homofobia na escola: as representações de...

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ISSN 1413-389X Trends in Psychology / Temas em Psicologia – 2015, Vol. 23, nº 3, 635-647 DOI: 10.9788/TP2015.3-09 Homofobia na Escola: As Representações de Educadores/as Elaine de Jesus Souza 1 Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE, Brasil Grupo de Pesquisa Gênero, Sexualidade e Estudos Culturais da Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE, Brasil Joilson Pereira da Silva Núcleo de Pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE, Brasil Claudiene Santos Departamento de Biologia da Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE, Brasil Líder do Grupo de Pesquisa Gênero, Sexualidade e Estudos Culturais da Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE, Brasil Resumo A análise das representações sociais dos/as docentes acerca da homofobia constitui um caminho promis- sor para estimular a reexão e a busca de conhecimentos mais coerentes acerca da amplitude dessa vio- lência que, de modo sutil ou manifesto, ocasiona sofrimentos na vida de jovens que não se enquadram no padrão heteronormativo. Portanto, essa pesquisa qualitativa teve como principal objetivo analisar as representações sociais de educadores/as da educação básica acerca da homofobia na escola. Para tanto, foi empregado o método de análise de conteúdo categorial temática e o instrumento constituiu-se de um questionário e entrevista semiestruturada realizados com sete docentes do ensino fundamental maior. Os resultados obtidos revelaram que as representações dos/as docentes acerca da homofobia englobam uma variedade de pensamentos, crenças, ideias pré-estabelecidas e contradições. Pois, além de con- cepções reducionistas, que denem a homofobia somente como uma aversão ou preconceito contra os homossexuais, sobretudo, devido à carência dessa temática na formação inicial e continuada, também houve algumas concepções mais amplas, que indicam as práticas sutis da homofobia. Assim, esse estudo evidencia a necessidade de mais pesquisas nesse campo, que além da análise das representações de edu- cadores/as, os cursos de formação docente abordem, de modo signicativo, os temas diversidade sexual e homofobia, possibilitando intervenções e ações que auxiliem no combate à homofobia (re)produzida no espaço escolar. Palavras-chave: Homofobia, escola, representações sociais. Homophobia in School: Representations of Educators Abstract The analysis of social representations of teachers about homophobia constitute a promising way to sti- mulate reection and the search for more coherent knowledge about the extent of this violence that, of subtle or manifest way, cause unnecessary suffering in the lives of young people who do not frame in 1 Endereço para correspondência: Conjunto Caçula Valadares, Rua D, 60, Simão Dias, SE, Brasil 49480-000. E-mail: [email protected], [email protected] e [email protected]

Author: phungkien

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  • ISSN 1413-389X Trends in Psychology / Temas em Psicologia 2015, Vol. 23, n 3, 635-647 DOI: 10.9788/TP2015.3-09

    Homofobia na Escola: As Representaes de Educadores/as

    Elaine de Jesus Souza1Programa de Ps-Graduao em Psicologia Social da Universidade Federal de Sergipe,

    So Cristvo, SE, Brasil Grupo de Pesquisa Gnero, Sexualidade e Estudos Culturais da Universidade Federal

    de Sergipe, So Cristvo, SE, Brasil Joilson Pereira da Silva

    Ncleo de Ps-Graduao em Psicologia Social da Universidade Federal de Sergipe, So Cristvo, SE, Brasil

    Claudiene SantosDepartamento de Biologia da Universidade Federal de Sergipe, So Cristvo, SE, Brasil

    Lder do Grupo de Pesquisa Gnero, Sexualidade e Estudos Culturais da Universidade Federal de Sergipe, So Cristvo, SE, Brasil

    ResumoA anlise das representaes sociais dos/as docentes acerca da homofobia constitui um caminho promis-sor para estimular a refl exo e a busca de conhecimentos mais coerentes acerca da amplitude dessa vio-lncia que, de modo sutil ou manifesto, ocasiona sofrimentos na vida de jovens que no se enquadram no padro heteronormativo. Portanto, essa pesquisa qualitativa teve como principal objetivo analisar as representaes sociais de educadores/as da educao bsica acerca da homofobia na escola. Para tanto, foi empregado o mtodo de anlise de contedo categorial temtica e o instrumento constituiu-se de um questionrio e entrevista semiestruturada realizados com sete docentes do ensino fundamental maior. Os resultados obtidos revelaram que as representaes dos/as docentes acerca da homofobia englobam uma variedade de pensamentos, crenas, ideias pr-estabelecidas e contradies. Pois, alm de con-cepes reducionistas, que defi nem a homofobia somente como uma averso ou preconceito contra os homossexuais, sobretudo, devido carncia dessa temtica na formao inicial e continuada, tambm houve algumas concepes mais amplas, que indicam as prticas sutis da homofobia. Assim, esse estudo evidencia a necessidade de mais pesquisas nesse campo, que alm da anlise das representaes de edu-cadores/as, os cursos de formao docente abordem, de modo signifi cativo, os temas diversidade sexual e homofobia, possibilitando intervenes e aes que auxiliem no combate homofobia (re)produzida no espao escolar.

    Palavras-chave: Homofobia, escola, representaes sociais.

    Homophobia in School: Representations of Educators

    AbstractThe analysis of social representations of teachers about homophobia constitute a promising way to sti-mulate refl ection and the search for more coherent knowledge about the extent of this violence that, of subtle or manifest way, cause unnecessary suffering in the lives of young people who do not frame in

    1 Endereo para correspondncia: Conjunto Caula Valadares, Rua D, 60, Simo Dias, SE, Brasil 49480-000. E-mail: [email protected], [email protected] e [email protected]

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    heteronormative standard. Therefore, this qualitative study aimed to analyze the social representations of teachers of basic education about homophobia in the school. To this end, we employed the thematic categorical content analysis method and the instrument consisted of a questionnaire and semi-structured interviews conducted with seven greater elementary school teachers. The results revealed that the repre-sentations of teachers about homophobia include a variety of thoughts, beliefs, pre-established ideas and contradictions. Because, beyond of conceptions reductionist that defi ne homophobia only as an aversion or prejudice against homosexuals, primarily due to the lack of this theme in the initial and continued training, there was also some broader conceptions, which indicate the subtle practices of homophobia. Thus, this study highlights the need for more research in this fi eld, that in addition to the analysis of re-presentations of educators, teacher education courses address, signifi cantly, the themes sexual diversity and homophobia, enabling interventions and actions that assist to combat homophobia produced and reproduced in the space school.

    Keywords: Homophobia, school, social representations.

    Homofobia en la Escuela: Las Representaciones de Educadores

    ResumenEl anlisis de las representaciones sociales de los maestros sobre la homofobia es una forma promete-dora para estimular la refl exin y la bsqueda del conocimiento ms coherente sobre el alcance de esta violencia, de manera sutil o evidente, causar sufrimiento innecesario en la vida de los jvenes que no se ajustan al estndar heteronormative. Por lo tanto, este estudio tuvo como objetivo analizar las repre-sentaciones sociales de los maestros de educacin bsica sobre la homofobia en la escuela. Para ello, se utiliz el mtodo de contenido categorial temtico. Los resultados revelaron que las representaciones de los maestros sobre la homofobia abarcan una variedad de pensamientos, creencias, ideas preestablecidas y contradicciones. Porque adems de la reduccin de las concepciones que defi nen la homofobia slo como una aversin o el prejuicio contra los homosexuales, sobre todo debido a la falta de este tema en la formacin inicial y continua, tambin hubo algunas concepciones ms amplias, que indican las prcticas sutiles de homofobia. As, este estudio pone de relieve la necesidad de ms investigacin en este campo, adems del anlisis de las representaciones de los educadores, los cursos de formacin del profesorado que abordan, de manera signifi cativa, los temas de la diversidad sexual y la homofobia, permitiendo intervenciones y acciones que ayuden a combatir la homofobia producido y reproducido dentro de la escuela.

    Palabras clave: Homofobia, escuela, representaciones sociales.

    cluso da diversidade sexual e enfretamento da homofobia demandam alm do envolvimento signifi cativo dos/as educadores/as para a for-mao de cidados/s crticos/as e conscientes, a adoo de uma postura pluralista e democr-tica. Destarte, a colaborao ativa dos/as do-centes, atravs da promoo de medidas peda-ggicas que favoream o reconhecimento e o respeito diversidade sexual na escola, pode contribuir para o combate as vrias formas de violao dos direitos humanos dos grupos de Lsbicas, Gays, Bissexuais e Travestis e Tran-sexuais (LGBT).

    O estudo das Representaes Sociais de educadores/as acerca da homofobia, aliado a outras aes interventivas, pode colaborar com a desestabilizao das prticas preconceituosas e discriminatrias que so manifestadas contra a diversidade sexual, nas diversas instncias so-ciais, inclusive na instituio escolar.

    Em consonncia com os Parmetros Cur-riculares Nacionais (PCN; Secretaria de Edu-cao Fundamental, 1999) e o Programa Brasil Sem Homofobia (Conselho Nacional de Com-bate Discriminao [CNCD] & Ministrio da Sade, 2004), destaca-se que o processo de in-

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    Nessa perspectiva, ressalta-se que entre s medidas pblicas de combate homofobia, uma das principais iniciativas ocorreu em 2004 quan-do a Secretaria Especial de Direitos Humanos lanou o Brasil Sem Homofobia, um programa de combate violncia e discriminao contra LGTB e de promoo da cidadania homossexual (CNCD & Ministrio da Sade, 2004). Tal pro-grama tem como principal objetivo: . . . pro-mover a cidadania de gays, lsbicas, travestis, transgneros e bissexuais, a partir da equipara-o de direitos e do combate violncia e dis-criminao homofbicas, respeitando a especifi -cidade de cada um desses grupos populacionais (CNCD & Ministrio da Sade, 2004, p. 11).

    Os Ministrios e Secretarias do Governo Federal do programa Brasil sem Homofobia as-sumiram o compromisso de combater a homo-fobia, atravs da promoo de uma mudana de comportamento da sociedade brasileira em rela-o LGBT, estabelecendo polticas inclusivas que impulsionem a aceitao e o respeito di-versidade (CNCD & Ministrio da Sade, 2004). Contudo, para colocar em prtica o que preconi-za esse documento so necessrias intervenes sociais signifi cativas e a formao inicial e con-tinuada de profi ssionais, isto , aes de diversas esferas sociais que possibilitem o reconhecimen-to da diversidade e a garantia de seus direitos. A instituio escolar exerce funo primordial, pois atravs de seus membros pode multiplicar conhecimentos imprescindveis para a descons-truo de preconceitos e discriminaes.

    Entre as pesquisas realizadas no Brasil acer-ca da homofobia, a de maior impacto foi a condu-zida pela Organizao das Naes Unidas para a Educao, a Cincia e a Cultura (UNESCO) em 13 capitais brasileiras e no Distrito Federal con-tando com uma amostra de 16.422 estudantes, 241 escolas, 4.532 pais e 3.099 educadores/as e funcionrios de escolas (Abramovay, Castro, & Silva, 2004). Tal pesquisa evidenciou os efeitos da falta de formao no campo da sexualidade e a amplitude da rejeio da diversidade sexual no mbito escolar (Abramovay et al., 2004; Nardi, 2010).

    Outra relevante pesquisa foi a coordena-da pela Fundao Perseu Abramo (FPA) que

    ao investigar a violncia homofbica no Bra-sil evidenciou, no pas, um cenrio de intensa opresso a que milhes de pessoas so submeti-das cotidianamente de forma direta ou indireta. Desse modo, um problema to grave e que afeta tantos jovens permanece invisvel nas diversas instncias sociais e colocado entre as ltimas prioridades das esferas pblicas (Prado & Jun-queira, 2011).

    Nesse vis, salienta-se a necessidade de promover aes interventivas que permitam des-construir prticas homofbicas e, indispens-vel analisar a percepo dos sujeitos envolvidos na mudana de comportamento, principalmente, educadores/as, que perpetram ou so alvos de homofobia.

    A homofobia pode ser entendida como uma forma de preconceitos e/ou discriminaes (e demais violncias da decorrentes) contra indi-vduos ou grupos sociais que no se enquadram no padro heterossexual em funo de sua orien-tao afetivo-sexual e/ou identidade de gnero pressupostas e, neste conceito esto includos a lesbofobia, a gayfobia, a transfobia, bifobia, ou seja, a LGBTfobia em geral (Secretaria de Di-reitos Humanos, 2012).

    Dessa forma, o conceito homofobia visto de forma abrangente, passa a englobar os pre-conceitos e discriminaes perpetrados contra lsbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e outras formas de diversidade sexual, em de-corrncia dos seus comportamentos, estilos de vida e aparncias divergentes dos padres he-teronormativos impostos. E, portanto, envolve elevado grau de violao dos direitos humanos de tais indivduos e/ou grupos sociais. Assim, o conceito de homofobia no se restringe e centra--se somente no indivduo e na sua reao anti--homossexual, mas se estende alm, visto que, envolve aspectos culturais, educacionais, polti-cos, institucionais, jurdicos, antropolgicos que demandam a refl exo, crtica e denncia acerca da imposio de normas sexuais e de gnero (Junqueira, 2009; Rios, 2009).

    Tosso (2012, p. 236) acrescenta que . . . el concepto homofobia, se alude no slo al recha-zo a las personas homosexuales, sino tambin al rechazo a las personas bisexuales y transexuales,

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    tengan esa orientacin sexual o solamente apa-renten tenerla.

    Embora o presente trabalho adote o termo homofobia nessa perspectiva ampla, cabe expor que Herek (2000) emprega o termo preconceito sexual para se referir a todas as atitudes negati-vas com base na orientao (afetivo) sexual, isto , contra grupos ou indivduos com identidades sexuais (lsbicas, gays, bissexuais) e de gnero (travestis e transexuais) distintas da norma hete-rossexual. Assim, tal preconceito tambm atin-ge sujeitos heterossexuais que so rotulados de lsbicas, gays ou bissexuais por adotarem com-portamentos e/ou papeis divergentes do modelo heteronormativo. Como os outros tipos, o pre-conceito sexual abarca trs caractersticas prin-cipais: uma atitude (uma avaliao ou julga-mento) negativa que dirigida a um grupo social e seus membros e, envolve tambm antipatia e hostilidade.

    Para Moscovici (2010) . . . todos os nossos preconceitos, sejam nacionais, raciais, gera-cionais ou quaisquer que algum tenha, somente podem ser superados pela mudana de nossas representaes sociais da cultura, da natureza humana e assim por diante . . . (p. 66).

    Assim, por intermdio da teoria das repre-sentaes sociais, investiga-se, nesse trabalho, de que forma os conhecimentos, vivncias e concepes dos/as educadores/as ancoram a ho-mofobia.

    Por conseguinte, Chaves e Silva (2011) apontam que:

    . . . a teoria das representaes sociais ofere-ce um excelente suporte s investigaes na medida em que pauta a sua investigao a partir do conhecimento do sujeito ou grupo estudado, e como esse conhecimento orienta as suas prticas cotidianas. (p. 348)As representaes sociais constituem siste-

    mas de interpretao que orientam e organizam as comunicaes e comportamentos sociais, pois determinam nossa relao com o mundo e com os outros. E, desse modo, intervm em diversos processos, tais como no desenvolvimento indi-vidual e coletivo, na difuso e assimilao de conhecimentos, bem como na defi nio de iden-tidades pessoais e sociais, na manifestao dos

    grupos e nas transformaes sociais (Jodelet, 1989/1993) que permitem superar preconceitos.

    Cabe enfatizar que: . . . preconceitos so, portanto, atitudes, e como tais se constituem em julgamentos antecipados que tm componentes cognitivos (as crenas e os esteretipos), afeti-vos (antipatias e averses) e disposicionais ou volitivos (tendncias para a discriminao) (Lima, 2011, p. 459). Assim, percebe-se que os preconceitos (manifestos ou sutis) criados em torno da diversidade sexual que caracterizam a homofobia, provm, na maioria dos casos, do desconhecimento que ocasiona representaes precipitadas e arbitrrias. Logo, percebe-se que a ausncia da experincia e da refl exo, que cons-tituem as bases do indivduo, pode caracterizar ou promover as distintas nuances do preconceito (Chochk, 2006).

    Nesse caminho, aponta-se a existncia de duas formas de expresso do preconceito: ma-nifesto ou sutil. O primeiro refere-se s formas abertas e ativas manifestadas de modo evidente atravs de atitudes negativas, denominado pre-conceito manifesto ou fl agrante. O segundo o preconceito sutil, uma nova forma de expresso caracterizada por um discurso camufl ado ou ve-lado que encobre os reais sentimentos e crenas acerca de determinado indivduo ou grupo social, no obstante a sutileza, disfarada de tolerncia perpetua as desigualdades sociais (Fleury & Tor-res, 2010; Lima & Vala, 2004; Silva, 2010).

    Dessa forma, a homofobia consiste em um fenmeno complexo e variado que envolve dis-tintas formas de preconceitos (sutis ou mani-festos) e discriminaes expressas em diversos mbitos sociais, por meio de violncias psicol-gicas (agresses verbais, distines, excluses, restries ou preferncias) e violncias fsicas que anulam e prejudicam o reconhecimento e o exerccio pleno da cidadania por parte da diver-sidade sexual. A gravidade da homofobia no consiste somente nas prticas de violncia fsi-ca, mas tambm nas manifestaes da violncia psicolgica presente nos insultos, nas piadas, na linguagem cotidiana, entre outras manifesta-es que violam direitos humanos bsicos e es-senciais de um indivduo que julgado inferior apenas por sua identidade sexual e/ou de gnero

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    ser contrria s normas sociais impostas de for-ma arbitrria (Borrilo, 2009; Louro, 1997; Rios, 2009).

    Nesse contexto, a manuteno de crenas, opinies, preconceitos e prticas que compem as representaes de educadores/as, reforam as violncias homofbicas perpetradas contra indi-vduos que no se enquadram no convencional, ou seja, no padro heterossexual denominado heteronormatividade (Louro, 2001). Entretanto, as representaes sociais apesar de terem car-ter convencional e prescritivo (Moscovici, 2010) tambm podem possuir carter construtivo que admite reconstrues (Jodelet, 1989/1993), des-sa forma, as representaes sociais podem ser utilizadas para transformar palavras, categorias, assuntos (como a diversidade sexual) em algo familiar e signifi cativo.

    Destaca-se que as representaes sociais podem ser utilizadas para expressar alteridade, lutando pela compreenso, interpretao e cons-truo de um mundo que envolve uma diversi-dade de sujeitos que ocupam o espao pblico. Portanto, surge a necessidade de defender essa vida em comum, que frequentemente ameaa-da por variados tipos de desigualdades, precon-ceitos e outras violncias. Para isso, ressalta-se a extrema relevncia de recuperar o pensamento, a palavra e a construo de saberes sociais, como formas de sustentar a democracia e a cidadania, em que a diversidade de indivduos e grupos so-ciais consiga usufruir plenamente seus direitos sejam sexuais, socioculturais, polticos, entre outros (Jovchelovitch, 2008).

    perceptvel a complexidade do tema homofobia tanto para os/as pesquisadores/as que estudam as violncias na escola, quanto para os/as docentes, visto que envolve educao para a sexualidade, estudos sobre gnero e diversidade sexual, orientao e identidade sexual, bem como incluso/excluso. Portanto, analisar as representaes acerca desse tema um enorme desafi o, levando-se em considerao a amplitude de questes polmicas que o tema engloba, e tambm por ser um assunto to velado na escola (e na sociedade de um modo geral), mas, que ao mesmo tempo apresenta uma diversidade de opi-nies, crenas e conceitos (Koehler, 2009).

    A concepo da heteronormatividade, com-partilhada e (re)produzida pela escola, alm do parco conhecimento sobre as questes que per-passam a homofobia nesse mbito, contribuem para a ocorrncia de preconceitos, discrimina-es e diversas violncias contra homossexuais, bissexuais, transgneros, entre outros. A omis-so de um assunto to importante, que neces-sita ser debatido e abordado no espao escolar, pode ocasionar prticas homofbicas (Cavaleiro, 2009; Louro, 2009).

    Dessa forma, o silenciamento e a negao da homofobia no mbito escolar podem corrobo-rar em prticas de omisses, discriminaes, co-nivncias com as mltiplas formas de violncia cotidianas, que se manifestam pelo afastamento, desprezo e segregao dos indivduos discordan-tes da norma heterossexual hegemnica. Ento, cria-se uma enorme resistncia em demonstrar simpatia com indivduos que possuem orienta-es afetivo-sexuais distintas do padro hete-ronormativo, ou simplesmente que no se en-quadram nos arbitrrios esteretipos de gnero (padro masculino ou feminino binrios criados pela sociedade). Visto que, em geral, para os ho-mofbicos como se a homossexualidade fosse contagiosa, logo, qualquer aproximao pode ser interpretada como uma adeso a tal identida-de ou prtica sexual (Louro, 2000).

    Nesse vis, perceptvel que alm das di-ferenas individuais, a principal infl uncia para o desenvolvimento de preconceitos a possi-bilidade de ter ou no experincias e realizar refl exes acerca de si mesmo e sobre os outros nas relaes sociais, que podem ser facilitadas ou difi cultadas pelas diversas instituies sociais que permeiam os processos de socializao. En-to, as representaes acerca do conhecimento do mundo dependem da qualidade da ao das instituies, como a famlia, escola, mdia, ou seja, da forma como elas tratam e (re)produzem assuntos polmicos, como a diversidade sexual (Chochk, 2006).

    Lima (2011) depreende que, independen-te das estratgias ou medidas empregadas para combater as diversas manifestaes preconceitu-osas, preciso se atentar para a urgncia e com-plexidade dessa tarefa. A interveno necessria

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    ao enfrentamento das discriminaes advindas do preconceito demanda uma articulao de meios, parcerias e aes para evitar que os indi-vduos sejam alijados de determinados direitos e passem por privaes como ter acesso restrito aos recursos materiais e simblicos, somente por possurem uma marca grupal, objetiva ou impin-gida, socioculturalmente desvalorizada. Ou seja, o simples fato de julgar a identidade sexual e/ou de gnero de determinado indivduo j leva criao de esteretipos que culminam em vrias prticas homofbicas.

    Dessa maneira, urgente a necessidade de uma formao inicial e/ou continuada que sensi-bilize os/as docentes para acolher essa diversida-de de sujeitos e adotar estratgias para impedir (ou ao menos reduzir) quaisquer tipos de pre-conceito e discriminao. A escola deve ser um ambiente de refl exo e cidadania, em que preva-leam os direitos humanos (Cavaleiro, 2009) e a formao de cidados/s crticos/as.

    Scardua e Souza (2006) assinalam que a anlise, compreenso e reconstruo das repre-sentaes sociais pode ser um instrumento fun-damental para a descrio e explanao dos sa-beres e conhecimentos socialmente elaborados e difundidos. Sendo assim essenciais para lidar com eventos, assuntos, indivduos e grupos con-siderados estranhos e indefi nidos que no se en-quadram nos padres socioculturais dos grupos mais numerosos, como o caso da homossexu-alidade e de outras identidades sexuais distintas do modelo heteronormativo.

    Dessa forma, enfatiza-se a necessidade de intervenes para que ocorram mudanas nas normas socioculturais e em representaes que reforam as violncias contra LGBT e estimu-lam sentimentos e prticas homofbicas. ne-cessrio questionar e problematizar que histo-ricamente a heterossexualidade tida como a norma ou padro, bem como reconhecer a exis-tncia e a manuteno da homofobia e compre-ender a existncia de distintas relaes sociais que so construdas na prpria escola, apontan-do a importncia de (re)conhecer as mltiplas identidades sexuais e de gnero como parte das profundas mudanas na sociedade. Portanto, o/a educador/a pode ser um/a protagonista fun-

    damental nas relaes da escola, como sujeito ativo, capaz de intervir e transformar (Koehler, 2009) a realidade social, comeando pela re-construo de suas representaes sociais, atra-vs dos processos de ancoragem e objetivao, que permitem a substituio das ideias e crenas preestabelecidas por saberes novos, dinmicos e em favor da diversidade (Jodelet, 1989/1993).

    Por isso, elencar as representaes sociais dos/as docentes acerca da homofobia constitui um caminho promissor para estimular a refl exo e a busca de conhecimentos mais coerentes acer-ca da amplitude dessa violncia que, de modo sutil ou manifesto, ocasiona tantos sofrimentos na vida de jovens que no se enquadram no pa-dro heteronormativo.

    Nesse sentido, este trabalho tem como ob-jetivo: analisar as representaes sociais de edu-cadores/as da educao bsica (ensino funda-mental maior) acerca da homofobia. Para tanto, a pesquisa buscou responder as seguintes ques-tes norteadoras: (a) Quais os principais conte-dos das representaes sociais de educadores/as acerca da Homofobia? (b) Como os conheci-mentos e vivncias dos/as educadores/as anco-ram a homofobia na escola?

    Mtodo

    Essa pesquisa qualitativa foi realizada em uma escola pblica do municpio de Simo Dias (Sergipe). A escolha desse lcus deve-se escas-sez de estudos acerca dessa temtica no interior de Sergipe. Os/as participantes da pesquisa fo-ram sete professores/as do ensino fundamental maior (6 ao 9 ano), das disciplinas de Portu-gus, Matemtica, Cincias, Geografi a, Histria, Ingls e Educao Fsica. Essa escolha justifi ca--se por corresponderem s disciplinas obrigat-rias e que devem abordar os temas transversais de modo interdisciplinar, inclusive a questo da sexualidade e da diversidade sexual.

    Nessa direo, cabe expor os principais da-dos sociodemogrfi cos dos/as docentes partici-pantes, destacando os nomes fi ctcios adotados na pesquisa. A saber: a professora de Portugus, Camila, tem 23 anos de idade, possui experin-cia de mais de 2 anos na educao bsica e sua

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    religio catlica; Roberta graduada em Ma-temtica, tem 41 anos, e experincia docente de 21 anos, tambm catlica; o professor de Cin-cias, Antnio, tem 33 anos e atua na rea da edu-cao h 14 anos, catlico; Lcio, professor de Geografi a, tem 30 anos e atua na profi sso h 3 anos, catlico; a professora de Histria, Claudia tem 49 anos e experincia docente de 23 anos, sua religio evanglica; Samuel, professor de Ingls tem 30 anos, com cerca de 4 anos de atu-ao na rea e catlico; e por fi m a professora de Educao Fsica, Talita, tem 24 anos e atua h 4 anos como docente, catlica

    Vale ressaltar que os/as participantes da pesquisa lecionam em uma escola pblica esta-dual localizada no interior sergipano, porm, a maioria reside na capital do Estado. Embora seja de pequeno porte, a escola A conta com aproxi-madamente 300 alunos/as matriculados/as e um quadro de 15 funcionrios, entre professores/as, equipe diretiva e pessoal de apoio. Nessa escola funciona a modalidade de ensino fundamental menor (3 ao 5 ano) e maior (6 ao 9 ano), e existem na instituio sete docentes licenciados/as nas disciplinas de ensino obrigatrias. A esco-la costuma realizar semanas especiais com pales-tras acerca de temas de interesse dos/as adoles-centes, contudo, ainda no focaliza a questo da diversidade sexual, entre outros motivos devido falta desses temas durante a formao inicial e continuada dos/as docentes, o que contribui para representaes ancoradas em crenas preestabe-lecidas.

    Para coleta de informaes foi elaborado um instrumento constitudo por um question-rio para auxiliar na entrevista semiestruturada, ambos desenvolvidos com base na bibliografi a estudada (Dinis, 2012; Madureira, 2007; Silva, 2010; Tosso, 2012).

    Inicialmente, o projeto foi enviado e apro-vado pelo Comit de tica. Posteriormente, foi solicitada a autorizao das escolas para os/as educadores/as participarem da pesquisa. Os/as docentes assinaram termos de consentimentos livres e esclarecidos, bem como foi aplicado um questionrio com questes abertas e fechadas so-bre homofobia na escola e, em seguida, realiza-das as entrevistas semiestruturadas.

    Empregou-se a anlise de contedo catego-rial temtica para analisar as informaes obti-das. Desse modo, foram discriminadas as uni-dades de sentido do texto, ou seja, as principais opinies, crenas e tendncias encontradas nas respostas dos questionrios e das entrevistas, e posteriormente, essas unidades foram agrupadas em categorias de anlise (Bardin, 2011) facili-tando a compreenso das principais representa-es dos/as educadores/as acerca da homofobia na escola.

    De modo sinttico, pode-se dizer que anlise categorial temtica, feita aps a transcrio inte-gral dos questionrios e das entrevistas, comea com a diviso do texto em alguns temas prin-cipais. Aps, a delimitao dos temas, busca-se determinar as caractersticas associadas ao tema central, visando extrair os signifi cados associa-dos a cada tema (Bardin, 2011). E desse modo, foram delimitadas as categorias que permitem descrever os principais resultados da pesquisa.

    Resultados e Discusso

    Os resultados obtidos foram agrupados em duas categorias: Representaes acerca da Homofobia: o que dizem os/as docentes?, que engloba as principais crenas e opinies que constituem os contedos das representaes dos/as docentes acerca da homofobia; e Homofo-bia no Espao Escolar: vivncias de educado-res/as, que inclui as principais vivncias dos/as educadores/as acerca da homofobia na escola.

    Representaes Acerca da Homofobia: O que Dizem os/as Docentes?

    As representaes dos/as docentes acerca da homofobia evidenciaram contradies, pois apesar do desconhecimento acerca da amplitude dessa violncia, revelaram algumas concepes mais amplas e outras reducionistas. As respos-tas reduzem a homofobia apenas averso ou preconceito contra os homossexuais, o que pode ser compreendido pelo entendimento literal do termo e pela falta de conhecimentos acerca des-ses temas durante a graduao ou na ausncia de formao continuada. As seguintes unidades te-mticas mostram as principais concepes dos/

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    as educadores/as acerca do conceito de homo-fobia:

    Averso a homossexuais (Prof. Roberta).Medo de assumir o que realmente possa ser, devido ao preconceito da famlia e da prpria sociedade (Prof. Antnio).Prtica de intolerncia contra pessoas (Prof. Lcio).Preconceito contra homossexuais, averso ou discriminao seja de formas sutis ou no (Prof. Claudia).Medo do semelhante, atualmente termo usa-do para descrever o preconceito e a violn-cia contra os homossexuais (Prof. Samuel). uma averso aos homossexuais (Prof. Talita). necessrio esclarecer que embora o

    conceito de homofobia tenha sido empregado inicialmente para se referir a um conjunto de emoes negativas (averso, desprezo, dio ou medo) em relao homossexualidade, essa noo foi alargada para englobar as mltiplas faces da violncia homofbica. Ao superar o entendimento limitado e centrado exclusivamen-te nos sentimentos e atitudes de indivduos, co-mea-se a pensar o enfrentamento da homofobia a partir de medidas e polticas pblicas que pro-movam mudanas signifi cativas nas instituies, como a escola. Assim, a homofobia representa-da como um fenmeno psicolgico e social que est ancorada nas complexas relaes estabeleci-das entre uma estrutura psquica e uma organiza-o social normativa que considera a heterosse-xualidade como ideal no campo afetivo-sexual. No mbito social e escolar, outras manifestaes insidiosas exercem suas violncias cotidiana-mente (como nos insultos, piadas e ironias), pois esta outra face da homofobia, mais eufemstica e de cunho social, ancora-se na atitude de desdm constitutiva de uma forma habitual de aprender e de categorizar o outro (Borrilo, 2009, 2010; Jun-queira, 2009), ou seja, uma forma normatizante de representar as diferenas de modo hierrquico e assimtrico, no caso da diversidade sexual.

    As representaes dos/as docentes denotam um conjunto de pensamentos, crenas e ideias pr-estabelecidas em torno da homofobia, ou seja, marcante a presena de normatizaes

    em torno desse conceito. O que confi rma que as representaes constituem um fenmeno psi-cossocial que est ancorado tanto na esfera p-blica quanto nos processos que possibilitam aos indivduos construir suas identidades, criando smbolos e se abrindo para a diversidade atra-vs dos ncleos positivos de transformao que decorrem da efetiva objetivao do conhecimen-to novo, ou em contraponto ancoram-se em ncleos resistentes compreenso da realidade alm das normas. desse modo que a viso dos grupos sociais acerca de determinado objeto (nesse caso a homofobia) expressam as contra-dies em que foram produzidas (Jovchelovitch, 2008; Minayo, 2008).

    Nas entrevistas, quando indagados/as acer-ca de suas concepes, vivncias e prticas acer-ca da diversidade sexual e da homofobia, os/as docentes revelaram as seguintes concepes, opinies e crenas acerca da homofobia:

    o preconceito, n que se tem contra o ho-mossexualismo, n aquela averso que as pes-soas tm contra a prtica do homossexualismo e que... (Prof. Claudia).

    A homofobia complicado porque uma coisa que nos deparamos diariamente na so-ciedade, n? O preconceito com as pessoas homossexuais... Porque eu sou catlica e con-cordo em eles adotarem um fi lho, porm no concordo que eles casem . . . (Prof. Camila)Ento, eu acho que a homofobia . . . um preconceito como outro mesmo qualquer. . . . porque a gente tem agresses a negros, aos nordestinos, bem como homossexuais (Prof. Samuel).Homofobia quando uma pessoa rejeita n, tem uma averso questo dos homos-sexuais (Prof. Talita).Homofobia, na verdade so pessoas que se sentem incomodadas com essas pessoas que tem uma condio de vida diferente daquilo que prega a sociedade, n? Um sujeito que no gosta de estar em lugares que tenham esse tipo ... essas pessoas que tem uma op-o sexual diferente da deles. (Prof. Lcio)Os discursos acima englobam as represen-

    taes reducionistas acerca da homofobia, que foram apreendidas tambm nos questionrios,

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    visto que, de um modo geral, a maioria dos/as educadores/as compreendem a homofobia so-mente na dimenso do preconceito, averso e rejeio aos homossexuais. visvel que a ideia literal do termo homofobia ainda prevalece de-vido falta de informaes atualizadas acerca de um tema to relevante para o mbito escolar. Em decorrncia do desconhecimento, o uso de termos inadequados (homossexualismo, con-dio, opo sexual) foi recorrente nas falas dos/as docentes. Alm disso, a infl uncia da re-ligio tambm pde ser vislumbrada nas repre-sentaes.

    Apesar da mudana de tom, subsiste a ho-mofobia enraizada nas crenas e dogmas religio-sos, contudo, ao invs de lanar os sodomitas na fogueira, agora, sob o vis do preconceito sutil, a homofobia cognitiva e a liberal preconizam a complacncia, compaixo e a tolerncia, para que na melhor das hipteses os/as homossexuais (e outros que fogem s normas) sejam curados/as ou possam viver na abstinncia. Assim, a hostilidade da Igreja e de outras instncias so-ciais (inclusive a escola) acerca da diversidade sexual , atualmente, muito mais sutil, visto que as prticas homofbicas no se referem somente condenao ou rejeio dos/as homossexuais, mas promovem o indiferencialismo subjacente ao liberalismo contemporneo (Borrilo, 2010). Isso caracteriza a homofobia cognitiva ou so-cial a qual, apesar de incentivar a tolerncia e o respeito, no problematiza a marginalizao da diversidade e muito menos se incomoda com a manuteno das diferenas de direitos humanos. De modo semelhante, a homofobia liberal envol-ve uma forma de privao da liberdade de ex-presso sexual no espao pblico (Borrilo, 2009; Tosso, 2012).

    Nesse sentido, destaca-se a homofobia libe-ral que engloba o preconceito sutil, camufl ado, velado, e caracterizada pela aceitao aparente das pessoas homossexuais, pois permite-se sua existncia desde que no manifestem as caracte-rsticas e comportamentos contrrios s normas sexuais e de gnero no espao pblico. Assim, a tolerncia diversidade sexual reitera a manu-teno da norma (Borrilo, 2009; Tosso, 2012), pois, como assevera Furlani (2009), a tolerncia

    pressupe uma hierarquizao entre quem tolera e quem tolerado e no resulta em garantia de direitos e incluso.

    O preconceito sutil constitui uma forma de expresso dos julgamentos antecipados que pode ser considerada o produto da propagao de uma cultura igualitria (Fleury & Torres, 2010). Dessa maneira, entende-se que: . . . O fe-nmeno se adequou a novos valores, novas ide-ologias, novas normas sociais, produzindo uma nova modalidade de pensamento e expresso do preconceito que atende a essa nova realidade (Fleury & Torres, 2010, p. 79).

    justamente porque quase ningum admite ter preconceitos que, com frequncia, ouvimos as pessoas dizerem: No tenho preconceito, mas no gosto de homossexuais. O que eviden-cia contradies, pois embora quase ningum as-suma ter preconceitos, j que esse termo remete a ignorncia e a intolerncia, os discursos reve-lam os pr-julgamentos, ainda que expressos de modo sutil ou latente (Fleury & Torres, 2010).

    Em contraponto, quando os/as educadores/as foram indagados/as se a homofobia deve ser considerada crime, 100% afi rmaram que sim, justifi cando, de um modo geral, que esta cons-titui uma forma de preconceito e discriminao que causa sofrimentos fsicos e psicolgicos aos indivduos no heterossexuais.

    Sim. Pois devido termos uma sociedade muito preconceituosa, faz com que evite o mximo esse tipo de atitude (Prof. Ant-nio).Sim. Pois devemos respeitar todos inde-pendente da orientao sexual (Prof. Ca-mila). Sim, todo atentado vida humana, tem que ser considerado crime (Prof. Lcio).Acho que qualquer forma de discrimi-nao e preconceito, se extrapolada com violncia fsica ou psicolgica e que cause constrangimento a vtima, deve ser crime (Prof. Samuel).Sim, j que temos livre arbtrio para esco-lher o que queremos ser, isso tem que ser respeitado (Prof. Roberta).Sim. A liberdade do homem algo sagrado e essencial, para a vida ningum tem o di-

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    reito de interferi na escolha do outro, usan-do da violncia seja fsica ou psicolgica (Prof. Claudia).Sim, porque ningum tem o direito de agredir uma pessoa por causa da sua esco-lha sexual (Prof. Talita).A homofobia envolve diferentes prticas de

    preconceito e discriminao manifestadas em diversos mbitos sociais, por meio de segrega-es, desigualdades e privaes que prejudicam o reconhecimento e o exerccio pleno da cidada-nia por parte da diversidade sexual. Portanto, inegvel que a homofobia representa um ato vio-lento e criminoso no somente quando envolve agresses fsicas, mas tambm medida que vio-la direitos sexuais e humanos de um indivduo julgado inferior apenas por sua identidade sexu-al ser divergente das normas sociais impostas de modo arbitrrio (Borrilo, 2009; Rios, 2009).

    Em face do desconhecimento e/ou precarie-dade da formao inicial e continuada de docen-tes diante da complexidade da homofobia, urge intervir nessa realidade a fi m de superar o siln-cio e a negao em torno desse assunto polmi-co que abriga uma gama de crenas, opinies e conceitos tanto no discurso acadmico quanto no senso comum (Koehler, 2009; Louro, 1997).

    Homofobia no Espao Escolar: Vivncias de Educadores/as

    Acerca das vivncias e prticas relativas homofobia na escola, os/as docentes revelaram ter presenciado situaes de preconceitos e, so-bretudo agresses psicolgicas. No entanto, perceptvel que alguns/mas professores/as ainda no entendem a gravidade dos insultos e apeli-dos pejorativos. A agresso fsica reconhecida como uma forma grave de homofobia, contudo, por vezes os/as docentes banalizam as violn-cias verbais e psicolgicas e, em alguns casos at participam das agresses preconceituosas, consideradas por eles/as brincadeirinhas. Foi ressaltada a infl uncia da formao sociocultural tradicionalista na ocorrncia e manuteno da homofobia e de outras formas de preconceitos que permeiam a sociedade e o ambiente esco-lar, dessa forma tais prticas de homofobia sutil ocasionam graves consequncias na vida de jo-

    vens que diferem do padro heterossexual. Tais representaes podem ser notadas nos discursos abaixo:

    . . . j vi insultos, humilhaes j me deparei com essas situaes diariamente. Em questo de diversidade sexual, a homo-fobia e o preconceito, que nos deparamos diariamente com a sociedade, infelizmente (Prof. Camila).A gente sempre presencia, n? ... um assunto que a gente acaba, s vezes, brin-cando, n? Entre aspas. Mas sempre tem o preconceito por trs. At, at eu mesmo, s vezes, brinco (Prof. Samuel).. . . na escola. No, assim mais brigas, n? Assim, eu no prestava muita ateno, mas chamava, n? Normal, bicha, no sei o que, a ele revidava (Prof. Lcio).[Casos] de homofobia no. A gente v, . . . s vezes os coleguinhas: Ah, viado! isso, aquilo..., mas algum caso espordi-co, um ou outro, intervm... Em sala de aula, durante o intervalo, n? (Prof. Roberta).. . . As piadinhas sempre existem, n por-que nem precisa ele saber que realmente a pessoa assumida, se ele... de vez em quan-do com algum professor, a a gente ... por longe voc percebe aquelas piadinhas, n? . . . Que ainda existe n, a gente sabe que o preconceito ainda existe, de forma sutil, mas existe! (Prof. Claudia) Embora a homofobia constitua uma violn-

    cia psicolgica e social, a maioria das pessoas ainda no a representa como tal. Contudo, deve--se atentar que quando tais violncias so inte-riorizadas sob a forma de injrias, afi rmaes desdenhosas, insultos, condenaes morais ou atitudes compassivas ocasionam graves conse-quncias na vida de jovens no heterossexuais. Pois, estes para evitar os preconceitos acabam tendo que lutar contra seus desejos, tentando re-jeitar sua prpria sexualidade, e ento, experien-ciam sofrimentos, como sentimentos de culpa, ansiedade, vergonha, depresso, o que os leva excluso social e em alguns casos at ao suic-dio. Desse modo, a interao entre os aspectos psicolgicos e sociais deve ser questionada para se compreender melhor os elementos constantes

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    que facilitam, estimulam ou banalizam a homo-fobia (Borrilo, 2010).

    Ainda com relao s violncias homofbi-cas manifestadas no cenrio escolar, os/as pro-fessores/as relataram as seguintes ocorrncias que salientam a presena do bullying homof-bico ocasionado, na maioria dos casos, pelo pre-conceito sutil.

    E eu vi inmeras vezes causando a questo de constrangimento com a questo dos co-legas, brigas, intrigas verbais entre ambas as partes, agresses mesmo com palavres e tudo (Prof. Antnio).. . . a gente sempre presencia os prprios colegas, os prprios meninos. Mangando, n. Fazendo bullying com os colegas, s pelo fato de ele parecer ser homossexual, porque na verdade quando crianas no so homossexuais ainda, n? Mas pelo jei-to, pelas atitudes. (Prof. Samuel). . . a eu tinha um aluno, que por sinal ele tinha sido meu aluno desde a segunda srie, E... a voc percebia no por parte dos co-legas, mas... assim... pessoas de outras tur-mas, que tinha sim aquela presso, alm do bullying que fazia, voc percebia que tinha pessoas que se afastavam, que criticavam. (Prof. Claudia). . . E a prtica assim dentro da escola, es-sas brincadeiras, que eu acho que so pio-res at do que s vezes at uma agresso f-sica que machuca, mas depois cicatriza com o tempo, mas a verbal que a palavra em si, pro resto da vida n fi ca na sua conscincia. (Prof. Talita)O bullying homofbico constitui os precon-

    ceitos, discriminaes e agresses verbais que so manifestados na escola contra alunos/as no heterossexuais ou que fogem aos esteretipos de gnero. Destarte, salienta-se que uma das faces do preconceito resultante do processo de so-cializao que impe normas acerca dos papeis e caractersticas de cada indivduo. Existem vrias nuances de preconceito (nesses casos, sexuais), que podem ser expressas, de forma mais eviden-te atravs da rejeio e discriminao direta, ou de modo sutil, representada por violncias psi-colgicas caracterizadas pela no aceitao da

    diversidade sexual e por atitudes preconceituo-sas, tais como apelidos pejorativos, piadinhas, que podem ser denominadas Homofobia indireta (Borrilo, 2009; Chochk, 2006; Rios, 2009; Sil-va, 2010).

    De modo contraditrio, as representaes dos/as professores/as acabam sinalizando a am-plitude da homofobia. Visto que, as prticas ho-mofbicas envolvem desde as discriminaes diretas e intencionais que remetem rejeio dos indivduos no enquadrados na heteronor-matividade, caracterizando tambm a homofo-bia psicolgica, at as discriminaes indiretas ou no intencionais que podem ser representa-das pela homofobia cognitiva ou social. Porm, independente de suas facetas, a homofobia con-siste em um fenmeno individual e sociocultural complexo que engloba preconceitos e discrimi-naes contra sujeitos com identidades sexuais e de gnero no normativas e, portanto, sempre ocasiona a violao de direitos humanos funda-mentais, tais como respeito, igualdade, liberdade de expresso, entre outros (Borrilo, 2009; Rios, 2009; Rodrigues, 2011).

    Visto que: . . . semelhana de qualquer outra forma de intolerncia, a homofobia articula--se em torno de emoes (crenas, preconceitos, convices, fantasmas...), de condutas (atos, pr-ticas, procedimentos, leis...) e de um dispositivo ideolgico (teorias, mitos, doutrinas, argumentos de autoridade...) (Borrilo, 2010, pp. 34-35).

    Assim, pode-se notar que a homofobia . . . est to arraigada na educao que, para super--la, impe-se um verdadeiro exerccio de des-construo de nossas categorias cognitivas . . . (Borrilo, 2010, p. 87). Para tanto, pode-se partir da promoo de conhecimentos que levem ao questionamento dessa violncia e a reconstruo dos saberes e prticas que compem as represen-taes dos/as docentes.

    Consideraes Finais

    Pde-se notar que a homofobia um fen-meno complexo e, portanto, no possui somente uma causa, visto que suas variadas prticas (di-retas ou indiretas) so ocasionadas, reforadas e mantidas por diversos fatores histricos e socio-

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    culturais fundamentados, sobretudo, em crenas, mitos, tabus e preconceitos em torno da sexua-lidade e do gnero que insistem em conservar o modelo heterossexual como hegemnico.

    Desse modo, as representaes dos/as do-centes acerca da homofobia esto aliceradas em diversas normatizaes que compem a re-alidade social, e quando aceitas sem questionar ou problematizar podem fomentar preconceitos e discriminaes contra a diversidade sexual.

    A formao docente inicial e continuada pode possibilitar estudos sistemticos, crticos e conhecimentos abrangentes acerca das temticas sexualidade, diversidade sexual, gnero e homo-fobia. E assim, contribuir de modo signifi cativo com a desconstruo de representaes ancora-das em preconceitos e esteretipos, permitindo transformaes cognitivas e sociais que promo-vam o (re)conhecimento da pluralidade de indi-vduos que perpassa o mbito escolar, bem como a criao de estratgias para o enfrentamento de todas as formas de homofobia.

    Ademais, esse estudo evidencia a necessi-dade de mais pesquisas nesse campo, que edu-cadores/as e pesquisadores/as de diversas reas se interessem por essas temticas, busquem (in)formaes signifi cativas que auxiliem no com-bate homofobia (re)produzida no espao es-colar. Enfatiza-se a extrema relevncia de haver uma avaliao da formao docente com relao sexualidade e gnero considerando a comple-xidade de elementos que os constituem. Ade-mais, destaca-se a necessidade de investimento em aes signifi cativas, como a reformulao do currculo das licenciaturas, com a incluso dessas temticas (a exemplo do que j ocorreu na Universidade Federal de Sergipe no curso de Biologia) e intervenes nas escolas que possi-bilitem a insero das temticas relativas di-versidade sexual e a desconstruo das prticas homofbicas.

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    Recebido: 14/03/20141 reviso: 14/07/2014

    Aceite fi nal: 08/08/2014