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UNIVERSIDADE DE SO PAULO

ESCOLA DE ENGENHARIA DE SO CARLOS

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUO

Modelo de diagnstico da maturidade da

Construo Enxuta e estudo de casos em

empresas da construo civil

FELIPE TEIXEIRA ARANTES

Orientador: Professor Doutor Antnio Freitas Rentes

So Carlos

Novembro 2010

Felipe Teixeira Arantes

Modelo de diagnstico da maturidade da

Construo Enxuta e estudo de casos em

empresas da construo civil

Trabalho de Concluso de Curso

apresentado Escola de Engenharia de

So Carlos da Universidade de So

Paulo para a obteno do ttulo de

Engenheiro de Produo Mecnica.

Orientador: Professor Doutor Antnio Freitas Rentes

So Carlos

Novembro 2010

RESUMO

ARANTES, F. T. Modelo de diagnstico da maturidade da Construo Enxuta e

estudo de casos em empresas da construo civil. Trabalho de Concluso de

Curso Escola de Engenharia de So Carlos USP, 2010.

A Construo Enxuta uma filosofia recente que apresenta a adaptao

dos conceitos da Manufatura Enxuta para a construo civil. Hoje se v um

movimento por todo o mundo de pesquisadores e empresas do setor que

buscam aplicar e aprofundar os conceitos propostos por essa filosofia. No

Brasil esse movimento data o ano de 1996 e desde ento o nmero de adeptos

vem aumentando. Abordando, portanto, esse tema, o presente trabalho tem

como objetivo propor um modelo para diagnosticar a maturidade da Construo

Enxuta e aplic-lo em empresas da construo civil que utilizam essa filosofia.

Para alcanar esse objetivo foi realizado um estudo de reviso bibliogrfica,

que aborda os conceitos da Produo Enxuta e da Construo Enxuta, e

estruturou-se a pesquisa em etapas necessrias para a definio do modelo e

sua aplicao. O modelo proposto fundamentado nos onze princpios da

Construo Enxuta definidos pelo professor Lauri Koskela em seu relatrio

tcnico intitulado Application of the New Production Philosophy to Construction.

Esse modelo composto por um questionrio, atravs do qual se verifica a

presena de cada um dos princpios nas empresas consultadas, e por um

grfico que apresenta os resultados obtidos para todas as questes. O modelo

foi ento aplicado com sucesso em trs empresas do setor, como resultado foi

identificado um nvel elevado de atendimento aos princpios da Construo

Enxuta em duas das empresas, e em uma delas um nvel intermedirio. Esse

trabalho ento, alm de contribuir assim para a divulgao do tema, apresenta

um feedback s empresas que durante alguns anos vm implementando os

princpios dessa nova filosofia.

Palavras-chave: Manufatura Enxuta, Construo Civil, Construo Enxuta,

Lean Construction, Onze Princpios - Construo Enxuta, Maturidade Lean.

ABSTRACT

ARANTES, F. T. Diagnosis Model of Lean Construction Maturity and Cases

study in Construction Companies. Trabalho de Concluso de Curso Escola de

Engenharia de So Carlos USP, 2010.

Lean Construction is a recent philosophy that presents the adaptation of

the concepts of Lean Manufacturing to construction. Today we can see many

actions around the world, by researchers and construction companies, trying to

apply and deepen the concepts suggested by this new philosophy. In Brazil this

movement is dated back to 1996 and since then the number of supporters is

increasing. Approaching this theme, this monograph aims to propose a model to

diagnose the maturity of Lean Construction and to apply it in construction

companies that work with this philosophy. To reach this goal it was made a

literature review that shows the Lean Production and Lean Construction

concepts, after that it was organized the necessary steps to define the model

and its application. The proposed model is grounded in the eleven principles of

Lean Construction defined by Professor Lauri Koskela in his technical report

titled Application of the New Production Philosophy to Construction. This model

is composed by a questionnaire, which checks the presence of each principle in

the consulted companies, and by a chart that shows the results for all

questions. The model was successfully applied in three construction

companies, as result it was identified, in two companies, a high attendance level

to the Lean Construction Principles, and in the other company it was identified

an intermediate level. Therefore, this monograph contributes to spread this new

philosophy and gives a feedback to the companies that have been working with

the implementation of Lean Construction principles.

Key-words: Lean Manufacturing, Civil Construction, Lean Construction, Eleven

Principles - Lean Construction, Lean Maturity.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Modelo Hominiss de Diagnstico da Maturidade Lean (FONTE:

RENTES, 2009) ................................................................................................ 27

Figura 2 - Modelo Hominiss de Diagnstico da Maturidade Lean Preenchido

(FONTE: RENTES, 2009) ................................................................................ 28

Figura 3 Elementos da pesquisa ................................................................... 31

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Causas e Solues para os Tipos de Desperdcios (FONTE:

STEFANELLI, 2007) ......................................................................................... 12

Quadro 2 - Comparao Construo Enxuta com a Gesto Convencional da

Construo ....................................................................................................... 27

Quadro 3 - Os Onze Princpios da Construo Enxuta .................................... 33

LISTA DE GRFICOS

Grfico 1 - PIB da Construo Civil de 2004 a 2009 .......................................... 1

Grfico 2 - N de unidades financiadas com recursos do FGTS e da Poupana

SBPE .................................................................................................................. 2

Grfico 3 - Valores contratados em R$ .............................................................. 2

Grfico 4 - Ferramenta visual do Modelo de Diagnstico da Maturidade da

Construo Enxuta ........................................................................................... 39

Grfico 5 - Maturidade Lean Construtora Castelo Branco ................................ 48

Grfico 6 - Maturidade Lean C. Rolim Engenharia ........................................... 49

Grfico 7 - Maturidade Lean Fibra Construes ............................................... 50

LISTA DE SIGLAS

AV Atividades que Agregam Valor

CBIC Cmara Brasileira da Indstria da Construo

CCB Construtora Castelo Branco

FGTS Fundo de Garantia do Tempo de Servio

IGCL International Group for Lean Contruction

IMVP International Motor Vehicle Program

ISO International Organization for Standardization

NAV Atividades que No Agregam Valor

NORIE Ncleo Orientado para a Inovao da Edificao

PBQP-H Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade - Habitao

PCP Planejamento e Controle da Produo

PIB Produto Interno Bruto

SBPE Sistema Brasileiro de Poupana e Emprstimo

STP Sistema Toyota de Produo

UFRGS Universidade Federal do Rio Grande do Sul

SUMRIO

1. INTRODUO....................................................................................... 1

1.1. Contextualizao e Justificativa ............................................................ 1

1.2. Objetivo ................................................................................................. 5

2. REVISO BIBLIOGRFICA .................................................................. 6

2.1. Produo Enxuta ................................................................................... 6

2.1.1. Os cinco princpios do pensamento enxuto ........................................... 7

2.1.2. Os sete desperdcios ............................................................................. 9

2.2. Construo Enxuta .............................................................................. 12

2.2.1. Histrico ............................................................................................... 12

2.2.2. Caractersticas da Construo Civil ..................................................... 13

2.2.3. O Modelo Proposto pela Construo Enxuta ....................................... 16

2.2.4. Os Princpios da Construo Enxuta ................................................... 16

2.2.5. As Categorias de Desperdcios para a Construo Enxuta ................. 24

2.2.6. Comparao entre a Construo Convencional e a Construo Enxuta

25

2.3. Modelo de diagnstico da maturidade Lean ........................................ 27

3. DELINEAMENTO DA PESQUISA ....................................................... 29

3.1. Caracterizao .................................................................................... 29

3.2. Estruturao da pesquisa .................................................................... 30

3.3. Critrios a serem analisados ............................................................... 32

3.4. Mtodo de anlise ............................................................................... 33

3.5. Empresas a serem analisadas ............................................................ 33

3.5.1. Construtora Castelo Branco ................................................................ 34

3.5.2. C. Rolim Engenharia ............................................................................ 35

3.5.3. Fibra Construes ............................................................................... 36

3.6. Instrumento de coleta de dados .......................................................... 36

3.7. Coleta dos dados ................................................................................ 37

3.8. Apresentao e anlise dos resultados............................................... 38

4. MODELO E APLICAO NOS CASOS .............................................. 39

4.1. Modelo de diagnstico da Construo Enxuta .................................... 39

4.2. Resultados da aplicao nos casos .................................................... 40

5. CONCLUSO ...................................................................................... 52

REFERNCIAS ................................................................................................ 54

APNDICE ....................................................................................................... 57

1

1. INTRODUO

Este trabalho apresenta uma pesquisa realizada durante o ano de 2010

pelo autor para as disciplinas Trabalho de Concluso de Curso I e II, cujo

ttulo Modelo de diagnstico da maturidade da Construo Enxuta em

empresas da construo civil.

1.1. Contextualizao e Justificativa

O setor da construo civil no Brasil vive hoje um forte

crescimento, apesar da queda devido crise do final de 2008 o

mercado promissor, principalmente aps a confirmao da realizao

da Copa do Mundo em 2014 e dos Jogos Olmpicos em 2016.

Esse crescimento pode ser visto atravs do Grfico 1, nele vemos

um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do setor nos ltimos

anos.

Grfico 1 - PIB da Construo Civil de 2004 a 2009

(FONTE: CBIC WEB SITE)

Outro dado importante que mostra otimismo para o setor o

aumento da demanda que pode ser visto atravs da comparao de

R$ 80.000,00

R$ 90.000,00

R$ 100.000,00

R$ 110.000,00

R$ 120.000,00

R$ 130.000,00

R$ 140.000,00

2004 2005 2006 2007 2008 2009Valo

res a

pre

o

s c

orr

en

tes e

m R

$

milh

es

Anos

PIB da Construo Civil de 2004 a 2009

2

unidades habitacionais financiadas com recursos do FGTS e da

Poupana SBPE nos anos de 2008 e 2009. O Grfico 2 apresenta as

unidades financiadas e o Grfico 3 os valores contratados.

Grfico 2 - N de unidades financiadas com recursos do FGTS e da Poupana SBPE

(FONTE: CBIC WEB SITE)

Grfico 3 - Valores contratados em R$

(FONTE: CBIC WEB SITE)

289.197

411.317

-

50.000

100.000

150.000

200.000

250.000

300.000

350.000

400.000

450.000

Nmero de unidades

Nmero de unidades financiadas com recurcos do FGTS e da Poupana SBPE

2008

2009

10.540.673.504

16.037.292.040

-

2.000.000.000

4.000.000.000

6.000.000.000

8.000.000.000

10.000.000.000

12.000.000.000

14.000.000.000

16.000.000.000

18.000.000.000

Valores Contratados R$

Valores contratados em R$

2008

2009

3

Com esse crescimento da demanda cresce tambm as exigncias

dos clientes. Uma dificuldade enfrentada hoje pelo setor para atender

essas exigncias est relacionada com a gesto da obra, a forma atual

de gerir est desatualizada e apresentando problemas para

acompanhar essa boa fase econmica, os gestores de muitas

construtoras reconhecem a necessidade de uma nova filosofia que os

auxiliem na administrao da produo no canteiro de obras.

O modo de gesto utilizado por grande parte das construtoras

baseado em processos de converso, que transformam insumos em

produtos intermedirios ou finais, porm essa definio de produo

tem ignorado muitas vezes algumas atividades que compem os fluxos

fsicos entre as atividades de converso, como por exemplo, a

movimentao de materiais, de pessoas e informaes. Essas

atividades so caracterizadas por no agregar valor ao produto.

(KOSKELA 1992).

Segundo KOSKELA (1992) os problemas de fluxo gerados por

este tipo de gesto esto relacionados aos seguintes fatores:

Mtodo seqencial de realizao do projeto, onde no se

identifica uma integrao entre as fases do projeto, fazendo

com que as restries da fase seguinte no sejam levadas em

considerao;

Falta de qualidade, pois no existem esforos especiais para

eliminar defeitos, erros, omisses, e nem seus impactos;

Controle segmentado, onde parte de um fluxo de processo

controlado separado do todo;

Modo de planejamento da rede, que divide o fluxo em

atividades especficas, sendo elas organizadas em seqncia

ficando assim dependentes de atividades precedentes.

4

Ainda de acordo com KOSKELA (1992) algo tambm que

prejudica a considerao dessas atividades de fluxo que a construo

civil possui algumas peculiaridades, sendo elas:

Projetos nicos devido a diferentes necessidades e prioridades

dos clientes, pelos diferentes locais e ambientes e pelas

diferentes visualizaes do projetista quanto melhor soluo;

Produo local, pois a produo executada no local do

produto final, exigindo uma adaptao da empresa ao local,

condies do terreno e ao ambiente;

Organizao temporria, pois ocorre contratao de pessoas e

seleo de fornecedores para um determinado projeto, no

permitindo a criao de um vnculo com esses colaboradores e

assim dificultando a busca por uma melhoria nos processos.

As conseqncias dessa abordagem podem ser vistas na

situao atual da construo civil, que conhecida por possuir uma

elevada quantidade de atividades que no agregam valor, baixa

produtividade, alto desperdcio de pessoas e matria-prima e tambm

ms condies de trabalho. Esses problemas no se restringem

cadeia produtiva, se destacam tambm no setor gerencial,

caracterizando um atraso do setor que se encontra fragmentado e

pouco transparente.

No sentido de minimizar os problemas crnicos existentes na

construo civil, inmeras solues vm sendo ofertadas ao setor.

Nesta busca por melhorias algumas empresas comeam a introduzir

modernas filosofias gerenciais, adaptando conceitos, mtodos e

tcnicas desenvolvidos para ambientes de produo industrial, assim

como sistemas de planejamento e controle da produo.

Nesse cenrio surge ento uma nova filosofia conhecida por

Construo Enxuta (Lean Construction), impulsionada pela publicao

do trabalho Application of the New Production Philosophy to

5

Construction por Lauri Koskela (1992) do Technical Research Center

(VVT) da Finlndia, que busca, atravs de algumas tcnicas e

ferramentas de gesto baseadas na filosofia do Pensamento Enxuto,

reduzir os desperdcios que no agregam valor aos produtos da

construo civil.

1.2. Objetivo

O Objetivo deste trabalho propor um modelo que permita

diagnosticar a maturidade da Construo Enxuta e aplic-lo em

empresas da construo civil que utilizam essa filosofia em sua

metodologia de gesto da produo em obras.

6

2. REVISO BIBLIOGRFICA

2.1. Produo Enxuta

O termo Produo Enxuta, do ingls Lean Production, surgiu no

final da dcada de 80, pesquisadores do IMVP (International Motor

Vehicle Program), ligados ao Massachusettis Institute of Tecnology,

durante cinco anos pesquisaram em 14 pases os principais sistemas

de produo utilizados pela indstria automobilstica. Essa pesquisa

revelou uma nova filosofia de gesto nas principais dimenses dos

negcios (manufatura, desenvolvimento de produtos e relacionamento

com os clientes e fornecedores) desenvolvida pelo Toyota. (LEAN

INSTITUTE BRASIL WEB SITE).

Essa nova filosofia se destacou no mundo inteiro, pois apresentou

timos ndices de produtividade, qualidade e desenvolvimento de

produtos. Devido a isso se observou, ao longo da ltima dcada, uma

busca pelas prticas identificadas na Toyota por muitas empresas.

(STEFANELLI, 2007).

J o Sistema Toyota de Produo (STP), precursor da Produo

Enxuta, surgiu no seguinte contexto. Em meados da dcada de 50

Taiichi Ohno, engenheiro chefe da Toyota, visitou fbricas da Ford nos

Estados Unidos e assim teve contato com a produo em massa. Ohno

percebeu que esse sistema de produo, mesmo que apontasse uma

superioridade considervel americana em relao ao Japo no quesito

produtividade, no se aplicava ao Japo ps-guerra, pois fbricas

haviam sido destrudas, a economia estava abalada e a demanda no

justificava a produo de automveis em larga escala, devido ao fato de

ser um mercado pequeno e bastante fragmentado. (IMAI, 1990).

De acordo com LIKER (2005), a Toyota precisava procurar uma

maneira de adaptar o sistema Fordista ao cenrio japons buscando

atingir ao mesmo tempo: alta qualidade, baixo custo, menor lead time e

grande flexibilidade.

Ento, Taiichi Ohno e Eiji Toyoda, depois de muitas visitas as

fbricas norte-americanas, desenvolveram o Sistema Toyota de

7

Produo, eles contaram tambm, em um segundo momento, com a

colaborao de Shigeo Shingo.

Esse sistema consiste principalmente em organizar a produo

partindo da excluso ou minimizao das aes que no criam valor

aos produtos e, ao mesmo tempo, fazendo com que as aes que criam

valor aos produtos sejam feitas de maneira mais eficaz e no momento

que o cliente deseja.

2.1.1. Os cinco princpios do pensamento enxuto

O reconhecimento mundial do Sistema Toyota de Produo

somente aconteceu aps o lanamento do livro A Mquina que Mudou o

Mundo, em 1990. Esse livro resulta da pesquisa do IMVP j citada no

tpico acima.

Esse sistema conquistou gestores de diversas indstrias do ramo

automobilstico, porm foi criada uma barreira mental de que seria

possvel aplicar essas tcnicas em indstrias de outros ramos.

Buscando quebrar esses paradigmas dois dos autores de A

Mquina que Mudou o Mundo lanaram um novo livro intitulado de O

Pensamento Enxuto, onde apresentavam no mais um sistema de

produo, mas uma filosofia de gesto, a filosofia do Pensamento

Enxuto.

WOMACK e JONES (1996) conseguiram identificar cinco

princpios fundamentais que mostra como os conceitos do Sistema

Toyota de Produo podem ser estendidos alm da produo

automobilstica para qualquer empresa ou organizao, em qualquer

setor, em qualquer pas. Seguem estes cinco princpios, na ordem que

devem ser considerados:

a) Valor

Consiste em definir o que valor do ponto de vista do cliente,

ou seja, identificar a necessidade do cliente e pelo que ele

est disposto a pagar.

8

b) Fluxo de Valor

Este princpio busca enxergar o todo e no apenas atividades

isoladas no fluxo do produto. Essas atividades podem ser

classificadas em: atividades que agregam valor, atividades que

no agregam valor, mas que so necessrias e atividades que

no agregam valor.

c) Fluxo Contnuo

Criar fluxo contnuo onde possvel. O fluxo contnuo consiste

no conceito de one-piece-flow, ou seja, produzir somente um

item de cada vez, passando ao prximo processo sem que

haja acmulo de peas formando estoque intermedirio entre

os processos. O fluxo contnuo permite que a empresa reduza

bastante o tempo de concepo do produto, possibilitando

uma resposta rpida da empresa aos pedidos dos clientes.

d) Produo Puxada

A alternativa, quando no possvel criar fluxo contnuo entre

os processos, conectar os processos atravs da Produo

Puxada. A Produo Puxada faz com que os processos faam

somente a necessidade do processo cliente, isto , somente a

quantidade necessria no momento correto.

e) Perfeio

A perfeio deve ser a meta constante dentro de uma

empresa. Ao passar pelos princpios citados acima, a empresa

consegue enxergar que as oportunidades de eliminao de

desperdcios podem ser infinitas. Dessa forma a empresa

conseguir, cada vez mais, atingir as expectativas dos

clientes.

Visando a eliminao ou minimizao das aes que no

agregam valor para o cliente esses princpios so adotados. Os quatro

primeiros permitem enxergar todos os problemas e desperdcios que

9

atrapalham uma empresa na busca pela excelncia em Produo

Enxuta. J o quinto princpio permite a sustentabilidade da filosofia

Lean, pois busca continuamente a eliminao de desperdcios.

2.1.2. Os sete desperdcios

Como j foi citada, a essncia da filosofia Lean, vindo desde o

Sistema Toyota de Produo, a busca constante pela eliminao, ou

minimizao, das atividades que no agregam valor sob a tica do

cliente final. Nesse contexto surge uma classificao das atividades

realizadas em uma linha de produo ou at mesmo na realizao de

algum servio.

Segundo HINES e TAYLOR (2000) essa classificao a

seguinte:

a) Atividades que agregam valor (AV): Aqui se encontram

aquelas atividades que diferenciam o produto ou servio de

modo que os clientes estejam dispostos a pagar, como por

exemplo, o tempo em que o torno usina um eixo

corretamente.

b) Atividades que no agregam valor, mas so necessrias:

So as atividades que, sob a tica do cliente, no torna o

produto mais valioso, mas so necessrias para o

processo. Aqui serve como exemplo o tempo gasto para a

regulagem de uma mquina para iniciar um processo.

c) Atividades que no agregam valor (NAV): Essas atividades,

sob a tica do cliente, no torna o produto mais valioso e

tambm no so essenciais para o processo. Como

exemplo tem-se a realizao de retrabalhos.

HINES e TAYLOR (2000) afirmam ainda que a grande maioria

das atividades so classificadas como atividades que no agregam

10

valor. Em ambientes de manufatura, apenas 5% do tempo gasto com

atividades que agregam valor, enquanto nos setores administrativos, as

AV correspondem apenas a 1% do tempo total.

Portanto, para aumentar a eficincia da empresa e reduzir os

custos, o ganho maior advm da reduo e eliminao das atividades

que no agregam valor, pelo fato de estas terem uma representao

muito maior no tempo total.

As NAV so identificadas pelo Sistema Toyota de Produo como

desperdcios e de acordo com SHINGO (1996) so classificadas em

sete categorias, sendo elas:

a) Superproduo

Consiste em produzir mais do que o necessrio ou cedo

demais, gerando um excesso que se transforma em custos.

Esse desperdcio gera a maioria dos outros desperdcios que

seguem.

b) Espera

Identifica os desperdcios relacionados a tempos inativos de

operadores, peas e informaes.

c) Transporte

Transporte excessivo de operadores, peas ou informaes

resultando em custos ou gastos de energia desnecessrios.

d) Processos inadequados

Classifica os processos que so executados utilizando

ferramentas ou procedimentos no adequados.

e) Estoque

Armazenamento excessivo e falta de informao ou produtos,

resultando em custos excessivos e baixo desempenho do

servio prestado ao cliente.

11

f) Movimentao

Movimentao desnecessria de operadores devido a uma

desorganizao do ambiente de trabalho.

g) Defeitos

Erros freqentes no processamento de informao, problemas

na qualidade do produto ou baixo desempenho na entrega.

Stefanelli (2007) aponta no Quadro 1 algumas possveis causas

desses desperdcios e suas possveis solues.

Desperdcios Possveis causas Possveis solues

Superproduo

reas grandes de

depsitos Reduzir o setup

Custos elevados de

transporte Fazer s o necessrio

Falhas no PCP Puxar a produo

Espera

Espera por materiais Sincronizar o fluxo de

material

Espera por informaes Balancear a linha com

trabalhadores flexveis

Layout inadequado Realizar manuteno

preventiva Imprevistos de produo

Transporte

Layout inadequado

Projetar layout para

minimizao do

transporte

Lotes grandes Reduzir a movimentao

de material Produo com grande

antecedncia

Processos

inadequados

Ferramentas e dispositivos

inadequados Analisar e padronizar

processos Falta de padronizao

Material inadequado Garantir a qualidade do

material, ferramentas e

dispositivos

Erros ao longo do

processo

Estoque

Aceitar superproduo Sincronizar o fluxo

Reduzir o setup

Produto obsoleto

Reduzir lead times

Realizar a produo

acompanhando a

12

demanda

Grande flutuao da

demanda

Promover a utilizao de

projeto modular dos

produtos

Reduzir os demais tipos

de desperdcios

Movimentao

Layout inadequado Realizar estudo de

movimentos

Padres inadequados de

ergonomia Reduzir deslocamentos

Disposio e/ou controle

inadequado de peas,

matria-prima, material de

consumo, ferramentas e

dispositivos

Adotar sistemas de

controle pertinentes

Itens perdidos

Defeitos

Processos de fabricao

inadequados

Utilizar mecanismos de

preveno de falhas

Falta de treinamento No aceitar defeitos

Matria-prima defeituosa

Quadro 1 - Causas e Solues para os Tipos de Desperdcios (FONTE: STEFANELLI, 2007)

2.2. Construo Enxuta

Construo Enxuta uma nova filosofia de administrao da

produo que busca traduzir e adaptar os princpios e as prticas da

Produo Enxuta para o setor da construo civil, considerando sempre

as peculiaridades desse setor.

De acordo com o LEAN CONSTRUCTION INSTITUTE WEB

SITE, Construo Enxuta particularmente til em projetos complexos

e sujeitos a variabilidade. Essa filosofia desafia a crena de que deve

sempre haver um trade off entre tempo, custo e qualidade.

2.2.1. Histrico

A adaptao dos conceitos do contexto da indstria

automobilstica japonesa para a construo civil ocidental teve como

13

marco inicial a publicao, por Lauri Koskela, na Universidade de

Stanford, EUA, em 1992, de um relatrio tcnico intitulado Application of

the New Production Philosophy to Construction. Neste relatrio Koskela

desafia os profissionais de construo a quebrar seus paradigmas de

gesto e adaptar as tcnicas e ferramentas desenvolvidas com sucesso

no Sistema Toyota de Produo (Lean Production), lanando assim as

bases dessa nova filosofia por meio de adaptao dos conceitos de fluxo

e gerao de valor presentes no pensamento enxuto (Lean Thinking)

construo civil, a qual foi chamada de Construo Enxuta (Lean

Construction). (JUNQUEIRA, 2006).

Com base nesse documento, dois professores e pesquisadores

americanos, os engenheiros Gregory Howell e Glenn Ballard, realizaram

uma primeira reunio sobre Construo Enxuta na Finlndia, em 1993. A

partir de 1994, foi formado um grupo mundial de pesquisadores sobre

Construo Enxuta denominado IGLC Internacional Group for Lean

Construction, coordenado por Howell e Ballard, que anualmente se

rene para discutir os avanos desse novo paradigma para o sistema de

Gesto da Produo no setor da Construo Civil.

No Brasil, a filosofia Construo Enxuta chegou em 1996 atravs

de diversos pesquisadores e consultores da rea de planejamento de

gesto da produo. Destaca-se pela produo de artigos e

dissertaes o NORIE/UFRGS onde est atualmente o professor Carlos

Torres Formoso. (LEAN CONSTRUCTION NA PRTICA WEB SITE).

2.2.2. Caractersticas da Construo Civil

Para Ballard e Howell (1998a) a construo fundamentalmente

diferente da manufatura que deu origem a Produo Enxuta. Querer

transformar os processos construtivos nos do tipo da manufatura, com

iniciativa de normalizao e repetio de processos, poder ser fcil em

projetos pequenos, simples e de longa durao, mas torna-se

extremamente complicado efetuar o mesmo para projetos mais

dinmicos, isto , os que so rpidos, complexos e imprevisveis, assim

mais do que tentar tornar a construo numa produo do tipo da

http://www6.ufrgs.br/norie/http://lattes.cnpq.br/5272522338245439http://lattes.cnpq.br/5272522338245439

14

manufatura deve-se desenvolver uma cultura Lean adaptada a uma

construo dinmica.

Visto isto, tornam-se importante levar em conta as caractersticas

e definir o tipo de produo que a construo civil para se poder

entender como sero aplicados os princpios Lean.

2.2.2.1. Natureza Singular da Construo Civil

Frente s indstrias onde j so aplicados com sucesso a

Produo Enxuta, a construo civil apresenta uma natureza

diferenciada, Lauri Koskela (1992) chama a ateno para trs

particularidades da natureza da construo:

a) Natureza especfica de cada projeto produto singular;

b) Produo estabelecida em determinado local e em torno do

produto;

c) Multi-organizao de diversas especialidades e de carter

temporrio.

A singularidade do produto deriva do fato de na maioria dos casos

a produo ser baseada em um projeto de desenho e dimensionamento

original, criado especificamente para determinado cliente.

A produo direcionada a um local significa que esta ocorre em

torno do produto de grande escala, fixo em um lugar, e est sujeita a

condies inerentes prpria localizao.

A organizao temporria introduz uma cadeia de fornecimento

do produto caracterizada por ser fragmentada.

Apesar de tais particularidades serem comuns em outras

indstrias, como a naval e a aeronutica, justamente na construo

civil que se verifica a singular juno de todas elas.

15

O relacionamento com o cliente tambm diferenciado. O tipo de

cliente depende da zona onde o produto estabelecido e este tem a

possibilidade de ver o produto e interferir em sua produo.

Outra caracterstica desse setor o fato de estar sujeito a fatores

variveis como o tipo de solo, a ao ssmica, ao vento e a aes

agressivas dos agentes naturais, as restries fsicas das proximidades,

a aplicao de cdigos e legislao especfica, os perodos de

requisio e aprovao, o clima da regio, entre outros.

2.2.2.2. O Modelo de Produo da Construo Civil

A construo civil tradicional baseada apenas em um conjunto

de atividades de converso que transformam insumos (materiais e

informaes) em produtos intermedirios (parede de alvenaria) ou finais

(edificaes). As atividades que compem os fluxos fsicos entre as

atividades de converso, tais como inspeo, transporte e esperas so

negligenciadas, aparecendo de forma implcita nos oramentos

convencionais e nos planos de obra. Porm sabe-se que essas

atividades so atividades que no agregam valor ao produto.

(FORMOSO, 2000).

Esse modelo ainda apresenta outras caractersticas (KOSKELA,

1992):

a) O processo de converso pode ser dividido em subprocessos,

que tambm so processos de converso;

b) O custo total do processo pode ser minimizado, diminuindo-se o

custo de cada subprocesso;

c) O valor do produto (output) associado com o custo (ou valor)

dos insumos (inputs).

De acordo com os itens acima, se o custo do trabalho de qualquer

operao pode ser reduzido, o custo total ser reduzido pela reduo

16

dos custos de trabalho das operaes envolvidas no processo. Assim, o

impacto financeiro de uma mudana em particular no processo de

produo pode ser determinado (KOSKELA, 1992).

2.2.3. O Modelo Proposto pela Construo Enxuta

O novo modelo de produo, Construo Enxuta, define a

produo como um fluxo de materiais e/ou informaes desde a matria-

prima at o produto final. As atividades envolvidas so de transporte,

espera, processamento (converso) e inspeo. As atividades de

transporte, espera e inspeo no agregam valor ao produto e so

denominadas atividades de fluxo. Na maioria dos casos, o

processamento, chamado de atividade de converso, agrega valor ao

produto final (KOSKELA, 1992).

KOSKELA (1992) afirma que de maneira geral, o sistema

produtivo composto por atividades de converso e de fluxo. A

eficincia da produo se deve ao bom desempenho das atividades de

converso, como tambm quantidade e eficincia das atividades de

fluxo.

A considerao das atividades de fluxo de fundamental

importncia para a melhoria do processo de planejamento e controle da

produo. Sem sua compreenso, torna-se difcil tomar decises que

venham eliminar ou reduzir as causas de desvios nos planos (BALLARD

E HOWELL, 1998a). Assim, a melhoria das atividades de fluxo ocorre a

partir do momento em que se procura reluzi-las ou elimin-las, enquanto

que as atividades de converso devem ser cada vez mais eficientes

(KOSKELA, 1992).

2.2.4. Os Princpios da Construo Enxuta

A seguir sero apresentados os princpios da Construo Enxuta

elaborados por Koskela (1992), levando em considerao o tipo de

produo da construo civil e suas caractersticas conforme

apresentado. Esses princpios so:

17

a) Reduzir a parcela de atividades que no agrega valor;

b) Aumentar o valor do produto atravs da considerao das

necessidades dos clientes;

c) Reduzir a variabilidade;

d) Reduzir o tempo de ciclo;

e) Simplificar atravs da reduo do nmero de passos ou

partes;

f) Aumentar a flexibilidade de sada;

g) Aumentar a transparncia do processo;

h) Focar o controle no processo global;

i) Introduzir a melhoria contnua no processo;

j) Manter um equilbrio entre melhorias nos fluxos e nas

converses;

k) Referencias de ponta (Benchmarking).

Note que os princpios tm uma interao entre si, devendo ser

aplicados de forma integrada na gesto de processos (KOSKELA, 1992).

2.2.4.1. Reduzir a parcela de atividades que no agrega valor

Conforme j mencionado, existem na construo civil as

atividades de converso e as atividades que compem o fluxo fsico

entre as de converso, essas atividades so chamadas de atividades de

fluxo, que no agregam valor ao produto. Ento segundo esse princpio

a eficincia dos processos pode ser melhorada e as suas perdas

reduzidas, no s atravs da melhoria da eficincia das atividades de

converso e de fluxo, mas tambm pela eliminao de algumas

atividades de fluxo.

O processo de planejamento e controle aparece como uma

ferramenta facilitadora na implantao desse princpio, uma vez que

este busca reduzir atividades de movimentao, inspeo e espera, bem

como aquelas que consomem tempo, mas no agregam valor ao cliente

final (BERNARDES, 2001).

18

O estudo e a elaborao de um arranjo fsico do canteiro que

minimize distncias entre os locais de descarga e seu respectivo local

de aplicao, pode reduzir a parcela das atividades de movimentao

(SANTOS, 1999 apud BERNARDES, 2001).

Podem ser utilizadas, ainda, simulaes na planta baixa de

movimentao de mo-de-obra e materiais associadas considerao

conjunta dos ritmos de produo das equipes, facilitando a identificao

das zonas de interferncias nos fluxos (BERNARDES, 2001).

Contudo, no se deve suprimir todo tipo de atividade que no

agrega valor ao cliente final de forma direta, pois ela pode ser

fundamental para a eficincia do processo como um todo (KOSKELA,

1992). Pode ser citado como exemplos de atividades que no devem ser

eliminadas controle dimensional, treinamento de mo-de-obra e

instalao de dispositivos de segurana (ISATTO, 2000).

2.2.4.2. Aumentar o valor do produto atravs da considerao das

necessidades dos clientes

Cliente aqui pode ser tanto o consumidor final como a prxima

atividade no processo. Este princpio pode ser atendido, ao longo do

processo de projeto, com a disponibilizao de dados relativos aos

requisitos e preferncias dos clientes finais, atravs de pesquisas de

mercado e avaliaes ps-ocupao de edificaes.

2.2.4.3. Reduzir a variabilidade

Existem diversos tipos de variabilidade, relacionados com o

processo de produo, como por exemplo, a variao dimensional dos

materiais entregues, a variabilidade existente na prpria execuo de

um determinado processo e a variabilidade da demanda, que est

relacionada aos desejos e s necessidades dos clientes de um

processo.

As razes para reduzir a variabilidade dos produtos podem ser

explicadas a partir de dois pontos de vista. Um deles do ponto de vista

19

do cliente, inferindo que um produto uniforme mais bem aceito. O

outro, diz que a variabilidade aumenta o tempo para executar uma

tarefa, assim como a quantidade de atividades que no agregam valor

ao produto (KOSKELA, 1992). Isso ocorre devido interrupo nos

fluxos de trabalho e ao fato dos clientes no aceitarem produtos fora de

especificao (ISATTO, 2000).

Alguns autores sugerem a aplicao deste princpio, atravs de

procedimentos padronizados de execuo de processos, reduzindo o

surgimento de problemas e eliminando incidncias de retrabalho.

2.2.4.4. Reduzir o tempo de ciclo

O tempo de ciclo o tempo necessrio para que uma pea

particular percorra o fluxo, sendo ento a soma dos tempos de

processamento, inspeo, transporte e espera. Esse princpio pode ser

alcanado quando se tem aes de melhoria de todas as atividades e

tambm quando se consegue reduzir o nmero das atividades que no

agregam valor.

Alguns benefcios, alm da reduo das perdas, surgem com a

compresso do tempo de ciclo (KOSKELA, 1992):

a) Entrega mais rpida ao cliente;

b) Reduo da necessidade de prever demandas futuras;

c) Diminuio de interrupes no processo produtivo devido a

mudanas na demanda;

d) Facilidade na gesto do processo, pois haver menos pedidos de

alterao por parte dos clientes.

2.2.4.5. Simplificar atravs da reduo do nmero de passos ou

partes

A simplificao pode ser entendida como a reduo do nmero de

componentes de um produto ou a reduo do nmero de partes ou

estgios num fluxo de materiais ou informaes. Atravs da

20

simplificao podem-se eliminar atividades que no agregam valor ao

processo de produo, pois quanto maior o nmero de componentes ou

de passos num processo, maior tende a ser o nmero de atividades que

no agregam valor.

Algumas prticas como utilizao de elementos pr-fabricados,

utilizao de equipes multidisciplinares e com autonomia para tomadas

de deciso e planejamento eficaz do processo de produo devem ser

utilizadas para atingir a simplificao (KOSKELA, 1992).

Segundo BERNARDES (2001), o processo de planejamento e

controle pode implementar a simplificao atravs de uma anlise da

maneira pela qual o processo executado. Vale ressaltar que na

etapa de projeto que a simplificao mais facilmente implantada. Este

autor ainda acrescenta que nas reunies de avaliao do processo de

planejamento devem ser identificadas formas para simplificar a operao

propriamente dita.

Desenvolver a produo em zonas de trabalho similares durante a

etapa de preparao do processo de planejamento tambm pode servir

para implementar esse princpio. Uma vez que ocorre repetitividade no

processo, a identificao de possveis reas para a simplificao se

torna simples (BERNARDES, 2001).

2.2.4.6. Aumentar a flexibilidade de sada

Este conceito refere-se ao aumento das possibilidades ofertadas

ao cliente sem que seja necessrio aumentar substancialmente seu

preo.

O aumento da flexibilidade pode ser obtido atravs de algumas

abordagens (STALK e HOUT, 1990, CHILD et al, 1991 apud KOSKELA,

1992):

a) Minimizao do tamanho dos lotes para aproxim-los sua

demanda;

b) Reduzir o tempo de preparao e troca de ferramentas e

equipamentos;

21

c) Customizao do produto no tempo mais tarde possvel;

d) Uso de mo-de-obra polivalente.

BERNARDES (2001) acrescenta que coletar informaes a

respeito de possveis alteraes por parte dos clientes pode garantir

flexibilidade produo, pois a mudana ocorrer de forma planejada.

2.2.4.7. Aumentar a transparncia do processo

Atravs do aumento da transparncia do processo voc pode

identificar problemas mais facilmente durante a execuo dos servios,

diminuindo assim a possibilidade de erros na produo. Voc pode

aumentar a transparncia no processo atravs das seguintes aes

propostas por KOSKELA (1992):

a) Remoo de obstculos visuais, tais como divisrias e tapumes;

b) Utilizao de dispositivos visuais, tais como cartazes, sinalizao

e demarcao de reas;

c) Emprego de indicadores de desempenho, que tornam visveis

atributos do processo;

d) Aplicao de programas de melhorias da organizao e limpeza

do canteiro como o 5S.

Como forma de aumentar a transparncia do processo de

planejamento e controle da produo pode se utilizar plantas ou esboos

durante a discusso das metas, a fim de facilitar a visualizao dos

componentes da equipe de produo. Assim, essa equipe pode se

tornar mais participante e sugerir idias para os processos que estaro

sendo executados (BERNARDES, 2001).

2.2.4.8. Focar o controle no processo global

comum em processos de produo fragmentados, onde existem

vrios projetistas, empresas terceirizadas e diferentes fornecedores,

22

sub-otimizar uma atividade especfica dentro de um processo, o que

acaba ocasionando um impacto, muitas vezes negativo, no desempenho

do processo como um todo (ISATTO, 2000).

A partir do momento que etapas ou partes de um processo

passam a ser focadas, surgem perdas. Uma vez que cada subprocesso

tende a melhorar sua parcela de trabalho, passa-se a no considerar o

desempenho global (KOSKELA, 1992).

Sendo assim, de acordo com Shingo (1988 apud ISATTO, 2000)

inicialmente devem ser introduzidas melhorias nos processos para, em

seguida, serem estudadas melhorias nas operaes. Para isso,

importante que haja um controle desse processo e deve haver um

responsvel pelo mesmo (ISATTO, 2000).

ISATTO (2000) ainda afirmam que este princpio deve ser

aplicado no momento em que haja mudana de postura por parte dos

envolvidos na produo, principalmente no que tange percepo

sistmica dos problemas.

2.2.4.9. Introduzir a melhoria contnua no processo

Os esforos para reduzir desperdcios e aumentar o valor do

produto devem ocorrer de maneira contnua na empresa. Alguns

mtodos relacionados a esse princpio so apresentados por KOSKELA

(1992):

a) Medir e monitorar a melhoria;

b) Traar metas, como por exemplo, de reduo de desperdcio ou

reduo do tempo de ciclo, assim os problemas ficam visveis e

suas solues so estimuladas;

c) Tomar iniciativas de apoio e dignificao da mo-de-obra;

d) Utilizar procedimentos padres de melhores prticas e estar

sempre em busca por prticas melhores;

e) Vincular melhoria e controle.

23

A melhoria deve estar orientada para o controle e os problemas

dos processos. O objetivo eliminar a raiz dos problemas ao invs de

lidar com seus efeitos.

2.2.4.10. Manter um equilbrio entre melhorias nos fluxos e nas

converses

Para KOSKELA (1992) quanto maior a complexidade do processo

produtivo maior ser o impacto com as melhorias no fluxo. Alm de

considerar que quanto maior o desperdcio inerente ao processo

produtivo maiores sero os benefcios nas melhorias dos fluxos em

comparao com as melhorias nas converses. Desta forma verifica-se

que existem diferentes potencialidades para os fluxos e para as

converses, porm estas diferenas devem ser balanceadas para que

ocorram poucas variabilidades no processo produtivo.

O mesmo autor ainda complementa que a questo central que

melhorias no fluxo e na converso esto intimamente interligadas:

a) Melhores fluxos requerem menor capacidade de converso e,

portanto, menores investimentos em equipamentos;

b) Fluxos mais controlados facilitam implementao de novas

tecnologias na converso;

c) Novas tecnologias na converso podem acarretar menor

variabilidade e, assim, benefcios no fluxo.

2.2.4.11. Referencias de ponta (Benchmarking)

Segundo ISATTO (2000), Benchmark poder aprender e aplicar

prticas adotadas em outras empresas que so consideradas lderes

num determinado segmento ou aspecto especfico da produo

KOSKELA (1992) afirma que para a aplicao deste princpio

deve-se:

a) Conhecer os processos prprios da empresa;

24

b) Identificar boas prticas em outras empresas similares;

c) Entender os princpios por trs dessas boas prticas;

d) Adaptar as boas prticas encontradas realidade da empresa.

2.2.5. As Categorias de Desperdcios para a Construo Enxuta

As atividades que no agregam valor na construo civil, ou seja,

os desperdcios so classificados em oito categorias, as sete categorias

apresentadas pela Produo Enxuta e uma nova categoria proposta por

Lauri Koskela em uma de suas publicaes, essa oitava categoria

conhecida por making-do e ser detalhada a seguir.

Segundo KOSKELA (2004) making-do como desperdcio refere-se

a uma situao onde uma atividade iniciada pelo operador sem que

todos os seus inputs estejam disponveis, ou quando uma atividade, j

iniciada, continuada ignorando-se os inputs necessrios para a

seqncia dessa atividade. O termo input refere-se tanto a matria-

prima quanto a mquina, ferramentas, condies externas, pessoas,

instrues, etc.

Conceitualmente, making-do o aposto de estoque. No conceito

de estoque temos materiais esperando para serem processados, j no

conceito de making-do temos o processo iniciado mesmo com a falta

inputs. (KOSKELA, 2004).

Ronen (1992 apud KOSKELA, 2004) aponta trs causas bsicas

para o making-do, a sndrome da eficincia, a presso por respostas

imediatas e diviso imprpria em nveis de montagem.

A sndrome da eficincia est relacionada com a utilizao

mxima dos recursos disponveis. A presso por respostas imediatas

motivada pela crena de que comeando uma tarefa cedo, mesmo sem

os recursos necessrios, ela ser completada mais cedo, outra

motivao de iniciar somente para garantir o trabalho. A diviso

imprpria em nveis de montagem se refere situao onde o nmero

de componentes por kit cresce a um nvel incontrolvel. (RONEN, 1992

apud KOSKELA, 2004).

25

2.2.6. Comparao entre a Construo Convencional e a

Construo Enxuta

Segundo o modelo convencional de controle, os objetivos do

projeto so assumidos como fixos e os meios para atingi-los so

somente alterados quando necessrio recuperar-se de uma falha de

desempenho frente ao plano inicialmente estabelecido. Ou seja, o

sistema de controle de projeto tradicional verifica, sobretudo, qual o

afastamento que existe em relao aos objetivos inicialmente

estipulados em termos de custo, prazo e qualidade. As aes tomadas

so em funo dessas leituras. Assim, a funo de controle em um

sistema tradicional feita para dizer se o plano est sendo cumprido e

para promover uma reao em funo dos dados obtidos. No entanto

este nada informa sobre das causas para o no cumprimento de

determinadas datas ou objetivos planejados. (BALLARD & HOWELL,

1996).

De forma diferente, pela abordagem Lean, na gesto de projeto

desenha-se um sistema de controle que tenta garantir que o plano

concretizado. O prprio sistema estabelece-se como uma moeda de

duas faces que vai girando entre planejamento e controle da produo.

Um conceito chave da Construo Enxuta na fase de execuo o de

que uma tarefa s deve ser iniciada, ou colocada no planejamento de

execuo, caso tudo o que necessrio para conclu-la com sucesso

esteja resolvido antecipadamente. No caso de uma tarefa no ser

realizada o sistema recebe rapidamente um feedback. Logo, a causa

pode ser identificada e ser seguido o rastro desta at a raiz do problema.

Com esta informao a gesto pode tomar medidas preventivas e

corretivas e pode utilizar a informao reportada para melhorar o

processo de planejamento. (BALLARD & HOWELL, 1998b).

Para fim de comparao entre as duas formas de gesto

ABDELHAMID E SALEM (2005) propem o Quadro 2.

26

Gesto Convencional da Construo

Construo Enxuta

Sabe-se como transformar materiais em estruturas fixas

Sabe-se (tambm) como transformar materiais em estruturas fixas

Ocorrem mudanas de definies e identificao de erros de desenho durante a construo, esses sero resolvidos e novamente preparados pela equipe de construo.

Desenha-se produto e processo de construo em conjunto para evitar erros/omisses de desenho e dimensionamento que levantam questes de possibilidade de execuo.

O gestor o nico responsvel pelo planejamento

Os gestores so os primeiros responsveis pelo planejamento de processos e fases, j os encarregados e trabalhadores so os ltimos responsveis pelo planejamento, o das operaes

Assume-se que reduzindo o custo de uma pea ir se reduzir o custo de todo o projeto o todo a soma das partes

Trata-se todo o projeto como um sistema e faz-se uso do Target Costing para alcanar as redues do custo de projeto o todo mais que a soma das suas partes

Empurra-se a produo ao nvel local pensando erradamente que ser a forma de alcanar eficincia global

Empurra-se a produo para maior processamento do sistema considerando ser a nica forma de alcanar eficincia global

Gerencia-se o processo utilizando os elementos que referem evoluo de custos, os quais esto na base dos pagamentos

Utilizam-se os elementos de evoluo de custos como um input para o planejamento e controle das operaes no canteiro de obras

Guia-se pelo paradigma de retornos em termos de prazo, custo e qualidade

Desafia-se o paradigma de retorno em termos de tempo, custo e qualidade ao remover as fontes de desperdcio nos processos de desenho e produo de forma a promover um melhor e mais confivel fluxo de trabalho

No se planeja ou controla as operaes de produo no canteiro a no ser que se verifiquem desvios de custo e de prazo. Espera-se at que os problemas aconteam para se reagir no sentido de voltar a ter o projeto no rumo definido

Planejam-se e controlam-se as operaes de produo no canteiro de forma a prevenir que os indicadores de evoluo do projeto no de desviem dos prazos e custos definidos

Considera-se fornecer valor ao cliente quando se maximiza o desempenho em relao ao custo

Considera-se fornecer valor ao cliente quando o valor do produto aumentado (a infra-estrutura efetivamente corresponde s

27

necessidades do cliente) atravs da gesto do processo de valor da construo

Quadro 2 - Comparao Construo Enxuta com a Gesto Convencional da Construo

2.3. Modelo de diagnstico da maturidade Lean

Segue neste tpico a apresentao de um modelo de diagnstico

da maturidade Lean utilizado pela empresa de consultoria Hominiss

Consulting.

A Figura 1 apresenta o Modelo.

Figura 1 - Modelo Hominiss de Diagnstico da Maturidade Lean (FONTE: RENTES, 2009)

Neste modelo os critrios so analisados individualmente. No

modelo da Figura 1 os critrios so as tcnicas e as ferramentas da

Produo Enxuta.

Como pode ser visto os dados so coletados junto aos

responsveis ou pessoas envolvidas na jornada Lean da empresa

1. Mapa de Fluxo de Valor

2. Fluxo Contnuo

3. Produo Puxada

4. 5 S

5. Layout

6. Prod. / Comp. Padron.

7. Padron. Atividades

8. Fluxo de Informao9, Gesto Visual

10. Setup

11. Supply Chain

12. Planej. Prod.

13. TPM

14. Clima Org. / Comport.

15. Sustentabilidade lean

16. Qualificao da Mo de Obra

Presena Importncia Oportunidade

Diagnstico Qualitativo Empresa / Data

Responsvel

28

diagnosticada e apresentados em um grfico. So trs as categorias

analisadas, a presena do critrio na empresa, sua importncia e a

oportunidade.

A presena do critrio na empresa dividida em trs nveis

representados pelas cores vermelha, amarela e verde. Se o critrio for

classificado na cor vermelha entende-se que ele no est presente na

empresa, se o critrio for classificado na cor amarela entende-se que o

critrio est presente na empresa, mas se encontra em um nvel de

desenvolvimento, e por fim, se o critrio for classificado como verde

entende-se que ele est totalmente consolidado na empresa e em uso.

A categoria importncia classifica se o critrio analisado

considerado importante para empresa, ou seja, se esse critrio traz

resultados de acordo com sua estratgia.

Por fim, a categoria oportunidade indica se a empresa enxerga

oportunidade em implementar o critrio analisado.

A Figura 2 apresenta um exemplo preenchido do modelo.

Figura 2 - Modelo Hominiss de Diagnstico da Maturidade Lean Preenchido (FONTE: RENTES, 2009)

1. Mapa de Fluxo de Valor

2. Fluxo Contnuo

3. Produo Puxada

4. 5 S

5. Layout

6. Prod. / Comp. Padron.

7. Padron. Atividades

8. Fluxo de Informao9, Gesto Visual

10. Setup

11. Supply Chain

12. Planej. Prod.

13. TPM

14. Clima Org. / Comport.

15. Sustentabilidade lean

16. Qualificao da Mo de Obra

Presena Importncia Oportunidade

Diagnstico Qualitativo Empresa / Data

Responsvel

29

3. DELINEAMENTO DA PESQUISA

3.1. Caracterizao

A Construo Enxuta, devido ao seu recente desenvolvimento,

no amplamente conhecida e aplicada, identifica-se que os Estados

Unidos o pas que apresenta o maior nmero de construtoras que

trabalham de acordo com seus princpios. No Brasil essa filosofia mais

recente, logo poucas so as empresas que a utilizam como referncia

para a gesto de suas obras.

Com o objetivo de propor um modelo que permita diagnosticar a

maturidade da aplicao dos princpios da Construo Enxuta em

empresas da construo civil o autor apresenta nesse trabalho uma

pesquisa qualitativa que ir mostrar a realidade encontrada em

construtoras brasileiras na jornada Lean, ou seja, no trabalho

desenvolvido de acordo com a filosofia da Construo Enxuta.

Essa pesquisa se caracteriza como qualitativa, pois segundo

GUERRINI, ESCRIVO & BELHOT (2009), ela indicada quando o

fenmeno a ser pesquisado relativamente recente conceitualmente e,

por esse motivo, possui poucos dados.

Esses mesmos autores ainda indicam para esse caso uma

pesquisa de carter exploratrio. Segundo GIL (2002) as pesquisas

exploratrias tm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o

problema, com vistas a torn-lo mais explcito ou a constituir hipteses.

Pode-se dizer que estas pesquisas tm como objetivo principal o

aprimoramento de idias ou a descoberta de intuies.

Outra caracterstica dessa pesquisa sua classificao como

estudo de caso devido aos procedimentos tcnicos utilizados. De acordo

com GIL (2002) os estudos de caso podem ser constitudos tanto de um

nico quanto de mltiplos casos. Nesse trabalho sero estudados mais

de um caso, logo ele se caracteriza tambm como um estudo de

mltiplos casos.

O levantamento de informaes para essa pesquisa ser feito

atravs da aplicao do modelo definido pelo autor, para isso esse

30

modelo contar com um instrumento de coleta de dados a ser

desenvolvido.

Essas aplicaes sero presenciais ou por telefone com os

responsveis pela implantao das tcnicas e ferramentas da

Construo Enxuta nos canteiros de obra das empresas identificadas

pelo autor como construtoras enxutas. Assim que realizadas, o autor

compilar os dados para assim diagnosticar a maturidade dessas

empresas perante a nova filosofia de gesto da produo em canteiros

de obra.

3.2. Estruturao da pesquisa

A definio dos elementos para a estruturao da pesquisa se faz

importante, pois orienta o pesquisador durante a realizao do seu

trabalho. Aqui so definidas etapas que devem ser seguidas em uma

determinada ordem a fim de se atingir o objetivo da pesquisa.

Segundo GIL (2002), no so definidas regras fixas para se

elaborar um projeto de pesquisa. A estruturao desse projeto deve ser

determinada pelo tipo de problema a ser pesquisado e tambm pelo

estilo de seus autores. Ainda segundo esse autor necessrio que o

projeto esclarea como se processar a pesquisa, quais as etapas que

sero desenvolvidas e quais os recursos que devem ser alocados para

atingir seus objetivos. necessrio, tambm, que o projeto seja

suficientemente detalhado para proporcionar a avaliao do processo de

pesquisa.

Na literatura so encontradas algumas recomendaes para os

elementos de pesquisas a serem seguidos, porm, para esse trabalho o

autor optou por definir seus prprios elementos.

Os elementos definidos pelo autor para a realizao da pesquisa

proposta seguem abaixo:

Critrios a serem analisados;

Mtodo de anlise;

Empresas a serem analisadas;

31

Instrumento de coleta de dados;

Coleta dos dados;

Apresentao e anlise dos resultados.

A Figura 3 apresenta esses elementos e sua ordem de execuo.

Figura 3 Elementos da pesquisa

Nos prximos tpicos ser apresentado o desenvolvimento de

cada um desses elementos. Esse trabalho ir apenas diagnosticar a

maturidade atravs de um modelo a ser definido, ou seja, esse trabalho

s ir informar o nvel em que se encontram as construtoras analisadas

Critrios a serem

analisados

Mtodo de anlise

Empresas a serem

analisadas

Instrumento de coleta

de dados

Coleta dos dados

Apresentao e anlise

dos resultados

32

no que diz respeito aplicao dos princpios da Construo Enxuta em

suas obras e no mostrar as tcnicas e ferramentas utilizadas para isso.

3.3. Critrios a serem analisados

Este tpico define os critrios a serem analisados no estudo. Essa

definio ser importante para se ter um padro que serve como base

para a comparao entre as empresas analisadas.

A busca por esses critrios foi realizada nas publicaes

existentes sobre a Construo Enxuta visando identificar diretrizes para

as empresas que buscam implementar as tcnicas e ferramentas Lean.

A mais importante referncia terica da Construo Enxuta o

trabalho desenvolvido pelo professor Lauri Koskela na Universidade de

Stanford, EUA, em 1992, intitulado Application of the New Production

Philosophy to Construction, onde foram lanadas as bases dessa nova

filosofia.

Neste trabalho Koskela apresenta os princpios a serem seguidos

por construtoras que buscam a reduo de desperdcios e melhor

produtividade em seus canteiros de obra. So onze princpios e cada

um deles foi descrito no captulo 2 desse trabalho.

O Quadro 3 mostra os Onze Princpios da Construo Enxuta

propostos por Koskela.

Princpio Descrio

1 Reduzir a parcela de atividades que no agrega valor

2 Aumentar o valor do produto atravs da considerao das

necessidades dos clientes

3 Reduzir a variabilidade

4 Reduzir o tempo de ciclo

5 Simplificar atravs da reduo do nmero de passos ou

partes

6 Aumentar a flexibilidade de sada

7 Aumentar a transparncia do processo

8 Focar o controle no processo global

9 Introduzir a melhoria contnua no processo

33

10 Manter um equilbrio entre melhorias nos fluxos e nas

converses

11 Referencias de ponta (Benchmarking)

Quadro 3 - Os Onze Princpios da Construo Enxuta

Esses princpios, portanto, sero os critrios a serem analisados

para se diagnosticar a maturidade das construtoras na Construo

Enxuta.

3.4. Mtodo de anlise

Ser apresentado agora o mtodo escolhido pelo autor para

analisar os critrios definidos no tpico anterior.

A definio deste mtodo importante, pois ser a partir dele que

o autor estruturar a ferramenta de coleta de dados a ser utilizada junto

s empresas e far a anlise da maturidade dessas empresas na

implantao da Construo Enxuta.

Buscou-se por um mtodo que permitisse uma anlise rpida e

objetiva, pois a proposta da pesquisa apenas identificar o nvel da

aplicao dos princpios da Construo Enxuta e no mostrar os

detalhes de como est sendo realizada essa aplicao.

Assim o mtodo escolhido pelo autor foi o proposto pela empresa

de consultoria Hominiss Consulting denominado Modelo Hominiss de

Diagnstico da Maturidade Lean. Esse modelo foi apresentado na

Reviso Bibliogrfica.

Tem-se ento definido o mtodo a ser utilizado para analisar os

critrios nas empresas, alm de permitir uma anlise rpida e objetiva o

Modelo Hominiss de Diagnstico da Maturidade Lean permite uma

forma visual de comparao entre empresas.

3.5. Empresas a serem analisadas

Sero apresentadas neste tpico as empresas a serem

analisadas conforme proposta deste estudo. A definio dessas

34

empresas partiu de um levantamento realizado pelo autor para

identificar construtoras brasileiras que utilizam tcnicas e ferramentas

Lean.

Esse levantamento foi realizado a partir de contato com

pesquisadores da rea, que indicaram alguns nomes, e de uma

pesquisa na internet.

Foi observado que o nmero de construtoras que trabalham com

a filosofia da Construo Enxuta muito pequeno. Foram encontradas

apenas seis construtoras, sendo elas:

A. Yoshii Engenharia, Londrina PR.

Construtora Castelo Branco, Fortaleza CE.

C. Rolim Engenharia, Fortaleza CE.

Fibra Construes, Fortaleza CE.

Mazzini Gomes Construtora e Incorporadora, Vitria ES.

Sannino Marcondes, Pindamonhangaba SP.

Ao realizar esse levantamento o autor identificou que a

Construo Enxuta mais difundida no estado do Cear, com o maior

nmero de pesquisas relacionadas ao assunto e o maior nmero de

construtoras que trabalham de acordo com seus princpios e divulgam

seus resultados.

No foi possvel o contato com as seis empresas apresentadas na

lista, o autor deste trabalho somente teve a oportunidade de aplicar o

modelo nas empresas Construtora Castelo Branco, C. Rolim

Engenharia e Fibra Construes.

Segue agora uma breve apresentao de cada uma dessas

empresas.

3.5.1. Construtora Castelo Branco

A Construtora Castelo Branco, ou CCB, um empresa cearense

fundada em 1988 na cidade de Fortaleza. Hoje a CCB atua no setor da

35

construo civil do Norte e Nordeste, onde possui sedes nas cidades de

Fortaleza CE e Belm PA.

Seu portflio contemplado com os mais diversos tipos de

empreendimentos e obras, tais como apartamentos de luxo,

apartamentos compactos, hotis, hospitais, colgios e resorts, com mais

de meio milho de metros quadrados em seu acervo.

A CCB uma empresa que tem se destacado como uma grande

inovadora na atividade de construo civil no Brasil, entre seus

diferenciais identifica-se a certificao PBQP-H de qualidade, ISO 9001,

e sua metodologia de trabalho fundamentada nos princpios do

Pensamento Enxuto, na Teoria das Restries e no Sistema Toyota de

Produo.

Seu trabalho seguindo a linha da Construo Enxuta iniciou em

2003 quando promoveu a Transformao da Mentalidade no ambiente

de trabalho, a partir da vem trabalhando na implantao das tcnicas e

ferramentas Lean em seus projetos.

Hoje a Construtora Castelo Branco uma das referncias em

Construo Enxuta no Brasil, por apresentar vrios cases de sucesso e

pesquisas realizadas junto ao meio acadmico. (CONSTRUTORA

CASTELO BRANCO WEB SITE).

3.5.2. C. Rolim Engenharia

A C. Rolim Engenharia uma das empresas do Grupo C. Rolim.

A construtora atua tanto em obras industriais como residenciais em todo

o estado do Cear. Sua sede est localizada na cidade de Fortaleza.

Hoje a C. Rolim est presente em mais de duzentos mil metros

quadrados de plantas industriais e em mais de cento e oitenta e cinco

mil metros quadrados de obras residenciais.

Para alcanar o lugar de destaque de hoje a C. Rolim Engenharia

assumiu um compromisso com a qualidade e a busca incessante pela

inovao e desenvolvimento de processos. A empresa em 1998

conquistou a certificao ISO 9001, sendo uma das pioneiras na

construo civil do Cear. Desde 2004 aplica os conceitos do Sistema

36

Toyota de Produo atravs da nova filosofia da Construo Enxuta.

Outro destaque que a C. Rolim a primeira empresa do Brasil com

reconhecimento verde internacional devido ao seu pioneirismo na

utilizao de tecnologias verdes.

A C. Rolim uma das empresas que apiam a filosofia da

Construo Enxuta no Brasil, toda sua experincia nesse ramo fruto

de projetos pioneiros com parceria com universidades, todos os seus

trabalhos atingiram timos resultados e so compartilhados com todos

que se interessam pela filosofia, o que faz da C. Rolim Engenharia uma

das referncias no assunto. (C. ROLIM ENGENHARIA WEB SITE).

3.5.3. Fibra Construes

A Fibra Construes foi fundada em 1994 na cidade de Fortaleza

CE. uma empresa de mdio porte focada na construo de edifcios

residenciais.

O trabalho com o Lean teve incio em 1999, desde ento

resultados positivos esto sendo colhidos com suas tcnicas e

ferramentas. Os avanos da Fibra relacionados Construo Enxuta

podem ser vistos em diversas publicaes, sendo uma delas o livro

Logstica e Lgica da Construo Lean Um processo de gesto

transparente na construo de edifcios.

Hoje a Fibra Construes tambm uma das referncias em

Construo Enxuta no pas, so diversos trabalhos realizados que esto

disponveis aos que tenham interesse em conhecer e trabalhar com

essa nova filosofia. (FIBRA CONSTRUES WEB SITE).

3.6. Instrumento de coleta de dados

Este tpico apresenta o instrumento de coleta de dados definido

pelo autor. Segundo GUERRINI et al. (2009) o instrumento de coleta de

dados corresponde forma como os dados sero obtidos.

37

Essa definio foi realizada considerando o mtodo escolhido

para a anlise dos critrios, a localidade das empresas analisadas e

como seria feita a coleta dos dados.

Feitas essas consideraes definiu-se que o instrumento mais

adequado para a coleta dos dados o questionrio.

Para a elaborao do questionrio so propostos trs estgios

(NAOUM, 2000 apud GUERRINI et al., 2009):

Identificar as primeiras questes: pensar em questes

gerais relacionadas aos objetivos da pesquisa que possam

diligenciar a coleta de informaes.

Formular o questionrio final: a partir das questes

levantadas deve ser elaborado o questionrio final.

Verificar as questes: checar o tamanho do questionrio;

as questes e os questionrios devem ser curtos, mas

compreensveis; evitar questes tendenciosas, evitar

questes duplicadas, evitar questes presunosas, evitar

questes hipotticas.

Aps a realizao desses estgios chegou-se ao questionrio.

(Apndice A)

Observa-se que foram elaboradas questes fechadas, seguindo o

modelo proposto para a anlise dos critrios, onde a pessoa consultada

indica a presena do critrio analisado em sua empresa, se o considera

importante e se existe oportunidade de implementao em sua

empresa.

O nmero de questes por critrio foi estabelecido de acordo com

a necessidade para sua avaliao, assim existem princpios com uma

questo e outros que chegam at quatro questes.

Tem-se ento definido o instrumento de coleta de dados mais

adequado a proposta deste estudo. um questionrio curto, que

permite uma aplicao rpida e objetiva.

3.7. Coleta dos dados

38

A coleta dos dados para esse estudo foi feita atravs da aplicao

de um questionrio com os responsveis pela jornada Lean das

empresas selecionadas ou com as pessoas envolvidas com essas

atividades e que tenham conhecimento da Construo Enxuta e seus

princpios.

Devido localidade das empresas optou-se pela aplicao por

telefone. Assim o autor deste trabalho entrou em contato com as

pessoas que seriam consultadas, aplicou as questes elaboradas e

preencheu o questionrio com as respostas obtidas.

Ao final das aplicaes o autor tinha em mos um questionrio

para cada empresa totalmente preenchido. A partir desse questionrio

os dados foram compilados em um grfico e a anlise realizada.

3.8. Apresentao e anlise dos resultados

Este elemento dedicado apresentao e anlise dos

resultados deste trabalho. Sero apresentados o modelo proposto e o

resultado do estudo de casos, ou seja, o resultado da aplicao do

modelo nas empresas selecionadas.

Vale lembrar que os resultados que sero apresentados mostram

apenas o nvel em que se encontram as empresas consultadas e no

sero mostradas quais ferramentas e tcnicas da Construo Enxuta

essas empresas utilizaram para alcanar o nvel em que se encontram.

39

4. MODELO E APLICAO NOS CASOS

O captulo 4 ir apresentar o modelo desenvolvido pelo autor no

presente trabalho e o resultado da aplicao nas empresas definidas no

captulo anterior.

4.1. Modelo de diagnstico da Construo Enxuta

O presente modelo, desenvolvido pelo autor, e aplicado nas

empresas citadas no captulo anterior composto pelo questionrio

(Apndice A), que a ferramenta que permite a coleta de dados nas

empresas, e assim, diagnosticar sua maturidade da aplicao dos

princpios da Construo Enxuta.

Outra ferramenta que junto com o questionrio completa o modelo

proposto a ferramenta visual que facilita a visualizao da situao da

empresa analisada, mostrando todos os dados obtidos atravs do

questionrio em um grfico. A ferramenta pode ser vista no Grfico 4.

Grfico 4 - Ferramenta visual do Modelo de Diagnstico da Maturidade

da Construo Enxuta

11.211.110.2

10.1

9.3

9.2

9.1

8.2

8.1

7.37.2 7.1 6.2 6.1

5.1

4.1

3.4

3.3

3.2

3.1

2.2

1.1 1.22.1

40

Tem-se definido o modelo proposto pelo autor. Nos prximos

tpicos sero apresentados os resultados obtidos com a aplicao

desse modelo.

4.2. Resultados da aplicao nos casos

Sero apresentados agora os resultados obtidos atravs da

aplicao do modelo proposto pelo autor nas empresas selecionadas

para anlise.

Os questionrios respondidos por cada uma das empresas podem

ser vistos no final deste trabalho, onde temos o questionrio respondido

pela empresa Construtora Castelo Branco (Apndice B), o questionrio

respondido pela empresa C. Rolim Engenharia (Apndice C) e o

questionrio respondido pela empresa Fibra Construes (Apndice D).

Segue agora uma anlise das respostas obtidas. Essa anlise

ser apresentada por princpio, onde sero discutidos os resultados

para as trs empresas analisadas.

importante ressaltar que as respostas foram coletadas com um

representante de cada uma das empresas analisadas, logo algumas

repostas podem refletir sua viso, e no o que se encontra na empresa.

Para minimizar isso o autor deste trabalho conduziu a aplicao do

questionrio, para assim tirar todas as dvidas das pessoas

consultadas.

1 Princpio Reduzir a parcela de atividades que no agrega

valor

Hoje na Construtora Castelo Branco no existe um mtodo

definido para a anlise das atividades buscando identificar aquelas que

no agregam valor, o que se faz utilizar o mtodo mais adequado,

buscado na literatura, quando identificada a necessidade de anlise de

algum fluxo ou atividade. Com relao reduo ou eliminao das

atividades que no agregam valor so tomadas aes constantemente.

O 1 Princpio da Construo Enxuta encontra-se, portanto, quase

41

totalmente aplicado nessa empresa, ele considerado importante e

existe a oportunidade de t-lo totalmente aplicado.

J na C. Rolim Engenharia esse princpio est aplicado, pois esta,

como pode ser visto nas respostas obtidas, possui hoje um mtodo de

anlise das atividades realizadas em suas obras e, quando dessa

anlise identificam-se atividades que no agregam valor, so tomadas

aes imediatas para reduzi-las ou elimin-las.

Com relao Fibra Construes, a partir das respostas obtidas,

pode-se concluir que o 1 Princpio da Construo Enxuta aplicado e

se encontra consolidado. Essa empresa o considera importante e

enxerga oportunidade em sua implementao.

2 Princpio Aumentar o valor do produto atravs da

considerao das necessidades dos clientes

A anlise do 2 Princpio da Construo Enxuta para a

Construtora Castelo Branco ser feita considerando somente a questo

2.2, isso porque a pesquisa de mercado no se aplica hoje nessa

empresa, pois ela possui como cliente final as incorporadoras e no

mais as pessoas que iro usufruir de seus produtos. Portanto,

considerando apenas uma das questes, observa-se que o princpio

analisado se encontra presente na empresa.

Na C. Rolim Engenharia observa-se que as necessidades dos

clientes internos e externos so consideradas no planejamento de seus

projetos, isso uma medida considerada importante para a empresa.

Tem-se ento o 2 Princpio da Construo Enxuta aplicado.

J a Fibra Construes tem esse princpio aplicado parcialmente,

pois identificado atravs das respostas obtidas que as necessidades

dos clientes internos so consideradas, porm, no existe uma

metodologia oficial na empresa para a identificao das necessidades

dos clientes finais, mesmo assim esse princpio considerado

importante para a empresa e a mesma enxerga oportunidade em

implement-lo.

42

3 Princpio Reduzir a variabilidade

A anlise que se faz atravs das respostas obtidas para cada uma

das questes que o 3 Princpio da Construo Enxuta se encontra

totalmente presente na Construtora Castelo Branco. Existe hoje na

empresa o acompanhamento das atividades planejadas, a padronizao

de todas as atividades, visto que essa empresa possui a certificao ISO

9001, o controle de conformidade das matrias primas, contemplado

tambm na norma ISO 9001, e a utilizao de ferramentas e tcnicas

que auxiliam na reduo da variabilidade. Esse princpio considerado

importante para a empresa e enxergou-se oportunidade em aplic-lo.

As respostas obtidas junto C. Rolim Engenharia mostram que

esse princpio considerado importante e encontra-se aplicado. Hoje na

empresa o planejamento das atividades acompanhado e atualizado,

essas atividades so padronizadas, existe um controle de matrias

primas nos canteiros e so utilizadas diversas tcnicas e ferramentas

que auxiliam na reduo da variabilidade.

O 3 Princpio da Construo Enxuta no est aplicado em sua

totalidade na Fibra Construes, pode ser observado que j existem

medidas de reduo da variabilidade implantadas atravs do

acompanhamento do planejamento e do uso de tcnicas e ferramentas

como gabaritos e moldes. Observa-se tambm uma ao da empresa

em busca da padronizao das atividades, de acordo com o entrevistado

o que h hoje na empresa ainda recipiente. Por fim a empresa no

aplica nenhuma tcnica de verificao da conformidade de suas

matrias primas, considera importante essa questo assim como as

outras, porm, no enxerga oportunidade como enxerga nas outras.

4 Princpio Reduzir o tempo de ciclo

Esto presentes hoje na Construtora Castelo Branco diversas

aes que visam o controle e a reduo do tempo de ciclo das

atividades nos canteiros, pois essas aes so consideradas

importantes para a empresa e verificou-se oportunidade em tom-las.

43

Logo o 4 Princpio da Construo Enxuta encontra-se consolidado

nessa empresa.

Como pode ser observada na resposta dada a questo referente

a esse princpio a C. Rolim Engenharia o aplica, pois existe a

oportunidade em implement-lo e ele considerado importante para

empresa.

O 4 Princpio da Construo Enxuta est aplicado na Fibra

Construes, ele considerado importante pela empresa e esta enxerga

oportunidade na sua implementao.

5 Princpio Simplificar atravs da reduo do nmero de

passos ou partes

O 5 Princpio da Construo Enxuta encontra-se implementado

na Construtora Castelo Branco atravs do uso de diversas tcnicas que

permitem a reduo do nmero de partes ou passos. So buscadas

constantemente novas tcnicas, pois para CCB esse princpio e

considerado importante.

Observa-se que o 5 Princpio da Construo Enxuta

considerado importante pela C. Rolim Engenharia, v-se oportunidade

em aplic-lo e que este est presente na empresa.

Atravs da resposta obtida conclui-se que o 5 Princpio da

Construo Enxuta ainda no est consolidado na Fibra Construes,

ele considerado importante e a empresa enxerga oportunidade em

aplic-lo, tanto que hoje j so utilizadas algumas tcnicas que

auxiliam na reduo do nmero de passos ou partes, mas segundo o

entrevistado essas tcnicas poderiam ser mais exploradas.

6 Princpio Aumentar a flexibilidade de sada

O 6 Princpio da Construo Enxuta mais um que se encontra

totalmente aplicado na Construtora Castelo Branco. Para essa empresa

aumentar a flexibilidade de sada muito importante e verificou-se a

oportunidade de serem tomadas aes com tal objetivo.

44

Alm de ofertar aos seus clientes a possibilidade de customizao

do produto, a C. Rolim Engenharia contrata operadores polivalentes,

sendo essas aes necessrias para a aplicao desse princpio.

Portanto ele est presente na empresa e considerado importante.

O 6 Princpio da Construo Enxuta considerado importante

pela Fibra Construes e a empresa enxerga oportunidade para

implement-lo, pode-se observar que a flexibilidade de sada atendida

ao ser ofertado para os clientes a possibilidade de customizao do

produto, porm, a empresa peca em no contratar operadores

polivalentes para suas obras, visto que essa ao contribui de forma

eficaz para o atendimento deste princpio.

7 Princpio Aumentar a transparncia do processo

Observa-se atravs das respostas obtidas junto ao responsvel

consultado que os objetivos e as metas da Construtora Castelo Branco

no so totalmente conhecidas e entendidas por seus colaboradores, foi

informado que no existem metas globais, pois no se considera isso

importante para uma empresa de mdio porte, o que se tem definido so

metas para cada setor da empresa. As outras questes levantadas

referentes aos indicadores de desempenho e ao programa de 5S

mostram que estes esto totalmente presentes na empresa. Conclui-se

ento que o 7 Princpio da Construo Enxuta no se encontra

completamente implementado, mas existem aes em desenvolvimento

visando o atendimento completo do princpio em questo.

Diferente do que se viu at o momento esse princpio no se

encontra totalmente presente na C. Rolim Engenharia. Est em

desenvolvimento uma ao que visa o alinhamento dos colaboradores

com os objetivos e as metas da empresa e outra que visa implantar

novamente o programa de 5S em seus canteiros, programa que j

chegou a ser implantado, mas que no teve sustentabilidade. J com

relao aos indicadores de desempenho verifica-se que estes so

expostos de forma clara e com fcil acesso aos colaboradores. O 7

Princpio da Construo Enxuta, apesar de no totalmente presente, no

45

deixa de ser considerado importante e se verifica hoje na empresa

oportunidade em aplic-lo.

O 7 Princpio da Construo Enxuta, apesar de ser considerado

importante pela Fibra Construes, apresenta-se de forma tmida na

empresa. Atravs das respostas v-se que os indicadores de

desempenho so expostos a todos os colaboradores, porm, os

objetivos e as metas da empresa no so conhecidos por eles, pois a

empresa no v oportunidade de exp-los. Identifica-se tambm que

hoje no existe um programa de 5S, existe a oportunidade em

implement-lo, mas no existem aes para isso.

8 Princpio Focar o controle no processo global

Como pode ser observado as respostas obtidas para a anlise do

8 Princpio da Construo Enxuta mostram que este se encontra

aplicado na Construtora Castelo Branco. So consideradas importantes

o planejamento das atividades do canteiro realizado com a participao

de representantes das equipes que iro execut-las e controlar essas

atividades visando o atendimento ao objetivo final.

Os controles da C. Rolim Engenharia so focados no processo

global como pode ser observado nas respostas dadas para as questes

referentes ao 8 Princpio da Construo Enxuta. Alm de presente na

empresa, esse princpio considerado importante e viu-se oportunidade

para sua aplicao.

Na Fibra Construes todos os controles tambm so focados no

processo global, tm-se ento o 8 Princpio da Construo Enxuta

aplicado e consolidado nessa empresa.

9 Princpio Introduzir a melhoria contnua no processo

Observa-se que as melhorias nos canteiros da Construtora

Castelo Branco so medidas e monitoradas, as metas de seus

processos so constantemente atualizadas e seus funcionrios tm

conhecimento do conceito e esto envolvidos em aes de melhoria

46

contnua, visto que essas aes so consideradas importantes e

enxergou-se oportunidade em tom-las. Dessa forma o 9 Princpio da

Construo Enxuta encontra-se totalmente aplicado nessa empresa.

As respostas referentes a esse princpio mostram que as

melhorias nos canteiros so medidas e monitoradas, as metas dos

processos so constantemente atualizadas, mas o conhecimento do

conceito e o envolvimento em aes de melhoria esto em

desenvolvimento na C. Rolim Engenharia, recentemente ocorreu na

empresa um treinamento sobre a filosofia Lean e, de acordo com o

responsvel consultado, esses treinamentos sero mais rotineiros

visando alcanar todos os colaboradores e mant-los sempre

atualizados.

Com relao ao 9 Princpio da Construo Enxuta observa-se

que na Fibra Construes ele parcialmente atendido ao se constatar

que seus funcionrios tm conhecimento do que vem a ser a melhoria

contnua e esto envolvidas em aes dessa natureza, mas

aparentemente no se tem sustentabilidade dessas aes, pois essas

melhorias no so medidas e nem monitoradas. Identifica-se nessa

empresa que aes que visam atualizao constante das metas dos

processos esto em desenvolvimento. Vale destacar que as questes

levantadas so consideradas importantes e que a empresa enxerga

oportunidade em aplicar esse princpio em sua totalidade.

10 Princpio Manter um equilbrio entre melhorias nos fluxos e

nas converses

A anlise que se faz para o 10 Princpio da Construo Enxuta

que este se encontra hoje total