fazendo 103

Download Fazendo 103

Post on 24-Jul-2016

249 views

Category:

Documents

1 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

O Boletim do que por cá se faz

TRANSCRIPT

  • 103Novembro2015

    fazENDO

    H UM MUNDO L FORA TUA ESPERA... SE NO CHOVER

  • fazENDO Num. 103 | Novembro 2015 o boletim do que por c se faz

    DirectoresAurora Ribeiro

    Toms Melo

    ColaboradoresPaulo Vilela Raimundo | Fernando Nunes

    Miguel Machete | Gina vila Macedo Sara Soares | Carolina Furtado

    Micael Almeida | Ana Lcia Almeida Paulo Novo | Ana Rodrigo

    Marina Ladrero | Joo Venceslau Jos Andrade Melo | Teresa Cerqueira

    RevisoSara Soares

    PaginaoRaquel Vila | Gel Dominguez

    Projecto GrficoRaquel Vila

    PROPRIEDADE Assoc Cultural Fazendo

    SEDE Rua Conselheiro Medeiros n 19

    9900 Horta

    PERIODICIDADE mensal

    TIRAGEM 500 exemplares

    IMPRESSO o telgrapho

    Aceitamos colaboraes sob a forma de DOAES | ASSINATURAS | CONTEDOS eVOLUNTARIADO

    DOAES | O Fazendo quer continuar a ser gra-tuito e um projecto que funciona base de volun-tariado, mas temos grandes despesas de impresso, distribuio e manuteno. Recebemos doaes na nossa conta da CGD: NIB: 0035 0366 000 287 299 3016

    ASSINATURAS | Para receber o Fazendo em casabasta depositar 20 na nossa conta:NIB: 0035 0366 000 287 299 3016

    e juntamente com o comprovativo enviar o endereo postal onde se quer receber o jornal para vai.se.fazendo@gmail.com

    Marrameu torra castanyesA la voreta del focJa nhi peta una als morrosJa tenim Marrameu mort.

    Pica ben fort, pica ben fortQue piques fusta, pica ben fort.

    Marrameu i MarrameuaSemboliquen en un llenolFeien veure que era un homeI era una fulla de col.

    Pica ben fort, pica ben fortQue piques fusta, pica ben fort.

    Marrameu ja no senfilaPer terrats ni per balconsQue t una gateta a casaQue li cus tots els mitjons.

    Pica ben fort, pica ben fortQue piques fusta, pica ben fort.

    CAPARaquel Vila

    www.fazendo.pt

    ASSINATURAS Se assinares o fazendo ele chegar sempre a tua casa

    Marrameu torra castanhasl pertinho do fogoJ lhe estala uma no focinhoJ temos Marrameu morto.

    Bate bem forte, bate bem forteEstala a Madeira, bate bem forte.

    Marrameu e Marrameuaenrolam-se num lenolpensavam que ele era um homemmas era uma folha de couve.

    Bate bem forte, bate bem forteEstala a Madeira, bate bem forte.

    Marrameu j nao se enfiaNem por telhados nem por varandasQue ele tem uma gatinha em casaQue lhe cose todas as meias.

    Bate bem forte, bate bem forteEstala a Madeira, bate bem forte.

    Esta publicao tem o apoio da:

  • CAPA

    ASSINATURAS Se assinares o fazendo ele chegar sempre a tua casa

    EDITORIAL

    Ilu

    stra

    o

    Raq

    uel

    Vila

    Como que estamos? Bem?Controlo tudo o que sou, tudo o que fao, tudo o que quero. Olho para dentro, estou bem assim?Olho para fora, ns como grupo, estamos bem? Esta comunidade, est a seguir o rumo que quer? Esta ci-dade, esta ilha e este arquiplago navegam para bom porto? O Pas e a Europa ainda conseguem voar? O nosso mundo, o nosso universo... l fora, o nosso universo c dentro sempre a mudar. Inspira, expira.

    O que devemos mudar? Tudo? Mudamos sempre tudo! O que, por mero acaso, fica igual... fica mes-mo bem assim!

    Vamos l comear de novo! Aqui e agora!

    Mais um ano, mais uma reinveno completa do Fa-zendo.No fomos a eleies, no foi preciso, antes abrimos as portas, e quem quis entrar entrou! E o ltimo fecha a porta? No, aqui no, podem sempre entrar mais. No Fazendo h espao para todos, todos os que fazem, todos os que querem fazer. Novo de-sign: Raquel Vila Arisa. Novo paginador: Goel Do-minguez. Novas rubricas: ora grficas ora escritas, literrias e musicais, enamoradas umas, animadas outras. No temos medo da mudana!

    Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,Muda-se o ser, muda-se a confiana;Todo o mundo composto de mu-dana,Tomando sempre novas qualidades.

    Continuamente vemos novidades,Diferentes em tudo da esperana;Do mal ficam as mgoas na lem-brana,E do bem, se algum houve, as sau-dades.

    E, afora este mudar-se cada dia,Outra mudana faz de mor espanto:Que no se muda j como soa.

    Lus de Cames

    TOMS MELO

  • fazENDO | 4

    A GALXIA DE

    Exposio between cosmos

    and matter-substance

    Cludia Furtado

    Se ainda no estiveste na exposio da Biblioteca Pblica da Horta, tens aqui a oportunidade de ver o trabalho da jovem artista faialense Cludia Furtado at ao dia 5 de Dezembro. Uma seleco multidisciplinar de obras que contempla desenhos a carvo, a pastel, fotografias, livros de artista, esculturas e vdeos.

    Ver o trabalho da Cludia como dar um passeio pela criao do universo, um estudo da matria em processo evolutivo constante. As suas peas fotogrficas remetem- -nos inevitavelmente para o cosmos, planetas flutuando na escurido infinita que tentam apanhar o espectador entre texturas, jogos de luz e cores.

    Os trabalhos a pastel mostram a busca e o processo, o estudo da forma, a substncia e a matria, o pr-nascimento de cada planeta materializado escultoricamente. Em sequncia, alinhados, estes grupos de desenhos definem o espectro de possibilidades do cosmos de Furtado. Por outro lado o conjunto de obras a carvo, que muita ateno captaram durante a inaugurao, oferecem uma perspectiva abstracta, um pouco mais parte do conjunto cosmos mas com uma riqueza de texturas que podem dar asas tua imaginao como quando procuras formas e histrias nas nuvens.

    Finalmente o espao dedicado aos livros de artista acolhe uma

    GEL DOMINGUEZ

    seleco de mini obras catlogo que expem um resumo do processo de criao do conjunto expositivo que se destaca materialmente junto instalao do centro da sala, uma ampla superfcie em que se destacam as peas escultricas que reafirmam todo o conjunto da exposio.

    A artista oferece-nos um desafio ao nosso sentido ptico, s sensaes que provoca e beleza. Um trabalho acertadamente e meticulosamente organizado, que afirma Cludia Furtado como uma criadora local que aposta no seu estilo prprio, a sua arte contempornea. Uma mostra que no podes perder. Este um pedao da cultura viva que nos rodeia e que devemos alimentar.

  • | fazENDO 5

    Cludia Furtado Espelhos Naturais

    Antnio Garcia Guerreiro apresenta um conjunto de fotografias volta do arquiplago aoriano intitulado Espelhos Naturais. O visitante desta curiosa exposio, patente num pequeno com-partimento da Biblioteca Pblica e Arquivo Regional de Ponta Delgada at Janeiro do prximo ano, poder ser surpreendido com fotografias facilmente reconhecveis -so fotografias realizadas em quase todas as ilhas aorianas - mas expostas de forma singular e estimulante aos nossos olhos, exigindo tempo e compreenso nossa experincia sensorial.

    As fotografias de Espelhos Naturais revelam assim um fot-grafo sensvel, fascinado pelos cambiantes da paisagem e entu-siasmado pela policromia da natureza das ilhas atlnticas. Neste jogo implcito de luz e contrastes, j que so fotografias que usam e abusam do reflexo da gua, o jovem fotgrafo sim, esta a sua primeira exposio!!! apresenta imagens de cima para baixo, fazendo-as rodar os 180 graus, tendo por objectivo propor

    e revelar novos detalhes ou outros efeitos pretendidos, abar-cando desta feita as dicotomias: real/irreal, cu/terra, vida/sonho. Relembrando ainda um literato argentino, Alberto Manguel, este escreveu em No Bosque do Espelho: Somos criaturas arruma-das. Desconfiamos do caos. As experincias chegam-nos sem um sistema reconhecvel, sem qualquer razo inteligvel, com uma generosidade livre e cega. E, no entanto, perante todas as provas em contrrio, acreditamos na lei e na ordem. Antnio Garcia Guerreiro contraria em Espelhos Naturais essa mesma lei e ordem, propondo deste modo um presente para os nossos senti-dos, arriscando-se assim a encontrar beleza no caos e na mirade de reflexos e estmulos que a natureza em redor nos proporciona. Afinal, o belo pode ser catico e desordenado, e, para que isso acontea, basta estar aberto e, com absoluta clareza, atento.

    A ntnio

    Garcia

    deFERNANDO NUNESSobre

  • fazENDO | 6

    DIA INTERNACIONALda

    PAULO VILELA RAIMUNDO

    com um amargo travo na boca que vos trago como tema de reflexo o Dia Internacional da Paz, recm-celebrado no passado dia 21 de setembro.

    Desde que, em 30 de novembro de 1981, a Organizao das Naes Unidas (ONU) instituiu esta efemride, nos forada a reflexo sobre as mltiplas guerras que assolam o planeta, levando-nos a concluir que no invertendo a tendncia atual, se caminha a passos largos para um conflito generalizado, de resultado irremediavelmente nefasto.

    J em 21 de Setembro de 2006, por ocasio das comemoraes do Dia Internacional da Paz, Kofi Annan afirmou: H vinte e cinco anos, a Assembleia Geral [da ONU] proclamou o Dia Internacional da Paz como um dia de cessar-fogo e de no-violncia em todo o mundo. Desde ento a ONU tem celebrado este dia, cuja finalidade no apenas que as pessoas pensem na paz, mas sim que faam tambm algo a favor da paz.

    A verdade que um dia por ano no basta!

    Enquanto se insistir em polticas fratricidas, onde os poderosos usam e abusam dos destinos de populaes indefesas, saqueando os recursos geolgicos, tursticos e culturais de continentes inteiros; disseminando guerras e tenses (at aqui regionais) para manter

    lucrativos os setores do armamento;

    interferindo politicamente em pases constitudos como naes independentes, de modo a satisfazer copiosamente as suas clientelas poltico--econmicas, caminharemos fatalmente para um afastamento entre ricos e pobres, condenando a maioria da populao do globo a uma obrigatria luta pela sua sobrevivncia.

    Os condimentos banalizados nessa mescla explosiva vm sendo o racismo, a xenofobia e o desconhecimento do prxim