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  • 1. Jorge Barbosa - http://web.mac.com/jbarbo00/ O Conhecimento e a Racionalidade Cientfica e Tecnolgica Jorge BarbosaGrupo de Filosoa Escola Secundria Dr. Manuel Gomes de Almeida Espinho Janeiro, 2007 Grupo de Filosoa email: grupo-de-losoa@hotmail.com . Esc Sec. Dr. Manuel Gomes de Almeida - Espinho - http://mgalosoa.multiply.com/1

2. Jorge Barbosa - http://web.mac.com/jbarbo00/ Contedos 1- Descrio e Interpretao da actividade cognoscitiva!3 1.1 Estrutura do acto de Conhecer3 1.2 Anlise Comparativa de duas Teorias Explicativas do Conhecimento 6 O racionalismo cartesiano6 O Empirismo 10 Apriorismo152. Estatuto do Conhecimento Cientfico!20 2.1. Conhecimento vulgar e Conhecimento cientco 20 2.2. Cincia e Construo - Validade e Vericabilidade das Hipteses23 Grupo de Filosoa email: grupo-de-losoa@hotmail.com . Esc Sec. Dr. Manuel Gomes de Almeida - Espinho - http://mgalosoa.multiply.com/2 3. Jorge Barbosa - http://web.mac.com/jbarbo00/ 1- DESCRIO E INTERPRETAO DA ACTIVIDADE COGNOSCITIVA1.1 Estrutura do acto de ConhecerA percepo atravs dos sentidos no depende exclusivamente dos atributos fisiolgicos ime- diatos do olho ou do ouvido. Depende, sim, de um contexto muito mais vasto, que envolve a disposio global do indivduo. No caso da viso isso foi investigado segundo numerosas e diferentes perspectivas, tendo os cientistas demonstrado que a viso requer o movimento acti- vo tanto do corpo como da mente. A percepo visual , portanto, um acto intencional e no passivo.Um exemplo claro de como a viso opera sempre num contexto vasto e geral o da pessoa que nasceu cega e, mediante uma operao, adquire subitamente a capacidade de ver. Em tais circunstncias, a viso clara no um processo instantneo, porque tanto o paciente como o mdico tm de realizar um rduo trabalho, at que a confuso de impresses visuais despro- vidas de significado possa ser integrada numa viso verdadeira. Este trabalho implica, en- tre outras coisas, a explorao dos efeitos dos movimentos do corpo nas experincias visuais ainda frescas e a aprendizagem do relacionamento das impresses visuais de um objecto com as sensaes tcteis que foram previamente associadas a ele. Em particular, o que o paciente aprendeu por outras vias afecta fortemente o que ele v. A disposio global da mente para apreender objectos por vias particulares desempenha um papel no acto de seleccionar e de dar forma ao que visto.Estas concluses so confirmadas pela anlise neurolgica do sistema nervoso. Para se ver algo em absoluto, o lho tem de se lanar em movimentos rpidos que o ajudam a extrair da cena alguns elementos de informao. Sabe-se que o modo pelo qual estes elementos se inte- gram depois numa imagem global, conscientemente percebida, depende em grande parte dos conhecimentos e hipteses gerais, por parte de quem v, acerca da natureza da realidade. Di- versas experincias incisivas revelaram que o fluxo de informao proveniente dos nveis ce- rebrais elevados para as reas de formao de imagens excede, na realidade, a quantidade de informao que chega dos olhos. Isto , aquilo que se v resulta tanto dos conhecimentos previamente adquiridos como dos dados visuais acabados de receber. Grupo de Filosoa email: grupo-de-losoa@hotmail.com . Esc Sec. Dr. Manuel Gomes de Almeida - Espinho - http://mgalosoa.multiply.com/ 3 4. Jorge Barbosa - http://web.mac.com/jbarbo00/ A percepo dos sentidos , portanto, fortemente determinada pela disposio total da mente e do corpo. Mas, por sua vez, esta disposio relaciona-se, de maneira significativa com a cultu- ra geral e a estrutura social. Do mesmo modo, a percepo atravs da mente tambm gover- nada por todos estes factores. Por exemplo, um grupo de pessoas a passear numa floresta v e responde de maneira diversa ao ambiente. O lenhador v a floresta como uma fonte de ma- deira, o artista como algo digno de ser pintado, o caador como um esconderijo para a caa. Em cada caso, o bosque e as suas rvores individuais so percebidos de modo muito diferente, na dependncia da formao e expectativas dos passeantes. David Bohm e David PeatA experincia do conhecimento comum a todos os seres humanos. Mas, afinal, o que co- nhecer? Quem que conhece? O que que se conhece? Como se conhece?No texto encontramos tentativas de resposta para estas questes. Todos os seres vivos so dotados de sentidos, isto , de rgos que lhes permitem captar, interpretar esses sinais e responder-lhes adequadamente. O conhecimento faz parte dos mecanismos de sobrevivncia e adaptao ao meio.No homem o processo de conhecer no muito diferente dos outros animais mas atinge n- veis de maior complexidade, permitindo alcanar conhecimentos abstractos, pensar a reali- dade e manipul-la.O que que nos diz o texto? (vejamos uma perspectiva a respeito do conhecimento, talvez a mais vulgar e mais fcil de entender, a partir da anlise do texto)1. Afirma que o conhecimento possvel dependendo, em primeiro lugar, da estrutura fisio- lgica dos nossos sentidos - das sensaes. Os nossos sentidos recebem e do significado a determinados estmulos, ignorando outros. Todo o conhecimento tem origem ou cons- titui-se a partir da sensao.2. As sensaes, ou dados dos sentidos, so interpretado por cada indivduo - o sujeito do conhecimento. Esta interpretao implica uma organizao das sensaes num todo si- gnificativo que o conhecimento perceptivo. Assim, o conhecimento perceptivo traduz um primeiro nvel de apreenso da realidade. Esta apreenso permite reproduzir na men- te do sujeito a realidade em si mesma.3. O conhecimento perceptivo implica um sujeito (aquele que conhece) e um objecto (aqui- lo que conhecido e representado na mente). O sujeito, atravs dos sentidos, apreendeGrupo de Filosoa email: grupo-de-losoa@hotmail.com . Esc Sec. Dr. Manuel Gomes de Almeida - Espinho - http://mgalosoa.multiply.com/4 5. Jorge Barbosa - http://web.mac.com/jbarbo00/ um conjunto de dados a que confere significado, construindo assim uma representao mental ou objecto (em sentido gnoseolgico)4. O objecto construdo pelo sujeito no uma mera soma dos dados sensoriais apreendi- dos num dado momento; como se diz no texto aquilo que se v resulta tanto dos conhe- cimentos previamente adquiridos como dos dados visuais acabados de receber. Quer isto dizer que o sujeito que conhece atribui um significado aos dados recebidos em fun- o da sua prpria estrutura, das experincias j vividas, dos conhecimentos anteriormen- te adquiridos, dos interesses pessoais, etc..5. So todos estes factores (factores de significao perceptiva) que explicam que cada sujei- to possa ter uma viso diferente da mesma realidade.O ser humano no se limita a conhecer perceptivamente a realidade, desta forma imediata e vivencial. Tambm somo capazes de pensar sobre o vivido, elaborando conhecimentos abstractos que provm justamente da capacidade de reflectir sobre o que percepcionamos. Assim, construmos leis gerais e teorias acerca da realidade. Com base nes- te conhecimento abstracto e racional, elaboramos modelos explicativos e interpretativos da realidade. este nvel racional do conhecimento, que espe- cificamente humano, que tornou possvel a cons- truo da cincia e da filosofia e a evoluo tecno- lgica.Para alguns autores, h uma estrutura invariante no sujeito que determina a construo, a configurao e o sentido do objecto. Para outros autores, esta estrutura da mente que conhe- ce (sujeito gnoseolgico) vai-se constituindo ao longo da vida a partir das caractersticas bio- lgicas. Para outros ainda, o objecto que determina a sua prpria representao, reservando para o sujeito o paperl de mero receptor considerando o conhecimento como uma tomada de conscincia das determinaes do objecto.Em concluso, conhecer construir representaes mentais da realidade; o sujeito que co- nhece; aquilo que conhecido o objecto. Por objecto de conhecimento no se entende a realidade em si mesma mas a sua representao na conscincia. O processo de construo do conhecimento exige capacidade de captao sensorial dos dados, capacidade de interpretao Grupo de Filosoa email: grupo-de-losoa@hotmail.com . Esc Sec. Dr. Manuel Gomes de Almeida - Espinho - http://mgalosoa.multiply.com/ 5 6. Jorge Barbosa - http://web.mac.com/jbarbo00/ e de organizao e capacidade de elaborao racional, no sentido de constituir conceitos, leis gerais e teorias explicativas acerca da realidade (conhecimento racional) 1.2 Anlise Comparativa de duas Teorias Explicativas do ConhecimentoAo longo da histria da filosofia houve vrias tentativas para explicar o modo como o homem conhece as coisas (tipos de objectos que correspondem a seres individuais) que capaz de conhecer; os filsofos tambm se preocupa- ram com o alcance, os limites e a validade des- se conhecimento. Desde o incio que os filso- fos se perguntam: qual a origem ou fundamen- to do conhecimento? At onde podemos co- nhecer? podemos conhecer tudo ou h limites e limitaes ao nosso conhecimento? Conhe- cemos a realidade tal como em si mesma ou o nosso conhecimento nossa medida, mol- dado pelo modo como o sujeito constitudo?Estas questes expressam preocupaes de natureza gnoseolgica e so constantes ao longo da histria da filosofia. O modo como se tem respondido a estas questes conduziu existn- cia de mltiplas teorias explicativas do conhecimento: empirismo, racionalismo, apriorismo, construtivismo, positivismo, materialismo, dogmatismo, cepticismo, relativismo...Vamos estudar trs dessas perspectivas: racionalismo, empirismo e apriorismo. O racionalismo cartesiano1Assim, porque os nossos sentidos nos enganam algumas vezes, eu quis supor que nada h que seja tal como eles o fazem imaginar. E, porque h homens que se enganam ao raciocinar, at nos mais simples temas de geometria, e ne- les cometem paralogismos, rejeitei como falsas, visto estar sujeito a enganar-me como qualquer outro, todas as razes de que at ento me ser- vira nas demonstraes. Finalmente, conside- rando que os pensamentos que temos quando 1 Ler texto em http://jbarbo00.vox.com/library/pos