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  • 1

    SEMINRIO ARQUIDIOCESANO DE SO JOS

    INSTITUTO SUPERIOR DE CINCIAS RELIGIOSAS

    FERNANDO HENRIQUE CARDOSO DA SILVA

    RIO DE JANEIRO

    JUNHO - 2015

  • 2

    SUMRIO

    1. INTRODUO AO PERODO PATRSTICO ......................................................... 3

    1.1. O que Patrstica? .................................................................................................. 3

    1.2. O dilogo entre a filosofia grega e o cristianismo .................................................. 5

    1.3. A falsa e a verdadeira gnose ................................................................................... 6

    1.4. Apresentao dos perodos da patrstica ................................................................. 8

    2. PADRES APOSTLICOS ............................................................................................ 9

    3. PADRES APOLOGETAS ............................................................................................. 9

    3.1. Apologetas gregos e latinos .................................................................................. 10

    3.2. Santo Irineu de Lyon ............................................................................................. 11

    3.3. A Escola de Alexandria ........................................................................................ 12

    4. PERODO UREO ...................................................................................................... 14

    4.1. Gregrio de Nissa (333 - 395) .............................................................................. 14

    4.2. Agostinho de Hipona (354 430) ......................................................................... 16

    4.3. Dionsio pseudo-areopagita (? Sc. VI) ................................................................ 17

    4.4. Jernimo (~340 - ~410) ........................................................................................ 18

    4.5. Mximo o confessor (580 662) .......................................................................... 19

    5. DECADNCIA E TRANSIO PARA O PERODO ESCOLSTICO ............... 20

    5.1. Severino Bocio (475 525) ................................................................................ 20

    5.2. Gregrio Magno (~540 604) .............................................................................. 22

    5.3. Joo Damasceno (~650 749) .............................................................................. 23

    BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................. 23

  • 3

    1. INTRODUO AO PERODO PATRSTICO

    1.1. O que Patrstica?

    Podemos definir como Patrstica o perodo existente entre a morte dos ltimos dos

    Apstolos de Jesus Cristo (o Apstolo Joo Evangelista, que faleceu cerca do ano 100 d.c.,

    ou seja, em torno do sculo II) e o comeo da Idade Mdia (aproximadamente a partir do

    ano 750 d.c.). Neste perodo, percebemos a ocorrncia das ltimas manifestaes da

    filosofia antiga convivendo com as primeiras iniciativas filosficas praticadas por

    pensadores cristos.

    Embora vivendo durante certo tempo com os pensadores cristos nascentes, a

    filosofia pag, todavia, teve data de fim: o ano de 529 d.c., ano em que o Imperador

    Romano Justiniano proibiu aos pagos qualquer ofcio pblico e, portanto, tambm a

    possibilidade de manter escolas e lecionar1.

    Assim, a patrstica compreende um perodo rico, no qual a novidade crist soube

    trazer grandes contribuies filosofia, sendo considerada como o embrio da filosofia

    crist.

    J que abordamos o tema, vale a pena esclarecer a dois questionamentos

    fundamentais:

    a. O que filosofia crist?

    b. O que os Padres da Igreja fizeram e pensaram pode ser considerado filosofia?

    A busca por respostas a este questionamento fez surgir importantes debates entre

    intelectuais, como o famoso ocorrido em 1927 na Societ Francaise de Philosophie entre

    Brhier e Gilson. Brhier, imbudo do pensamento caracterstico da modernidade e

    contemporaneidade que chega at ns nos dias atuais, defendia a tese de que no existia

    um filosofia tipicamente crist, restringindo o labor terico dos Padres e dos medievais ao

    nvel somente teolgico, enquanto que Gilson defendia sim a existncia de uma filosofia

    crist.

    Assim, qual foi a sada de Gilson para esta problemtica? Ele considerou que a

    misso de um historiador no julgar, mas sim buscar entender e respeitar o que os

    filsofos anteriores pensavam sobre determinado conceito, pois, como vemos ocorrer em

    diversos casos, as palavras podem adquirir sentidos diferentes com o passar dos sculos.

    1 REALE, Giovanni, Antiseri, Dario. Histria da filosofia: filosofia pag antiga. 5 ed. So Paulo: Paulus,

    2011, v. 1, p. 367.

  • 4

    Com isso, Gilson busca justificar o porqu dos autores clssicos cristos afirmarem que o

    que eles faziam era sim filosofia. Quando, por exemplo, Agostinho usa o conceito de

    filosofia crist, ele se refere sabedoria crist, ou seja, a sabedoria dada por Deus pela

    via da iluminao.

    Assim, podemos dizer que a filosofia crist formalmente filosofia na medida em

    que suas concluses partem de premissas que so intrinsecamente racionais. E, ao mesmo

    tempo, assumindo a revelao crist como critrio ltimo das verdades filosficas, pois, a

    razo no deve contradizer a f.

    Deste modo, afirmar como Brhier que todo o pensamento clssico s teologia

    seria empobrecer toda a riqueza presenciada pelos fatos histricos, tendo em vista que,

    se a filosofia patrstica e medieval no fosse nada mais do que teologia, deveramos esperar

    que os pensadores que aceitassem a mesma f aceitassem automaticamente a mesma

    filosofia, o que no e verdade, pois, ao observarmos homens como Duns Scotus, Santo

    Toms de Aquino, Guilherme de Ockham, So Boaventura, Santo Agostinho e muitos

    outros que, embora fossem igualmente catlicos, ou seja, tinham exatamente a mesma f,

    adotaram posturas filosficas claramente distintas umas das outras, o que comprova a

    presena do conhecimento filosfico no labor destes pensadores.

    importante, tambm, ressaltar que nem todo filsofo que professa a f crist faz

    necessariamente uma filosofia crist, como vemos, por exemplo, no caso de notrios

    filsofos como Descartes, que, era catlico praticante, contudo, seu pensamento no

    coadunava com a filosofia crist.

    Assim, para responder mais objetivamente aos questionamentos levantados acima,

    podemos definir a filosofia crist como a busca em se chegar verdade em si atravs de

    premissas racionais, assumindo a Revelao bblica como critrio ltimo para estas

    mesmas verdades. possvel, tambm, vermos nos Padres da Igreja a presena sim de uma

    filosofia, pois, buscavam sempre mais as argumentaes racionais a fim de resolverem

    problemas com a doutrina crist e como suporte para a apologtica.

    Ao discursarmos acerca do perodo patrstico, nos colocamos em outra questo: qual

    a diferena entre patrstica e patrologia? Por patrstica, podemos definir como a filosofia

    crist dos primeiros sculos da era ps-crist, que compreende o perodo histrico que vai

    do sculo II ao sculo VII aproximadamente. J por Patrologia, consiste no estudo dos

    Padres da Igreja, grandes responsveis por fundamentar a doutrina crist.

    Afinal, embora tenhamos falado tanto deles, mas, quem so os Padres da Igreja e por

    que recebem este ttulo?

  • 5

    Padres da Igreja so os intelectuais cristos dos primeiros sculos responsveis por

    estabelecer os fundamentos da f crist recebida atravs dos Apstolos e do Evangelho de

    Cristo. Sua importncia na histria do cristianismo e da filosofia crist no deve ser

    desconsiderada. Os Padres, embora tenham origens e pensamentos das mais diversas

    ordens, devem possuir atributos em comum para obterem este status. Tais caractersticas

    (ou exigncias) so:

    - Antiguidade (devem ter vivido no mximo at o sculo VIII d.c.)

    - Santidade de vida

    - Aprovao da Igreja

    - Ortodoxia doutrinria

    Atualmente no h uma lista uniforme contendo o nome de todos os Padres, contudo,

    podemos notar a presena de figuras notrias como Irineu de Lio, Clemente de

    Alexandria, Orgenes, Agostinho de Hipona, Gregrio Magno, dentre outros.

    Para a grande maioria dos Padres, o conhecimento da filosofia e da cultura grega

    foram fundamentais para a elaborao do arcabouo teolgico do cristianismo, pois, como

    havamos dito acima, a filosofia grega e a patrstica conviveram juntas durante sculos,

    sendo frequente o encontro e o dilogo entre elas, tema do prximo tpico.

    1.2.O dilogo entre a filosofia grega e o cristianismo

    Considerar o perodo que estudamos como Filosofia crist j , por si s, um convite

    para percebermos o quo necessrio realizar pontes entre estas duas reas, pois, como

    sabemos, o contexto do cristianismo nascente j era o de uma sociedade helnica, onde a

    presena da filosofia e da literatura grega era imprescindvel.

    A filosofia pag passava, neste perodo, por uma etapa conhecida por sua

    decadncia, que foi o perodo helnico, onde, aps o apogeu dos grandes filsofos como

    Scrates, Plato e Aristteles parece no ter sido suficiente para a construo de uma

    humanidade perfeita, comea a reina