Escrituras judaicas. No entanto, em certos casos, a palavra lei se aplica a todo o Antigo Testamento. Joo 10.34 provavelmente um desses casos mais significativos. Visto que a citao extrada de Salmos 82.6, fica bem claro que no se refere lei de Moiss. A palavra "lei" usada aqui em relao a "Escrituras" e a "Palavra de Deus", mostrando que a referncia se faz a todo o Antigo Testamento. Em Joo 12.34, as pessoas mencionam "a lei", ainda que em outro texto Jesus faa referncia a "sua [deles] lei" (Jo 15.25), e, em Atos, Paulo a identifique como "a lei dos judeus" (At 25.8). Paulo introduziu uma citao do Antigo Testamento com a seguinte frase: "Est escrito na lei" (1Co 14.21). Em seu famoso sermo do monte, Jesus empregou o termo lei como sinnimo de "lei e profetas", expresso que, como vemos, refere-se claramente aos documentos inspirados por Deus, a que se d o nome de Antigo Testamento (Mt 5.18). A lei e os profetas, ou "Moiss e os profetas", o segundo ttulo mais comumente atribudo s Escrituras judaicas. designao que ocorre dezenas de vezes no Novo Testamento. Jesus a usou duas vezes em seu famoso sermo (Mt 5.17; 7.12), afirmando ter vindo terra a fim de cumprir "a lei e os profetas", os quais jamais haveriam de passar. Lucas 16.16 apresenta "a lei e os profetas" como a revelao divina at a poca de Joo Batista. Em sua defesa perante Flix, Paulo declarou ser "a lei e os profetas" todo o conselho de Deus que ele, como judeu devoto, havia praticado desde sua juventude (At 24.14). Eram "a lei e os profetas" que eram lidos nas sinagogas (At 13.15), de que a Regra de Ouro, ou o maior dos mandamentos, a smula moral (Mt 7.12). 34. Os profetas vez por outra se referia a todo o Antigo Testamento. Visto ser o Antigo Testamento enunciao proftica, no de surpreender que seja chamado, s vezes, "os profetas". O fato de o Antigo Testamento ser chamado s vezes "Escrituras dos profetas" mostra que se tem em mente um grupo de livros (Mt 26.56). Na verdade, o ttulo "profetas" usado em paralelo com a expresso "a lei e os profetas" (Lc 24.25,27), referindo-se claramente a todo o Antigo Testamento. Orculos de Deus sem dvida expresso que tenciona comunicar essa idia. Aparece duas vezes e refere-se s Escrituras do Antigo Testamento. Disse Paulo a respeito dos judeus: "As palavras de Deus lhe foram confiadas", isto , aos judeus (Rm 3.2). Noutra passagem, declara-se a necessidade de algum "ensinar os princpios elementares dos orculos de Deus" (Hb 5.12). Portanto, a palavra escrita do Antigo Testamento a Palavra de Deus. Est escrito expresso que se encontra mais de noventa vezes no Novo Testamento. A maior parte das ocorrncias dessa expresso introduz citaes especficas, mas algumas tm aplicao genrica ao Antigo Testamento como um todo. Eis alguns exemplos desta ltima aplicao: "Por que, pois, est escrito que o Filho do homem deve sofrer muito e ser rejeitado?" (Mc 9.12; cf. 14.21). Temos aqui um resumo do ensino genrico sobre a morte de Cristo no Antigo Testamento, em vez de uma citao veterotestamentria especfica. Lucas 18.31 uma referncia mais definitiva ainda: "E se cumprir no Filho do homem tudo o que os profetas escreveram". H outros textos ainda, como "Pois dias de vingana so estes, para que se cumpram todas as coisas que esto escritas" (Lc 21.22), que do apoio tese segundo a qual os escritos do Antigo Testamento como um todo eram considerados inspirados por Deus. Prediziam tudo a respeito de Cristo e era inevitvel que se cumprissem. Para que se cumprissem as Escrituras expresso encontrada com muita freqncia no Novo Testamento em referncia ao Antigo Testamento como um todo. Jesus disse "que era necessrio que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito" na Lei, nos Profetas e nos Salmos (Lc 24.44). Em outra ocasio, disse o Senhor: "No penseis que vim destruir a lei ou os 35. profetas; no vim para destru-los, mas para cumpri-los" (Mt 5.17). Essa frmula mais de trinta vezes introduz uma citao especfica do Antigo Testamento ou uma referncia a essa parte da Bblia. Sempre se referem natureza proftica das Escrituras, outorgadas que foram por Deus, e, necessariamente, devem ser cumpridas.Referncias do Novo Testamento a sees especficas do Antigo TestamentoO segundo indcio no Novo Testamento de que o Antigo Testamento era considerado inspirado por Deus so as referncias autoridade de certos trechos das Escrituras hebraicas (e.g., a lei, os profetas e os escritos). A lei e os profetas, como mostramos acima, referem-se a uma diviso do Antigo Testamento em duas partes. Essa referncia ocorre dezenas de vezes no Novo Testamento. Indica todos os escritos inspirados, desde Moiss at Jesus (Lc 16.16), considerados Palavra eterna de Deus (Mt 5.18). Alm das referncias s duas partes em conjunto, h outras que tratam da lei e dos profetas de modo separado. A lei em geral designa os primeiros cinco livros do Antigo Testamento, como ocorre em Mateus 12.5. s vezes a expresso "a lei de Moiss" (At 13.39; Hb 12,5). Em outras passagens esses livros so chamados simplesmente, Moiss (2Cor 3.15), "os livros de Moiss'' (Mc 12.26) ou "os livros da lei" (Gl 3.10). Em cada caso recorre-se autoridade divina do ensino mosaico. O Pentateuco como um todo era considerado proveniente de Deus. Os profetas em geral identifica a segunda metade do Antigo Testamento (v. Jo 1.45; Lc 18.31). Empregam-se tambm as expresses "as escrituras dos profetas" (Mt 26.56) e "o livro dos profetas" (At 7.42). Nem sempre fica claro que esses ttulos se referem apenas aos livros escritos aps o ministrio de Moiss, embora s vezes isso esteja muito bem especificado, como revela a separao dos dois ttulos. No que concerne ao ttulo profetas, exatamente o fato de significar porta-vozes de Deus revela a inspirao divina dos livros que levam essa designao (2Pe 1.20,21). 36. Os escritos no termo neotestamentrio. Trata-se de designao no-bblica usada para dividir os escritos profticos em duas partes: a escrita por profetas profissionais ("os profetas") e a escrita por outros tipos de profetas ("os escritos"). Existe apenas uma aluso no Novo Testamento a uma possvel diviso do Antigo Testamento em trs partes. Jesus referiuse a "tudo o que de mim estava escrito na lei de Moiss, nos Profetas e nos Salmos" (Lc 24.44). No ficou claro aqui se o Senhor estava destacando os Salmos, em vista de seu significado messinico especial, como parte da "lei" e dos "profetas", a que ele se referiu anteriormente no mesmo captulo (v. 27), ou o primeiro livro da seo conhecida agora como "escritos". Seja qual for o caso, a natureza messinica e proftica dessa suposta terceira parte do Antigo Testamento faz que ela se destaque como inspirada por Deus. E, se houver apenas duas sees no cnon do Antigo Testamento (como veremos no cap. 7), o resto das Escrituras inspiradas j foi estudado quando tratamos do designativo "profetas".Referncias do Novo Testamento a livros especficos do Antigo TestamentoDos 22 livros do cnon judaico mencionados por Josefo (Contra pion, i, 8), cerca de 18 so citados no Novo Testamento como autorizados. No se encontram menes a Juizes, a Crnicas, a Ester e ao Cntico dos Cnticos, ainda que haja referncias a acontecimentos de Juizes (Hb 11.32) e de Crnicas (Mt 23.35; 2Cr 24.20). Pode haver uma aluso a Cntico dos Cnticos 4.15 na referncia que Jesus faz a "guas vivas" (Jo 4.10), mas tal citao no seria apoio autoridade do livro. De maneira semelhante, a provvel referncia Festa do Purim, de Ester 9, em Joo 5.1, ou a similaridade entre Apocalipse 11.10 e Ester 9.22 no poderiam ser consideradas apoio inspirao de Ester. A autoridade divina investida sobre o livro de Ester satisfatoriamente atestada de outra forma (v. cap. 8), no, todavia, mediante citaes do Novo Testamento. Quase todos os 18 livros restantes do cnon hebraico so citados com autoridade no Novo Testamento. A criao do homem em Gnesis (1.27) citada por Jesus em Mateus 19.4,5. O quinto mandamento de xodo 20.12 citado como Escritura em Efsios 6.1. A lei da purificao dos leprosos, registrada em Levtico 14.2-32, citada em Mateus 8.4. Nmeros mencionado indiretamente, pois em 1Corntios h referncia a 37. acontecimentos registrados naquele livro, referncia essa para admoestao dos cristos (1Co 10.11). Nmeros 12.7 registra a fidelidade de Moiss, sendo essa passagem mencionada com autoridade em Hebreus 3.5. Deuteronmio um dos livros mais citados do Antigo Testamento. Jesus o menciona duas vezes em sua tentao (Mt 4.4 e 4.7; cf. Dt 8.3 e 6.16). Josu recebeu a promessa da parte de Deus: "... no te deixarei, nem te desampararei" (1.5), a qual citada em Hebreus 13.5. Jesus citou o incidente de 1Samuel 21.1-6, em que Davi comeu os pes da proposio, em apoio autoridade do Senhor de exercer certas atividades no dia de sbado. A resposta de Deus a Elias, em 1Reis 19.18 citada em Romanos 11.4. Esdras-Neemias provavelmente so citados em Joo 6.31 (cf. Ne 9.15), ainda que a proviso de "po do cu" a Israel por parte de Deus tambm seja citada em outras passagens (Sl 78.24; 105.40). A autoridade divina do livro de J (5.12) demonstrada de modo claro por Paulo: "Gomo est escrito: Ele apanha os sbios na sua prpria astcia" (1Co 3.19). O livro de Salmos outro do Antigo Testamento que se menciona com muita freqncia. Era um dos favoritos de Jesus. Compare Mateus 21.42 " A pedra que os edificadores rejeitaram, essa se tornou a pedra angular" com Salmos 118.22. Pedro citou o salmo 2 em seu sermo do Dia de Pentecostes (At 2.34,35). Hebreus apresenta abundncia de referncias aos Salmos; o primeiro captulo cita os salmos 2,104,45 e 102. Provrbios 3.34 "Ele escarnece dos escarnecedores, mas d graa aos humildes" citado com toda clareza em Tiago 4.6. No existe citao literal de Eclesiastes, mas algumas passagens contm doutrinas aparentemente confiveis. A declarao de Paulo "Tudo o que o homem semear, isso tambm ceifar" (Gl 6.7) parecida com a de Eclesiastes 11.1. O desafio para que se evite a luxria da juventude (2Tm 2.22) reflete Eclesiastes 11.10. Outros exemplos so os seguintes: a morte determinada por Deus (Hb 9.27; cf. Ec 3.2); o amor ao dinheiro a fonte do mal (1Tm 6.10; cf. Ec 5.10); no devemos multiplicar palavras vs em nossas oraes (Mt 6.7; cf. Ec 5.2). Isaas outro autor do Antigo Testamento muito citado no Novo. Joo Batista, em Mateus 3.3, apresentou Jesus com a citao de Isaas 40,3. Na sinagoga de sua cidade natal, Jesus leu Isaas 61.1,2: "O Esprito do Senhor est sobre mim" (cf. Lc 4.18,19). Paulo citava Isaas com freqncia (cf. Rm 9.27; At 28.25-28). Jeremias 31.15 citado em Mateus 2.17,18, e a nova aliana de Jeremias (cap. 31) citada duas vezes em 38. Hebreus 8.8 e 10.16. Lamentaes, apenso a Jeremias na relao dos 22 livros da Bblia hebraica, mencionado em Mateus 27.30 (cf. Lm 3.30). Ezequiel citado em diversas ocasies no Novo Testamento, ainda que nenhuma citao seja literal. O ensino de Jesus a respeito do novo nascimento (Jo 3.5) pode ter-se originado em Ezequiel 36.25,26. Romanos 6.23 declara: "o salrio do pecado a morte", o que reflete Ezequiel 18.20: "A alma que pecar, essa morrer". O uso que Joo faz das quatro criaturas viventes (Ap 4.7) reflete com clareza Ezequiel 1.10. Daniel identificado pelo nome no sermo do monte, pregado por Jesus (Mt 24.15; cf. Dn 9.27; 11.31), e Mateus 21.30 reflete Daniel 7.13. Os doze profetas menores foram agrupados no Antigo Testamento hebraico. H muitas citaes desse grupo de escritos. A famosa expresso de Habacuque "O justo pela sua f viver" (Hc 2.4) mencionada em trs ocasies no Novo Testamento (Rm 1.17; Gl 3.11; Hb 10.38). Mateus 2.15 cita Osias 11.1: "Do Egito chamei a meu filho". Diante disso, verificamos que s Juzes-Rute, Crnicas, Ester e Cntico dos Cnticos deixam de ser mencionados com clareza no Novo Testamento. No entanto, Juizes apresenta acontecimentos histricos a que a Novo Testamento faz aluso como autnticos (Hb 11.32). E talvez Jesus tinha Crnicas em mente ao fazer referncia ao sangue de Zacarias (Mt 23.35). Isso faz que apenas Ester e Cntico dos Cnticos fiquem sem uma referncia explcita no Novo Testamento; e isso ocorreu, sem dvida, porque os autores do Novo Testamento no tiveram oportunidade de mencionar tais livros. Ester o livro bsico da Festa do Purim, e Cntico dos Cnticos era lido na grande Festa da Pscoa, que reflete a estima que a comunidade judaica lhe votava. O Novo Testamento d apoio vindicao de inspirao divina do Antigo Testamento como um todo, de todas as suas partes e de quase cada um de seus livros. Alm disso, h referncias diretas e repletas de autoridade a muitas das grandes personalidades e dos grandes acontecimentos do Antigo Testamento, dentre os quais a criao de Ado e de Eva (Mt 19.4), o dilvio do tempo de No (Lc 17.27), o chamado miraculoso de Moiss (Lc 20.37), a miraculosa proviso material para Israel no deserto (Jo 3.14; 6.49), os milagres de Elias (Lc 4.24,25) e Jonas no ventre do grande peixe (Mt 12.41). 39. Confirmao ou conciliao? A despeito do grande nmero de citaes do Antigo Testamento e de sua autoridade, houve quem cresse que nem Jesus, nem os apstolos confirmaram, de fato, a inspirao e a confiabilidade dessa parte da Bblia. Em vez disso, afirmam tais estudiosos, os autores do Novo Testamento estariam conciliando seus textos s crenas judaicas aceitas na poca. Trata-se de hiptese refinada, mas sem substncia. teoria que no se coaduna com os fatos das Escrituras, nem com as vindicaes de Cristo. As referncias mais numerosas e significativas quanto genuinidade e inspirao divina do Antigo Testamento vm dos lbios do prprio Jesus, que jamais demonstrou tendncia para a conciliao. A expulso dos cambistas de dinheiro de dentro templo (Jo 2.15), a denncia dos "guias cegos" (Mt 23.16) e dos "falsos profetas" (Mt 7.15) e a advertncia aos mestres em evidncia (Jo 3.10) dificilmente seriam tidas como sinais de conciliao. Alis, Jesus repreendia sem rodeios as pessoas que se aferravam s tradies e no Palavra de Deus (cf. Mt 15.1-6). Seis vezes num nico captulo (Mt 5), Jesus contraps a verdade a respeito das Escrituras s falsas crenas que haviam surgido e se expandiam. O Senhor as denunciou assim: "Ouvistes que foi dito" (e no "est escrito") e "eu, porm, vos digo". Jesus no hesitava em declarar "Errais" (Mt 22.29), quando os homens estavam errados. Mas, quando os homens entendiam a verdade, o Senhor os estimulava, dizendo-lhes: "Respondeste bem" (Lc 10.28). O ensino de Jesus a respeito da autoridade divina do Antigo Testamento to incondicional e to isento de transigncias, que no se pode rejeitar esse ensino sem rejeitar as palavras de Jesus. Se algum no aceitar a autoridade do Antigo Testamento como Escritura Sagrada, tal pessoa pe em dvida a integridade do Salvador. Seja o que for que se diga a respeito da inspirao do Antigo Testamento, uma coisa certa: o prprio Antigo Testamento reivindica a prpria inspirao. E o Novo Testamento a confirma de modo maravilhoso.4. A inspirao do Novo Testamento Os apstolos e profetas do Novo Testamento no hesitaram em classificar seus escritos como inspirados, ao lado do Antigo Testamento. 40. Seus livros eram respeitados, colecionados e circula na igreja primitiva como Escrituras Sagradas. O que Jesus declarou ir inspirao a respeito do Antigo Testamento o Senhor prometeu tambm quanto ao Novo Testamento. Vamos examinar a promessa de inspirao e seu cumprimento nas pginas do Novo Testamento.O Novo Testamento reivindica inspirao divina H dois movimentos bsicos na compreenso das reivindicaes do Novo Testamento a respeito de sua inspirao. Primeiramente temos a promessa de Cristo de que o Esprito Santo guiaria os discpulos no ensino de suas verdades, que constituem o fundamento da igreja. Em segundo lugar, h o cumprimento aclamado disso no ensino apostlico e nos escritos do Novo Testamento.A promessa de Cristo a respeito da inspiraoJesus nunca escreveu um livro. No entanto, endossou a autoridade do Antigo Testamento (v. cap. 3) e a promessa de inspirao para o Novo Testamento. Em vrias ocasies, o Senhor prometeu a concesso de autoridade divina para o testemunho apostlico dele mesmo. A comisso dos Doze. Quando o Senhor enviou seus discpulos para pregarem o reino dos cus (Mt 10.7), ele lhes prometeu a direo do Esprito Santo. "Naquela mesma hora vos ser concedido o que haveis de dizer, pois no sois vs que falareis, mas o Esprito de vosso Pai quem fala em vs" (Mt 10.19,20; cf. Lc 12.11,12).A proclamao que os apstolos fizessem de Cristo teria origem no Esprito de Deus. O envio dos setenta. A promessa da uno divina no se limitava aos Doze. Quando Jesus enviou os setenta, para que pregassem "o reino de Deus" (Lc 10.9), ordenou-lhes: "Quem vos ouve, a mim me ouve; quem vos rejeita, a mim me rejeita..." (Lc 10.16). Eles voltaram reconhecendo a autoridade de Deus at mesmo sobre Satans em seu ministrio (Lc 10.1719). 41. O sermo do monte das Oliveiras. Em seu sermo no monte das Oliveiras, Jesus reafirmou sua promessa antiga aos discpulos: "... no vos preocupeis com o que haveis de dizer. O que vos for dado naquela hora, isso falai, pois no sois vs os que falais, mas o Esprito Santo" (Mc 13.11). As palavras que pronunciassem viriam de Deus, mediante o Esprito; no viriam deles mesmos. Os ensinos durante a ltima ceia. A promessa da orientao do Esprito Santo ficaria mais claramente definida por ocasio da ltima ceia. Jesus lhes prometeu: "Mas o Consolador, o Esprito Santo, que o Pai enviar em meu nome, vos ensinar todas as coisas e vos far lembrar de tudo o que vos tenho dito" (Jo 14.26). Eis por que Jesus no escreveu seus ensinos. O Esprito daria nova vida memria dos discpulos que os aprenderam; seriam orientados pelo Esprito em tudo quanto o Senhor lhes havia ensinado. De fato, disse Jesus: "Quando vier o Esprito da verdade, ele vos guiar em toda a verdade" (Jo 16.13). "Toda a verdade" ou "todas as coisas" que Cristo ensinara seriam relembradas aos discpulos pelo Esprito. O ensino apostlico seria inspirado pelo Esprito de Deus. A Grande Comisso. Quando Jesus enviou seus discpulos "... ide e fazei discpulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Esprito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado" (Mt 28.19,20) , fez-lhes a promessa tambm de que teriam toda a autoridade nos cus e na terra para realizar a tarefa. A palavra dos discpulos seria a Palavra de Deus.A promessa de Cristo reivindicada pelos discpulosOs discpulos de Cristo no se esqueceram da promessa do Senhor. Eles pediram-lhe que seu ensino tivesse exatamente o que Jesus lhes havia prometido: a autoridade de Deus. E eles o fizeram de vrias maneiras: dedicando-se ao que sabiam ser a continuao do ministrio de ensino de Cristo, crendo fervorosamente que seus ensinos teriam a mesma autoridade e poder do Antigo Testamento e afirmando de modo especfico em seus escritos que eles tinham a autoridade de Deus. 42. A afirmao de estarem dando prosseguimento ao ensino de Cristo. Lucas afirma ter apresentado um relato exato de "tudo o que Jesus comeou no s a fazer, mas tambm a ensinar" em seu evangelho. Ele d a entender que Atos registra o que Jesus continuou a fazer e a ensinar mediante seus apstolos (At 1.1; cf. Lc 1.3,4). Na realidade, segundo consta, a primeira igreja se caracterizava pela devoo ao "ensino dos apstolos" (At 2.42). At mesmo os ensinos de Paulo, que se baseavam nas revelaes diretas de Deus (Gl 1.11,12), estavam sujeitos aprovao dos apstolos (At 15). A prpria igreja do Novo Testamento, como se sabe, foi edificada "sobre o fundamento dos apstolos e dos profetas [do Novo Testamento]" (Ef 2.20; cf. 3.5). verdade que as declaraes orais dos apstolos que viviam na poca tinham a mesma autoridade de seus escritos (1Ts 2.15), e tambm e verdade que os livros do Novo Testamento so o nico registro autntico do ensino apostlico de que dispomos hoje. A restrio de que todo membro dos doze apstolos deve ser testemunha ocular do ministrio e da ressurreio de Jesus Cristo (At 1.21,22) elimina a sucesso apostlica que no passaria do sculo I. E o fato de no existir ensino apostlico autntico alm do encontrado no Novo Testamento limita tudo quanto os apstolos ensinaram ao que se encontra no Novo Testamento, i.e., aos seus 27 livros. Ao lado do Antigo Testamento, esses livros so considerados inspirados, dotados de autoridade divina, visto que s eles so verdadeiramente apostlicos ou profticos (v. cap. 10). Em suma, Cristo prometeu que todo o ensino apostlico seria dirigido pelo Esprito. Os livros do Novo Testamento so o nico registro autntico que temos do ensino apostlico. Da decorre que s o Novo Testamento pode reivindicar para si o ttulo de registro autorizado dos ensinos de Cristo. Comparao entre o Novo e o Antigo Testamento. A promessa de Cristo de que inspiraria os ensinos dos apstolos e o cumprimento de tal promessa nos escritos do Novo Testamento no so os nicos indcios de sua inspirao. Outro indcio sua comparao direta com o Antigo Testamento. Paulo reconhecia claramente a inspirao do Antigo Testamento (2Tm 3,16), ao cham-lo "Escrituras". Pedro classificou as 43. cartas de Paulo ao lado das demais "Escrituras" (2Pe 3.16). E Paulo menciona o evangelho de Lucas, chamando-o "Escritura" (1Tm 5.18, citando Lc 10.7). Na verdade, em outra passagem o apstolo atribui a seus prprios escritos a mesma autoridade das "Escrituras" (l1m 4.11,13). O livro de Hebreus declara que o Deus que falou em tempos antigos, mediante os profetas, nestes ltimos dias tem falado da salvao por seu Filho (Hb 1.2). E prossegue o autor, afirmando: "... to grande salvao [...] a qual, comeando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos [apstolos] que a ouviram" (Hb 2.3). Os apstolos foram o canal da verdade de Deus no Novo Testamento, assim como os profetas no Antigo. Portanto, no de estranhar que os livros apostlicos sejam colocados no mesmo nvel de autoridade dos livros inspirados do Antigo Testamento. So todos profticos. De fato, Pedro escreveu que os escritos profticos advieram mediante inspirao divina (2Pe 1.21), e os escritos do Novo Testamento reivindicam claramente a condio de profticos. Joo chama a seu livro profecia e se classifica entre os profetas (Ap 22.18,19). Os profetas do Novo Testamento esto na lista, junto com os apstolos, dos alicerces da igreja (Ef 2.20). provvel que Paulo tambm tivesse seus prprios escritos em mente quando falou a respeito da "revelao do mistrio que desde os tempos eternos esteve oculto, mas que se manifestou agora, e foi dado a conhecer pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as naes para obedincia da f..." (Rm 16.25,26). Paulo afirma em Efsios 3.3,5 que "o mistrio [...] me foi manifestado pela revelao, como acima em poucas palavras vos escrevi. [...] o qual em outras geraes no foi manifestado aos filhos dos homens, como agora [nos tempos do Novo Testamento] foi revelado pelo Esprito aos seus santos apstolos e profetas [do Novo Testamento]" (cf. Ef 2.20). Assim que os escritos profticos do Novo Testamento revelam o mistrio de Cristo predito nos escritos profticos do Antigo Testamento. A semelhana do Antigo, o Novo Testamento uma declarao proftica da parte de Deus. Reivindicao direta de inspirao nos livros do Novo Testamento. No prprio texto dos livros do Novo Testamento h numerosos indcios de sua autoridade divina. So eles explcitos e implcitos. Os evangelhos apresentam-se como registros autorizados do cumprimento das profecias do Antigo Testamento a respeito de Cristo (cf. Mt 1.22; 2.15,17; Mc 1.2). 44. Lucas escreveu a fim de o leitor poder saber a verdade acerca de Cristo, "fatos que entre ns se cumpriram, segundo nos transmitiram os que desde o princpio foram deles testemunhas oculares, e ministros da palavra" (Lc 1.1,2), Joo escreveu seu evangelho para que os homens cressem: " ... para creiais que Jesus o Cristo, o filho de Deus, e para que, crendo, tenhais Vida em seu nome" (Jo 20.31). E o apstolo acrescenta que seu testemunho verdadeiro (Jo 21.24). O livro chamado Atos dos Apstolos, tambm escrito por Lucas, apresenta-se como registro autorizado do que Jesus continuou a fazer e a ensinar mediante seus apstolos (At 1.1). Isso foi visto tambm como cumprimento de profecia do Antigo Testamento (cf. At 2 e Jl 2). Visto que Paulo citou o evangelho de Lucas como "Escritura" (1Tm 5.18), torna-se evidente que tanto o apstolo como Lucas consideravam a continuao do relato evangelstico, i.e., o livro de Atos, texto autorizado e tambm inspirado por Deus. Todas as cartas de Paulo, de Romanos at Filemom, reivindicam inspirao divina. Em Romanos, Paulo comprova sua vocao divina para o apostolado (Rm 1.1-3). O apstolo encerra sua carta com a afirmao de que se trata de texto proftico (Rm 16.26). Paulo no final de 1Corntios diz: "As coisas que vos escrevo so mandamentos do Senhor" (1Co 14.37). Ele inicia 2Corntios repetindo a afirmao de que apstolo genuno (Co 1.1,2). Nessa carta ele defende seu apostolado de modo mais completo do que em qualquer outra carta do Novo Testamento (2Co 10-13). Glatas nos apresenta a mais forte defesa que Paulo faz de suas credenciais divinas. Ao falar da revelao feita a ele do evangelho da graa, ele escreveu: "No o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelao Jesus Cristo" (Gl 1.12). Em Efsios, o apstolo declara tambm: "... o mistrio que me foi manifestado pela revelao, como acima em poucas palavras vos escrevi..." (Ef 3.3). Em Filipenses, Paulo admoesta os crentes duas vezes a que sigam o padro apostlico de vida (Fp 3.17; 4.9). Em Colossenses, assim como em Efsios, Paulo sustenta que seu ofcio de apstolo lhe foi dado diretamente por Deus, "para cumprir a palavra de Deus" (Cl 1.25). A Primeira Carta aos Tessalonicenses encerra-se com esta admoestao: "Pelo Senhor vos conjuro que esta epstola seja lida a todos os santos irmos" (1Ts 5.27). Anteriormente, o apstolo havia lembrado a esses irmos: "... havendo recebido de ns a palavra da pregao Deus, a recebestes, no como palavra de homens, mas (segundo , na verdade), como palavra de Deus..." (1Ts 2.13). A Segunda Carta aos Tessalonicenses 45. tambm termina com uma exortao: "... se algum no obedecer nossa palavra por esta carta, notai o tal, e no vos associeis com ele, para que se envergonhe" (2Ts 3.14). A respeito da mensagem de 1Timteo, o apstolo escreveu: "Manda estas coisas e ensina-as. [...] Persiste em ler, exortar e ensinar, at que eu v" (1Tm 4.11,13). Nesse texto, Paulo coloca sua prpria carta no mesmo nvel do Antigo Testamento. Sua carta e o Antigo Testamento deveriam ser lidos nas igrejas, por terem a mesma autoridade divina (cf. Cl 4.16). A segunda carta a Timteo contm a passagem clssica sobre a inspirao divina das Escrituras (2Tm 3.16) e a exortao para que os crentes sigam o padro das palavras sadias que receberam de Paulo (2Tm 1.13). "Conjuro-te, pois, diante de Deus e de Cristo Jesus...", escreveu o apstolo, "prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo..." (2Tm 4.1,2). De maneira semelhante, Paulo ordenou a Ti to: "Fala estas coisas, exorta e repreende com toda a autoridade" (Tt 2.15). Embora o tom da carta a Filemom seja intercessrio, Paulo deixa bem claro que ele poderia ordenar tudo que ali est pedindo por amor (Fm 8). Hebreus 2.3,4 deixa bem