o livro amargo

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Livro para leitura, Desbravadores, O livro amargo de Denis Cruz

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  • Urn homem chtrmaclo (]uillrcrnre,\'{illcr clissc' tltrc' .lt'srls

    voltarriai em 18'1,1. N4uitas pcssoas acrec'litaritrr ttclc, irtc. ltrsivt'um jovenr chamaclo Jerryl ,\'lcNoan. O l-vro t\tvturgo ('ortlrjurstamente a histr:ia dc Jerryl.

    Apaixonaclo pcla jovem r\llice , ele no cotlscgt tc ctttt'tttlc:ros motivos cle os pais clela no Ihe pernritir:cln z cortc. Apc'ttrtsdcpois cle conhcccr a mensagcnr rnilerita, fitralntct'ttcr

  • Diretos re 1 ublicao reseruados C,tsR Pugr-rcaoor,q. Bnasrr-ernaRodovia SP 127

    -

    km 106Caixa Postal 34

    -

    18270-970 -

    Tatu, SPTet.: (15) l20t-8800

    -

    Fax: (15) 3205-8900Atendimento ao cliente: (15) 3205-8888www.cpb.com.br

    L'' edio: I mil exemplares2012

    EJtorago: Neila Oliveirr e Michelson BorgesLdpa e Projeto Grif ro: Elcso Granierilhuaaa d.a. Capa: Thiago LoboImagens da Capa: FotoliaFotos dos Personagens Reais: AFC

    IMPRESSO NO BRASIL I Prnted n Brazl

    Dados Internacionais de Catakrgao na Publicao ((lP)(Cmata Brasileira do Livto, SP' Brasit)

    Cruz, f)enisO livro nmarl;o:

  • _..]

    Para o tneu Deus, a quenx devo tudo. Paru a mnha esposa Elisa' Seu

    sorriso enriqwece weus dias. Jatnais o ecamrttni2e. Para nxinha n+eninu Lvia,

    criana ltnda e talentosa. Para o nrcu groL7 Kalcl. Voc a expresso md-

    xima d.o signtficado d.e sew nonte: "enttti'ado por Dews". Para os atngos qwe

    nte ajudaratn ao longo d.esta jornada corno escritort Felipe d.e Oli:vera, LwyMaeda, Keila Cruz, Haroldo Jnior, Francellen Memdes e tantos outras. Para

    os awad,os rncos da lgreja Ad,temtsta de Mwndo Nozo, MS. Swas oraesfizeratn e fazeno wwta d.ifurena em wnha uida. E puror u7c, qwerido letor,

    que teln tornaclo esta tarefa de escrever wn^t'erdadeiro desafi'o.

    f\velho homem olhava para o cu e seu corao cra agracado com\-/um sentimento reconfortante: a esperana.Sentaclo na cadeira de balano da varanda na rstica casa de ma-

    deira sem pintura, ele ohou para o porto, por onde quatro jovensentravam.

    - Boa-tarde, Sr. Jordan * disse o rapaz de camisa xadrez e cala

    jeams, que se chamava Sam.-

    Boa-tarde, amigos -

    respondeu o homem, alargando um sorriso.-

    Vamos, entrem.-

    Meu pai mandou batatas -

    disse uma das moas que acompanha-va os jovens.

    - Qr:e timo! Adoro batatas. - O velho esticou-se, pegou o sacocom os tubrculos e o colocou ao seu lado. Olhou para os quatro jo-vens sua frente, com estampado ar de inquietude (um olhava parao outro, como se dissessem "Vamos, falel'', "No, fale voc!"). Comoningum iria dizer nada, ele mesmo puxou o assunto:

    -

    N{as vocs no vieram apenas trazer as batatas, no ?-

    No, senhor! * falou Sam -

    Viemos pelas histrias.O homem deu uma grande risada. Recostou-se na cadeira e balan-

    ou duas vezes,-

    Est trem. Sentem-se.

  • S loLrvl()AMARCC)

    ()s tlulttro sorrilitt satisfeitos, oihando tlns Para os oulros. Sam pu-xot.t t-n lrrrnc'o. Vtnc'c Jill :rssentaram-Se no cho com o garoto nlaisngvo, Mirtltc'1s (t,stc'tirrhat os cabelos vermelhos e o rosto cheio de sar-clas; as cltns rno(:trs usivilr vestidos de algodao, lclngos e dc um azul bemdiscrcto, conUts rrs l)cclrenas cidades daquele incio do sculo l9).

    - Jill, colttrluc ils l)itatas para cozinhar. Ser umi longa histria; porisso, bom tcrrrros rlgtt para comer mais tarde - falou o homeirr'

    -

    Eu sei fazcr pLtr cljsse Vane.-

    Seus pitis sabcnr (llle vocs podero demorar aqui? - Pergllntouo Sr. Jordan.

    Sim -

    rcsporrcerr Sam. Avisamos quc iramos pedir que o senhot:contrsse urna histria. Sc derrrorarmos, sabero que estamos aqui.

    -

    As batatas esto cozir-rranclo clissc Jil. Colocluei rrrais cloispedaos cle mardcira no ltgo, c, l)or ltalitr lrisso, sLtt lcnha cortatcla estno fm.

    -

    Eu possg cortrr a lcnha mais tlrrrlc', otr irrnluthi, sc o scnhor qtriser

    -

    disse Sam.-

    l,'aarclrtos clisso clcg>ois -

    resl,oltclc'rr o ltonrcrrr. Mas j/l acliantoque scriit tlt' glitndc arirrcla. Podernos ctlllrcitr

    A rcsposlir ('strvr r-ro olhar dos quatro.iovc'ns, (luc s('lr.icitararrrmelhor lrrrrrir lrossvcl. Hnto, o Sr. Jorclarr illit iott.

    Unt horrrcnt chanrado Guiihcrmc N4illcr clissc c1Lrc Jcsus volta-rja em l,J44. N4r-r itas lcssoas acrecitarant nc'lr', c'rrrc c[aS, um jovemchar-r-racl0.lcrryl McNolan. E a histria d..lC cILrc vou contar paravocsgora...

    -ai:i-'It'rlyl McNolan saiu da ferraria. Olhor-r )itra o alto e vlu o sol do

    r,.'r'iro tc 1i342. Sentia um calor intenso, pois acarbara de sair da frente,lrr lrrrrallr,r, oncle batia uma barra de ferro Pilra seu pai, o Sr. NoianlVlc Nolan.

    lirrxLrgoLr o sLtor com o punho da camisa e ahsou o ar,ental de couroslrrraclo. l)rlr nrrris cuente que fosse a roupa, ela era uma prOleo Con-trtr o fogo c sLrAS ltascas.

    -

    Ei, lho! -

    gritou o Sr. Nolan de clentro do galpo c1a ferraria.ljst con'r calor hoje?

    - Deu uma risada com seu gracejo.

    -

    Aqr-ri fora cst/r mais fresco -

    sorriu o filho. Quer gua? Acho quevou buscar un'r balde no poo.

    OLHANDO PARA o ALTO I 9

    - Quero. Aproveite e jogue Llm na cabea, para esfriar a cucar. Te-mos trs arados para terminar.

    Jerryl encaminhou-se para os fundos. Jogou o balde no poo e opuxou com a manivela de madeira, com seu peculiar e rf,mico "clanc,clanc". Bebeu a gua fresca em uma caneca de metal, reita peo pr-prio pai..

    Qr-Lancl

  • 10 | o LtvRoAMARGO

    clisse o burgus, apoiirnclo a mo direita no trabalhado cabo de umforctc cluc trazitr nar cinta. A esparcla fora feita pelo prprio NIcNolane clarda clc prcsctrtc a um de seus melhores amigos do Condado Novo'o Sr. Custaph lrat, o patriarca daquela famlia. - Trinta dias, ferreiro.Esse o prazo (lllc cL dou para voc indenizar meu prejuzo. - F'le sevirou e saiu Para rlla poeirenta do condado, com seus dois homensmal-encartrclos no cncao.

    O ferreiro tirou o chapu surrado e coou o calvo cocuruto' umgesto que sempre repctia quando estava preocupado com algo. Jerrylbem sabia.

    -

    O que foi isso, pai?-

    Maluquice dessc homem, Jerryl. Ele culpa minhas fcrraduras no-vas pela .1to,ln de scul cavalo e quer quc eL o indenize pela perda doanimal.

    -

    E o senhor vai pagar?-

    E como eu poclcrin pagar o valor clo uy'pukxxttt clo llrilt?Sem perccbeq Jcrryl repetiu o gcsto tcrvoso cl

  • 12 lO LtvRoAMARCO

    -

    Ele est no armazm clo Sr. Fearnot -

    disse o garoto. - J estou indo l.

    Jerryl estremeccu e comeou a caminhar ao lado de Joe, conversan-do ]etoriamente at chegarem venda. Subiram os trs degraus demadeira e atravessaram a portinhola.

    Duas pessozrs es[avam sendo atendidas no balco de madeira amar-ronzada pea poeira e oLltras duas andavam por entre rsticas Prate-leiras. Oi cheiros do ambiente se misturavam, mas o aroma de carnesrcssecadas e clefumardas preclominava.

    F,ntre uma clas prateliras, Jerryl viu uma moa com vestido longoe discreto, num tom prola, olhanclo uma pea de tecido. Era Aliice,irm de Joe. A pele bianca combinava perfeitamente com o tom loirocle seus cabelos lisos.

    -

    Oi, Allice -

    disse ele aproximando-se c tentanclo controlar o des-compasso emocional ao ver a Elarota.

    - Oi, Jerryl - respondeu ela c

  • 14 | O LrvRoAMARco

    bem: luzes de gs, mquinas de extrair caroos de algodo, comidas emlatas, fotografia, colheitadeiras, trens a vapol essas coisas. O prpriobarco em que estvamos era a vapor, sotando sua fumaa negra sobrenossas cabeas e deslizando numa velocidade sem igual. Num certomomento da conversa, um dos homens chegou a dizer que as coisasno podiam continuar daquele jeito, ou em trinta anos o homem setornaria mais que humano.

    Ted fez uma pausa e continuou:-

    Nesse momento, outro homem se aproximou de ns. Disse queseu nome era Guilherme Miller e citou com suas palavras Daniel l2:4:"Nos ltimr)s dias, muitos correro de um lado para o outro e a cin-cia se multiplicar." Achamos interessante a viso daquele homem eesperamos que ele continuasse a falar. E continuou. Miller comeou acontar sobre as profcias do liwo de Daniel, cxatamentc nos captulos11 e 12, dando uma sntese sobre a histria do rnunclo. Ficamos todosboquiabertos com o que ee falava, at cyucr rrulrnente ele se descul-pou, dizendo que no queria ter tornackr tanto do nosso tempo. Naverclade, nem notamos que havia passaclo tanto tempo assim. Durantea viagem, continuamos no encalo clele c- ouvimos coisas interessan-tssimas sobre o livro de Daniel, inclur-rclo Lrma profecia sobre 2.300tardes e manhs que, segundo Miller, prccliz o retorno de Jesus paramuito em breve, aproximadamente em lU43.l

    - E como essa procia?

    - perguntou Jcrryl.

    -Ah, garoto. Eu tinha alguns panfletos (Lrc, na poca, peguei comMiller. Tambm achei outros impressos por a, l]alando do assunto, masj distribu tudo.

    - E tudo balela

    - disse Fearnot.

    -

    Esses rrrileritas so todos uns de-socuparcos. Esto torcendo para que o munclo acabe. Sinceramente,('sl)cro qr:e no apaream aqui na nossa cidiicle com essa histria.

    - Lamento desapont-lo

    - disse'led corn unr sorriso.

    - Mas o pastor

    Arratoli convidou um pregador milerita para explicar a tese das 2.300tirrdes c manhs na sua congregao. meLl ciro amigo.

    Fearnot soltou os sacos sobre o balco com violncia. Fechou aindamais a carranca e voltou para outra seo de produtos.

    L Daclos extrados de (Brasieira, \982), p. 22, 23.

    f erryl r,oltou para casa pensanclo tanto na postura do Sr. Norton emJ ".uo permitir sua aproximao de Allice quanto nas palavras cle Ted.Andava pelas ruas do condado Novo puxndo uma arrocinha cheiacle p-rovises para o ms e, quando .h"gu, em casa, situada mais aosfundos da ferraria, na ext