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Migraes InternacionaisMigraes internacionais so movimentos de sada e chegada de pessoas entre pases. importante ressaltar que o termo migrao internacional pode ser subdividido em emigrao (refere-se a pessoas que saem do pas) e imigrao (refere-se a pessoas que entram no pas).Os impulsos migratrios so, geralmente, motivados por questes econmicas: de um lado, ligados a fatores de repulso de emigrantes (crises econmicas, guerras, conflitos em geral, fome, etc.); e, de outro, a fatores de atrao (oportunidades de emprego, sonhos de enriquecimento rpido, melhoria na qualidade de vida, etc.).A ttulo de exemplo, a Europa, em meados do sculo 19 e incio do 20, passava por uma exploso demogrfica (devido ao desenvolvimento de tcnicas mdico-sanitrias e o consequente aumento da natalidade) que, aliada crise na produo agrcola e fome (motivadas por sucessivas guerras), impulsionaram a sada de muitos europeus em direo a pases do continente americano, movidos pelos sonhos do acesso terra e do enriquecimento rpido.Foi justamente com esses e outros tantos sonhos que, entre 1884 e 1933, quase 4 milhes de imigrantes desembarcaram no Brasil (alemes, espanhis, portugueses, italianos, japoneses, turcos, srios, entre outros), com destaque para os italianos, que somavam algo em torno de 1,5 milho de pessoas.Novos fluxos migratriosEm meados do sculo 20, os fluxos migratrios internacionais conheceram uma inverso. Segundo a ONU (Organizao das Naes Unidas), existem cerca de 200 milhes de migrantes no mundo, sendo que 60% deles so pessoas que saram de pases subdesenvolvidos rumo a pases desenvolvidos, tendo como principais destinos os Estados Unidos (35 milhes, em 2000), a Europa (56 milhes, em 2000) e o Japo (1,5 milhes, em 1998).Porm, esse novo fluxo de imigrao internacional, acirrado pelas desigualdades entre os pases desenvolvidos e subdesenvolvidos, deve ser entendido a partir de dois momentos.O primeiro deles ocorre entre a dcada de 50 e fins da de 70, quando alguns pases da Europa, os Estados Unidos e o Japo estimulavam a imigrao, a fim de conseguir mo-de-obra para ocupar as vagas de menor qualificao e baixa remunerao, desprezadas por suas populaes locais. Os imigrantes, ento, eram bem-vindos, mas controlados. Geralmente, na Europa, chegavam imigrantes vindos de suas colnias (ou ex-colnias); nos Estados Unidos, mexicanos eram convocados a trabalhar no campo atravs do "bracero program"; e, no Japo, os "dekasseguis" (trabalhadores brasileiros com ascendncia japonesa) eram bem recebidos.Quanto ao segundo momento, da dcada de 80 em diante, a intensificao do processo de globalizao e a ascenso do neoliberalismo trouxe maior presso abertura dos mercados e acelerou o desenvolvimento tcnico-cientfico, o que possibilitou maior acelerao da produo e da circulao de mercadorias no mundo - e menor (ou diferenciada) participao do Estado nos assuntos ligados economia.Todos esses elementos acabaram permitindo s indstrias dos pases ricos que elas migrassem pelo mundo, em busca de novos mercados e de mo-de-obra barata, gerando crescente desemprego e diferenas salariais entre os trabalhadores dos pases desenvolvidos.Desse perodo em diante, com exceo dos trabalhadores com alto grau de qualificao vindos de pases mais pobres (a chamada "fuga de crebros"), os trabalhadores com baixa qualificao j no seriam mais bem-vindos, pois passariam a disputar diretamente os postos de trabalho com parte da populao local, gerando cada vez mais discriminao e preconceito.XenofobiaDiante do que vimos acima, a xenofobia (do grego, "xeno" = estrangeiro e "fobia" = medo), entendida como averso ao imigrante, iria se tornar cada vez mais patente nos pases desenvolvidos. Isso devido, basicamente, s diferenas scio-culturais existentes entre pessoas de pases diferentes e, principalmente, relao tensa entre os trabalhadores dos pases ricos e os estrangeiros, vindos de pases mais pobres, que disputam os mesmos postos de trabalho.A partir de ento, os governos desses pases ricos passaram a criar medidas legais e at mesmo barreiras fsicas (muro na fronteira dos Estados Unidos com o Mxico, muro na cidade de Celta, Espanha), de modo a dificultar cada vez mais a entrada de imigrantes.Tais medidas, no entanto, s tm conseguido aumentar a migrao ilegal. Acredita-se que entram em torno de 2,5 a 4 milhes de migrantes sem autorizao nos pases ricos. Nos Estados Unidos, estima-se que existam mais de 10 milhes de migrantes ilegais; na Europa, cerca de 6 milhes.O grande desafio entre os pases ricos e pobres, mais do que construir muros e elaborar leis que impeam a entrada de migrantes, talvez seja a construo de um mundo mais justo e igualitrio no sculo 21, pois, como dizia o gegrafo Milton Santos: "Apenas o acontecer prprio a um lugar no indiferente ao acontecer prprio a um outro lugar, exatamente pelo fato de que qualquer que seja o acontecer um produto do movimento da sociedade total".A questo Sria O fenmeno, que h muito tempo vem preocupando os pases empenhados em controlar os fluxos migratrios, assumiu uma dimenso excepcional nos ltimos dois anos. Depois que 280 mil pessoas entraram ilegalmente na Unio Europeia em 2014, 365 mil outras fizeram o mesmo nos oito primeiros meses de 2015.Esse nmero vem sofrendo um crescimento exponencial principalmente devido guerra na Sria. Os srios de fato representavam sozinhos 27,9% dessas entradas em 2014 (ou seja, 79 mil pessoas), frente dos eritreus (34.500 pessoas, ou 12,2%), dos afegos e dos kosovares (22 mil pessoas de cada uma dessas nacionalidades, ou 7,8% cada). Assim, quase metade dos migrantes vieram da Sria, da Eritreia e do Afeganisto, todos pases em guerra ou sob algum regime ditatorial.Em 2015, os srios representavam at o final de agosto 30,9% das chegadas "clandestinas" (ou seja, 87.500 pessoas), frente dos afegos (39 mil pessoas ou 13,8%) e dos kosovares e dos eritreus (24 mil pessoas para cada uma dessas nacionalidades, ou 8,5% cada).Mas por que esses migrantes esto fugindo de seus pases? Guerra, motivos econmicos (fuga da misria em busca de uma vida melhor)... extremamente difcil dissociar entre todos os migrantes os futuros "refugiados" (que tenham obtido esse status definido pela Conveno de Genebra de 1951) dos migrantes econmicos, que no necessariamente pediro asilo.Sria: uma guerra totalA terrvel guerra civil que est em curso estourou em 2011, aps manifestaes de oposio ao regime. Os protestos contra o estado de emergncia, que estava em vigor desde 1963 e proibia qualquer tipo de manifestao, foram reprimidos de forma brutal pelo exrcito de Bashar al-Assad. Mais de quatro anos depois, o conflito est mais do que estagnado. Ou melhor, os conflitos. Tanto entre o Exrcito, s vezes apoiado pelo Hezbollah libans, e os rebeldes, como tambm entre os diferentes grupos rebeldes (os moderados do Exrcito Srio Livre, ligados ao Conselho Nacional Srio, os jihadistas do Estado Islmico ou da Frente Al-Nusra ligada Al-Qaeda), entre os curdos e o Estado Islmico.A guerra, que no incio ainda poupava certas regies, como a capital Damasco, agora total. Ela causou a morte de mais de 240 mil pessoas e desalojou quase 12 milhes de pessoas de um total de 23 milhes de habitantes, ou seja, mais da metade da populao inicial. O pas no tem mais uma atividade normal, est em situao humanitria e econmica catastrfica e h um nmero cada vez maior de pessoas que, aps quatro anos de guerra, decidiram deixar o territrio.A situao no pas to catastrfica que a Agncia das Naes Unidas para os Refugiados (Acnur) agora est concedendo automaticamente o status de "refugiado" a qualquer pessoa que esteja fugindo da Sria sendo que normalmente esse um processo individual - , independentemente de seu grupo tnico, de sua religio ou de suas opinies polticas.As perigosas rotas de migrao para entrada na EuropaImage copyright BBC World Service Rotas mapeadasAnualmente milhares de pessoas muitas delas fugindo de conflitos na frica e no Oriente Mdio arriscam suas vidas cruzando o Deserto do Saara e o Mar Mediterrneo em veculos e barcos precrios para chegar Europa.Organizaes no-governamentais estimam que aproximadamente 20 mil pessoas podem ter morrido tentando chegar Europa nas ltimas duas dcadas.Para ter um diagnstico mais preciso do problema, a Frontex (agncia europeia de fronteiras) e o Centro Internacional para Desenvolvimento de Polticas Migratrias produziram uma srie de mapas que identificam as maiores rotas centros de concentrao usados pelos migrantes na regio.Nos dois casos mais recentes, centenas de imigrantes ilegais morreram em dois naufrgios. No primeiro deles, ocorrido na quinta-feira, at 500 pessoas estavam em uma embarcao que afundou perto da Ilha de Malta, no Mediterrneo.A Organizao Internacional de Imigrao citou dois sobreviventes palestinos, que alegam que traficantes afundaram de propsito o barco aps uma discusso a bordo. As autoridades maltesas ainda no comentaram o incidente.Image copyright Getty Image caption Itlia substitui Espanha como principal destino de imigrantes vindos da frica A maior parte dos migrantes que cruzam o Mediterrneo a partir da Lbia e da Tunsia so originrios da Eritrea e da Somlia. Contudo, a guerra civil na Sria est elevando o nmero de srios que tambm usam essa rota.No ltimo ano, intensificou-se ainda mais a sada de imigrantes a partir Lbia. Traficantes de pessoas esto se aproveitando do caos poltico no pas, onde milcias rivais esto em conflito, tornando o pas um importante ponto de partida em muitas destas viagens.No ltimo ms, foram registrados ao menos quatro naufrgios de barcos que partiram do pas.O nmero de usurios das vrias rotas ao longo do Mediterrneo tem fluxo e refluxo.De 2008 a 2012, um grande nmero de migrantes cruzou o mar entre a Turquia e a Grcia pela chamada Rota do Mediterrneo do Leste, segundo a Frontex. Para fazer frente a isso, a Grcia reforou seus controles de fronteira com mais 1,8 mil policiais.Mas a Frontex diz que a rea continua problemtica e aponta para "incertezas relacionadas insustentabilidade dos esforos (g

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