manual segurança sanitária para instituições de longa permanência para idosos

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  • SEGURANA SANITRIA PARA INSTITUIES DE LONGA PERMANNCIA PARA IDOSOS

    (segunda edio)Outubro, 2009

    GovernadorLuiz Henrique da Silveira

    Vice-GovernadorLeonel Arcngelo Pavan

    Secretrio de Estado da SadeLuiz Eduardo Cherem

    Diretora-GeralCarmem Emlia Bonf Zanotto

    Superintendente de Vigilncia e SadeWinston Luiz Zomkowski

    Diretora da Vigilncia SanitriaRaquel Ribeiro Bittencourt

    Analista Tcnica de Promoo e Gesto da Sade da Diretoria de Vigilncia SanitriaAutora - Prof Dr Maika Arno Roeder

  • NDICE

    Apresentao .................................................................................................................................................. 5

    Regulamento Tcnico para o Funcionamento das ILPIs ............................................................. 7

    Alvar Sanitrio ........................................................................................................................................... 7

    Condies Gerais ........................................................................................................................................ 9

    Organizao Documental .....................................................................................................................10

    Recursos Humanos para Instituies de Longa Permanncia para Idosos .....................13

    Grau de Dependncia do Idoso ..........................................................................................................13

    Consideraes sobre Cuidadores de Idosos Quem so? ........................................................15

    Infraestrutura Fsica ..................................................................................................................................19

    Unidades de Apoio Logstico ................................................................................................................27

    Infraestrutura Fsico-Funcional da Unidade de Alimentao e Nutrio ........................27

    Sugesto de Elaborao de Manual de Boas Prticas

    para Instituies de Longa Permanncia para Idosos ..............................................................31

    Cuidados Diversos com a Alimentao dos Idosos ....................................................................49

    Higiene bucal .............................................................................................................................................51

    Alimentao por sonda (Dieta enteral) ............................................................................................52

    Hidratao dos Idosos ............................................................................................................................54

    Cuidados que devem ser tomados com a gua ............................................................................54

    Como Fazer a Higienizao da Caixa Dgua .................................................................................55

    Lixo (resduos) ...........................................................................................................................................56

    Controle de Pragas ..................................................................................................................................57

    Lavanderia / Sala para Lavagem de Roupas ...................................................................................58

    Instalaes prediais de gua, esgoto, energia eltrica,

    proteo, combate a incndio e telefonia .....................................................................................61

    Cuidados com o Ambiente ...................................................................................................................61

    Ateno sade ..........................................................................................................................................63

    Higiene Pessoal .........................................................................................................................................65

    Consideraes sobre os Cuidados Necessrios com Assaduras .............................................68

    Imunizao dos idosos ...........................................................................................................................69

    Outras informaes relacionadas aos cuidados com a sade dos idosos nas ILPIs .........73

  • Condies Organizacionais de Servios de Sade .....................................................................75

    Medicamentos ..............................................................................................................................................79

    Notificao das doenas de notificao compulsria e de

    interesse da Vigilncia Epidemiolgica Secretaria Municipal de Sade ...........................80

    Preveno de Quedas ...............................................................................................................................83

    Sexualidade do Idoso e Cuidados com

    a Preveno de Doenas Sexualmente Transmissveis ...............................................................84

    Noes de Biosegurana nos Cuidados com os Idosos nas ILPIs .........................................87

    Limpeza dos Ambientes e Processamento de Artigos e Superfcies ....................................93

    Consideraes sobre a Proteo Pessoa Idosa Cuidada .................................................... 101

    Prtica Corporal/Atividade Fsica .................................................................................................... 105

    Organizando um Almoxarifado ....................................................................................................... 107

    Monitoramento e Avaliao do Funcionamento das Instituies .................................... 111

    Referncias Bibliogrficas ................................................................................................................... 117

    Anexo I........................................................................................................................................................... 119

    Anexo II ......................................................................................................................................................... 149

    Anexo III ........................................................................................................................................................ 161

  • APRESENTAO

    Com o crescimento da populao mundial de idosos, especialmente daqueles com mais de 80 anos, de forma acelerada nos pases em desenvolvimento cresce a necessidade de se criarem espaos para que eles possam viver com qualidade de vida, maior autonomia e liberdade. Este grupo, embora se mantenha saudvel em idade avanada, apresenta caractersticas de maior fragilidade.

    As Instituies de Longa Permanncia para Idosos (ILPI) so instituies governa-mentais ou no-governamentais, de carter residencial, e foram criadas com a fina-lidade de servir de domiclio coletivo para pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar, em condio de liberdade, dignidade e cidadania.

    Com a aprovao do Regulamento Tcnico da ANVISA n. 283, de 26 de setembro de 2005, que define as normas de funcionamento das ILPIs, a Diviso de Estabeleci-mentos de Interesse da Sade da Diretoria de Vigilncia Sanitria do Estado de Santa Catarina vem acompanhando a aplicao do referido regulamento. Esta tarefa tem sido feita por meio da avaliao dos atendimentos prestados, de atividades educati-vas, elaborao de material didtico por meio de vistorias in loco e acompanhamento dos indicadores de ateno das ILPIs em todos os municpios catarinenses que pos-suem este tipo de estabelecimento.

    Neste sentido, com o propsito de contribuir para a compreenso das normas sa-nitrias, com vistas a orientar as aes e projetos locais e/ou regionais, no que diz respeito terceira idade foi elaborado o Manual de Orientaes sobre as Normas Sanitrias destinadas s Instituies de Longa Permanncia para Idosos. Este manual pode ser manuseado a partir dos diferentes componentes, atendendo a interesses gerais ou especficos. Tem por objetivo servir de instrumento aos cuidadores de pes-soas da terceira idade, em especial quelas que residem numa ILPI. Para tanto, este manual deve estar disponvel em local de fcil acesso para consulta a toda hora por parte dos interessados.

    Espera-se que a divulgao deste documento possibilite a melhoria da qualidade do atendimento prestado, reduzindo os agravos sade, promovendo mudanas de prticas e padronizao das rotinas dos servios, contribuindo com a implementao de medidas de atendimento mais eficazes e mais humanizadas nas ILPIs.

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  • REGULAMENTO TCNICO PARA O FUNCIONAMENTO DAS ILPIS

    Todas as Instituies de Longa Permanncia para Idosos devem possuir alvar sa-nitrio atualizado expedido pelo rgo sanitrio competente, de acordo com o es-tabelecido na Lei Estadual n 6.320, de 20 de dezembro de 1983, e comprovarem a inscrio de seu programa junto ao Conselho do Idoso, em conformidade com o Pargrafo nico, Art. 48, da n Lei 10.741 de 2003.

    ALVAR SANITRIO

    O que e como obt-lo?

    Alvar Sanitrio um documento fornecido pela autoridade de sade, que autoriza a ocupao e uso de imvel recm-construdo ou reformado e/ou o funcionamento de estabelecimentos comerciais, industriais, agropecurios, de sade, de educao pr-escolar e outros, aps a vistoria prvia das condies fsico-sanitrias do mesmo.

    Para se obter um Alvar Sanitrio preciso adotar os seguintes procedimentos:

    providenciar a documentao necessria; preencher requerimento-padro adquirido no Setor de Protocolo, anexando a documentao necessria para abertura do andamento do processo;

    obter o nmero do protocolo para acompanhar o processo. Aps a vistoriarealiza-da, o alvar ser ou no liberado.

    Obs.: Voc poder acompanhar a tramitao de seu processo acessando o Sistema de Protocolo Padro. Para isso, precisa tero nmero do protocolo em mos.

    Para obteno de Alvar Sanitrio Inicial necessrio providenciar os seguintes documentos:

    1. Formulrio de Petio (modelo DIVS anexo1);2. Cpia do Contrato Social regimento/ estatuto;3. Cpia atualizada do CNPJ (empresa jurdica) ou CPF (pessoa fsica);4. Comprovante de Recolhimento da Taxa Estadual;

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  • 5. Projeto fsico aprovado por autoridade competente;6. Relao dos profissionais que desenvolvem as atividades conforme servio

    prestado;7. Declarao da capacidade instalada para atendimento de clientes;8. Diploma do responsvel tcnico (que dever ter formao superior de nvel supe-

    rior), registrado no Conselho Regional de Classe competente.

    A renovao do Alvar Sanitrio dever ser feita anualmente, mediante a apre-sentao dos documentos solicitados no Alvar Sanitrio Inicial, acrescentado da cpia do Alvar Sanitrio do exerccio anterior.

    Aps a entrega da documentao necessria, a equipe da vigilncia sanitria de-ver realizar vistoria na unidade solicitante, para ver se ILPI est cumprindo as re-comendaes da RDC ANVISA n 283/2005. Se o Relatrio de Vistoria tiver parecer favorvel, ser concedido o Alvar Sanitrio que, por sua vez, tem um ano de prazo de validade.

    O Alvar Sanitrio dever permanecer afixado no estabelecimento em local visvel e de fcil acesso para consulta a todos os interessados.

    A inobservncia dos requisitos da RDC ANVISA n 283/2005 constitui infrao de natureza sanitria sujeitando o infrator ao processo e penalidades previstas na Lei Estadual n 6.320, de 20 de dezembro de 1983, ou outro instrumento legal que vier a substitu-la, sem prejuzo das responsabilidades penais e civis cabveis.

    Todas as ILPIs devem ser avaliadas e inspecionadas, no mnimo, anualmente. Para tanto, deve ser assegurado autoridade sanitria livre acesso a todas as depen-dncias do estabelecimento, e mantida disposio toda a documentao perti-nente, respeitando-se o sigilo e a tica, necessria s avaliaes e inspees.

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  • CONDIES GERAIS

    Todas as ILPIs devem propiciar o exerccio dos direitos humanos (civis, polticos, econmicos, sociais, culturais e individuais) de seus residentes.

    Observar os direitos e garantias dos idosos, inclusive o respeito liberdade de cre-do e liberdade de ir e vir, desde que no exista restrio determinada no Plano de Ateno Sade.

    Preservar a identidade e a privacidade do idoso, assegurando um ambiente de respeito e dignidade.

    Promover ambincia acolhedora.

    Promover a convivncia mista entre os residentes de diversos graus de dependncia.

    Promover integrao dos idosos, nas atividades desenvolvidas pela comunidade local.

    Favorecer o desenvolvimento de atividades conjuntas com pessoas de outras geraes.

    Incentivar e promover a participao da famlia e da comunidade na ateno ao idoso residente.

    Desenvolver atividades que estimulem a autonomia dos idosos.

    Promover condies de lazer para os idosos tais como: atividades fsicas, recreati-vas e culturais.

    Desenvolver atividades e rotinas para prevenir e coibir qualquer tipo de violncia e discriminao contra pessoas nela residentes.

    A categorizao da instituio deve obedecer normalizao do Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome, Coordenador da Poltica Nacional do Idoso.

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  • ORGANIZAO DOCUMENTAL

    As ILPIs devem estar legalmente constitudas e apresentarem:

    a. Estatuto registrado;b. Registro de entidade social;c. Regimento Interno.

    As ILPIs devem possuir um Responsvel Tcnico - RT pelo servio, que responde-r pela instituio junto autoridade sanitria local. O Responsvel Tcnico deve possuir formao de nvel superior

    As ILPIs devem celebrar contrato formal de prestao de servio com o idoso, res-ponsvel legal ou curador, em caso de interdio judicial, especificando o tipo de servio prestado, bem como os direitos e as obrigaes da entidade e do usurio em conformidade com inciso I do artigo 50 da Lei n 10.741 de 2003.

    As ILPIs podem terceirizar os servios de alimentao, limpeza e lavanderia, sendo obrigatria a apresentao do contrato e da cpia do alvar sanitrio da empresa terceirizada.

    As ILPIs que terceirizarem estes servios estaro dispensadas de manter quadro de pessoal prprio e rea fsica especfica para os respectivos servios.

    Processos Operacionais

    Gerais

    Todas as ILPIs devem elaborar um plano de trabalho que contemple as atividades previstas.

    As atividades das ILPIs devem ser planejadas em parceria e com a participao efe-tiva dos idosos, respeitando as demandas do grupo e aspectos socioculturais dos mesmos e da regio onde esto inseridos.

    Cabe s Instituies de Longa Permanncia para idosos manterem registro atuali-zado de cada idoso, em conformidade com o estabelecido no Art. 50, inciso XV, da

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  • Lei 1.0741, de 2003.

    As ILPIs devem comunicar Secretaria Municipal de Assistncia Social ou cong-nere, bem como ao Ministrio Pblico, a situao de abandono familiar do idoso ou a ausncia de identificao civil.

    O responsvel pela instituio deve manter disponvel cpia da RDC ANVISA n 283/2005 para consulta dos interessados.

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  • RECURSOS HUMANOS PARA INSTITUIES DE LONGA PERMANNCIA PARA IDOSOS

    Definies Importantes para a Compreenso do Clculo dos Recursos Humanos das ILPIs:

    Cuidador de Idosos - a pessoa capacitada para auxiliar o idoso que apresenta limi-taes para realizar atividades da vida diria.

    Dependncia do Idoso - a condio do indivduo que requer o auxilio de pessoas ou de equipamentos especiais para realizao de atividades da vida diria.

    Equipamento de Autoajuda - qualquer equipamento ou adaptao utilizado para compensar ou potencializar habilidades funcionais, tais como bengala, andador, culos, aparelho auditivo e cadeira de rodas, entre outros com funo assemelhada.

    GRAU DE DEPENDNCIA DO IDOSO

    a. Grau de Dependncia I - idosos independentes, mesmo que requeiram uso de equipamentos de autoajuda;

    b. Grau de Dependncia II - idosos com dependncia em at trs atividades de autocuidado para a vida diria, tais como alimentao, mobilidade, higiene, sem comprometimento cognitivo ou com alterao cognitiva controlada;

    c. Grau de Dependncia III - idosos com dependncia que requeiram assistncia em todas as atividades de autocuidado para a vida diria e/ou com comprometi-mento cognitivo.

    Indivduo autnomo - aquele que detm poder decisrio e controle sobre a sua vida.

    A Instituio de Longa Permanncia para Idosos deve apresentar recursos hu-manos, com vnculo formal de trabalho, que garantam a realizao das seguin-tes atividades:

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  • Para a coordenao tcnica: um responsvel tcnico com carga horria mnima de 20 horas por semana.

    Para os cuidados aos residentes: preciso fazer levar em considerao o nmero de idosos com base no grau de dependncia.

    a. Grau de Dependncia I: um cuidador para cada 20 idosos, ou frao, com carga horria de 8 horas/dia;

    b. Grau de Dependncia II: um cuidador para cada 10 idosos, ou frao, por turno;

    c. Grau de Dependncia III: um cuidador para cada 6 idosos, ou frao, por turno.

    Para as atividades de lazer preciso um profissional com formao de nvel su-perior para cada 40 idosos, com carga horria de 12 horas por semana.

    Para servios de limpeza preciso um profissional para cada 100 m2 de rea in-terna, ou frao, por turno diariamente.

    Para o servio de alimentao preciso um profissional para cada 20 idosos, ga-rantindo a cobertura de dois turnos de 8 horas.

    Para o servio de lavanderia: um profissional para cada 30 idosos, ou frao, diariamente.

    As ILPIs que possurem profissional de sade vinculado sua equipe de trabalho de-vem exigir registro desse profissional no seu respectivo Conselho de Classe.

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  • CONSIDERAES SOBRE CUIDADORES DE IDOSOS QUEM SO?

    O envelhecimento da populao um processo complexo que envolve dimenses biolgicas, psicolgicas e socioculturais que afetam o estilo de vida e a forma do en-velhecer humano. Com o aumento da longevidade desta populao preciso estar atento s necessidades dos idosos que passaro a necessitar de maior ajuda, tempo-rria ou permanente, para suas atividades de vida diria.

    Para auxili-los nesta etapa da vida garantindo um melhor atendimento e quali-dade de vida a estes idosos existem pessoas especialmente designadas a prestar os devidos cuidados. Para tanto, estes cuidadores de idosos devem estar preparados para exercer esta tarefa. Isso parece que exige um conhecimento sobre as alteraes decorrentes do processo de envelhecimento normal, sobre as doenas crnicas t-picas dessa etapa do ciclo de vida e, principalmente, das situaes que permeiam as sndromes geritricas, assim como a compreenso do contexto psicolgico e da dinmica familiar.

    Entende-se por cuidador pessoas que cuidam de bebs, crianas, jovens e adultos, a partir de objetivos estabelecidos por instituies especializadas ou pelos respons-veis diretos, zelando pelo bem-estar, sade, alimentao, higiene pessoal, educao, cultura e recreao da pessoa atendida.

    Trata-se de profisso reconhecida e inserida na Classificao Brasileira de Ocupa-es do Ministrio do Trabalho e Emprego com o Cdigo 5162-10 (Cuidador de pes-soas idosas e dependentes e Cuidador de idosos institucional). Esta capacitao exigida aos profissionais que trabalham em Instituies de Longa Permanncia para idosos.

    O cuidador formal da pessoa idosa na sociedade brasileira contempornea aque-le que recebeu formao especial para trabalhar neste campo e pode-se empregar como um assalariado, na moradia de uma pessoa idosa, numa instituio de longa permanncia para idosos (ILPI) ou em outros servios para pessoas idosas.

    O cuidador que trabalha para uma pessoa jurdica, isto , hospital, clnica ou ILPI, ter um contrato de acordo com a CLT. Se ele trabalha em residncia familiar, ser regido pela legislao de empregado domstico. O registro na carteira profissional feito na ocupao de servio domstico: cuidador de idoso, e para o pagamento do INSS utiliza-se o cdigo 1600.

    Sendo reconhecida apenas como ocupao e no como profisso, os cursos que capacitam o cuidador da pessoa idosa no esto ainda regulamentados.

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  • No existe uma padronizao e normas fixas sobre o contedo ou de horas mni-mas obrigatrias para eles. At o presente, o programa e o tempo de durao esto a critrio do profissional ou da entidade que os organizam. O mesmo acontece com relao s exigncias sobre o perfil do aluno.

    Em relao idade, ficou estabelecido que o futuro cuidador formal deve ser maior de 18 anos. Quanto escolaridade mnima, deve ter completado o correspondente ao ensino fundamental.

    O curso deve ter o mnimo de 100 horas de durao, com 80 aulas tericas e 20 prticas. Nele devem ser abordados os diversos aspectos do envelhecimento, as con-dies para manter uma boa sade, as doenas mais comuns que ocorrem na velhi-ce, as relaes interpessoais: idoso x famlia x cuidador, informaes sobre rede de servio e legislao, a tica e a funo do cuidador e, finalmente, o autocuidado do cuidador. Nas aulas prticas devem ser trabalhadas e observadas as diversas funes do cuidador da pessoa idosa, de modo a colocar em prtica os conhecimentos adqui-ridos em sala de aula.

    Por meio deste curso o aluno sair com habilidades tcnicas e conhecimentos necessrios para exercer suas funes.

    Alm destes requisitos, o cuidador dever ter outras qualidades, como as descri-tas abaixo:

    Qualidades fsicas e intelectuais Deve ter boa sade fsica para ter condies de ajudar e apoiar o idoso em suas atividades de vida diria. Tambm tem de ter condies de avaliar e tomar decises em situaes de emergn-cia que necessitam de iniciativas e aes rpidas.

    Capacidade de ser tolerante e paciente Deve compreender os momentos difceis pelos quais a famlia e a pessoa idosa podem estar passando, com a diminuio de sua capacidade fsica e mental, de seu papel social, que pode afetar seu humor e di-ficultar as relaes interpessoais.

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  • Capacidade de observao O cuidador deve ficar atento s alteraes que a pes-soa idosa pode sofrer, tanto emocionais quanto fsicas, que podem representar sinto-mas de alguma doena.

    Qualidades ticas e morais O cuidador precisa ter respeito e dignidade ao tratar a pessoa idosa e nas relaes com ele e com sua famlia. Deve respeitar a intimidade, a organizao e crenas da famlia, evitando interferncia e, sobretudo, exercendo a tica profissional.

    Responsabilidade Lembrar sempre que a famlia, ao entregar aos seus cuidados a pessoa idosa, est lhe confiando uma tarefa que, neste momento, est impossibilita-da de realizar, mas que espera seja desempenhada com todo o carinho e dedicao. Como em qualquer trabalho, a pontualidade, assiduidade e o compromisso contra-tual devem ser respeitados.

    Motivao Para exercer qualquer profisso, necessrio gostar do que faz. im-portante que tenha empatia por pessoas idosas, entender que nem sempre vai ter uma resposta positiva pelos seus esforos, mas vai ter a alegria e satisfao do dever cumprido.

    Bom senso e apresentao O cuidador, como qualquer trabalhador, deve ir tra-balhar vestido adequadamente, sem joias e enfeites, que podem machucar a pessoa idosa, com cabelo penteado e, ser for longo, com ele preso, sem maquiagem forte, pois no est indo a uma festa. As unhas devem estar cortadas e limpas. De prefern-cia, deve usar uniforme.

    Podemos destacar que as principais tarefas do cuidador formal so:1. Ajudar, estimular e realizar, caso seja indispensvel, as atividades de vida diria,

    ou seja, a higiene pessoal e bucal, alimentao, locomoo, etc.

    2. Cuidar do vesturio (organizar a roupa que vai ser usada, dando sempre pessoa idosa o direito de escolha), manter o armrio e os objetos de uso arrumados e nos locais habituais; e cuidar da aparncia da pessoa idosa (cuidar das unhas, cabe-los) de modo a aumentar a sua autoestima.

    3. Facilitar e estimular a comunicao com a pessoa idosa, conversando e ouvin-do-a; acompanhando-a em seus passeios e incentivando-a a realizar exerccios

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  • fsicos, sempre que autorizados pelos profissionais de sade, e a participar de atividades de lazer. Desta forma, ajudar a sua incluso social e a melhorar sua sade.

    4. Acompanhar a pessoa idosa aos exames, consultas e tratamentos de sade, e transmitir aos profissionais de sade as mudanas no comportamento, humor ou aparecimento de alteraes fsicas (temperatura, presso, sono, etc.).

    5. Cuidar da medicao oral da pessoa idosa, em dose e horrio prescritos pelo mdico. Em caso de injees, mesmo com receita mdica, proibido ao cuidador aplic-las. Dever recorrer a um profissional da rea de enfermagem.

    6. Estimular a autossuficincia da pessoa idosa; por isso, o cuidador dever, sempre que possvel, fazer com ela e no para ela.

    Observao: Para os indivduos com elevado grau de dependncia exige-se formao na rea da sade, devendo o profissional ser classificado na funo de tcnico/auxiliar de enfermagem.

    As ILPIs devem realizar atividades de educao permanente para todos os profis-sionais envolvidos, na rea de gerontologia, com objetivo de aprimorar tecnica-mente os recursos humanos envolvidos na prestao de servios aos idosos.

    As atividades de educao permanente devem estar devidamente registradas, sendo importante constar na documentao comprobatria pelo menos o nome do curso oferecido, os objetivos, a data e o nome dos participantes, com as respec-tivas assinaturas na lista de presena. Arquivo da cpia dos certificados de cursos realizados pelos profissionais fora da instituio tambm uma maneira de com-provar que so realizadas atividades de educao permanente.

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  • INFRAESTRUTURA FSICA

    A Instituio deve atender aos requisitos de infraestrutura fsica previstos no Re-gulamento Tcnico da RDC ANVISA n 283/200, alm das exigncias estabelecidas em cdigos, leis ou normas pertinentes, quer na esfera federal, quer estadual ou municipal, e normas especficas da ABNT 9050 - Associao Brasileira de Normas Tcnicas, referenciadas neste Regulamento.

    Instalaes Prediais - As instalaes prediais de gua, esgoto, energia eltrica, proteo e combate a incndio, telefonia e outras existentes devero atender s exigncias dos cdigos de obras e posturas locais, assim como s normas tcnicas brasileiras pertinentes a cada uma das instalaes.

    A ILPI deve oferecer instalaes fsicas em condies de habitabilidade, higiene, salubridade, segurana e garantir a acessibilidade a todas as pessoas com dificul-dade de locomoo, segundo o estabelecido na Lei Federal 10.098/00.

    A ILPI deve eliminar as barreiras arquitetnicas que possam impedir o acesso ou colocar em risco de acidentes o idoso, de maneira que as reas fsicas devero se enquadrar aos critrios e normas estabelecidos pela legislao em vigor ou outros ditames legais que venham a substitu-los ou complement-los. A rea fsica desti-nada ao atendimento de idosos deve ser planejada levando-se em conta que uma parcela significativa dos usurios pode vir a apresentar dificuldades de locomo-o e maior vulnerabilidade a acidente, o que justifica a criao de um ambiente adequado.

    As instituies que atendem idosos devero funcionar, preferencialmente, em construes horizontais. Quando dotadas de mais de um plano, devem dispor de equipamentos adequados, como rampa ou elevador para a circulao vertical. Caso contrrio, devem atender pessoas no imobilizadas no leito e com proble-mas locomotores ou psquicos, no pavimento trreo.

    A instituio deve atender s seguintes exigncias especficas:

    Acesso externo - devem ser previstas, no mnimo, duas portas de acesso, sendo uma exclusivamente de servio. Os acessos ao prdio devero possuir rampa com inclina-o mxima de 5%, largura mnima de 1,50 m, dotada de guarda-corpo e corrimo,

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  • piso revestido com material no derrapante, que permita o livre fluxo de cadeiras de rodas, inclusive.

    Pisos externos e internos (inclusive de rampas e escadas) - devem ser de f-cil limpeza e conservao, uniformes, com ou sem juntas e com mecanismo antiderrapante.

    Rampas e Escadas - devem ser executadas conforme especificaes da NBR 9050/ABNT, observadas as exigncias de corrimo e sinalizao.

    a. A escada e a rampa de acesso edificao devem ter, no mnimo, 1,20 m de largura. Circulaes internas - as circulaes principais devem ter largura mni-ma de 1,00 m e as secundrias podem ter largura mnima de 0,80 m, contando com luz de viglia permanente.

    b. circulaes com largura superior ou igual a 1,50 m devem possuir corrimo dos dois lados;

    c. circulaes com largura menor que 1,50 m podem possuir corrimo em ape-nas um dos lados.

    Elevadores - devem seguir as especificaes da NBR 7192/ABNT e NBR 13.994.

    Portas - devem ter um vo livre com largura mnima de 1,10 m, com travamento simples sem o uso de trancas ou chaves. As portas de correr tero os trilhos embutidos na soleira e no piso, para permitir a passagem de nvel, especialmente para cadeira de rodas.

    As portas dos sanitrios devem abrir para fora, devem ser instaladas de forma a deixar vos livres de 0,20 m na parte inferior.

    As maanetas das portas no devero ser do tipo arredondado ou de qualquer outro que dificulte a abertura das mesmas.

    As portas dos banheiros no podem possuir trancas ou chaves.

    Janelas e guarda-corpos - devem ter peitoris de no mnimo 1,00 m.

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  • A Instituio deve possuir os seguintes ambientes:

    Dormitrios separados por sexo para, no mximo, 4 pessoas, dotados de banheiro.

    a. Os dormitrios de 01 pessoa devem possuir rea mnima de 7,50 m2, incluindo rea para guarda de roupas e pertences do residente.

    b. Os dormitrios de 02 a 04 pessoas devem possuir rea mnima de 5,50 m2 por cama, incluindo rea para guarda de roupas e pertences dos residentes.

    c. Devem ser dotados de luz de viglia e campainha de alarme (pode ser utiliza-da uma sineta na cabeceira de fcil acesso ao idoso)

    d. Deve ser prevista uma distncia mnima de 0,80 m entre duas camas e 0,50 m entre a lateral da cama e a parede paralela.

    e. O banheiro deve possuir rea mnima de 3,60 m2, com 1 bacia, 1 lavatrio e 1 chuveiro, no sendo permitido nenhum desnvel em forma de degrau para con-ter a gua, nem o uso de revestimentos que produzam brilhos e reflexos.

    reas para o desenvolvimento das atividades voltadas aos residentes com graus de dependncia I, II devem respeitar o seguinte padro:

    a. Sala para atividades coletivas para no mximo 15 residentes, com rea mni-ma de 1,00 m2 por pessoa

    b. Sala de convivncia com rea mnima de 1,3 m2 por pessoa

    Sala para atividades de apoio individual e sociofamiliar com rea mnima de 9,00 m2

    Banheiros Coletivos, separados por sexo, com no mnimo um box para vaso sa-nitrio que permita a transferncia frontal e lateral de uma pessoa em cadeira de rodas, conforme especificaes da NBR9050/ABNT.

    a. As portas dos compartimentos internos dos sanitrios coletivos devem ter vos livres de 0,20 m na parte inferior.

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  • Cadeiras, camas, poltronas e vasos sanitrios

    As cadeiras, camas, poltronas e vasos sanitrios mais al-tos do que os comuns facilitam a pessoa cuidada a sentar, deitar e levantar. O cuidador ou outro membro da famlia pode fazer essas adaptaes. Em lojas especializadas exis-tem levantadores de cama, cadeiras e vasos sanitrios. Os assentos das bacias sa-nitrias devem estar a uma altura de 0,45 m do piso. Muitas vezes ser necessrio colocar uma plataforma para se atingir a altura estipulada. Neste caso, a projeo horizontal da plataforma no dever ultrapassar em 5 cm o contorno da base da bacia, sendo ideal que acompanhe a projeo da base da bacia.

    A proporo deve ser de, no mnimo, 1 bacia sanitria para cada 6 pessoas. No caso de as paredes laterais bacia sanitria serem afastadas, dever ser instalada, em ambos os lados da bacia, uma estrutura de apoio em substituio s barras instaladas na parede.

    ChuveiroDeve ser instalado em compartimento box com dimenses internas compat-

    veis com banho em posio sentada, dotado, obrigatoriamente, de gua quente e na proporo mnima de um chuveiro para cada quarto com 4 leitos.

    Bacia Sanitria bidQuando existente, deve ser instalada sobre um sculo de 0,15 m de altura, e

    equipada com a mesma estrutura de apoio descrita para o vaso sanitrio. As banheiras de imerso s sero permitidas nas salas de fisioterapia.

    Espao ecumnico e/ou para meditao

    Sala administrativa/reunio

    Refeitrio com rea mnima de 1,00 m2 por usurio, acrescido de local para guarda de lanches, de lavatrio para higienizao das mos e luz de viglia.

    Cozinha e despensa

    Lavanderia

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  • Local para guarda de roupas de uso coletivo

    Local para guarda de material de limpeza

    Almoxarifado indiferenciado com rea mnima de 10,00 m2

    Vestirio e banheiro para funcionrios, separados por sexo:

    a. Banheiro com rea mnima de 3,6 m2, contendo 1 bacia, 1 lavatrio e 1 chuveiro para cada 10 funcionrios ou frao.

    b. rea de vestirio com rea mnima de 0,5 m2 por funcionrio/turno.

    Lixeira ou abrigo externo edificao para armazenamento de resduos at o mo-mento da coleta.

    rea externa descoberta para convivncia e desenvolvimento de atividades ao ar livre (solarium com bancos, vegetao e outros)

    A exigncia de um ambiente depende da execuo da atividade correspondente.

    Os ambientes podem ser compartilhados de acordo com a afinidade funcional e a utilizao em horrios ou situaes diferenciadas.

    Todas as portas dos ambientes de uso dos residentes devem ser instaladas com travamento simples sem o uso de trancas ou chaves.

    Devem-se evitar objetos espalhados pelos ambientes, tapetes sem dispositivo an-tiderrapante e pisos encerados.

    O idoso deve usar sapatos e chinelos fechados, confortveis, e com sola de borracha.

    Os ambientes devem ser bem iluminados e arejados.

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  • Mobilirio e Equipamentos Bsicos

    A disposio do mobilirio deve possibilitar fcil circulao e minimizar o risco de acidentes e incndio.

    Nas instalaes sanitrias e na cabeceira de cada leito ocupado por residente com dificuldade de locomoo dever ser instalado um boto de campainha ao alcan-ce da mo.

    Outras Recomendaes Gerais Quanto Estrutura Fsico-funcional

    Manuteno da integridade da estrutura fsica externa da edificao.

    As instalaes fsicas como pisos, paredes e teto devem possuir revestimento liso, impermevel, lavvel, sendo imprescindvel que os pisos sejam de material anti-derrapante. Devem ser mantidos ntegros, conservados, livres de rachaduras, trin-cas, buracos, vazamentos, infiltraes, desnveis, descascamentos, entre outros.

    Devem-se evitar obstculos, como tapetes sem dispositivo antiderrapante, vasos com plantas ou outros objetos que podem ocasionar acidentes aos idosos.

    As aberturas externas das reas de armazenamento e preparao de alimentos, inclusive o sistema de exausto, devem ser providas de telas milimtricas para im-pedir o acesso de vetores e pragas urbanas. As telas devem ser removveis para facilitar a limpeza peridica.

    As instalaes devem ser abastecidas de gua corrente e dispor de conexes com rede de esgoto ou sptica. Quando presentes, os ralos devem ser sifonados e as grelhas devem possuir dispositivo que permita fechamento, em locais estratgi-cos, de forma a facilitar o escoamento.

    As caixas de gordura e de esgoto devem possuir dimenso compatvel ao volume de resduos, devendo ser localizadas fora da rea de preparao e armazenamento de alimentos e apresentar adequado estado de conservao e funcionamento.

    As reas internas e externas do estabelecimento devem estar livres de objetos em desuso ou estranhos ao ambiente.

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  • Vias externas de fcil acesso ao estabelecimento.

    Devem existir lavatrios exclusivos para a higiene das mos, na rea de manipula-o de alimentos, consultrios, oficinas, reas de apoio externo, providos de sabo-nete lquido e papel toalha.

    As superfcies dos equipamentos, mveis e utenslios utilizados na preparao, embalagem, armazenamento, distribuio devem ser lisas, impermeveis, lavveis e estar isentas de rugosidades, frestas e outras imperfeies que possam compro-meter a sua higienizao e ser fonte de contaminao dos alimentos.

    O armazenamento e o transporte do alimento preparado at a entrega ao consu-mo devero ocorrer em condies de tempo e temperatura que no comprome-tam sua qualidade higinico-sanitria.

    Circulao: sadas exclusivas para funcionrios e outra para resduos.

    Sistema eltrico ntegro e em funcionamento.

    Sistema eltrico de emergncia.

    Sinalizao interna de fcil visualizao.

    Sadas de emergncia sinalizadas e de fcil visualizao.

    Botijes de gs somente na parte externa, obedecendo s normas de segurana.

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  • UNIDADES DE APOIO LOGSTICO

    Alimentao e Nutrio

    Toda ILPI deve garantir aos idosos a alimentao, respeitando os aspectos culturais locais, oferecendo, no mnimo, seis refeies dirias.

    A manipulao, preparao, fracionamento, armazenamento e distribuio dos alimentos devem seguir o estabelecido na RDC n 216/2004, que dispe sobre Re-gulamento Tcnico de Boas Prticas para Servios de Alimentao.

    Toda ILPI deve manter disponveis normas e rotinas tcnicas quanto aos seguin-tes procedimentos:a. limpeza e descontaminao dos alimentos;b. armazenagem de alimentos;c. preparo dos alimentos com enfoque nas boas prticas de manipulao;d. boas prticas para preveno e controle de vetores;e. acondicionamento dos resduos.

    INFRAESTRUTURA FSICO-FUNCIONAL DA UNIDADE DE ALIMENTAO E NUTRIO

    Unidade de Alimentao e Nutrio dever contar com:

    rea para recepo e inspeo de alimentos e utenslios: com mobilirio e outros ele-mentos constitudos de material de fcil limpeza e desinfeco, provida de banca-da com pia;

    rea de armazenamento: com mobilirio e outros elementos constitudos de ma-terial de fcil limpeza e desinfeco; prateleiras a 25 cm do piso e estrados fenes-trados pallets;

    rea para guarda de utenslios: com mobilirio e outros elementos constitudos de material de fcil limpeza e desinfeco; armrios fechados e gavetas;

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  • rea para guarda de alimentos: com mobilirio e outros elementos constitudos de material de fcil limpeza e desinfeco; armrios fechados; antecmara provida de porta com dispositivo que permita abertura por dentro; condies de conser-vao dos alimentos condicionados refrigerao Portaria SVS n 326/97, com geladeiras, freezers, cmaras, em bom estado de conservao e funcionamento; termmetros de mxima e mnima e tomadas exclusivas de 110 e 220 V, com sis-tema de aterramento;

    rea para preparo dos alimentos: com mobilirio e outros elementos constitudos de material de fcil limpeza e desinfeco; bancada com pia, balana, filtro, uten-slios e equipamentos bsicos para preparo dos alimentos, geladeira e lixeira com tampa;

    rea de coco de alimentos: mobilirios e outros elementos constitudos de ma-terial de fcil limpeza e desinfeco, provido de bancada com pia, fogo de prefe-rncia industrial, coifa, utenslios (no so permitidos os de madeira, como tbuas e colheres de pau), geladeira;

    rea para recepo, lavagem e guarda de utenslios: com mobilirio e outros ele-mentos constitudos de material de fcil limpeza e desinfeco, bancadas com pia, armrios e prateleiras;

    Refeitrio: com mobilirio e outros elementos constitudos de material de fcil lim-peza e desinfeco; mesas e cadeiras, lavatrio provido com dispensador com sa-bo lquido, suporte com papel toalha e lixeira com saco plstico e tampa;

    Instalaes sanitrias servidas de gua corrente e conectadas rede de esgoto ou fos-sa sptica, com sanitrios e vestirios independentes para cada sexo, com vasos sanitrios, mictrios e lavatrios ntegros e em proporo adequada ao nmero de usurios e com ausncia de comunicao com a rea de trabalho e de refeies.

    Condies de Conservao do Ambiente e Segurana

    Teto ntegro e de fcil limpeza e desinfeco; Paredes ntegras e de fcil limpeza e desinfeco; Porta de acesso com no mnimo 110 cm; Sistema de escoamento de gua, com ralo sifonado;

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  • Climatizao e/ou ventilao artificial ou natural, com janelas e aberturas teladas; Condies de segurana contra incndio; Sinalizao de orientao e segurana; Identificao das sadas de emergncia; Tomadas 110V e 220V, aterradas e identificadas.

    Recursos Humanos:

    A RDC ANVISA 283/2005 determina a presena de um profissional para cada 20 idosos, garantindo a cobertura de dois turnos de 8 horas. Apesar de no exigir permanncia de nutricionista durante o perodo de funcionamento ou cardpio diversificado, assinado por nutricionista, certamente este um fator que pode ga-rantir uma maior segurana na qualidade da alimentao e nutrio dos idosos.

    preciso realizar superviso constante sobre os cozinheiros.

    Escala de funcionrios por turno e categoria.

    Atestado de sade de todas as pessoas envolvidas destinado especialmente ma-nipulao dos alimentos.

    Utilizao de equipamento de proteo individual (EPI) em quantidade suficiente para a demanda do servio, como jaleco ou avental impermevel, gorro ou leno no cabelo e calado fechado.

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  • SUGESTO DE ELABORAO DE MANUAL DE BOAS PRTICAS PARA INSTITUIES DE LONGA PERMANNCIA PARA IDOSOS

    O que so Boas Prticas?

    So prticas de higiene que devem ser obedecidas pelos manipu ladores de ali-mentos desde a escolha e compra dos produtos a serem utilizados no preparo do alimento. O objetivo das Boas Prticas evitar a ocorrncia de doenas provoca-das pelo consumo de alimentos contaminados.

    Normalmente os parasitas, as substncias txicas e os micrbios prejudiciais sa-de entram em contato com o alimento durante a manipulao e o seu preparo. Esse processo de contgio do alimento conhecido como contaminao.

    A maioria das DTA est associada contaminao de alimentos por micrbios pre-judiciais sade.

    sempre bom lembrar que medidas simples, como lavagem das mos, conserva-o dos alimentos em tem peraturas adequadas e o cozimento correto, evitam ou controlam a contaminao dos alimentos. Essas medidas simples fazem parte das Boas Prticas.

    Toda ILPI dever adotar o Manual de Boas Prticas.

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  • Objetivo do Manual de Boas Prticas

    O Manual de Boas Prticas tem a finalidade de servir como um instrumento que auxilie o manipulador de alimentos. Segue abaixo sugesto de um pequeno con-tedo que poder ser adotado e adaptado, conforme a especificidade de cada ILPI. O importante que todos os cuidadores de idosos e interessados tenham acesso a este manual, que haja um treinamento constante dos manipuladores de alimentos (abordando, no mnimo, os seguintes temas: contaminantes alimentares, doenas transmitidas por alimentos, manipulao higinica dos alimentos e boas prticas), e uma superviso constante para ver se as normas esto sendo cumpridas. preciso tambm que se elabore o POP Procedimento Operacional Padronizado, que um documento que descreve passo a passo como executar as tarefas no estabelecimen-to. Funciona como uma receita de bolo, que deve ser seguida rigorosamente, para que tudo d certo. O POP destaca as etapas de cada tarefa, os responsveis por faz-las, os materiais necessrios e a frequncia com que devem ser feitas.

    Contedo do Manual de Boas Prticas

    Higiene Alimentar

    Higiene do manipulador

    Higiene de utenslios e equipamentos

    Higiene do ambiente

    Intoxicao Alimentar

    Tipo de contaminao

    Como prevenir uma intoxicao

    Armazenamento Correto dos Alimentos

    Exposio ao consumo do alimento preparado

    Resduos Armazenamento e Descarte

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  • Controle de Pragas

    Recomendaes

    Higiene Alimentar

    o conjunto de processos e normas utilizados para evitar contaminao do alimento.

    Higiene do Manipulador

    O manipulador de alimentos, que compreende qualquer pessoa do servio de ali-mentao que entra em contato direto ou indireto com o alimento, deve:

    tomar banho e lavar os cabelos todos os dias; lavar as mos e o antebrao com sabo sempre antes de entrar na rea de manipu-lao de alimentos e antes de lidar diretamente com eles;

    manter as unhas sempre curtas, limpas e sem esmaltes; manter todo o ferimento, por menor que seja, coberto com proteo prova dgua e de cores fortes, pois se esta cobertura vier a cair dentro do alimento pre-parado, facilitar o seu encontro;

    proteger a cabea para evitar queda de cabelo no alimento; no fumar dentro da rea de manipulao de alimentos e suas dependncias; no utilizar joias, bijuterias, relgios etc. durante o seu trabalho; usar o uniforme completo e somente no perodo de trabalho; cuidar para no tossir, respirar e assobiar na rea de manipulao de alimentos; utilizar calados fechados durante o horrio de trabalho; renovar semestralmente o atestado de sade para manipuladores de alimentos.

    Observao:O profissional que trabalha com a alimentao/nutrio no pode trabalhar com ati-vidades de limpeza de forma simultnea.

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  • Higiene dos Utenslios e Equipamentos

    A limpeza deve ocorrer sempre enquanto se trabalha, para manter uma impresso favorvel e evitar contaminaes.

    Deve-se proceder lavagem dos equipamentos e utenslios com gua quente e fazer a secagem com panos limpos.

    Deve-se evitar a utilizao de utenslios de madeira que, geralmente, apresentam ranhuras que facilitam a proliferao de bactrias e dificultam a higienizao.

    Higiene do Ambiente

    O ambiente inclui a rea interna, como pisos, paredes, portas, janelas, instalaes fixas e a rea externa, que esto prximos do espao de manipulao de alimentos.

    Deve-se evitar o acesso de pessoas estranhas ou alheias ao servio na rea de ma-nipulao quando os alimentos esto sendo processados.

    O cho deve ser varrido vrias vezes ao dia, conforme a necessidade, e lavado pelo menos uma vez ao dia, exceto quando houver alimento exposto.

    Todos os equipamentos pesados (foges, refrigeradores, etc.) devem ser limpos depois do uso, bem como todos os armrios de alimentao que tambm devem estar organizados.

    A rea externa, prxima do servio de alimentao, deve ser diariamente varrida e no deve permitir acmulo de sujeira, gua ou objetos fora de uso.

    Conhecendo um pouco mais sobre intoxicao alimentar

    As enfermidades transmitidas por alimentos ocorrem geralmente de uma a trinta e seis horas aps consumo de alimentos contaminados, cujos sintomas podero durar de um a sete dias. Seus sinais e sintomas compreendem dores de cabea, nuseas, vmitos, diarreia e clicas abdominais. A mais comum causada por bactrias e suas toxinas, que podem causar at a morte. Para acontecer uma intoxicao alimentar necessrio que ocorra uma contaminao do alimento.

    Para compreender como ocorre uma contaminao dos alimentos, preciso co-nhecer um pouco mais sobre o que so os micrbios

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  • O que so os micrbios?

    Os micrbios so organismos vivos to pequenos que s podem ser vistos por meio de um equipamento com potentes lentes de au mento chamado microscpio. Eles tambm so conhecidos como microrganismos.

    Os micrbios multiplicam-se nos alimentos quando encontram con dies ideais de nutrientes, umidade e temperatura.

    Os micrbios prejudiciais sade podem se multiplicar em tempe raturas entre 5C a 60C (chama da zona de perigo). Olhe o desenho abaixo:

    A maioria dos alimentos contm umi-dade suficiente para a multipli cao dos micrbios. Esses alimentos devem ser conservados em tempera turas especiais, sendo chamados de perecveis.

    Os alimentos secos (como arroz cru, biscoito e farinha) no possuem umi-dade suficiente para a multiplicao dos micrbios, sendo conservados na tempe-ratura ambiente. Os alimentos secos so tambm chamados de no-perecveis.

    Os micrbios so ampla mente dis-tribudos, poden do ser encontrados no

    solo, na gua, nas pessoas, nos animais, nos alimentos e at flutuando no ar. Os micrbios so divi didos nos seguintes grupos: vrus, bactrias e fungos. Alguns

    micrbios, chamados de deteriorantes, podem estragar o alimento, que fica com cheiro e sabor desagrad veis. Outros micrbios quan do presentes nos alimentos po-dem causar doenas, sendo chamados de prejudiciais sade ou patognicos.

    Tipos de contaminao

    Contaminao qumica: causada por produtos qumicos. Ocorre durante a prepa-rao, embalagem ou armazenamento do alimento;

    Contaminao natural ou vegetal: causada por plantas venenosas misturadas aos alimentos;

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  • Contaminao fsica: causada por qualquer objeto estranho misturado ao ali-mento, como: cabelo, brinco, um pedao de palha de ao, etc.;

    Contaminao por bactria: a causa mais comum, ocasionada pelas prprias bac-trias ou por suas toxinas, resultante da falta do saber e descuido dos manipula-dores de alimento.

    Bactrias

    As bactrias so microrganismos invisveis a olho nu.

    Existem bactrias que no fazem mal ao homem, como, por exemplo, as utilizadas na fabricao do iogurte.

    Existem bactrias que causam doenas ao homem e a grande a maioria transmi-tida por meio dos alimentos.

    As bactrias esto em todos os lugares, como no ar, no solo, no p, na poeira, no prprio homem (nariz, boca, pele, intestino), nos animais (pelo, patas, bicos, intes-tino), nos prprios alimentos, no lixo, etc.

    As bactrias precisam de calor, umidade e de tempo para se multiplicarem. Nestas condies favorveis elas se multiplicam muito rapidamente, dobrando de quan-tidade a cada 20 minutos.

    As bactrias no andam sozinhas. Na maioria das vezes o homem quem as trans-porta de um lugar para outro, por meio de suas mos.

    Um alimento contaminado por bactria tem grandes possibilidades de causar uma intoxicao alimentar.

    So trs as principais bactrias patognicas transmitidas por alimentos: a SALMO-NELA, o CLOSTRDIO e o ESTAFILOCOCO.

    A SALMONELA transmitida principalmente por meio do consumo de ovos e car-nes (principalmente de aves) cruas ou mal cozidas.

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  • O CLOSTRDIO forma esporos, que uma espcie de casca dura que protege essa bactria das grandes extremidades de temperatura. Eles so encontrados no solo (terra).

    O ESTAFILOCOCO encontrado principalmente no homem e produz uma toxina muito prejudicial sade, que bastante resistente ao calor.

    Fatores que contribuem para o desenvolvimento de microorganismos

    Esfriamento inadequado Manuteno de calor deficiente Descongelamento inadequado Longo perodo entre a preparao e o consumo

    Fatores que contribuem para a contaminao

    Pessoas infectadas manipulando alimentos Alimentos crus contaminados Contaminao por equipamentos, utenslios ou falta de higiene do meio

    Como evitar uma intoxicao alimentar

    evitando uma contaminao do alimento;

    seguindo as normas estabelecidas dentro da rea de manipulao de alimentos;

    adotando a correta higienizao dos utenslios, equipamentos e do ambiente in-terno e prximo da rea de manipulao de alimentos;

    cozinhando corretamente os alimentos, evitando o consumo de alimentos crus ou mal cozidos;

    descongelando o alimento completa e adequadamente antes de lev-lo ao fogo;

    no utilizando os mesmos utenslios para alimentos crus e cozidos sem a correta desinfeco;

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  • armazenando os alimentos de forma adequada, organizada, observando sempre a qualidade do produto e sua data de validade antes de utiliz-lo;

    no comprando alimentos de procedncia duvidosa e que no tenham o registro do Ministrio da Sade;

    evitando a permanncia de alimentos de risco (carnes, leite e derivados, alimentos j cozidos...) na temperatura da zona de perigo (entre 5C e 65C).

    Armazenamento Correto dos Alimentos

    A intoxicao alimentar tambm pode ser evitada atravs do armazenamento cor-reto dos alimentos. Leia e aplique, portanto, as seguintes regras:

    o local para armazenamento deve ser arejado, com telas nas aberturas (portas e janelas), e estar sempre limpo e organizado;

    proibido sobrepor bandejas, pratos e outros recipientes, contendo alimento, quando desprovidos de cobertura;

    os alimentos devero estar a uma altura mnima de 30 cm do cho, em estrados ou prateleiras e nunca diretamente no cho;

    todo alimento cuja embalagem plstica for aberta e no totalmente utilizado de-ver ser novamente fechado com fita ou um prendedor;

    qualquer alimento derramado dever ser imediatamente limpo;

    todo alimento mais novo deve ser colocado atrs dos alimentos mais velhos, para que os mais velhos sejam utilizados primeiro, sempre verificando sua data de validade;

    os alimentos embalados devem ser armazenados com cuidado e todos que apre-sentarem ferrugem, abaulamento e/ou amassamento no podero ser utilizados;

    os alimentos enlatados que no forem totalmente utilizados devero ser transfe-ridos para outro recipiente, preferencialmente de plstico ou vidro, com tampa e

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  • ento serem armazenados em refrigerao e identificados quanto data de fracio-namento do alimento (ou seja, a data da retirada da embalagem original);

    os vegetais que necessitarem de refrigerao devero ser limpos e ensacados para posterior refrigerao;

    os vegetais que no necessitam de refrigerao devem ser acondicionados em caixas plsticas vazadas, sempre limpas, colocadas sobre estrados;

    deve-se permitir a circulao de ar entre os produtos armazenados nas prateleiras e nos refrigeradores e entre os refrigeradores e/ou freezer;

    os alimentos congelados devem ser de tima qualidade, possuir etiquetas com nome e quantidade do produto e data do congelamento. Obs.: o descongelamen-to deve ser feito no refrigerador, na parte inferior, e o alimento deve estar dentro de uma bacia ou forma. Aps o descongelamento completo, o alimento dever ser utilizado em 24 horas;

    os refrigeradores e freezers devem estar em perfeitas condies de funcionamen-to, com as borrachas de vedao bem conservadas e possuir temperaturas entre 1C e 4C nos refrigeradores e 18C nos freezers. Devero ser limpos com gua (41 litros) preparada com uma colher (de sopa) de bicarbonato de sdio;

    no refrigerador, as carnes cruas e peixes devem ser armazenados na parte mais inferior, seguindo os vegetais e, acima destes, os alimentos cozidos. Na prateleira superior se armazenam o leite, derivados e demais alimentos.

    Matrias-primas, ingredientes e embalagens

    Os servios de alimentao devem especificar os critrios para avaliao e sele-o dos fornecedores de matrias-primas, ingredientes e embalagens. O trans-porte desses insumos deve ser realizado em condies adequadas de higiene e conservao.

    A recepo das matrias-primas, dos ingredientes e das embalagens deve ser re-alizada em rea protegida e limpa. Devem ser adotadas medidas para evitar que esses insumos contaminem o alimento preparado.

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  • As matrias-primas, os ingredientes e as embalagens devem ser submetidos ins-peo e aprovados na recepo. As embalagens primrias das matrias-primas e dos ingredientes devem estar ntegras. A temperatura das matrias-primas e in-gredientes que necessitem de condies especiais de conservao deve ser verifi-cada nas etapas de recepo e de armazenamento.

    Os lotes das matrias-primas, dos ingredientes ou das embalagens reprovados ou com prazos de validade vencidos devem ser imediatamente devolvidos ao forne-cedor e, na impossibilidade, devem ser devidamente identificados e armazenados separadamente. Deve ser determinada a sua destinao final.

    As matrias-primas, os ingredientes e as embalagens devem ser armazenados em local limpo e organizado, de forma a garantir proteo contra contaminantes. De-vem estar adequadamente acondicionados e identificados, sendo que sua utiliza-o deve respeitar o prazo de validade. Para os alimentos dispensados da obriga-toriedade da indicao do prazo de validade, deve ser observada a sua ordem de entrada.

    As matrias-primas, os ingredientes e as embalagens devem ser armazenados sobre paletes, estrados e/ou prateleiras, respeitando-se o espaamento mnimo necessrio para garantir adequada ventilao, limpeza e, quando for o caso, de-sinfeco do local. Os paletes, estrados e/ou prateleiras devem ser de material liso, resistente, impermevel e lavvel.

    Cuidados com os ingredientes usados no preparo dos alimentos

    Conselhos:

    compre os ingredientes em esta belecimentos limpos, organizados e confiveis;

    armazene imediatamente os produtos congelados e refrige rados e depois os pro-dutos no-perecveis;

    lembre-se de que os locais de ar mazenamento devem ser limpos, organizados, ventilados e protegi dos de insetos e outros animais;

    no use e no compre produtos com embalagens amassadas, estufadas, enferru-

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  • jadas, trinca das, com furos ou vazamentos, rasgadas, abertas ou com outro tipo de defeito;

    limpe as embalagens antes de abri-las;

    os ingredientes que no forem utilizados totalmente devem ser armazenados em recipientes limpos e identificados com: nome do produto; data da retirada da embalagem original; prazo de validade aps a aber tura.

    OBS.: no armazene o produto em latas depois de aberto. Transfira o restante do pro-duto para um vasilhame adequado e devidamente identificado.

    Preparao do alimento

    As matrias-primas, os ingredientes e as embalagens utilizados para preparao do alimento devem estar em condies higinico-sanitrias adequadas e em con-formidade com a legislao especfica.

    O quantitativo de funcionrios (A RDC ANVISA 283/2005 determina a presena de um profissional para cada 20 idosos, garantindo a cobertura de dois turnos de 8 horas), equipamentos, mveis e/ou utenslios disponveis devem ser compatveis com volume, diversidade e complexidade das preparaes alimentcias.

    Durante a preparao dos alimentos, devem ser adotadas medidas a fim de mini-mizar o risco de contaminao cruzada. Deve-se evitar o contato direto ou indireto entre alimentos crus, semipreparados e prontos para o consumo.

    Os funcionrios que manipulam alimentos crus devem realizar a lavagem e a an-tissepsia das mos antes de manusear alimentos preparados.Por isso, necess-rio que o manipulador de alimentos possua uma pia exclusiva para lavagem das mos, no mesmo ambiente onde prepara os alimentos, dotado de sabonete lqui-do, papel toalha e lixeira com tampa por acionamento por pedal.

    As matrias-primas e os ingredientes caracterizados como produtos perecveis devem ser expostos temperatura ambiente somente pelo tempo mnimo ne-

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  • cessrio para a preparao do alimento, a fim de no comprometer a qualidade higinico-sanitria do alimento preparado.

    Quando as matrias-primas e os ingredientes no forem utilizados em sua totali-dade, devem ser adequadamente acondicionados e identificados com, no mni-mo, as seguintes informaes: designao do produto, data de fracionamento e prazo de validade aps a abertura ou retirada da embalagem original.

    Quando aplicvel, antes de iniciar a preparao dos alimentos, deve-se proceder adequada limpeza das embalagens primrias das matrias-primas e dos ingre-dientes, minimizando o risco de contaminao.

    A eficcia do tratamento trmico deve ser avaliada pela verificao da temperatu-ra e do tempo utilizados e, quando aplicvel, pelas mudanas na textura e cor na parte central do alimento.

    Para os alimentos que forem submetidos fritura, alm dos controles estabeleci-dos para um tratamento trmico, devem-se instituir medidas que garantam que o leo e a gordura utilizados no constituam uma fonte de contaminao qumica do alimento preparado.

    Os leos e gorduras utilizados devem ser aquecidos a temperaturas no superiores a 180C (cento e oitenta graus Celsius), sendo substitudos imediatamente sempre que houver alterao evidente das caractersticas fsico-qumicas ou sensoriais, tais como aroma, sabor e formao intensa de espuma e fumaa;

    Para os alimentos congelados, antes do tratamento trmico, deve-se proceder ao descongelamento, a fim de garantir adequada penetrao do calor. Excetuam-se os casos em que o fabricante do alimento recomenda que seja submetido ao trata-mento trmico ainda congelado, devendo ser seguidas as orientaes constantes da rotulagem.

    O descongelamento deve ser conduzido de forma a evitar que as reas superficiais dos alimentos se mantenham em condies favorveis multiplicao microbia-na. O descongelamento deve ser efetuado em condies de refrigerao tempe-ratura inferior a 5C (cinco graus Celsius) ou em forno de micro-ondas quando o alimento for submetido imediatamente coco.

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  • Os alimentos submetidos ao descongelamento devem ser mantidos sob refri-gerao se no forem imediatamente utilizados, no devendo ser congelados novamente.

    Depois de serem submetidos coco, os alimentos preparados devem ser man-tidos em condies de tempo e de temperatura que no favoream a multiplica-o microbiana. Para conservao a quente, os alimentos devem ser submetidos temperatura superior a 60C (sessenta graus Celsius) por, no mximo, seis horas. Para conservao sob refrigerao ou congelamento, os alimentos devem ser pre-viamente submetidos ao processo de resfriamento.

    O processo de resfriamento de um alimento preparado deve ser realizado de for-ma a minimizar o risco de contaminao cruzada e a sua permanncia em tem-peraturas que favoream a multiplicao microbiana. A temperatura do alimento preparado deve ser reduzida de 60C (sessenta graus Celsius) a 10C (dez graus Celsius) em at duas horas. Em seguida, ele deve ser conservado sob refrigerao a temperaturas inferiores a 5C (cinco graus Celsius), ou congelado temperatura igual ou inferior a -18C (dezoito graus Celsius negativos).

    O prazo mximo de consumo do alimento preparado e conservado sob refrigera-o, temperatura de 4C (quatro graus Celsius), ou inferior, deve ser de cinco dias. Quando forem utilizadas temperaturas superiores a 4C (quatro graus Celsius) e inferiores a 5C (cinco graus Celsius), o prazo mximo de consumo deve ser redu-zido, de forma a garantir as condies higinico-sanitrias do alimento preparado.

    Caso o alimento preparado seja armazenado sob refrigerao ou congelamento, deve-se fixar no seu invlucro, no mnimo, as seguintes informaes: designao, data de preparo e prazo de validade. A temperatura de armazenamento deve ser regularmente monitorada e registrada.

    Quando aplicvel, os alimentos a serem consumidos crus devem ser submetidos a processo de higienizao, a fim de reduzir a contaminao superficial. Os produ-tos utilizados na higienizao dos alimentos devem estar regularizados no rgo competente do Ministrio da Sade e ser aplicados de forma a evitar a presena de resduos no alimento preparado.

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  • O estabelecimento deve implementar e manter documentados o controle e a ga-rantia da qualidade dos alimentos preparados.

    Armazenamento e Transporte do Alimento Preparado

    Os alimentos preparados mantidos na rea de armazenamento ou aguardando o transporte devem estar identificados e protegidos contra contaminantes. Na iden-tificao deve constar, no mnimo, a designao do produto, a data de preparo e o prazo de validade.

    O armazenamento e o transporte do alimento preparado, da distribuio at a entrega ao consumo, devem ocorrer em condies de tempo e temperatura que no comprometam sua qualidade higinico-sanitria. A temperatura do alimento preparado deve ser monitorada durante essas etapas.

    Os meios de transporte do alimento preparado devem ser higienizados, sendo adotadas medidas a fim de garantir a ausncia de vetores e pragas urbanas. Os veculos devem ser dotados de cobertura para proteo da carga, no devendo transportar outras cargas que comprometam a qualidade higinico-sanitria do alimento preparado.

    Ateno!

    Verifique se no h baratas, ratos ou outros animais no veculo de transporte do alimento.

    No transporte junto com os alimentos substncias txi cas, como produtos de limpeza e venenos.

    Exposio ao Consumo do Alimento Preparado

    As reas de exposio do alimento preparado e de consumao ou refeitrio de-vem ser mantidas organizadas e adequadas s condies higinico-sanitrias. Os equipamentos, mveis e utenslios disponveis nessas reas devem ser compatveis com as atividades, em nmero suficiente e em adequado estado de conservao.

    Os manipuladores devem adotar procedimentos que minimizem o risco de conta-minao dos alimentos preparados por meio da antissepsia das mos e pelo uso

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  • de utenslios ou luvas descartveis.

    Os equipamentos necessrios exposio ou distribuio de alimentos prepara-dos sob temperaturas controladas devem ser devidamente dimensionados, e es-tar em adequado estado de higiene, conservao e funcionamento. A temperatu-ra desses equipamentos deve ser regularmente monitorada.

    O equipamento de exposio do alimento preparado na rea de consumao deve dispor de barreiras de proteo que previnam a contaminao de tal alimento, em decorrncia da proximidade ou da ao do consumidor e de outras fontes.

    Os utenslios utilizados na consumao do alimento, tais como pratos, copos, ta-lheres, devem ser descartveis ou, quando feitos de material no-descartvel, de-vidamente higienizados, sendo armazenados em local protegido.

    Os ornamentos e plantas localizados na rea de consumao ou refeitrio no de-vem constituir fonte de contaminao para os alimentos preparados.

    A rea do servio de alimentao onde se realiza a atividade de recebimento de di-nheiro, cartes e outros meios utilizados para o pagamento de despesas deve ser reservada. Os funcionrios responsveis por essa atividade no devem manipular alimentos preparados, embalados ou no.

    Reforando alguns lembretes para o cuidado com o preparo dos alimentos com higiene

    Lave as mos antes de preparar os alimentos e depois de ma nipular alimentos crus (carnes, frangos, peixes) e vegetais no lavados.

    Para ter certeza do completo cozimento, verifique a mudana na cor e textura na parte interna do alimento.

    Evite o contato de alimentos crus com alimentos cozidos. Alm disso, lave os utenslios usados no preparo de alimentos crus antes de utiliz-los em alimentos cozidos.

    Durante a utilizao dos leos e gorduras pode haver alteraes no cheiro, sabor,

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  • cor, formao de espuma e fumaa. Estes sinais indicam que o leo deve ser troca-do imediatamente.

    Os alimentos congelados e refri gerados no devem permanecer fora do freezer ou geladeira por tempo prolongado.

    No caso de alimentos preparados serem armazenados na geladeira ou no freezer, esses devem ser identificados com: nome do produto; data de preparo; prazo de validade.

    No descongele os alimentos temperatura ambiente. Utilize o forno de micro-ondas se for preparar o alimento imediatamente ou deixe-o na geladeira at des-congel-lo. As carnes devem ser descongeladas dentro de recipientes.

    Durante a utilizao dos leos e gorduras pode haver alteraes no cheiro, sabor, cor, formao de espuma e fumaa. Estes sinais indicam que o leo deve ser troca-do imediatamente.

    Quando os leos e as gorduras so utilizados por longo perodo, so formadas substncias txicas que podem causar mal sade, essas substncias do um sa-bor e cheiro ruim ao alimento e, geral mente, produzem muita fumaa e espuma.

    Lembre-se sempre: os micr bios patognicos multiplicam-se rapidamente em temperatura ambiente.

    Durante o descongelamento, a carne produz sucos que podem contaminar outros alimentos com micrbios patognicos

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  • Ateno!

    Alimentos como frutas, legumes e hortalias devem ser higieniza dos, tendo em vista que esses podem ser consumidos crus. A corre ta higienizao elimina os micr-bios patognicos e os parasitas.

    Para higienizao de hortalias, frutas e legumes:1. selecione, retirando as folhas, partes e unidades deterioradas;2. lave em gua corrente os vegetais folhosos (alface, escarola, rcula, agrio, etc.),

    folha a folha, e as frutas e legumes um a um;3. coloque de molho por 10 minutos em gua clorada, utilizando produto adequado

    para este fim (ler o rtulo da embalagem), na diluio 1 colher de sopa para 1 litro;4. faa o corte dos alimentos para a montagem dos pratos com as mos e utenslios

    bem lavados;5. mantenha-os sob refrigerao at a hora de servir.

    Como servir a comida?

    Deixe a rea das mesas e cadeiras bem limpas e organizadas. Os equipamentos (estufas, balces, bufs, geladeiras, freezers, etc.) devem estar conservados, limpos e funcionando bem.

    Verifique a temperatura das estufas, bufs e geladeiras! Deve estar regulada de forma que os alimentos quentes permaneam acima de 60C e os alimentos frios permaneam abaixo de 5C.

    Procure diminuir ao mximo o tempo entre o preparo e a distribuio dos alimentos

    Conservao dos alimentos preparadosFrio Quente5C ou inferior 60C ou superior5 dias 6 horas

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  • Ressaltando Algumas Recomendaes de Boas Prticas

    Utenslios rachados, lascados, quebrados ou descascados devero ser imediata-mente substitudos.

    Todos os equipamentos e os aparelhos disponveis para utilizao devero estar em perfeitas condies e terem manuteno peridica.

    Para a manipulao de alimentos extremamente proibida a utilizao de utens-lios de madeira.

    As tbuas para picar devero ser de etileno e em nmero suficiente para armaze-nar equipamentos, utenslios e outros objetos que no sero mais utilizados.

    Na rea de manipulao de alimentos s dever permanecer o que til e neces-srio ao trabalho.

    Ateno!

    O responsvel pela manipulao dos alimentos deve participar de cursos de capa-citao em hi giene pessoal, manipulao dos alimentos e em doenas transmitidas por alimentos.

    Os visitantes das ILPIs devem cumprir as mesmas regras de higie ne dos manipuladores.

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  • CUIDADOS DIVERSOS COM A ALIMENTAO DOS IDOSOS

    O envelhecimento causa mudanas no organismo que podem interferir na alimen-tao e no estado de nutrio de uma pessoa, como alteraes no paladar e no olfato e reduo na percepo dos sabores salgado, doce e cido. Embora no interfiram diretamente na ingesto alimentar, ocorrem com frequncia a reduo da salivao e menor capacidade de mastigao.

    Problemas de ordem psquica, como depresso, demncia e outras doenas psi-cogeritricas, problemas cardacos, pulmonares, gstricos e neurolgicos tambm acabam por requerer uma ateno maior por parte do cuidador ao administrar a ali-mentao dos idosos. O idoso com demncia, por exemplo, muitas vezes, no perce-be que o alimento est muito quente ou muito frio, amargo ou azedo, em pouca ou muita quantidade. Assim, imperativo que o cuidador observe e at prove o que o idoso vai comer, evitando que ele se machuque ou se intoxique. Desta forma, os ali-mentos devem ser na sua maioria cozidos ou preparados de modo que a mastigao seja facilitada, no se esquecendo de variar o cardpio, pois estes tipos de alimentos contm menos vitaminas, sais minerais e fibras.

    A percepo de sede tambm pode estar prejudicada nesses idosos, fazendo com que fiquem, em alguns casos, com desidratao. A administrao de lquidos durante o dia, como gua, sucos, ch, refrigerantes, importante.

    O cuidador deve observar, ainda, quando o idoso engasga ou tosse ao comer, pois

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  • poder estar iniciando um quadro de disfagia (dificuldade de engolir), mais comum em fases mais tardias da doena de Alzheimer. Isto incorrer na possibilidade de tro-ca de alimentao slida por uma alimentao mais pastosa e liquefeita. Todo o pro-cesso do ato da alimentao deve ser, ento, muito bem planejado.

    Pelo desenho da pirmide acima, vemos que a base da alimentao constituda de cereais, fibras e massas, acompanhadas de perto pelas frutas, legumes e verduras. Depois, em menor quantidade, as carnes e os laticnios. E, por fim, leos, gorduras e acar que devem ser consumidos em quantidades moderadas. D preferncia carne branca, sem pelo e peixe preparados na forma de assados, cozidos e grelha-dos. D preferncia aos temperos naturais (alho, cebola, ervas com salsa, manjerico, coentro, etc.). Evite o consumo frequente de carnes vermelhas, salames e linguias. Retire a gordura visvel das carnes antes de prepar-las.

    Se o idoso tem bom apetite, no apresenta problemas para engolir, independen-te na mesa, e alimenta-se bem e variadamente (carnes, ovos, leite, cereais, legumes, verduras, pes, sucos, frutas...), timo! Mas, se um idoso dependente, que necessita de ajuda para comer, engasga com facilidade, mastiga com dificuldade, esta pessoa requer maiores cuidados.

    Procure dar refeies bem variadas, em pequenas pores e de fcil deglutio. Exemplo: 2 colheres de sopa de arroz, 2 de feijo (batido), legumes bem cozidos e picados em pedaos bem pequenos, carne em pedaos bem pequenos.

    Orientar o idoso de que preciso mastigar bem os alimentos slidos e que pode ser engolido sem problemas o feijo batido, os legumes amassados, o pur...

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  • HIGIENE BUCAL

    A avaliao das condies de sade bucal em idosos essencial para a manuten-o da qualidade de vida, haja vista que a prevalncia de doenas bucais alta nessa populao.

    O imaginrio coletivo ainda associa o envelhecimento perda de dentes. Alguns autores, no entanto, demonstram que a perda dentria no o resultado do enve-lhecimento. Na verdade, os desdentados so de uma poca em que no havia pre-ocupao com a sade bucal e a retirada de dentes era prtica resolutiva comum. A perda dentria, o adequado posicionamento de uma prtese e a presena de leses de mucosa decorrentes de prteses mal adaptadas devem fazer parte das observa-es peridicas da cavidade oral.

    A higiene bucal deve abranger os cuidados com a escovao dos dentes do idoso, estendendo-se cavidade oral (boca), para no deixar restos de comida. O uso destas novas preparaes de dentifrcios lquidos pode ajudar muito. Se o idoso estiver aca-mado ou mais debilitado, o uso de gua com bicarbonato, embebido em uma gaze e passada com os dedos do cuidador, na cavidade oral, pode tambm ser muito til. Para aqueles que possuem prtese dentria preciso observar se esta est em bom estado de conservao, se no machuca ou se est folgada demais. As prteses (den-taduras) precisam de cuidados especiais: para limp-las, use uma escova de dentes mais dura e creme dental. Faa isso sobre a pia com gua; assim, se a prtese cair, no se quebrar. noite, coloque as prteses num recipiente tampado, com gua e um pouquinho de bicarbonato de sdio. Antes de recolocar na boca do idoso, escove a gengiva, o palato e a lngua com uma escova macia para remover placas e possveis restos de alimentos. As visitas peridicas ao dentista sempre ajudam a prevenir uma srie de doenas dos dentes e das gengivas.

    Nesta relao de manejo com o idoso, o cuidador deve ter muita pacincia e bom humor, para que esta convivncia seja a mais prazerosa possvel para o idoso, para o cuidador e todos aqueles que os cercam.

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  • ALIMENTAO POR SONDA (DIETA ENTERAL)

    Com base no Guia Prtico do Cuidador (2008, p. 30-32). A dieta enteral fornecida na forma lquida por meio de uma sonda que, colocada no nariz ou na boca, vai at o estmago ou intestino. Assim, possvel fornecer os nutrientes de que a pessoa necessita independentemente da sua cooperao, fome ou vontade de comer.

    A alimentao por sonda usada nas seguintes situaes:

    para ajudar na cicatrizao de feridas; para controlar a diarreia, priso de ventre e vmitos; para preparar o organismo para algumas cirurgias e tratamentos de quimiotera-pia, radioterapia e dilise;

    quando a pessoa no pode se alimentar pela boca; quando a quantidade de alimentos que a pessoa come no est sendo suficiente; quando h necessidade de aumentar a quantidade de calorias sem aumentar a quantidade de comida.

    Em algumas situaes, a pessoa recebe alimentao mista; isto , se alimenta pela boca e recebe um complemento alimentar pela sonda.

    A nutrio enteral pode ser preparada em casa ou industrializada. As dietas ca-seiras so preparadas com alimentos naturais cozidos e passados no liquidificador e coados; devem ter consistncia lquida e sua validade de 12 horas aps o preparo. A dieta industrializada j vem pronta para o consumo, tem custo mais alto e pode ser utilizada por 24 horas depois de aberta.

    A alimentao enteral deve ser prescrita pelo mdico ou nutricionista, e a sonda deve ser colocada pela equipe de enfermagem. A fixao externa da sonda pode ser trocada pelo cuidador, desde que tenha cuidado para no deslocar a sonda. Para fixar a sonda melhor utilizar esparadrapo antialrgico, mudando constantemente o local

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  • de fixao; assim se evita ferir a pele ou as alergias.

    O cuidador deve considerar as seguintes recomendaes quando a pessoa estiver re-cebendo a dieta enteral:

    antes de dar a dieta, coloque a pessoa sentada na cadeira ou na cama, com as costas bem apoiadas, e a deixe nessa posio por 30 minutos aps o trmino da alimentao. Esse cuidado necessrio para evitar que, em caso de vmitos ou regurgitao, restos alimentares entrem nos pulmes;

    pendure o frasco de alimentao enteral num gancho, prego ou suporte de vaso em posio bem mais alta que a pessoa, para facilitar a descida da dieta;

    injete a dieta na sonda lentamente, gota a gota. Esse cuidado importante para evitar diarreia, formao de gases, estufamento do abdome, vmitos e tambm para que o organismo aproveite melhor o alimento e absorva seus nutrientes;

    a quantidade de alimentao administrada de cada vez deve ser de no mximo 350 ml, vrias vezes ao dia, ou de acordo com a orientao da equipe de sade;

    ao terminar a alimentao enteral, injete na sonda 20 ml de gua fria, filtrada ou fervida, para evitar que os resduos de alimentos entupam a sonda;

    para as pessoas que no podem tomar gua pela boca, oferea gua filtrada ou fervida entre as refeies, em temperatura ambiente, por meio de seringa ou co-locada no frasco descartvel. A quantidade de gua deve ser definida pela equipe de sade;

    a sonda deve permanecer fechada sempre que no estiver em uso; a dieta enteral de preparo caseiro deve ser guardada na geladeira e retirada 30 minutos antes do uso, somente a poro a ser dada;

    a dieta deve ser dada em temperatura ambiente, no h necessidade de aquecer a dieta em banho-maria ou em micro-ondas.

    Cuidados higinicos necessrios no preparo e administrao da dieta enteral:

    lave o local de preparo da alimentao com gua e sabo; lave bem as mos com gua e sabo antes de preparar a dieta; pese e mea todos os ingredientes da dieta, seguindo as instrues da equipe de sade;

    utilize sempre gua filtrada ou fervida; lave todos os utenslios com gua corrente e sabo; lave com gua e sabo o equipo, a seringa e o frasco, e enxgue com gua fervendo.

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  • Uma maneira simples de verificar se a nutrio enteral est ajudando na recupe-rao da pessoa observar frequentemente se ela est mais disposta, se o aperto de mo mais firme e se consegue caminhar um pouco mais a cada dia. Caso a pessoa esteja inconsciente, o cuidador pode verificar se a pele est mais rosada, e menos flcida, se os msculos esto ficando mais fortes. Sempre que for possvel, bom pesar a pessoa.

    Fique Atento! Se a sonda se deslocar ou tiver sido retirada acidentalmente, no tente recoloc-la; chame a equipe de sade.

    Fique Atento! A diarreia pode ser uma ocorrncia comum em pessoas que recebem alimentao enteral. Por isso, preciso ter muita higiene no preparo e administrao da dieta.

    HIDRATAO DOS IDOSOS

    Os idosos tm menor reflexo sede. Sendo assim, preciso que seja esti-mulada ativamente a ingesta de lquidos ao longo do dia, evitando a oferta de gua durante a noite. Bombonas de gua devero estar disponveis aos idosos, assim como copos descartveis.

    CUIDADOS QUE DEVEM SER TOMADOS COM A GUA:

    os estabelecimentos devem ser abastecidos com gua corrente tratada (provenien-te do abaste cimento pblico) ou de sistema alternativo, como poos artesia nos;

    no caso de sistema alternativo, a gua deve ser analisada de seis em seis meses (de-ve-se ter o registro das anlises para verificao dos rgos de inspeo sanitria);

    use somente gua potvel para o preparo dos alimentos e do gelo;

    os micrbios patognicos e parasitas podem ser transmiti dos por meio da gua, por isso importante utilizar gua tratada ou, quando no puder, conhecer a qua-lidade da gua que est sendo utilizada;

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  • a caixa dgua deve estar conservada, tampada, sem rachadu ras, vazamentos, in-filtraes e descascamentos;

    a caixa dgua deve ser lavada e desinfetada (higienizada) no mnimo a cada 6 meses;

    para lavar e desinfetar a caixa dgua, siga os passos descritos no POP* Procedi-mento Operacional Padronizado, pois, com o tempo, a caixa dgua cria crostas, onde os micrbios ficam acumulados e podem contaminar a gua.

    COMO FAZER A HIGIENIZAO DA CAIXA DGUA

    Procedimento Operacional Padro

    Feche o registro, retire toda a gua da caixa dgua. Feche a sada de gua da caixa dgua. Retire a sujeira. Lave as paredes e o fundo da caixa dgua com gua e sabo. Os utenslios, como vassoura, escova, rodo e pano, devem ser de uso exclusivo.

    Abra a sada de gua e retire todo o sabo com gua corrente. Feche a sada de gua. Prepare a soluo desinfetante, diluindo 1 litro de gua sanitria em 5 litros de gua. Este volume apropriado para uma caixa dgua de 1.000 litros.

    Espalhe a soluo nas paredes e fundo da caixa dgua com uma brocha ou pano. Aguarde por 30 minutos.

    Enxgue a caixa dgua com gua corrente, retirando todo o res duo de desinfetante. Esgote toda a gua acumulada. Encha a caixa dgua.

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  • LIXO (RESDUOS)

    Armazenamento e Descarte

    O recipiente para lixo dever ter as seguintes caractersticas:

    ser de plstico ou outro material leve e de fcil limpeza; possuir tampa rente ao recipiente; possuir saco plstico; ter recipiente separado para lixo orgnico e lixo seco; as sobras de alimento (lavagem) devero ser acondicionadas em recipiente fecha-do e fora da rea de manipulao.

    O descarte do lixo deve ser da seguinte maneira:

    sempre antes de o lixo encher totalmente;

    fora da rea de manipulao de alimentos;

    o recipiente dever ser lavado e desinfetado sempre aps o descarte;

    a pessoa que fizer o descarte no dever usar a mesma roupa na rea de manipu-lao sem antes lav-la;

    a pessoa que fizer o descarte do lixo dever lavar, muito bem, suas mos e o ante-brao e desinfet-los.

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  • Manejo dos resduos

    O estabelecimento deve dispor de recipientes identificados e ntegros, de fcil higienizao e transporte, em nmero e capacidade suficientes para conter os resduos.

    Os coletores utilizados para deposio dos resduos das reas de preparao e ar-mazenamento de alimentos devem ser dotados de tampas acionadas sem contato manual.

    Os resduos devem ser frequentemente coletados e estocados em local fechado e isolado da rea de preparao e armazenamento dos alimentos, de forma a evitar focos de contaminao e atrao de vetores e pragas urbanas.

    CONTROLE DE PRAGAS

    As pragas mais comuns encontradas na rea de armazenamento e processamento de alimentos so: os roedores (ratos, camundongos, etc.); os insetos (moscas, baratas, traas, formigas, etc.); os pssaros (pardais, pombos, etc.).

    Como impedir o acesso das pragas:

    mantendo sempre limpo todos os locais, mesmo os que no so utilizados diariamente;

    no guardando sacos e caixas que no sero utilizados;

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  • no guardando equipamentos e utenslios fora de uso;

    mantendo os ralos tapados;

    mantendo as aberturas, como portas e janelas, com telas fechadas;

    no colocando plantas ou deixando gua parada dentro da cozinha, suas depen-dncias e proximidades;

    fazendo inspees peridicas;

    no permitindo acmulos de lixo ou lixo com alimento derramado;

    mantendo bem fechado todo alimento que j fora aberto;

    fazendo a desinsetizao e desratizao peridicas, e solicitar da empresa dede-tizadora o certificado do servio executado (a cada 6 meses ou dependendo do produto, o prazo de validade fica registrado no certificado para facilitar as revises peridicas).

    LAVANDERIA / SALA PARA LAVAGEM DE ROUPAS

    A lavanderia ou servio de processamento de roupa uma das unidades de apoio logstico das ILPIs, cujas finalidades so: coleta, separao, lavagem e processamento de roupas.

    A lavagem de roupas uma atividade complexa que exige cuidados, a fim de evi-tar contaminao e outros danos sade.

    Para o servio de lavanderia, a legislao vigente recomenda a presena de um profissional para cada 30 idosos, ou frao, diariamente.

    A sala para lavagem de roupas dever ter a dimenso de 8 m2, com largura mnima igual a 1,5 m, e se destina recepo, separao e lavagem das roupas, que consti-tuem a chamada rea suja; e a que se destina ao processamento composto de rea limpa, destinada centrifugao, secagem, passagem, separao e dobragem. Este ambiente dever ter piso ntegro, impermevel e de fcil limpeza e desinfeco.

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  • A Sala para Lavagem de Roupas dever:

    ter rea fsica de acordo com a RDC n 50/02 sala para lavagem de roupas ou lavanderia simplificada;

    ser de fcil acesso e localizao e em rea de circulao restrita; ter barreira tcnica para evitar contaminao cruzada; ter tomadas de 110V e 220V aterradas e identificadas.

    Manejo no Processamento das Roupas

    preciso evitar perodos longos de armazenamento de roupas sujas e o acmulo de roupas de molho e, aps a utilizao da lavanderia, o profissional responsvel dever providenciar a limpeza do ambiente. Mquinas de lavar de madeira devero ser evitadas. Na sala de lavagem no devero ser guardados sapatos, roupas, equi-pamentos ou outros materiais no destinados finalidade deste ambiente. Deve-se evitar, tambm, a mistura de roupas pessoais com as do estabelecimento, como rou-pas de cama, panos de prato e de limpeza, por exemplo.

    Para secagem de roupas recomenda-se rea aberta com exposio de varais, e para os dias de chuva, um ambiente coberto e arejado, a fim de facilitar a secagem.

    Devem-se utilizar somente produtos registrados no Ministrio da Sade. A utiliza-o de produtos de procedncia duvidosa pode acarretar srios problemas sade dos idosos e a de quem manipula estes produtos.

    Caso haja diluio dos saneantes, deve ser realizada por pessoa treinada e super-visionada por profissional capacitado.

    preciso realizar trocas dirias de roupas ou substituio destas quando necessrio.Os procedimentos e rotinas de lavar, secar, passar e reparar as roupa, bem como

    as rotinas tcnicas do processamento de roupas de uso pessoal e coletivo, devem ser registrados, supervisionados e ficarem em locais disponveis e de fcil acesso para consulta.

    A Instituio pode possibilitar aos idosos independentes efetuao de todo o pro-cessamento de roupas de uso pessoal.

    As roupas de uso pessoal devem ser identificadas, visando manuteno da indi-vidualidade e humanizao.

    Observao: O cuidado com a privacidade do idoso durante o processo de troca de roupas fun-damental para a manuteno de uma conduta mais humanizada, principalmente

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  • para os idosos mais dependentes que ficam, na maioria das vezes, expostos aos olhos de outras pessoas durante a realizao desta atividade.

    Uso de Equipamentos de Proteo Individual

    Equipamentos de proteo individual (EPI) devero ser fornecidos aos funcion-rios ou mesmo aos idosos, para a execuo desta atividade, como botas e aventais impermeveis e luvas.

    rea para armazenagem e distribuio das roupas

    Condies para guarda de roupas (rouparia) Sala de armazenagem geral de roupa limpa (rouparia geral) Estante/prateleiras de roupa limpa

    Transporte de roupas sujas

    Condies para o transporte de roupa suja: em sacos plsticos fechados e identifi-cados (ex.: roupa suja n 2 / Fernando), ou recipientes de material lavvel e de fcil higienizao e limpeza. Cestos de vime no so recomendados para transporte.

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  • INSTALAES PREDIAIS DE GUA, ESGOTO, ENERGIA ELTRICA, PROTEO, COMBATE A INCNDIO E TELEFONIA

    As instalaes prediais de gua, esgoto, energia eltrica, proteo e combate a incndio e telefonia nas ILPIs devero atender s exigncias dos cdigos de obras e posturas locais, assim como s normas tcnicas brasileiras pertinentes a cada uma das instalaes.

    CUIDADOS COM O AMBIENTE

    Limpe