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boletim do que por cá se faz

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  • FAZENDO17 de junho de 2010 | Quinta | Edio # 41 | Quinzenal | Agenda Cultural Faialense | Distribuio Gratuita

    boletim do que por c se faz

    Os prdios degradados do pinturas bonitas.

  • Opinio Opinio

    02

    ficha tcnica - fazendo - isento de registo na erc ao abrigo da lei de imprensa 2/99 de 13 de janeiro, art. 9, n 2 - direco geral: jcome armas - direco editorial: pedro lucas - coordenao geral: aurora ribeiro - coordenadores

    temticos: catarina azevedo, lus menezes, lus pereira, pedro gaspar, ricardo serro, rosa dart - colaboradores: carlos cordeiro, eva giacomello, fausto cardoso, gui menezes, joana vaz-pereira, orlando guerreiro, pedro juliano

    cota, rita braga, sara soares, tiago castro, toms silva - projecto grfico: paulo neves, elcubu, contact@elcubu.com - capa: matilde maral - propriedade: associao cultural fazendo - sede: rua rogrio gonalves, n 18, 9900 horta

    - periodicidade: quinzenal - tiragem: 400 exemplares - impresso: grfica o telgrapho - contactos: vai.se.fazendo@gmail.com, http://fazendofazendo.blogspot.com - distribuio gratuita

    Livro Verde o nome dado a um documento elaborado pela

    Comisso Europeia com o intuito de promover a discusso e o

    debate sobre um determinado tpico, incentivando qualquer

    indivduo e organizao a contribuir e participar, resultando

    eventualmente na elaborao de um Livro Branco um

    documento oficial onde constam uma srie de propostas que

    mais tarde sero utilizadas como fora motriz para a

    implementao de leis adequadas.

    Com o objectivo de desenvolver o potencial das Indstrias

    Culturais e Criativas (ICC) surgiu um Livro Verde, publicado

    em Abril do ano corrente, que entre outras, levanta questes

    que pretendem averiguar quais so as melhores formas das

    ICC obterem financiamento ou como podero estas servir de

    intermedirias entre as comunidades artsticas e criativas e a

    sociedade.

    Na passada tera-feira realizou-se no auditrio da Biblioteca

    Pblica o colquio Potenciar as Indstrias Criativas,

    organizado pela Direco Regional da Cultura, onde a

    Associao Cultural Fazendo, representada por Pedro Lucas,

    apresentou diferentes propostas concretas aos desafios

    levantados pelo Livro Verde. Esta curta palestra estar

    brevemente disponvel online no blog do Fazendo

    conjuntamente com um breve estudo sobre a Criatividade e

    as ICC. O propsito deste artigo o de resumir de uma forma

    sucinta este estudo.

    Uma breve nota histrica: No fim do sculo XIX a economia

    do mundo ocidental estava estabelecida como uma economia

    agrcola, no s o sector agrcola produzia o maior retorno

    monetrio como tambm providenciava o maior nmero de

    empregos. Com o desenvolvimento dos meios tecnolgicos a

    Revoluo Industrial deu origem a uma mudana gradual de

    uma economia agrcola a uma economia industrial, de procura

    de mo de obra capaz de lavrar a terra procura de mo de

    obra capaz de operar uma mquina, economia esta que se

    encontrava efectivamente estabelecida aps a segunda

    Guerra Mundial. Contudo, nos ltimos vinte anos temos

    assistido a uma nova mudana, agora de uma economia

    industrial a uma economia criativa. Enquanto no sector

    agrcola ou industrial o capital tomava a forma fsica de trs

    sacos de batatas ou dez latas de atum, no sector criativo (que

    inclui as reas de investigao, inovao, cincia, artes,

    cultura, etc...) o capital maioritariamente intangvel: o

    produto toma a forma de uma ideia. Como lidar com isto,

    uma das grandes questes do Livro Verde.

    CrnicaJcome Armas

    Seis factos e uma constante

    (1) Um ambiente estimulante leva formao de redes

    neuronais mais complexas e mais estveis (Susan Greenfield

    et al). Os avanos recentes na rea da neurocincia, em

    particular devido descoberta da ressonncia magntica,

    permitiram conduzir uma srie de experincias que tm vindo

    lentamente a desmistificar conceitos como a conscincia, a

    mente e a criatividade que outrora julgavam-se impossveis

    de serem estudados recorrendo ao mtodo cientfico. Hoje

    em dia sabe-se que a mente uma construo nica de cada

    indivduo que depende da totalidade da sua experincia

    pessoal. Um ambiente estimulante faz com que as clulas

    cerebrais cresam e criem mais ligaes com outras clulas

    dando origem a diversos circuitos associativos que tomam o

    nome de redes neuronais. A criatividade a capacidade

    humana que permite criar novas ligaes entre diferentes

    redes, que ainda no tinham sido estabelecidas, ou seja, por

    outras palavras, permite ver uma determinada coisa de uma

    forma diferente.

    (2) No so as pessoas que vo atrs dos empregos, so as

    empresas que vo atrs do capital humano. Um estudo

    conduzido por Richard Florida et al confirmou que a escolha

    da cidade onde um indivduo com formao superior quer

    viver precede a procura de emprego. Por esta razo as

    empresas tendem a deslocar-se para as cidades onde se

    encontra a mo de obra especializada.

    (3) Existe uma correlao entre a desenvoltura cultural e o

    desenvolvimento econmico. Atravs de outro estudo

    conduzido por Richard Florida et al concluiu-se que as

    cidades com uma economia em ascenso so culturalmente

    ricas, por outras palavras, estas cidade tm uma elevada

    concentrao de membros da classe criativa.

    (4) A confiana e o sentido comunitrio, caso presentes nas

    empresas, conduzem elaborao de solues criativas. Um

    estudo levado a cabo por Manuel Castells et al a equipas de

    sucesso em inovao como a Nokia, Google ou iPhone,

    concluiu que a confiana entre os vrios membros de uma

    equipa leva a uma maior troca de ideias e de informao

    enquanto que o sentido comunitrio, a inter-ajuda e a

    partilha de objectivos comuns permitem uma combinao de

    esforos mais eficiente.

    (5) A mo de obra criativa mostra um comportamento

    econmico irracional. Um estudo feito por Dan Pink et al

    conclui que se escolhermos um qualquer indivduo e

    oferecermos uma renumerao monetria extra em troca de

    maior produo, ou melhor qualidade de trabalho, em mdia

    observaremos o seguinte: se o trabalho for mecnico a

    Indstrias Culturais e Criativas

    Apoio: Direco Regional de Cultura

    renumerao leva a melhores resultados, se o trabalho

    envolver um mnimo de capacidade criativa a renumerao

    leva a piores resultados. A classe criativa movida por

    autonomia, possibilidade de aperfeioamento das suas

    capacidades e por uma noo de objectivo um propsito.

    (6) A reinveno do mtodo escolar com base na abordagem a

    problemas reais e a envolvncia das comunidades no sistema

    de ensino levam a um ambiente capaz de providenciar aos

    alunos um maior desenvolvimento das suas capacidades

    criativas (Charles Leadbeater et al).

    Jardinagem da Criatividade: a viso do Fazendo:

    Os factos acima apresentados levam-nos a concluir o seguinte:

    para que a criatividade surja necessrio criar as condies

    ideais. Dito de outra forma, para potenciar a criatividade

    preciso vestir um fato de jardineiro: preparar o solo e dar

    condies planta para crescer. Se puxarmos por uma tulipa

    com as mos ela no cresce, mas se lhe dermos condies

    (luz, gua, solo rico em nutrientes) provvel que cresa.

    Da mesma forma, para que a criatividade surja numa cidade,

    preciso que esta providencie as ferramentas, as estruturas

    e as estratgias necessrias. Mais concretamente necessrio

    instituir o esprito comunitrio nas diferentes ICC; criar uma

    boa rede de transportes; facilitar a habitao no centro; criar

    plos universitrios e de formao; criar espaos de encontro

    entre a comunidade artstica e criativa e a sociedade; criar

    espaos autnticos em concordncia com a cultura local;

    combater o neo-analfabetismo; instituir a tolerncia.

    Algumas propostas concretas ao Livro Verde: Um resumo

    das propostas do Fazendo estar online dentro em breve,

    aqui destacamos apenas algumas:

    - Encontrar mtodos de envolver a sociedade nos projectos

    das ICC, transformando os utilizadores em criadores. A ttulo

    de exemplo destacamos o projecto open source do linux ou a

    wikipedia a enciclopdia que qualquer um pode modificar.

    - Criar wikis* fsicos como o Fazendo em que toda a

    comunidade pode participar dando o seu contributo para um

    objectivo comum neste caso a publicao de um jornal.

    - O poder local deve adjudicar de algumas das suas

    competncias a instituies civis atravs da criao de

    protocolos. Um exemplo seria abrir a Semana do Mar

    comunidade atribuindo a responsabilidade de organizao de

    diferentes seces a diferentes grupos civis, semelhana da

    entrega da organizao do Festival de Teatro ao Teatro de

    Giz.O

    Pedro LucasFazendo vai 2.0 Web 2.0 um termo cunhado em 2004 pelo norte-

    -americano Tim OReilly referindo-se a uma nova forma de

    utilizar a internet como plataforma, e no propriamente a

    uma actualizao das suas especificaes tcnicas. J todos

    ns utilizmos esta segunda gerao da internet que se

    caracteriza, num sentido muito lato, pela sua utilizao em

    redes nas quais os utlizadores so simultaneamente co-

    -criadores: quem no se perdeu (ou no conhece algum que

    se tenha perdido) no universo de hiperligaes presentes num

    texto da wikipedia, passou meia hora no YouTube seguindo

    de vdeo em vdeo ou acabou a partilhar esses