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Boletim do que por cá se faz

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  • Um banho de 1987 pelos olhos de Vitor Azevedo + um conto na cidade da Horta no ano de 2100 por Miguel Valente + o saudosismo de Cames e dos aorianos por Vitor Rui Dores + um tesouro musical quase perdido por Luis Henriques + Hesse e os pseudos por Carla Cook + diapositivos de Tiago Arajo por Fernando Nunes + os tecidos impermeveis do Albino + dirio Corvo de Gonalo Tocha + intervenes com ou sem pltano, com ou sem Steve Jobs e com ou sem tudo

    1987

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    O BOLETIM DO QUE POR CA SE FAZQUINZENAL 06 A 20 DE OUT 2011 DISTRIBUIO GRATUITA

    66

  • ,CR

    ONIC

    A

    Lazer (1987) Vitor Azevedo (Prmio Fazendo do Porto Pimtado 2011)

    Vitor Jos de Vargas Azevedo, nasce na cidade da Horta, a 28 de Junho de 1938. Depois dos estudos primrios, cursa o liceu de ento.

    Desde tenra idade sente-se vocacionado para a arte fotogrfica e aos treze anos, de uma forma muito rudimentar constri o seu primeiro laboratrio.Em 1965 parte para Moambique no cumprimento do servio militar, onde em Vila Cabral (hoje Lichinga) lhe dada a responsabilidade da seco fotogrfica do Comando Operacional do Niassa.

    Em Vila Cabral, num concurso fotogrfico, pelo aniversrio da cidade, obtm 3 dos 4 prmios atribudos. So da sua autoria as fotografias da capa de vrios nmeros da Revista O Tempo publicada em Loureno Marques (hoje denominada Maputo).Regressa Horta em 1975 onde continua a fotografar, sendo mais tarde convidado a expor por trs vezes nos aniversrios da Marina da Horta.Em 1995 convidado pelo Director do Museu da Horta a fazer uma exposio que ali se manteve por trs meses com o nome de Um Piscar DOlho, perfazendo um total de 30 fotografias.

    2 FAZENDO + 6 A 20 OUT 2011

    Tambm no ano de 1995, concorre ao 1 concurso nacional para fotgrafos amadores, organizado pela AGEFE, em que participaram 2232 concorrentes com um nmero total de 6169 fotografias, tendo obtido o 4 lugar, ex-aequo. A exposio teve lugar no Pavilho da Feira Internacional de Lisboa, no decurso da Expoviso 95.O Jri era composto por trs entidades, representadas pelos senhores:- Professor Eduardo Srgio - Faculdade de Belas Artes - Universidade de Lisboa;- Dr. Moraes Sarmento - Instituto Portugus de Fotografia;- Sr. Jos Nunes - Jornal A Capital.Nos anos seguintes fez vrias exposies sempre a convite de diversas entidades e organizaes tais como, Junta Autnoma dos Portos, Junta de Freguesia da Matriz e Angstias, Semana das Pescas e Feira Agrcola.Em 1999 e 2000 fez as suas primeiras exposies durante a Semana do Mar, tendo esta ltima sido um autntico sucesso, pois alm da crtica positiva que lhe foi dada, teve a visita de 2848 pessoas.De 2009 at presente data fez a reportagem fotogrfica das obras do novo Porto da Horta.Em 2010 e 2011, participa no concurso PortoPimtado onde obteve em ambos o 3 lugar e no ltimo ainda lhe foi atribudo o prmio Fazendo.

    Capa

    Domingo de manh. Por um segundo a escurido interrompida pela luz dos nmeros digitais do relgio despertador accionada pelo comando remoto. 07:03 AM. Daniel estava acordado h horas e j no aguentava mais estar na cama sem dormir. Cuidadosamente levantou-se, tentando no incomodar o corpo que dormia a seu lado. Aps um duche rpido e [depois] de se ter arranjado dirigiu-se cozinha para comer qualquer coisa. Ao entrar na sala foi banhado pelos primeiros raios de sol que entravam atravs da parede totalmente envidraada. A viso da montanha do Pico entre o Monte da Guia e o Monte Queimado, sob a luz da aurora, melhorou a sua disposio no tendo sido, no entanto, suficiente para acabar com a neura de tantas noites mal dormidas. Preparou um ch verde com limo e, enquanto esperava que este ficasse a uma temperatura razovel para os seus lbios, ia trincando uns biscoitos e folheava a agenda cultural da cidade procura de alguma coisa para fazer durante o dia.Do seu apartamento do 25 andar num dos inmeros arranha-cus

    de vidro e ao da rua do Castelo conseguia ver a metrpole que se estendia por todas as encostas, com excepo dos montes de Porto Pim, bem como a ponte de ligao rodoferroviria ilha do Pico e os vrios ferrys que, apesar da hora matutina de fim de semana, j cruzavam o canal a um ritmo alucinante.Daniel observava a cidade enquanto a sua cabea vagueava por outras paragens. O barulho de gua na casa de banho chamou a sua ateno e ficou a olhar para a entrada

    da sala

    espera que um vulto feminino surgisse.- J te levantaste?- Fui s casa de banho mas estava a pensar voltar para a cama, se no te importares que no te faa companhia

    hoje.- Claro que no. Sei que foi uma

    semana cansativa para ti, por isso mereces

    preguiar o dia todo.

    - E o que

    que pensas fazer hoje?- Para j estava a pensar se havia de tomar o pequeno almoo fora.- Parece-me um bom plano. J decidiste onde?- Pois, esse que o problema. No me lembro de nenhum stio a que me apetea ir.- Daniel, existem pelo menos 500 cafs neste lado da ilha, no me digas que no h nenhum que te encha as medidas.- Para ser sincero, no. (risos). Eu sei que parece estranho mas apetecia-me ir a um stio calmo, com pouca gente. Apetecia-me ver um pouco de verde.

    - Porque que no vais at ao Roosevelt Park?- Est vento. No me apetece andar ao vento.- (Risos). Sabes perfeitamente que naquele vale no corre uma aragem. Tu adoras aquele parque, o que que te est a incomodar tanto?- domingo de manh e vai estar um belo dia de Vero. Daqui a uma ou duas horas vai estar cheio de gente. + em fazendofazendo.blogspot.comMiguel Valente

    Domingo de Manh

    Vitor Azevedo

  • MUSICA

    Saudade

    3 FAZENDO + 6 A 20 OUT 2011

    MUS

    ICA

    Saudade uma cano triste, dolente, dorida e magoada. A nostalgia

    toma forma potica:

    A saudade um luto Uma dor uma aflio

    um cortinado roxoQue me cobre o corao.

    Cantada em todo o arquiplago aoriano, a linha meldica da Saudade varia de ilha para ilha, mas subordinada sempre mesma raiz temtica. uma cantiga que sempre me impressionou pela maneira como insiste na dominante sem chegar tnica.

    De resto, a saudade tem sido, ao longo dos tempos, um modo portugus de estar no mundo e bem o smbolo da nossa tristeza em r menor.

    Saudade e lonjura so dois conceitos que so particularmente caros aos aorianos. de admitir que a ausncia

    da terra-me dos primeiros povoadores destas ilhas lhes tivesse criado um estado

    nostlgico bastante acentuado, e dele

    ter nascido, como reflexo natural, a cano Saudade. A saudade do vivido e do sentido. A saudade dos que partiram. A saudade dos que ficaram. A saudade que est configurada nos dois coraes da nossa viola da terra (ou viola de arame com quinze cordas na Terceira e doze nas restantes ilhas) o corao de quem fica, o corao de quem parte. E, sabido, o aoriano um povo de muitas partidas e poucos regressos.

    Este saudosismo tem origem em Bernardim Ribeiro, Cames, Garrett, mas com Teixeira de Pascoaes que ele se transforma em movimento literrio. Poetas como Correia de Oliveira, Afonso Lopes Vieira e Antnio Sardinha encaram a

    A S Catedral de Angra do Herosmo possui um acervo musical que rene cerca de quinhentas obras sacras. Estas distribuem-se por formas e gneros desde missas, motetes, responsrios, salmos, antfonas, etc. Este acervo musical destaca-se no contexto insular como provavelmente o mais importante acervo de msica sacra existente no Arquiplago. Nele esto depositadas obras de cerca de

    cinquenta compositores (insulares, continentais e estrangeiros).Compositores como Marcos Portugal, Joo Jos Baldi, Fr. Jos Marques e Antnio Jos Soares, compositores

    cujas obras se encontram em praticamente todas as ss de Portugal e Brasil. Pela observao dos manuscritos,

    desgastados pelo uso, pode-se conjecturar que estas obras eram feitas na S regularmente e durante um largo perodo cronolgico. Este facto coloca a S de Angra a par das principais ss do Reino no que prtica de msica sacra diz respeito ao longo do sculo XIX.

    Para o desenvolvimento desta prtica tero contribudo decisivamente os bispos que governaram a S de Angra durante o sculo XIX. Partindo do repertrio e, consequentemente, dos respectivos autores chega-se facilmente concluso de que D. Fr. Jos da Av Maria, 23. bispo de Angra de 1783 a 1785, ter sido o primeiro bispo a promover uma prtica musical de larga dimenso. Para isso ter contribudo a aquisio do chamado rgo grande (hoje perdido) oferta da Rainha D. Maria I. A prtica musical

    na S expande-se durante o bispado de D. Jos Pegado de Azevedo (1802 a 1812). Este bispo resolve sagrar a Catedral por no haver qualquer documento atestando uma prvia sagrao. Para esta cerimnia so propositadamente encomendadas a Joo Jos Baldi, um dos mais conhecidos compositores portugueses, as Matinas para a Sagrao da S de Angra. Esta uma de vrias obras que s subsistem no arquivo da S de Angra. Outras referem-se essencialmente a compositores locais (alguns mestres de capela na S) como Mateus Pereira de Lacerda, Baslio Ferreira Mendes, Pedro Machado de Alcntara entre outros.

    O arquivo musical existente na S de Angra tambm ter sido um plo difusor de msica sacra no Arquiplago. A prtica desta msica em igrejas como a Matriz de Ponta Delgada, Matriz da Horta e Matriz da Praia da Graciosa entre outras ter sido influenciada pela prtica musical na S de Angra. A proximidade do Seminrio da S a isso o conduz. Os seminaristas oriundos das outras ilhas e inclusive da ilha Terceira durante a sua formao

    em Angra do Herosmo estariam certamente expostos prtica musical da S e igrejas limtrofes. Desta forma, aps a sua formao, levariam consigo o repertrio para as parquias onde iram exercer o seu ofcio. Ainda hoje existe esta circulao de repertrio entre as igrejas aorianas.

    A cata