Verbo Dever Semântica

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<ul><li><p> UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA </p><p>DEPARTAMENTO DE PS-GRADUAO EM LINGUSTICA </p><p>Jaqueline Alves Scarduelli </p><p>DEVE E DEVIA OS LIMITES DA SIGNIFICAO </p><p>Dissertao de Mestrado submetida ao </p><p>Programa de Ps-graduao em </p><p>Lingstica da Universidade Federal de </p><p>Santa Catarina para a obteno do </p><p>Grau de Mestre em Lingustica. </p><p>Orientadora: Profa. Dra. Roberta Pires </p><p>de Oliveira. </p><p>Florianpolis </p><p>2011 </p></li><li><p> Jaqueline Alves Scarduelli </p><p>DEVE E DEVIA: OS LIMITES DA SIGNIFICAO </p><p>Esta Dissertao foi julgada adequada para obteno do Ttulo de </p><p>Mestre em Lingustica, e aprovada em sua forma final pelo Programa de Ps-Graduao em Lingustica. </p><p>Florianpolis, 01 de setembro de 2011. </p><p>___________________________________ </p><p>Prof., Dr. Rosngela Hammes Rodrigues </p><p>Coordenadora do Curso de Ps-Graduao em Lingustica </p><p>Banca Examinadora: </p><p>_____________________________________________ </p><p>Prof., Dr. Roberta Pires de Oliveira, </p><p>Orientadora </p><p>Universidade Federal de Santa Catarina </p><p>____________________________________________ </p><p>Prof., Dr. Marcelo Ferreira, </p><p>Universidade de So Paulo </p><p>____________________________________________ </p><p>Prof., Dr. Cezar Augusto Mortari, </p><p>Universidade Federal de Santa Catarina </p><p> ____________________________________________ </p><p>Prof., Dr. Ina Emmel, </p><p>Universidade Federal de Santa Catarina </p></li><li><p> Para Clia e Roberto, meus pais </p><p>queridos e infinitamente amados. </p></li><li><p>AGRADECIMENTOS </p><p> meus pais, Clia e Roberto, por dedicar toda sua vida aos filhos </p><p>e me proporcionar desde sempre toda a forma de incentivo. </p><p> Roberta, pela pacincia, compreenso, por sua amizade e por </p><p>sempre acreditar em mim. </p><p>Aos meus irmos, Franck e Michelle, pelo carinho. </p><p>Ao meu marido, Felipe, pelo amor e aconchego. </p><p>Aos professores Marcelo Ferreira e Cezar Mortari, por suas </p><p>crticas construtivas na qualificao dessa dissertao. </p><p>Ao pessoal do NEG Ncleo de Estudos Gramaticais por cederem sua intuio. </p><p> CAPES, pelo auxlio financeiro. </p><p> Deus, por sempre estar ao meu lado. </p></li><li><p>RESUMO </p><p>Essa dissertao estuda os significados dos auxiliares modais deve e devia do portugus brasileiro quando formam um par mnimo de sentenas. Para tanto, iniciamos com um panorama acerca da </p><p>modalidade das lnguas naturais e posteriormente, apresentamos uma </p><p>breve caracterizao dos auxiliares modais. O arcabouo terico </p><p>utilizado foi a teoria de Kratzer (1981, 1991, 2010), que se fundamenta </p><p>na semntica de mundos possveis. O objetivo traar as semelhanas, </p><p>diferenas e especializaes entre os auxiliares modais deve e devia quando orientados para o futuro. As fontes de ordenao analisadas para </p><p>o objeto de estudo sero a epistmica, dentica e teleolgica, com um </p><p>especial enfoque na epistmica. Para isso, partimos da hiptese de que </p><p>os dois modais veiculam necessidade fraca, porm eles no dizem o </p><p>mesmo e essa diferena poder ser captada atravs do morfema de </p><p>imperfeito presente em devia, mas no em deve. Atravs das anlises intuitivas, percebeu-se que deve especializado, isto , ele prefere se combinar com base modal epistmica, mas tambm se encaixa em </p><p>contextos denticos e teleolgicos, podendo ainda expressar ordem e </p><p>conselho como ato de fala. Ao passo que devia prefere se combinar com fonte de ordenao teleolgica, expressa conselho como ato de fala </p><p>e no gosta de ser epistmico e nem dentico. A noo de necessidade fraca de Kratzer sozinha no consegue explicar a semntica de deve e devia, j que podemos perceber que um mais objetivo e o outro subjetivo, respectivamente. </p><p>Palavras-chave: Modalidade, Semntica de Mundos Possveis, </p><p>Auxiliares Modais, Base Modal, Fonte de Ordenao. </p></li><li><p>ABSTRACT </p><p>This dissertation studies the meanings of the modal auxiliary 'deve' and </p><p>'devia' in Brazilian Portuguese when they form a minimal pair of </p><p>sentences. To this end, we begin with an overview about the modality of </p><p>natural language and then present a brief characterization of the modal </p><p>auxiliary. The theoretical framework used was the theory of Kratzer </p><p>(1981, 1991, 2010), which is based on the semantics of possible worlds. </p><p>The goal is to trace the similarities, differences and specializations </p><p>among modal auxiliary 'deve' and 'devia' when future-oriented. The </p><p>sources analyzed to sort the object of study will be the epistemic, </p><p>deontic and teleologic, with a special focus on the epistemic. For this, </p><p>we start from the assumption that both indicate weak necessity, but they </p><p>do not say the same and this difference can be captured through the </p><p>imperfect morpheme present in 'devia' but not 'deve'. Through the </p><p>intuitive analysis, it was realized that 'deve' is specialized, that is, he </p><p>"prefers" to combine with epistemic modal basis, but also fits in deontic </p><p>and teleological contexts, and may also express order and advice as a </p><p>speech act. While 'devia' prefer to combine with teleological ordering </p><p>source expressing advice as a speech act and not "like" to be deontic and </p><p>epistemic. The notion of weak necessity Kratzer alone can not explain </p><p>the semantics of 'deve' and 'devia' because we can see that one is more </p><p>objective and one subjective, respectively. </p><p>Keywords: Modality, Possible World Semantics, Modal Auxiliars, </p><p>Modal Base, Ordering Source. </p></li><li><p>LISTA DE FIGURAS </p><p> Figura 1 rvore/estrutura sinttica da sentena modal (19a) sem os movimentos de mova- ...................................................................... 38 Figura 2 rvore/estrutura sinttica da sentena modal (19a) com os movimentos de mova- ..................................................................... 39 Figura 3 rvore da estrutura de uma sentena modalizada ............... 55 Figura 4 rvore da estrutura da sentena modalizada (6) .................. 55 Figura 5 Ordenao dos mundos da base modal da sentena (6) ....... 62 Figura 6 Representao da restrio de mundos da base modal epistmica de deve ............................................................................. 93 Figura 7 Representao da atuao da fonte de ordenao na BM anteriormente estabelecida .................................................................... 94 </p><p>Figura 8 Base modal de (7), onde a rea pintada representa os mundos mais prximos aos ideais, aqueles onde p verdadeira ....................... 95 </p><p>Figura 9 Representao da base modal (BM) de (8) ......................... 97 </p></li><li><p>LISTA DE TABELAS </p><p>Tabela 1- Representao dos smbolos dos operadores modais ........... 33 </p></li><li><p>LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS </p><p>PB Portugus Brasileiro SMP Semntica de Mundos Possveis p - proposio </p><p>IP Sintagma Flexional de Tempo VP Sintagma Verbal InfP Sintagma formado por verbo no Infinitivo DP Sintagma determinante Spec - Especificador </p><p>t Trao ou Vestgio PP Perspectiva Presente OF Orientao Futura EPIS - Epistmico </p><p>S - Estrutura </p><p>Kx Necessidade Epistmica W Conjunto de Todos os Mundos Possveis w Mundo Possvel f Base Modal g Fonte de Ordenao FC Fundo Conversacional BM Base Modal </p></li><li><p>LISTA DE SMBOLOS </p><p> Operador de Necessidade Operador de Possibilidade * Sentena Agramatical </p><p># Sentena Estranha no contexto descrito ? Sentena duvidosa quanto ao grau de aceitabilidade</p></li><li><p>SUMRIO </p><p>1 INTRODUO .................................................................. 25 2 CAPTULO I: DELIMITANDO O FENMENO .......... 27 2.0 INTRODUO ........................................................................... 27 2.1 ASPECTOS GERAIS DA MODALIDADE ............................... 27 2.2 FORMALISMO VS. FUNCIONALISMO .................................. 29 2.3 AUXILIARES MODAIS ............................................................. 34 2.4 DELIMITAO DO OBJETO DA PESQUISA ........................ 45 </p><p>3 CAPTULO II: O MODELO DE KRATZER (1981, 1991, </p><p>2010) ................................................................................................. 49 3.0 INTRODUO ........................................................................... 49 3.1 AMBIGUIDADE VS. INDETERMINAO ............................. 49 3.2 CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE KRATZER ..................... 53 3.3 APLICANDO A TEORIA DE KRATZER ................................. 61 3.4 NECESSIDADE VS. NECESSIDADE FRACA ......................... 63 3.5 DEVE E DEVIA: NECESSIDADE FRACA ......................... 64 </p><p>4 CAPTULO III: DEVE vs. DEVIA: UMA ANLISE </p><p>INTUITIVA E TERICA .............................................................. 71 4.0 INTRODUO ........................................................................... 71 4.1 MODALIDADE EPISTMICA .................................................. 71 4.2 MODALIDADE DENTICA ..................................................... 78 4.3 MODALIDADE TELEOLGICA .............................................. 87 4.4 UMA SEMNTICA PARA DEVE E DEVIA....................... 91 </p><p>5 CONSIDERAES FINAIS .............................................. 101 REFERNCIAS .............................................................................. 105 APNDICE Testes Epistmicos .................................................. 107 </p></li><li><p>25 </p><p>1 INTRODUO </p><p>Esta dissertao tem por tema a questo dos significados e </p><p>especializaes diferenciadas dos auxiliares modais deve e devia na perspectiva da semntica formal. O arcabouo terico utilizado ser a teoria </p><p>de Kratzer (1981, 1991, 2010) sob a perspectiva da semntica de mundos </p><p>possveis. At onde se constatou, no h trabalhos que investiguem a </p><p>semntica de deve e devia, portanto esse estudo pretende ser uma contribuio para a rea de pesquisa em semntica das lnguas naturais. </p><p>Dado a complexidade do assunto, a inteno que novos caminhos sejam </p><p>descobertos a partir desse incio de investigao. </p><p>A dissertao est estruturada em trs captulos. No primeiro </p><p>captulo apresenta-se uma introduo modalidade nas lnguas naturais, de </p><p>forma a elucidar os conceitos da viso funcionalista e da formalista da </p><p>modalidade e suas diferenas apresentando a justificativa por se adotar a </p><p>vertente formalista. Ainda nesse captulo descrevemos as caractersticas dos </p><p>auxiliares modais, com o intuito de esclarecer questes como: estrutura </p><p>sinttica, flexo de tempo e certas particularidades destes verbos. </p><p>Mostraremos que a flexo morfolgica de tempo dos itens em estudo no </p><p>necessariamente determina a orientao temporal da sentena prejacente, e </p><p>para isso estabelecemos a diferena entre perspectiva temporal, dada pelo </p><p>auxiliar modal, e orientao temporal, dada pela sentena prejacente. </p><p>nesse captulo que se delimita o objeto de estudos, os quais sero as </p><p>sentenas modalizadas com os auxiliares modais deve e devia acompanhados da sentena prejacente, cujo evento estar sempre orientado </p><p>para o futuro. </p><p>O captulo II mostra que as vrias interpretaes que os modais </p><p>permitem tema para muita literatura, sendo algumas vezes tratada como </p><p>ambigidade, outras como indeterminao contextual. Essa ltima a </p><p>soluo adotada por Kratzer (1981, 1991), que ser adotada nesse trabalho. </p><p>O captulo tambm se destina a definir os conceitos do modelo formal de </p><p>Kratzer (1981, 1991, 2010) a fim de constatar se ele se aplica para </p><p>solucionar o problema dos auxiliares modais deve e devia do portugus brasileiro. Alm disso, tambm ser mostrado que, conforme Pires de </p><p>Oliveira &amp; Scarduelli (2008), tem que um modal de necessidade mais forte do que deve e devia, considerando que todos eles so modais de necessidade. Ao final do captulo ser trabalhada a hiptese de que tanto </p><p>deve quanto devia exprimem necessidade fraca, e portanto, a pesquisa pretende esclarecer questes como: Se os dois verbos so considerados </p><p>modais de necessidade fraca, ento eles dizem o mesmo? Tentaremos </p><p>responder a essa e outras perguntas no captulo seguinte. </p></li><li><p>26 </p><p>O captulo terceiro destina-se s anlises intuitivas de sentenas </p><p>modais com deve e devia na modalidade epistmica, aquela que se baseia em conhecimentos; dentica, lida com as obrigaes, leis ou regras, e a modalidade teleolgica, que toma como parmetro o(s) objetivo(s) a </p><p>ser(em) atingido(s). Com isso, pretende-se delimitar os significados </p><p>possveis para esses auxiliares modais, que como veremos, tm </p><p>preferncias e especializaes na sua significao. Ao final desse captulo, ser apresentada uma proposta semntica para esses verbos </p><p>baseada nas suas anlises intuitivas. </p><p>Espera-se terminar o trabalho com um quadro comparativo </p><p>mostrando as especializaes, diferenas e semelhanas desses dois modais, </p><p>apresentando os resultados obtidos ao longo da pesquisa, a fim de </p><p>apresentar uma proposta para a semntica desses dois verbos. Muito pouco </p><p>h sobre a semntica dos auxiliares modais no Portugus Brasileiro (PB), </p><p>portanto esta pesquisa tem o intuito de iniciar as investigaes sobre a </p><p>semntica dos auxiliares modais no PB. </p></li><li><p>27 </p><p>2 CAPTULO I: DELIMITANDO O FENMENO </p><p>2.0 INRODUO </p><p>Neste primeiro captulo pretende-se abrir um panorama acerca da </p><p>modalidade. Na seo 1.1 ser feita uma breve iniciao modalidade das </p><p>lnguas naturais, em que se estar observando as dimenses do possvel, </p><p>conforme Pires de Oliveira &amp; Mortari (manuscrito). Na seo 1.2, ser </p><p>traado um paralelo entre a viso funcionalista da modalidade e a </p><p>formalista, apresentando seus conceitos, caractersticas e diferenciando-as. </p><p>Na seo 1.3, faz-se uma caracterizao da classe dos verbos auxiliares </p><p>modais, definindo o que os leva a ser assim classificados. Alm de discutir </p><p>a estrutura sinttica dos auxiliares modais deve e devia e suas relaes com tempo perspectiva e orientao temporal. E por ltimo, na seo 1.4, feita uma delimitao do objeto a ser investigado nesta pesquisa. </p><p>2.1 ASPECTOS GERAIS DA MODALIDADE </p><p>Nas lnguas naturais tm-se a capacidade de se referir ao que no est </p><p>presente na nossa situao imediata, e tambm ao que no a realidade, ou </p><p>ao que se supe. A essa capacidade de se reportar s dimenses do possvel </p><p>d-se o nome de modalidade. Quando situaes hipotticas so </p><p>mencionadas, por exemplo, est se fazendo uso da modalidade, ou ento </p><p>quando se d uma opinio a respeito de alguma situao, quando no se </p><p>sabe como o real, tambm. Por exemplo, quando se profere uma sentena </p><p>como: </p><p>(1) Provavelmente, choveu ontem. </p><p>o que se est dizendo , primeiro, que, o falante no sabe se choveu de fato </p><p>ou no no dia anterior, logo ele no sabe como o mundo real; em segundo, </p><p>dado o que o falante sabe, ele acha que h uma grande chance de ter </p><p>chovido no dia anterior. Ou seja, o falante se refere a uma situao que ele </p><p>no sabe se se concretizou no mundo, mas d a sua opinio sobre como ele </p><p>acredita que ela . Existe uma diferena entre uma situao hipottica e uma </p><p>situao real. Para ficar mais claro, compare as sentenas (1) e (2): </p><p>(2) Choveu ontem. </p><p>Em (1), o falante est fazendo uma estatstica, por assim dizer, do fato de chover ter acontecido ou no, ou seja, na opinio dele h grandes </p></li><li><p>28 </p><p>chances de ter chovido no dia anterior. J em (2) o que se tem a expresso </p><p>de um fato, algo concreto, realizado, ou seja, o falante relata um fato do </p><p>mundo em que ele est, isto , que choveu no dia anterior ao momento em </p><p>que a sentena foi proferida. A modalidade trata de situ...</p></li></ul>