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boletim do que por cá se faz

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  • Uma viagem no tempo at 1972 atravs do tesouro de Tereza Arriaga e Jorge Oliveira+programao do FFF cheio de tochas, canijos e desconhecidos como Antnio de Macedo+um pouco da China atravs da escrita da Nobel menina Pearl Buck+literatura virtual e o primeiro livro do toureiro Tiago Rodrigues + Well row, well row que nem Carlos Medeiros e shanty shanty da Kanaka + um bocado de Jazzores + cientificamente, se ficas muito tempo sem companheiro/a pode ser que naturalmente mudes de sexo

    J fomos assim, seremos como?

    O BOLETIM DO QUE POR CA SE FAZQUINZENAL 20 DE OUT a 3 DE NOV 2011 DISTRIBUIO

    67

  • ,CRONICA

    2 FAZENDO + 20 OUT A 3 Nov 2011

    CapaEm 1972, os artistas plsticos Tereza Arriaga e Jorge Oliveira visitaram os Aores pela primeira vez. No final da visita ao arquiplago, que durou vinte e cinco dias, verificaram que tinham efectuado cerca de novecentas fotografias. So imagens pessoais de um outro tempo, reveladoras de uma poca em que as ilhas se abriam ao olhar vido e curioso de quem as queria visitar.So portanto imagens nicas e pessoais de dois artistas plsticos em movimento, viajavam de barco de ilha em ilha e percorriam de carro os caminhos e estradas insulares, envoltos de fascnio e da surpresa que diariamente se concentrava nas suas retinas, nos seus meticulosos esgares e atentos testemunhos, num perodo da histria em que cada fotografia precisava de tempo para se revelar e cada negativo respirava o ar da paisagem e dos stios. O mesmo se poder dizer das comunicaes, isto , pouco ou nada se sabia no continente do que se passava neste arquiplago. A informao era parca e as ligaes diminutas.As ilhas aorianas estavam tambm muito mais distantes umas das outras, abeberadas que estavam na sua sobrevivncia agrcola ou pesqueira, nas suas existncias impregnadas de sal, bruma e basalto, onde ningum se atrevia altura a falar em apostas ou estratgicas tursticas ou a conjecturar sobre o futuro da monocultura da vaca, to pouco dos futuros subsdios pesca. O mesmo se poder dizer do Portugal continental em fase pr- -democracia, provavelmente o mesmo pas alvoroado e sem alento dos dias de hoje.Este magnfico encontro deu-se durante o ms de Setembro, h quase quarenta anos, com a serenidade tpica de quem parte descoberta de um arquiplago no meio das fossas atlnticas, sabendo simplesmente que tinham todo o tempo do mundo para desvendar a beleza e o mistrio a cada ilha aportada, desvelada, a cada paisagem a merecida fotografia. A 4 de Outubro deste ano, dia de So Francisco, na Igreja com o mesmo nome, a senhora Tereza Arriaga, com os seus noventa e seis anos, trouxe-nos quatrocentos slides para assistirmos em conjunto, projectados que estes estiveram nas paredes daquela casa religiosa numa noite amena. As ilhas apresentadas naquelas caixinhas, com projectores acesos e lmpadas miraculosas foram o Faial e o Pico, o que deu para concluir que ainda faltam mais quinhentos da coleco em questo. Ser que teremos a oportunidade de os ver em breve, sem cartaz ou aviso a anunciar?

    O F

    aial

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    Pico

    em 19

    72

    P3 P10 C1 F5

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    F15

    F16

    P pico C canal F faial

    Engana-se quem pensar que a digresso do Imundacao durou apenas dez dias.

    Foram longos os meses de trabalho forado e de explorao infantil; muitas as escoriaes e os calos nos dedos mindinhos. Mas por artes mgicas conseguimos sobreviver a estas tormentas e chegou o momento de nos fazermos estrada, passando em Porto, Leiria e Lisboa.

    A invicta foi a primeira cidade, o Teatro Bruto os primeiros a nos receber. Acompanharam todo o processo de montagem, adaptao e ensaios, ajudaram na produo, e ainda cozinharam para ns.

    Fizemos 5 actuaes: para a casa do norte dos Aores, para um grupo de estudantes, para amigos, famlia e totais desconhecidos. A plateia andou cheia (cenas inacreditveis de pancadaria, tudo procura dos ltimos bilhetes) e as reaces foram positivas tanto dos mais novos como dos mais grados.

    Samos do Porto contentes com a nossa prestao e fomos em direco ao Sul, at Leiria, onde a Imundacao foi integrada no festival de teatro - acaso. Por acaso, ou porque a sorte protege os sortudos, o grupo de teatro o nariz, recebeu-nos com um maravilhoso almoo no seu novo espao de trabalho. de louvar a persistncia deste grupo

    Por A Fora

    A Imundar

    P1- De Barco ao largo de So Roque do PicoP2- Janela do quarto onde ficaram em So Roque do Pico P3, P4 e P5- Pescador, Barco e Albarcas no Porto do CachorroP6- Barco nos estaleiros de construo naval, Santo AmaroP7- So Roque visto do parque florestal da PrainhaP8- Estrada transversal, caminho do matoP9- Picaroto no porto de So Roque do PicoP10- Casas na freguesia da PiedadeP11- Canada das Adegas, Calheta de NesquimP12- Gasolinas no porto da Calheta de NesquimP13, P14- A Estrada, o Jorge e o FiatP15, P16- Tereza e Jorge com Familias PicarotasC1, C2 e C3- Viagem para o Faial na lancha EspalamacaF1 e F2- Tereza e Jorge em contraluz no forte de Santa Cruz F3- Jorge e Volkswagen CarochaF4, F5 e F6- Pico visto do FaialF7, F8, F9, F10, F11 e F12- CapelinhosF13- Tereza na CaldeiraF14- Rua Conselheiro Medeiros n.7 HortaF15 e F16- Moinhos na Espalamaca

    que entre outros contratempos, foi convidado a procurar uma nova casa o ano passado, depois de 15 anos de dedicao/ manuteno/ dinamizao do antigo espao...

    Como o palco era diferente, exigiu uma nova adaptao, tanto das luzes como de cenrio e da prpria movimentao em palco. H que entranhar primeiro e estranhar depois.

    Em Lisboa o tempo de montagem tambm foi curto mas, com a simpatia da equipa chapitoniana e a dedicao da nossa sonoplasta e produtor, a coisa correu sobre rodas. Tivemos a tenda do teatro a arrebentar pelas costuras (muitos foram os amigos e familiares subornados) e, talvez por ser a ltima actuao, tnhamos os nervos flor da pele. Na verdade, o n no estmago nunca nos abandonou, desde o Porto at capital. Para mim, o nico seno desta aventura do Teatro de Giz pelo Portugal continental: criar lceras no estmago e a azia crnica. Fora esses pequenos pormenores, valeu muito a pena imundar toda aquela gente de fantasia, sarcasmo, cor, msica e humor negro.

    Que seja a segunda de muitas digresses continentais! Lia Goulart

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  • 3 FAZENDO + 20 OUT A 3 Nov 2011

    O Festival de Cinema dos Aores, que decorre durante 7 dias na 7 ilha dos Aores a contar do Oriente, celebra pela 7 vez consecutiva a 7 Arte.

    O 7, diz a simbologia, o nmero do perfeito, um nmero mgico...

    Sob influncia de subtis conjugaes astrais, o Faial Filmes Fest abrange pela primeira vez este ano todo o espao cinematogrfico, abrindo uma seco competitiva para a longa-metragem que rene algumas das mais recentes produes portuguesas: CISNE, de Teresa Villaverde, SANGUE DO MEU SANGUE, de Joo Canijo, VIAGEM A PORTUGAL, de Srgio Trfaut, O BARO, de Edgar Pra, e 48, de Susana Sousa Dias, so alguns dos nomes mais sonantes para o pblico, que ter oportunidade de conversar olhos-nos- -olhos com os realizadores. Mas menos sonante, sabemo-lo bem, no significa menor alis, o Cinema mestre nessa espcie de jogo de adivinha, do que no se revela e apenas se entrev -, e entre os cineastas porventura menos conhecidos do pblico encontra-se precisamente o homenageado desta 7 edio, Antnio de Macedo. Um dos mais activos e respeitados realizadores do cinema novo dos anos 60 em Portugal, que se retirou para o mundo da filosofia e do esoterismo por se sentir marginalizado e censurado em Democracia. Sobre ele algum disse um dia: Antnio de Macedo um marginal to marginal que rejeitado pelos prprios clubes de marginais.

    E de F. J. Ossang, j ouviu falar? Alguns lembrar-se-o de uma misteriosa estrutura de madeira, semi--encoberta entre ventos e areias do Vulco dos Capelinhos... Restos de um projecto cinematogrfico de Ossang, que se confessa atrado por solos de hidratos de carbono e regies com forte actividade ssmica.

    A atraco motivou o regresso do realizador, de origem francesa, aos Aores, mais precisamente a So Miguel, para rodar DHARMA GUNS SUCCESSION STARKOV, com o apoio da Azores Film Comission. O filme, uma odisseia de purificao onde a intuio e a telepatia aceleram a viagem no tempo teve ante-estreia mundial no 67 Festival de Veneza e vai fazer a sua ante-estreia nacional no Faial Filmes Fest, com a presena do realizador. Viajamos de So Miguel para o Corvo - onde Gonalo Tocha rodou NA TERRA, NO NA LUA, a sua mais recente produo, j apresentada aos corvinos e que os faialenses podero agora conhecer (e partilhar com o prprio realizador), numa das sesses especiais do Festival de Cinema dos Aores e do Corvo, num enorme azimute Lusfono, para o Brasil, de onde nos chega um conjunto das mais expressivas produes da actual cinematografia falada em

    portugus com sotaque de samba. Uma delegao de peso de representantes do insubmisso movimento cineclubista internacional, que tem na Amrica Latina um dos seus maiores baluartes, marcar igualmente presena entre ns, para partilhar com os de c as ricas experincias de l. Os vrios sotaques da lngua portuguesa esto, de resto, bem representados no Festival de Cinema dos Aores, onde estaro em competio 33 curtas-metragens (dos Aores a Cabo-Verde, passando pelo continente), entre as quais figuram ainda produes da regio da Macaronsia, que concorrem tambm para o Prmio de Melhor Filme das Ilhas.

    A festa do Cinema nos Aores far-se- igualmente fora da sala de projeco do Teatro Faialense, no excel