apostila introducao aos salmos cbmoema 2013

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Introdução aos Salmos Comunidade Batista em Moema Verão de 2013

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  • Introduo aos Salmos

    Comunidade Batista em Moema

    Vero de 2013

  • Introduo aos Salmos

    Introduo aos Salmos

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    Contedo

    Introduo ______________________________ 3

    I. O Ttulo do Livro __________________________ 3

    II. A Organizao do Saltrio _________________ 3 A. Cinco Livros em Um _________________________ 3 B. As explicaes para o formato do livro dos Salmos _ 4 C. A Histria da Formao do Saltrio _____________ 4 1. Primeiro Estgio: Poemas Isolados ______________ 4 2. Segundo Estgio: Coletneas de Poemas __________ 4 3. Terceiro Estgio: Reunio das Diversas Coletneas _ 5 4. Quarto Estgio: A Editorao Final ______________ 5

    III. Aspectos Tcnicos no Estudo dos Salmos __ 5 A. Os Ttulos dos Salmos _______________________ 5 B. Termos Tcnicos para Designar Tipos de Salmos. __ 5 C. Termos Musicais Mais Importantes. _____________ 5 D. Indicadores histricos da vida de Davi. __________ 6

    IV. Mtodos de Interpretao dos Salmos _______ 6

    Paralelismo _____________________________ 7

    I. Definio de Paralelismo ____________________ 7

    II. Classificao e Exemplos ___________________ 7 A. Quanto posio ____________________________ 7 B. Quanto ao sentido ___________________________ 7 C. Quanto mtrica ____________________________ 8

    Figuras de Linguagem ____________________ 8

    Introduo _________________________________ 8 I. Definio __________________________________ 9 II. Classificao das figuras de linguagem ___________ 9 A. Figuras de Comparao. ______________________ 9 B. Figuras de Substituio ______________________ 10

    Apndice Sobre Figuras de Linguagem ou de

    Retrica ___________________________________ 13 Parbolas ___________________________________ 13 Princpios para interpretao de parbolas __________ 13 Alegorias ___________________________________ 13

    Gattungen ou Os Vrios Tipos de Salmos ______ 14 Introduo __________________________________ 14 I. Lamento do Indivduo _______________________ 14 A. As partes do Lamento do Indivduo ____________ 14 B. Exemplo de um lamento do indivduo (Salmo 38) _ 15 II. Lamento da Nao _________________________ 15 A. Os elementos do Lamento da Nao ____________ 16 B. Exemplo de um Lamento da Nao: Salmo 74 ____ 16

    III. Louvor Declarativo do Indivduo __________ 16 A. Partes do Louvor Declarativo do Indivduo. ______ 17 B. Exemplo de um Louvor Declarativo do Indivduo. Salmo 30 ___________________________________ 17

    IV. Louvor Declarativo da Nao _____________ 17 A. Partes do louvor Declarativo da Nao __________ 17 B. Exemplo de um Louvor Declarativo da Nao: Salmo 107 ________________________________________ 17

    V. Salmos de Louvor Descritivo ______________ 18 A. Partes do Salmo de Louvor Descritivo ___________ 18 B. Exemplo de um Salmo de Louvor Descritivo: Salmo 113 ________________________________________ 18

    VI. Salmos Didticos. _______________________ 18 A. Salmos de Sabedoria ________________________ 19 B. Salmos da Lei ______________________________ 19 C. Exortaes profticas ________________________ 19 D. Liturgias __________________________________ 19

    Mtodo de Estudo para os Salmos ___________ 19

    Apndices _______________________________ 22

    Classificao dos Salmos por Tipo ____________ 22

    Autoria dos Salmos _________________________ 23

    Cronologia dos Salmos ____________________ 23

    Organizao dos Salmos ___________________ 23

    Cristo nos Salmos ________________________ 24

    Salmos fora do Saltrio ______________________ 25

    Salmos nos apcrifos ________________________ 26 Eclesistico 51.1-12 ___________________________ 26 Eclesistico 42.15-43.33 ________________________ 26 Tobit 13 _____________________________________ 27

    Bibliografia _____________________________ 29

  • Introduo aos Salmos

    Introduo aos Salmos

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    Introduo

    Este material foi adaptado da apostila de Salmos, produzida pelo Prof. Carlos Osvaldo Pinto, Deo do Seminrio Bblico Palavra da Vida

    Nenhum outro livro do Bblia apresenta a mesma variedade do livro de Salmos. Ele foi o de elaborao mais demorada, cobrindo um perodo de aproximadamente mil anos, desde o xodo at o cativeiro babilnico. Seus autores vo desde os grandes lderes da nao israelita, como Moiss, Davi e Salomo, a desconhecidos israelitas que atravs do cntico e da poesia expressaram sua f em Yahweh, o Deus de Israel. Mais que qualquer outro livro da Bblia os salmos apresentam a experincia humana em sua totalidade, das alturas da euforia aos abismos do desespero; neles se encontram mescladas a f e a dvida, o amor e o dio, a piedade e o mal, a glria e a misria do homem como indivduo e comunidade. No prefcio de seu valioso comentrio sobre os salmos (Psalms, EBC, vol. 1, Moody Press, p. 6) Robert Alden escreveu com muita propriedade:

    No no Novo Testamento que se encontra a melhor literatura devocional, e sim no Antigo, no livro de Salmos. Pelo fato dos salmistas falarem em generalidades, os Salmos podem ser . . . aplicados largamente. Aqui, mais do que em qualquer outro lugar da Bblia, pode-se ouvir bater o corao dos santos. Aqui encontramos as expresses mais exaltadas da grandeza de Deus; aqui encontramos os gemidos mais amargos dos pecadores e dos aflitos. Nos salmos encontramos algo para qualquer pessoa, seja qual for o seu estado de esprito.

    evidente que toda esta riqueza s pode ser devidamente assimilada mediante um estudo profundo da literatura hnica de Israel, tanto em seu todo como em cada uma de suas partes. Tal tarefa transcende em muito os objetivos e possibilidades deste curso; por isso, procuraremos limitar ao mnimo necessrio as discusses tcnicas, usando-as como simples ferramentas para uma melhor compreenso do texto. Possa o Esprito Santo, que guiou cada um dos muitos salmistas a registrar palavras inspiradas por Deus, tambm nos guiar uma compreenso e aplicao correta destes poemas de devoo, contrio, esperana e vitria.

    I. O Ttulo do Livro

    A. O Ttulo Hebraico: O ttulo definitivo dado pelos israelitas antologia de hinos usados pela comunidade no Templo e por indivduos em particular foi o termo hebraico tehillm. Esta palavra vem de uma raiz hebraica que utilizamos na expresso Aleluia (Louvai a Yahweh), e poderia ser traduzida por "louvores".

    verdade que no h um nico termo capaz de comunicar tudo o que est contido nos salmos, mas a escolha foi at certo ponto feliz, pois a maioria dos salmos contm elementos de louvor.

    B. O Ttulo Portugus: O ttulo Salmos vem do manuscrito da Septuaginta conhecido como Codex Vaticanus (yalmov). A expresso O Livro dos Salmo vem da Vulgata (Liber Psalmorum) e a expresso saltrio (usada para representar toda a coleo) se encontra no manuscrito da Septuaginta conhecido como Codex Alexandrinus. O termo grego denotava no grego clssico a msica produzida por um instrumento de corda. Devido influncia da Bblia grega e ao avano do Cristianismo, o termo grego para Salmos veio adquirir o sentido de cntico de louvor, e a idia de que tais cnticos de louvor poderiam ter sido acompanhados por instrumentos de corda passou para um plano secundrio ou foi completamente esquecida (Cristoph F. Barth, Introduction to the Psalms, Scribners, 1966, p.1).

    II. A Organizao do Saltrio

    A. Cinco Livros em Um

    At o aparecimento da verso Revista e Atualizada da SBB, o estudante brasileiro ignorava, de modo geral, o fato de que o Livro dos Salmos de fato uma coleo de cinco livros. Conforme pode ser verificado, estes livros so os seguintes:

    Livro I Salmos 1 41

    Livro II Salmos 42 72

    Livro III Salmos 73 89

    Livro IV Salmos 90 106

    Livro V Salmos 107 150

    Cada um destes livros se encerra com uma doxologia, sendo que, no caso do quinto livro, todo um salmo (150) cumpre esta funo, formando um

  • Introduo aos Salmos

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    grand finale para toda a coleo. Esta diviso certamente j existia antes da formao da Septuaginta (c. 200 A.C.), pois esta j contm as doxologias ao final dos quatro primeiros livros.

    B. As explicaes para o formato do livro dos Salmos

    A traduo judaica explica o formato do livro como um eco consciente do Pentateuco. Literatura judaica do perodo talmdico (entre a.D. 200 e 500) afirma que assim como Moiss deu a Israel os cinco livros da Lei, assim Davi deu cinco livros de salmos a Israel... Embora alguns comentaristas concordem com a idia que a estrutura do livro de Salmos uma tentativa artificial de espelhar o Pentateuco, ningum jamais conseguiu apontar quaisquer correspondncias especficas dignas de nota entre os dez livros, respectivamente.

    bem mais natural e lgico considerar que o presente formato do livro no um esforo de imitar o Pentateuco, mas o resultado de um processo gradativo de acrscimo, em que os livros foram sendo unidos aos anteriores at que a presente antologia fosse completada.

    Uma evidncia deste processo gradativo na formao do saltrio se encontra nos livros I e II, comumente chamados de saltrios Yahwhstico e saltrio Elohstico, respectivamente. Essa nomenclatura se deve ao fato de no Livro I o nome prprio Yahweh ser usado 272 vezes e o ttulo genrico Elohim ocorrer apenas 15 vezes, ao passo que no Livro II Elohim ocorre 164 vezes e Yahweh 30. Alm dessa diferena estatstica, trechos paralelos no Livro II usam Elohim, enquanto o Livro I emprega Yahweh. Compare, por exemplo, os Salmos 14 e 53, e 40. 13 17 com o Salmo 70.

    Embora a cronologia no seja a nica razo para tais diferenas, ela teve seu papel, com a tendncia mais recente de substituir o tetragramaton (YHWH) por outros termos.

    C. A Histria da Formao do Saltrio

    Cristoph Barth comparou a formao do saltrio formao de um rio. Primeiro surgem as pequenas fontes que alimentam os regatos; estes por sua vez, formam os pequenos rios, que contribuem para os grandes afluentes, que por sua vez formam o grande e largo rio principal. Creio que a esta metfora deve ser acrescentada, como sua razo e direo, a pessoa e a obra

    inspiradora do Esprito Santo. Pressupondo a constante superviso e controle do Esprito sobre autores e editores, ao longo dos sculos, oferece-se uma hiptese do desenvolvimento do saltrio.

    1. Primeiro Estgio: Poemas Isolados

    Os Salmos devem ter comeado com poemas escritos por indivduos diversos surgiram assim uma orao de Moiss, uma cano de Davi, etc. Alguns desses poemas foram escolhidos para uso litrgico, outros no (como por exemplo, Ex 15, Dt 32, Jz 5, 2 Sm 1). Nem todos os presentes na antologia utilizada liturgicamente foram escritos com esse fim (como por exemplo Sl 90, 2 Sm 22, 1 Cr 16.7ss). Alm disso, razovel afirmarmos que ao tempo de Davi j havia composio de salmos visando especificamente o uso no Tabernculo (cf. 1 Cr 16.4).

    2. Segundo Estgio: Coletneas de Poemas

    Aqueles poemas em que a comunidade religiosa de Israel reconhecia as marcas da inspirao e autoridades divinas comearam a ser preservados e colecionados. claro que houve mais de uma coletnea, e mais de um processo de coleo. Uma prova clara deste fato se encontrar em Salmos 71.20, Findam-se aqui as oraes da Davi, filho de Jess. Esta frase no deve se referir aos primeiros 72 salmos, pois h entre eles vrios que no foram escritos por Davi; alm disso, h outros 17 salmos davdicos entre os salmos 73 e 150. Isto indica que aquele salmo (72) em algum ponto da histria religiosa de Israel, foi o ltimo de uma coleo de poemas davdicos.

    2 Crnicas 29.30 nos sugere ainda que ao tempo de Ezequias j existiam duas colees distintas de poesia religiosa, as palavras de Davi e as palavras de Asafe. Estas ltimas se encontram, em sua maioria, no terceiro livro da verso cannica do livro de Salmos.

    Outra evidncia desse processo de coleo, so os chamados cnticos de romagem (120 134).

    A grande atividade literria ao tempo de Ezequias (cf. 2Cr 29.30 e Pv 25.1) d margem a uma conjectura de que foi a poca em que o saltrio comeou a ganhar forma mais ou menos definitiva, embora o processo s viesse a alcanar seu fim aps o exlio babilnico.

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    3. Terceiro Estgio: Reunio das Diversas Coletneas

    J sugerimos a poca de Ezequias como provvel data em que este processo se iniciou. Leupold nos diz que Parece estar ficando evidente que diferentes colees foram organizadas por pessoas diferentes em perodos sucessivos ao longo de um grande intervalo de tempo.

    4. Quarto Estgio: A Editorao Final

    Delitzsch firmou que a coleo mostra as marcas da mente que a organizou. A coleo dos dois primeiros salmos e dos seis ltimos sugere uma escolha inteligente e deliberada. Parece-nos impossvel determinar um nico argumento para todo o livro, mas h uma srie de contrastes, temas comuns e refres que apontam para o trabalho de um indivduo, cuja identificao presentemente impossvel. A data certamente anterior aos Manuscritos do Mar Morto, e me parece razovel situ-la ao tempo de Esdras, poca em que tambm houve grande atividade literria em Israel.

    III. Aspectos Tcnicos no Estudo dos Salmos

    A. Os Ttulos dos Salmos

    A maioria dos comentrios crtico-exegticos tem uma viso muito negativa dos ttulos dos salmos, considerando-os historicamente inexatos e, portanto, sem valor para a determinao do autor e do Sitz im Leben(*) em que foram compostos. Esta posio pode ser refutada firmemente, nas seguintes bases:

    1. eles formam parte da histria da tradio judaica;

    2. h evidncia abundante, fora dos Salmos de que Davi foi escritor de poesia;

    3. os salmos so introduzidos de modo caracterstico, que indica autoria e no simples referncia ou imitao de estilo;

    4. os autores do Novo Testamento basearam argumentos teolgicos nos ttulos dos salmos, cf. At.2.29;

    5. a descoberta de literatura potica anterior a ou contemporaneamente da literatura davdica indica a possibilidade dos salmos davdicos terem em seus ttulos uma conotao histrica exata ao estudo dos

    mesmos.

    (*)Sitz im Leben (Alemo) "situao na vida ou contexto", usada na crtica da forma para referir-se ao contexto sociolgico dos gneros utilizados. Ento a Sitz de um salmo de splica seria um dia de jejum e splica (ex: Juzes 20.26 ou 2Cr 20.3), enquanto o contexto histrico do Salmo 80 (uma splica) seria o exlio.

    B. Termos Tcnicos para Designar Tipos de Salmos.

    1. Salmo. Cano acompanhada pelo tangimento das cordas de um instrumento. 57 salmos tm esta designao.

    2. Cnticos. Cntico ou cano. 12 salmos apresentam este ttulo.

    3. Masquil. A SBB traduz por salmo didtico mas a idia mais provvel a de poema para meditao. 13 salmos so assim designados.

    4. Hino. A palavra hebraica de origem muito obscura. A LXX e escritos hebraicos mais recentes indicam que se trata de um poema para ser inscrito ou gravado, uma epigrama. A traduo da SBB hino uma mera conjectura. O termo encontrado no ttulo de seis salmos.

    5. Orao. Encontrado em cinco salmos.

    6. Louvor. Usado no Salmo 145.

    C. Termos Musicais Mais Importantes.

    1) Ao mestre de canto. Este ttulo traduz uma expresso hebraica obscura, que parece ser derivada de um verbo que significa ser preeminente. Da a idia de serem os 57 salmos que contm esta expresso dedicados ao chefe do coro de levitas que ministrava no santurio.

    2) Salmo dos filhos de Cor. Este ttulo quase certamente indica execuo e no autoria, conforme se pode ver no Salmo 88.

    3) Jedutum. Em 1Cr 16.41 encontramos um certo Jedutum, que era um dos principais cantores encontrados por Davi. Seu nome nos salmos pode indicar um grupo de cantores litrgicos que tinha Jedutum por seu patrono.

    4) Indicadores instrumentais

    a) Sobre Meginote: Com instrumento de corda. Encontrado nos salmos 4, 5, 54, 55,

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    67, 76, e 61 (no singular).

    b) Sobre donzelas: indicando, portanto, com instrumentos afinados voz de soprano ou para vozes femininas. Encontrado no Salmo 42.

    c) Sobre Seminite: Acompanhamento com alade de oito cordas. Encontrado nos salmos 6 e 12.

    d) Sel: Este termo, de origem e significado obscuros foi suprimido pela SBB, apesar de ser usado 71 vezes nos Salmos (e 3 vezes em Habacuque 3) A conjectura mais provvel para seu significado a que busca sua derivao em um verbo que significa levantar. Neste caso, significaria uma ocasio em que, na leitura pblica do salmo, o(s) leitor(es) deveria(m) levantar a voz, ou levantar os olhos (i.e., para ler novamente o versculo). Este termo ocorre mais nos trs primeiros livros, o que pode (mas no necessariamente) uma indicao de que um termo de grande antiguidade; isto sugerido pelo fato de que as verses antigas parecem tambm ignorar seu significado. Exemplos: Sl 39.5; 46.3,7,11.

    5) Indicadores meldicos

    a) Para Os lrios (Sls 45, 60, 69, 89)

    b) Para A cora da manh (Sl 22)

    c) Segundo A pomba muda nos lugares distantes (Sl 56)

    d) No destruas (Sls 57, 58, 59, 75)

    e) Segundo Morte de um filho (Sl 9)

    Qualquer tentativa de identificar estes indicadores simples tentativa. At mesmo os ttulos das melodias so de difcil traduo, como as verses antigas podem comprovar amplamente.

    6) Indicadores litrgicos

    Os mais significativos so os chamados cntico de subida. A maioria dos eruditos prefere entend-los como cnticos de peregrinao (Sls 120 a 134).

    D. Indicadores histricos da vida de Davi.

    Estes indicadores se encontram nos seguintes

    salmos: 3, 7, 18, 34, 51, 52, 54, 56, 57, 59, 60, 63 e 142. Embora nem todos estes indicadores encontrem paralelo nas narrativas sobre a vida de Davi, sua fidedignidade no deve ser colocada em dvida, pois h acordo nas passagens paralelas e o material de Samuel, 1 Reis e 1 Crnicas obviamente seletivo.

    IV. Mtodos de Interpretao dos Salmos

    A. Mtodo histrico tradicional. Busca relacionar, sempre que possvel, o salmo a um incidente histrico na vida do salmista. Mesmo quando no h indicador histrico, os que adotam este mtodo procuram reconstituir a situao histrica.

    B. Mtodo literrio-analtico. Com base em critrios analticos, como linguagem, forma potica, conceitos teolgicos e hipotticos referncias a incidentes histricos, os defensores deste mtodo dataram a maioria dos salmos no perodo dos Macabeus. O saltrio era o livro de cnticos do segundo templo. A arqueologia e o maior conhecimento das lnguas e culturas do Oriente Prximo antigo demoliram os argumentos dos proponentes deste mtodo.

    C. O mtodo da crtica da forma. Este mtodo se desenvolveu principalmente no trabalho de Herman Gunkel, Einleitung in die Psalmen. Gunkel tinha a premissa bsica de que todos os poemas sacros de Israel haviam sido escritos como acompanhamento de um ato ritual, ou seja, que os salmos surgiram das vrias cerimnias do culto israelita. A estas ocasies ele denominou Sitz im Leben. O outro ngulo da obra de Gunkel diz respeito aos tipos de salmo. Poemas com um mesmo Sitz im Leben se desenvolviam segundo uma forma comum. A esta forma ou tipo ele denominou Gattung(*). Cada Gattung exibe:

    a) Uma ocasio comum

    b) Um depsito comum de idias e sentimentos

    c) Formas comuns de expresses

    d) Temas ou motivos comuns

    (*) Gattung (Alemo) Classe, tipo ou gnero.

    Esta abordagem muito til, embora sua

  • Introduo aos Salmos

    Introduo aos Salmos

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    premissa bsica limite muito o conceito bblico da autoria dos salmos, que sugere muitas vezes a expresso espontnea e individual de devoo a Deus. Por isso, para efeitos deste curso, ampliaremos o sentido da expresso Sitz im Leben, de modo a significar aquela situao pacfica na vida do salmista, fosse ela parte de sua experincia ou no, em que se originou determinado poema.

    Um outro defeito desta abordagem a tendncia de forar os poemas em moldes pr-determinados. Embora os autores bblicos seguissem certos padres literrios, no se deixavam dominar por eles e da surgem variaes compreensveis e perfeitamente aceitveis dentro de cada Gattung.

    D. O mtodo litrgico. Este mtodo constri sobre o alicerce da crtica da forma, afirmando, entretanto, que os salmos devem ser interpretados luz de sua funo na liturgia israelita. Defensores desta abordagem postulam certos festivais (de base bblica muito suspeita) que teriam dado ocasio a que a grande maioria dos salmos fosse escrita. Embora admitamos o uso litrgico dos salmos, no parece haver base bblica para fazer do culto israelita a nica fonte de poesia sacra em Israel.

    E. O mtodo escatolgico-messinico. Defensores deste mtodo procuram relacionar ao mximo os detalhes dos salmos pessoa de Jesus e ao reino messinico. Embora haja valor neste mtodo, pois a Bblia deve nos levar a uma contemplao, apreo e adorao da pessoa de Cristo, h perigos bvios, como o de impor nosso panorama teolgico a autores que tinham uma perspectiva teolgica bem mais limitada, e ainda o de ignorar aspectos histrico-culturais importantes.

    F. O mtodo utilizado neste curso. Nosso mtodo ser ecltico, procurando utilizar os pontos fortes dos mtodos acima mencionados e rejeitando suas fraquezas. Creio que estes mtodos no so mutuamente exclusivos; assim sendo procuramos entender o salmo luz de seu contexto histrico, luz de sua forma literria prpria, buscando descobrir qual sua mensagem para a gerao do autor, que relao possa haver com a pessoa e obra de Jesus Cristo e quais as aplicaes vlidas para o crente no dia de hoje.

    Paralelismo

    I. Definio de Paralelismo

    Esta caracterstica marcante da poesia hebraica pode ser definida simplesmente como a correspondncia entre dois versos ou duas linhas.

    Tal correspondncia no implica exclusiva ou necessariamente em igualdade de idias. As linhas podem ser relacionadas de diversas maneiras: equivalncia, semelhana semntica, semelhana gramatical, semelhana mtrica e iluminao de uma linha por outra so os relacionamentos mais importantes.

    II. Classificao e Exemplos

    Os paralelismos podem ser classificados de trs maneiras bsicas: quanto posio, quanto ao sentido e quanto mtrica. As trs classificaes no so mutuamente exclusivas, antes pelo contrrio.

    A. Quanto posio

    Direto Quando a ordem de idias a mesma nas duas linhas. Quanto a mim, quase me resvalaram os ps, Pouco faltou para que se desviassem os meus passos. (Sl. 73.2)

    Quistico Quando a ordem das idias

    invertida entre as suas linhas. Tu, Deus, bem conheces a minha estultcia e as minhas culpas no te so ocultas (Sl 69.5)

    B. Quanto ao sentido

    Sinnimo Quando h ntima semelhana entre as duas linhas A sua malcia lhe recai sobre a cabea E sobre a prpria mioleira desce a sua violncia. (Sl 7.17 (16))

    Climctico Quando a segunda linha

    repete a primeira, exceo do ltimo elemento. Tributai ao Senhor, filhos de Deus Tributai ao Senhor glria e fora. (Sl 29.1)

    Sinttico Quando a segunda linha retoma

  • Introduo aos Salmos

    Introduo aos Salmos

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    e expande o pensamento iniciado na primeira. Porque o Senhor o Deus supremo E o grande rei acima de todos os deuses (Sl 95.3)

    Emblemtico Quando uma das linhas

    apresenta a idia central e outra e ilumina com uma imagem ou figura. Como suspira a cora pelas correntes de guas Assim, por ti, Deus, suspira a minha alma. (Sl 42.1)

    Antittico Quando h um contraste de

    idias entre as linhas. Pois o Senhor conhece o caminho dos justos Mas o caminho dos mpios perecer. (Sl 1.6)

    C. Quanto mtrica

    Neste caso, a relao entre as duas linhas puramente mtrica e no semntica ou proposicional. praticamente impossvel de observar no texto em portugus. Considera os meus inimigos, pois so muitos E me abominam com dio cruel. (Sl 25.19) No texto hebraico cada destas linhas possui trs slabas tnicas.

    Figuras de Linguagem

    Introduo

    Antes de podermos entender mais profundamente e perceber a riqueza da poesia hebraica, em suas expresses e imagem mais significativas, precisamos ter uma noo ainda que superficial da natureza e da dinmica da poesia.

    Aristteles considerava como essncia da poesia a imitao e a harmonia, relacionando a primeira inteligncia e a segunda esttica.

    Sculos mais tarde, Wordsworth sugeria que expresso, em vez de imitao, era o que se deveria considerar a essncia da poesia. Ele afirmou que Poesia o fluir espontneo de sentimentos poderosos. Outros sugerem que poesia a arte de expressar a imaginao.

    Uma definio de poesia que bem abrangente me foi sugerida por Allen Ross. Poesia a expresso de uma paixo pela verdade, beleza e poder, incorporando e ilustrando suas concepes por meio de imaginao e fantasia, e modulando sua linguagem no princpio da variedade na uniformidade.

    necessrio reconhecer a maneira do poeta utilizar as palavras. Ele pode lanar mo de qualquer uma das duas faces que cada palavra tem (potencialmente). Estas faces so seus sentidos denotativos e conotativos. O primeiro o sentido corriqueiro, no-emocional das palavras; o segundo o sentido muitas vezes secundrio, incomum, mas que capaz de provocar emoes, ou imaginaes, ou idias que vo alm do literal. claro que este sentido conotativo depende fundamentalmente do contexto em que a palavra usada. Observem-se os dois exemplos abaixo: Seu pai observava, enquanto ele lutava com os problemas de subtrao.

    Morrera-lhe quem mais amava, por vil subtrao. O sentido denotativo do termo subtrao est presente em ambas as frases. Na segunda, entretanto, h tambm o sentido conotativo, e a palavra adquire um forte contedo emocional, especialmente pela associao com a palavra vil e a idia de morte. Assim, neste contexto, um termo aritmtico, frio e neutro, ganha cores sombrias e trgicas.

    Ao lermos poesia, devemos levar em conta quatro elementos que aumentam o potencial conotativo das palavras. So eles:

    a) conotaes emocionais

    b) conotaes intelectuais

    c) efeitos alusivos

    d) efeitos sonoros

    Considere-se o exemplo abaixo:

    Tudo era dourado, e era Ado e donzela...

    A palavra donzela tem vrias implicaes:

    a) emocional, j que a palavra sugere frescor, beleza e alegria

    b) intelectual, j que a palavra implica inocncia, inexperincia, pureza

  • Introduo aos Salmos

    Introduo aos Salmos

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    c) aluso, pois o nome Ado parte do contexto e nos faz pensar em Eva, dando fora imagem do casal que se ama, mas acrescentando uma dimenso de tragdia em potencial

    d) sonoridade, pois a seqncia de sons, dourado, Ado e donzela produz um efeito quase musical, dando maior efeito poesia.

    Cabe a ns, como estudantes sinceros do texto bblico, especialmente da poesia bblica colocar em prtica a exortao feita por Carlos Drumond de Andrade, em seu poema A Procura da Poesia: Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra...

    I. Definio

    Quintiliano (c. 35 100 AD), famoso orador e escritor latino, definiu uma figura de linguagem como qualquer desvio, seja em pensamento ou expresso, da maneira simples e ordinria de falar.

    As figuras de linguagem so tambm chamadas de tropos, que so definidas como emprego de palavras em sentido diferente daquele que propriamente lhes corresponde, mas que tem com este qualquer relao de semelhana, de compreenso, de contrariedade ou de conexo (Novo Dicionrio Brasileiro Ilustrado, IV, p. 739).

    Esta definio confirma a afirmao anterior, de que o poeta transfere palavras de um campo semntico para outro, em que ela no comumente usada, fazendo uso de seu sentido denotativo e de seu sentido conotativo, buscando assim criar no leitor uma emoo ou um sentimento que ele mesmo possui.

    Ateno, pois, para essas transferncias de campos semnticos, pois so elas os primeiros indicadores de que se usou uma figura de linguagem.

    Um outro alerta deve ser dado para a natureza elptica das figuras de linguagem. Alm disso, figuras de linguagem so evocativas, exigindo que o exegeta procure recriar as emoes e intenes do autor, buscando valid-las a partir do texto e do contexto histrico. Por isso, a exegese uma mistura de cincia e arte.

    II. Classificao das figuras de

    linguagem

    Para efeito de simplificao, dividimos todas as figuras de linguagem em duas classes maiores; figuras de comparao e de substituio.

    A. Figuras de Comparao.

    Consideraremos as trs figuras de comparao mais importantes: smile, metfora e hipocatstase. Nestas trs, o autor justape campos semnticos, com o propsito de ilustrar seu pensamento e evocar no leitor um sentimento apropriado. As coisas comparadas so de natureza diferente, que no entanto, possuem algo em comum e podem, por isso, criar uma reao psicolgica. O sujeito real e aquilo a que comparado existe na imaginao do autor. Esse elemento comum deve ser determinado pelo exegeta, utilizando seu bom senso e indicaes contextuais. 1. Smile. A smile uma comparao explcita entre dias coisas ou seres de natureza distinta que possuem algo em comum. Quase sempre a smile denunciada pela presena da conjuno conformativa como. A smile uma comparao por semelhana. Toda carne como a erva (Is 40.6). Sujeito: carne Coisa comparada: erva Idia comum: transitoriedade Sentimento: temor, reflexo Pois ser como a rvore plantada junto a ribeiros de guas (Sl 1.3). Sujeito: aquele que estuda fielmente a Torah Coisa comparada: rvore beira dos rios Idia comum: sade, vitalidade, fora Sentimento: inveja, necessidade 2. Metfora. Uma comparao afirmada entre duas coisas ou seres distintos em natureza, mas que possuem algo em comum. A metfora uma declarao de que uma coisa ou representa outra; uma comparao por representao. Na metfora a conjuno como no est presente. O SENHOR Deus sol e escudo (Sl 84.11). Sujeito: O SENHOR Deus Coisa comparada: sol e escudo Idia comum: proteo Sentimento: segurana, confiana

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    Introduo aos Salmos

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    Toda a carne erva (Is 40.6) Ver em smile a explicao 3. Hipocatstase. Uma declarao que implica numa comparao entre duas coisas ou seres de natureza distinta, mas que tm algo em comum. uma comparao por implicao ou inferncia, em que o sujeito precisa ser descoberto, ao passo que o ponto de comparao se torna mais explcito. Ces me cercaram (Sl 22.16). Sujeito: homens mpios Coisa comparada: ces Idia comum: ferocidade, crueldade Sentimento: medo, repulsa

    Um leo subiu de sua ramada (Jr 4.7). Sujeito: o rei da Babilnia Coisa comparada: leo Idia comum: ataque Sentimento: medo 4. Outras figuras de comparao

    a. Antropomorfismo. Uma comparao explcita ou implcita de Deus a um aspecto corporal do homem, visando comunicar uma verdade a respeito de Deus. O autor escolher a parte do corpo humano que melhor corresponde a determinada caracterstica da pessoa de Deus. Exemplos clssicos so a face, os olhos, os ouvidos, as narinas e o corao.

    b. Zoomorfismo. Uma comparao explcita ou implcita entre a pessoa de Deus e de outras entidades e certos animais ou partes de animais. Exemplos clssicos so as asas (cf. Sls. 63.8 e 139.9).

    c. Parbola. uma smile alongada. Exemplo: Mt 13. Ver folha anexa.

    d. Alegoria. uma metfora ou hipocatstase alongada. Exemplos: Is. 5.1-7 e Ez. 16.

    e. Smbolo. Uma hipocatstase constante atravs das Escrituras, em que a coisa comparada constantemente empregada para indicar um nico sujeito. Exemplo: circunciso; drago, mar; luz.

    f. Personificao. atribuio de caractersticas, emoes humanas a seres inanimados, abstraes ou animais. Aqui tambm as coisas comparadas so de natureza diferente, sendo que a coisa a que se compara sempre a pessoa humana. uma figura poderosa para evocar sentimentos e emoes.

    Como a rvore, cuja boca faminta se aperta contra o seio doce da terra. Sujeito: rvore / terra Comparao humana: beb / me Pensamento: dependncia / sustento Sentimento: ternura, afeio, cuidado

    Embriagarei as minhas setas de sangue, a minha espada comer carne (Dt. 32.42). Sujeito: setas Comparao humana: bbado Pensamento: encharcar Sentimento: temor (ver contexto)

    B. Figuras de Substituio

    Nosso maior interesse nesta rea ir para as figuras chamadas metonmia e sindoque, bastantes comuns no livro de Salmos.

    Ao passo que nas figuras de comparao a nfase caa na semelhana, nestas a nfase cai na relao entre o sujeito e a palavra utilizada; nas figuras por comparao, a semelhana era imaginativa, ao passo que nas figuras por substituio o relacionamento real. Assim, o autor alcana vividez com economia.

    1. Metonmia: Esta palavra derivada do grego, indicando mudana no nome ou substantivo. Metonmia a substituio do que se quer indicar por uma outra palavra sugestiva ou atributiva a ele relacionada. Eis alguns exemplos:

    O Palcio do Planalto afirmou que..., indicando o Presidente. As jias da coroa, indicando as jias da rainha. Caia o seu sangue sobre nossas cabeas, indicando culpa (ou castigo) e vida. Minha casa servir ao Senhor, indicando famlia e servos. Para efeito deste curso, classificaremos as

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    Introduo aos Salmos

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    metonmias em quatro tipos: da causa, do efeito, do sujeito e do adjunto.

    a. Metonmia da causa: Nesta figura, o

    autor utiliza a causa para descrever o efeito.

    Pela boca de duas ou trs testemunhas se estabelecer o fato (Dt 19.15) Causa apresentada: boca (muito freqente a indicao do instrumento). Efeito desejado: depoimento oral, testemunho Envias o Teu furor, que os consome como restolho (EX 15.7) Causa apresentada: furor de Deus Efeito desejado: o castigo divino pela calamidade

    b. Metonmia de efeito: Nesta figura o

    autor utiliza o efeito para indicar a causa que o produz.

    Tambm te dei... para seres a minha salvao... (Is 49.6) Efeito declarado: Salvao Causa da comunicar: Salvador Desperta, minha glria... (Sl 57.9 (8)). Efeito declarado: glria Causa a comunicar: SBB: alma; COP lngua que d glria a Deus

    c. Metonmia do sujeito: Nesta figura, o

    autor substitui o contedo ou os habitantes de um lugar pelo recipiente ou lugar. Nesta classe de metonmia, o autor tende a substituir o concreto pelo abstrato.

    Bendito o teu cesto e a tua amassadeira (Dt 28.5) Sujeito (recipiente): cesto e amassadeira Objeto a comunicar: po A Etipia corre a estender mos cheias de Deus ( Sl 68.31) Sujeito (local): Etipia Objeto a comunicar: os habitantes da Etipia

    d. Metonmia de adjunto: Nesta figura, o autor substitui aquilo a que quer se referir por uma circunstncia ou qualidade a ele inerente (ou adjunta). Aqui o autor tende a substituir o abstrato pelo concreto.

    O cetro no se apartar de Jud... (Gn 49.10) Adjunto declarado: cetro Sujeito pretendido: liderana, autoridade Louvar-te-, porventura, o p? (Sl 30.10 (9)) Adjunto declarado: p Sujeito pretendido: homem morto

    2. Sindoque: Tambm derivada do grego,

    algo que se recebe de algum. Nesta figura, uma palavra recebe uma conotao de uma outra a que est relacionada, mas que no mencionada. O relacionamento entre as duas, a explcita e a implcita, se baseia em pertencerem ambas ao mesmo gnero.

    Tal como a metonmia, a figura chamada sindoque se baseia em relao, ao invs de semelhana. Na metonmia o relacionamento expresso entre coisas e seres de gneros diferentes; na sindoque, os gneros so iguais. A sindoque exige do intrprete bastante capacidade de fazer generalizaes e particularizaes. s vezes difcil distinguir entre a sindoque e a metonmia e elas muitas vezes aparecem combinadas num s versculo.

    H quatro tipos de sindoque: do gnero (em que a espcie substituda pelo gnero o mais amplo substitui o mais estreito); da espcie (em que o gnero substitudo pela espcie) o mais estreito substitui o mais amplo; do todo pela parte, e da parte pelo todo. a. Sindoque do gnero: Nesta figura, o autor substitui a espcie (uma categoria menor) pelo gnero (uma categoria mais ampla).

    A glria do Senhor ser revelada e toda a carne a ver (Is 40.5). Gnero: carne

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    Introduo aos Salmos

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    Espcie: homem Por que no me construste uma casa de cedros? (2 Sm 7.7). Gnero: casa Espcie: templo b. Sindoque de espcie: Nesta figura, o

    autor substitui o gnero (mais amplo) pela espcie (mais estreita).

    O po nosso de cada dia d-nos hoje (Mt 6.11) Espcie: po Gnero: comida Viver, e se lhe dar do ouro de Sab (Sl 72.15). Espcie: ouro Gnero: riqueza

    c. Sindoque do todo pela parte: Nesta

    figura, o autor substitui algo de natureza parcial por algo de natureza total. Esta figura de identificao difcil e considerada inexistente por alguns.

    E tu, Belm, terra de Jud (Mt 2.6) Todo: terra Parte: cidade ...se encheram da corrupo do Oriente (Is 2.6) Todo: oriente Parte: pases vizinhos a Jud (Amon, Moabe, Edom)

    d. Sindoque da parte pelo todo: Nesta

    figura, o autor substitui algo de natureza total por algo de natureza parcial. Esta figura difcil de distinguir da metonmia de causa e da metonmia do sujeito.

    Embosquemo-nos para sangue (Pv 1.11) Parte: sangue Todo: a vtima da cilada Tua semente possuir a porta de seus inimigos (Gn 4.60) Parte: porta Todo: cidade

    3. Outras figuras de substituio

    a. Merismo: O uso de extremos para indicar a totalidade.

    Sabes quando me assento e quando me

    levanto (Sl 139.2). b. Erotesis: O uso de uma pergunta para

    indicar afirmao ou negao. Se olhares, Senhor, iniqidades, quem

    subsistir? (Sl 130.3).

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    Introduo aos Salmos

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    Apndice Sobre Figuras de Linguagem ou de Retrica

    Vo aqui algumas sugestes de como distinguir as figuras, umas das outras (apenas algumas sugestes).

    Parbolas

    Parbolas so smiles prolongadas. Ao interpret-las, devemos levar em conta as seguintes consideraes: Smile Parbola

    1. Um verbo principal

    1. Pluralidade de verbos no passado

    2. Comparao 2. Comparao formal 3. Uso literal das palavras

    3. Uso literal das palavras

    4. Um ponto central de comparao

    5. Exemplo particular, ocorrncia especfica

    6. Distino entre a imagem e o sentido

    7. Estria fiel aos fatos e experincia do cotidiano

    8. Explicadas luz da idia central

    Princpios para interpretao de parbolas

    1. Procure entender os detalhes mundanos das parbolas tal como os que primeiramente a ouvirem.

    2. Observe a condio e atitude espiritual dos ouvintes.

    3. Observe, se possvel, a razo que motivou Jesus a proferir a parbola.

    4. Formule concisamente a idia central da parbola. Valide sua idia.

    5. Procure relacionar a idia central aos aspectos bsicos do ensino de Jesus. Lembre-se sempre da centralidade do reino de Deus no ensino do Mestre.

    6. Quando a maioria dos detalhes mundanos apresentada (parbola dos solos) procure focalizar ainda mais sua ateno na descoberta da idia central, para evitar alegorizao.

    7. Relacione a idia central aos seus provveis ouvintes.

    Alegorias

    Alegorias do metforas ou hipocatstases prolongadas. Ao interpret-las, devemos levar em conta as seguintes consideraes:

    Alegoria no deve ser confundida com alegorizao, que toma uma narrativa cujo propsito no era ensinar verdades por identificao. Utilizando comparao ponto por ponto, a alegorizao faz com que a narrativa comunique idias diferentes daquelas que o autor original tinha em mente. (A. B. Mickelsen, Interpreting The Bible, p. 231.)

    Metforas ou Hipocatstase

    Alegoria

    1. Verbo principal 1. Vrios verbos em vrios tempos 2. Comparao direta ou implcita

    2. Comparao direta ou implcita

    3. Palavras usadas figurativamente

    3. Palavras usadas figuradamente

    4. Vrios pontos de comparao 5. nfase em verdades gerais 6. Identificao entre imagem e

    sentido 7. Estria combina realidade com

    imaginao para ensinar verdades especficas

    8. Explicadas luz da razo por que a imagem identificada com a realidade

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    Introduo aos Salmos

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    Gattungen ou Os Vrios Tipos de Salmos

    Introduo

    J indicamos na introduo geral do curso o grande valor do trabalho de Hermann Gunkel, na classificao dos salmos em diversos tipos, determinados por certas caractersticas comuns (ocasies, idias e sentimentos, temas e formas de expresso).

    A prpria Bblia nos sugere que, ao tempo de Davi, j havia uma certa distino entre as diversas modalidades potico-musicais empregadas na liturgia israelita. O versculo chave do livro de Salmos, que se encontra em 1 Crnicas 16.4, nos indica isso:

    Designou dentre os levitas os que haviam de ministrar diante da arca do Senhor, e de celebrar, louvar e exaltar o Senhor, Deus de Israel. Com base nesse versculo, indicamos as primeiras categorias ou tipos de salmo

    a) lamento do indivduo

    b) lamento da nao

    c) salmos de louvor declarativo do indivduo

    d) salmos de louvor declarativo da nao

    e) salmos de louvor descritivo (com vrias sub-categorias).

    Alm destas, costuma-se acrescentar uma outra categoria, de origem mais recente, a dos salmos didticos.

    Vrios livros e vrios autores apresentam divises e categorias diferentes. Da mesma forma, um salmo pode ser classificado por diferentes estudiosos e categorias diversas. Isto apenas ressalta que no havia uma rigidez total nos Gattung e que h forte elemento subjetivo no estudo dos salmos (como de toda a literatura). Alm disso, h salmos que renem elementos de dois ou mais tipos, o que vem a demonstrar mais uma vez grande flexibilidade do Esprito Santo em Seu trabalho de orientar os autores bblicos na produo do texto inspirado.

    Cabe ainda na introduo uma palavra sobre os chamados salmos messinicos. evidente que alguns salmos contm elementos messinicos e, por isso, alguns so tentados a criar uma categoria ou

    tipo especial de salmos. Neste curso adotaremos a posio sugerida por Delitzsch quanto natureza dos salmos que contm elementos messinicos, procurando encaix-los nas categorias acima apresentadas e fazendo contrastes e comparaes entre eles.

    Assim, h cinco classes de salmos messinicos:

    a) tipicamente messinicos

    b) tpico-profeticamente messinico

    c) indiretamente messinicos

    d) salmos do reino escatolgico

    e) puramente messinico

    Com estas consideraes, passemos ao estudo dos diversos tipos (Gattungen)!

    I. Lamento do Indivduo

    A. As partes do Lamento do Indivduo

    1. Apelo inicial. Esta parte se caracteriza por um grito inicial de ajuda e/ou de busca de Deus.

    a. Uma expresso comum nos LI Senhor! A busca por socorro imediata.

    b. Freqentemente os LI apresentam uma petio e um lamento introdutrio, que no devem ser confundidos com a petio e o lamento propriamente ditos, os quais se encontram no meio e no fim dos salmos.

    2. Lamento. Com extenso variada, ora breve, ora longa, o salmista faz uma descrio de seu estado infeliz, perigoso e s vezes mortal. Freqentemente esta diviso apresenta trs personagens: Tu, Deus; eu; meus inimigos.

    3. Expresso de confiana. Embora na esteja presente em todos os LI, esta diviso s vezes se torna to longa e predominante que alguns comentaristas rotulam tais salmos como cnticos de confiana. So de identificao fcil devido ao seu motif e presena de conjunes adversativas.

    4. Petio. Com freqncia h a petio e a apresentao de um motivo pelo qual ela deve ser atendida. As peties normalmente

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    Introduo aos Salmos

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    incluem:

    a. Um pedido para que Deus se mostre favorvel. (Olha! Inclina os ouvidos!)

    b. Um pedido para que Deus intervenha (Salva-me! Livra-me!)

    5. Voto de louvor ou Louvor declarativo.

    a. Voto de louvor: a petio ainda est em aberto. O salmista no presume explicitamente que ela tenha sido respondida e promete louvar a Deus (ritualmente) em caso de reposta. Normalmente o contedo do voto de louvor apresentado.

    b. Louvor declarativo a Deus. Neste caso, h uma mudana abrupta na atmosfera do salmo. O salmista presume explicitamente a resposta divina e demonstra claramente sua absoluta confiana em seu livramento. Declaramos que ir louvar a Deus publicamente no templo quando sua certeza se materializa (cf. Hb 11.1). A fonte de tal confiana depende muito do Sitz im Leben atribudo ao Salmo. Partidrios da crtica da forma e do mtodo litrgico buscam a razo num suposto dilogo entre o salmista e o sacerdote diante de quem ele se apresentava com sua petio. Disto h pelo menos um exemplo bblico. Nossa posio quanto origem dos salmos deixa em aberto a possibilidade do ministrio do Esprito Santo na mente e alma do salmista, assegurando-o da interveno divina, alm de permitir um uso litrgico semelhante ao do episdio de 1Sm 1.

    * Cuidado! Este o esquema bsico, mas ele nunca se torna estereotipado. As possibilidades de variao so incomumente numerosas Claus Westermann, The Praises of God in the Psalms, p. 64

    B. Exemplo de um lamento do indivduo (Salmo 38)

    Mensagem: A esperana do salmista em YHWH o leva a confessar seu pecado, lamentar seu sofrimento, e pedir que Deus o livre de seus

    pecados e inimigos. Estrutura:

    I. Petio introdutria: A profunda dor causada pela disciplina do Senhor leva o salmista a pedir que Deus suspenda o castigo (1,2)

    II. Lamento: Os sofrimentos do salmista devido a seu pecado envolvem seu corpo, sua mente e sua social (3-12)

    A. A descrio do sofrimento fsico: O corpo do salmista sofre intensamente por causa de seu pecado (3 8)

    B. O resultado do sofrimento fsico: A mente do salmista est confusa, seus amigos o abandonam e seus inimigos o atacam violentamente (9 12)

    III. Expresso de confiana: A esperana do salmista em YHWH o leva a ignorar os ataques externos e a reconhecer seu erro, na certeza da resposta de Deus (13-20)

    A. O salmista na faz caso dos ataques externos (13 14)

    B. O salmista expressa sua confiana em Deus (15 16)

    C. O salmista expressa as razes de sua confiana (17 20)

    o Ele no tem outra alternativa (17)

    o Ele est arrependido (18)

    o Seus adversrios so fortes e o odeiam porque ele segue o bem (19 20)

    IV. Petio final: O pedido do salmista que Deus, seu Salvador, o atenda prontamente (21 22)

    II. Lamento da Nao

    Os lamentos da nao (LN) so menos numerosos do que os lamentos do indivduo (LI). Alm disso, h pouca ou nenhuma diferena entre as estruturas do LN e dos LI.

    O Sitz em Leben dos LN uma situao crtica na vida da comunidade, seja por guerra, fome, seca ou doena. Tais situaes normalmente exigem um dia especial de jejuns (cf. Jl 1.13ss.). possvel que tambm existissem dias especiais em que a

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    Introduo aos Salmos

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    memria de alguma crise era evocada (cf. Zc 7) e a era de se esperar a leitura dos LN.

    A. Os elementos do Lamento da Nao

    1. Apelo e Petio Introdutria 2. Lamento

    a. Os inimigos b. Ns c. Tu

    3. Expresso de Confiana 4. Petio e motivao

    a. Que Deus assim faa a nossos inimigos b. Que Deus assim nos faa

    5. Voto de Louvor

    B. Exemplo de um Lamento da Nao: Salmo 74

    Mensagem: A afronta dos inimigos de Israel, destruindo o santurio, leva o salmista a lamentar o sofrimento da nao e suplicar a interveno divina na preservao do povo escolhido. Estrutura:

    I. Apelo e Petio Introdutria: A aparente rejeio de Israel por Deus incoerente com sua redeno e portanto Deus deve intervir (vv. 13)

    II. Lamento: A devastao causada pelos inimigos atingiu o corao de Israel, a sua vida religiosa (vv. 49)

    A. O inimigo devastou o santurio (vv. 48)

    B. A liderana espiritual foi dizimada (v. 9)

    III. Pedido de ajuda: A memria da grande redeno efetuada no xodo leva o salmista a questionar a inatividade de Deus, indicando um pedido de socorro. (vv. 1017)

    A. A inatividade de Deus incompatvel com a blasfmia dos inimigos (vv. 1011)

    B. A redeno passada motivao para redeno presente, pois as circunstncias so semelhantes (vv. 1215)

    C. A redeno presente presente possvel em vista do grande poder de Deus (vv. 1617)

    IV. Petio e motivao: O compromisso de Deus com Israel pela aliana deve lev-lo interveno para proteger Seu nome e receber o louvor de Seu povo (vv. 1823)

    A. A interveno necessria por causa da blasfmia do inimigo (v. 18)

    B. A interveno necessria por causa da aparente quebra da aliana (vv. 1921)

    C. A interveno necessria para preservao da honra de Deus (vv. 22-23)

    III. Louvor Declarativo do Indivduo

    Estes salmos tambm so conhecidos por Cnticos Individuais de Ao de Graas. O louvor declarativo do indivduo (LDI) a conseqncia natural do LI; o LDI pressupe o LI, e se constitui na resposta do adorador graciosa interveno de Deus.

    A. A. Anderson afirma: Seu objetivo no apenas oferecer agradecimento e louvor a Deus, mas servir tambm como testemunho da obra salvadora de Deus, declarada perante toda a congregao. Assim sendo, a ao de graas do indivduo tambm um ato congregacional de adorao (Psalms, NCB, 2 vols., 1:35).

    Nestes salmos, como nos LI, o adorador se dirige diretamente a Deus, na segunda pessoa, embora em alguns deles haja referncias a Deus na terceira pessoa, especialmente quando o adorador dirige seu testemunho congregao.

    A estrutura dos LDI consta de trs partes gerais: introduo, seo principal e concluso, sendo a introduo proclamativa, a seo principal declarativa, e a concluso exortativa.

    Os LDI so pouco comuns, quando comparados aos LI, mas isto no um reflexo de ingratido ou falta de espiritualidade. Anderson indica que os Salmos de Louvor Descritivo poderiam tambm ser usados liturgicamente em lugar do LDI e que, alm disso, os prprios LI j continham forte elemento do louvor.

    O Sitz im Leben dos LDI deve ter sido a oferta de gratido (cf. Sl 66.1319; 116.12). O cntico poderia ser declarado pelo prprio ofertante ou talvez at mesmo por um dos cantores do santurio. A ocasio exata em que o salmo era declarado no

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    Introduo aos Salmos

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    se pode precisar, havendo duas opes: a prpria hora em que o sacrifcio era oferecido ou a refeio sacrificial comunitria que se seguia.

    A. Partes do Louvor Declarativo do Indivduo.

    1. Proclamao da inteno de louvar

    a. Uma frase que indique a inteno (futuro)

    b. O voto de louvor que pode ter sido particular tem que ser cumprido em pblico; a funo da proclamao era atrair a ateno da comunidade para a descrio das misericrdias de Deus

    2. Declarao introdutria da razo do louvor

    3. Retrospecto da dificuldade e da libertao

    a. Eu clamei ...

    b. Ele me ouviu ...(ou Tu me ouviste ...)

    c. Ele me livrou ...(ou Tu me livraste)

    4. Renovao do voto de louvor. Aqui ocorre o louvor em si

    5. Louvor descritivo e/ou instruo

    a. O salmista medita no atributo de Deus manifesto em seu livramento

    b. O salmista exorta a congregao a confiar no Senhor, ou a louv-Lo com ele, oferecendo, ocasionalmente, razes para tanto

    B. Exemplo de um Louvor Declarativo do Indivduo. Salmo 30

    Mensagem A experincia da libertao da disciplina pelo orgulho motiva o salmista ao louvor pessoal e comunitrio a Deus pela brevidade da sua ira e a perpetuidade da sua graa.

    1. A libertao de Deus reconhecida e declarada pelo salmista, que convoca a congregao a adorar ao Deus cuja ira dura um s instante, mas cujo favor dura uma vida inteira (vv. 15) a. Resoluo

    b. Reconhecimento

    c. Convocao

    2. O salmista recorda seu pedido de livramento das conseqncias do pecado da independncia (vv. 6-10) a. Confisso de pecado

    b. Contemplao da disciplina

    c. Recordao da splica

    3. O salmista recorda o gracioso livramento oferecido por Deus (vv. 11-12) a. Libertao leva ao louvor

    b. A disposio de louvar reiterada

    IV. Louvor Declarativo da Nao Este Gattung tambm conhecido por Cntico Nacional de Ao de Graas. Este tipo de salmo pressupe o lamento da nao. Os LDN so poucos em nmero, provavelmente pelas mesmas razes j expostas no caso dos LDI. O Sitz im Leben do LDN algum livramento de carter nacional, em que a congregao era convocada ao santurio para agradecer o louvar a Deus. Sua estrutura basicamente semelhante dos LDI, sendo menos comum a parte final de louvor descritivo e/ou instruo.

    A. Partes do louvor Declarativo da Nao

    1. Exortao e louvor (com meno freqente a um atributo de Deus)

    2. Retrospecto da necessidade ou calamidade enfrentada (muitas vezes apresentado em linguagem figurativa)

    3. Descrio do livramento oferecido por Deus

    4. Louvor descritivo e/ou exortao (mais raro nestes salmos do que no LDI)

    B. Exemplo de um Louvor Declarativo da Nao: Salmo 107

    Mensagem: As graciosas intervenes de Deus em favor de homens necessitados e as demonstraes de seu governo providencial servem como motivao para os redimidos louvarem a Deus.

    1. Os remidos do Senhor so convocados ao louvor. (vv. 13)

    2. As vrias situaes de perigo e dor so descritas. (vv. 49; 11-16; 1722; 2332)

    3. O resumo das intervenes providenciais de Deus traz a exortao final ao louvor (vv.

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    Introduo aos Salmos

    18

    3343)

    V. Salmos de Louvor Descritivo Este Gattung foi rotulado por Gunkel como Hinos de Louvor, ou simplesmente Hinos. Nossa nomenclatura foi retirada do trabalho de Westermann (The Praises of God in the Psalms, pp. 2535).

    Estes salmos tm por finalidade anunciar a grandeza de Yahweh, manifesta tanto na natureza, em sua criao e preservao, e na histria de Israel, especialmente nos grandes atos da redeno nacional.

    O tema bsico e dominante dos SLD o louvor a Deus, que o personagem central de todos eles, seja atravs de Sua ao como Criador ou Salvador. O salmista no fala a Deus, mas de Deus, em contraste com os LDI e LDN.

    Dentro desta categoria, podemos destacar duas sub-categorias que tm caractersticas marcantes. A primeira engloba os chamados salmos do reinado de Yahweh, introduzidos pela frase Reina o Senhor (47, 93, 9699); tambm j nos referimos a estes como salmos do reino escatolgico. A segunda categoria engloba os chamados cnticos de Sio, em que os louvores de Deus so substitudos pelo louvor a Sio ou Jerusalm, o lugar onde a glria de Deus se manifestava. Por isso, eles so considerados louvores descritivos implcitos. O termo tirado do Salmo 137.3.

    A. Partes do Salmo de Louvor Descritivo

    1. Prlogo

    2. Invocao ao louvor. Esta invocao pode ser expandida por uma descrio dos adoradores ou dAquele que louvado (cf. Sl 134 e Sl 150)

    3. A Causa do louvor

    a. Uma declarao resumo, normalmente introduzida com porque

    b. Exaltao das virtudes de Deus

    1) Sua grandeza e majestade como Senhor da Criao

    2) Sua graa e misericrdia como Senhor da Histria

    c. Ilustraes especficas. Normalmente com frases curtas que relembram atos, atributos e atribuies divinas

    4. Concluso. Esta pode conter uma nova invocao ao louvor, ou uma exortao ou at mesmo uma petio

    5. Eplogo

    B. Exemplo de um Salmo de Louvor Descritivo: Salmo 113

    Mensagem: A condescendncia do Senhor, o Deus incomparvel, em socorrer e prestigiar os carentes leva o salmista a exortar os santos a um louvor constante e universal.

    1. Prlogo. ALELUIA!!! 2. Invocao ao louvor - O louvor ofertado ao

    Senhor pelos seus servos deve ser constante e universal (vv. 13)

    3. Causa de louvor - A causa do louvor a Jav sua condescendncia em socorrer e prestigiar os carentes, apesar de Sua imensa grandeza (vv. 49b)

    4. Eplogo. ALELUIA!!!

    VI. Salmos Didticos. Os Gattungen j apresentados so os de maior importncia no que tange forma. H muitos outros salmos, entretanto, que devem ser considerados parte, devido a uma nfase especial em seu contedo. Entre estes devemos mencionar os chamados salmos reais e os salmos do reino escatolgicos (ambos pertencem ao Gattung SLD) e os salmos didticos.

    Sabourin divide os salmos didticos em quatro sub-classes: salmos de sabedoria, salmos histricos, exortaes profticas e liturgias.

    Tal classificao, como boa parte deste aspecto do estudo dos Salmos, subjetiva, no sendo portanto de aceitao obrigatria. Para efeitos deste curso, faremos a seguinte diviso dos salmos didticos: salmos de sabedoria, salmos da lei, exortaes profticas e liturgias.

    -nos impossvel estudar cada uma destas sub-classes por si. Por isso, segue-se uma tentativa pessoal (subjetiva!) de dividir os salmos didticos como proposto acima, devendo o aluno levar em conta que no se trata aqui de um Gattung, mas de

  • Introduo aos Salmos

    Introduo aos Salmos

    19

    um agrupamento de poemas que possuem um interesse comum, o de ensinar numa variedade de formas.

    A. Salmos de Sabedoria

    Vrios sbios em Israel utilizaram o gnero literrio salmo como meio de expressar suas reflexes sobre a vida, seus problemas, sua finalidade, e de exortar piedade e confiana na justia divina.

    Estes salmos tm como temas constantes a bno desfrutada pelos justos e o inevitvel (ainda que s vezes tardio) castigo dos mpios.

    Fazem parte desta sub-classe os salmos 1, 36?, 37, 49, 73, 78?, 91, 112, 127, 128, 133, 139.

    B. Salmos da Lei

    Estes so realmente poucos e de identificao variada pelos comentaristas. Exaltam a Lei pelo efeito que tem de transformar, moldar o carter e consolar o fiel. Sabourin os classifica junto com os salmos de sabedoria (p. 371). Os salmos da Lei so os seguintes: 1, 19.714, 119.

    C. Exortaes profticas

    Os salmos desta categoria ... tm em comum uma tonalidade e alguns elementos literrios profticos, como o orculo e a exortao, que incluem promessas e ameaas (Sabourin, p. 394). O elemento reflexivo tambm marcante, pois o salmista observa as tendncias da sociedade em que vive e as coloca em cheque, diante do carter e das aes de Deus. Incluem-se nesta categoria os salmos 14, 50, 52, 53, 81.

    D. Liturgias

    J indicamos que os salmos tiveram grande uso litrgico e que alguns deles certamente tiveram origem litrgica. Dois salmos, especificamente, parecem sugerir um uso litrgico-didtico, visando uma preparao para adorao no santurio, quais sejam, os salmos 15 e 24. Comparar estes poemas com Miquias 6. 68 e Is 33. 1416. Um outro salmo de uso litrgico, se bem que no muito didtico o 134 ( mais razovel classific-lo como um SLD).

    Mtodo de Estudo para os Salmos Se podemos dizer que a Bblia fala ao homem, ento Deus falando ao homem. Os salmos falam pelo homem, ento os salmos so o homem falando com Deus. Eles ensinam a Verdade nos termos na experincia humana, no de forma abstrata, porque verdade experimentada verdade profundamente aprendida.

    Ao estudar os Salmos devemos ter em mente que eles so a expresso do homem temente a Deus dirigindo-se ao prprio Deus Todo-Poderoso e tambm Todo-Amoroso. Eles so a manifestao aceitvel de nossos sentimentos mais ntimos e profundos. Todo tipo de emoo e sentimento expresso nos Salmos, por pessoas nas mais diversas situaes.

    Ore e pea a iluminao do Esprito Santo de Deus para compreender e aprender os ensinos valiosos contidos nos Salmos.

    Use o formulrio anexo Guia de Estudo para os Salmos para registrar seus estudos e as verdades aprendidas.

    Quando estudar um salmo, procure identificar:

    o Ttulo H um ttulo para o salmo? Que ttulo voc daria?

  • Introduo aos Salmos

    Introduo aos Salmos 20

    o Ocasio Em que circunstncias foi

    escrito?

    o Divises Quais as divises principais do

    salmo? A seguir, faa uma anlise do salmo, para compreender sua estrutura.

    o Identificao das divises Anote os versculos que

    identificam as divises

    o Palavras e frases chave no texto Anote as palavras chave

    o Grupos de idias e itens

    o Verdades enfatizadas e verdades relacionadas Identifique sublinhando

    o Esboo do estudo Sub-ttulos

    o Ttulo e pontos principais a ele relacionados

    o Aplicao espiritual

    o Comentrios Anote as fontes de referncia

    Depois, elabore um esboo, que sirva como guia visual para o estudo do salmo e suas futuras referncias a ele.

    o Esboo geral Apresentao grfica do esboo

    o Comentrios Anote seus comentrios pessoais

    o Uma lio prtica Anote o que voc aprendeu com

    o texto Para obter uma ferramenta que o auxilie na representao grfica dos seus estudos, v at www.thebrain.com ou www.inxight.com e baixe as verses de uso pessoal (sem custo) das ferramentas Personal Brain e Star Tree Studio, respectivamente.

  • Introduo aos Salmos

    Introduo aos Salmos 21

    Exemplo de diagrama com Star Tree Studio

    Exemplo de diagrama com Personal Brain

  • Introduo aos Salmos

    Introduo aos Salmos 22

    Apndices

    Classificao dos Salmos por Tipo Dennis Bratcher

    Salmos de Lamento

    Lamentos Comunitrios 12, 44, 58, 60, 74, 79, 80, 83, 85, 89*, 90, 94, 123, 126, 129

    Lamentos Individuais 3, 4, 5, 7, 9-10, 13, 14, 17, 22, 25, 26, 27*, 28, 31, 36*, 39, 40:12-17, 41, 42-43, 52*, 53, 54, 55, 56, 57, 59, 61, 64, 70, 71, 77, 86, 89*, 120, 139, 141, 142

    Salmos de Lamentos Especializados

    Penitenciais 6, 38, 51, 102, 130, 143

    Imprecatrios 35, 69, 83, 88, 109, 137, 140

    Salmos de Gratido

    Gratido Comunitria 65*, 67*, 75, 107, 124, 136*

    Gratido Individual 18, 21, 30, 32*, 34, 40:1-11, 66:13-20, 92, 108*, 116, 118, 138

    Salmos de Gratido Especializados

    Histria da Salvao 8*, 105-106, 135, 136

    Canes de Confiana 11, 16, 23, 27*, 62, 63, 91, 121, 125, 131

    Hinos

    Hinos e Doxologia 8*, 19:1-6, 33, 66:1-12, 67*, 95, 100, 103, 104, 111, 113, 114, 117, 145, 146, 147, 148, 149, 150

    Salmos Litrgicos

    Canes da Aliana 50, 78, 81, 89*, 132

    Reais/Entronizar 2, 18, 20, 21, 29, 45, 47, 72, 93, 95, 96, 97, 98, 99, 101, 110, 144

    Canes de Sio 46, 48, 76, 84, 87, 122

    Liturgias do Templo 15, 24, 68*, 82, 115, 134

    Tipos Especiais

    Salmos de Sabedoria 1*, 36*, 37, 49, 73, 112, 127, 128, 133

    Poemas do Torah 1*, 19:7-14, 119

  • Introduo aos Salmos

    Introduo aos Salmos 23

    Autoria dos Salmos

    Autor Qtd Salmos

    Davi 73 3-9, 11-32, 34-41, 51-65, 68-70, 86, 101, 103, 108-110, 122, 124, 131, 133, 138-145

    Filhos de Cor 10 42, 44-49, 84-85, 87

    Asafe 12 50, 73-83

    Salomo 2 72, 127

    Et 1 89

    Hem 1 88

    Moiss 1 90

    Annimos 50 Todos os demais

    Cronologia dos Salmos

    Ano (a.C.)

    Perodo Salmos

    1400 Moiss 90 + ...

    1000 Davi A maioria dos salmos foi escrita neste perodo

    971 Salomo

    931 Reino dividido

    722 Exlio 137 + ...

    500 Restaurao 126 + ...

    Organizao dos Salmos

    Livro I 41 salmos 1-41

    Livro II 31 salmos 42-72

    Livro III 17 salmos 73-89

    Livro IV 17 salmos 90-106

    Livro V 44 salmos 107-150

    Doxologia 41.13 72.18-19 89.52 106.48 150.6

    Contedo bsico

    Cnticos de adorao

    Hinos de interesse nacional Hinos de louvor

    Semelhana com o Pentateuco

    Gnesis -homem e criao-

    xodo -libertao e redeno-

    Levtico -adorao e santurio-

    Nmeros -deserto e peregrinao-

    Deuteronmio -escrituras e louvor-

    Autores principais

    Davi Davi e filhos de Cor

    Asafe Annimos Davi e annimos

    Compilados por

    Davi 1020-970 AC

    Ezequias e Josias 970-610 AC

    Esdras e Neemias at 430 AC

  • Introduo aos Salmos

    Introduo aos Salmos 24

    Cristo nos Salmos

    Salmo Profecia Cumprimento

    2.7 Deus ir declar-lo seu Filho Mt 3.17

    8.6 Todas as coisas sero colocadas a seus ps Hb 2.8

    16.10 Ele ressuscitar mortos Mc 16.6-7

    22.1 Deus o abandonar na hora da necessidade Mt 27.46

    22.7-8 Ele ser escarnecido e desprezado Lc 23.35

    22.16 Suas mo e ps sero amarrados Jo 20.25,27

    22.18 Pessoas lanaro sortes sobre suas roupas Mt 27.35-36

    34.20 Nenhum de seus ossos ser quebrado Jo 19.32-33, 36

    35.11 Ele ser acusado por falsas testemunhas Mc 14.57

    35.19 Ser odiado sem razo Jo 15.25

    40.7-8 Ele vir para fazer a vontade de Deus Hb 10.7

    41.9 Ele ser trado por um amigo Lc 22.47

    45.6 Seu trono ser eterno Hb 1.8

    68.18 Ele se assentar direita de Deus Mc 16.19

    69.9 O zelo pela casa de Deus ir consumi-lo Jo 2.7

    69.21 Ele receber fel e vinagre para beber Mt 27.34

    109.4 Ele orar por seus inimigos Lc 23.24

    109.8 Outros assumiro seu lugar At 1.20

    110.1 Seus inimigos ficaro sujeitos a ele Mt 22.44

    110.4 Ele ser sacerdote como Melquisedeque Hb 5.6

    118.22 Ser a principal pedra angular Mt 21.42

    118.26 Ele vir em nome do Senhor Mt 21.9

  • Introduo aos Salmos

    Introduo aos Salmos 25

    Salmos fora do Saltrio

    o Cntico do Mar Ex 15.1-18

    o Cntico de Moiss Dt 32.1-43

    o Cntico de Dbora Ju 5.1-31

    o Cntico de Ana 1Sm 2.1-10

    o Cntico de Libertao de Davi (cf. Sl 18) 2Sm 22.2-51

    o Um cntico de gratido Is 12.4-6

    o Cntico do Rei Ezequias Is 38.9-20

    o A orao de Habacuque Ha 3.2-19

    o A orao de Jonas dentro do peixe Jn 2.2-9

    o Hinos na profecia de Isaas Is 42.10-12, 52.9-10

    o Hinos no livro de J 5.8-16, 9.4-10, 12.7-10, 12.13-

    25 o Lamentos no livro de J

    3.3-12, 13-19, 20-26, 7.1-10, 12-21, 9.25-31, 10.1-22

    o Lamentos em Jeremias 15.15-18, 17.14-18, 18.19-23

    o Lamentaes Captulos 3 e 5

  • Introduo aos Salmos

    Introduo aos Salmos 26

    Salmos nos apcrifos

    Eclesistico 51.1-12

    Orao de Jesus filho de Sirac 1. Eu te glorificarei, Senhor, Rei, e te

    louvarei, Deus meu salvador. Glorificarei o teu Nome.

    2. Pois tens sido para mim abrigo e socorro livrando meu corpo da perdio, do lao da lngua caluniadora, e dos lbios que produzem a mentira. Na presena de meus adversrios

    3. tu foste meu amparo, e me livraste, segundo a grandeza da tua misericrdia e do teu Nome. Das mordidas dos que estavam prestes a devorar-me, da mo dos que procuravam tirar-me a vida me libertaste, e das muitas tribulaes que sofri:

    4. da fogueira sufocante que me cercava, do meio do fogo que no acendi,

    5. da profundeza das entranhas do Hades, da lngua impura e da palavra mentirosa,

    6. dos dardos de uma lngua injusta. Minha alma esteve prxima da morte e minha vida chegou perto da profundeza do Hades.

    7. Cercavam-me por toda parte e no havia quem me socorresse; olhava, buscando amparo dos homens, e no o encontrava.

    8. Lembrei-me, ento, de tua misericrdia, Senhor, e de teus benefcios, desde sempre. Pois livras os que perseveram confiando em ti e os salvas da mo dos malvados.

    9. Da terra fiz subir minha orao e te roguei que me preservasses da morte.

    10. Invoquei o Senhor, pai de meu Senhor, para no me abandonar nos dias da tribulao, no tempo do desamparo causado pelos soberbos.

    11. Mas louvarei teu Nome, sem cessar, e cantarei hinos em ao de graas, pois minha prece foi atendida:

    12. tu me salvaste da perdio e me livraste do tempo mau. Por isso te glorificarei e louvarei, bendizendo o nome do Senhor!

    Eclesistico 42.15-43.33 O sol V. A GLRIA DE DEUS NA CRIAO E NA HISTRIA DE ISRAEL A. NAS OBRAS DA NATUREZA A sabedoria do Criador Cap. 42 15. Vou agora recordar as obras do Senhor e

    narrar aquilo que vi. Pelas palavras do Senhor foram feitas suas obras, e segundo seu beneplcito realizou-se o seu decreto.

    16. O sol brilhante contempla todas as coisas, e a obra do Senhor est cheia de sua glria.

    17. Aos santos do Senhor no foi dado contar todas as suas maravilhas, aquelas que o Senhor Todo-poderoso estabeleceu para tudo se consolidar em sua glria.

    18. Ele sonda o abismo e o corao e penetra em todas as suas astcias; pois o Altssimo possui toda a cincia e fixa o olhar nos sinais do tempo,

    19. manifestando o passado e o futuro e revelando os vestgios das coisas ocultas.

    20. Nenhum pensamento lhe escapa e nenhuma palavra lhe fica escondida.

    21. Disps em ordem as maravilhas de sua sabedoria pois s ele existe antes dos sculos e para sempre. Nada lhe foi acrescentado, nada lhe foi tirado, e ele no precisa de conselheiro algum.

    22. Quo desejveis so todas as suas obras, mesmo se consegussemos observar apenas uma centelha!

    23. Tudo isto vive e permanece para sempre, para todas as necessidades, e tudo lhe obedece.

    24. Todas as coisas existem aos pares, uma diante da outra, e ele nada fez de incompleto:

    25. uma coisa completa a bondade da outra. Quem, pois, se fartar de contemplar sua glria?

    Cap. 43 1. Orgulho das alturas, firmamento de pureza,

    eis o aspecto do cu numa viso de glria! 2. O sol que aparece proclama, ao sair, que

    coisa maravilhosa a obra do Altssimo. 3. Ao meio-dia resseca a terra: quem poder

    resistir ao seu calor? 4. Se algum acende a fornalha para os

    trabalhos a fogo, o sol esquenta as montanhas trs vezes mais: exala vapores ardentes e, dardejando seus raios, ofusca os

  • Introduo aos Salmos

    Introduo aos Salmos 27

    olhos. 5. grande o Senhor que o fez e que, com

    suas palavras, lhe acelera o curso. A lua

    6. Tambm a lua, sempre pontual em suas fases, indica as pocas e um sinal do tempo.

    7. a lua que assinala as festas, diminuindo a claridade at desaparecer.

    8. dela que o ms recebe o seu nome, enquanto cresce maravilhosamente em suas mudanas. Ela o farol dos exrcitos do alto, rebrilhando no firmamento do cu. As estrelas

    9. Beleza do cu o brilho das estrelas, ornamento que resplende nas alturas do Senhor.

    10. s ordens do Santo ficaro, segundo o seu decreto, sem jamais abandonarem seus postos de vigia. O arco -ris

    11. Olha o arco-ris e bendize quem o fez, magnificamente belo em seu esplendor:

    12. cinge o cu com um crculo de glria, pelas mos do Altssimo estendido. Outras maravilhas

    13. Por sua ordem faz cair a neve e lana os relmpagos de seu julgamento.

    14. Por causa disso que se abrem seus tesouros e as nuvens esvoaam como pssaros.

    15. Em sua grandeza condensa as nuvens e as pedras de granizo se fragmentam.

    17a A voz do seu trovo aterroriza a terra 16. e ante a sua viso as montanhas se abalam.

    Por sua vontade sopra o vento do sul, 17b assim como o furaco do norte e os

    ciclones. Espalha a neve como pssaros que descem, e ela cai como gafanhotos que pousam.

    18. A beleza de sua alvura arrebata o olhar, e o corao se sente extasiado ao v-la cair.

    19. Despeja sobre a terra a geada, como sal, e ela enrijece como pontas de espinhos.

    20. O vento frio do norte pe-se a soprar, fazendo condensar-se o gelo sobre a gua; e sobre toda a massa lquida se estende, como de uma couraa revestindo a gua.

    21. Esse vento devora as montanhas e abrasa o deserto, e consome o verdor das plantas como fogo.

    22. A nvoa mida pronto remdio para tudo isso; e o orvalho, que chega aps o vero, traz alegria. O mar

    23. O Senhor, com seu desgnio, aplacou o oceano e nele plantou as ilhas.

    24. Os que navegam sobre o mar descrevem seus perigos, e ficamos admirados com o que ouvimos a respeito:

    25. h nele coisas estranhas e maravilhosas, animais de toda espcie e monstros marinhos.

    26. Para o Senhor, porm, seu mensageiro chega meta e por sua palavra tudo se coaduna. A glria de Deus

    27. Poderamos dizer muitas coisas e no chegaramos ao fim. Eis o resumo das palavras: "Ele tudo".

    28. Onde acharamos fora para glorific-lo? Ele o Grande, acima de todas as suas obras.

    29. O Senhor terrvel e soberanamente grande, e admirvel seu poder.

    30. Glorificando o Senhor, exaltai-o quanto puderdes, pois estar sempre ainda mais acima. Para exalt-lo redobrai as foras, e no vos canseis, pois no chegareis ao fim.

    31. Quem o viu para pod-lo descrever? Quem o louvar assim como ele ?

    32. H muitos mistrios, maiores ainda, porque vemos poucas dentre as suas obras.

    33. Pois o Senhor criou todas as coisas e aos piedosos concedeu a sabedoria.

    Tobit 13

    Cntico de Tobit. 1. Tobit disse: 2. "Bendito seja Deus, que vive para sempre;

    e bendito seu reino, que dura pelos sculos! Pois ele castiga e usa de misericrdia: faz descer at o Hades, no mais profundo da terra, e ele mesmo retira da grande runa. Nada existe que possa fugir de sua mo.

    3. Rendei-lhe graas, israelitas, diante das naes, pois ele vos dispersou entre elas

    4. e a vos mostrou sua grandeza. Exaltai-o diante de todos os viventes, pois nosso Senhor, nosso Deus, nosso Pai, ele Deus por todos os sculos!

    5. Se vos castiga por vossas injustias, tambm ter misericrdia de todos vs, e vos reunir de todas as naes onde agora estais dispersos.

    6. Se vos voltardes para ele de todo o vosso corao e com toda a vossa alma, e em sua presena praticardes a verdade, ele tambm se voltar para vs e no mais vos ocultar sua face.

    7. Considerai, agora, o que fez em vosso favor e rendei-lhe graas em alta voz. Bendizei o Senhor da justia e exaltai o Rei dos sculos.

  • Introduo aos Salmos

    Introduo aos Salmos 28

    8. Quanto a mim, rendo-lhe graas na terra do meu exlio, e mostrarei sua fora e sua grandeza a uma nao de pecadores. Convertei-vos, pecadores, e praticai a justia diante dele: quem sabe vos ser favorvel, e ter misericrdia de vs!

    9. Exaltarei a meu Deus; minha alma louvar o Rei do cu e se rejubilar com sua grandeza.

    10. Que todos o proclamem e lhe rendam graas em Jerusalm. Jerusalm, cidade santa, Deus te castigou por causa das obras de teus filhos, mas ter outra vez misericrdia dos filhos dos justos.

    11. Agradece dignamente ao Senhor e bendize o Rei do sculos, para que, em ti, a sua Tenda seja reconstruda na alegria.

    12. Em ti, d alegria aos deportados e mostre seu amor aos infelizes, por todas as geraes, atravs dos sculos.

    13. Uma luz resplandecente brilhar sobre todas as regies da terra. A ti viro de longe numerosas naes: e os habitantes de todas as extremidades da terra acorrero ao teu santo Nome, trazendo em suas mos as oferendas para o Rei do cu. Geraes de geraes se alegraro em ti e o nome da cidade eleita permanecer, atravs das geraes, pelos sculos.

    14. Malditos, todos os que te falarem duramente! Malditos, todos os que te destrurem, e puserem abaixo tuas muralhas; todos os que derrubarem tuas torres e incendiarem tuas casas! Pelo contrrio, bendito para sempre, todos aqueles que te construrem!

    15. Levanta-te, pois, e rejubila-te por causa dos filhos dos justos, porque todos tornaro a reunir-se e bendiro o Senhor da eternidade. Bem-aventurados os que te amam e bem-aventurados os que se alegram por tua paz!

    16. Bem-aventurados todos os homens que te lamentarem por causa de todos os teus castigos, pois em ti se alegraro e vero toda a tua alegria para sempre. Minha alma, bendize ao Senhor, o grande Rei,

    17. porque Jerusalm ser reconstruda, e na cidade, sua Casa, por todos os sculos! Serei feliz, se for dado, a algum de minha descendncia, ver tua glria e agradecer ao Rei do cu. As portas de Jerusalm sero reconstrudas com safira e esmeralda; com pedras preciosas, todas as tuas muralhas. As torres de Jerusalm sero reconstrudas com ouro e seus baluartes, com ouro puro. As ruas de Jerusalm sero caladas com rubis e pedras de Ofir.

    18. Ento, as portas de Jerusalm entoaro cnticos de alegria. E todas as suas casas cantaro: Aleluia, bendito seja o Deus de Israel! E os que forem por ele abenoados bendiro seu santo Nome pelos sculos sem fim".

  • Introduo aos Salmos

    Introduo aos Salmos 29

    Bibliografia Out of the Depths The Psalms Speak for Us Today Bernhard W. Anderson, 1983, The Westminster Press Psalms A Self-Study Guide Irving L. Jensen, 1968, Moody Press What Works when Life Doesnt Stuart Briscoe, 1981, Victor Books Favourite Psalms John Stott, 1988, Moody Press Apostila de Salmos Carlos Osvaldo Pinto, PhD Seminrio Bblico Palavra da Vida Plgio Criativo Gabriel Periss Doutor em Educao pela FEUSP