inobjetividade da existÊncia a existÊncia e comunicaÇÃo; a orientaÇÃo

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INOBJETIVIDADE DA EXISTÊNCIA A EXISTÊNCIA E COMUNICAÇÃO; A ORIENTAÇÃO.

Author: thiago-amorim-campelo

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Page 1: INOBJETIVIDADE DA EXISTÊNCIA A EXISTÊNCIA E COMUNICAÇÃO; A ORIENTAÇÃO

INOBJETIVIDADE DA EXISTÊNCIA

A EXISTÊNCIA E COMUNICAÇÃO; A ORIENTAÇÃO.

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Objetivos

• “Apresentar a inobjetividade da existência como ponto central do pensamento de Karl Jaspers”.

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A inobjetividade da existência:– A existência não pode ser identificada com um ser

empírico;– Eu sou existência enquanto não me torno objeto.

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• Eu sou a minha situação e essa é realidade intranscendível:– O homem não é dado de fato – “Ele pode Ser”;– Sua escolha está dentro da possibilidade de sua “situação”;– O meu eu é idêntico ao lugar da realidade em que me

encontro;– Eu não posso ser senão o que sou e não posso me tornar

senão o que sou;– A única escolha autêntica está na consciência e na

aceitação da situação em que se está.

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Citemos Jaspers:

• “O meu eu é idêntico ao lugar da realidade em que me encontro. A minha situação se identifica comigo mesmo, pois não posso ser senão o que sou e não posso me tornar senão o que sou: Eu estou em situação histórica se me identifico com uma realidade e com a sua tarefa imensa (...). Eu posso pertencer somente a um único povo, posso ter apenas estes genitores e não outros, posso amar somente uma única mulher. Claro, eu posso trair. Mas, se eu traio (tentando pertencer a outro povo, amando outra mulher, desconhecendo os meus genitores), estou traindo a mim mesmo, já que eu sou a minha situação e essa é realidade intranscendível. Eu só posso me tornar o que sou. E a única escolha autêntica está na consciência e na aceitação da situação em que se está. A liberdade não é o instrumento das alternativas, ela se assemelha ao amor fati de Nietzsche”.

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O NAUFRÁGIO DA EXISTÊNCIA E OS SINAIS DA TRANSCENDÊNCIA

Existência:Existência:– Inobjetivável;Inobjetivável;– Historicidade, isto é, “situação”;Historicidade, isto é, “situação”;

a) Resultados da iluminação da existênciaa) Resultados da iluminação da existência b) Resultados nos dado pela razão.b) Resultados nos dado pela razão.

O que mostra que existência e razãoNão são duas potências em luta, masQue cada qual existe em virtude da

Outra e, no ato de se compenetrarem,Se dão reciprocamente realidade e

Clareza.

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Existência e razão:

Uma completa a outra (uma existe em Uma completa a outra (uma existe em virtude da outra);virtude da outra);

Existência = realidade X razão = clareza:Existência = realidade X razão = clareza:– Remete necessariamente à transcendência;Remete necessariamente à transcendência;– A existência consciente percebe que toda coisa A existência consciente percebe que toda coisa

tem um fimtem um fim– No fim, o que há é o naufrágio.No fim, o que há é o naufrágio.– Ouçamos Jaspers: Ouçamos Jaspers:

““Se o olhamos do ponto de vista das ciências, naufraga Se o olhamos do ponto de vista das ciências, naufraga o próprio mundo enquanto Ser-aí, pela razão de que não o próprio mundo enquanto Ser-aí, pela razão de que não pode ser compreendido por si mesmo e com base em si pode ser compreendido por si mesmo e com base em si mesmomesmo”.”.

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Citemos Jaspers

Afirma ele: “As metas alcançadas com a mudança das

condições sociais tornam-se insustentáveis e caem por terra. Todas as possibilidades nas quais se pode pensar acabam se exaurindo. Os vários segmentos da vida espiritual se extinguem. Tudo o que foi grande acabou por se perder”.

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Os entes do mundo como sinais da transcendência:

1. Não nos dão a conhecer a transcendência;2. Remetem-nos a transcendência como ao

“Outro” do qual são portadores;3. Pela existência “aclarada” da razão, o mundo

e os entes do mundo constituem a linguagem cifrada da transcendência.

A transcendência e as situações limites:– 1. O termo limite indica algo que transcende a

existência: a) Estou sempre em situação determinada b) Não posso viver sem luta, sem dor e sem morrer.

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Situações limites:

2. As situações limites não sofrem mudanças 2. As situações limites não sofrem mudanças substanciais, mas apenas fenomênicas;substanciais, mas apenas fenomênicas;

3. São como muro, contra o qual nos 3. São como muro, contra o qual nos chocamos e naufragamos;chocamos e naufragamos;

4. Vejamos o que afirma Jaspers:4. Vejamos o que afirma Jaspers:– “ “Situações como as de estar sempre em Situações como as de estar sempre em

determinada condição, de não poder viver sem determinada condição, de não poder viver sem luta e sem dor, de ter que assumir uma luta e sem dor, de ter que assumir uma culpabilidade irremediável, de ter que morrer, culpabilidade irremediável, de ter que morrer, constituem o que eu chamo de situações-limitesconstituem o que eu chamo de situações-limites. .

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Continuação..Continuação....

– Elas não sofrem mudanças substanciais, mas Elas não sofrem mudanças substanciais, mas apenas fenomênicas. E, em relação ao nosso ser, apenas fenomênicas. E, em relação ao nosso ser, têm caráter definitivo. Elas não são transparentes: têm caráter definitivo. Elas não são transparentes: em nosso ser, não nos é dado perceber nada além em nosso ser, não nos é dado perceber nada além delas. Elas são como muro, contra qual nos delas. Elas são como muro, contra qual nos chocamos e naufragamos. De nossa parte, não chocamos e naufragamos. De nossa parte, não podemos modificá-las, mas apenas levá-las à podemos modificá-las, mas apenas levá-las à clarezaclareza” (...). ” (...).

5. Não podemos modificá-las, mas apenas 5. Não podemos modificá-las, mas apenas levá-las à clareza;levá-las à clareza;

6. O verdadeiro eu não pode sustentar-se por 6. O verdadeiro eu não pode sustentar-se por si só – abre-se à transcendência “Sem si só – abre-se à transcendência “Sem transcendência, não há existência”.transcendência, não há existência”.

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A EXISTÊNCIA E COMUNICAÇÃO• A transcendência é inatingível para o conhecimento

científico:• Ela se revela nos ‘sinais’ das situações-limites e do naufrágio da

existência.• Como ler essa linguagem cifrada?

• É lida na intimidade da própria existência• Por isso, enquanto a verdade científica é objetiva e anônima, a verdade filosófica é

existencial e singular.

““Deus é sempre o meu Deus: eu não o tenho Deus é sempre o meu Deus: eu não o tenho em comum com os outros homens”.em comum com os outros homens”.

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• Mas, se a verdade filosófica tem suas raízes no profundo da existência singular, como se pode transmiti-la aos outros e com que razões pode ser selecionada e aceita?

• Verdades que:• a) Tem raízes no profundo da existência singular;• b) Como pode ser transmitida;• c) Como pode ser aceita.

• A verdade ou transcendência: (todas as filosofias a buscam)• a) Nunca é posse exclusiva de um ponto de vista;• b) Ligada à existência singular, por isso é única;• c) A razão é o patamar comum de toda singularidade;• d) Não se chega nunca a uma verdade definitiva.

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• O papel da filosofia:– O que o filósofo dá, (...) “não é uma verdade definida:

avançando por caminho sem garantias, ele defende sempre a possibilidade da comunicação entre as verdades das existências singulares”.

– Afirma ainda Jaspers:• “Em oposição a um suposto conhecimento total, a filosofia tem o

dever de manter acesa a faculdade do pensamento independente e, a consequência independência do indivíduo, que o poder totalitário procura sufocar”.

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Não há para ninguém posse da verdade:“Os sistemas totalitários presumem conhecer

todo o curso da história e fundamentam a sua planificação total com base nesse conhecimento total. Mas, como não é possível para ninguém, nem mediante o conhecimento, nem mediante a ação, captar a totalidade do mundo, aquele que, apesar disso, tenta fazê-lo deve, consequentemente, conquistar o mundo com a força, mas o fará como assassino que se apossa de cadáver e não como homem que procura entrar em relação com outros seres humanos para construir um mundo comum”.