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  • 6 CONAHPA Joo Pessoa PB 04 a 06 de setembro de 2013

    Usabilidade, acessibilidade e desenho universal para aprendizagem: a experincia de usurios com deficincia na educao distncia

    Usability, accessibility and universal design for learning: the experience of users with disabilities in distance education.

    Janaina Ramos MARCOS1 Susana Cristina DOMENECH 2

    Marcelo Gitirana Gomes FERREIRA 3 Luciana D. LOPES 4

    Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC, SC Resumo O presente trabalho tem como objetivo apresentar os resultados da pesquisa que compe a dissertao de mestrado em Design na Universidade do Estado de Santa Catarina. A pesquisa tratou de analisar as interfaces de um curso de extenso virtual do Centro de Ensino Distncia da Universidade, alocado no ambiente virtual de aprendizagem MOODLE. O experimento foi dividido em duas fases. Na fase 1, um modelo de anlise de usabilidade e acessibilidade foi aplicado na interface atual, vigente do curso (A), com o objetivo de identificar os principais problemas e erros presentes no curso. Na fase 2, foi desenvolvido um prottipo com os mesmos contedos, porm organizado e planejado de acordo com os padres de acessibilidade e usabilidade. As duas interfaces foram apresentadas a um grupo de 9 usurios, composto por pessoas portadores de deficincia visual, deficincia auditiva, voluntrios que j haviam feito o curso e designers, objetivando analisar as mudanas e o consequente nvel de satisfao destes voluntrios. Dois modelos de avaliao de usabilidade foram utilizados e apresentados aos voluntrios, o modelo GOMS e o QUIS, com cada interface, e as respostas foram comparadas para analisar o desempenho, a eficcia e a satisfao do usurio, visando melhorar o acesso dos alunos a cursos de educao a distncia. Palavras-chave: Acessibilidade. Usabilidade. Interface. Ensino distncia. Design Abstract This paper aims to present the results of research that forms the dissertation in Design at the University of the State of Santa Catarina. The research tried to analyze the interfaces of a virtual extension course at the Center for Distance Learning University, allocated in the virtual learning environment Moodle . The experiment was divided into two phases. In

    1 jana.ramosdesign@gmail.com 2 scdomenech@gmail.com 3 marcelo.gitirana@gmail.com 4 d.lulopeslu@gmail.com

  • 6 CONAHPA Joo Pessoa PB 04 a 06 de setembro de 2013

    phase 1, a model of usability and accessibility analysis was applied in the current interface, the current course (A), with the aim of identifying the main problems and errors present in the course. In phase 2, a prototype was developed with the same content, but planned organized according to the standards of accessibility and usability. Both interfaces were presented to a group of 9 users, composed of people with visual impairment, hearing impairment, volunteers who had taken the course and designers, aimed at analyzing the changes and the consequent level of satisfaction of these volunteers. Two models for usability evaluation were used and they were presented to the volunteers, the GOMS model and WANTED, with each interface, and the responses were compared to analyze the performance, efficiency and user satisfaction, to improve students' experience with e-learning courses. Keywords: Accessibility. Usability. Interface. e-Learning. Design.

    1. Introduo

    A sociedade contempornea vem sofrendo transformaes tecnolgicas e de

    comportamento ao longo deste ltimo sculo. Consequentemente, a escola e o aprendizado

    tambm esto vivenciando principalmente nestas ltimas dcadas uma srie de mudanas.

    o caso da Educao online, tambm chamada de ensino distncia ou EaD, que Batista

    (2008) caracteriza como a modalidade de educao em que o aprendizado se processa pela

    internet, pela possibilidade do encontro virtual. Azevedo (2007) acredita que esta modalidade

    de ensino acontece atravs da interao entre as pessoas, podendo ser mediada pela

    tecnologia, sendo esta um meio e no um fim. Moran (2003) argumenta que nos prximos

    anos, a educao online ser o foco central da aprendizagem. Apesar de que ainda existam os

    suportes tradicionais da EaD, Silva (2003) acredita que a tendncia atual da educao online

    uma exigncia da cibercultura, pelo fato de possuir estratgias que se desenvolvem

    paralelas ao ciberespao. Assim, a educao online uma demanda da sociedade da

    informao, desse contexto socioeconmico e tecnolgico, cujo centro reside na informao

    digitalizada como novo modelo de produo.

    Mas neste novo modelo de educao, as pessoas portadoras de deficincias muitas

    vezes encontram algumas barreiras para seu acesso, e acabam desistindo do curso, sem

    completar a formao. Pessoas com deficincia visual no encontram interfaces adequadas

    aos softwares de leitura de tela e deficientes auditivos tm dificuldades de acesso contedos

    traduzidos para LIBRAS ou legendados, para facilitar sua compreenso.

    Em contrapartida, as instituies de ensino tambm precisam se adequar legislao

    brasileira, sobretudo Lei de diretrizes e Bases da Educao e a Lei da Acessibilidade, alm

    das normas para implantao de curso de ensino distncia, regulamentadas pelo Ministrio

    da Educao.

    Neste contexto surge o objeto de estudo da pesquisa de mestrado e seus objetivos,

    analisar a usabilidade, a acessibilidade e a experincia de usurio de uma interface de curso

  • 6 CONAHPA Joo Pessoa PB 04 a 06 de setembro de 2013

    de ensino distncia alm de propor um prottipo para anlise dos usurios, com os mesmos

    contedos, porm desenvolvido segundo padres de acessibilidade e usabilidade, para

    comparar as respostas e obter os nveis de satisfao com ambas interfaces.

    2. Referencial terico

    Os principais fundamentos tericos passaram sobre a legislao brasileira, sobretudo

    a LDB (1996), que em seu Art. 59 estabelece que os sistemas de ensino asseguraro aos

    educandos com necessidades especiais: I - currculos, mtodos, tcnicas, recursos educativos

    e organizao especficos, para atender s suas necessidades. A Lei da Acessibilidade,

    decreto n 5296, que cita tambm que deve haver condio para utilizao, com segurana e

    autonomia, total ou assistida (...) de sistemas e meios de comunicao e informao, por

    pessoa portadora de deficincia ou com mobilidade reduzida. (BRASIL, 2004)

    Sobre usabilidade e acessibilidade digital, o modelo de anlise, os conceitos e

    fundamentos que nortearam a pesquisa foram propostos por Dias (2007). O modelo utilizado

    foi categorizado segundo os Critrios ergonmicos de Bastien e Scapin, Regras de Ouro de

    Shneiderman e Heursticas de Nielsen e distribudos da seguinte forma:

    Quadro 1: Modelo de Anlise de Usabilidade

    H (heursticas de usabilidade) C (contedo informacional)

    P (prioridade da informao)

    H1 visibilidade e reconhecimento do estado, contexto atual e conduo do usurio;

    C1 credibilidade P1 alta

    H2 Projeto esttico e minimalista; C2 suporte P2 mdia

    H3 controle do usurio; C3 previso P3 baixa

    H4 Flexibilidade e eficincia de uso;

    H5 preveno de erros;

    H6 consistncia

    H7 compatibilidade com o contexto.

    Fonte: Dias (2007).

    Moderar testes de usabilidade com algumas populaes, segundo Dumas, Loring

    (2008), requer um conhecimento adicional, treinamento e preparativos. Mesmo assim,

    moderar uma sesso que inclui tecnologia assistiva, intrpretes, ou vrios modos de

    comunicao pode ser uma experincia muito gratificante. Para recrutar as pessoas que com

    deficincia visual, a ferramenta de seleo de usurios para o teste deve incluir, conforme

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    Dumas; Loring (2008), algumas questes como: Ser que voc tem transporte que pode traze-

    lo at o local do teste? Precisa de alguma instalao especial? Do que precisa? Qual o seu

    nome? L em Braille? Usa tecnologia assistiva (por exemplo, leitor de tela)? Alm destas

    perguntas, deve-se ler os documentos em voz alta e oferecer documentos para leitura que

    tenha letras maiores que 18 pontos, no caso de pessoas com baixa viso. Para pessoas com

    deficincia auditiva, o autor (2008) recomenda que talvez seja necessria a presena de um

    intrprete durante a avaliao, o que pode aumentar o tempo de execuo das tarefas. No se

    deve olhar para o intrprete para ouvir a traduo do que o participante assinalou ou para

    assistir o sinal de intrprete para o participante. Na verdade, considerada uma boa prtica

    ignorar a comunicao que est ocorrendo e concentrar-se no participante, que est falando.

    Para analisar a experincia do grupo de usurios foram utilizados dois questionrios.

    Com base no mtodo GOMS - Goals, Operators, Methods and Selections rules), proposto por

    Card, Moran e Newell, (1983) citado em Cybis et al. (2010, p. 210), foi aplicado um

    questionrio que tinha por objetivo tomar o tempo das aes fsicas e cognitivas associadas

    forma correta de realizao de uma tarefa. Outro questionrio aplicado foi uma adaptao do

    QUIS (questionnaire for user interface satisfaction), citado por Dias (2007), para verificar o

    nvel de satisfao do usurio com as interfaces apresentadas. O QUIS abrange aspectos da

    interface (legibilidade, layout, cones, apresentao das telas na realizao das tarefas e

    terminologia adequada).

    3. Mtodos e procedimentos

    O trabalho adotou na fase 1 o estudo de caso e na fase 2 o estudo comparativo como

    mtodos de pesquisa. Segundo Fialho; Neubauer Filho (2008, p. 4522), o estudo de