42286793 eliphas levi as origens da cabala

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  • As Origens da Cabala

    Eliphas Levi

    O LIVRO DOS ESPLENDORES, O SOL JUDAICO, A GLRIA CRIST E A ESTRELA FLAMEJANTE.

    Estudo acerca das origens da Cabala com investigaes sobre os mistrios da franco-maonaria, seguidos da

    Profisso de f e de elementos da Cabala.

    NDICE

    APRESENTAO ..................................................................................................................................................... 1 PREFCIO.................................................................................................................................................................. 1 PRIMEIRA PARTE - O IDRA-SUTA OU O GRANDE SlNODO.................................................................... 3 DETALHES RELATIVOS GRANDE BARBA BRANCA................................................................................. 9 SEGUNDA PARTE - A GLRIA CRIST..........................................................................................................19 A LENDA DE KRISHNA - EXTRATO DO BHAGAVADAM, LIVRO CANNICO HINDU ...................24 TERCEIRA PARTE - A ESTRELA FLAMEJANTE..........................................................................................27 LENDAS MANICAS EXTRAIDAS DE UM RITUAL MANUSCRITO DO SCULO VIII ...............27 BAPHOMET 1..........................................................................................................................................................34 PROFISSO DE F 1 ...........................................................................................................................................36 OS ELEMENTOS DA CABALA...........................................................................................................................37 APNDICE ..............................................................................................................................................................44

    APRESENTAO Geralmente se entende por Cabala a sabedoria oculta dos rabinos judeus da Idade Mdia; esta, porm, apenas uma de suas ramificaes ou a maneira hebraica de interpretar a verdadeira Cabala. Segundo alguns autores, a origem desta' cincia remonta aos antigos caldeus, donde a teriam derivado os judeus durante o seu cativeiro em Babilnia, adaptando-a interpretao esotrica de suas escrituras e das alegorias bblicas. Todavia, outros autores lhe atribuem uma origem muito mais antiga que a dos prprios caldeus. Alm dessa Cabala terica, criou-se um ramo prtico relacionado com as letras hebraicas, como representaes ao mesmo tempo de sons, nmeros e idias. particularmente desse ramo que trata o autor desta obra elementar, acrescida de algumas lendas manicas, bblicas e relativas vida de Shri Krishna, considerado na ndia um Avatar Divino. Finaliza-a um apndice comentando a Siphira Dzeniuta ou "O Livro de Ouro", compilado por seus dois tradutores.

    PREFCIO O judasmo a mais antiga, a mais racional e a mais verdadeira das religies. Jesus, que se propunha reformar o judasmo, no aconselhou seus discpulos a abandon-lo. A reforma de Jesus, no tendo sido aceita pelos chefes da Sinagoga, cuja legtima autoridade nunca foi contestada pelo chefe dos cristos, foi uma espcie de heresia que invadiu o mundo inteiro. 1

  • Maltratados inicialmente pelos judeus, os cristos, quando se tornaram mais fortes, proscreveram e perseguiram os judeus com o mais vergonhoso e baixo encarniamento. Queimaram-Ihes os livros em lugar de estud-los e a preciosa filosofia dos hebreus est perdida para o mundo cristo. Os apstolos, todavia, pressentiram que o sacerdcio dos gentios duraria pouco tempo ou que a nova f se debilitaria com o correr do tempo. Diziam ento: a salvao nos chegar de Israel e a grande revoluo religiosa que nos aproxima de nossos pais ser como um passo da morte para a vida. Os hebreus possuem uma cincia cuja existncia era suspeitada por So Paulo, embora este no a conhecesse, e que So Joo, iniciado por Jesus, ocultava e revelava ao mesmo tempo com os imensos hierglifos no Apocalipse, tomados em sua maior parte das profecias de Ezequiel. Existe entre eles um livro mstico e maravilhoso que se chama Zohar ou Esplendor. Livro imenso, mais importante que o Talmude, que somente o desenvolvimento de uma teogonia em algumas pginas, que se denomina Siphra Dzeniuta. Neste livro, tal qual nos trouxe Guilherme PosteI, do Oriente, apresentamos o magnfico comentrio do rabi Schimeon Ben-Jochai * e juntamos a ele as principais lendas da tradio manica, tiradas em sua totalidade da cabala dos hebreus. O templo de Salomo era, com efeito, um edifcio todo simblico. Seu plano, sua construo, seus ornamentos, suas bases representavam a sntese de todas as cincias. Era o universo, era a filosofia, era o cu. Salomo havia concebido o plano, Hiram o havia executado com elevada inteligncia, os diretores dos trabalhos tinham a cincia dos detalhes, os trabalhadores executavam fielmente os planos dos mestres. Esta hierarquia to racional e to precisa tomada na maonaria como modelo da sociedade perfeita. A maonaria o judasmo ecltico e independente. Os franco-maons querem reedificar o templo, isto , reconstruir a sociedade primitiva sobre as bases da hierarquia inteligente e da iniciao progressiva, sem experimentar os entraves dos sacerdotes e reis, e por isso chamam a si mesmos de franco-maons, isto , construtores livres. A publicao desta obra far que se compreenda a desconfiana com que os sacerdotes catlicos olham a maonaria, que o judasmo reformado de acordo com o pensamento de Jesus e de seu apstolo Joo, o Evangelista, cuja revelao cabalstica referiu-se sempre ao evangelho do cristianismo oculto e das escolas do gnosticismo no profanado. Afiliam-se a estas escolas os joanitas, os templrios no-idlatras e os alto-iniciados da maonaria oculta. Ali se encontram as chaves do futuro, Por serem conservados os segredos da revelao nica e universal, a primeira e qui a nica entre todas as religies, cuja divulgao no mundo foi feita pelo judasmo. Um s Deus, um s povo, uma nica cincia, uma nica f, um s rei. Isso o que pretende o judasmo, que espera sempre seu templo e seu Messias. - Quando vir o Messias? - perguntava o rabi Schimeon ao profeta Elias, que descia freqentemente do cu para conversar com o mestre do Zohar. - Roje mesmo - respondeu-lhe o profeta - vai at a porta de Roma e o vers. - O rabi Schimeon foi at a porta de Roma, onde permaneceu o dia todo, voltando sem ver nada alm de indigentes cobertos de lceras e um desconhecido de aparncia pobre que os consolava e lhes curava as chagas. Ao chegar em sua casa encontrou Elias e lhe disse: - Mestre, por que burlastes vosso servidor? - No te burlei, disse o profeta; no viste um homem que exercia a caridade? Pois afirmo que o reino da caridade o do Messias, e se queres que o Messias venha todos os dias, pratica todos dias a caridade. A caridade, segundo o apstolo So Joo, resumo e objeto final do cristianismo. A caridade, segundo So Paulo, tudo o que deve sobreviver s profecias que se tornaram vs e cincia superada pelo progresso. A caridade, nas palavras do mesmo apstolo, superior esperana e f. Os cristos que maldiziam os judeus chamando-os assassinos de Deus e os judeus que desprezavam os cristos chamando-os idlatras, faltavam, tanto uns como outros, religio que lhes recomendava a caridade. A caridade o sentimento profundo e eficaz da humanidade solidria. O judasmo deve estender maonaria uma mo fraterna, pois a profisso de f dos maons no-ateus o smbolo de Maimnides, e os cristos encontraro nos ritos de seus altos graus toda a revelao alegrica de Jesus Cristo. Na maonaria, a aliana, a fuso do judasmo cabalstico e do cristianismo neoplatnico de So Joo um fato verificado. J existe no mundo uma aliana israelita universal, que recebe em seu seio toda gente honrada de todas as religies e da qual o honorvel M. Crmieux atualmente presidente. O grande rabi Isidoro partidrio do progresso, da reforma e do livre pensamento. Os judeus iluminados prestam homenagem moral dos evangelhos e os cristos instrudos reconhecem a sabedoria e profundo ensinamento do T almude; a cincia e o livre pensamento aproximam aqueles a quem o fanatismo divide. O estudo da cabala fundiria, num s e mesmo povo, israelitas e cristos. Em vo a ignorncia e o fanatismo querero perpetuar a guerra; a paz j foi iniciada em nome da filosofia e amanh ser ratificada pela religio, liberada pelo predomnio final sobre as paixes humanas. Este grande acontecimento precisa ser preparado dando a conhecer aos homens de cincia as magnificncias ocultas da sabedoria judaica. Por esta razo publicamos a traduo e explicao da teogonia contida no Siphra Dzenita. E saber-se- que mestres foram esses rabinos da grande escola cabalstica. Nada mais estranho e mais belo que o grande Snodo cujas deliberaes esto consignadas no livro do Idra-Suta. No h nada oculto que no deva ser manifestado, disse Jesus, e o que foi murmurado deve ser gritado sobre os telhados. E

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  • acrescenta: a luz no foi feita para ser colocada sob um alqueire; deve ser colocada no candeeiro, para que ilumine todos os que estejam na casa. A casa da humanidade o mundo, o candeeiro a cincia, e a luz a razo vivificada e imortalizada pela f. * - Querem alguns: Chimon Bar-Jochai. (N. dos T.)

    PRIMEIRA PARTE - O IDRA-SUTA OU O GRANDE snodo Comentrio do Siphra-Dzeniuta por Schimeon Ben- Jochai

    I Jerusalm acabara de ser destruda pelos romanos. Fora proibido aos judeus, sob pena de morte, retornar e chorar ante as runas de sua ptria. A nao inteira fora dispersada e as tradies santas se perderam. A verdadeira cabala havia cedido seu lugar a sutilezas pueris e supersticiosas. Os que pretendiam conservar a herana da doutrina oculta eram somente adivinhos e feiticeiros proscritos pelas leis das naes. Foi ento que um rabino venervel, chamado Schimeon Ben-Jochai, reuniu a seu redor os ltimos iniciados da cincia