apostila introducao economia

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Economy & Finance

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apostilha de economia

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  • 1. Ministrio da Educao MECCoordenao de Aperfeioamento de Pessoal de Nvel Superior CAPES Diretoria de Educao a Distncia DED Universidade Aberta do Brasil UAB Programa Nacional de Formao em Administrao Pblica PNAP Bacharelado em Administrao Pblica INTRODUO ECONOMIA Carlos Magno Mendes Ccero Antnio de Oliveira Tredezini Fernando Tadeu de Miranda Borges Mayra Batista Bitencourt Fagundes 2009
  • 2. 2009. Universidade Federal de Santa Catarina UFSC. Todos os direitos reservados.A responsabilidade pelo contedo e imagens desta obra do(s) respectivos autor(es). O contedo desta obra foi licenciado temporria egratuitamente para utilizao no mbito do Sistema Universidade Aberta do Brasil, atravs da UFSC. O leitor se compromete a utilizar ocontedo desta obra para aprendizado pessoal, sendo que a reproduo e distribuio ficaro limitadas ao mbito interno dos cursos.A citao desta obra em trabalhos acadmicos e/ou profissionais poder ser feita com indicao da fonte. A cpia desta obra sem autorizaoexpressa ou com intuito de lucro constitui crime contra a propriedade intelectual, com sanes previstas no Cdigo Penal, artigo 184, Pargrafos1 ao 3, sem prejuzo das sanes cveis cabveis espcie. I61 Introduo economia / Carlos Magno Mendes ...[et al.]. - Florianpolis : Departamento de Cincias da Administrao / UFSC; [Braslia] : CAPES : UAB, 2009. 170p. : il. Inclui bibliografia Bacharelado em Administrao Pblica ISBN: 978-85-61608-72-9 1. Economia - Estudo e ensino. 2. Histria econmica. 3. Poltica monetria. 4. Comrcio internacional. 5. Desenvolvimento econmico. 6. Educao a distncia. I. Mendes, Carlos Magno. II. Coordenao de Aperfeioamento de Pessoal de Nvel Superior (Brasil). III. Universidade Aberta do Brasil. IV Ttulo. . CDU: 330 Catalogao na publicao por: Onlia Silva Guimares CRB-14/071
  • 3. PRESIDENTE DA REPBLICA Luiz Incio Lula da Silva MINISTRO DA EDUCAO Fernando Haddad PRESIDENTE DA CAPES Jorge Almeida Guimares UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA REITOR lvaro Toubes Prata VICE-REITOR Carlos Alberto Justo da Silva CENTRO SCIO-ECONMICO DIRETOR Ricardo Jos de Arajo Oliveira VICE-DIRETOR Alexandre Marino CostaDEPARTAMENTO DE CINCIAS DA ADMINISTRAO CHEFE DO DEPARTAMENTO Joo Nilo Linhares SUBCHEFE DO DEPARTAMENTO Gilberto de Oliveira Moritz SECRETARIA DE EDUCAO A DISTNCIA SECRETRIO DE EDUCAO A DISTNCIA Carlos Eduardo Bielschowsky DIRETORIA DE EDUCAO A DISTNCIA DIRETOR DE EDUCAO A DISTNCIA Celso Jos da CostaCOORDENAO GERAL DE ARTICULAO ACADMICA Nara Maria Pimentel COORDENAO GERAL DE SUPERVISO E FOMENTO Grace Tavares VieiraCOORDENAO GERAL DE INFRAESTRUTURA DE POLOS Francisco das Chagas Miranda SilvaCOORDENAO GERAL DE POLTICAS DE INFORMAO Adi Balbinot Junior
  • 4. COMISSO DE AVALIAO E ACOMPANHAMENTO PNAP Alexandre Marino Costa Claudin Jordo de Carvalho Eliane Moreira S de Souza Marcos Tanure Sanabio Maria Aparecida da Silva Marina Isabel de Almeida Oreste Preti Teresa Cristina Janes Carneiro METODOLOGIA PARA EDUCAO A DISTNCIA Universidade Federal de Mato Grosso COORDENAO TCNICA DED Andr Valente de Barros Barreto Soraya Matos de Vasconcelos Tatiane Michelon Tatiane Pacanaro Trinca AUTORES DO CONTEDO Carlos Magno Mendes Ccero Antnio de Oliveira Tredezini Fernando Tadeu de Miranda Borges Mayra Batista Bitencourt Fagundes EQUIPE DE DESENVOLVIMENTO DE RECURSOS DIDTICOS CAD/UFSC Coordenador do Projeto Alexandre Marino Costa Coordenao de Produo de Recursos Didticos Denise Aparecida Bunn Superviso de Produo de Recursos Didticos Flavia Maria de Oliveira Designer Instrucional Denise Aparecida Bunn Andreza Regina Lopes da Silva Supervisora Administrativa Erika Alessandra Salmeron Silva Capa Alexandre Noronha Ilustrao Igor Baranenko Projeto Grfico e Finalizao Annye Cristiny Tessaro Editorao Rita Castelan Reviso Textual Sergio MeiraCrditos da imagem da capa: extrada do banco de imagens Stock.xchng sob direitos livres para uso de imagem.
  • 5. PREFCIO Os dois principais desafios da atualidade na reaeducacional do pas so a qualificao dos professores que atuamnas escolas de educao bsica e a qualificao do quadrofuncional atuante na gesto do Estado Brasileiro, nas vriasinstncias administrativas. O Ministrio da Educao estenfrentando o primeiro desafio atravs do Plano Nacional deFormao de Professores, que tem como objetivo qualificar maisde 300.000 professores em exerccio nas escolas de ensinofundamental e mdio, sendo metade desse esforo realizado peloSistema Universidade Aberta do Brasil (UAB). Em relao aosegundo desafio, o MEC, por meio da UAB/CAPES, lana oPrograma Nacional de Formao em Administrao Pblica(PNAP). Esse Programa engloba um curso de bacharelado e trsespecializaes (Gesto Pblica, Gesto Pblica Municipal eGesto em Sade) e visa colaborar com o esforo de qualificaodos gestores pblicos brasileiros, com especial ateno noatendimento ao interior do pas, atravs dos Polos da UAB. O PNAP um Programa com caractersticas especiais. Emprimeiro lugar, tal Programa surgiu do esforo e da reflexo de umarede composta pela Escola Nacional de Administrao Pblica(ENAP), do Ministrio do Planejamento, pelo Ministrio da Sade,pelo Conselho Federal de Administrao, pela Secretaria deEducao a Distncia (SEED) e por mais de 20 instituies pblicasde ensino superior, vinculadas UAB, que colaboraram naelaborao do Projeto Poltico Pedaggico dos cursos. Em segundolugar, esse Projeto ser aplicado por todas as instituies e pretendemanter um padro de qualidade em todo o pas, mas abrindo
  • 6. margem para que cada Instituio, que ofertar os cursos, possaincluir assuntos em atendimento s diversidades econmicas eculturais de sua regio. Outro elemento importante a construo coletiva domaterial didtico. A UAB colocar disposio das instituiesum material didtico mnimo de referncia para todas as disciplinasobrigatrias e para algumas optativas. Esse material est sendoelaborado por profissionais experientes da rea da administraopblica de mais de 30 diferentes instituies, com apoio de equipemultidisciplinar. Por ltimo, a produo coletiva antecipada dosmateriais didticos libera o corpo docente das instituies para umadedicao maior ao processo de gesto acadmica dos cursos;uniformiza um elevado patamar de qualidade para o materialdidtico e garante o desenvolvimento ininterrupto dos cursos, semparalisaes que sempre comprometem o entusiasmo dos alunos. Por tudo isso, estamos seguros de que mais um importantepasso em direo democratizao do ensino superior pblico ede qualidade est sendo dado, desta vez contribuindo tambm paraa melhoria da gesto pblica brasileira, compromisso deste governo. Celso Jos da Costa Diretor de Educao a Distncia Coordenador Nacional da UAB CAPES-MEC
  • 7. SUMRIOApresentao.................................................................................................... 11Unidade 1 Conceitos fundamentais da EconomiaO significado de Economia................................................................................ 17 Explicao sobre o sentido de escassez na economia................................... 19 Tomada de decises............................................................................. 20 Funcionamento das economias............................................................... 22 Bens e servios......................................................................................... 23 Agentes econmicos............................................................................ 25Unidade 2 Evoluo do pensamento econmicoO pensamento econmico em diferentes pocas e escolas.................................. 33 Ecomonia Medieval ou Economia da Idade Mdia........................................ 33 Mercantilismo..................................................................................... 34 Escola Fisiocrata...................................................................................... 35 Escola Clssica.................................................................................. 38 Escola Marxista......................................................................................... 43 Escola Neoclssica............................................................................ 45 Escola Keynesiana............................................................................ 46
  • 8. Unidade 3 Mensurao da atividade econmicaO objetivo da anlise econmica................................................................... 57 Evoluo dos sistemas econmicos............................................................... 61 Funcionamento de uma economia de mercado............................................. 65 Mercado................................................................................................... 68 Estrutura de mercado.................................................................................... 79Unidade 4 Introduo Teoria MonetriaIntroduo Teoria Monetria............................................................................. 99 Princpios de Teoria Monetria.................................................................. 99 Tipos de moeda...................................................................................... 100 Poltica monetria......................................................................................... 101 Demanda de moeda...................................................................................... 102 Oferta de moeda.................................................................................... 104 Funes do Banco Central............................................................................ 106 Instrumentos de poltica monetria................................................................. 108Unidade 5 Noes de comrcio internacionalNoes de comrcio internacional....................................................................... 117 Os determinantes do comrcio internacional................................................. 117 Taxa de cmbio...................................................................................... 121 Balano de pagamentos................................................................................. 123 O papel da Organizao Mundial do Comrcio (OMC)................................ 125
  • 9. Unidade 6 Desenvolvimento econmico e funes do setor pblicoDesenvolvimento econmico: tpicos introdutrios.................................. 131 Guerra Fria...................................................................................... 134 A economia brasileira e o desenvolvimento econmico................................ 135 Fontes de financiamento................................................................................ 135 Fontes de crescimento.................................................................................... 139Funes do setor pblico....................................................................... 141 Interveno governamental...................................................................... 141 O setor pblico nas correntes do pensamento econmico............................. 144 Por que regular?................................................................................ 148 O que poltica fiscal?................................................................................ 152 Dficit e Supervit.................................................................................... 153 Opes de poltica fiscal............................................................................... 154 Financiamento........................................................................................... 157 Poltica fiscal e taxa de juros....................................................................... 158 Tributao........................................................................................... 158 Qualidade de Vida X Distribuio de Renda................................................ 160Referncias.................................................................................................... 165Minicurrculo.................................................................................................... 171
  • 10. Introduo Economia 10 Bacharelado em Administrao Pblica
  • 11. Apresentao APRESENTAO Caro estudante do Curso de Graduao em AdministraoPblica, convidamos voc a embarcar nessa viagem que o estudoda disciplina Introduo Economia, parte integrante do MduloBsico do Curso de Administrao Pblica. Acreditamos no significado social da administrao pblica,e foi com esse esprito que construmos o presente livro de Introduo Economia. Logo, esperamos que o livro por ns produzido oenvolva e que, ao final deste percurso, voc se sinta ainda maismotivado para aprofundar os conhecimentos adquiridos. O estudo da Economia algo envolvente e apaixonante, poisest muito ligado ao nosso cotidiano, aos nosso problemasdomsticos e profissionais, por isso fique tranquilo, pois paracompreender Economia no h segredo e nem frmula mgica,basta apenas que voc se coloque em atitude de: disposio,curiosidade, determinao e interesse. O estudo da Economia envolve juzos de valor. Emboratenhamos os nossos, esperamos que voc se sinta vontade paracultivar aquele que lhe fale mais de perto. Queremos que voc sejalivre e acredite no que for melhor para a construo de um mundomais justo, solidrio e fraterno. No mundo de hoje, vivemos conectados. Contudo, veja voc,o fato de estarmos conectados no significa que estejamosintegrados; muito pelo contrrio, precisamos fazer alguma coisarapidamente para conquistar, por meio do desenvolvimentosustentvel, o nosso lugar e espao na rede mundial doconhecimento. Mdulo 1 11
  • 12. Introduo Economia Todos (voc e ns) temos muita pressa e, na maioria das vezes, sequer conseguimos avaliar o real motivo disso tudo, porm, um fato parece comprovar esta nossa concepo: ningum no mundo quer perder tempo. H uma racionalidade instalada pela tcnica que domina nossos movimentos e sentidos, como relgio invisvel tendendo a nos governar de forma direta e indireta, tal qual a batida de um corao. Neste sentido contamos com a tecnologia da informao para auxiliar na velocidade da comunicao instantnea e regular o nosso mundo econmico, poltico, social e administrativo o tempo todo. H uma nova forma de trabalho em curso que ocupa tecnologia avanada e que pode ser realizada sem tempo fixado e lugar estabelecido, levando ao aumento da produtividade em rede. Veja, por exemplo, os cursos de educao a distncia. A ampliao do desenvolvimento tecnolgico est a, e como favorvel ao seu crescimento, no acreditamos ser a tecnologia a responsvel pelo aumento do desemprego na economia. Uma das explicaes para o desemprego pode ser a de que, no sistema econmico em que vivemos devido capacidade ilimitada do desenvolvimento tecnolgico e limitada capacidade aquisitiva, em algum momento , certa tendncia ao decrscimo da taxa de lucro pode vir a colocar o sistema em risco. Procurando entender o carter contraditrio dessa lgica, muitos estudiosos, dentro do seu tempo, examinaram o funcionamento da Economia. Lembramos a voc que na forma de apropriao do que produzido, redistribuindo-o de maneira igualitria e transparente, que poderemos superar as desigualdades e romper, de uma vez por todas, com as barreiras que vm dificultando o acesso dos excludos do jogo econmico. Trata-se de ruptura difcil, pois os interesses so muitos e as oportunidades no so iguais para todas as pessoas. Mas ser que esse processo, esse movimento social e histrico da Economia, que sentido por todos ns na carne e no bolso, compreendido? O que voc ouve nos telejornais, nos bate- papos com amigos, ou l em revistas e jornais sobre os aspectos econmicos da realidade brasileira e mundial, como entendido por voc? Pois, a Economia abarca diferentes reas do 12 Bacharelado em Administrao Pblica
  • 13. Apresentaoconhecimento, como, por exemplo, Administrao, CinciasContbeis, Geografia, Histria, Direito, Estatstica, Matemtica,Engenharias, Meio Ambiente, Sociologia, Filosofia, Poltica,Turismo, Educao, Urbanismo, entre outras. Voc sabia disso? Como podemos observar, a Economia precisa trabalharinterdisciplinarmente para poder enfrentar os desafios postos sanlises econmicas, que requerem diagnsticos precisos. Logo,todos ns contribumos na construo do conhecimento daEconomia, com nossos valores culturais. preciso que voc tragaconsigo uma ideia do quanto a nossa participao na feitura econstruo do mundo tem importncia. Alis, cabe relembrar quetodos somos produtores e consumidores de conhecimentos.Observamos que as diversidades precisam ser respeitadas e queno temos a verdade, apenas a procuramos intensamente, nummundo de muitos tempos dentro de um tempo. A Economia est nos mais diversos lugares e espaos, sendouma cincia que envolve, como j dissemos, muitos juzos de valor.Para saber um pouco mais a respeito dessa rea de conhecimento,convidamos voc a nos acompanhar e elaborar conosco osconhecimentos necessrios formao do administrador pblico. O objetivo central dessa disciplina despertar seu interessepelo estudo da Economia e ampliar seus conhecimentos com osprincipais conceitos, pressupostos e teorias que compem a cinciaeconmica. Esperamos que este livro o auxilie na aplicao dosconhecimentos apreendidos junto aos problemas locais, estaduais enacionais e tambm na construo de uma nova percepo dodomnio do conhecimento, tendo em vista o maior entendimento dopresente, a partir do passado, com vistas prospeco de um futuromelhor e menos desigual, tendo compreenso dinmica da totalidade. Por meio de uma linguagem acessvel, procuramos mesclarnossa viso terica com exemplos do dia a dia. Esses conceitos,concepes e teorias sero apresentados ao longo do livro nas seisunidades que o integram: Unidade 1 Conceitos Fundamentais da Economia; Unidade 2 Evoluo do pensamento econmico; Mdulo 1 13
  • 14. Introduo Economia Unidade 3 Mensurao da atividade econmica; Unidade 4 Introduo teoria monetria; Unidade 5 Noes de comrcio internacional; e Unidade 6 Desenvolvimento econmico e funes do setor pblico. Esperamos que os estudos desses temas auxiliem voc na aplicao dos conhecimentos apreendidos. Para voc, futuro bacharel em Administrao Pblica, um bom curso de Introduo Economia! Professores Carlos Magno Mendes, Ccero Antnio de Oliveira Tredezini, Fernando Tadeu de Miranda Borges e Mayra Batista Bitencourt Fagundes 14 Bacharelado em Administrao Pblica
  • 15. Apresentao UNIDADE 1 CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA ECONOMIAOBJETIVOS ESPECFICOS DE APRENDIZAGEMAo finalizar esta Unidade voc dever ser capaz de: Identificar todos os discursos dentro das escolas de pensamento econmico existentes; Enumerar os juzos de valor professados; Entender o funcionamento da economia tendo em conta o modo de produo; e Discutir os permanentes desafios que surgem o tempo todo. Mdulo 1 15
  • 16. Introduo Economia 16 Bacharelado em Administrao Pblica
  • 17. Unidade 1 Conceitos fundamentais da Economia O SIGNIFICADO DE ECONOMIA Caro estudante! Nesta primeira Unidade do livro de Introduo Economia, faremos uma abordagem de alguns conceitos que consideramos bsicos no estudo da Economia, alm de apresentarmos temas variados sobre o funcionamento do sistema econmico que, devido escassez, precisa tomar decises corretas sob pena de todos perdermos. Atualmente, com a velocidade das transformaes e a reduo das distncias, o mundo ficou mais prximo, e com isso os problemas afligem a todos com maior rapidez. Nos dias de hoje, quando andamos pela cidade, percebemosgrande movimento no comrcio. Centenas de pessoas enchem aslojas, despertando contentamento enorme nos vendedores. Oscompradores tambm demonstram parecer contentes, pois as lojasoferecem uma infinidade de produtos, desde roupas de todos ostipos at equipamentos eletrnicos mais sofisticados, de modo asatisfazer a todos os gostos. Veja que essa variedade de bens satisfaz a vontade doconsumidor desde o mais exigente e mais rico at o menos exigentee com menor poder de compra. O importante que muitos produtosmilhares de pessoas podem comprar todos os dias. Essa cena podeser vista em qualquer cidade do Brasil e do mundo. A disciplina Introduo Economia, que estamos iniciando,se interessa, em grande medida, por essas coisas ditas comuns.Ento mos obra! Mdulo 1 17
  • 18. Introduo Economia No Sculo XIX, Alfred Marshall disse que Saiba mais Alfred Marshall (1842-1924) a Economia procura estudar os negcios comuns Considerado um pensador da vida da humanidade. Por negcios comuns, da economia com contribui- podemos entender as cenas comuns da vida es s teorias da demanda econmica. e da utilidade. Matemtico, se dedicou aos estudos eco- nmicos e lecionou Economia na Univer- Mas, o que vem a ser a Economia? Como sidade de Cambridge. Seu livro Princpios funciona nosso sistema econmico? Quando de Economia Poltica, lanado no final do e por que o sistema econmico entra em crise, sculo XIX, influenciou o desenvolvimen- to de novas pesquisas e deixou marcas ocasionando mudanas de comportamento nos ensinamentos da Economia das pessoas e empresas? Voc saberia Neoclssica no sculo XX (HUNT, 2005). responder? Etimologicamente, a palavra economia vem dos termos gregos oiks (casa) e nomos (norma, lei). Pode ser compreendida como administrao da casa, pois, administrar uma casa algo bastante comum na vida das pessoas. Portanto, interessante essa aproximao do mundo da casa com o mundo da economia. Em outras palavras, podemos dizer que a Economia estuda a maneira como se administram os recursos disponveis com o objetivo de produzir bens e servios, e como distribu-los para seu consumo entre os membros da sociedade. Agora sua vez. Faa uma reflexo a partir de: como voc e sua famlia tomam decises no dia a dia? Que tarefas cada membro deve desempenhar e o que cada um vai receber em troca? Quem vai preparar o almoo e o jantar? Quem vai lavar e passar? Que aparelho de televiso vai ser comprado? Que carro vai ser adquirido? Onde passar as frias de final de ano? Quem vai? Onde vai ficar? 18 Bacharelado em Administrao Pblica
  • 19. Unidade 1 Conceitos fundamentais da Economia Segundo, Nicholas Gregory Mankiw(2005, p. 3), [...] cada famlia precisa alocar Saiba mais Nicholas Gregory Mankiwseus recursos escassos a seus diversos membros, Um dos maiores economistas dos EUA elevando em considerao as habilidades, professor da Universidade Harvard.esforos e desejos de cada um. Cabe observar que, alm das habilidades, os recursosprodutivos ou fatores de produo, so elementos tambm utilizadosno processo de fabricao dos mais variados tipos de bens(mercadorias) e utilizados para satisfazer s necessidades humanas. O que voc entende por necessidade humana? Isso mesmo! A necessidade humana envolve a sensao dafalta de alguma coisa unida ao desejo de satisfaz-la. Acreditamosque todas as pessoas sentem necessidade de adquirir alguma coisa,sentem desejo tanto por alimentos, gua e ar, quanto por bens deconsumo como comprar sapatos, sabonete, televiso, computador,geladeira etc. Da mesma forma que uma famlia precisa satisfazer suasnecessidades uma sociedade tambm precisa fazer o mesmo. Alis,precisa definir o que produzir, para quem produzir, quando produzire quanto produzir. Em linhas gerais, a sociedade precisa gerenciarbem seus recursos, principalmente se considerarmos que estes, demaneira geral, so escassos. EXPLICAO SOBRE O SENTIDO DE ESCASSEZ NA ECONOMIA Assim como uma famlia no pode ter todos os bens quedeseja, ou seja, dar aos seus membros todos os produtos e servios Mdulo 1 19
  • 20. Introduo Economia que desejam, uma sociedade tambm no pode fazer o mesmo. A razo para que isso acontea est na escassez*, isto , quando os*Escassez significa a si- recursos so limitados em termos de quantidade disponvel paratuao normal da socie- uso imediato.dade onde os recursosso limitados para satis- Assim, a Economia tem sido entendida como o estudo defazer sua demanda por como a sociedade administra seus recursos escassos, embora hajabens e servios. Fonte: quem discorda desse argumento.Lacombe (2004). Ainda que possamos estudar Economia de muitas maneiras, existem algumas ideias que se tornam centrais nesta disciplina, consideradas como princpios bsicos de Economia por parte de alguns economistas. Portanto, para poder compreender Economia, bom saber mais sobre o sentido da cincia econmica. Segundo Mankiw (2005), no h nada de misterioso sobre o que vem a ser uma economia. Em qualquer parte do mundo, uma economia refere-se a um grupo de pessoas que interagem entre si e, dessa forma, vo levando a vida. Diante disso, podemos imaginar que a primeira coisa que precisamos entender quando se quer compreender uma economia saber como so tomadas as decises. TOMADA DE DECISES O processo de tomada de deciso envolve quatro princpios: Primeiro: as pessoas precisam fazer escolhas, e essas escolhas no so de graa. Elas precisam ser feitas tendo em vista que os recursos so escassos. No possvel atender a todas as necessidades de maneira ilimitada. Portanto, a sociedade precisa fazer suas escolhas, assim como os indivduos. 20 Bacharelado em Administrao Pblica
  • 21. Unidade 1 Conceitos fundamentais da Economia Segundo: o custo real de alguma coisa o que o indivduo deve despender para adquiri-lo, ou seja, o custo de um produto ou servio refere-se quilo que tivemos que desistir para conseguir compensar com outra coisa. Terceiro: pessoas so consideradas racionais e, por isso, elas pensam nos pequenos ajustes incrementais de todas as suas decises, nos ganhos adquiridos em funo das suas escolhas. Isto significa que as pessoas e empresas podem melhorar seu processo de deciso pensando na margem. Portanto, um tomador de deciso considerado racional deve executar uma ao v se, e somente se, o resultado dos benefcios marginais forem superiores aos seus custos marginais. Os economistas usam o termo mudanas Quarto: as pessoas reagem a estmulos. Como elas marginais para explicar tomam suas decises levando em conta os benefcios os pequenos ajustes incrementais a uma ao e seus custos, qualquer alterao nessas variveis pode existente, ou seja, a cada alterar o comportamento da sua deciso. Assim, aumento de produo qualquer incentivo que ocorra pode alterar a conduta possvel verificar o nvel do tomador de decises. Nota-se que os formuladores de acrscimo alcanado. de polticas pblicas fazem bastante uso deste princpio.No mdulo 4, disciplina Organizao, Processos e Tomadade Deciso, voc ver mais sobre este assunto processo detomada de deciso. Mdulo 1 21
  • 22. Introduo Economia FUNCIONAMENTO DAS ECONOMIAS A questo bsica que norteia o processo econmico implica em como as pessoas interagem, ou seja, como as economias funcionam. Logo, a partir desse princpio, podemos compreender que o comrcio pode ser bom para todos os agentes, os mercados so geralmente bons organizadores da atividade econmica, os mercados s vezes falham e, por isso, os governos podem melhorar os resultados do mercado, atravs de uma eficiente administrao pblica. Portanto, o desenvolvimento econmico e a expanso das atividades econmicas de um pas so pontos fundamentais para entender como funciona sua economia. O padro de vida das pessoas depende da sua capacidade de produzir bens e servios. Na realidade, a ideia de que h ganhos com o comrcio foi introduzida na Economia de forma mais bem elaborada em 1776, por Adam Smith. Isto aumenta a produtividade do sistema e consequentimente a quantidade de bens e servios disposio das pessoas. Saiba mais Adam Smith Nasceu em Junho de 1723, faleceu em 1790, com 67 Dessa forma, temos mais comrcio, mais anos de idade. Considera- desenvolvimento dos lugares e das pessoas. do um grande filsofo e Voc concorda? economista o maior dos clssicos e o pai da Cin- cia Econmica. Em 1776 publico o livro Em economias centralizadas, so os A Teoria dos Sentimentos Morais, um dos planejadores que estabelecem quanto vai ser mais influentes livros de teoria moral e econmica do mundo. Fonte: . Acesso em: 30 jun. 2009. planejamento, pode organizar a atividade 22 Bacharelado em Administrao Pblica
  • 23. Unidade 1 Conceitos fundamentais da Economiaeconmica de maneira a oferecer e atender a todas as demandaseventualmente estabelecidas pela populao. Veja que em economias de mercado essa funo deestabelecer o quanto e como produzir atribuio do mercado, ouseja, as decises do planejador central so substitudas pelasdecises de milhares de pessoas e empresas. Diante disso, o mercado considerado, na maioria das vezes, a melhor forma para destinaros recursos escassos. Porm, s vezes, ele falha nesse processo dedestinar de maneira eficiente os recursos e fazer a distribuioequitativa de seu produto, e, quando isso acontece, o governo precisaintervir na economia. Ateno! Quando os mercados no esto alcanando a eficincia econmica e a equidade na distribuio de renda, a interveno do governo deve ocorrer. Podemos dizer que a questo da capacidade de produzir bense servios est relacionada ao nvel de produtividade do pas. ParaRomer (2002), o que explica as grandes diferenas de padro devida entre os pases ao longo do tempo a diferena deprodutividade entre eles. Logo, onde a produtividade das pessoas maior, ou seja, produzem mais bens e servios em menos tempo, opadro de vida maior. BENS E SERVIOS De um modo geral, o objetivo de toda e qualquer indstria produzir bens e servios para vend-los e obter lucros. Mas o que voc entende por bens? E por servios? Mdulo 1 23
  • 24. Introduo Economia Podemos dizer, de forma global, que bem tudo aquilo que permite satisfazer s necessidades humanas. Os bens podem ser: Bens livres: aqueles cuja a quantidade ilimitada e podem ser obtidos sem nenhum esforo na natureza. Por exemplo: a luz solar, o ar, o mar. Esses bens no possuem preos. Bens econmicos: so relativamente escassos, tm valor no mercado, e supem a ocorrncia de esforo humano para obt-lo. Por exemplo: um carro, um computador etc. Os bens econmicos so classificados em dois grupos: Bens materiais: como o prprio nome j diz so todos aqueles de natureza material, que podem ser estocados e so tangveis, tais como roupas, alimentos, livros, televiso etc. Bens imateriais ou servios: consideramos aqui tudo que intangvel. Por exemplo, servio de um mdico, consultoria de um economista ou servio de um advogado, que acabam no mesmo momento de produo e no podem ser estocados. Os bens materiais classificam-se em: Bens de consumo: so aqueles usados diretamente para a satisfao das necessidades humanas. Estes bens podem ser: de consumo durvel, tais como: carros, mveis, eletrodomsticos; e 24 Bacharelado em Administrao Pblica
  • 25. Unidade 1 Conceitos fundamentais da Economia de consumo no durvel, como, por exemplo, gasolina, alimentos, cigarro. Bens de capital: so todos os bens utilizados no processo produtivo, ou seja, bens de capital, que per mitem produzir outros bens. Por exemplo: equipamentos, computadores, edifcios, instalaes etc. Tanto os bens de consumo quanto os bens de capital soclassificados como: Bens finais: so bens acabados, pois j passaram por todas as etapas de transformao possveis. Bens intermedirios: consistem nos bens que ainda esto inacabados, que precisam ser transformados para atingir a sua finalidade principal. Por exemplo: ao, vidro e borracha usados na produo de carros. Os bens podem ser classificados, ainda, em: Bens pblicos: so bens no exclusivos e no disputveis. Referem-se ao conjunto de bens fornecidos pelo setor pblico, tais como: transporte, segurana e justia. Bens privados: so bens exclusivos e disputveis. So produzidos e possudos privadamente, como, por exemplo: televiso, carro, computador etc. Podemos dizer ento que bem tudo o que tem utilidadepara satisfazer uma necessidade ou suprir uma carncia, enquantoo servio implica numa atividade intangvel que proporciona umbenefcio sem resultar na posse de algo. Mdulo 1 25
  • 26. Introduo Economia AGENTES ECONMICOS Os agentes econmicos so pessoas de natureza fsica ou jurdica que, atravs de suas aes, contribuem para o funcionamento do sistema econmico, tanto capitalista quanto socialista. Podem ser: Empresas: agentes encarregados de produzir e comercializar bens e servios, ligados por sistemas de informao e influenciados por um ambiente externo. A produo se d pela combinao dos fatores produtivos adquiridos junto s famlias. As decises da empresa so todas guiadas para o objetivo de conseguir o mximo de lucro e mais investimentos; Famlia: inclui todos os indivduos e unidades familiares da economia e que, no papel de consumidores, adquirem os mais diversos tipos de bens e servios, objetivando o atendimento de suas necessidades. Por outro lado, so as famlias os proprietrios dos recursos produtivos e que fornecem s empresas os diversos fatores de produo, tais como: trabalho, ter ra, capital e capacidade empresarial. Recebem em troca, como pagamento, salrios, aluguis, juros e lucros, e com essa renda que compram os bens e servios produzidos pelas empresas. O que sempre as famlias buscam a maximizao da satisfao de suas necessidades; Governo: inclui todas as organizaes que, direta ou indiretamente, esto sob o controle do Estado, nas suas esferas federais, estaduais ou municipais. Vez por outra, o gover no atua no sistema econmico, produzindo bens e servios, atravs, por exemplo, da Petrobrs, das Empresas de Correios etc. 26 Bacharelado em Administrao Pblica
  • 27. Unidade 1 Conceitos fundamentais da Economia Portanto, tanto as empresas quanto as famlias e os governosse interagem o tempo todo, dando o toque econmico, de onderesultam as mais diversas explicaes. Chegamos ao final da Unidade 1, na qual voc conheceu ou relembrou alguns conceitos da Economia, como o da cincia da escassez. O entendimento destes conceitos imprescindvel para que voc prossiga de forma proveitosa o seu curso. Caso tenha ficado com dvidas em algo que lhe foi apresentado, volte e releia e, se necessrio, faa contato com seu tutor para esclarecer. Saiba mais Conceitos de Economia Sobre o assunto leia mais detalhes na obra Histrias do pensamento econ- mico de Stanley L. Brue. Mdulo 1 27
  • 28. Introduo Economia Resumindo O estudo desta Unidade nos permitiu a compreenso de nosso sistema econmico e o sentido de nossa economia como administrao da casa. Alm disso, os princpios que norteiam as decises e os agentes econmicos encarrega- dos do funcionamento da organizao econmica foram ob- jeto de reflexo e aprendizagem. Como voc sabe, cada disciplina tem seu campo de estudo, tem sua linguagem e sua maneira de organizar o pensamento. A Economia tambm possui a sua, portanto, falaremos, nas Unidades subsequentes, de escolas econ- micas, produo e renda, oferta e demanda, elasticidade, moeda, comrcio internacional, taxa de cmbio, gastos do governo, tributos etc. Nosso principal objetivo oferecer a voc alguns elementos para ajud-lo a compreender me- lhor o mundo que o cerca. Nesta primeira Unidade, buscamos desenvolver os conceitos que consideramos fundamentais para que voc compreenda o estudo da Economia ao longo do curso e de sua formao acadmica. No pare por aqui, busque novas referencias, pesquise os assuntos apresentados. Voc deve construir seu conheci- mento. Bons estudos! 28 Bacharelado em Administrao Pblica
  • 29. Unidade 1 Conceitos fundamentais da Economia Atividades de aprendizagem Vamos verificar como foi seu entendimento at aqui? Uma forma simples de verificar isso voc realizar as atividades propostas a seguir.1. Liste e explique sucintamente os quatro princpios da tomada de deciso. Depois, observe as situaes de seu cotidiano e veja se so aplicados a elas os quatro princpios. Qual a importncia disto tudo para um administrador pblico?2. Explique como voc entende o ditado dos economistas que diz que no existe almoo grtis. Como fazer para que a adminis- trao pblica aplique os seus recursos evitando desperdcios? Mdulo 1 29
  • 30. UNIDADE 2 EVOLUO DO PENSAMENTO ECONMICOOBJETIVOS ESPECFICOS DE APRENDIZAGEMAo finalizar esta Unidade voc dever ser capaz de: Conhecer as principais Escolas do Pensamento Econmico: clssica, marxista, neoclssica e keynesiana; Compreender o desenvolvimento da teoria econmica; e Ter fundamentos para propor transformaes e construir novos conhecimentos.
  • 31. Introduo Economia 32 Bacharelado em Administrao Pblica
  • 32. Unidade 2 Evoluo do pensamento econmico O PENSAMENTO ECONMICO EM DIFERENTES POCAS E ESCOLAS Estamos iniciando uma nova Unidade em que voc vai acompanhar a evoluo histrica da Economia. Para tanto, estudaremos as contribuies das principais correntes do pensamento econmico, tendo como ponto de partida os mercantilistas e, depois, as escolas Clssica, Marxista, Neoclssica e Keynesiana. Num primeiro momento vamos relembrar, bem resumidamente, alguns fatos histricos que voc j conhece no intuito de familiariza-la com a relao entre economia e histria, o que auxilia na compreenso do desenvolvimento estrutural da sociedade como um todo. Leia com ateno e realize as atividades que esto indicadas no final da Unidade pois esta proposta tem um s objetivo: ajudar voc no processo de construo do conhecimento e no desenvolvimento de habilidades que caracterizaro seu novo perfil profissional ao final deste curso. Bem-vindo histria da dinmica econmica!ECONOMIA MEDIEVAL OU ECONOMIA DA IDADE MDIA A Idade Mdia (500 a 1000 d.C) abriu uma nova era para ahumanidade. Uma outra concepo de vida deu a largada com ocristianismo, que floresceu com a queda do Imprio Romano. Seusensinamentos, a partir da legalizao por um decreto do ano 311, Mdulo 1 33
  • 33. Introduo Economia assinado pelo Imperador Constantino, passaram a ser disseminados por toda a Europa. Foi nessa poca, segundo Gastaldi (1999), que as igrejas e os mosteiros tornaram-se poderosos. A igreja tornou-se o maior agente de perpetuao da cultura de disseminao do saber e de desenvolvimento administrativo. Como o pensamento cristo condenava a acumulao de capital (riqueza) e a explorao do trabalho, a opo da igreja, ento, foi pelo retorno atividade rural. Diante dessa situao o que de fato aconteceu foi que a igreja, atravs de seus conventos e mosteiros, acabou tornando-se proprietria de grandes reas de terra. A terra transformou-se na riqueza por excelncia. Nasceu, assim, o regime feudal, caracterizado por propriedades nas quais os senhores e os trabalhadores viveram do produto da terra ou do solo. Neste perodo embora fosse o rei quem dirigia o Estado, ele no possua influncia ou poder de deciso nos feudos, onde a autoridade mxima era a do senhor da gleba (os proprietrios ou arrendatrios) e onde labutavam* os servos (os trabalhadores).*Labutavam ato de fa-zer, trabalho rduo, pe-noso. Lida canseira.Fonte: Houassis (2004). MERCANTILISMO Com a propagao do Novo Mundo (inclusive o Brasil nas Amricas), com o crescimento e o desenvolvimento das cidades, as fisionomias social, poltica e econmica to profundamente moldadas na Idade Medieval, sofrerem profundas transformaes. Novos conceitos surgiram no campo do comrcio e da produo. Na mesma proporo em que se enfraquecia o pensamento religioso, operava-se uma forte centralizao poltica, ocorrendo a criao das naes modernas e das monarquias absolutas, germes do capitalismo. A prtica mercantilista predominou at o incio do sculo XVII, dando como base fundamental ao comrcio o aumento das 34 Bacharelado em Administrao Pblica
  • 34. Unidade 2 Evoluo do pensamento econmicoriquezas. Neste cenrio ocorreu uma reao contra os excessos doabsolutismo e das regulamentaes. Tivemos ento a fase do mercantilismo* em decorrncia *Mercantilismo umado crescimento do capitalismo comercial, representando, com o das primeiras doutri- nas econmicas, muitocapitalismo industrializado no incio do sculo XVIII, a Economia. usada at o final do O mercantilismo foi um regime de nacionalismo econmico sculo XVIII. No foi umaque fazia da riqueza o principal fim do Estado. Assinalou, na histria doutrina consistente eeconmica da humanidade, o incio da evoluo dos Estados coerente, mas um con- junto de ideias econ-modernos e das novas concepes sobre os fatos econmicos, micas de cunho prote-notadamente sobre a riqueza. cionista, desenvolvidas A finalidade principal do Estado, no entender dos mercantilistas, em diversos pases, asera de se encontrar os meios necessrios para que o respectivo pas quais variavam um pou- co em funo dos inte-adquirisse a maior quantidade possvel de ouro e prata. Os resses de cada Nao.mercantilistas pretendiam disciplinar a indstria e o comrcio, de forma Fonte: Lacombe (2004).a favorecer as exportaes em detrimento das importaes, ou seja,procuravam manter a balana comercialfavorvel. O Brasil-Colnia foi influenciado peloideal mercantilista, e pelo regime do exclusivocomercial utilizado pelo Imprio Portugus.Somente com a chegada de D. Joo VI ao Brasil que foram eliminadas as restriesmercantilistas, permitindo-se a instalao deindstrias nativas e o comrcio direto com asdemais naes. ESCOLA FISIOCRATA Fisiocrata vem de fisiocracia, que significa poder danatureza. Os fisiocratas no acreditavam que uma nao pudessese desenvolver mediante, apenas, o acmulo de metais preciosos eestmulos diretos ao comrcio; acreditavam ser necessrio tambmo investimento em produo. No na produo industrial (ou Mdulo 1 35
  • 35. Introduo Economia comercial), mas na produo agrcola, pois somente nessa eram possveis a gerao e a ampliao de excedentes. Agora que voc j sabe o significado do termo fisiocrata, saberia dizer qual o objetivo da investigao dos fisiocratas? Isso mesmo! O objeto da investigao dos fisiocratas o sistema econmico em seu conjunto, sendo este conjunto regido por uma ordem natural, semelhana da ordem que rege a natureza fsica. Na Escola Fisiocrata tivemos um grupo de economistas franceses do sculo Saiba mais Teoria do Liberalismo Econmico XVIII que combateu as ideias mercantilistas A ideia central do liberalismo econmico a e formulou, pela primeira vez, uma Teoria defesa da emancipao da economia de qual- do Liberalismo Econmico. As teses do quer dogma externo a ela mesma, ou seja, a liberalismo econmico foram criadas para eliminao de interferncias provenientes de combater o mercantilismo. A Teoria Liberal qualquer meio na economia. As teses do li- beralismo econmico: foram criadas para pressupe a emancipao da economia de combater o mercantilismo. Fonte: . Acesso em: 30 jun. 2009. movidos por um impulso de crescimento e desenvolvimento econmico, que poderia ser entendido como uma ambio ou ganncia individual, que no contexto macro traria benefcios para toda a sociedade. ou seja, podemos entender, desde j, que o pensamento fisiocrtico uma resposta direta, ou uma reao, ao mercantilismo. Franois Quesnay (16941774), mdico da corte de Lus XV e de Madame de Pompadour, foi o fundador da escola fisiocrata, com a publicao na Frana, em 1758, do livro Tableau Economique, em que apresenta a primeira anlise sistmica da formao de uma economia no formato macro. Franois Quesnay tem uma grande importncia na economia e foi o mais influente representante da escola fisiocrata. Dentre as caractersticas da escola fisiocrata podemos destacar: 36 Bacharelado em Administrao Pblica
  • 36. Unidade 2 Evoluo do pensamento econmico comrcio baseado no regime do exclusivo comercial (metrpole e colnia); e monoplio do Estado na regulamentao das atividades comerciais. Voc esta conseguindo acompanhar nosso pensamento? Vamos adiante, ento? Mas, em caso de dvida no hesite em consultar seu tutor. Os fisiocratas concedem ordem da natureza uma economiainteiramente de mercado (capitalista), na qual cada um trabalhapara os demais, ainda que acredite que trabalhe apenas para simesmo. Os fisiocratas acreditavam que as economias obedeciam a leis naturais. O Quadro Econmico proposto por Quesnay influenciou os estudos macroeconmicos e quantitativos na cincia econmica. importante destacarmos ainda a elevada meno que osfisiocratas atribuam ordem natural decorrente da estruturaeconmica francesa por volta de meados do sculo XVIII. Tratava-se de uma economia predominantemente agrcola, sendo a terrapropriedade de carter eminentemente senhorial. O capitalismo j se desenhava na agricultura, e existia umaclasse bem definida de arrendatrios (pessoas que arrendavam asterras dos senhores para trabalhar). Tambm existiam muitoscamponeses (pequenos agricultores) em boa parte do pas. Do confronto entre a agricultura capitalista e a camponesa,obtivemos a superioridade da agricultura capitalista em termos dacapacidade produtiva. Naturalmente, isso levava crena de que Mdulo 1 37
  • 37. Introduo Economia agricultura baseada na produo capitalista (e no mais no fundamento do feudalismo), baseada na capacidade empresarial dos arrendatrios burgueses (lembre-se disso!), constitua a mais avanada e a mais desejvel das formas de produo. O nico trabalho produtivo dos fisiocratas o trabalho agrcola. E est na terra o poder de dar origem a um produto lquido que se liga, fundamentalmente, renda fundiria. Talvez, nesse ponto, resida grande limitao terica dos fisiocratas, na medida em que consideravam apenas produtivo o trabalho agrcola. Como observamos, para os fisiocratas, a sociedade governada por leis naturais semelhantes s que existem na natureza. Portanto, o Estado, no deve intervir nesta ordem natural. Com isso, conforme dito antes, criticavam o intervencionismo estatal do mercantilismo e defendiam a posio liberal do Estado, com frases que ficaram na histria: laissez- Saiba mais David Ricardo (1772-1823) faire e laissez-passer (deixai fazer e deixai passar). Economista ingls, consi- A seguir, as principais escolas do pensamento derado um dos mais im- econmico: clssica, marxista, neoclssica e portantes pensadores da keynesiana. Escola Clssica. Em opo- sio ao mercantilismo, formulou um sistema de livre comr- cio e produo de bens que permitiria ESCOLA CLSSICA a cada pas se especializar na fabri- cao dos produtos nos quais tivesse vantagem comparativa, tambm cha- A Escola Clssica refere-se a uma linha de mado de sistema de custos comparati- pensamento econmico com base em Adam vos. No ano de 1817 publicou sua obra Smith e David Ricardo. Foi com esta escola que mais conhecida: Princpios de Economia a Economia adquiriu carter cientfico integral poltica e Tributao. Fonte: . Acesso em: 30 jun. 2009. 38 Bacharelado em Administrao Pblica
  • 38. Unidade 2 Evoluo do pensamento econmicoterica do valor, cuja nica fonte original era identificada notrabalho em geral. Para Paul Singer (1985, p. VII), David Ricardo foi, ao ladode Adam Smith, o principal representante da Escola Clssica deEconomia Poltica. [...] Quase no h problema terico atualmente debatido pelos economistas, como o da teoria do valor, da reparti- o da renda, do comrcio internacional, do sistema mo- netrio, que no tenha como ponto de partida as formula- es expostas, no comeo do sculo passado, por David Ricardo. Alm da Teoria do Valor-Trabalho, a Escola Clssica baseou-se nos preceitos filosficos do liberalismo e do individualismo, efirmou os princpios da livre-concorrncia, que exerceram decisivainfluncia no pensamento revolucionrio burgus. Como podemos observar, a Escola Clssica foi uma escolaque caracterizou a produo, deixando a procura e o consumo parao segundo plano. Segundo Smith, o objeto da economia estenderbens e riqueza a uma nao. E, nesse sentido, entende Smith (1981) que a riqueza somentepode ser conseguida mediante a posse do valor de troca. Valor detroca, ele a capacidade de obter riquezas, ou seja, a faculdadeque a posse de determinado objeto oferece de comprar com eleoutras mercadorias. Smith tambm refutou as ideias mercantilistas argumentandoque a riqueza constituda pelos valores de troca, e no pela moeda,na medida em que esta apenas um meio que permite a circulaode bens. Portanto, para Smith (1981), a verdadeira fonte de riquezade um pas somente pode ser alcanada mediante o trabalho, eessa fonte somente pode ser elevada com: o aumento da produtividade; a extenso de sua especializao; e Mdulo 1 39
  • 39. Introduo Economia a acumulao do produto sob a forma de capital. Ento como se daria a distribuio da riqueza, na Escola Clssica? A distribuio do produto nacional? A distribuio do produto nacional, no pensamento clssico, continuou sendo tratada de forma tradicional onde os remunerados seguiam este padro: trabalho salrio; capital lucro; eA Lei de Say estabeleceu terra renda.que, quando umprodutor vende seu Devemos ainda destacar que a Teoria Clssica elaboradaproduto, o dinheiro que em funo de um equilbrio automtico, que ignora as crises e os vobtm com essa venda ciclos econmicos. Desse modo, a ofer ta deve criar,est sendo gasto com amesma vontade da necessariamente, sua prpria procura Lei de Say, e a soma dosvenda de seu produto salrios e dos ganhos retidos pelos consumidores deve correspondersinteticamente: a oferta quantidade global de bens oferecidos no mercado.cria sua prpria Como vimos, o referencial econmico e social dessa escolademanda. se dava com base nos princpios do liberalismo e do individualismo. Acreditava-se que um sistema de liberdade econmica, atravs de um Saiba mais Mo invisvel mecanismo impessoal de mercado Mo Smith acreditava que a natureza o melhor guia Invisvel , conseguiria harmonizar os do homem e que a Providncia Divina disps as interesses individuais. coisas de tal forma que, se os homens forem deixados livres para buscar seus prprios inte- resses, eles naturalmente agiro favorecendo Agora de maneira sucinta, vamos ver o melhor para a sociedade pois mesmo o mais como Smith concebia a funo Estado ganancioso dos motivos leva frequentemente aos mais favorveis resultados para todos. Esse no sistema econmico? Podemos o trabalho da mo invisvel. Fonte: . Acesso em: 30 jun. 2009 40 Bacharelado em Administrao Pblica
  • 40. Unidade 2 Evoluo do pensamento econmico Bem, considerando que sua obra clssica contm vriospressupostos atuais do neoliberalismo econmico, podemos afirmarque as ideias de Smith correspondiam aos anseios do poder daburguesia, e, como um liberal, ele defendia: a mais ampla liberdade individual; o direito inalienvel propriedade; a livre iniciativa e a livre concorrncia; e a no-interveno do Estado na economia. Entretanto, para Smith (1981), o Estado deveria ter trsfunes: proteger a sociedade da violncia e da invaso de outras sociedades independentes; proteger, na medida do possvel, todo membro da sociedade da injustia e da opresso de qualquer de seus membros ou oferecer uma perfeita administrao da justia; e fazer e conservar certas obras pblicas, e criar e manter certas instituies pblicas, cuja criao e manuteno nunca despertariam o interesse de qualquer indivduo ou de um grupo de indivduos, porque o lucro nunca cobriria as despesas que teriam esses indivduos, embora, quase sempre, tais despesas pudessem beneficiar e reembolsar a sociedade como um todo. Na sua anlise histrica e sociolgica, Smith acreditava que,embora os indivduos pudessem agir de forma egosta e estritamenteem proveito prprio, existia uma mo invisvel, decorrente daprovidncia divina, que levava esses conflitos harmonia. Assimpodemos dizer que a mo invisvel era o prprio funcionamentosistemtico das leis naturais. Mdulo 1 41
  • 41. Introduo Economia O fundamento no pensamento smithiano Saiba mais John Stuart Mill (1806-1873) o fato de haver indicado quase todos os problemas que viriam a ser objetos de reflexo Economista ingls que trouxe cientfica subsequente. De Smith, partiram todas ao pblico os ensinamentos as demais linhas de pesquisa que sero tratadas da escola clssica. Seu livro intitulado Princpios de Econo- por outros economistas, como Marx Keynes. mia Poltica foi publicado Adam Smith teve muitos seguidores, dos pela primeira vez em 1848 e teve desta- quais destacamos os seguintes: John Stuart Mill que como indicao de leitura at ser pu- e Jean Baptiste Say. Cabe ressaltar que alguns blicado o livro de Alfred Marshall economistas daquela poca rejeitaram a lei intitulado Princpios Econmicos, em 1890. formulada por Say e dentre eles podemos Fonte: Brue (2006). destacar: Malthus, Karl Marx e Keynes. Jean Baptiste Say (1767-1832) Economista francs que estu- Voc j deve ter ouvido falar de Malthus, dou a fundo a obra do funda- devido ao enfoque da teoria formulada sobre dor da Escola Clssica, Adam a falta de alimentos para atender ao grande Smith. Say, como ficou conhe- crescimento da populao e que, at os dias cido, acreditava na liberdade de hoje, conquista um batalho de seguidores do mercado e criou uma lei que acabou pelos quatro cantos do planeta. Mas quem foi levando o seu nome e que dizia o seguin- te: a oferta cria sua prpria demanda, ou Malthus? Qual o nome dado a esses novos em outras palavras, a prpria produo seguidores da teoria de Malthus? estimula o crescimento da produo. Fon- te: Hunt (2005). Thomas Robert Malthus, estudioso Thomas Robert Malthus (1766-1834) pensador ingls do seu tempo, continua fazendo daqueles personagens histria ainda nos dias de hoje com a sua famosa que quase todas as pesso- tese sobre o crescimento da populao. Na as sabem alguma coisa. sociedade mundial contempornea os seus Contudo, importante fri- seguidores ficaram conhecidos como sar que Malthus formou-se neomalthusianos. em Matemtica, e ressaltar que a sua Foi com a obra Ensaio sobre o princpio mais importante obra foi publicada de da populao, publicada anonimamente em forma annima. Para a Demografia o tra- 1798, que Malthus tornou-se conhecido balho de Malthus tem um destaque es- mundialmente. Das suas ideias, a mais famosa pecial. Fonte: Szmrecsnye (1982.) dizia que, enquanto a populao tinha tendncia 42 Bacharelado em Administrao Pblica
  • 42. Unidade 2 Evoluo do pensamento econmicoa crescer de forma geomtrica, os alimentos cresciam de formaaritmtica. Embora atraente, bvio que, nos dias de hoje, temoscerta dificuldade em pensar assim, devido s transformaestecnolgicas ocorridas na agricultura e ao sucesso dos mtodos decontrole de natalidade. Tanto Malthus quanto Ricardo tiveram grande influncia deAdam Smith. Na realidade, o ingls Ricardo adquiriu fortuna, desdemuito jovem, operando na Bolsa de Valores. Divergiu dos estudossobre populao, de Malthus, por no acreditar que a demandaefetiva seria incapaz de se realizar no mercado. De Ricardo, herdamos o importante estudo sobre a rendada terra. Segundo os seus ensinamentos, a expanso agrcola, aose dar em terras menos frteis, levava valorizao da terra maisfrtil, e nas relaes econmicas internacionais, Teoria dasVantagens Comparativas. Ao estudar a produo, Ricardo dedicou-se a tentar entendera formao do valor a partir das horas trabalhadas e suadistribuio. Na concepo ricardiana, a troca das mercadoriasestava diretamente ligada s quantidades de trabalho relativas quehaviam sido utilizada para sua produo. Era a Teoria do ValorTrabalho, que comeava a ser explicada com certos detalhes e queAdam Smith no conseguira superar. A importncia da contribuiode Ricardo para o entendimento da formao do valor na Economias veio ser percebida a partir dos estudos de Karl Marx. ESCOLA MARXISTA O representante maior desta escola foi Karl Marx (1818-1883). Nascido em Trier, no sul da Alemanha, teve a sua principalobra, O capital, publicada pela primeira vez em 1867. Ao mergulhar Karl Marxnos estudos dos clssicos, Marx avanou nas formulaes, e realizou Fonte: Marx trouxe interpretaes consistentes sobre a Teoria do Valor Mdulo 1 43
  • 43. Introduo Economia Trabalho e buscou compreender de forma profunda a realizao do capital. As contribuies efetivas de Karl Marx sobre o sistema capitalista esto reunidas nos trs volumes da obra O Capital. O volume I foi publicado em vida e os outros dois alguns anos aps sua morte. Depois da propagao da teoria formulada por Marx, que ficou conhecida como Marxista, o mundo no foi mais o mesmo. Mesmo nos dias de hoje, com forte Saiba mais Friedrich Engels (1820-1895) presena do neoliberalismo, as teorias elaboradas por Marx so respeitadas, as Filsofo alemo, que colabo- rou com Karl Marx em muitos defesas das suas ideias continuam trabalhos, fundando juntos o despertando interesse e sendo estudada. chamado socialismo cientfico ou marxismo. Francis Wheen abriu o livro de sua autoria, Foi no estudo do processo de intitulado Karl Marx, com as se- acumulao capitalista que Marx guintes palavras: Havia apenas onze pessoas observou a gnese das crises, ora de presentes no funeral de Karl Marx, em 17 de superproduo, ora de estagnao, bem maro de 1883. Seu nome e sua obra permane- como a distribuio da renda. Para ele, o cero por sculos afora, predisse Friedrich valor da fora de trabalho despendido Engels, numa orao fnebre no cemitrio de para produzir uma mercadoria era Highgate. Parecia uma presuno improvvel, determinado pelo tempo de trabalho mas ele tinha razo. Fonte: Wheen (2001). empregado na produo da mercadoria. Logo podemos dizer que Marx refere-se aDe acordo com a compreenso de um valor social.concepo do Marx publicou alguns livros em parceria com o amigo de vidamaterialismo histrico, a Friedrich Engels, sendo o primeiro A sagrada famlia, de 1845. O livrotransformao social Ideologia alem, escrito por Marx e Engels por volta de 1845 a 1846, vest ligada aodesenvolvimento da s veio a ser publicado em 1932, e considerado um dos trabalhosforas produtivas. O livro mais significativos para a compreenso do materialismo histrico.Manifesto do Partido Outro fator que precisamos destacar que Karl MarxComunista, de Marx, em elaborou uma crtica cientfica do capitalismo, e este um dosco-autoria com Engels,foi publicado em 1848 e motivos pelos quais sua obra continua tendo grande repercusso,inaugurou a tornando-se um autor obrigatrio a ser lido ainda hoje. SegundoModernidade. 44 Bacharelado em Administrao Pblica
  • 44. Unidade 2 Evoluo do pensamento econmicoBraga (1997), so inmeras as evidncias histricas dacontemporaneidade da teoria econmica de Marx. Por exemplo, aLei Geral da Acumulao Capitalista e a Globalizao Financeira. ESCOLA NEOCLSSICA Podemos dizer que o desenvolvimento deste pensamento foievidenciado em 1870, ano que marcou a mundializao dasrelaes econmicas, e estendeu-se at 1929, quando uma grandecrise atingiu as economias dos pases, colocando em suspense ospressupostos da Cincia Econmica dos clssicos. Voc sabia que essa escola tambm fico conhecida como Marginalista? Isso mesmo a Escola Neoclssica foi uma extenso da EscolaMarginalista, por buscar a integrao da Teoria do Valor com aTeoria do Custo de Produo. Uma maior otimizao dos recursosdevido escassez passou a ser objetivada. Destacamos como sendoda Escola Neoclssica: Vilfredo Pareto: poltico, socilogo e economista italiano, que formulou a famosa teoria do bem-estar social, influenciado pelos princpios do equilbrio geral. Sua principal obra, Manual de Poltica Econmica, foi publicada em 1906. Pareto influenciou a anlise atual onde se discute o grau de satisfao dos indivduos, ao aperfeioar a teoria de Walras. De acordo com Brue, o estado timo de Pareto implica em: uma distribuio ideal de bens entre os consumidores; uma alocao ideal tcnica de recursos e quantidades ideais de produo (BRUE, 2006, p. 394). Mdulo 1 45
  • 45. Introduo Economia Lon Walras: demonstrou em suas formulaes a interdependncia entre os preos, quando na busca pelo equilbrio geral macroeconmico da economia. Pertenceu a Escola Matemtica de Lausanne (PINHO; VASCONCELLOS, 2003, p. 36-37). Alfred Marshall: nascido em Bermondsey, um subrbio de Londres, em 26 de julho de 1842. Filho de William Marshall e Rebeca Oliver, cresceu no bairro londrino de Clapham. Estudou em Cambridge, onde se dedicou matemtica, fsica e, posteriormente, economia. Morreu em julho de 1924, aos 81 anos. Foi um dos mais influentes economistas de seu tempo. Em seu livro, Princpios de Economia (Principles of Economics) procurou reunir num todo coerente as teorias da oferta e da demanda, da utilidade marginal e dos custos de produo, tornando-se o manual de economia mais adotado na Inglaterra por um longo perodo. ESCOLA KEYNESIANA Saiba mais John Maynard Keynes (1883-1946) O ponto de partida do pensamento de Criador da Teoria Macroeconmica, John Maynard Keynes que o sistema continua sendo considerado um capitalista tem um carter profundamente dos mais importantes economis- instvel. Ou seja, a operao da mo tas do sculo XX. Em 1936 lanou o invisvel, ao contrrio do que afirmavam os livro que o consagrou, A Teoria economistas c