escola sem homofobia

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Escola Padre Reus Projeto Escola sem homofobia Gênero e sexualidade: Temas para a análise Me. Juliana Ribeiro de Vargas PPGEDU/UFRGS/NECCSO

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  • Escola Padre ReusProjeto Escola sem homofobiaMe. Juliana Ribeiro de Vargas PPGEDU/UFRGS/NECCSO

  • Imagens que falam por si...O que falamos sobre elas?

  • O que estas imagens fazem pensar?

  • Jeffrey Weeks observa que a sexualidade, embora tendo como suporte um corpo biolgico, deve ser vista como uma construo social, uma inveno histrica, pois o sentido e o peso que lhe atribudo so modelados em situaes sociais concretas. A sexualidade tida como a verdade definitiva sobre ns mesmos e sobre nossos corpos: ao invs disso, ela nos diz algo mais sobre a verdade da nossa cultura. (FELIPE, 1995)

  • Segundo Louro (2001), a sexualidade tem a ver com a forma como socialmente vivemos nossos prazeres e desejos, com a forma como usamos nossos corpos. Ento, homens e mulheres no deixam de ser masculinos ou femininos por exercerem sua sexualidade com parceiros do mesmo sexo. H muitas formas de masculinidade e feminilidade, mas a sociedade reproduz e mantm apenas uma forma de cada um como normal.

  • Marcos legais Secretaria de Educao Continuada, Alfabetizao, Diversidade e Incluso (SECADI) em articulao com os sistemas de ensino implementa polticas educacionais nas reas de alfabetizao e educao de jovens e adultos, educao ambiental, educao em direitos humanos, educao especial, do campo, escolar indgena, quilombola e educao para as relaes tnico-raciais.

  • O objetivo da SECADI contribuir para o desenvolvimento inclusivo dos sistemas de ensino, voltado a valorizao das diferenas e da diversidade, a promoo da educao inclusiva, dos direitos humanos e da sustentabilidade socioambiental visando a efetivao de polticas pblicas.

  • A escola e, em particular, a sala de aula, um lugar privilegiado para se promover a cultura de reconhecimento da pluralidade das identidades e dos comportamentos relativos a diferenas. De que forma?

  • Discutindo e fazendo gneroSegundo Gaby Weiner (1999), grande parte das pessoas relaciona o termo feminismo revoluo cultural ocorrida no mundo ocidental entre as dcadas de 1960 e 1970 do sculo XX. Explica Weiner (1999, p.80): Derivado do latim femina (mulher), inicialmente, feminismo significava ter a qualidade de mulher, comeando a ser utilizado no sentido de igualdade sexual durante a dcada de 1890.

  • A compreenso sobre o que provocou (e ainda provoca) a subordinao das mulheres e a situao de dominao apresentada por Weiner (1999) como condio balizadora para a organizao do feminismo moderno. Segundo autoras como Louro (1997a) e Meyer (2003), o movimento feminista apresenta perodos diversificados, em que os objetivos eram diferenciados. Esses perodos so conhecidos como ondas do feminismo.

    1 Onda - Sculo XIX e primeiras dcadas do sculo XX2 Onda - Metade do sculo XX

  • A partir da segunda metade da dcada de 1990, um nmero considervel de campanhas foi realizado pelo movimento LGBT e outras entidades da sociedade civil ambas com o apoio do Programa Nacional DST e Aids e de secretarias estaduais e municipais de sade e educao de todo o Pas. Porm, mesmo procurando situar o discurso no terreno da cidadania, essas inmeras e variadas iniciativas tendiam a continuar na preveno da Aids e de doenas sexualmente transmissveis como seu foco principal.

  • O Ministrio da Educao, em 1996, incluiu a sexualidade, como tema transversal, nos Parmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental (BRASIL/SEF, 1998). No entanto, o discurso institucional que poderia ensejar o alargamento e o aprofundamento do debate em termos crticos e inovadores, ainda gravitava em torno de preocupaes de combate Aids e DSTs.ORIENTAO SEXUAL

  • Dada a multiplicidade e variao da sexualidade humana, no se pode afirmar que haja alguma escolha mais natural ou normal do que outra, pior, melhor, superior ou inferior (SOUSA FILHO, 2003). Como nos lembra Jurandir Freire Costa: No existe, na perspectiva psicanaltica, nenhuma sexualidade humana estvel, dada, natural ou adequada a todos os sujeitos. (COSTA, 1992: 145).

  • Falar de assuno de qualquer identidade sexual (hetero, homo ou bissexual) e atribuir a esse processo um carter essencialista to simplificador e alienante quanto qualquer outra que prefere pensar as orientaes sexuais como realidades fixas [...] Equivale tambm a conferir invisibilidade a um universo muito mais pluralizado, mltiplo e dinmico do que os termos heterossexual ou homossexual tendem a supor.

  • Se faz presente uma construo sociocultural da feminilidade pautada por caractersticas tais como: conteno, discrio, doura e passividade.

    Michelle Perrot (2003)MENINAS

  • Algumas meninas da turma da quinta srie usam roupas largas e em tons escuros. Usam tambm bons, seus cabelos esto sempre presos e nunca passam batom. Tais meninas tambm so excelentes jogadoras de futebol. Como tais meninas deveriam ir para a escola?

  • Conceito de gnero como ferramenta analtica

    Discursos histricos atravessados na constituio de uma identidade naturalmente feminina.Juliana Ribeiro de Vargas - UFRGS/ NECCSO

  • Uma construo do ser aluna A mulher tal como deve ser, principalmente a jovem casadoura, deve mostrar comedimento nos gestos, nos olhares, na expresso da emoes, as quais no deixar transparecer, seno, com plena conscincia.Michele Perrot (2003)

  • EMLIOLivro V - Sofia ou a mulherToda a educao das mulheres deve ser relativa aos homens. Agradar-lhes, ser-lhes teis, fazer-se amar e honrar por eles, educ-los quando jovens, cuidar deles quando adultos, aconselh-los, consol-los, tornar-lhes a vida agradvel e doce, eis os deveres das mulheres em todos os tempos.(Rousseau, 1995, p.502)

  • As crianas de ambos os sexos tm muitas diverses comuns, e assim dever ser; o mesmo no acontece quando crescem? Tm tambm gostos prprios que as distinguem. Os meninos procuram o movimento e o barulho: tambores, pies, pequenas carruagens; as meninas preferem o que vistoso e serve de enfeite: espelhos, jias, panos e principalmente bonecas; a boneca a diverso especial deste sexo; eis de modo bastante evidente seu gosto determinado por sua destinao. (Rousseau, 1995, p.506)

  • Fraga (2000, p.91)A partir de discursos histricos difundidos, principalmente nas sociedades ocidentais, organiza-se um iderio sobre a infncia feminina.

  • PiercingsTatuagens com a lmina do apontadorViva a vida loucamente, fique com um guri diariamenteHomem que nem lata, uma chuta a outra cataConflitos violentos

  • Meninas 100% - As marcas identitrias

    P: E por que isso, assim: 100% alguma coisa. A.100% P? Por que essas siglas? Por que o 100%?K: 100%? uma coisa... Eu no sei!T: 100% 100%.P: Onde vocs vem isso? Onde vocs aprendem isso?Gurias: Dos outros. Do colgio.Modos de ser menina na contemporaneidade100% S.T.A. Paula y A. M. E.

  • Era importante deixar uma marca da gente

    As meninas demonstravam sua condio de pertencimento a um grupo de sujeitos: o grupo das meninas solteiras, o grupo das pessoas residentes em determinado local.

  • A aula frau! Rotinas escolares das meninas

    Comportamentos na sala de aula, no recreio e tambm nos momentos de entrada e sada das alunas na escola.

    Importncia do grupo de convivncia.Desnaturalizao de questes de gnero.

    Brincadeira continente

  • P: Uma vez, eu vi uma professora falando... As gurias estavam brincando de continente. Acho que no eram vocs...B: Eu estava! E mais essas trs ali... Continente... No podia sentar sem falar continente, seno levava soco.P: Tu levaste soco?B: Eu tomei bastante...V: Tomei dois...P: Agora parou o continente?Gurias: Parou!P: Por que parou?D: A gente conversou. A gente concluiu que, assim, se todo mundo sasse, no precisava uma levar soco. E todo mundo concordou que sasse e no levava soco.B: Estava todo mundo saindo roxo no final das contas...

  • S depois que buscar meu sobrinho! Organizaes do cotidiano

    L: Porque sim. Para eu ter o futuro do meu filho, quando eu crescer, e no depender de marido.P: Por qu?L: Porque sim, sora. Porque, depois, tudo o que o marido der para ti, der para teu filho, vai ficar te jogando na cara depois.P: Tu achas que importante uma mulher trabalhar?J: Claro! Para ter o dinheiro dela e no depender dos outros!B: O, sora, a gente gosta de trabalhar porque, depois, tudo que o marido d fica esfregando na cara da gente.

  • Se eu achar o guri bonito, eu chego! O protagonismo das meninas em seus relacionamentos

    B: Ontem, eu mandei uma carta pro D., da 62, dizendo que eu queria ficar com ele.P: Tu mandaste a carta?B: Sim, da, primeiro, ele disse que no [...]. A, depois. ele falou com a P. que queria ficar comigo. Da, a gente subiu l pra cima [2 piso de prdio] e a gente ficou.P: O que tu escreveste na carta?B: Eu escrevi que eu queria ficar com ele e que, se ele quisesse, era para mandar uma carta pela P. No te apega! Os afetos contemporneos

  • P: E pode fazer outras coisas alm de namorar?Gurias: No, no!P: Por que no?V: Porque no! A gente muito nova!B: Depois d encrenca... Da, tem que ficar cuidando de filho. No eras na nossa idade.V: A gente no tem idade [...]. Depois, nas festas, tem ficar cuidando de criana.B: A gente perde de ir s baladas para ficar cuidando de nen, embalando nen. Ningum merece!

    A primeira vez...

  • P: O que acontece se o guri fica contigo um dia (para L.) e depois fica com a J. no outro dia?J: J aconteceu!P: E a? O que aconteceu?L: Nada! Pacincia!P: Tu vais deixar de ser amiga dela?J. e L: No!

  • L: Foi ele que quis!P: E tu ficarias com ele de novo?L: No, n, sora!T: que tem, assim... a escolha de cada uma que conta! A escolha foi dele! Ele sabia que as duas eram bem amigas.J: Mas [ele] sabia tambm que a gente no ia brigar.P: Uma vez, a T. me disse assim: Homem que nem lata, sora! Uma chuta, a outra cata! Gurias: ... Isso a verdade!P: O que vocs acham disso?J: Por exemplo: ela foi l, chutou o guri... Eu fui l e catei ele!T: a nossa liberdade.

  • Barraqueira, eu sei que sou! Relatos de violncia

    Muitas vezes, era atravs do envolvimento em conflitos que as meninas conquistavam posies de maior ou menor valorizao frente aos seus colegas.

    A menina vencedora de uma briga parecia ser vista e narrada pelos demais como forte, corajosa, esperta.

  • Reconhecimento dos demaisP: E uma guria que briga muito... Como que ela vista?

    T: Ela deixa a cara da pessoa sangrando.

    J: Ela d de soco, d rasteira. Senta em cima...

    P: O que os outros vo achar desta guria?

    T: timo, porque todo mundo fica folgando se a pessoa apanha.

    P: Eles vo querer namorar uma guria assim?

    Gurias: Vo! [sim]

  • Motivaes

  • Calma e tolerncia - sentimentos menosprezadosEm termos de enfrentamento e relaes entre sujeitos da mesma classe ou de classes sociais diferenciadas, percebe-se um processo de incivilidade, de incapacidade de negociar e de exercer compaixo, empatia, tolerncia. Isto , de identificar-se e colocar-se no lugar do outro, desprezando o princpio da alteridade.

    (Rodrigues e outros, 2002, p. 41)

  • Para pensar... As meninas que no apresentavam comportamentos prximos de uma representao de infncia feminina eram narradas como briguentas, assanhadas, atiradas, entre outros adjetivos.

    [...] no que minha conduta derive do que sou, mas os atributos que me caracterizam derivam de minha conduta. (Larrosa,1996, p. 470)

  • Certamente, essa compreenso de natural, muitas vezes compartilhada na escola, exclui o carter de construo das identidades sociais, da multiplicidade, da provisoriedade e da contingncia do humano [...]. Meyer (et al, 2007)

  • possvel pensar que...

    Em tempos de hipermodernidade (Lipovetsky, 2000), as posies de gnero se reorganizam. preciso que estejamos atentos a essas novas configuraes.

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