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S.C.A. Sociedade das Cincias Antigas

O Livro dos Sbios (1870) Eliphas Levi (Alphonse Louis Constant) (18101875)fonte digital S.C.A. - SOCIEDADE DAS CINCIAS ANTIGAS http://www.geocities.com/Athens/2341/ Acosta1@ibm.net verso para RocketEdition eBooksBrasil.com 2000 S.C.A.TM

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NDICE introduo Prefcio da Edio Francesa de 1912 DISCUSSO EM FORMA DE DILOGO Primeiro Dilogo: Um Clrigo e Eliphas Levi Segundo Dilogo: Um Filsofo e Eliphas Levi Terceiro Dilogo: Um Pantesta e Eliphas Levi Quarto Dilogo: Um Israelita e Eliphas Levi Quinto Dilogo: Um Protestante e Eliphas Levi Sexto Dilogo: Um Mdico e Eliphas Levi Stimo Dilogo: Um Doutor e Eliphas Levi Oitavo Dilogo: Um Sacerdote e Eliphas Levi Nono Dilogo: Um Esprita e Eliphas Levi Dcimo Dilogo: Um Iniciado e Eliphas Levi RESUMO GERAL Por definies e aforismos Captulo I A Religio Captulo II A Moral Captulo III A Natureza Captulo IV O Magnetismo Captulo V A Morte Captulo VI Sat Captulo VII Ocultismo Captulo VIII A F Captulo IX A Cincia Captulo X A Ao Captulo XI A Fora e Seus Auxiliares Captulo XII A Paz Profunda

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O Livro dos Sbios

por Eliphas Levi Introduo Publicar o "LIVRO DOS SBIOS", expressa grande reverncia ao Mestre que, pelo ano de 1850, comeou a era da ampla e conhecida divulgao dos mistrios iniciticos reais, os quais no haviam sido jamais publicados na Europa de forma to clara, metdica e completa; tanto assim que, Papus, proclama com respeito e jbilo, sua admirao por Eliphas Levi, quem depois de ter verificado toda a tradio oriental, judaico-cabalstica e crist, pe de manifesto em suas obras, a identidade absoluta dos ensinamentos tradicionais, demonstra a realidade da realizao mgica e deixa na mais absoluta evidncia o funcionamento das leis do mundo e da relao de todos os seres: naturais, humanos e celestes, dando at o detalhe das conseqncias morais, sociais e teolgicas que resultam de to admirvel explanao. As obras de Eliphas Levi causaram, no somente um movimento de interesse nos estudos da verdade esotrica, se no que, at os Rosa-cruzes da Inglaterra, aos quais Eliphas Levi estava afiliado, "protestaram", por achar que ele havia sido demasiado claro nas suas revelaes. O que o pblico no soube ento e que, ainda hoje, poucos sabem, que Eliphas Levi iniciava assim a ao que, alguns lustros depois, Papus comentaria com as seguintes palavras: "Sempre pode-se dizer tudo, porque somente compreender quem deve compreender". O "Livro dos Sbios", verdadeira Sntese de toda a realizao de Eliphas Levi, precisamente isso: "Um Verbo Humano claro, preciso como um teorema, honesto como uma lei natural em ao, belo como uma elegia expontnea, vibrante como um hino de amor ao Criador e as suas mltiplas manifestaes. Um Verbo Humano que chega a unir-se em tal forma ao Verbo Manifesto que reflete a sua Verdade, com Sua modstia e Sua beleza." Discpulos reverentes de Eliphas Levi e de Papus, hoje, no poderamos deixar de por em primeiro plano e de publicar em primeiro plano a obra do

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Mestre que, podendo ter sido um Prncipe da Igreja Romana preferiu ser o modesto, quase miservel dono de uma banca de verduras, com cuja ocupao sintetizava a dupla condio de humildade e sacrifcio, e de ocultar com anteface simblica, sob o "homem" esquecido por todos, o SER luminoso colocado servio da Verdade; o Hierofante Secreto, cuja ao perdura, multiplicando-se no silncio, como a Pedra Filosofal. Colocamos disposio dos Homens de Desejo esta jia do saber e da devoo. Sociedade das Cincias Antigas

PREFCIO DA EDIO FRANCESA DE 1912 (Chez Charconac 11 Quai Saint-Michel Paris) "Dedicado ao meu amigo, o Baro Spedalieri" Este livro contm os princpios e os elementos dessa terceira revelao, que o conde Joseph de Maistre dizia ser necessrio para o mundo. Esta terceira revelao no pode ser seno a explicao e a sntese das outras duas. Ela deve conciliar a cincia e o dogma, a autoridade e a liberdade, a razo e a f. Ns preparamos a semente, outros a semearo. Quem escreveu estas pginas est longe de achar-se um profeta. V a verdade e a escreve. Sua autoridade a evidncia, e sua fora a razo. Fala para os sbios e espera o escrnio e o desdm dos loucos. Escreve para os fortes e no ser lido pelos fracos, aos quais inculcar o medo s suas doutrinas. Este livro est dividido em duas partes; a primeira, contm dilogos que renem toda a polmica religiosa e filosfica do presente sculo. A segunda, contm definies e aforismos. No h aqui nem flores de retrica, nem frases. H duas coisas eternas, e s elas, tem preocupado o autor: a justia e a verdade.

ELIPHAS LEVI DISCUSSO EM FORMA DE DILOGO PRIMEIRO DILOGO UM CLRIGO e ELIPHAS LEVI O CLRIGO Tuas pretensas cincias vm do inferno e tuas razes so blasfmias. ELIPHAS LEVI No sei se tua ignorncia vem do cu, porm, tuas razes assemelham-se muito s injrias. O CLRIGO Eu chamo as coisas pelo seu nome; pior para ti se estes nomes te resultam injuriosos. Como tu, que tendo sado da Igreja, que procurando ajudar a impiedade a minar em sua base seu edifcio eterno, tens o louco orgulho de crer que ela vacila sob os golpes de teus semelhantes; e para o cmulo do ultraje, estendes, para sustent-la, tua mo sacrlega? No temas a sorte de Oza, a quem Deus castigou mortalmente, porque, com inteno melhor que a tua e com mos talvez mais puras, quis sustentar a arca Santa? ELIPHAS LEVI Detenho-te aqui, Senhor; citas a Bblia sem compreende-la e preferiria em teu lugar, compreend-la sem cit-la. A morte de Oza, da qual me falas, assemelha-se um pouco ao trgico fim dos quarenta e dois meninos devorados pelos ursos por terem-se rido do profeta Eliseu, que era calvo. Felizmente, diz Voltaire este respeito, no existem ursos na Palestina. O CLRIGO Ento a Bblia um tecido de mentiras e ris dela como Voltaire? ELIPHAS LEVI A Bblia um livro hiertico, ou seja, sagrado; est escrita em estilo sacerdotal, misturado com histrias e alegorias. O CLRIGO Somente a Igreja tem o direito de interpretar a Bblia. Crs na sua infalibilidade? ELIPHAS LEVI Sou da Igreja e no tenho dito e nem escrito nada que seja contrrio aos meus ensinamentos. O CLRIGO Admiro tua desenvoltura. No s um livre pensador? No crs no progresso? No admites as temeridades da cincia moderna que d todos os dias desmentidos Santa Escritura? No acreditas na antigidade indefinida do mundo e na diversidade, seja simultnea, seja sucessiva das raas humanas? No consideras como mito ou fbula, o que a mesma coisa, a histria da ma de Ado, sobre a qual fundamenta-se o dogma do pecado original? Porm, tu sabes bem que ento tudo se derruba, no mais revelao nem encarnao, pois todo o cristianismo no tem sido mais que um longo erro; a Igreja no pode se manter seno prescrevendo o bom senso e propagando a ignorncia? Admites isto e ousas chamar-te catlico? ELIPHAS LEVI Que quer dizer a palavra catlico? No quer dizer universal? Creio no dogma universal e me cuido das aberraes de todas as seitas particulares. Suporto-as porm, na esperana

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de que o progresso se cumprir e de que todos os homens se reuniro na f das verdades fundamentais; o que tem-se cumprido j naquela sociedade conhecida em todo o mundo, chamada franco-maonaria. O CLRIGO nimo Senhor, tiras a mscara por fim, completamente; s sem dvida Franco Maom e sabes perfeitamente, que os Franco-Maons acabam de ser excomungados recentemente, pelo Papa. ELIPHAS LEVI Sim, o sei; e, desde ento, tenho deixado de ser Franco-Maom, porque os Franco-Maons excomungados pelo Papa, no acreditavam que deviam tolerar o catolicismo. Tenho me separado deles, para resguardar a minha liberdade de conscincia e para no me associar as suas represlias, talvez desculpveis, se no legtimas; porm, seguramente inconseqentes, j que a essncia da Maonaria a tolerncia todos os cultos. O CLRIGO Queres dizer, a indiferena em matria de religio? ELIPHAS LEVI Dizes em matria de supersties. O CLRIGO Oh! Sei que para ti, a Religio e a superstio so uma s e mesma coisa. ELIPHAS LEVI Creio, pelo contrrio, que so duas coisas opostas e inconciliveis, tanto que, aos meus olhos, os supersticiosos so mpios. Quanto religio, no h mais que uma. E no tem havido nunca, seno uma verdadeira. a esta que chamo verdadeiramente de Catlica ou universal. Um muulmano pode pratic-la como o tem demonstrado muito bem o emir Abd-el-Kader, quando salvou os Cristos de Damasco. Esta religio a Caridade; o smbolo da caridade a Comunho; e o oposto da comunho excomunho; comungar evocar a Deus, excomungar evocar ao diabo. O CLRIGO por isto que tens o diabo no corpo, pois com certeza, semelhantes doutrinas fazem de ti um excomungado. ELIPHAS LEVI Se eu tivesse o diabo, serias tu quem me o teria dado, e eu no seria, por certo, bastante mau para devolv-lo a ti; trat-lo-ia como os comerciantes tratam as falsas moedas, que pregam-nas no seu balco para retir-las de circulao. O CLRIGO No quero escutar-te mais. s um extravagante e um mpio. ELIPHAS LEVI (Rindo). Sabes tudo a meu respeito! E falas coisas das quais estou longe de suspeit-las em mim; no sou to sbio e no direi o que s. Fao-te observar, somente que o que me dizes, no nem caritativo nem corts. O CLRIGO s um dos mais perigosos inimigos da Igreja. ELIPHAS LEVI o senhor de Mirville que tem dito isto. Porm, eu responderei ele, como ti, com estes versos do nosso bom e grande La Fontaine: NADA MAIS PERIGOSO DO QUE UM AMIGO IMPRUDENTE; MAIS VALERIA UM INIMIGO SBIO SEGUNDO DILOGO UM FILSOFO e ELIPHAS LEVI O FILSOFO (Entrando) Que fazias com aquele energmeno? ELIPHAS LEVI Nada muito bom, creio; teria apreciado poder acalm-lo, no entanto, s consegui enraivec-lo ainda mais. O FILSOFO Tambm, que tens a fazer com semelhante gente? E porque obstinas em declarar-te ainda catlico? Alijas-te de ti os livres pensadores e os catlicos te desprezam. ELIPHAS LEVI um mal entendido. O FILSOFO Do qual s a causa. Porque te obstinas em dizer "cachorro" quando se trata de "gato"? ELIPHAS LEVI No creio ter me permitido semelhantes e