fazendo 55

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o boletim do que por cá se faz

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    E tu? Que ts Fazendo?

    http://fazendofazendo.blogspot.com 03 a 17 MAR. 2011

  • FICHA TCNICA: FAZENDO - Isento de registo na ERC ao abrigo da Lei de Imprensa 2/99 de 13 de Janeiro, art. 9, n2 - DIRECO GERAL: Jcome Armas - DIRECO EDITORIAL: Pedro Lucas - COORDENAO GERAL: Aurora Ribeiro

    COORDENADORES TEMTICOS: Albino, Anabela Morais, Carla Cook, Catarina Azevedo, Filipe Porteiro, Helena Krug, Lus Menezes, Miguel Valente, Pedro Gaspar, Pedro Afonso, Rosa Dart - COLABORADORES: Andr Nogueira de Melo, Jol

    Bried, Ldia Silva, Mariana Matos, PNF, Ruth Bartenschlager, Sara Soares, Sofia Matos, Toms Melo - PROJECTO GRFICO: Nuno Brito e Cunha - PROPRIEDADE: Associao Cultural Fazendo SEDE: Rua Rogrio Gonalves n 18 9900 Horta -

    PERIODICIDADE: Quinzenal TIRAGEM: 400 exemplares IMPRESSO: Grfica o Telgrapho CONTACTOS: vai.se.fazendo@gmail.com

    2 03 a 17 MAR. 2011 http://fazendofazendo.blogspot.com

    opinio Mercado de trocas:indito?

    Ldia Silva

    crnica

    APOIO:DIRECO REGIONAL DA CULTURA

    Lengalengas. f.Narrao ou fala extensa e fastidiosa.

    Esta lengalenga, de tradio oral, que evoca Homens e seus afazeres, animais e cereais, foi-me transmitida pela minha av Urnia, nascida a 17 Setembro de 1927 na Ponta Gara, na

    capa

    Indito disseram-me, quando expliquei a uma das pessoas o que era o mercado de trocas directas que vai ter lugar no Castelo de S. Sebastio dia 26 de Maro. Estas coisas das trocas directas, to comuns nas zonas rurais e no antigamente um pouco por todo o lado, foi/ uma forma encontrada de quem tinha/tem produtos em excesso poder obter outros de que necessitava. Queres ovos?, Tenho plantio de E, penso, um novo ano, um novo ciclo se inicia Porque no equilibrar?Desde 1998, quando cheguei ao Faial, tenho contactado com pessoas e hbitos curiosos. Muito me alegra ouvir este apego Terra e generosidade, quanto no se ganha ainda com a partilha?!... (Muitssimo). esse o grande objectivo deste mercado, partilha de saberes/experincias ligados terra tendo por pano de fundo a troca directa. Neste dia e local, qualquer pessoa pode trocar certos produtos desde que no seja por dinheiro; no so necessrias inscries, basta aparecer e trocar. O mercado de trocas est previsto apresentar-se nesse mesmo local em quatro pocas durante este ano, quase semelhante s estaes: Maro, Maio, Setembro e Novembro (ltimos

    sbados). Para alm dos produtos da terra mais evidentes, podem trocar-se: estacas, sementes, plantios, compotas, plantas aromticas e/ou ornamentais, f lores, pickles, rebuados, mel Abre--se ainda ao artesanato ou a quaisquer outros produtos feitos em casa (desde que pelos prprios ou por familiares): malhas, luvas, meias, cachecis e tudo o que a imaginao e a habilidade forem capazes. Para trocar h que ter imaginao! Se quer participar e no tem a sorte de possuir nada do indicado pode experimentar fazer um bolo/po e venha trocar. Mesmo que aparea s por curiosidade ou vontade de observar traga uma chvena para ser ofertado com um ch de boas vindas! A sustentabilidade deste evento uma palavra de ordem por isso no h lugar a copos de plstico e semelhantes. Das 15h30 s 17h30 experimente dar outro valor s coisas de igual para igual. Esta ideia est a ser concretizada por um grupo de amigos, contando com o apoio da Cmara Municipal da Horta (integrando a iniciativa Dias Verdes - ver caixa). Partilhe a sua curiosidade e venha espreitar e trocar no mercado de trocas de 26 de Maro indito s para alguns!

    Lengalenga

    ilha de S. Miguel. Apesar da memria enfraquecida da minha av, esta lengalenga (entre outras) mantm-se viva e enche os seres familiares. A sua origem exacta ningum saber contar, mas as lembranas remetem para os dias passados na lavoura, quando a pequena Urnia levava o almoo aos seus irmos mais velhos.

    A composio grfica e recortes que ilustram esta fala extensa foram feitos por Margarida Fernandes, neta da av Urnia. As frases projectam--se como o som, e a leitura confusa ordenada pela grelha geomtrica dos desenhos.

    Neste dia e local, qualquer pessoa pode trocar certos produtos desde que no seja por dinheiro; no so necessrias inscries, basta aparecer e trocar.

    gua, rvores!

    Poderemos viver sem elas?

    Porque so essenciais vida, importante pararmos para pensarmos nelas, percebermos como estamos a usar estes recursos no nosso dia-a- -dia ou apercebermo-nos de como os estamos a desperdiar, para que assim os possamos preservar.

    Em Maro, comemora-se no 21 dia do ms, o Dia Mundial da Floresta/Dia da rvore, seguindo-se o Dia Mundial da gua, assinalado no dia 22 e este ano, a semana de 21 a 27, tambm deste ms, designada como a Semana da Primavera Biolgica, pretendendo--se assim chamar a ateno para a importncia da Natureza, a interaco e integrao do Homem na mesma e a urgente necessidade de adopo de

    estilos de vida mais sustentveis.

    Assim, no Dia Verde de Maro, que se realizar no ltimo sbado deste ms, dia 26, pretende-se observar estes recursos, interagindo, aprendendo e conversando sobre eles. Para isso, comearemos de manh com um percurso pedestre, que percorrer as levadas e seguindo o trilho da gua, ladeado por vegetao, permite-nos

    observar vrias espcies vegetais e identificar e aprender sobre as espcies endmicas. Da parte da tarde, falar- -se- sobre a gua que corre nas nossas torneiras, qual a sua origem e o seu percurso at l, qual a sua qualidade e como a podemos preservar.No entanto, este Dia Verde no ficar por aqui e para isso contamos com a Associao Razes da Terra, que dinamizar o Mercado de Trocas

    Sofia Matos

    cmara municipal da horta

    Dias Verdes de Maro

    26 de Maro_Castelo de So Sebastio

    09h00 | Partida do Castelo para realizao do percurso pedestre nas Levadas;12h00 | Chegada prevista ao Castelo.

    Almoo Livre

    14h00 | Caf servido no Castelo aos participantes.14h30 | A Nossa gua da nascente torneira. Visita a um reservatrio de gua.15h30 | Mercado de Trocas

    Foto

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  • http://fazendofazendo.blogspot 3 a 17 MAR. 2011 3

    msica

    Pedro Afonso

    link

    Tinha pra uns 11 anos quando fomos Gulbenkian ver um concerto de um desconhecido grupo do Sahara Ocidental. Haviam uns homens a tocar guitarra elctrica e a cantar, umas mulheres a tocar palmas e a cantar tambm. Todos sentados no cho do auditrio, como se volta da fogueira. Na expresso do Serginho, a extica surpresa revelou-se o autntico Rock do Desrt (l-se algarvia). A surpresa ficou-me na memria.

    O concerto era organizado pelo Grupo de Apoio ao Povo Saharaui, uma ONG nacional muito activa que nos incios de oitenta ps no mapa nacional a questo do chamado Sahara Ocidental, a luta do seu povo e dos seus representantes, a Frente Polisrio. Os msicos eram combatentes da Polisrio.

    Para quem no sabe, nem prestou ateno ao episdio da mulher saharaui que, no ano passado, vergou sozinha o ocupante fora de greve de fome, o Sahara Ocidental foi primeiro invadido

    e colonizado pelos espanhis. Quando estes saram, nos anos setenta, foram os Marroquinos que, ilegalmente, ocuparam o pas na clebre marcha verde, quando o rei comandou uma horda de populares e marchou para ocupar o territrio que havia de engordar a coroa rabe. Quem j foi a Marrocos e pde sentir a diferena entre o norte rabe e o sul berbere talvez tenha uma pequena ideia do que estou a falar. Desde ento, os saharaus em pequeno nmero (so meio milho) lutam diariamente pela sua sobrevivncia ao genocdio e a Frente Polisrio luta no terreno pela inverso da situao, controlando a maior parte do interior desrtico do territrio.

    Nunca soube o nome do tal grupo, mas muito mais tarde comeei a ouvir outro, em tudo parecido na descrio e na msica, que se viria a tornar na voz tuaregue do deserto do Sahara mais ouvida e conhecida internacionalmente, uma das novas coqueluches do mercado da chamada world music. Na altura,

    A r

    evol

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    o sa

    hari

    ana

    A msica portuguesa a gostar dela prpria

    A Msica Portuguesa A Gostar Dela Prpria um canal on-line criado pelo realizador portugus Tiago Pereira (conta tambm com a ajuda de Joana Barra Vaz) que pretende criar um acervo assinalvel de vdeos de msicos portugueses. H menos de dois meses a celebrar a variedade da msica feita em Portugal, o canal conta j com 172 vdeos filmados propositadamente para o efeito. Dezenas e dezenas de msicos, dos mais aos menos conhecidos, trazidos para a rua e registados em HD. Tocam em formato acstico (por vezes aparecem amplificadores a pilhas ou outros gadgets mais elaborados) em lugares mais ou menos inspitos - h telhados de prdios, ramos de rvores, quintais ou falsias - sem constrangimentos de

    Pedro Lucas

    sobretudo com o lanamento de Aman Iman (2007), foi a descoberta incrdula do rock do desrt pelo tribunal de melmanos modernos, sempre vido de novos actores, quais popstars, a quem possa catalogar e afixar umas etiquetas. que o tal rock tem mesmo power. Um power hipnotizante, salgado na mistura de palmas e vocalizaes tradicionais com as rasgadas guitarras elctricas, como as serpentes ondulantes cavalgando as dunas do Sahara nos filmes do Attenborough. O power que nos electrizou naquela tarde da Gulbenkian. O power revolucionrio, ou pelo menos guerreiro, destes povos do deserto. Os membros fundadores dos Tinariwen foram combatentes da guerrilha tuaregue que lutava no norte do Mali pela sobrevivncia ao poder central.

    J agora aproveito para falar de Ali